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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28034: Notas de leitura (1924): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte XI: O primeiro ato de enfermagem: tratar um queimado



Guiné > Região do Cacheu >Có >2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) > c. outubro/novembro de 1972  > O "rancho" > Messe da caserna do 2º pelotão: um dos primeiros almoços. O autor, me primeiro plano, à direita.

Foto (e legenda): © Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. O livro do Luís da Cruz Ferreira (*) vale sobretudo pelas "pequenas histórias" que ele guardou do seu quotidiano em Có, na sua tripla função de:

  •  enfermeiro (função que ainda exerceu) (pp. 59-100), 
  • 'barmam' função para a qual estaria, de resto,  mais  calhado, devido à sua experiência na restauração, antes da tropa) (pp. 100-108); 
  • e finalmente como professor do Posto Escolar Militar nº 20 (pp. 109 e ss.)

    Luís da Cruz Ferreira,
     de alcunha "O Beatle"

Uma das histórias que ele nos conta (pp. 84/85), passou-se ainda no tempo da sobreposição com os "velhinhos" da CCAÇ 3308. 

E espero que ele fale dela, no próximo dia 23, sábado, quando for à sua terra, Benedita, Alcobaça, apresentar o seu livro, juntamente com o nosso colaborador permanente, o Joaquim Pinto de Carvalho (que fez a revisão e fixação de texto). Infelizmente não estou disponível para os acompanhar, apesar do simpático convite do autor, já que vou  passar uma "semana de lazer" ao Algarve, de 24 a 29 do corrente.

(...) Um camarada dos 'velhinhos' que estava a trata de acender o fogardeiro a petróleo para preparar o petisco  para o seu grupo (da sueca) e estava a aplicar gasolina em vez de  de utilizar um combustível menos explosivo e mais adequado, para aquecer a cabeça do fogareiro (...).

O autor confessa que não tomou notas de nada, tudo o que escreve, muito anos depois, é "de memória" (pág. 87). 

Esta ocorrência passou-se  uns dias,  ou escassas semanas,  antes da partida da CCAÇ 3308, portanto em novembro de 1972: recorde-se que a 2ª C/ BART 6521/72 tinha seguido  em 290ut72 para Có, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308; e menos de um mês depois, em 25nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "Có Boys" entregues  a si próprios.


(...) Seriam talvez 11h30 quando incompreensivelmente  o nosso camarada coloca gasolina, talvez em excesso, na cabeça do fogareiro e lhe chega a chama de um fósforo ao inflamável combustível, provocando uma explosão que lhe atinge o tronco nu, do peito à cintura. Uma grave queimadura que coube a mim socorrer, quando me apercebi da sua gravidade" (...)

O "Beatle" , no seu curto estágio em cirurgia plástica, no Hospital Militar Principal, à Estrela, em Lisboa (pág. 27), tinha pelo menos assistido ao tratamento de alguns queimados, e das suas observações colheu alguns ensinamentos que lhe vão ser agora úteis, nesta emergência: 

(...) Era um situação deveras complicada e que exigia um tratamento delicado e paciente. Felizmente a nossa enfermaria estava apetrechada com os mais variados mediciamentos. Não faltou o soro que era indispensável e as compressas especiais  para aplicar sobre a zona queimada. (...)

Foi o nosso 1º cabo aux enf Luís da Cruz Ferreira quem tratou o ferido do princípio ao fim, na enfermaria de Có, sem necessidade de ser evacuado para o HM 241.  Diz ele que perdeu uns bons  "litros de transpiração"... O problema maior era substituir, regularmente, as compressas sem provocar dor no doente. Este acabou por ter alta, com evidente satisfação de  sua e do enfermeiro que o tratou.

(...) Não só por sido o meu primeiro trabalho, mas também pela dureza do mesmo e, finalmente, por tudo ter corrido muito bem, senti-me orgulhoso, igualmente pela confiança  que em mim depositaran todos os meus camaradas enfermeiros,  incluindo 'velhinhos' e o próprio sinistrado, a quem era justo duvidar da capacidade de um 'periquito' inexperiente. (...) (pág. 85).

O sucesso do tratamento foi comemorado no bar:  

(...) "Este camarada 'velhinho'  (...) fez quetsão de me ir buscar à enfermaria e convidar-me, de modo solene, para beber com ele uma cerveja" (...). 

Terá sido a cerveja que ao "Beatle" melhor soube durante toda a comissão:

(...) O que eu senti foi poder partir no meu íntimo a alegria daquele jovem, um pouco mais velho do que eu, que, como homem, quer voltar patra a sua terra, no estado em que chegara à Guiné (pág, 85)
______________

Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 15 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28022: Notas de leitura (1923): A biografia de um combatente: O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História (2): III - O que eu sei da guerra que estou a travar e IV - O conhecimento da morte, Missirá devastada, o desafio de lhe dar nova vida (Mário Beja Santos)

1 comentário:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

O que fazer em caso de queimaduras provocadas por gasolina ao tentar-se acender um fogão a petróleo ? Que tipo de queimaduras pode originar um acidente destes ?

Vista gerald e IA / Google Gemini:

As queimaduras resultantes do uso inadequado de gasolina para acender um fogão podem ser extremamente graves devido à natureza altamente inflamável do combustível e à possibilidade de explosão.

(i) Graus de Queimadura
Dependendo da intensidade do fogo e da duração da exposição, as lesões podem variar entre os três graus principais:

1.º Grau: Atingem apenas a camada superficial da pele, causando vermelhidão, calor e dor local.

2.º Grau: Atingem camadas mais profundas, resultando em dor intensa e formação de bolhas. São comuns em acidentes com combustíveis líquidos.

3.º Grau: São as mais graves, destruindo todas as camadas da pele e tecidos subjacentes. A pele pode parecer esbranquiçada ou carbonizada e, por vezes, a vítima não sente dor no local exato devido à destruição das terminações nervosas.


(ii) O que fazer de imediato
De acordo com as recomendações de entidades como o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), deve agir da seguinte forma:

Garantir a segurança: Afaste a vítima da fonte de calor e certifique-se de que não há risco de nova explosão ou propagação do fogo.

Arrefecer a zona: Coloque a área queimada sob água fria corrente (temperatura ambiente) durante pelo menos 10 a 20 minutos para interromper o processo de queima.

Remover objetos: Retire cuidadosamente anéis, relógios ou pulseiras antes que a zona comece a inchar.

Não remover roupa colada: Se a roupa estiver agarrada à pele, não tente retirá-la; arrefeça por cima da roupa.

Cobrir a lesão: Use um pano limpo ou compressas húmidas para cobrir a área e evitar infeções até chegar ajuda médica.

O que NÃO fazer:
Nunca utilize gelo, pasta de dentes, manteiga ou azeite.

Não rebente as bolhas, pois servem de proteção natural contra bactérias.

Em caso de queimaduras extensas, faciais ou com formação de bolhas grandes, procure assistência médica imediata ou contacte o 112.

Vd. também: SNS > INEM > Queimaduras