
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > Junho de 1969 > CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12) > O 2º Grupo de Combate, ainda em período de instrução da especialidade no CIM de Contuboel ,
que pertencia ao sector L2 (Bafatá). O Braima Bá e o Udi Baldé estáo aquina foto, mas consigo identificá-los.
O 2º Gr Comb era comandado pelo alf mil at inf Qntónio Carlão, já falecido, que aparece na fotografia, na primeira fila, ajoelhado, olhando no sentido oposto ao do fotógrafo. Atrás dele o soldado Arménio, o nosso "Campenhã", taxista no Porto (era cabo, antes de embarcar mas foi despromovido, por ter apanhado uma porrada, por participação so 1º srgt cav Fragata).
O 2º Gr Comb era comandado pelo alf mil at inf Qntónio Carlão, já falecido, que aparece na fotografia, na primeira fila, ajoelhado, olhando no sentido oposto ao do fotógrafo. Atrás dele o soldado Arménio, o nosso "Campenhã", taxista no Porto (era cabo, antes de embarcar mas foi despromovido, por ter apanhado uma porrada, por participação so 1º srgt cav Fragata).
De pé, na terceira fila, os fur mil ntónio Tony Levezinho (com quem ,passou ontem "um dia para mais tarde recordar", na Tabanca da Ponta de Sagres - Martinal) e Humberto Reis. Na segunda fila, meio agachados, os 1ºs cabos Branco e Alves (de alcunha o "Alfredo", já falecido).
Um grupo de combate da CCAÇ 2590 (mais tarde, CCAÇ 12) era constituído por 30 homens. Havia 4 Gr Comb. Cada grupo de combate, comandado por um alferes, tinha três secções (1 furriel e 1 cabo e oito soldados, estes africanos).
Casa secção era especializada. Havia a secção dos lGFog, com o respectivo apontador e municiador (1 LGFog 8.9, 1 LGFog 3.7). Havia a secção do Morteiro 60 (apontador e municiador ). E havia ainda a secção da Metralhadora Ligeira HK 21 (apontador e municiador). Cada combatente estava equipado com a espingarda automática G-3 e granadas defensivas. Em geral havia ainda dois apontadores de dilagrama (neste caso, 1ª e 3ª secção).
Fotos (e legendas): © António Levezinho (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].
1. A presença de Spínola, ainda brigadeiro, na cerimónia de juramento da bandeira dos soldados da PU (província ultramarina) da Guiné não deixa de ser significativa do seu empenho pessoal no projecto de africanização ou, melhor, guineização da guerra.
As futuras CART 11 e CAÇ 12, bem como CCAÇ 13 e CCAÇ 14, são uma das primeiras unidades da "nova força africana", por quem o novo governador e comandante-chefe tinha muito carinho e orgulho, e de quem esperava muito.
No caso da CCAÇ 259o / CAÇ 12, Spínola visitar-nos-ia várias vezes, incluindo na nossa semana de campo, em Contuboel. Tal gesto tinha um especial significado para as nossas praças africanas e para alguns de nós, quadros metropolitanos.
Confesso que nunca simpatizei com a personagem. Digo-o, sem com isso querer escamotear ou ignorar o seu papel nas mudanças operadas em Portugal com o 25 de Abril de 1974, nem muito menos ofender os seus admiradores. Para todos os efeitos, foi (e é) uma figura de referência nacional, e como tal a sua memória deve ser respeitada. Competirá aos historiadores definir o seu papel da nossa história.
2. Na época em que demos a instrução de especialidade às nossas tropas africanas (de Junho a meados de Julho de 1969), Contuboel era, ainda era, um oásis de paz. Lá ainda se podia "brincar às guerras" num raio de alguns quilómetros, no meio de uma vegatação luxuriante. Lembro-me de haver lá uma serração de um tuga, o que indiciava abundância de madeiras exóticas.
Ao longo dessas curtas e rápidas semanas aprendemos a conviver com os nossos soldados fulas (e alguns futa-fulas, dois mandingas e um mancanhe, num total de cerca de 1 centena de homens). A maior parte não falava o português, o que dá uma ideia do grau ou do esforço penetração da nossa cultura, no leste da Guiné, depois de "cinco séculos de missão civilizadora"...
Nestas condições, a instrução de especialidade (bem como a IAO), como se deve imaginar, não foi nada famosa. Estávamos a 4 mil km do nosso ponto de partida, o Campo Militar de Santa Margarida, onde, ainda bem me lembro, também brincámos às guerras, e fizemos os nosso "roncos" no essencial, assalto aos "acampamentos do IN a fingir", e pilhagem de tudo o que era bebível e comestível).
Em plena época das chuvas, ainda em fase de adaptação ao terrível clima da Guiné, hostil a qualquer "tuga", em farda nº 3 , espingarda automática G3 ao ombro e cartuchos de salva nos carregadores (à cautela, não fosse o diabo tecê-las, os graduados, tugas, levavam alguns carregadores com bala real)... Estão a imginar esta "guerra-de-faz-de-conta" ?
Era ainda a "dolce vita" da Guiné (como eu escrevia no meu diário), aqui e ali perturbada peals estórias que a velhice nos contava, a nós periquitos, de Madina do Boé, de Gandembel, e Guilege, "lá longe no sul"...ou mais perto, no sector L1 (Bambadinca) onde decorrera a Op Lança Afiada., três meses antes (março de 1969).
