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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28074: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (5): Vendedeiras de bananas, no antigo estacionamento do aeroporto internacional Osvaldo Vieira, Bissalanca, agora requalificado (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)




 
Guiné-Bissau > Bissau > Bissalanca > 3 de maio de 2025 >  Jovens vendedeiras de bananas... Lindas bajudas!...E bela froto!... " Tirada no estacionamento do aeroporto Osvaldo Vieira, atualmente em remodelação e ampliação por uma firma turca". (Depois das obras de requalificação, foi inaugurado em março de 2026: vd. aqui vídeo da pãgina da famosa  Tita Pipoka, ativista e empreendedora social).


Foto da página no Facebook (João Reis Melo)


1. João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74): 

(i)  é profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha; 

(ii) viaja regularmente, desde 2017,  para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade" (em que distribui material pelas escolas de Cumbijã, e apoia também, mais recentemente,  o clube de futebol local); 

(iii) regressou há pouco tempo da sua viagem desde último ano (2026); 

(iv)   tem já  cerca de meia centena de  referências no nosso blogue para o qual entrou em 1 de março de 2009.


2. Na sua página do Facebook, em 3 de junho, 18:12, escreveu a sguinte nota sobre as estas e outras fotos de gente anónima de Bissau;

(...) Eu vou quase todos os anos à Guiné. Tiro imensas fotos daquele belo povo e NÃO TIRO E NÃO PUBLICO uma foto que não tenha a autorização das pessoas que aparecem nas mesmas! 

Tenho muito respeito por toda a gente e, em especial para com o Povo da Guiné que merece de tudo menos de ser "usado".  Nunca existiu, nem nunca existirá, de minha parte, qualquer outra intenção (...) senão  a vontade de transmitir a beleza que a mulher Guineense tem! (...)
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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Guiné 61774 - P28039: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (3): Vendedora de caju no Mercado Central de Bissau: foto de João Melo (2025)





Guiné- Bissau > Bissau > Mercado Central > c. maio de 2025  > Vendedora de caju ... mas também de papaia... num espaço aparentemente às moscas. As "bideras" são as que andam na rua, enxotadas pela polícia camarária. Já no tempo do Luís Cabral, não gostavam delas. No nosso tempo havia os "djubis" que vendiam "mancarra". A tropa ainda não conhecia o gosto do caju...

Fotos (e legenda): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Foto da página do Facebook do nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74), que começou a visitar a Guiné-Bissau, regularmente, desde 2017, com uma pausa no tempo da pandemia. Em geral, viaja no fim da estação seca (março / abril / maio).

Profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha. O percurso inclui, obrigatoriamente, a tabanca de Cumbijã, no Sul, na região de Tombali, onde o casal apoia as escolas locais e o clube de futebol local. E onde, a partir deste ano, o João Melo passa a ter uma rua com o seu nome. Uma bela e justa homenagem dos cumbijanenses ao seu amigo e benfeitor  "tuga".

Costuma também visitar, além do mítico Mercado de Bandim, o Mercado Central, no centro histórico da cidade: foi inaugurado em 2022, depois foi reconstruído de raiz, após os grandes danos sofridos com  os bombardeamentos da guerra civil de 1998/99 e do grande incêndio de 2005.

A importância do caju  na vida económica e social da atual Guiné-Bissau merece um poste à parte: é praticamente o único produto que o país exporta (90%). (E, em contrapartida, importa arroz, que é a base da alimentação da população. )

Tal como deve merecer a nossa atenção a importância que os mercados têm m na via dos guineenses,  sendo o de Bandim um dos maiores de África:  é lá que se sente o pulsar da cidade, dizem os viajantes.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 19 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28038: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (2): Ainda as "bideras", sempre "mal vistas" pelo(s) poder(es) (Cherno Baldé / António Rosinha)

terça-feira, 19 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28038: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (2): Ainda as "bideras", sempre "mal vistas" pelo(s) poder(es) (Cherno Baldé / António Rosinha)




Guiné-Bissau > Bissau > c. março / abril de 2026 > A "bidera" Ramatulai


Foto (e legenda): © João de Melo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné - Bissau > Bissau > Setembro de 2022 > " Uma das bideras no mercado improvisado de Bairro d’Ajuda (Espaço Verde), Decoliciana Malú Mango,  Reportagem de Filomeno Sambú

Fonte: Jornal O Democrata, 24 de setembro de 2022 (com a devida vénia...)



Cherno Baldé (tem 330 referências
no nosso blogue)


1.  Comentários (*) do nosso colaborador permanente Cherno Baldé que "firma" em Bissau:

Caros amigos,

A palavra "Bideira" vem da palavra portuguesa "vida", isto é,  o esforço do "dia a dia", a luta diária, para se sustentar a si e a família. Mas, atenção que ser "Bideira" não significa ser miserável, pois da mesma forma que as "lavadeiras" não forneciam a parte mais importante do sustento das famílias nas localidades com aquartelamentos durante a guerra, a "Bideira" vulgar, sentada à berma da estrada ou que deambula à procura de clientela com uma cesta de mancarra ou outros produtos do quotidiano não pode sustentar uma família, é tão somente um complemento das mulheres para não ficarem em casa sem fazer nada de útil. 

