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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27736: Os 50 anos da indepedência de Cabo Verde (21): os cubanos que o Amílcar Cabral (i) quis "esconder"; (ii) queria que fossem "escurinhos, como ele; e, mais difícil, (iii) que "não morressem nem se deixassem apanhar" como o Peralta - Parte I


Instituição: Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 05222.000.243 | Título: Fernando de Andrade com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e internacionalistas cubanosn| Assunto: Fernando de Andrade [irmão de Lucette de Andrade, esposa do Luís Cabral] com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e grupo de internacionalistas cubanos | Data: 1963 - 1973  |  Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral | Tipo Documental: Fotografia.

(1963-1973), "Fernando de Andrade com um grupo de guerrilheiros do PAIGC e internacionalistas cubanos", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43457 (2026-2-14)


Guiné > Alegadamente Região do Boé  > 1968 > Amílcar Cabral revistando as suas tropas

Fotograma do filme "Madina Boe" (Cuba, 1968, 38'), do realizador José Massip (1926-2014), obtido a partir da função "print screening" do teclado do PC e da visualização de um resumo, em vídeo (28' 22'') , disponibilizado no You Tube, na conta "José Massip Isalgué". O documentário foi carregado no You Tube no dia da morte do cineasta (ocorrida em Havana, em 9/2/2014). 

O documentário chama-se "Amílcar Cabral" (e pode ser aqui visualizado) (Imagem reproduzida com a devida vénia).


1. O jornalista Júlio Montezinho publicou no "Expresso das Ilhas" (Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde), edição nº 1260, de 21 de janeiro de 2026, um interessante  artigo sobre a participação dos cubanos, ao lado do PAIGC, na luta pela independência da Guiné e Cabo Verde (*)... 

Não diz muito mais do que aquilo que a gente já aqui sabia. Por exemplo, não diz quanto cubanos passaram pelo território da Guiné (não terão chegado a meio  milhar),  nem quantos morreram ou foram gravemente feridos (menos de duas dezenas) (**).

Alguns de nós, pelo contrário, começaram a entrar na paranoia de ver cubanos por todo o lado. Às centenas, aos milhares, uma invasão (!) (**)... "Brancos, que só podiam ser cubanos"... Mas não, o Amílcar Cabral não queria "brancos", queria "escurinhos", como ele... Lá tinha as suas razões... Ele,  que nunca foi um grande "cobói", terá acolhido,  porventura um pouco a contragosto, a ajuda dos "bons escoteiros cubanos"... Afinal Cuba dava lições ao mundo em matérias como a guerra de guerrilha... E o PAIGC tinha que aprender com os mestres. 

Enfim, ainda há muitos "mitos" para desmontar. 

Em todo o caso, munca foram particularmemnte queridos os cubanos que, achávamos nós,  nada tinham a ver com aquela guerra (nem com aquela terra). "Dor de corno" ?!...Se calhar, mas alguns cubanos diziam tinham lá antepassados que foram escravizados.

 Bom, sorte, sorte, apesar de tudo, teve o "capitão Peralta" a quem os páras do BCP 12 salvaram a vida, depois de gravemente ferido numa emboscada (Op Jove, corredor de Guileje, em 18 e novembro de 1969). 

O Peralta que, não tendo morrido, acabou por ser uma peça fora do baralho, que veio estragar o arranjinho entre o Amílcar Cabral e o Fidel Castro... E estes dois, que depois se tornaram amigalhaços, lá tiveram que arranjar uma desculpa de mau pagador para a presença, no corredor de Guileje, a milhares de quilómetros de casa (mais de 7 mil), daquele "ovelha tresmalhada".

Afinal, éramos todos bons rapazes, mas o Amílcar Cabral nunca chegou a pagar em vida  os favores que devia aos cubanos, mandando por exemplo os "seus balantas" para Cuba, para ir cortar cana de açucar na altura dela... Amor com amor se paga, diz o provérbio popular português.

Enfim, tem algum interesse em sabermos, pelo menos, como  é que eles, os cubanos, 500 anos depois, voltaram à  Guiné à procura das suas origens... (Esse era um dos argumentos utilizados pelo Cabral para justificar a sua presença em África.)

Vamos fazer, em dois postes,  uma síntese e análise crítica do  artigo cujo original está disponível "on line", aqui: País: A outra face da luta na Guiné (I) - A presença cubana na Guiné-Bissau que o PAIGC quis esconder | Por Jorge Montezinho, | Expresso das Ilhas, 25 jan 2026 9:14


A. Síntese: o papel de Cuba na luta do PAIGC


(i) Contexto e motivações

  • Autonomia cubana: ao contrário de outros apoiantes do PAIGC (como a URSS, a China ou até a Suécia), Cuba terá agido por iniciativa própria, motivada pela visão de 'Che' Guevara  do "internacionalismo proletário" e da da "luta contra o imperialismo ", pelo empenho pessoal de Fidel Castro e pelo interesse estratégico de Cuba  na África subsaariana como "laboratório revolucionário". 
  • Os contactos com o PAIGC remontam a 1963, mas a "ajuda cubana" só se  materializou  após a viagem de Guevara à África em 1964-65.
  • Primeiros contactos: em agosto de 1963, o PAIGC pediu formação militar e política para cinco combatentes, em Cuba; não se sabe ao certo se houve resposta, nem se esses cinco militantes chegaram a ir a Cuba (quanto mais fosse para provar um "Mojito", um "Daiquiri" ou uma "Cuba Libre"...).
  • Foi preciso esperar ano e meio para que, a partir da reunião entre o 'Che' Guevara e o Amílcar Cabral, em 12 de janeiro de 1965, em Conacri, se desse o início da "cooperação efetiva"entre o PAIGC e Cuba.
  • Em janeiro de 1966, Cabral, que gostava muito de viajar,  foi pela primeira vez a Cuba (não é "á Cuba", no Baixo Alentejo), chefiando a delegação do PAIGG  na  Conferência Tricontinental em Havana.
  • Após aqueles intermináveis discursos panfletários do Fidel Cabral (supomos que o do Amílcar Cabral fosse mais curto e comedido, até  para compensar), o Cabral e Castro foram "tabaquear o caso", como dizem os alentejamos: lá tiveram uma conversa (longa, claro...), a que apenas assistiu o Oscar Oramas,  na altura um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores, mais tarde embaixador de Cuba em Conacri (, de resto, um homem afável, que eu irei conhecer, em Bissau, em março de 2008).  

