Caros amigos
Votos de ótima saúde
Realizou-se em Meimoa em 2026.10.17 um Encontro Convívio dos Meimoenses Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar, seus familiares, Amigos e Simpatizantes, cuja Comissão Organizadora foi presidida pelo amigo Major-General João Afonso Bento Soares.
Meimoa é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Meimoa (20,58 km² de área e 307 habitantes - censo de 2021) do Município de Penamacor, distrito de Castelo Branco.
A freguesia da Meimoa fica a cerca de 12 Km a norte de Penamacor. Da sua fundação pouco ou nada se sabe. Presume-se que terá sido muito importante no tempo dos romanos devido à existência da ponte Romana/Filipina, erguida sobre a ribeira da Meimoa. Para a origem do seu nome aponta-se a mesma que a do Meimão. Segundo Frei de Sousa, o nome Meimão e Meimoa, são de origem árabe e derivam de Mamona, nome próprio de mulher, cujo significado é, estar segura, firme, constante, conservada, etc. Pinho Leal diz que a mais provável origem destes nomes (Meimão e Meimoa), é a palavra Mâmoa (monumento funerário). Tempos depois os romanos chamavam-lhe mamona, pela semelhança que tem com o peito da mulher (Junta de Freguesia Meimoa).
Ponte Romana – Foto de Ribeira de Meimoa River Beach ...
A minha presença foi proporcionada pelo amigo General João Afonso Bento Soares, ao qual estou grato.
O convívio, salutar, foi precedido de Missa vespertina na Igreja Matriz de Meimoa, tendo participado na concelebração o amigo Pe. José Torres Neves e alocução do General João Afonso. Construída em 1673 e reconstruída em 1770, em 1905 e em 1917. Apresenta uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor mais estreita e uma sacristia e uma torre sineira adossadas. No exterior, destaque para um cruzeiro construído reaproveitando um antigo silhar romano com inscrição votiva.
Anexo algumas fotografias bem como o discurso do amigo Gen. João Afonso, do evento, para postagem se for esse o vosso entendimento.
Um grande abraço,
Ernestino
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ENCONTRO DOS ANTIGOS COMBATENTES MEIMOENSES NS GU
17 OUT2026
VOCATIVOS:
Quero cumprimentar e agradecer a presença de TODOS, mas permitam-me que refira:
- Os Caríssimos Pe Rui, Pe Jorge e nosso conterrâneo Pe Zé Torres Neves que concelebrando a Santa Missa proporcionaram a este nosso Encontro um seu ponto alto;
- O Caríssimo Presidente da JF da Meimoa, José madeiras Afonso que, institucionalmente, nos tem apoiado;
- Os Caríssimos Primos Dr.s Messias Bento, Júlio Bento, Celestino Bento, o Prof. Zé Rainho com sua ilustre visita, camarada da Marinha, Comandante Fernandes…
- O Caríssimo Dr. Ernestino, muito amigo do Pe meimoenses, Zé Torres Neves, que foi capelão na Guiné, por onde os três andámos no fim da década de 60;
- Queridas Manas Mifá e Mariazinha, Querida comadre Inês, Querida Mª Lucinda- a “Nossa Menina”, companheira de juventude e o Querido casal Teresa e Abreu Correia;
- Enfim, saúdo TODOS os Queridos Antigos Combatentes, Familiares, Conterrâneos e Amigos, aqui presentes: Ternamente vos abraço, pois Todos cabem no meu coração;
- Uma última, mas necessária palavra, para este simpático poiso onde a D. Alice e sua equipa nos tem simpaticamente acolhido em muitos dos nossos convívios.
Permitam-me iniciar as minhas palavras com uma pergunta:
Fará sentido que, vivendo nós hoje num mundo novamente pejado de guerras, nós,antigos combatentes de uma guerra — a Guerra do Ultramar — nos continuemos a reunir todos os anos?
A minha resposta é, sem hesitação: sim, faz todo o sentido!
E faz sentido porque nós não nos reunimos para celebrar a guerra, nem para exaltar a violência, nem para alimentar qualquer saudosismo belicista.
