
Cópia do ofício do presidente do CA da TAP, o engº Amílcar José de Gouveia Marques (1917-1982, que foi ministro dos Transportes e Comunicações, no III Governo Constitucional) com data de 30dez1974, e dirigido ao Ministro da Defesa Nacional, a anunciar o fim dos Prémios instituídos pela empresa para "recompensar os militares e civis que se tivessem distinguido na luta em África" (sic):
- Prémio Governador-Geral de Angola (1962),
- Prémio Governador da Guiné (1965),
- Prémio Governador de Moçambique (1966),
- Prémio Governador de S. Tomé e Príncipe (1966),
- e ainda Prémio 'Heróis de Portugal' (1972) (este para os condecorados, no 10 de Junho, com a Torre e Espada).
"Em face da atual situação política em relação às nossas colónias foi decidido, em Conselho de Administração, acabar com estes Prémios" (sic), lê-se no ofício supracitado.
Documento disponibilizado leo nosso camarada paraquedista Pedro Castanheira no Portal Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, e qui reproduzido parcialmenet, com a devida vénia.
Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné > s/ d > Regulamento para Concessão do Prémio Governador da Guiné > Cópia do ADN - Arquivo de Defesa Nacional > Disponibilzada pelo Pedro Castanheira no Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultrama Tem capa e 2 folhas, numeradas de 1 a 2, com 11 pontos. Não sabemos se está completo. Não tem data nem outras especificações,
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
1. Diz o "Senhor TAP" da Tabanca Grande, o Alberto Branquinho (trabalhou muitos anos no departamento jurídico da nossa transportadora aérea), em comentário ao poste P28412 (*):
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Gen Arnaldo Schulz (1910-1993) |
(...) "Quanto ao Prémio Governador Geral não sei se foi criado pela TAP ou se foi ideia de algum Ministério, que a TAP acompanhou" (*).
Alberto, não temos cópia do documento que criou o Prémio Governador-Geral de Angola, em 1962. Temos apenas o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, criado posteriormente, em 1965, ao tempo do governador e comandante-chefe gen Arnaldo Schulz (foto à esquerda).
Pelo documento que acima reproduzimos, o prémiuo era sobretudo uma "borla" na TAP (uma viagem de ida e volta de Bissau à Metrópole ou Ilhas Adjacentes da Madeira e dos Açores, como então se dizia).
A tropa encarregava-se do transporte , alojamemto e alimentação durante o trânsito em Bissau do "feliz contemplado"... Uma vez na metrópole, tinha direito a viajar da borla na CP, de Lisboa até à "terra da sua natalidade" (sic) (lapso: naturalidade).
Era um prémio, sobretudo para praças que habitualmente não podiam ir à "terra" para gozo da licença de férias. dado o preço, exorbitante, dos bilhetes cobrados pela TAP, mais de 6 contos (6430$00, ida e volta,em 1971, equivalente hoje a mais de 2 mil euros).
Em todo o caso, um prémio modesto para quem arriscava o pêlo pela "Pátria"... Não havia subsidio de férias na época. Todas as despesas extras eram suportadas pelo premiado... Com o pré de uma praça, na época, não se podia ir longe da aldeia ou viloria da "natalidade"... A mobilidade era reduzida,a rede de transportes públicos rudimentar... Em suma, foi sobretudo um bom negócio para TAP...
O regulamento não foi elaborado, naturalmente, pela TAP ( ou o seu departamente jurídico), mas por alguém do QG/CTIG.
Os critérios para a concessão do Prémio Goovernador da Guiné eram apertados. Por ordem decrescente de importância, eram os seguintes: (i) ter cruz de guerra ou medalha de valor militar com palma; (ii) ter outras medalhas por "serviços distintos ou relevantes no Ultramar por feitos em campanha"; (iii) ter sido "ferido gravemente em combate com ação relevante", etc,
Por outro lado, não nos parece que, além da viagem, o premiado recebesse "patacão" (a não ser talvez algum "dinheiro de bolso", no caso dos "naturais da Província", contrariamente à interpretação abusiva da IA (*).
Como já aqui comentámos (*), uma coisa era o espírito e a letra o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, e outra a sua aplicação prática, ..Diz logo no ponto 1 que tem por finalidade galardosar: (i) " cabos e marinheiros, soldados e grumetes, seus equiparados das forças militares e militarizadas": e ainda (ii) "civis". num caso e noutro, "que se tenham distinguido por actos de heroísmo ou abnegação na luta contra o terrorismo"...
Ou seja: o prémio era visto sobretudo como uma oportunidade para as "praças" (e não propriamemte os sargentos e oficiais subalternos, milicianos ou do QP) de gozarem um mês de licença na metrópole (continente e ilhas adjacentes). De resto, dera condição necessária, para beneficiar da concessão do prémio, "não ter gozado licença disciplinar no ano em causa" (sic)...
E, no caso dos "naturais da Província", como o João Bacar Jaló (*), era uma oportunidade de conhecer a "mãe-pátria"... (Não sabemos quantos guineenses beneficiaram do Prémio, de 1965 a 1974; mas deviam vir, de preferência, por razões climáticas, entre abril e outubro.)
