
1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus homens no Cufeu, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973).
Ele escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente.
Este texto, que se segue, foi inicialmente publicado no Blogue Especialistas da Base Aérea 12,Guiné 65/74 > segunda-feira, 11 de abril de 2011 > Voo 2244: Gadamael Porto (3). Subtítulo: Pontualidade.
É agora republicado o texto, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que há dias se depediu da Terra da Alegria e que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande. É também a nossa forma de mostrar o respeito e o apreço que nos merecem todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973).
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1º srgt pqdt António Dâmaso |
por António Dâmaso
(1940-2026)
Ao longo da minha vida sempre tenho procurado ser pontual. Estávamos no “inferno” de Gadamael Porto onde diariamente éramos brindados com várias flagelações de armas pesadas diversas. Os ataques eram tantos que já estava habituado aos seus horários. No entanto, em virtude da sua precisão, todas as granadas caiam dentro do aquartelamento, se não queríamos lá ficar, tínhamos de ter muito cuidado.
O meu amigo e camarada Jota tinha chegado à Província quando eu estava no outro inferno chamado Guidage, tinha feito uma comissão em Moçambique em 1966/68, pelo que não estava familiarizado com o chamado ”Vietname Português”. O Jota tinha sido Condutor Auto
Estava no seu primeiro destacamento, não tinha ainda avaliado a dimensão daquela guerra. Um dia à tarde eram perto das 17 horas, ele entre a morança de adobo com telhado de zinco que nos abrigava da chuva e a vala, tinha o pano de tenda estendido e chamou-me:
− Tóino, anda para aqui jogar ao loto.
Ele ainda insistiu mas eu disse-lhe que não porque elas (as granadas) tinham olhos. O bom do Jota, contrariado, acabou por seguir o meu exemplo mas não tão depressa como devia. Foi buscar o capacete e, quando se dirigia para a vala, foi projectado para a mesma, ajudado pelo sopro provocado pelo rebentamento de uma granada de foguetão 122mm que caiu pouco mais de um metro à frente do pano de tenda,
Quando acabou o ataque o Jota foi ver os estragos, não me recordo se o pano de tenda estava estendido no enfiamento da morança, se esta sofreu danos, mas duma coisa tenho a certeza, do pano de tenda e do equipamento pouco restou.
− Olha o que eles me fizeram ao equipamento!
Eu, a gozar com ele, disse-lhe:
− Com que então querias loto?!
Quando encontro o Jota pergunto-lhe se vai um joguinho de loto... Ele responde:
Saudações Aeronáuticas
A. Dâmaso
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Último poste da série > 5 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28403: In memoriam (590): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte V: Recordações amargas de Gadamael (2)







2 comentários:
Eu estava lá em Gadamael e sofri todos esses ataques, era da Ccac 4743 (Os Meninos de Gadamael) aquilo era mesmo um Inferno, só quem lá passou pode dar valor ao que passamos, um grande abraço para todos que lá estiveram.
Eu também lá estava, nessa altura, com os paraquedistas, Cart. 6252/72 "Os Indiferentes". Abraços Camaradas
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