(ii) A ajuda cubana: logística, militar e humana

  • Em maio de 1965, o navio "Uvero" levou a primeira remessa de ajuda cubana: armas (cerca de 60 caixas), alimentos e medicamentos a Conacri, cumprindo a promessa do 'Che' a Cabral.
  • Em 6 junho de 1966, chegam 31 "voluntários" cubanos, além de charutos, açúcar mascavado e outros mimos ( a revolução também se faz com estas coisas que fazem bem a alma).
  • Desses trinta e um, (i) onze eram especialistas em artilharia; (ii) oito motoristas; (iii) um mecânico; (iv) dez médicos (sete cirurgiões e três de clínica geral); e (v) um oficial de inteligência, o tenente Aurelio Ricard (Artemio), que era o líder do grupo.
  • Não sabemos (o jornalista cabo-verdiano não satisfaz a nossa curiosidade), quantos eram "brancos" e quantos eram "mais escurinhos", de acordo com as recomendações do Amílcar Cabral. A maior parte dos médicos seriam "brancos", mas quem sabe dessa parte é o Jorge Araújo, que é o nosso especialista em "internacionalistas cubanos":   teve, inclusive,  um duelo de morte, no Xime, com um deles  (já aqui contou essa história).
  • A missão mlitar cubana, sediada em Conacri (claro, não podia ser em Dacar, muito menos no Fiofioli...), reportava diretamente a Havana e era liderada por Víctor Dreke (veterano da guerrilha no Congo).
  • Além de formação de guerrilheiros, os cubanos passaram a participar em missões de combate e a fornecer apoio logístico e médico.
  • O grupo reportava diretamente à inteligência cubana em Havana, e em particular a Ulisses Estrada, chefe da Direcção 5 da DGI, que abrangia a África e a Ásia (um veterano, negro, da Sierra Maestra, que depois irá lutar ao lado de Domingos Ramos, no Leste da Guiné; estaria ao lado dele, segundo me confidenciou, em Bissau, em 2008, quando o Domingos Ramos foi mortalmente ferido em 11 de novembro de 1966, no ataque a Madina do Boé, ataque que redundou num enorme desaire para o PAIGC).
  • Apesar da ajuda, que foi bem vinda, Cabral  (que era pobre mas não era mal agradecido e sobretudo era inteligente)  fez questão de restringir o número de cubanos a 5 ou 6 dezenas de cada vez: tratava-se de preservar a autonomia do PAIGC, e não ferir o orgulho dos seus "cabra-matchu", como o 'Nino' Vieiria.
  • Aém disso, preferia "negros ou mulatos escuros para que se misturassem com o seu povo" (sic) (por favor, não venham agora acusar o Cabral de "racista": depois de morto, não se pode defender).
  • A presença cubana foi "mantida em segredo" (sic), a pedido do próprio PAIGC; em 1966 estava em curso uma grande operação contra Madina do Boé: foi adiada para 11 de novembro, no início da época seca; 350 combatentes do PAIGC atacaram o aquartelamento português com a intenção de dar cabo dos "tugas" e libertar  definitivamente o Boé; o PAIGC acabou por sofrer pesadas baixas; morreu o comandante Domingos Ramos (já aqui contámos como foi).
  • “A morte de Ramos foi um golpe duro”, lembrou um líder do PAIGC; issso levou Castro à acção; o líder cubano “sugeriu que fizessemos mais para ajudar”, recordou Oramas, “e Amílcar aceitou com grande prazer a nossa oferta de aumentar a ajuda”.
  • Castro convocou Dreke [Víctor Emilio Dreke Cruz, ex-comandante das Forças Armadas Revolucionárias Cubanas] que, desde que regressara do Zaire, chefiava o departamento que treinava os cubanos que iam para as missões militares no exterior e os estrangeiros que vinham a Cuba. Fidel confiou a Dreke "o comando da missão militar na Guiné’”. Castro também insistiu para que Dreke levasse alguns dos homens que estiveram com Dreke no Zaire, “os melhores”.
  • "Em fevereiro de 1967, comunicados militares portugueses começaram a mencionar que conselheiros cubanos estavam a operar com os guerrilheiros, e um mês depois a CIA, que estava á  coca, escreveu que 'pelo menos 60 cubanos... treinavam o PAIGC' ", escreveu o autor do artigo, Júlio Montezinho.
  • "Em fevereiro de 1967, Dreke voou para Conacri com Pablito Mena (outro veterano do Zaire) e Reynaldo Batista. Dreke era um comandante, membro do Comité Central e um homem que conhecia África e a guerra de guerrilha"; além disso, inspirava enorme confiança e respeito, diz o jornalista cabo-verdiano.
  • "Aprendemos muito com Moya [nome de guerra de Dreke]”, disse Arafam Mané, um comandante do PAIGC (recordam-se ? o puto biafada que deitou fogo ao capim, em Tite, em 23 de janeiro de 1963.). “Moya foi um líder excepcional”, disse o ex-presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, por sua vez.
  • Os cubanos, por seu turno, ficaram impressionados com o empenhamento e a disciplina do PAIGC. “Tivemos uma experiência realmente amarga no Zaire e encontrámos algo completamente diferente na Guiné-Bissau”, observou Dreke.


(iii) Impacto estratégico e simbólico
  • Formação e especialização: os cubanos foram "cruciais" no treino dos combatentes do PAIGC, em áreas-chave como artilharia, minagem e uso de armas sofisticadas (ex.: RPG ou bazucas, canhões sem recuo, morteiros, antiaéreas); a sua presença, por outro lado, elevou o moral dos combatentes do PAIGC, que viam neles aliados dispostos a partilhar sacrifícios ( incluindo o da própria vida).
  • "Com o passar do tempo, os combatentes do PAIGC assumiram o papel de artilheiros, mas os chefes de bateria — aqueles que faziam os cálculos e dirigiam os artilheiros — foram, até ao fim, quase sempre cubanos", escreve o jornalista do "Expresso das Ilhas". (Não sei se o Manecas Santos concorda com esta "boca".)
  • Adaptação à estratégia de Cabral: embora preferissem táticas mais agressivas, os "cabra-matchu" cubanos respeitaram a estratégia de desgaste de Cabral, evitando confrontos diretos com os "tugas" que pudessem causar baixas elevadas (e a ira dos irãs).
  • "O estilo de Amílcar Cabral 'não era necessariamente o nosso',  comentou Enrique Montero, que chefiou a Missão Militar Cubana em 1969-70. Embora Cabral mantivesse um controlo rígido sobre a estratégia militar, passava a maior parte do tempo fora do país, em Conacri ou a viajar à procura de apoio estrangeiro. Ora, as actividades diplomáticas de Cabral mantinham-no afastado da linha da frente. Cabral não dirigia pessoalmente as operações militares. “Isto preocupava-nos”, explicou Dreke. 'A nossa formação e a nossa experiência ensinaram-nos que o líder tinha de estar na linha da frente.' "(diz Julio Montezinho)
  • Cinema e propaganda: Cuba vai usar entao o  a arma do cinema (vd. o documentário "Madina de Boé", de José Massip) para construir a imagem de um Cabral como um verdadeiro comandante,  um "cabra-matchu", um  líder presente na  linha da frente de batalha, mesmo que apenas... para russo  e cubano ver ( com a censura, era impossível  o filme passar nos nossos ecrãs). Isso ajudou a legitimar o PAIGC perante críticas internas e externas.
  • "Os cubanos tentaram disfarçar o facto com cinema. Um ano depois do primeiro contingente militar cubano ter chegado à Guiné-Bissau, chegou a primeira equipa de cinema, liderada pelo realizador Jose Massip. Massip realizou o filme Madina de Boé. O filme destaca-se por ser um dos poucos filmes em torno da luta de libertação em que Amílcar Cabral está, aparentemente, presente nas zonas libertadas. Convivendo com a população e os militares, Cabral enverga uma farda militar, partilhando a iconografia de outros líderes revolucionários da época."
  • "O líder do PAIGC voltaria a ser filmado por Massip em 1971 e desta rodagem permanece um diário do realizador. Em "Los Dias del Kankouran", Massip desvenda que Cabral lhe pediu para ser filmado no 'matu', para contornar críticas de que era alvo: a de se estar a transformar num intelectual urbano, baseado em Conacri, que não se expunha aos riscos da luta armada. Porém, o 'matu' onde Cabral foi filmado não era nas zonas libertadas, como a narrativa fílmica deveria conduzir o espectador a “ver”, mas sim o aquartelamento militar cubano em Kandiafara, território da República da Guiné. O cinema cubano colaborou na construção de uma imagem de Cabral como chefe de guerra".