Ao longo dessas curtas e rápidas semanas aprendemos a conviver com os nossos soldados fulas (e alguns futa-fulas, dois mandingas e um mancanhe, num total de cerca de 1 centena de homens). A maior parte não falava o português, o que dá uma ideia do grau ou do esforço penetração da nossa cultura, no leste da Guiné, depois de "cinco séculos de missão civilizadora"...
Nestas condições, a instrução de especialidade (bem como a IAO), como se deve imaginar, não foi nada famosa. Estávamos a 4 mil km do nosso ponto de partida, o Campo Militar de Santa Margarida, onde, ainda bem me lembro, também brincámos às guerras, e fizemos os nosso "roncos" no essencial, assalto aos "acampamentos do IN a fingir", e pilhagem de tudo o que era bebível e comestível).
Em plena época das chuvas, ainda em fase de adaptação ao terrível clima da Guiné, hostil a qualquer "tuga", em farda nº 3 , espingarda automática G3 ao ombro e cartuchos de salva nos carregadores (à cautela, não fosse o diabo tecê-las, os graduados, tugas, levavam alguns carregadores com bala real)... Estão a imginar esta "guerra-de-faz-de-conta" ?
Era ainda a "dolce vita" da Guiné (como eu escrevia no meu diário), aqui e ali perturbada peals estórias que a velhice nos contava, a nós periquitos, de Madina do Boé, de Gandembel, e Guilege, "lá longe no sul"...ou mais perto, no sector L1 (Bambadinca) onde decorrera a Op Lança Afiada., três meses antes (março de 1969).
A companhia dos "Lacraus" aquartelada em Contuboel, do Abílio Duarte, Valdemae Queiroz, Renato Monteiro, etc. (CART 2479, futura CART 11) já havia dado a recruta às nossas praças.
3. A 18 de Julho de 1969 , a futura CCAÇ 12 (que, por enquanto, ainda era a CCAÇ 2590) é dada como operacional. Atendendo à origem étnico-geográfica das suas praças do recrutamento local, por sugestão do Com-Chefe, ficamos radicados em chão fula, às ordens do BCAÇ 2852 (1968/70), com sede em Bambadinca.
A 21 de kulho, menos de dois meses depois da nossa chegada à Guiné, quando ainda nem sequer tinham sido distribuídos os camuflados à nossa tropa africana, temos a nossa primeira "saída para o mato" , seguida do nosso "baptismo de fogo"...
De facto, em Madina Xaquili, temos o nosso primeiro ferido grave, evacuado para Bissau; e a 28, mais dois feridos graves, numa ataque nocturno àquela aldeia fula que será definitivamente abandonada pela sua população e, mais tarde (em outubro), pelas NT.
Para três dos nossos soldados africanos, a guerra havia acabado, mal começara: ficarão definitivamente inoperacionais e/ou incapacitados, não sem que um deles tenha de passar, primeiro, por outro inferno, o do Hospital Militar da Estrela, em Lisboa...
Pergunto-me, com amargura, o que será feito de vocês três, camaradas guineenses, 57 anos depois ? O mais provável é que já tenha morrido todos:
A 21 de kulho, menos de dois meses depois da nossa chegada à Guiné, quando ainda nem sequer tinham sido distribuídos os camuflados à nossa tropa africana, temos a nossa primeira "saída para o mato" , seguida do nosso "baptismo de fogo"...
De facto, em Madina Xaquili, temos o nosso primeiro ferido grave, evacuado para Bissau; e a 28, mais dois feridos graves, numa ataque nocturno àquela aldeia fula que será definitivamente abandonada pela sua população e, mais tarde (em outubro), pelas NT.
Para três dos nossos soldados africanos, a guerra havia acabado, mal começara: ficarão definitivamente inoperacionais e/ou incapacitados, não sem que um deles tenha de passar, primeiro, por outro inferno, o do Hospital Militar da Estrela, em Lisboa...
Pergunto-me, com amargura, o que será feito de vocês três, camaradas guineenses, 57 anos depois ? O mais provável é que já tenha morrido todos:
- o Sori Jau (3º Gr Combate, evacuado para o HM 241);
- o Braima Bá (inoperacional, do 2º Gr Com);
- o Udi Baldé (evacuado para Lisboa e retornado a casa com 35% de incapacidade física), também do 2º Gr Comb ?
Madina Xaquili é uma estória para voltar a recordar. Ficava perto de Dulombi, no sub-sector de Galomaro que foi depois transformado em Sector L5 da Zona Leste.
(Contimua)
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Nota do editor LG:
Posets anteriores da série >
29 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28058: Efemérides (393): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte IV: "E tudo o vento levou"... Os navios de transporte de tropas
28 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)
27 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28055: Efemérides (391): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte II: "o cruzeiro das nossas vidas"
28 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28057: Efemérides (392): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte III: Do Campo Militar de Santa Margarida ao Centro de Instrução Militar de Contuboel (ou de Bolama)
27 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28055: Efemérides (391): Há 57 anos, a 24 de maio de 1969, partiu o T/T Niassa para o CTIG - Parte II: "o cruzeiro das nossas vidas"