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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27711: Fotos à procura de... uma legenda (197): Qual o comprimento e o peso desta píton-africana (ou "irã-cego") apanhada na região de Quínara ? (Boaventura Alves Videira, CCS/BCAÇ 1861, Buba, 1965/67)




Guiné > Região de Quínara > Buba >Boaventura Alves Videira, enfermeiro,  
CCS/BCAÇ 1861 (Buba, 1965/67), com uma serpente ou pitão ou píton-africana  (ou "irã-cego"), enviada através do endereço do nosso camarada Júlio César [membro da nossa Tabanca Grande desde Julho de 2007, ex-1º Cabo, CCAÇ 2659 / BCAÇ 2905, Cacheu, 1970/71]. 

Foto (e legenda): © Boaventura Alves Videira (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Trata- se um pitão (substantivo masculino), ou píton-africana-da-rocha (Phyton sebae),(*), popularmemte conhecida como "irã cego" na Guiné-Bissau (**).

Pode atingir os 6 metros de comprimentos, não é venenosa, é constritora, e não constitui um perigo real para os seres humanos... 

A nossa malta na Guiné chamava-lhe erradamente jibóia... (As jiboias só existem no Novo Mundo, ou seja, na América Central e na América do Sul).

Pedimos a duas meninas da  IA, a europeia Le Chat / Mistral AI, e a americana, ChatGPT /OpenAi, e para a partir da foto de cima  fazer uma estimativa de comprimento e peso deste belo exemplar (a maior cobra de África).(***)

(i) Comprimento

Referência visual: o militar  da foto, Boaventura Videira,  parece ter uma altura média (entre 1,65 m e 1,75 m). 

A cobra, quando esticada, parece ter quase duas  a três vezes a altura do homem (do chão até à cabeça).

  • Cálculo: se o homem tiver cerca de 1,70 m, a cobra poderá medir entre 4,5 m e 5,2 m.

Contexto científico: as pítons-africanas fêmeas adultas podem atingir 5 a 6 metros, enquanto os machos são geralmente mais pequenos (3 a 4 metros). A cobra na foto parece ser uma fêmea grande, pelo que 4,5 a 5 metros é uma estimativa razoável.

(ii) Peso

Há uma fórmula empírica para cálculo do peso de grandes pítons (pes0= volume x densidade corporal + mais fator de correção biológica, cujos detalhes vamos omitir aqui).

Circunferência: pela imagem, a cobra parece ter uma circunferência robusta, típica de uma fêmea adulta bem alimentada. Vamos assumir uma circunferência média de 40 a 50 cm na parte mais larga do corpo.

  • Cálculo simplificado: para 5 metros de comprimento e 45 cm de circunferência 5 m ≈ 70 kg

Estimativa de peso: 60 a 80 kg (a píton-africana fêmea podem ultrapassar 100 kg em casos excepcionais, mas 60-80 kg é um valor razoável para uma cobra deste tamanho).


(iii) Contexto histórico e cultural

"Irá-cego": o nome local reflete a mitologia e o respeito que estas cobras inspiram nas comunidades guineenses. Eram (e são) vistas como seres poderosos, muitas vezes associados a espíritos ou forças da natureza. 

Anos 1965/67:  neste período, a Guiné  estava em plena guerra colonial . A captura de uma píton deste tamanho não era apenas um feito, mas também um símbolo de sobrevivência e adaptação ao ambiente hostil.

(Pesquisa: LG + IA )

(Condensaçáo, revisão / fixação de texto: LG)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)




Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca > 2ª CART 6532/73 (Cabuca, 1973/74) >

Foto e legenda do blogue Abustres de Cabuca  > quinta-feira, 8 de outubro de 2009 >  "Foi papada om esparguete. Esta foto já estava foi publicada aqui há uns tempos, mas por obra e graça desapareceu. Mas eu não quero que o Barbosa fique chateado, e publico mais uma vez a foto daquela que deu a melhor refeição de vaca guisada com esparguete".

Foto: © António Barbosa (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. No temos dúvidas que se trata de Píton-africana ou píton-da-rocha-centro-africana ou Píton-norte-africana (Python sebae) (Python sebae), também conheciuda (e temida) como "irã-cego".