(iv) O  caso Peralta e o segredo cubano

  • Captura e negação: em 1969, o capitão cubano Pedro Rodríguez Peralta foi capturado pelos portugueses,
  • Cabral negou a sua participação militar, como lhe convinha, descrevendo-o como um "visitante" dos médicos cubanos; ou seja, o rapaz veio em viagem turística, mas sem passaporte nem visto dos "tugas".
  • Portugal (leia-se, o Governo de Marcelo Caetano) usou a captura para provar o envolvimento estrangeiro. Mas Cuba manteve o bico calado.
  • Libertação tardia: Peralta só foi libertado uns meses depois do 25 de Abril de 1974,  apesar de tentativas, goradas, de troca com um "espião" dos EUA;
  • O caso ilustra a política de negação do PAIGC e o respeito de Cuba por essa posição, que também lhe convinha.
(Continua)

(Pesquisa, condensação, fixação / revisão de texto, negritos: LG)
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 3 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27698: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (20): E se tivesse havido um referendo em 1975 ? (Adriano Miranda Lima, cor inf ref, mindelense, que bebeu a água do Madeiral, a viver na diáspora desde 1963, e atualmente em Tomar)

(**) Vd. poste de 13 de outubro de 2024 > Guiné 61/74 - P26041: A nossa guerra em números (26): Aceitemos, provisoriamente, o número (oficioso) de 437 "internacionalistas cubanos" que terão combatido ao lado do PAIGC, "de 1966 a 1975"

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27640: Memórias cruzadas da região de Gabu: as origens do desassossego em Copá e as sequelas da metralha entre o Natal de 73 e 7Jan74: a morte do furriel "Ranger" Luís Filipe Pinto Soares (Jorge Araújo)

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil Op Esp/RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)


1. Mensagem do nossos camarada Jorge Araújo com data de 15 de Janeiro de 2026:

Caro Luís, bom dia deste outro lado do mundo.
Espero que tudo esteja sob controlo, em particular com a saúde. Nós, por cá, também investimos na sua manutenção.

Seguindo a tua sugestão, enviei o texto separado das imagens que, espero, dê certo. Trata-se do tal pedido que havia feito ao camarada Eugénio sobre a morte do fur Pinto Soares, em 7 de Janeiro de 1974, já lá vão 52 anos... é incrível como o tempo passa.

Talvez, amanhã, consiga enviar-te mais uma narrativa.

Fica bem. Um forte abraço nosso desde o deserto.
Jorge Araújo.


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MEMÓRIAS CRUZADAS DA REGIÃO DE GABÚ:

AS ORIGENS DO DESASSOSSEGO EM COPÁ E AS SEQUELAS DA METRALHA ENTRE O NATAL’73 E 07JAN74

A MORTE DO FURRIEL “RANGER” LUÍS FILIPE PINTO SOARES

- PARTE III -

1 – INTRODUÇÃO

Como resposta ao interesse manifestado pelo jovem Rafael Gonçalves (P26616, de 25Mar2025), aluno da Escola Secundária Augusto Cabrita, no Barreiro, sobrinho/neto do nosso camarada Luís Filipe Pinto Soares, furriel de operações especiais, em aprofundar o contexto em que ocorreu a morte, em 7 de Janeiro de 1974, do seu tio/avô, fez agora cinquenta e dois anos, foi possível encontrar novos elementos que nos permitem ver, com mais clareza, o cenário do “Desassossego em Canquelifá” e suas consequências – causas versus efeitos da Guerra.


Para a elaboração deste texto, foi excelente o contributo dado pelo camarada Eugénio Pereira, furriel da CCaç 3545 (1973/1974), que, para além de imagens da época, ajudam a situar a problemática da ocorrência, peças importantes na (re)construção do puzzle das memórias, em particular, desta Unidade Metropolitana.

2 – CONTEXTUALIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA

Para enquadramento historiográfico desta narrativa, socorremo-nos do livro de memórias de Amadú Djaló, “Guineense, Comando, Português”, ex-alferes comando graduado (Bafatá, 1940-Lisboa, 2015), citando alguns episódios por ele vividos, em conjunto com os restantes elementos da CCAÇ 21, entre Copá e Canquelifá, no período acima titulado.

2.1 – “GUINEENSE, COMANDO, PORTUGÊS”, de Amadú Bailo Djaló

(…) No final de 1973 e início de 1974 “Canquelifá estava muito diferente. As tabancas que havia à volta, junto às fronteiras com o Senegal e com a Guiné-Conacri estavam todas arrasadas, a população tinha desaparecido. A zona estava nas mãos do PAIGC e Canquelifá agora era um local muito perigoso, sempre à espera de ataques, do lado do Senegal ou da Guiné-Conacri. As estradas estavam semeadas de minas, se Canquelifá precisasse de apoio à noite, não podia ser socorrida por estrada, de noite não se podia picar estradas. Foi nesta situação que encontrámos Canquelifá.

Estavam ali duas companhias, uma de europeus (CCAÇ 3545) e a nossa (CCAÇ 21), oito pelotões ao todo. Fizemos um programa de saídas, todos os dias de manhã saía um bigrupo nosso até a uma distância de cinco a sete kms e regressava por volta das duas da madrugada. Julgávamos que, a partir dessa hora, era mais difícil haver ataques do PAIGC. Num dia saía um bigrupo de africanos, no dia seguinte um de europeus. Desta forma, cada bigrupo descansava três dias.

Em algumas dessas saídas, deixávamos o quartel, de manhã muito cedo, na direcção de Nhunanca. Depois de andarmos um bom bocado, entrávamos numa lala (clareira), quase sem árvores, com o capim muito alto, Depois de atravessarmos para o outro lado da lala, permanecíamos aí algum tempo, até cerca das 15:00 horas, quando decidíamos abandonar o local. Caminhávamos mais dois ou três kms e emboscávamo-nos. Ocupávamos dois caminhos, o que ia para Nhunanca e o que levava a Chauara. Ficávamos durante cerca de uma hora e regressávamos, contornando o quartel e entrando pela entrada contrária à saída para Copá.

Numa dessas saídas, em 7 de Janeiro de 1974 (2.ª feira), na “Acção Minotauro”, um dos nossos bigrupos, comandado pelos alferes Ali Sada Candé e Braima Baldé, quando estava emboscado, a cerca de dois kms do aquartelamento, avistou, por volta das 16:00 horas, um grupo do PAIGC a atravessar a lala. Estavam a deslocar-se na direcção do quartel [de Canquelifá]. O nosso bigrupo foi no encalço deles, a observarem o que iam fazer. Cerca de um quilómetro andado o pessoal do PAIGC parou, debaixo de uma grande árvore. Um deles estava a preparar-se para subir a árvore, quando o nosso bigrupo os atacou, de surpresa. O pessoal do PAIGC fugiu como pôde, deixando no local três guerrilheiros mortos, as armas e um rádio Racal que, viemos a descobrir mais tarde, tinha sido perdido por nós em Morés, em 23 de Dezembro de 1971.

[Nesse dia] era a vez do meu grupo ficar no aquartelamento, mas quando começámos a ouvir o tiroteio saímos imediatamente. Quando os encontrámos o caso já estava arrumado. Ajudámo-los a trazer os corpos dos guerrilheiros que depositámos junto à parada.

