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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28416: Prémio Govenador da Guiné e outros prémios (2): Em treze anos, de 1962 e 1974, viajaram à borla na TAP cerca de 1500 soldados e cvivis, "felizes contemplados"





Cópia do ofício do presidente do CA da TAP, o engº Amílcar José de Gouveia Marques (1917-1982, que foi ministro dos Transportes e Comunicações, no III Governo  Constitucional) com data de 30dez1974,  e dirigido ao Ministro da Defesa Nacional,  a anunciar  o fim  dos Prémios instituídos pela empresa para "recompensar os militares e civis que se tivessem distinguido na luta em África" (sic): 

  • Prémio Governador-Geral de Angola (1962), 
  • Prémio Governador da  Guiné (1965),
  • Prémio Governador de Moçambique (1966), 
  • Prémio Governador de S. Tomé e Príncipe (1966),
  • e ainda Prémio 'Heróis de Portugal' (1972) (este para os condecorados, no 10 de Junho, com a Torre e Espada).
"Em face da atual situação política em relação às nossas c0lónias foi decidido, em Conselho de Administração, acabar com estes Prémios" (sic), lê-se no ofício supracitado.

Documento disponibilizado leo nosso camarada paraquedista Pedro Castanheira no Portal Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, e qui reproduzido parcialmenet, com a devida vénia.














Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné > s/ d > Regulamento para  Concessão do Prémio Governador da Guiné > Cópia do ADN - Arquivo de Defesa Nacional > Disponibilzada pelo Pedro Castanheira no Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultrama Tem capa e 2 folhas, numeradas de 1 a 2, com 11 pontos. Não sabemos se está completo. Não tem data nem outras especificações, 

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



1. Diz o "Senhor TAP" da Tabanca Grande, o Alberto Branquinho (trabalhou muitos anos no departamento jurídico da nossa transportadora aérea), em comentário ao poste P28412 (*):


Gen Arnaldo Schulz

(...) "Quanto ao Prémio Governador Geral não sei se foi criado pela TAP ou se foi ideia de algum Ministério, que a TAP acompanhou" (*).

Alberto, não temos cópia do documento que criou o Prémio Governador-Geral de Angola, em 1962. Temos apenas o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, criado posteriormente, em 1965, ao tempo do governador e comandante-chefe gen Arnaldo Schulz (1910-1993) (foto à esquerda).

Pelo documento que acima reproduzimos, o prémiuo era sobretudo uma "borla" na TAP (uma viagem de ida e volta de  Bissau à Metrópole ou Ilhas Adjacentes da Madeira e dos Açores, como então se dizia). 

A tropa encarregava-se do transporte , alojamemto e alimentação durante o trânsito em Bissau do "feliz contemplado"... Uma vez na metrópole, tinha direito a viajar da borla na CP, de Lisboa até à "terra da sua natalidade" (sic) (lapso: naturalidade). 

Era um prémio,  sobretudo para praças que habitualmente não podiam ir  à "terra" para gozo da licença de férias. dado o preço, exorbitante, dos bilhetes cobrados pela TAP, mais de 6 contos (6430$00, ida e volta,em 1971, equivalente hoje a mais de 2 mil euros). Em todo o caso, um prémio modesto para quem arriscava o pêlo pela "Pátria"...

O regulamento não foi elaborado, naturalmente, pela TAP ( ou o seu departamente jurídico),  mas por alguém do QG/CTIG.

Os critérios para a concessão do Prémio Goovernador da Guiné eram apertados. Por ordem decrescente de importância, eram os seguintes:  (i) ter cruz de guerra ou medalha de valor militar com palma; (ii)  ter outras medalhas por "serviços distintos ou relevantes no Ultramar por feitos em campanha"; (iii) ter sido "ferido gravemente em combate com ação relevante", etc,

Por outro lado, não nos parece que, além da viagem, o premiado recebesse "patacão" (a não ser talvez algum "dinheiro de bolso", no caso dos "naturais da Província", contrariamente  à interpretação abusiva da IA (*).

Como já aqui comentámos (*), uma coisa era o espírito e a letra o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, e outra a sua aplicação prática, ..Diz logo no ponto 1 que tem por finalidade galardosar: (i) " cabos e marinheiros, soldados e grumetes, seus equiparados das forças militares e militarizadas": e ainda (ii) "civis". num caso e noutro,  "que se tenham distinguido por actos de heroísmo ou abnegação na luta contra o terrorismo"...

Ou seja: o prémio era visto sobretudo como uma oportunidade para as "praças" (e não propriamemte os sargentos e oficiais subalternos, milicianos ou do QP) de gozarem um mês de licença na metrópole (continente e ilhas adjacentes). De resto, dera condição necessária, para beneficiar da concessão do prémio, "não ter gozado licença disciplinar no ano em causa" (sic)...

E, no caso dos "naturais da Província", como o João Bacar Jaló (*), era uma oportunidade de conhecer a "mãe-pátria"... (Não sabemos quantos guineenses  beneficiaram do Prémio, de 1965 a 1974; mas deviam vir, de preferência, por razões climáticas, entre abril e outubro.)

Pelos vistos, o entendimento da "tropa" (leia-se: do QG/CTIG em Bissau) terá sido outro, e diferente do regulamento; e os sargentos e oficiais também passaram a ser "elegíveis", conforme   vídeos que selecionámos,  da RTP Arquivos (*).

Não temos a estatística dos "felizes contemplados" por ano, teatro de operações e posto, pelo que temos de ser prudentes em relação a conclusões e generalizações.

Ficamos a saber, isso sim,  que desta iniciativa da TAP beneficiaram cerca de 1500 soldados e civis, o que  em 13 anos, desde 1962 até 1974, dá uma média de 115 beneficiários, "grosso modo", por ano, 2,2 por semana.

 Estamos a falar de 0,001875 % do total de tropas  mobilizados para os 3 teatros de operações (c. 800 mil, entre metropolitanos e africanos) (e não contando com os civis, que foram contemplados, já que se desconhece o seu número).

O  que  em 13 anos, desde 1962 até 1974, dava uma média de 115 beneficiários, "grosso modo", por ano, 2,2 por semana. Estamos a falar de 0,001875  % do total de tropas  mobilizados para os 3 teatros de operações (c. 800 mil, entre metropolitanos e africanos) (e não contando com os civis, que foram contemplados, já que se desconhece o seu número).

Importa salientar que o prémio era também, uma forma de,  mostrando à Nação os nossos "bravos": 

(i) apresentar a "guerra do ultramar" aos militares e à populaçáo civil, metropolitana e guineeense; 

(ii) banalizá-la (mesmo à distância de casa,  de 4 mil, 8 mil, 12 mil quilómetros, fazia desde 1961 parte da rotina e do "fado" dos portugueses);  

e  (iii) legitimá-la institucionalmente.   

Na sua visita à metrópole. os premiados tinham direito ao "minuto de fama" no telejornal da RTP e tinham obrigações protocolares (serem recebidos pelos Ministros do Ultramar, da Marinha, do Exército...).
 
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