Pelos vistos, o entendimento da "tropa" (leia-se: do QG/CTIG em Bissau) terá sido outro, e diferente do regulamento; e os sargentos e oficiais também passaram a ser "elegíveis", conforme vídeos que selecionámos, da RTP Arquivos (*).
Não temos a estatística dos "felizes contemplados" por ano, teatro de operações e posto, pelo que temos de ser prudentes em relação a conclusões e generalizações.
Ficamos a saber, isso sim, que desta iniciativa da TAP beneficiaram cerca de 1500 soldados e civis, o que em 13 anos, desde 1962 até 1974, dá uma média de 115 beneficiários, "grosso modo", por ano, 2,2 por semana.
Estamos a falar de 0,1875 % do total de tropas mobilizados para os 3 teatros de operações (c. 800 mil, entre metropolitanos e africanos) (e não contando com os civis, que foram contemplados, já que se desconhece o seu número). Em termos mais simples, são menos de 2 em cada mil. Em termos práticos, e bem humorados, tivemos um herói... por batalhão (!).
Importa salientar que o prémio era também, uma forma de, mostrando à Nação os nossos "bravos":
(i) apresentar a "guerra do ultramar" aos militares e à populaçáo civil, metropolitana e guineeense;
(ii) ,banalizá-la" (mesmo à distância de casa, de 4 mil, 8 mil, 12 mil quilómetros, fazia desde 1961 parte da rotina e do "fado" dos portugueses);
e (iii) " legitimá-la" institucionalmente.
Na sua visita à metrópole. os premiados tinham direito ao "minuto de fama" no telejornal da RTP, a par das obrigações protocolares (serem recebidos l, em Lisboa, nos gabinetes dos Ministros do Ultramar, da Marinha, do Exército...). A partida e no regresso tinham que ir também ao " beija-mão" no palácio do Governador...
_________________Nota do editor LG:
(*) Último poste da sériue > 7 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28412: Prémio Govenador da Guiné e outros prémios (1): uma criação "patriótica" da TAP que tinha o monopólio das "linhas de África"
(*) Último poste da sériue > 7 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28412: Prémio Govenador da Guiné e outros prémios (1): uma criação "patriótica" da TAP que tinha o monopólio das "linhas de África"








7 comentários:
Ò Luis!
Eu "Senhor TAP"?! Há por aqui tanta gente da "casa"!
De quem foi a ideia original para criação desse prémio, a autoria do regulamento, revisões, reuniões, contactos havidos, desconheço tudo. Porque, mais tarde, conheci os "ambientes" posso ter uma opinião.
Só fui admitido na TAP em 1970 e numa posição em que um assunto desses desconheceria completamente.
Alberto, claro que a expressão "Senhor TAP" só se aplica à nossa escala..., a Tababnca Grande. Entraste numa altura, na TAP, em 1970, em
Alberto, claro que a expressão "Senhor TAP" só se aplica à nossa escala..., a Tababnca Grande. E tens uma vosão da empresa e do seu desenvolvimento, que outrs não têm. Se entraste em 1970 ainda conheceste gente que estava "alinhada" política e até ideologicamente com a "situação" ( o salazarismo e o marcelismo). A TAP teve outras iniciativas "patrióticas", além da instituição destes prémios: estou-me a lembrar do apoio ao Movimento Nacional Feminino e o transporte do correio do SPM (Serviço Postal Militar). Não sei quais eram as "contreapartidas" da empresa, é uma contabilidade difícil de se fazer...Mas também aqui não havia "almoços grátis"...
Pois, Luís
Tinha o exclusivo do transporte aéreo (inicialmente), isenções fiscais. Depois com a CEE:UE foi alterado.
O transporte do correio devia ser parcialmente pago. Fala-se em 10 tonelas por dia, SPM + CTT. Os aerogramas iam a borla, oferta da TAP. 10 toneladas é muito. O equivalente a um avião por dia com 150 gajos a 70 quilos em média. Quem pagava as encomendas postais que iam pelo SPM ? Os chouriços, os salpicoes, o bacalhau.. ?
E depois havia todos os dias gajos que iam de férias ou regressavam. E só podia ser pela TAP.... O mesmo acontecia com os civis. O avião substituiu o navio de carga e passageiros nas rotas de África... Não tenho dados sobre o número de passageiros e o total de carga que a TAP movimentava anualmente. Só na rota Lisboa-Bissau- Lisboa. Creio que havia 2 aviões por semana no meu tempo (1969/71). Já nem falo de Angola, Mocambique, etc.
Alberto, mas quem sou eu para julgar os gestores da TAP do "antigamente" ? Ontem como hoje defendem os interesses dos "shareholders", os acionistas, dizem eles...Marchavam ao som da música que a orquestra tocava,, tal como eu e tu marchámos na Guiné, apesar daquela guerra não ser a "nossa"... Mesmo assim confesso sempre gostei de voar na TAP...
Nunca soube qual era o meu "quinhão" na TAP, ou na Guiné... Mas a TAP " ajudou-me" a acabar o meu curso de sociogia. Fiz lá, em 1979/80, no departamento de manutenção (então com 2 mil trabalhadores, hoje uma empresa com 7 mil) o meu "seminário" de sociologia do trabalho.. E sempre viajei preferencialmente na TAP. Sou "patriota"...
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