Píton-africana: uma fêmea adulta
(em cativeiro)
Fonte: Wikipedia

As duas "meninas da IA" (Gemini IA / Le Chat, Mistral IA)  que consultei também acerrtam noi veredito:
 
  • a cobra em questão, pela morfologia e tamanho, grande e corpo, robusto, é claramente uma serpente constritora;
  • é uma serpente não-venenosa  (o que explica a segurança com  os militares lhe pegam, se bem que deva estar morta);
  • padrão irregular em manchas escuras ao longo do corpo;
  • cabeça relativamente larga, sem aspeto de víbora;
  • parece de facto corresponder a uma píton-africana (Python sebae), também conhecida como píton-da-rocha-africana;
  • é nativa da África Subsaariana;
  • é a maior cobra de África (pode ir dos 3 aos 6 metros, e pesar entre 60 a 80 kg.);
  • esta parece ser uma fêmea, bem alimentada, medir 4 m e pesar 70 kg (cálculos da menina  IA europeia, a partir  da fotografia).

É uma espécie comum na Guiné-Bissau, especialmente 
em zonas de savana, proximidade de rios e cursos de água (como o rio Corubal). Às vezes tropeçávamos com elas em operações no mato.

É/era com alguma frequência caçada e consumida localmente, inclusive por militares durante a Guerra Colonial. A sobrecaça hoje em dia (e a redução do seu habitat) começam a ser uma ameaça.

 O que não é:
  • uma mamba nem uma cobra (elapídeo): essas são muito mais esguias;
  • uma víbora (bitis), que teria corpo mais curto e cabeça muito triangular;
  • uma jiboia sul-americana (essas não existem em África).

(...) "A píton-da-rocha centro-africana mata suas presas por constrição e frequentemente come animais do tamanho de antílopes, ocasionalmente até crocodilos. A cobra se reproduz por meio da postura de ovos. Ao contrário da maioria das cobras, a fêmea protege seu ninho e, às vezes, até seus filhotes.(...)


2. Sobre o consumode cobra  por humanos:

Em Cabuca foi cozinhada e servida com esparguete, o que é perfeitamente plausível.

A carne de píton é considerada comestível, tem textura semelhante a frango / peixe firme. É usada como recurso alimentar ocasional nas zonas rurais em África (e também no nosso tempo, em aquartelamentso do mato, mais isolados, com "falta de proteina", como em Cabuca, que não era propriamente um "resort" turístico)

A menina IA europeia acrescenta, muita curiosa pelo facto dos "tugas" comerem cobra na Guiné:

(...) Tradição local: em muitas culturas africanas, a carne de cobra é considerada uma iguaria, rica em proteína e com um sabor muitas vezes comparado ao de frango ou peixe. O facto de ter sido preparada com esparguete sugere uma adaptação criativa dos militares às condições locais, misturando recursos disponíveis com técnicas culinárias portuguesas.
 
Sabor: a comparação com a carne de vaca é subjectiva, mas a carne de cobra é geralmente descrita como magra, firme e de sabor suave, absorvendo bem os temperos. Não é incomum que, em contextos de sobrevivência ou escassez, os soldados recorressem a fontes alternativas de proteína.(...)


E dá-nos mais este apontamento histórico e cultural:

(...) Adaptação e resiliência: episódios como este ilustram a capacidade de adaptação e a resiliência dos soldados portugueses em ambientes hostis, onde a criatividade culinária se tornava uma necessidade.

Memória colectiva: fotografias como estas são documentos valiosos, não só pela informação biológica ou geográfica, mas pelo retrato humano e cultural que proporcionam. Captam a interacção entre pessoas de diferentes origens (no teu caso, com soldados locais fulas) e o quotidiano da guerra, que nem sempre se resume ao conflito armado." (...)

Comentei, para ela, "armado em machão: 

"Sim, nas zonas mais isoladas e com maiores dificuldades de abastecimento, recorria-se à caça (ou à pesca, mas o peixe sabia um bocado a lodo)... Tirando o macaco-cão (que era o "hamburguer" dos guerrilheiros do PAIGC e da população sob o seu controlo), e obviamente o "jagudi" (nunca vi nem ouvi ninguém dizer que comeu abutre), os "tugas" não eram esquisitos... Na falta de carne de vaca leitão, cabrito, frango, etc. (nem sempre fácil de obter nos "hipermercados" locais), também se comia cobra, pelicano, hipopótamo... A outra caça era melhor: gazela, lebre, galinhas do mato, etc. Crocodilo, também não se comia, mas houve quem experimentasse... Os muçulmanos também não comiam babuíno ou outros macacos, a não ser "às escondidas", quando a fome apertava. Os animistas comiam (e bebiam) de tudo... "Desenrascanço", menina,  é uma palavra muito portuguesa... Afinal, a fome é boa conselheira, não achas?".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Guiné 63/74 - P10481: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (61): Notícias do Luís Antunes, ex-1º cabo enf, CCAÇ 2405 (Galomaro e Dulombi, 1968/70), que participou na Op Lança Afiada (Sónia Antunes / Paulo Raposo / Rui Felício)