Esta é a parte económica e financeira que o justifica. Outra parte, mais social e humana,  é a necessidade da interação com o mundo, com as pessoas fora do círculo familiar para efeitos de saúde mental em contextos urbanos menos abertos para pessoas de origem rural, habituadas à interação social permanente com o meio ambiente e com as pessoas e que ficam um pouco perdidas sem esta alimentação da palavra e da "fofoca" habitual nas aldeias e meios urbanos do interior. 

Uma particularidade bem marcante dessa realidade é o facto de que, em Bissau, mesmo vivendo numa casa cercada com muros, as pessoas, sobretudo mulheres e crianças, poucos aguentam o sufoco de viver intramuros, preferem a rua, as feiras e a liberdade de deambular com uma cesta de produtos agrícolas com valor abaixo de 1 euro.  Vão à cidade, para os mercados dos Bairros ou ao Bandim, muitas vezes à revelia dos maridos e familiares que não concordam com este "nomadismo" com disfarce de "Bideira". 

As verdadeiras "Bideiras"encontram-se dentro dos mercados na revenda do pescado, legumes e frutas. Estas,  sim, são vendedeiras de verdade e com rendimentos que rivalizam com os comerciantes (homens) de nível médio no mercado nacional, algumas fazendo actividades de import-export de diversos produtos e bens de consumo.

Voltando ao retrato da mulher (a Ramatulai), ve-se que ela não tem fome, pelo contrário, está obesa de um certo grau (peso a mais), deve ser mulher casada com um pequeno comerciante, funcionário público ou ainda com o marido no exterior e à espera de agrupamento familiar. Entretanto, precisa fazer alguma coisa para não morrer de ansiedade ou de solidão,  como acontece um pouco por toda a parte.

Pelo nome Ramatulai (de origem árabe, Benção/Graça de Alá) percebemos que é fula (subgrupo fula-preto), e há muitas variantes (Rama, Ramatu, Aramatu/a, Tulai, Matu), um nome tipicamente muçulmano e da região da Africa Ocidental e de alguns países do Magrebe (Marrocos, Argélia...)


segunda-feira, 18 de maio de 2026 às 14:00:00 WEST

É com muito gosto que partilho ideias, opiniões e saberes sobre a minha terra com os veteranos da Guiné nas páginas deste Blogue, uma quase enciclopédia. 

Passei quase toda a minha vida a tentar descobrir os pilares em que se assenta a civilização Ocidental e sobre as suas gentes, sem todavia descurar, também, dos nossos. 

É sempre justo e útil a partilha para um maior e melhor conhecimento sobre nós e sobre o outro.

segunda-feira, 18 de maio de 2026 às 23:39:00 WEST


(...) Ramatulai como nome feminino ou Aramatulai ( que a paz ou benção esteja contigo) como expressão religiosa é muito presente no meio muçulmano e equivaleria à popular "Maria da Graça" no meio português-

Em Fajonquito havia uma das minhas primas que tinha esse nome e que, no acto da matrícula lhe atribuiram o nome português "Maria da Graça", logo a junção dos dois dava "Maria da Graca Ramatulai Balde", um nome desnecessariamente comprido e por sinal, também, redundante, mas que sõ estou a descobrir agora, coisas que a ignorância e o mimetismo africano permitiram largamente em contextos de encontros e de integração de culturas e crenças religiosas. 

A força simbólica do nome está no facto de que, em todas orações, que se fazem cinco vezes durante o dia, as últimas palavras que se ouvem, sistemanticamente, são as seguintes : 

"Assalamu-alaikum wa-rahmatullai Wa-barakatuh", ou seja, "Que a paz, a misericordia e as bencãos de Allah estejam convosco".

Embora as circunstâncias actuais não permitam proibir a prãtica, o trabalho das "Bideiras ambulantes" não é um trabalho respeitado nem desejado no seio das famílias, independentemente do estatuto (rico, remediado ou pobre) porque está ferido de uma desconfianca generalizada devido ao caráter ambulante e incerto do negócio, de modo que, da mesma forma que as lavadeiras podiam ser "Lava-Tudo",  aos olhos do povo, então esta metáfora pejorativa também se aplica às "Bideiras" como vendedeiras "Vende-tudo".

Mas, apesar de tudo isso, a liberdade e as oportunidades sociais que esta atividade proporciona às bajudas e mulheres (noivas) na sua interação com o mundo e o meio envolvente, compensa largamente o desafio de ultrapassar as barreiras sociais impostas e/ou qualquer tentativa de as limitar nos seus movimentos, de modo que é uma dor de cabeçaa social com que os pais, maridos e chefes religiosos e comunitários estão confrontados numa época de grandes e rápidas transformações sociais, culturais e económicas, ou seja, na fase da globalização mais acelerada e mais invasiva da vida em geral e familiar em particular. (...)

terça-feira, 19 de maio de 2026 às 12:43:00 WEST 


António Rosinha
 (tem 165 referências no blogue)

2. Comentário de António Rosinha (*):

(...) Essa imagem de Bideira não é mais nem menos de uma mulher africana a adaptar-se forçadamente à maneira da mulher das feiras europeias.