Nesse mesmo dia 7 de Janeiro, por volta das 17:30 horas, o PAIGC desencadeou um ataque a Canquelifá. Ou de represália, ou porque também tinha ouvido os tiros. Um dos primeiros mísseis acertou na central eléctrica e uma grande bola de fumo negro começou a subir. De vez em quando paravam os bombardeamentos, depois recomeçavam. Durou quase a noite toda este ataque.

A tabanca ardeu e ficou completamente destruída. Morreram durante o ataque quatro pessoas, um furriel europeu [Luís Filipe Pinto Soares, da CCAÇ 3545 - P16127], um soldado negro (Donsa Boaró, da CCAÇ 21), o soldado Mica Djaló Baldé (do 6ºPelArt/GAC7) e um rapaz de cerca de 13 ou 14 anos [Iala Colubali, natural de Bajocunda, Nova Lamego] que trabalhava para o furriel europeu que tinha morrido” (op.cit., pp.268-270).


Reitero os votos de BOM ANO.
Obrigado pela atenção
Um abraço.
Jorge Araújo.
AD; 15.Jan.2026

Foto 1 - A kalach capturada ao Tenente Ramón Maestre Infante (cubano), um dos dois mortos recuperados pelas NT. O outro era o Jaime Mota (cabo-verdiano).
Foto 2 – O fur. Soares com elementos do seu Gr Comb (é o 5.º da esq.)
Foto 3 – O fur Soares é o 1.º da dtª.
Foto 4 – O fur Soares é o 5.º em baixo (esq/dtª)
Foto 5 – localização do abrigo do fur Soares, com vala de segurança
Foto 6 – Os nomes dos elementos do abrigo do fur Soares
Foto 7 – as urnas dos dois mortos do dia 7 de Janeiro de 1974
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Notas do editor:

Vd. postes de:

15 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P23001: Memórias cruzadas da região de Gabu: as origens do desassossego em Copá e as sequelas da metralha entre o Natal de 73 e 7Jan74 (Jorge Araújo)
e
25 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26616: Em Homenagem a Luís Filipe Pinto Soares (1950-1974), Fur Mil Op Esp da CCAÇ 3545/BCAÇ 3883, que faleceu em combate no dia 7 de Janeiro de 1974 (Jorge Alves Araújo, ex-Fur Mil Op Esp)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27631: O nosso blogue em números (111): E lá vamos blogando e rindo... E mais se publicaria se mais material houvera, parafraseando o Camões (Carlos Vinhal / Luís Graça / Eduardo Magalhães Ribeiro)


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



Quadro nº 1 - Número de postes editados em 2025, por editor e por mês (n=1258) (Fonte: Carlos Vinhal, 2026)

1. O Carlos dizia, o ano passado, com graça que, sendo  a idade  um posto na tropa, o nosso Blogue  já teria direito uma patente de oficial superior. Ok.

Vamos completar em abril de 2026 vinte e  dois anos. E eu gosto de acrescentar que, na Net, essa idade é já uma eternidade. 

Multiplicando por cinco cada ano, são mais de 100. Ou 10 comissões na Guiné (de dois anos cada)... 10 comissões de serviço em cada perna, multiplicando por cinco, perfaz os tais 100 anos... É por isso que chamamos centenário ao "poilão da Tabanca Grande"...

E, se assim fosse, o blogue "centenário", completamente "cacimbado", com dezenas e dezenas de milhares de léguas nas pernas, já devia estar "protésico, radioativa, parquinsónico e alzheimareado, de tantas vezes ter ido à "recauchutagem"... Ou seja, já devia estar fora do prazo de validade...

Mas, não, por  parte dos editores, autores e demais colaboradores, "lá vamos blogando e rindo"...

Falando de coisas sérias: já passou mais um ano e o  balanço até "nem é  mau de todo", como diz o Carlos, que não vai em futebóis nem triunfalismos: números são números e a verdade é que ficámos este ano (2025) a 50 postes da meta, que era ultrapassar o número do ano passado (2024) (n=1307).

Mas nós não "estamos a trabalhar para o livro dos recordes". Até porque a matéria-prima e os recursos (humanos, técnicos, financeiros...) são cada vez mais escassos. Os computadores estão velhos, os dedos trôpegos, a coluna feita num oito, a vista cansada, as teclas fod*das, os neurónios a diminuir...

2. Falando ainda de números, em mais um poste da série "O nosso blogue em números), constatamos que:
  •  em 2025 foram publicados 1258 postes, contados entre 1 de janeiro e 31 de dezembro. (O Carlos Vinhal gosta de chamar a atenção para a contagem do Blogue que é feita semana a semana, entre domingo e sábado, pelo que não condiz com a nossa estatística feita a partir do calendário civil.)

É justo realçar o  trabalho, individual, dos editores que não têm sábados, domingos e feriados. "E até parece que nem sofrem das maleitas da idade", ironiza o Carlos.

Pelo  Gráfico nº  6 e Quadro no. 1 verificamos que;
  •  o mês mais produtivo foi o de maio (com 122 postes) (em 2024, foi o de abril com 140 postes);
  • menos produtivo foi o de setembro (n=92)
Estamos reduzidos a 3 editores, e mesmo o Eduardo Magalhães Ribeiro está com uma colaboração mais pontual (o seu próprio blogue, "Rangers & Coisas do MR",  perdeu fôlego nos últimos anos). 

No essencial, tem sido o Luís Graça e o Carlos Vinhal a manter, em bom ritmo, a produção diária, fazendo questão de nunca deixar o blogue em branco em nenhum dia da semana, e procurando não defraudar as expetativas dos seus leitores.

Não são relevantes as diferenças entre a produção de um e outro: o Luís Graça tem também a sua produção própria como autor.

O Jorge Araújo, há muito "refugiado" no Próximo Oriente, na Tabanca dos Emiratos, longe da vista e do coração da Tabanca Grande (mas não da sua Maria), também por outras razões, só nos mandou 10 postes da sua lavra, em 2025... Ele, de resto, ainda não faz edição diretamente, mas por intermédio do editor LG.

E mais se publicaria se mais material houvera, parafraseando o Camões.

Já lá vai o tempo em que quase chegávamos ao pico dos Himalaias... De facto, em 2009, quase que atingíamos os 2 mil postes... Mas nessa época, estavam 4 editores  (LG, CV, MR, VB) a trabalhar em pleno e não havia mãos a medir... E os baus das recordações começam a ser vasculhados...
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 10 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27624: O nosso blogue em números (110): em 20 anos (2006-2025): média de 1.359 postes por ano... Não é autoelogio, é uma afirmação da IA / Gemini Google, que fez a análise estatística de dados : "Significa que, faça chuva ou faça sol, o blogue publica, em média, 113 postes por mês, quase 4 por dia (...), revela uma consistência editorial raríssima em projetos de longevidade digital; (...) é um registo histórico monumental sobre a Guiné e a memória da guerra; (...)parabéns por manterem esse vigor há duas décadas!"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27543: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (9): Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816; Artur Conceição, ex-Sold TRMS da CART 730/BART 733 e Jorge Araújo, ex-Fur Mil Op Esp da CART 3494/BART 3873

1. Mensagem natalícia do nosso camarada Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816 (BissorãOlossato e Mansoa, 1965/67), com data de 17 de Dezembro de 2025:

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2. Mensagem natalícia do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS da CART 730/BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 17 de Dezembro de 2025:

Para todos os jovens da Tabanca Grande e suas famílias votos de um Feliz Natal e de um Novo Ano com muita Saúde, muita Paz e Muito Amor

Artur Conceição

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3. Mensagem natalícia do nosso camarada Jorge Araújo, ex-Fur Mil Op Esp da CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974), com data de 18 de Dezembro de 2025:

Caro Luís, bom dia,
Agora em Abu Dhabi, depois de termos passado um pequeno período de férias académicas no Índico.
Aproveito este contacto para enviar o meu postal de BOAS FESTAS, para ti e para os membros da "TABANCA", desejando a todos um SANTO NATAL e um melhor ano de 2026, na companhia daqueles que nos estão próximo, com muita saúde e algum patacão.
Anexo, ainda, duas fotos com um enquadramento natalício no interior do Reem Mall (centro comercial cá do burgo).