Guiné > Região do Oio > Mansoa > 1968 > O Alf Mil Raposo, de óculos escuros, com o Furriel Ribas, à sua esquerda, e alguns soldados, observando uma "jiboia" morta pelas NT...  Na realidade, trata-se de uma pitão africana, uma "Pyton sebae", popularmemte conhecida como "irã cego". na Guiné-Bissau... Pode atingir os 6 metros de comprimentos, não é venenosa e não constitui um perigo real para os seres humanos... As jiboias só existem no Novo Mundo (América Central e do Sul). (LG)

Foto: © Paulo Raposo (2006). Todos  os direitos reservados


1. Mensagem da nossa leitora Sónia Antunes, com data de 30 de setembro último:

Assunto - Operação Lança Afiada

Caro Luís Graça,

É com muita emoção que li no seu blog, o texto (e não apenas este texto) P4484: Fauna & flora (20): Histórias de grandes serpentes: da jibóia de 7 metros.

Escrevo-lhe porque no texto do camarada Paulo Raposo há uma breve referência ao meu pai: "agarra num tronco de um ramo verde, e, pondo-se à frente dela, bate-lhe continuamente na cabeça, até a cobra se ver perdida.Uma vez perdida, morde-se a ela própria, para não se humilhar à mão do enfermeiro Luís". 

O meu pai era o 1º cabo enfermeiro Luís Antunes que pertencia à companhia de caçadores  2405, do Batalhão 2852.  Com o meu pai, estavam também os enfermeiros José Antunes Claudino (que faleceu na Operação Lança Afiada), e o enfermeiro António Sousa. 

Escrevo-lhe porque o meu pai tem inúmeras fotografias e na altura também escrevia no seu diário onde relatava detalhamente cada dia como combatente na Guiné Bissau, inclusive o terrível episódio da Operação Lança Afiada. O meu pai lembra-se perfeitamente do Paulo Raposo assim como do Furriel Ribas que,  segundo o meu pai, era de Chaves e também está na fotografia.

Se tiver algum conhecimento de colegas que também estiveram com o meu pai, na CCAÇ  2405/BCAÇ  2852, agradecia que entrasse em contacto comigo ou com o meu pai.

Obrigada.

Fico à disposição para qualquer informação.

Cumprimentos
Dra Sónia Antunes



2. Resposta de L.G. (com conhecimento ao Paulo Raposo e ao Rui Felício, ex-alf mil da CCAÇ 2405, e nossos grã-tabanqueiros da primeira hora):

Sónia:

Os filhos dos nossos camaradas nossos filhos são!... Deixe-me dizer-lhe quanto me sensibilizou o seu mail. Vou pô-la imediatamente em contacto com o Paulo Raposo, alferes da companhia do seu pai. Gostaríamos muito que o seu pai se juntasse a este grupo de bravos da Guiné: já somos mais de 580, de A a Z... 

Para isso bastam 2 fotos (digitalizadas) + 1 história!... (Uma foto do tempo da tropa e outra atual... Se o seu pai não tiver um endereço de email, podemos contactar-nos através do seu... Temos bastantes filhas de camaradas nossos a fazer essa "boa acção").

Por favor, traga-nos o seu pai até nós, com as suas fotos, com os excertos do seu diário, com a sua vontade de partilhar memórias e afetos que não se apagam mais,,, Vai fazer-lhe bem a ele e a todos nós!... Temos mais camaradas (incluindo os restantes alferes) da CCAÇ 2405 (Clque aqui)

Um Alfa Bravo (ABraço) para o seu pai, um beijinho para si. Luis Graça. (**)

PS - Sei que a Sónia mandou também um mail de igual teor ao Paulo Raposo e este já entrou em contacto com ela e  com o Luís Antunes.


3. Mensagem do Rui Felício:

Meu Caro Luis Graça,

Agradeço-te a bondade das tuas palavras elogiosas a meu respeito, especialmente no que toca ao link que incluis no teu e-mail e que remete para um texto que em tempos escrevi para o teu/nosso blog, a propósito da ida do Homem à Lua.

Sobre o assunto propriamente dito, julgo que o meu amigo Paulo Raposo é a pessoa indicada para falar da operação Lança Afiada, tanto mais que é sobretudo a soldados do seu pelotão, que a missiva que recebeste se refere.

