Guiné > > Região do Cacheu > Bigene > c. 1966/67 > O alf mil médico Adáo Cruz ( CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887, Canquelifá e Bigene, 1966/68), com uma jovem mãe, e o seu filho a quem pôs o nome de "Adão Doutor", em gestor de gratidão para com o médico, "tuga", que a assistiu no porto.
Foto (e legenda): © Adão Cruz (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Cada época tem sua marca, sua imagem própria que nunca se confunde com outras de épocas diferentes. Anos 60, no território da Guiné (dita portuguesa) as imagens têm a marca da originalidade, de sofrimento agarrado a alma de gente simples, humilde, de gente que não controla o destino, de gente sujeita a violência e imprevisibilidade da guerra, uma guerra escondida em cada esquina, em cada árvore, em cada baga-baga.
A mulher na imagem é igualzinha à minha mãe, no tamanho, nas feições rudes e vincadas de uma mulher camponesa da Guiné dos anos 50/60. Os pés, duros e escarpados não sabiam o que era usar chinelas ou sandálias que, mesmo o que tivessem, para não atrapalhar no caminho da bolanha, preferiam colocá-los na cesta das roupas, equilibrada encima da cabeça... Na verdade, eram mais para mostrar ao branco do que proteger os pés calejados de tanto morder a areia quente dos trilhos do mato.
A adornar o peito, aí estão os colares tradicionais feitos de sementes e raízes de aroma da maternidade africana que nenhuma mulher dispensava na época e que tinha o efeito benéfico de afastar o cheiro do leite com mistura do suor da criança colada ao seu corpo de forma quase permanente.
Quanto ao nome dado a criança, era sobretudo a vontade e a firma decisão da mãe, pois era um direito que ninguém podia questionar, mas na realidade o nome oficial e que seria válido dentro da comunidade, era sempre um direito do pai que, como mandam as regras, devia obedecer aos critérios da tradição do grupo étnico.
quinta-feira, 30 de abril de 2026 às 19:48:00 WEST
(ii) José Teixeira
Como já contei no blogue, eu tratei uma bebé com alguns meses de uma crise de paludismo. O seu estado de saúde era muito grave, com elevada temperatura, muitos vómitos. Estava tão débil que nem no peito da mãe pegava. Abusivamente, cometi um ato médico que lhe salvou a vida. Ao fim de duas horas, começou a baixar a temperatura. Pouco tempo depois, mamou um pouco. Foi uma tarde inteira de luta e sofrimento para mim e para a mãe, mas valeu a pena.
À noite, ficavam as duas à porta da casa, a aguardar a minha passagem para o abrigo para partir mantenhas.
Fui cerca de dois meses para a Chamarra. Duas vezes por semana ia a Mampatá em serviço de apoio ao enfermeiro africano que me substitui. Procurava a minha menina para lhe fazer festinhas. No regresso definitivo para Buba, passei por Mampatá. Para minha grande alegria e grande sofrimento, lá estava a mãe com a minha mulher ao colo: "Pega minina. Leva tua mulher contigo!"
Este momento continua gravado na memória, pelo sofrimento que me causou, pela recusa que tive de dar.
Foto (e legenda): © José Teixeira (2005). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]















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