Um grande abraço de amizade para todo o colectivo.
Jorge Araújo + Maria João

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Nota do editor

Último post da série de 17 de Dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27540: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (8): Feliz Natal e um 2026 cheio de Afectos com Letras (Associação Afectos com Letras, ONGD)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27507: Tabanca dos Emiratos (17): Prova de vida renovada (Jorge Araújo)








Seixal  > Corroios  > Alto do Moinho > Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Alto do Moinho > 18 de outubro de 2025 > Sessão de lançamento do livro de Jorge Alves Araújo sobre a história dos  50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho (1975 - 2025), 2º volume

Fotos (e legendas): © Jorge Araújo (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].





Jorge Araújo, ex-fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); a viver há uns anos entre Almada e Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos; e é um dos nossos coeditores; como autor, tem 345 referências no nosso blogue; anima várias séries: "Tabanca dos Emiratos", "Memórias cruzadas...", "(D)o outro lado combate"...


I. Mensagem do Jorge Araújo:

Data - domingo, 16/11/2025, 16:52
Assunto - Prova de vida renovada


Caro Luís, boa tarde, desde as Arábias (aqui são mais 4 horas).

Antes de mais, esperamos que estejas bem, ao mesmo tempo que agradeço, em particular, a tua mensagem de parabéns.

1 - Como deixei expresso no espaço reservado a "comentários", nesse fim-de-semana viajamos até Doha, no Qatar, que durou 50 minutos, com o objectivo de romper com as rotinas negativas e/ou cansativas, para usufruir, o melhor possível, de outras ofertas culturais de um país que nos está próximo.

Aqui procurámos gerir a estadia de 3 dias, andando percursos a pé, de metro e de táxi, conforme os locais e os objectivos das visitas.

Mas o ponto alto da viagem era, e foi, a de comemorar uma efeméride, ou seja, a comemoração das minhas setenta e cinco "primaveras" (no Outono)... ainda faltam mais vinte e cinco para o centenário.

2 - Uma vez que possuo algumas dezenas de imagens, como seria natural, peço-te que me digas quantas devo incluir em cada uma das partes? Ou apenas uma só reportagem?

3 - Quanto à minha fraca participação no fórum, ela tem sido influenciada pelas sucessivas mudanças de actividades, algumas delas bastante problemáticas, onde se incluem as ocupações profissionais dos mais jovens, ao facto da minha filha ter ficado viúva, e de outros factos de pequenos/grandes detalhes que o destino faz questão de nos presentear. 

Não estou a desculpar-me, mas a situação de andar aos "saltos" de um lado para outro (Almada-Abu Dhabi-Almada) não ajuda.

4 - Acresce referir que, em função de me ter voluntariado para escrever, e editar, a história dos «50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho» (P-24254, de 26.04.2023), que será constituído por cinco volumes, um por cada década, só no passado mês de Abril me foi comunicada a aprovação do patrocínio do 2º. Volume (década 1985-1995). 

Este atraso obrigou-me a ficar retido em Portugal, para acompanhar a respectiva composição de 320 páginas até ao seu lançamento, que ocorreu em 18 de Outubro último, com voo agendado para o dia 21.


Qatar> Doha : Museu Nacional > Um candeeiro tipo petromax


5. Pelo exposto, sugiro a seguinte metodologia de publicação:

(i) Reportagem sobre a publicação do 2º livro;

(ii) Tema - Petromax, na sequência dos P-27384 e P-27425, pois encontrei vários exemplares no Museu Nacional do Qatar, em Doha, mas estes eléctricos (com lâmpada);

(iii) Retrospectiva temática da viagem.

Aguardo um feedback sobre a proposta acima.

Agora vou anexar algumas fotos do ponto (i) para selecionar, e do petromax, a enquadrar na visita ao Museu Nacional.

Boa semana e até breve.
Um abraço.
Jorge Araújo e Maria João.


II. Resposta do editor LG:

Data - domingo, 16/11/2025, 22:22

Jorge (e Maria João): Folgo em ter notícias vossas. Ao fim de bastante tempo, e com mares (e guerras) a  separar-nos nem tudo o que me contas são coisas boas. A morte do teu genro (ainda novo, presumo) abalou a família, e sobretudo a tua filha (que deve ter filhos, teus netos).

Já todos passámos por diversos "lutos". A minha mulher, por exemplo, ainda não ultrapassou a perda da sua irmã mais querida, e já lá vão dois anos e meio. A vida nunca mais é como dantes,
quando a morte bate à nossa porta.

Mas temos de tratar dos vivos e fingir que somos... "imortais". Por isso, tu é que vais definir
as tuas prioridades (em relação ao blogue). E, se quiseres mandar-nos colaboração (que será sempre desejada e bem vinda), segue a tua "bússola" e o teu "mapa de navegação".

Mandas as fotos que entenderes (com boa resolução, como estas que anexas), de preferência com 0,5 MB ou superior. Não edites nada em pdf, dá-te uma trabalheira a ti e a mim. Prefiro que mandes o texto em word. As imagens, numeradas (com as legendas) no texto, devem vir em anexo, como estas que mandaste por mail. Desde que tenham  legendas (incluindo local e data), eu oriento-me. E depois edito, texto e fotos...

Carpe diem. E parabéns pelos 75 anos "resilientes".  Chicorações para os dois. Luís
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26552: Tabanca dos Emiratos (16): Visita nas férias de Natal ao antigo Ceilão, a Taprobana de "Os Lusíadas", hoje Sri Lanka (Jorge Araújo) - Parte IV

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27384: A nossa guerra... a petromax (1): Quem é que ainda se lembra dos candeiros a petróleo ? Em 1964, em Guileje, Gadamael, Ganturé, Sangonhá, Cacoca, Cameconde... Em 1967/68, em Ponate, Banjara, Cantacunda, Sare Banda, Ponta do Inglês...



Candeeiro antigo a petróleo Hipólito de 350 velas
(Com a devida vénia, OLX: anúncio já não disponivel)


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) >  Destacamento da Ponte do Rio Udunduma > Setembro de 1973 > CART 3494 (Xime e Mansambo, 1971/74) > Uma foto rara : assinalado a amarelo está um candeeiro a petróleo de camisa, um petromax, possivelmente de 350 velas, que era fabricado em Portugal pela Casa Hipólito, de Torres Vedras. 

"A mesa polivalente, onde se comia, escrevia, lia,  jogava e conversava. Em suma: o espaço de socialização e de partilha. Da esquerda para a direita: Gregório Santos, José Sebastião, Ricardo Teixeira e eu [Jorge Araújo] participando no 'mata-bicho' das tardes, preparando-nos para mais uma noite de muitas estrelas."