Um grande abraço

Rui Felicio
ex-Alferes Miliciano da CCAÇ 2405
_______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 9 de junho de 2009 >  Guiné 63/74 - P4484: Fauna & flora (20): Histórias de grandes serpentes: da jibóia de 7 metros (Paulo Raposo) ao irã-cego (Clara Amante)


Vd. também a I Série do nosso blogue, poste de 8 de Maio de 2006 > Guiné 63/74 - DCXXXIII: O meu testemunho (Paulo Raposo, CCAÇ 2405, 1968/70) (6); Mansoa, baptismo de fogo

(...) 2. Um belo dia o meu grupo de combate estava encarregue de levar e proteger os homens que iam limpar do capim uma faixa grande de ambos os lados da estrada. Assim evitávamos que tivessemos emboscadas coladas à picada.

Dirigimo-nos para o local de trabalho em duas viaturas. Parámos precisamente no sítio aonde tínhamos terminado o trabalho no dia anterior, ou seja ainda na zona já descapinada.

Quando parámos, saltaram do capim alguns elementos IN para a estrada. Fizemos fogo, eles fugiram e não responderam. Se tivéssemos parado 50 metros mais à frente, tínhamos caído na emboscada.

Recuperados da emoção, os homens começaram o seu trabalho e eu dirijo-me para um tronco de árvore, que estava caído, para me sentar. Ao aproximar-me do tronco, este mexe-se. Era uma jiboia, com sete metros de comprido. Enfiei-lhe um carregador em cima e ela continuava bem viva. O Cabo enfermeiro Luís, agarra num tronco de um ramo verde, e, pondo-se à frente dela, bate-lhe continuamente na cabeça, até a cobra se ver perdida.

Uma vez perdida, morde-se a ela própria, para não se humilhar à mão do enfermeiro Luís. (...)

(**) Último poste da série > 23 de agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10294: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (60): Obrigado, querido blogue, pelo reencontro do Xico Coelho, ex-fur mil da CCAÇ 2466 (Bula e Encheia, 1969/70), de quem, tinha perdido o rasto... Natural de Portel, vive em Almada, e chegou até mim através do blogue (Armando Pires)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Guiné 63/74 - P10192: Fauna & Flora (30): Cobra de papo, de veneno altamente tóxico, hemorrágico, comparável ao da cascavel da América..


Cobra-de-papo - Dispholidus typus Smith (Família Colubridae - Opisthoglypha)


Imagem à direita: Aguarela do pintor português Silva Lino (1911-1984)

Mais uma serpente que existia na Guiné, no nosso tempo, e que foi descrita pelo naturalista português  Fernando Frade e a sua equipa (*):



(i) Serpente robusta e alongada (comprimento: até 175 cm), coberta de escamas carenadas, com a cabeça relativamente curta e a cauda comprida;

(ii) Olhos grandes, com pupila redonda; coloração variando desde o verde ao castanho e ao negro, por cima, e do cinzento ao amarelo, por baixo, com as escamas rebordadas de preto;

(iii) Por vezes confundível com outra serpente verde, também arborícola mas inofensiva: Philothamnus irregularis.[, que também existe na Guiné]: 


(iv) Dentadura opistogllfodonte, constituída por dentes sulcados, situados na parte anterior do maxilar e precedidos de dentes normais;

(v) Sinais da mordedura: três pares de perfurações dilatadas, inoculadoras, precedidas de perfurações menores, o conjunto envolvendo duas séries de picadas finas que correspondem aos dentes palatino-pterlgóldes;

(vi) Veneno altamente tóxico, hemorrágico, comparável ao das «cobras cascavel» da América;

(vii) Costumes: Espécie arborícola, muito ágil e tímida; quando excitada insufla de ar os brônquios e os pulmões, aumentando consideràvelmente de volume, por vezes, em forma de papo, a parte anterior do corpo, reacção que deve servir de aviso, antes da agressão;

(viii) Reprodução de Outubro a Dezembro, por oviparidade (uma a duas dúzias de ovos).

(ix) Alimento: Principalmente camaleões, outros sáurios, aves e ovos, e mesmo indivíduos da sua própria espécie;

(x) Distribuição geográfica: África Tropical e Meridional; na África lusófona,  tem sido encontrada na Guiné, em Angola e Moçambique.

Fonte: Adapt. do portal Triplov > Serpentes do ultramar português

Referência bibliográfica: FRADE, Fernando - Serpentes do Ultramar Português. Garcia de Orta. Lisboa; 1955; III (4), pp. 547-553. Em colab. com Sara Manaças. Legendas e notas de aguarelas de Silva Lino.

