
Foto nº 1, 1A, 1B
Foto onº 2
Guiné > Bissau > Cais do Comando de Defesa Marítima > 1970 > "UAM BOR", ao lado da LFG Orion P362 e LFG Cassiopeia P373. Bissau. Foto da página do Facebook de Carlitos Montego. O pai foi marinheiro cabo-de-mar no motor "Bor", em 1969/72. Promovido a cabo em 1970. E ele próprio foi "filho da Escola". Foto (a cores) do Carlitos Montego (Carlos Gomes), Reconstituída e melhorada, em termos de resolução e qualidade da imagem.
1. É uma (nº 2) da página do Facebook do Carlitos Montego, nosso amigo do Facebook da Tabanca Grande. Vive em Benfica, Lisboa, é filho de marinheiro, e também ele "filho da Escola". E ele próprio (e o irmão, Paulo Gomes) "bebeu a água do Geba" (estiveram os dois em Bissau, com os pais; vamos apresentá-los em próximo poste).
Tem uma página popular na rede social Facebook (com cerca de 2,8 mil seguidores) dedicada à partilha de memórias, fotografias, vídeos e histórias ligadas à Marinha Portuguesa e à vida no mar. Ele próprio se define, de maneira poética e bem-humorada, como "Calceteiro Marítimo. Endireitar o mar, como se o mar fosse calçada."
Publica frequentemente imagens históricas e atuais de navios da Marinha Portuguesa (incluindo os que operaram no CTIG) e promove o convívio e a partilha de recordações entre antigos e atuais camaradas do meio naval.
O Carlitos Montego adicionou há tempos uma foto (nº 2) da "UAM Bor" ao álbum Bissau > 23 de janeiro de 2023 ·
Bissau Ponte-cais
UAM BOR
LFG Orion P362
LFG Cassiopeia P373
1970
Legendagem:
O Carlitos Montego adicionou há tempos uma foto (nº 2) da "UAM Bor" ao álbum Bissau > 23 de janeiro de 2023 ·
Bissau Ponte-cais
UAM BOR
LFG Orion P362
LFG Cassiopeia P373
1970
Legendagem:
"Meu pai foi Mar. CM [ leia-se: marinheiro cabo-de-mar] na BOR de 69 a 72, promovido a Cabo em 70. A BOR pertencia ao Comando da Defesa Marítima de Bissau.
"Esta embarcação era como um ferryboat, com dois motores, um a bombordo à proa, e outro a estibordo na popa, com pás (não tinha hélices) navegava para qualquer direcção. É um tipo de propulsão com pás verticais (tipo “remadores”) que giram num disco horizontal. Ao contrário das hélices normais, pode mover o barco para frente, trás, lado, ou girar no próprio eixo.
Era usado para transporte de carga diversa, desde vacas, galinhas, viaturas, e passageiros, podendo transportar cerca de 400 passageiros e bagagem, que viajavam em pé e alguns sentados. E também fazia o transporte de guarnições militares, ou a rendição de companhias de unidades militares, nos postos do rio Geba principalmente.
Era usado para transporte de carga diversa, desde vacas, galinhas, viaturas, e passageiros, podendo transportar cerca de 400 passageiros e bagagem, que viajavam em pé e alguns sentados. E também fazia o transporte de guarnições militares, ou a rendição de companhias de unidades militares, nos postos do rio Geba principalmente.
"Apanhou por duas vezes, atracado no Xime, o 'macaréu', penso que em 1971. Pode formar ondas de até dezenas de metros de largura, com até três a cinco metros de altura, e velocidades de até trinta a cinquenta quilómetros por hora... E por uma vez, depois de ter rebentado com quase todos os cabos reforçados que prendiam o Bor ao cais, a sorte é que o 'macaréu' acabou, a maré baixou, a corrente perdeu força, e a embarcação ficou presa por um cabo de aço.
"A guarnição (dois militares e dois civis), que estava em terra, ficou aliviada, se demorasse mais alguns minutos o cabo rebentaria e a embarcação sairia desgovernada rio Geba abaixo. Aqui uma vez, numa viagem Bissau-Xime, numa curva 'famosa' do rio, de que não lembro o nome [provavelmente Mato Cão], foi atacada, penso que em 1972.