Foto (e legenda): © Jorge Araújo  (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 




Capa do livro "Casa Hipólito : história, memórias e património de uma fábrica torriense / Joaquim Moedas Duarte ; pref. José Amado Mendes ; rev. cient. Jorge Custódio. - 1ª ed. - Torres Vedras : Associação para a Defesa e Divulgação do Património Cultural de Torres Vedras : Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial, 2017. - 376 p. : il. ; 23 cm



1 Quem se lembra do velho "petromax" que iluminou muitas das nossas noites de breu na Guiné ? E nomeadamenmet nos primeiros anos da guerra, em destacamentos perdidos no mato ...

Eu nunca tive o "privilégio" de ter um pretomax no destacamento da ponte do rio Udunduma, na missão do sono em Bambadincanzinho, nas tabancas fulas em autodefesa que fui reforçar ou no destacamento do reordenamento (de população balanta e mandinga) de Nhabijões !... 


Fonte: Anúncio do OLX
Mas há quem se lembre... O petromax, das fotos acima, era da  Casa Hipólito, de Torres Vedras. Era um candeeiro a petróleo, de camisa.. Havia vários modelos, todos a petróleo/querosene, só mais tarde evoluiu para o gás...  

Havia candeiros de 150 velas, 250 velas, 350 velas, 500 velas... Pelo que vejo nos anúncios do OLX, estes candeeiros antigos podem ainda hoje valer entre os 50 e os 150 euros...Os modelos novos podem custar 300, 400, 500 euros...

O de 500 velas (ou CP="candle power") era o de topo de gama. 

O de 150 velas dava para 10 horas (1 litro de querosene / petróloe). Aplicaçáo: Uso doméstico, iluminação de tenda pequena ou posto de sentinela;

O de 250 velas tinha um autonomia de 7 horas, dava para iluminar um secção do perímetro de
arame farpado, uma cozinha de campanha, um ficina.

O de 350 velas (5 horas de autonomia) iluminava um de pátio, um pequeno acampamento, uma enfermaria.

O de 500 velas (4 horas de autonomia) iluminava superfícies maiores: quartéis, destacamentos, missões religiosas, médios / grandes acampamentos. Um candeeiro Petromax de 500 CP (ou velas) é comparável, em brilho, a quatro lâmpadas incandescentes de 100 W, mas concentrando a luz num feixe mais intenso.

Náo sabemos qual(quais) o(s) modelo(s) disponibilizado(s) pela Intendência. Mas pelo menos o de 150 velas já existia em 1967, 

"Petromax" era/é  uma marca registada, de origem alemã, fabricada em Portugal sob licença,a partir de 1949. Mas a Hipólito também tinha modelos próprios.


2. Ter um petromax em casa, no meu tempo de miúdo, era uma novidade, uma  coqueluche. Usava-se na pesca aretsanal e na pesca ao candeio (o pescador mais "abonado"; ainda me lembro da lanterna, luminária  ou lampião a carbureto)... Nas oficinas, para trabalhar à noite. E os mais remediados passaram a substituir o velho candeeiro a petróleo pelo petromax, enquantio não chegava a eletricidade de Castelo de Bode (a barragem foi inaugurada em 21/1/1951).

A palavra "petromax" entrou no nosso vocabulário nos anos 50. E o termo já está hoje grafado nos  nossos dicionários.

Temos diversas referências ao uso do "petromax" na iluminação das nossas instalações militares no CTIG (a par das garrafas de cerveja que, depois de vazias,  eram cheias de petróleo, levavam uma tampa  furada por onde passava uma mecha, torcida ou pavio funcionando à noite como luminária ou candeeiro improvisado).

Segundo a descrição da Wikipédia, "consta de um depósito, onde está introduzida uma bomba de pressão, do qual sai um tubo tendo na extremidade um vaporizador e fixa a este uma camisa em seda em forma de lâmpada, protegida por um cilindro em vidro. No cimo tem uma chaminé por onde saem os gases." (Vd, imagem acima).
 
Para quem quiser saber mais, aconselha-se uma visita à página do Facebook Memórias da Casa Hipólito de Torres Vedras, da autoria de Joaquim Moedas Duarte, criada no âmbito do Mestrado em Estudos do Património, da Universidade Aberta de Lisboa. 

Sabemos que esta grande empresa metalúrgica (o maior empregador da região) forneceu diversos equipamentos de iluminação para as Forças Armadas. Começou por ser uma pequena oficina de latoaria no início do séc. XX. Algumas décadas depois era já uma grande metalúrgica, com 1400 colaboradores.


3. Vejamos algumas referências ao petromax no CTIG:

Já temos uma série "A minha guerra a petróleo" (*), da autoria do ex-cap art (hoje coronel na reforma) António J. Pereira da Costa, membro da nossa Tabanca Grande.

Iremos citá-lo em próximo poste. Inspirados naquele título, é que nos lembrámos de repescar postes com referência a este descritor, "petromax". 

Em todo o caso, convém lembrar que a "A minha guerra a petróleo" (título que o autor voltou a usar no livro de memórias que publicou, sob a  chancela da Chiado Books, em 2019) tem um sentido metafórico e irónico. Mais diria que é também  uma amostra da literatura "pícara" que se tem publicado sobre a nossa guerra.

 Temos que revisitar esta série. Mas para já registe-se que o tom  que o nosso Tó Zé (para os amigos da Amadora)  usa, é  muitas vezes reflexivo e sarcástico, evocando as dificuldades logísticas e humanas da guerra (por exemplo, o combustível escasso, o calor, o esforço físico e moral, a burocracia). Neste contexto, a expressão “a petróleo” serve também para sublinhar   o carácter absurdo, tecnicodependente e mecanizado da guerra moderna,  que não funcionaria sem máquinas, motores, material, combustível, e sobretudo sem  uma máquina pesada que se impõe sobre o indivíduo. Aliás, nenhuma guerra.

Física e metaforicamente falando, foi de facto uma "guerra a petróleo", a nossa... Nalguns caso, um pouco mais evoluída, do ponto de vista da tecnologia com a introdução do "petromax " e a seguir do "gerador elétrico"...

Tudo indica, entretanto, que nos primeiros anos da guerra, na Guiné, o uso do "petromax" (ou lanterna de incandescência...)  fosse mais generalizado, servindo inclusive para iluminar o perímetro de defesa dos aquartelamentos, como no caso de Bedanda, por exemplo, ao tempo do nosso camarada Rui Santos, em 1963, bem como outros aquartelamentos  e destacamentos.

Cite-se, na região de Tombali, e ao longo da fronteira  com a Guiné-Conacri,  no 1º semestre de 1964, destacamentos como  Guileje, Gadamael, Ganturé, Sangonhá, Cacocca, Cameconde, etc.

Mas também na zona Leste, na região de Bafatá: Ponta do Inglês,no subsector do Xime (setor L1), Banjara, Cantacunda, Sare Banda, etc., no subsector de Geba (sector L2)... Ou na região do Cacheu, Ponate, por exemplo...

Em sítios isolados (destacamentos, tabancas em autodefesa, etc.), o uso do "petromax" levantava questões de segurança. Era um alvo fácil . E talvez por isso fosse distribuído com parcimónia. Não sabemos, por exemplo, quantos camaradas nossos morreram, de tiros isolados, à noite, disparados por "snipers". Ou de ataques junto ao arame farpado, como Sare Banda, 1968.

