Guiné-Bissau > Bissau > c. março / abril de 2026 > A "bidera" Ramatulai
1. Publicou o João Melo, no passado domingo, dia 10 de maio de 2026, na sua página do Facebook, esta "retrato da Guiné-Bissau", com a seguinte legenda:
As "bideras" são vendedoras de rua, fundamentais na economia informal da Guiné-Bissau, comercializando frutas, legumes e produtos essenciais, dependendo dessa venda de rua para o sustento familiar.
Há tensões frequentes entre as vendedoras e a Camara Municipal de Bissau, devido à sua ocupação de passeios e vias públicas, especialmente na zona de Alvalade, tentando com isso centralizar o comércio no Mercado de Bandim (a alma de Bissau) ou no Mercado Municipal no centro da cidade.
Esta simpática vendedora, de seu nome Ramatulai, está quase sempre no mesmo local a vender essencialmente bananas e mandioca, onde muitas vezes se compra não só por necessidade, mas também com um sentido de cooperação para complemento de renda familiar.
Obrigado, Ramatulai, por permitires a divulgação da tua foto.
João Melo (ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74); vai todos os anos à Guiné-Bissau, já mais para o fim da época seca (março / abril), em viagem de saudade e solidariedade.
2. Comentário do editor LG:
É uma retrato (des)humano que se multiplica pela África fora, que encontrámos na Guiné do nosso tempo, que voltei a encontrar em março de 2008, quando lá voltei, que eu encontrei em Luanda quando lá fui por várias vezes em trabalho (a partir de 2003), enfim, que os turistas ainda encontram no Mindelo, na Praia, no Sal (embora em menor escala)...
2. Comentário do editor LG:
É uma retrato (des)humano que se multiplica pela África fora, que encontrámos na Guiné do nosso tempo, que voltei a encontrar em março de 2008, quando lá voltei, que eu encontrei em Luanda quando lá fui por várias vezes em trabalho (a partir de 2003), enfim, que os turistas ainda encontram no Mindelo, na Praia, no Sal (embora em menor escala)...
Esta jovem mulher guineense, Ramatulai de seu nome (será de que etnia ? papel, manjaca ? ou de alguma etnia islamizada ?), sorri com aquela dignidade de quem todos os dias transforma o passeio da cidade de Bissau, no seu "posto de trabalho volante" (e volátil)... A sua banca é "pobre", em variedade de produtos: dois paus de mandioca, uma dúzia de bananas (será que já tinha feito alguns CFA nesse dia ?) ...e um balde de plástico, que parece vazio (mas, não, é onde guarda a garrafa de água)...
Que história de vida será a sua ? A da luta quotidiana pela sobrevivência, uma história feita de lições de coragem, persistência, simpatia, humildade, paciência, sorriso franco mas também manha e pé ligeiro para fugir ao fiscal camarário e à polícia (e, calhar, a outros "predadores sociais").
As “bideras” não são apenas as simples vendedoras ambulantes de que os turistas gostam de bater uma "chapa" para ilustrar, no regresso a casa, o "exotismo da pobreza" em África: são também uma das colunas invisíveis da chamada economia informal, como bem diz o João Melo. Alimentam bairros, criam redes de solidariedade, dão alma às ruas de Bissau.
As “bideras” não são apenas as simples vendedoras ambulantes de que os turistas gostam de bater uma "chapa" para ilustrar, no regresso a casa, o "exotismo da pobreza" em África: são também uma das colunas invisíveis da chamada economia informal, como bem diz o João Melo. Alimentam bairros, criam redes de solidariedade, dão alma às ruas de Bissau.
7 em cada 10 mulheres da Guiné-Bissau vivem na pobreza, pelo que têm de recorrer, para sobreviver, às atividades informais e ao frágeis sistemas comunitários de apoio (incluindo ONGS, nacionais e estrangeiras).
No sorriso aberto desta Ramatulai que se deixou fotografar pelo nosso João Melo, deixa transparecer também uma lição que aqueles de nós, que ainda conseguem, hoje na Europa, viver com dignidade e liberdade: a pobreza é um círculo vicioso exasperante, mas nem sempre, como neste caso, consegue derrotar a alegria, a dignidade e a humanidade de quem vive com o muito pouco que tem.
No sorriso aberto desta Ramatulai que se deixou fotografar pelo nosso João Melo, deixa transparecer também uma lição que aqueles de nós, que ainda conseguem, hoje na Europa, viver com dignidade e liberdade: a pobreza é um círculo vicioso exasperante, mas nem sempre, como neste caso, consegue derrotar a alegria, a dignidade e a humanidade de quem vive com o muito pouco que tem.
(Revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)


1 comentário:
Na Guiné-Bissau, no país do caju (c. 85%/90%) do total das exportações, se não fora a economia informal o país provavelmente colapsava: ela é o verdadeiro motor da subsistência das famílias e da dinâmica de mercado...
Qual a proporção da economia informal (a que não paga impostos, não desconta para a segurança, escapa à estatística...) ?
As estimativas mais conservadoras (ou "lisonjeiras") apontam para cerca de 35% a 40% do PIB (Produto Interno Bruto), conforme a metodologia de cálculo. Na prática deve ser mais de 50%.
O que ajuda também a explicar por que é que a Guiné-Bissau é um dos países que tem a menor taxa de pressão fiscal do mundo (9% do PIB!).
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