Curiosamente, com o sistema comunista à PAIGC de Luís Cabral, este tentou acabar com esta atividade, porque todo o comércio tinha que ser através dos Armazéns do Povo.

Até o simples camarão que as próprias mulheres apanhavam com as suas redes, e a mancarra cultivada e torrada por elas, Luís Cabral mandava a polícia impedir de negociar na rua ou de porta a porta.

A colonização e a descolonização das antigas colónias de África e seus autores, tais como Luís e Amílcar Cabral na Guiné, Lucio Lara, Agostinho Neto e Viriato da Cruz em Angola...e seus progenitores, mereciam um historiador isento.

O sistema colonial português foi muito mal substituído, com muitas desvantagens para os guineenses, pelo sistema soviético-berdiano.


 
(Revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)

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Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 17 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28030: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (1): A "bidera" (vendedora ambulante) de Bissau (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)

domingo, 17 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28030: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (1): A "bidera" (vendedora ambulante) de Bissau (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)




Guiné-Bissau > Bissau > c. março / abril de 2026 > A "bidera" Ramatulai


Foto (e legenda): © João de Melo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Publicou o João Melo, no passado domingo, dia 10 de maio de 2026, na sua página do Facebook, esta "retrato da Guiné-Bissau", com a seguinte legenda: 

As "bideras" são vendedoras de rua,  fundamentais na economia informal da Guiné-Bissau, comercializando frutas, legumes e produtos essenciais, dependendo dessa venda de rua para o sustento familiar.

Há tensões frequentes entre as vendedoras e a Camara Municipal de Bissau, devido à sua ocupação de passeios e vias públicas,  especialmente na zona de Alvalade, tentando com isso centralizar o comércio no Mercado de Bandim (a alma de Bissau) ou no Mercado Municipal no centro da cidade.

Esta simpática vendedora, de seu nome Ramatulai, está quase sempre no mesmo local a vender essencialmente bananas e mandioca, onde muitas vezes se compra não só por necessidade, mas também com um sentido de cooperação para complemento de renda familiar.

Obrigado, Ramatulai,  por permitires a divulgação da tua foto.

João Melo (ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74); vai todos os anos à Guiné-Bissau, já mais para o fim da época seca (março / abril), em viagem de saudade e solidariedade.


2. Comentário do editor LG:

É uma retrato (des)humano que se multiplica pela África fora, que encontrámos na Guiné do nosso tempo, que voltei a encontrar em março de 2008, quando lá voltei, que eu encontrei em Luanda quando lá fui por várias vezes em trabalho (a partir de 2003), enfim, que os turistas ainda encontram no Mindelo, na Praia, no Sal (embora em menor escala)...

Esta jovem mulher guineense, Ramatulai de seu nome ou apelido (será de origem senegalesa, imigrante, Ramatoulayye ?), sorri com aquela dignidade de quem todos os dias transforma o passeio da cidade de Bissau, no seu "posto de trabalho volante" (e volátil)... A sua banca é "pobre", em variedade de produtos: dois paus de mandioca, uma dúzia de bananas (será que já tinha feito alguns CFA nesse dia ?) ...e um balde de plástico, que parece vazio (mas, não, é onde guarda a garrafa de água)...

Que história de vida será a sua ?  A da luta quotidiana pela sobrevivência, uma história feita de lições  de coragem, persistência, simpatia, humildade, paciência, sorriso franco mas também manha e  pé ligeiro para fugir ao fiscal camarário e à polícia (e, calhar, a outros "predadores sociais").

As “bideras” não são apenas as  simples vendedoras ambulantes de que os turistas gostam de bater uma "chapa" para ilustrar, no regresso a casa, o "exotismo da pobreza" em África: são também uma das colunas invisíveis da chamada economia informal, como bem diz o João Melo. Alimentam bairros, criam redes de solidariedade, dão alma às ruas de Bissau. 

7 em cada 10 mulheres da Guiné-Bissau vivem na pobreza,  pelo que têm de recorrer, para sobreviver,  às atividades informais e ao frágeis sistemas comunitários de apoio (incluindo ONGS, nacionais e estrangeiras).

No sorriso aberto desta Ramatulai que se deixou fotografar pelo nosso João Melo, deixa transparecer também uma lição que aqueles de nós, que ainda conseguem, hoje na Europa, viver com dignidade e liberdade: a pobreza é um círculo vicioso exasperante, mas nem sempre, como neste caso,  consegue derrotar a alegria, a dignidade e a humanidade de quem vive com o  muito pouco que tem.
 
(Revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)