Depois vieram os geradores e passou a haver luz elétrica, pelo menos à noite... Mas, nos destacamentos, em Ponate, em 1966,  em Banjara, em 1967, na Ponta do Inglês, em 1968, no Biombo, em 1970, no rio Udunduma, em 1973, etc. continuava a recorrer-se ao "petromax".


Sangomhá, 1964 (**)

(...) "Depois de, em Ganturé, existirem as condições mínimas de sobrevivência para a instalação das tropas que aí permaneciam, o Pel Rec Fox 42 juntamente com tropas recém chegadas à Guiné [CART 640 ] e com um Pelotão de Milícias rumou até Sangonhá a 21 de maio de 1964.

Como de costume segue-se a capinagem, a vedação de arame farpado em volta da tabanca, que seria agora um quartel, a colocação de cavaletes para instalação dos candeeiros a petróleo (petromaxes), a que alguns “valentes” iam dar pressão de ar durante a noite, sempre que necessário." (*)

.
Sare Banda ,8 de setembro de 1968 (***)

(...)  Sare Banda (...) estava perto de Sinchã Jobel (importante base do PAIGC, e muito bem equipada, como é claro pelo material que deixaram), e é natural que fosse atacada.

O alferes morto foi o Carlos Alberto Trindade Peixoto. O outro morto foi o Furriel Raul Canadas Ferreira. Mas as circunstâncias da morte deles não estão devidamente relatadas.

Foi assim: este, como todos os destacamentos da CART 1690, não tinha luz eléctrica, nem mesmo um miserável gerador. Eles estavam os dois numa tenda a jogar às cartas, com um petromax aceso (depreende-se, aliás, do relatório as péssimas condições de instalação). Para os guerrilheiros foi muito simples, foi só apontar o RPG2. (...)


Banjara, 1967 (****)

De qualquer modo, as companhias deviam ter, em "stock", este precioso utensílio... mas era preciso garantir a disponibilidade de querosene/petróleo iluminante e de "camisas"...
 .




Guiné > Zona leste > Geba > Banjara > CART 1690 (1967/69) > Excerto de uma requisição de material, com data de 9/6/67, feita pelo alf mil Alfredo Reis,  na altura a comandar o destacamento de Banjara.

Alguns dos artigos requisitados (excerto):
  • fósforos, 
  • palha de aço,
  • camisas para petromax de 150 velas.
  • torcida e vidro (?) para o frigorífico (...),
  • pregos para pregar as chapas,
  • aerogramas,
  • selos, 
  • 12 esferográficas (uma vermelha e as outras azuis),  
  • bloco de cartas,
  • Omo e sabão, 
  • uma garrafa de whisky, 
  • Sumol ou outros sumos [...]

Foto: © Alfredo Reis (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

(Continua)

(Revisão / fixação de texto, itálicos, negritos: LG)
____________

Notas do editor LG:


(*) Vd, poste de 6 de maio de 2019 > Guiné 61/74 - P19752: Notas de leitura (1175): A Minha Guerra a Petróleo, por António José Pereira da Costa, Chiado Books, 2019 (Mário Beja Santos)
(***) Vd. poste de 28 de maio de 2005 > Guiné 63/74 - P28: Um ataque a Sare Banda (1968) (A. Marques Lopes)

(****) Vd. poste de 20 de novembro de 2015 > Guiné 63/74 - P15388: Álbum fotográfico de Alfredo Reis (ex-alf mil, CART 1690, Geba, 1967/69) (3): O que é um homem precisava no mato, num miserável destacamento como o de Banjara, em 1967 ?

terça-feira, 25 de março de 2025

Guiné 61/74 - P26616: Em Homenagem a Luís Filipe Pinto Soares (1950-1974), Fur Mil Op Esp da CCAÇ 3545/BCAÇ 3883, que faleceu em combate no dia 7 de Janeiro de 1974 (Jorge Alves Araújo, ex-Fur Mil Op Esp)

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)

Canquelifá; 7Jan1974 > Foi aqui que tudo aconteceu (Foto do álbum do Fur Eugénio Pereira, da CCaç 3545, com a devida vénia)


1. – INTRODUÇÃO

Quando em 23 de Abril de 2004, data da abertura da «Tabanca Grande», o camarada Luís Graça, ao prestar homenagem às mulheres portuguesas, deu início a uma nova (co)missão colectiva, acto que, numa perspectiva temporal, está a poucos dias de completar o seu 21.º Aniversário.

O propósito de sensibilizar os antigos combatentes, das diferentes épocas e especialidades, para a partilha das suas memórias da guerra colonial ou guerra do ultramar, em particular da Guiné, foi bem-sucedido, e os cerca de vinte e sete mil postes, já publicados, validam a importância que, em crescendo, vem sendo atribuído ao nosso espólio historiográfico.

No Início, onde os diferentes contributos, cada um com a sua dimensão, ajudaram na reconstrução do “puzzle da guerra”, hoje, cada “peça desse puzzle” pode transformar-se em objecto de estudo (investigação), como provam alguns trabalhos académicos, nacionais e internacionais (mestrados e doutoramentos), que utilizaram o nosso blogue como fonte de informação.

Na busca de referências sobre a morte do tio/avô, o meu/nosso camarada de operações especiais, furriel Luís Filipe Pinto Soares, ocorrida em 7Jan1974, em Canquelifá, o jovem Rafael Gonçalves, aluno da Escola Secundária Augusto Cabrita, no Barreiro, acabaria por ver recompensada a sua resiliência ao encontrar no P16127, de 27.Maio.2016[1], o início do seu aprofundamento.

Com o apoio da sua avó Lurdes, cunhada do Pinto Soares, o Rafael encontrou a fonte de contacto no Blogue, e sem hesitar contactou-me (estava eu nos EAU - Emiratos Árabes Unidos) apresentando-me o seu projecto, que mereceu a minha melhor atenção e solidariedade.

Com a sua autorização, torno público o seu desejo, que não se esgota nos conteúdos já publicados, esperando obter outros que lhe venham a ser endereçados por camaradas da sua Unidade – a CCAÇ 3545 (1972-1974).

Pelo exposto, e recuperando o seu desejo, já tivemos dois encontros em Almada, ficando abertos os canais de comunicação sempre que se justifique.



2. – CRONOLOGIA DOS CONTACTOS EMAILS

► O 1.º enviado pelo Rafael, em 7.11.2024, às 19:48h

Boa tarde, senhor Jorge Araújo, vou me identificar: sou sobrinho/neto de Luís Filipe Pinto Soares e venho por este meio pedir se me pode dar algumas informações sobe o que se passou, porque ando a fazer um livro sobre a guerra do ultramar. Cumprimentos.

◘ Resposta em 8.11.2024, às 07:03h

Caro Rafael, bom dia. Este teu contacto merece, em primeiro lugar, um elogio pelo facto de manifestar intenção (e interesse) em escrever um livro, e no caso particular, sobre a "Guerra do Ultramar" (1961/1974), onde pretendes incluir os factos relacionados com a morte de um teu familiar - Luís Filipe Pinto Soares.

Depois, em segundo lugar, para te dizer que estou completamente disponível para o apoio de que necessitas. Entretanto, uma curiosidade: como chegaste ao meu endereço email? Certamente que foi através da tua pesquisa no blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné", onde escrevo com frequência sobre esta temática, e, simultaneamente, como coeditor. 