Reunimo-nos precisamente porque conhecemos o preço da guerra.
Conhecemo-lo na juventude que então tínhamos, nas terras distantes onde fomos chamados a cumprir o nosso dever, nas famílias que ficaram à espera, nas cartas (e nos famosos aerogramas do SMF) que atravessaram oceanos, nas amizades que nasceram em circunstâncias difíceis e, sobretudo, nas marcas que muitos trouxeram consigo quando regressaram:
Alguns voltaram feridos no corpo. Outros trouxeram feridas que não eram visíveis, mas que ficaram com mazelas para toda a vida. Infelizmente, muitos outros não regressaram.
É por isso que este nosso convívio é também um acto de memória. Memória daqueles que, tendo estado entre nós ao longo dos anos, já não podemos fruir da sua companhia.
E permitam-me recordar, de modo muito especial, um dos nossos conterrâneos: o Alferes Comando João J. Fonseca Nabais, que tombou em Fevereiro de 1974, já nos derradeiros meses da GU. Meimoa não o esquece.
A todos eles – os que nos deixaram - prestamos a nossa homenagem. Que descansem em paz.
Por tudo isto, resumo afirmando: Eu quero a PAZ. Todos nós queremos a Paz, pelo que a PAZ é a essência que emana destes nossos Encontros.
Meus amigos,
Nós pertencemos a uma geração que viveu uma parte particularmente marcante da História de Portugal.
Uma geração que conheceu dificuldades, sacrifícios e responsabilidades muito cedo. Uma geração que fez a sua parte, com os conhecimentos, os valores e as circunstâncias do seu tempo.
Não cabe hoje reescrever a História Lusa à medida das ideologias do presente.
A História deve ser conhecida, estudada e compreendida — não apagada, adulterada ou julgada com ligeireza por quem dela conhece apenas alguns fragmentos.
A História de Portugal, como a História de qualquer povo, tem páginas de grandeza e páginas de erro; tem momentos de glória e momentos dolorosos; tem feitos de que nos podemos orgulhar e decisões que o tempo veio a demonstrar serem desapropriadas.
Mas permanece uma verdade, a todos os títulos, essencial: um povo, sem memória, que deixe de conhecer a sua História fica mais pobre, mais vulnerável e sem identidade.
E é, precisamente, nesse passado e presente históricos que encontramos valores que continuam a fazer sentido, independentemente das mudanças dos tempos: a honra, a coragem, o sentido do dever, a palavra dada, a camaradagem, o respeito pelo outro e o amor à Pátria.
Valores estes que não pertencem a partidos políticos, nem a ideologias. Pertencem às pessoas que constituem o nosso POVO.
E há aqui uma circunstância que, para nós militares, merece ser recordada:
Foi obra de militares, a Revolução de 25ABR74, que nos trouxe o fim da guerra e a Liberdade e que depois de um período conturbado, nos garantiu a Democracia com o 25NOV75 (em que tive a honra de participar, directamente, já que no 25ABR74 estava a terminar uma missão, fora do Exército, dirigindo a EIOTAN – Estação Portuguesa de Comunicações por Satélite integrada no Projecto SATCOM NATO).
Nós, militares de então, cumprimos a missão que a História colocara em nossas mãos:
primeiro, combater onde fomos enviados; depois, contribuir para pôr termo ao conflito e devolver ao País a possibilidade de construir um novo futuro.
Não fomos nós que escrevemos sozinhos esse futuro. Foram muitos os portugueses e portuguesas que, de diferentes formas, participaram na construção da democracia.
Mas podemos dizer, sem arrogância: a nossa geração fez parte dessa História.
Há ainda outra razão para estarmos aqui. Chama-se camaradagem.
Há amizades que nascem em circunstâncias normais. Outras nascem em circunstâncias extraordinárias e ficam para toda a vida.
Quem passou pelas experiências que nós passámos sabe bem que há laços que não precisam de ser explicados. Um olhar, uma recordação, um nome ou uma velha fotografia bastam para nos fazer regressar, por momentos, a outros tempos e a outros lugares.