"Nas missões de rendição de companhias era escoltado e acompanhado por LDG, LDM, Patrulhas, e apoiada pelos Fiat da Força Aérea."
2. UAM - Unidade Auxiliar da Marinha
Este acrónimo e designação são atribuídos a embarcações ao serviço da Marinha que, pelas suas características ou funções específicas, não são consideradas navios de guerra combatentes da linha da frente (ou seja, não recebem o prefixo militar NRP — Navio da República Portuguesa).
No contexto da Guerra do Ultramar na Guiné (como o caso da "Bor" na foto, um "motor", de 40 toneladas), as UAM desempenhavam um papel logístico crucial:
(i) eram frequentemente utilizadas para o transporte de tropas, reabastecimento de material, combustíveis ou água doce ao longo dos rios, e apoio logístico geral aos fuzileiros e companhias no interior do território;
(ii) no caso do motor "Bor" (é assim que a CECA, 2014, lhe chama, pág. 482) a sua estrutura de fundo chato e a rampa à proa assemelhavam-na visualmente e funcionalmente a uma lancha de desembarque (daí poder ser confundida com as LDG), ideal para encalhar em bancos de areia e margens lamacentas para carregar ou descarregar pessoal e viaturas;
(iii) tinha um sistema de propulsão especial (Voith-Schneider): contava com dois motores, dispostos de forma assimétrica, um à proa a bombordo (lado esquerdo) e outro à popa a estibordo (lado direito), como já se disse acima; este sistema utilizava hélices de pás verticais orientáveis (cicloides), que giravam num disco horizontal.
(iv) este arranjo conferia à embarcação uma manobrabilidade excecional: conseguia girar 360 graus praticamente sobre o seu próprio eixo e navegar lateralmente, algo crucial para escapar de emboscadas ou contornar os canais estreitos, sinuosos e de pouca profundidade (os "tarrafes" e esteiros) dos rios da Guiné;
(v) embora fossem consideradas unidades auxiliares não-militares no papel, podiam ser tripuladas por militares da Armada, ou por marinheiros militarizados ou civis;
(vi) o "Bor" e outros "motores" pertenciam aos Serviços da Marinha da Província; caso do "Corubal (30 t), do "BM1" (40 t), do "BM2" (40 t) e ainda do "Formosa", fazendo tanto transportes militares como civis:
(vii) devido ao seu perfil lento e vulnerável, sempre que navegava em missões fluviais mais arriscadas, as UAM eram, em geral. escoltada por Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG) ou Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP), como as que aparecem ao lado da "Bor" na foto original (Orion e Cassiopeia) (fotos nº 1 e 2);
(viii) sendo uma UAM, a "Bor" não dispunha originalmente de sistemas de armas pesados de fábrica; contudo, no ambiente de guerra da Guiné, uma UAM como esta embarcação podia ser reforçada à pressa com reparos locais para metralhadoras pesadas (como as Browning 12.7 ou canhões de 20mm) à proa e nos flancos para autodefesa contra fogo vindo das margens;
(ix) a "Bor" participou, por exemplo, na Op Tridente (jan-mar 1964).
Continuamos a chamar-lhe "ferryboat" (como de resto, a CECA também lhe chama). Tem 9 referências no nosso blogue. Procuram-se mais testemundos e fotos da "Bor". Falaremos mais e melhor, em próximo poste, dos "transportes fluviais" na Guiné.
[ Pesquisa: IA + Facebook do Carlitos Montego + CECA + IA (ChatGPT / Open AI | Gemini / Google AI)]
[ Pesquisa: IA + Facebook do Carlitos Montego + CECA + IA (ChatGPT / Open AI | Gemini / Google AI)]
(Condensação, revisão / fixação de texto : LG)
_______________
Nota do editor LG:
Último poste da série > 28 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27474: A Nossa Marinha (5): Os últimos marinheiros do Império




Sem comentários:
Enviar um comentário