Quanto aos teus objectivos do presente contacto, terás de me indicar o que pretendes saber ou que tipo de apoio esperas obter, uma vez que desconheço o âmbito e a estrutura específica do teu trabalho de investigação.

Sobre o teu familiar Pinto Soares, dou-te conta que foram muitos os momentos e os contextos em que estivemos juntos no âmbito militar. Acrescento que a tua bisavó, creio, Deolinda Soares, era amiga da minha mãe, e ambas, por vezes, encontravam-se e saiam juntas, na medida em que os seus dois filhos eram camaradas de armas, percorrendo os mesmos itinerários desde a primeira hora, quer na recruta, quer na especialidade, quer, ainda, pelo facto de terem sido mobilizados para a mesma província ultramarina – a Guiné.

Uma vez que me encontro a viver períodos do ano no estrangeiro, como acontece com o actual, terás de fazer o favor de me dar conta do que precisas.

Ainda, assim, podes ver a minha narrativa referente à morte do Pinto Soares no P16127, de 13.5.2016, no blogue, e outras no marcador da esquerda da CCAÇ 3545, a sua Unidade de mobilização.

Caso estejas de acordo em divulgar, e como curiosidade, quem são (ou foram) os teus antepassados de 1.º e 2.º grau?

Termino agradecendo o teu contacto, reiterando a disponibilidade para o apoio. Com votos de muitos sucessos e muita saúde, Jorge Araújo.

► O 2.º enviado pelo Rafael, em 9.11.2024, às 20:41h

Boa noite, senhor Jorge Araújo, sou filho de Joana Soares e António Gonçalves. Em questão aos avós maternos são Carlos Soares e Lurdes Simão, da parte paterna Luiza Santos e António Gonçalves (avô paterno). Quando o senhor estiver disponível e possa falar comigo agradeço que me volte a comunicar. Cumprimentos.

► O 3.º enviado pelo Rafael, em 12.11.2024, às 18:16h

Boas Jorge, desculpe, não lhe cheguei a mencionar que tinha encontrado o seu email no site Luís Graça e que pretendia falar consigo pessoalmente. Cumprimentos e desculpe pelo incómodo do terceiro email. Cumprimentos.

► O 4.º enviado pelo Rafael, em 17.11.2024, às 14:53h

Boa tarde, Jorge, não sei se o senhor se encontra ocupado, mas não gostava que a nossa conversa acabasse por aqui, gostava de esclarecer todas as minhas dúvidas consigo, visto que o senhor é uma das poucas pessoas que esteve, pessoalmente, com um antigo familiar meu. Cumprimentos.

◘ Resposta em 18.11.2024, às 16:53h

Caro Rafael, Boa noite (aí serão menos 4 horas).

Agradeço os últimos contactos de 12 e 17 do crt., cujas respostas da minha parte tardaram um pouco, pois, como referi anteriormente, encontro-me a residir na arábia, mais concretamente nos Emirados Árabes Unidos, onde o quotidiano é bem diferente daquele que temos em Portugal. Li com atenção as tuas notas, das quais relevo o desejo de nos encontrarmos pessoalmente de forma a esclarecer todas as tuas dúvidas, que devem ser muitas, acredito.

Esse encontro só será possível quando estiver em Lisboa, regresso que está previsto para final de Janeiro'25. Como moro em Almada, teremos de acordar o local, dia e hora, em que o encontro possa ocorrer... OK?

Nesta oportunidade, aproveito para te informar que conheci, também, o teu avô (Carlos Soares), que era mais velho que o Luís Soares. Não tenho memória da imagem da tua avó, que à data em que nos conhecemos, morava no Barreiro, creio. Eles ainda estão vivos? Se sim dá-lhes os meus cumprimentos.

Para terminar, reitero a minha disponibilidade para te apoiar no teu projecto. Ab.

► O 5.º enviado pelo Rafael, em 18.11.2024, às 19:41h

Boa noite, Jorge. Estava mortinho que o senhor me respondesse. Claro que sim, ainda nos encontramos no Barreiro. Felizmente ainda estão vivos, curiosamente o dia 25 de Janeiro é o meu dia de aniversário. Se o senhor se encontrar comigo pessoalmente era o melhor presente que me podiam oferecer. Em relação ao local, pode ser em local a combinar em Almada visto que é onde mora. Deixo o meu contacto telefónico caso seja necessário. Cumprimentos Rafael.

◘ Resposta em 22.11.2024, às 05:36h

Caro Rafael, bom dia desde as arábias (aí ainda estão a dormir).

A minha memória de longo prazo parece dar sinais de que o "disco rígido" ainda está a funcionar. Perante os nossos dois contextos - a distância e o teu desejo de realizar um encontro entre nós - assim que estejam reunidas as condições operacionais logo combinamos o dia e o local. Até lá, vai pensando nas questões que me queiras colocar, fazendo uma lista para que nenhuma fique por abordar. Se quiseres, envia-me três ou quatro para eu reflectir e estar mais bem preparado, quem sabe, se será necessário consultar os meus apontamentos. Fica bem, bom fim-de-semana e cumprimentos aos restantes familiares. Um abraço.

► O 6.º enviado pelo Rafael, em 24.11.2024, às 17:10h

Boas Jorge, vou sim, já estava a planear criar um apontamento com algumas perguntas. Já estamos quase em Dezembro, mais alguns dias e é Natal, se a gente não trocar mais mensagens, desejo-lhe umas boas festas. Cumprimentos.

► O 7.º enviado pelo Rafael, em 02.12.2024, às 19:44h

Boa tarde, Jorge, já estamos em Dezembro! Estive a pensar melhor e decidi fazer-lhe uma proposta: se você não se importar, eu gostaria que você trouxesse os seus apontamentos para que nada fique por dizer! Tive a oportunidade de encontrar nestes últimos dias um livro sobre a Guiné; se você quiser, eu poderia levá-lo. Deve ter muita gente do seu conhecimento, visto que lida com muita gente que esteve lá devido ao site Luís Graça. Cumprimentos.

► O 8.º enviado pelo Rafael, em 17.01.2025, às 21:47h

Boa noite, senhor Jorge Araújo, como é que se encontra o senhor? Sempre tem marcada a sua viagem para Portugal para este mês? Cumprimentos e um abraço.

◘ Resposta em 18.01.2025, às 22:07h

Caro Rafael, boa noite. Amanhã ou 2ª feira darei notícias. Ok. Abraço.



3. – DO “BAÚ DE MINHA MÃE”

Considerando a amizade iniciada na recruta, continuada nos Rangers e, depois, na Guiné, e da relação de proximidade, com troca de correspondência e interacção entre as nossas duas famílias, nomeadamente a D.ª Deolinda, sua mãe, e a minha, Georgina Araújo (1928-2015), reproduzo a carta por ele enviada de Bissau, em 26.7.1972, e que irá fazer parte do espólio do Rafael.


Vamos ajudar o Rafael…. Obrigado!
Com um forte abraço de amizade e muita saúde.
Jorge Araújo.
23MAR2025.

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Nota do editor

[1] - Vd. post de 23 de Maio de 2016 > Guiné 63/74 - P16127: (De)Caras (41): A Canquelifá da CCAÇ 3545 (1972-1974) e os acontecimentos de janeiro de 1974: a morte do "ranger" fur mil op esp Luís Filipe Pinto Soares (Jorge Araújo, ex-fur mil op esp, CART 3494, Xime e Mansambo, 1972/74)