É também por isso que estes encontros têm valor e plena justificação.
Porque não são só encontros de antigos militares. São encontros de homens e mulheres ligados por uma memória comum e por uma terra comum – neste caso, a nossa querida Meimoa — a Princesa da Cova da Beira.
E, com orgulho, recordo uma iniciativa desde a primeira hora: estes encontros são muito mais do que encontros de ex-combatentes. As suas portas sempre estiveram abertas aos familiares, aos amigos, aos conterrâneos e todos os simpatizantes que queiram estar connosco.
E assim deverá continuar. Neste sentido, permitam-me deixar aqui uma promessa simples:
Haveremos de continuar a cultivar este sentimento de reunião enquanto, pelo menos, um de nós alguns de nós tiver forças e vontade para tanto.
Haveremos de continuar a sentar-nos à mesma mesa.
Haveremos de continuar a recordar os que partiram.
Haveremos de continuar a contar aos mais novos aquilo que vivemos, não para lhes transmitir ódios ou ressentimentos, mas para que saibam que a paz, a liberdade e a concórdia entre os povos são bens demasiado preciosos para serem tratados como coisas adquiridas para sempre.
E, sobretudo:
Haveremos de continuar a dizer aos nossos filhos e netos que um homem pode discordar sem odiar e pode defender as suas convicções sem desrespeitar as dos outros. É, talvez este, um dos melhores ensinamentos que podemos deixar.
De facto, quando vemos novamente guerras, sofrimento e destruição em várias partes do mundo, compreendemos ainda melhor aquilo que há muito aprendemos:
A guerra pode começar com grandes palavras e ditas boas intenções, mas acaba sempre em dor e sofrimento.
Que aqueles que têm responsabilidades de Estado nunca esqueçam isso.
E que nós, que experienciámos a Guerra, nunca deixemos de valorizar a Paz.
Meus amigos e camaradas,
Atendendo à vetusta idade da grande maioria de nós, dentro de algum tempo, outros ocuparão o nosso lugar nestas mesas. Outros falarão, eventualmente, de nós e quando esse dia chegar, espero que possam dizer, a nosso respeito, apenas isto:
Foram homens do seu tempo. Cumpriram o seu dever. Souberam honrar a sua Pátria e recordar, com respeito, os seus mortos. Não esqueceram as suas raízes. E, sobretudo, permaneceram sempre amigos.
Se assim for, terá valido a pena termos estado hoje, mais uma vez, aqui reunidos.
E é por isso que, neste dia de convívio, quero terminar como comecei:
Sim, meus amigos. Faz todo o sentido estarmos aqui. Faz sentido pela memória. Faz sentido pela camaradagem. Faz sentido pela Amizade. Faz sentido pela nossa Meimoa.
E faz sentido porque quem honra os seus mortos, respeita a sua História e valoriza a Paz está, seguramente, melhor preparado para construir o Futuro.
Que Deus tenha junto de Si todos aqueles que já partiram e que dê saúde e longa vida aos que ainda aqui estamos, hoje e para o ano, se a Providência o permitir.
Vou terminar, como habitualmente, com um poema (de fraco bardo) e, desta feita, dedicado à nossa terra natal “MEIMOA – A Princesa da Cova da Beira”:
BERÇO BEIRÃO
(À minha aldeia de Meimoa)
Em ti moram meus sonhos de menino,
É forte o chamamento a que me atenho,
Nem fria noite, nem o sol a pino
Abalam o amor que por ti tenho.
A ti sinto agarrado o meu destino
Ligado a um querer em que me empenho;
Um grito de alma, se converte em hino,
Ou simples Graça vinda por engenho.
Percorri teus caminhos e veredas,
Bebi teus cheiros e comi azedas,
Mergulhei no açude da Ribeira…
Sou grato à sorte, ou divina virtude
Por ter vivido a minha juventude
Nesta Princesa da Cova da Beira.
(João Afonso)
Muito obrigado.
João Afonso - Meimoa, aos 17 de Outubro do ano da graça de 2026
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Nota do editor
Último post da série de 29 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV

















