Foto nº 1 > Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > Fim da Op Dinossauro Preto (2jun73 - 17jul73 > "No rio à espera dos Zebros/sintex para embarcar na LDG Bombarda, rumo a Bissau. Andei a ver as ostras no tarrafo mas eram muito pequenas".

Foto nº 2 > Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > "Foi neste Patrulha, a LFG "Orion" e noutro igual, a LFG “Hidra” que me mataram a fome em Cacine, em junho/julho de 1973" (António Dâmaso).
Foto: A "Oríon" a navegar no rio Cacheu, em janeiro de 1967. Cortesia de Manuel Lema Santps (1942-2025)
Foto nº 3B, 3A. 3
Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > "Aspeto do aquartelamento à chegada da CCP 122, a 2jun73. Os bombardeamentis seguintes iriam destruir muito do que aqui ainda se vè de pé (José Moura Calheiros - "A Última Missão". Lisboa: Caminhos Romanos, 2010, pág. 526)
A foto original, a preto e branco, foi restaurada e colorizada com recurso a uma ferramenta de IA (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT Open AI).
Foto nº 4A, 4
Guiné > Região de Tombali > Gadamael > BCP 12 > Junho de 1973 > "Transporte de urnas para o cais, para serem enviadas para Cacine. Nos primeiros dias do assédio a Gadamael, os paraquedistas usaram capacetes" (José Moura Calheiros - "A Última Missão". Lisboa: Caminhos Romanos, 2010, pág. 528)
A foto original, a preto e branco, foi restaurada e colorizada com recurso a uma ferramenta de IA (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT Open AI).
1. Em 12 de junho de 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus homens no Cufeu, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973).
Juntava-se assim às CCP 122 e CCP 123, chegadas a 2 e 5 de junho, respetivamente. As CCP 121 e 122 regressarão a Bissau a 7 de julho, e a CCP 123 a 17, dez dias depois. Terminava a Op Dinossauro Preto com uma brilhante vitória do BCP 12 sobre o PAIGC ( que deixou de poder ter postos de observação avançados para regulação da artilharia, e teve abandonar as suas bases de fogos junto á fronteira).
Quebrado o assédio e a ofensiva IN, os páras podiam regressar a casa...Ficou ainda o cap pqdt João Costa Cordeiro (1952-1974) que se voluntariou, com a sua CCP 123, para continuar a dar instrução aos recém-chegados da 3ª C/BCAÇ 4612, CCAV 8452 e CART 6252 (informação dada pelo nosso camarada João Seabra).
Citando José Moura Calheiros (op. cit. 2010, pág. 541) a "batalha de Gadamael" saltou-se em:
- 16 mortos e 41 feridos nas tropas da guarnição;
- o BCP sofreu 2 mortos (intérpretes) e 35 feridos, sendo vários graves;
- "ao todo, 18 mortos e 76 feridos" (dos quais "cerca um terço graves, alguns dos quais terão mesmo vindo posteriormente a falecer ou ficado estropiados").
O nosso Dàmaso escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo debilitado.
Este texto, que se segue (o último dedicado a Gadamae), foi inicialmente publicado no Blogue dos Especialistas da Base Aérea 12. Guiné 65/74 > segunda-feira, 16 de maio de 2011 > Voo 2333: Gadamael Porto (4).
Sentia-me melhor mas não completamente restabelecido. Quando cheguei a Gadamael, ainda fui fazer a última saída com a Companhia, tratou-se de um patrulhamento com pernoita no mato.
No dia que saí de Gadamael tinha no meu chapéu camuflado as insígnias de Mecânico e Cavalaria, do Exército em miniatura, a minha Unidade de Origem era Lanceiros 1. À falta das lanças, as espadas serviam e era como que uma antecipação, pois tinha pensado que, depois de ter desafiado o Comandante do BCP 12 com um requerimento a pedir uma junta médica, talvez me brindassem com uma guia de marcha para o Exército. Não estava de todo enganado porque quando cheguei a Bissalanca tive a resposta.
Tenho a certeza que, se este relatório tivesse sido feito depois do dia 20 de junho, depois do médico ter analisado o pessoal da CCP 121, tendo em conta o que tinham penado em Guidage, e ter assistido os feridos da CCP 122, os números do relatório seriam mais elevados.
Saudações Aeronáuticas
A. Dâmaso
O adeus a Gadamael... e ao BCP 12
por António Dâmaso (1940-2026)
Durante o tempo que estive em Cacine, valeram-me os meus amigos dos Patrulhas Orion e Hidra porque a comidinha a bordo era muito melhor, contribuindo para a minha recuperação.
Passei tanto tempo nos patrulhas que o meu camarada Jota passou gozar comigo chamando-me "Tóino da maruja".
Sentia-me melhor mas não completamente restabelecido. Quando cheguei a Gadamael, ainda fui fazer a última saída com a Companhia, tratou-se de um patrulhamento com pernoita no mato.
Pela manhã quando regressámos, a um quilómetro do quartel, fomos corridos à morteirada até chegar ao aquartelamento.
É evidente que fiquei logo em último lugar, o meu camarada Jota sempre a chamar à atenção dos homens para não me deixarem ficar para trás mas eu dizia-lhes para continuarem, para não perderem o contacto.
Quando se ouvia vir uma granada a zunir pelo ar, eles atiravam-se ao chão e eu continuava a correr como podia, tentando não me deixar atrasar. Era uma espécie de ”corrida entre a lebre e o sapo-concho".
Cheguei atrasado mas com ligação à vista. Nas entradas e saídas do aquartelamento eramos quase sempre bombardeados, isto quando não estavam à nossa espera com emboscadas montadas.
No dia que saí de Gadamael tinha no meu chapéu camuflado as insígnias de Mecânico e Cavalaria, do Exército em miniatura, a minha Unidade de Origem era Lanceiros 1. À falta das lanças, as espadas serviam e era como que uma antecipação, pois tinha pensado que, depois de ter desafiado o Comandante do BCP 12 com um requerimento a pedir uma junta médica, talvez me brindassem com uma guia de marcha para o Exército. Não estava de todo enganado porque quando cheguei a Bissalanca tive a resposta.
Saímos de Gadamael pelo local por onde tínhamos entrado, havia duas diferenças: (i) a maré mais baixa; e (ii) uma acalmia verificada pela ausência de bombardeamentos, o que nos dava muita satisfação.
Relatório médico a que tive acesso uns anos mais tarde, que transcrevo parcialmente.
“Relatório Médico da Situação das Tropas Estacionadas em Gadamael Porto
(...) Situação Sanitári das Tropas Paraquedistas Estacionadas em Gadamael, Elaborada a Pedido do Comando Daquele Aquartelamento
(... / ...)
Os restantes elementos operacionais referem entre sintomatologia objectiva e subjectiva:
a) Sensações de vertigem, lipotimias, cansaço fácil e sobrecarga psicofísica em número anormalmente elevado na ordem dos mais ou menos 70%.
b) Estilhaços ligeiros que receberam tratamento: 4.
c) Alterações do comportamento: 3; sendo uma tentativa de suicídio e dois delírios agudos que foram evacuados para o Hospital Militar de Bissau.
Face dos dados observados, solicita-se análise da condição física e psicológica do pessoal aquartelado.
Guiné, 10 de Junho de 1973”
Tem a assinatura do médico e por baixo o nome escrito à máquina.
Relatório médico a que tive acesso uns anos mais tarde, que transcrevo parcialmente.
“Relatório Médico da Situação das Tropas Estacionadas em Gadamael Porto
(...) Situação Sanitári das Tropas Paraquedistas Estacionadas em Gadamael, Elaborada a Pedido do Comando Daquele Aquartelamento
(... / ...)
Os restantes elementos operacionais referem entre sintomatologia objectiva e subjectiva:
a) Sensações de vertigem, lipotimias, cansaço fácil e sobrecarga psicofísica em número anormalmente elevado na ordem dos mais ou menos 70%.
b) Estilhaços ligeiros que receberam tratamento: 4.
c) Alterações do comportamento: 3; sendo uma tentativa de suicídio e dois delírios agudos que foram evacuados para o Hospital Militar de Bissau.
Face dos dados observados, solicita-se análise da condição física e psicológica do pessoal aquartelado.
Guiné, 10 de Junho de 1973”
Tem a assinatura do médico e por baixo o nome escrito à máquina.
Tenho a certeza que, se este relatório tivesse sido feito depois do dia 20 de junho, depois do médico ter analisado o pessoal da CCP 121, tendo em conta o que tinham penado em Guidage, e ter assistido os feridos da CCP 122, os números do relatório seriam mais elevados.
Aquela fase da guerra foi terrível. Recentemente, falando com um ex-paraquedista que naquela data estava em Angola, este disse-me que a sua Companhia esteve pronta e equipada de armas e bagagens para rumar à Guiné em reforço, mas depois não o chegou a fazer.
Saudações Aeronáuticas
A. Dâmaso
(Seleção, revisão /vfixação de texto, negritos, título: LG)
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Nota do editor LG:
5 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28403: In memoriam (590): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte V: Recordações amargas de Gadamael (2)
1 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28393: In memoriam (589): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte IV: Recordações amargas de Gadamael (1)