[Reproduzido com a devida vénia]

 Vd. Google > Imagens > Dispholidus typus Smith (em inglês, também conhecida como "boomslang"; 

não parece ser uma espécie ameaçada)

__________________

Nota do editor:

Ver poste anterior da série > 18 de julho de 2012 > Guiné 63/74 - P10166: Fauna & Flora (28): A Mamba-verde, particulamente temida pelos recolectores de chabéu ...



domingo, 22 de julho de 2012

Guiné 63/74 - P10178: (In)citações (41): Serpentes, feitiços e casamentos inter-étnicos... (Cherno Baldé)


1. Comentário, de 19 do corrente, do nosso amigo Cherno Baldé [, aqui na foto, quando jovem estudante em Kiev, Ucrânia, no final dos anos de 1980], ao poste P10166:


Caro Luis Graça e amigos,

Esta serpente verde ], a mamba verde,] é bem conhecida e motivo de muita desgraça entre as populações do sul da Guiné, mais precisamente entre os jovens que se ocupam do trabalho do corte de chabéu e da limpeza das plantaçoes de bananeiras.


E, muitas vezes, pelo facto das habitações estarem rodeadas de árvores de cola e pés de bananas, ela chega a invadir as casas e semear o terror.

O mais interessante, no fim, é que a explicação ou justificação da sua existencia e das desgraças que provoca é, como se pode perceber, sempre de natureza social e/ou existencial. Não é a serpente que mata mas sim o vizinho ao lado ou a madrasta má que se transformam e, furtivamente, atacam as vitimas.

As vezes, as explicações, de tao reais, chegam a ser convincentes, pois nao raras vezes, ou as serpentes perseguem as suas vitimas ou estão escondidas em cima da palmeira a sua espera. As mordeduras são sempre mortais.


Por diversas vezes, tive ocasião de visitar esta região, ouvir falar e assistir a alguns casos porque a familia materna da minha esposa [, foto à esquerda,] é da etnia Nalu e natural de Calaque, aldeia situada entre Cassaca e Campeane, no sector de Cacine.

A titulo de curiosidade, digo que somos, assim, um casal misto que representa o cruzamento de um Nordestino, região colaboracionista e aversa ao PAIGC,  e duma mulher originária do Sudeste (Cacine), filha de antigos combatentes do PAIGC e nascida em Boé (Fevereiro de 1973), que foram os maiores bastiões deste movimento durante a luta.

Um abraço amigo, Cherno Baldé

______________________

Nota do editor:

Último poste da série > 5 de junho de 2012 > Guiné 63/74 - P9999: (In)citações (40): Deixem-me aliviar a angústia das notícias vindas da minha terra (Braima Djaura, ex-sold cond auto, CCaç 19, Gudiaje, 1972/74)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Guiné 63/74 - P10166: Fauna & Flora (28): A Mamba-verde, particulamente temida pelos recolectores de chabéu ...

Mamba-verde - Dendroaspis viridis Hallowvell  (Família Elapidae - Proteroglypha).


[Imagem à esquerda: Aguarela do pintor Silva Lino (1911-1984)]


Principais caraterísticas desta espécie de serpente (*):

(i) Serpente longa (comprimento: até 210 cm) e relativamente delgada, com a cabeça estreita, pescoço pouco distinto e cauda comprida, atilada;


(ii) Olhos pequenos, com pupila redonda; coloração verde-olivácea, por cima, e amarelada ou esverdeada na face ventral, com escamas e placas finamente debruadas de negro;

(iii) Dentes: dentadura proteroglifodonte: dentes inoculadores sulcados, erécteis mas não retrovertíveis, na parte anterior do maxilar, sem precedência de outros dentes;

(iv) Sinais da mordedura: três pares de perfurações dilatadas, inoculadoras, ladeando o extremo anterior de duas linhas de perfurações, mais finas, dos dentes normais palatino-pterigóides; 

(v) Veneno:  mortal, neurotóxico;

(vi) Costumes:  espécie arborícola, frequentando plantações de palmeiras, bananeiras, etc., muito agressiva, especialmente na época da reprodução, e, por isso, temida pelos nativos, que chegam a ser perseguidos;

(vii) Reprodução por oviparidade;

(viii) Alimento: aves e pequenos roedores;

(ix) Distribuição geográfica: desde o Senegal até à Costa do Marfim; encontra[va]-se com relativa frequência na [antiga] Guiné Portuguesa, hoje Guiné-Bissau; em São Tomé foi coligida por A. Moller (1885), mas não tornou a ser assinalada, nem encontrada durante as pesquisas recentes da Missão Científica; em Angola, encontram-se as espécies D. jamesoni e D.angusticeps, ao passo que em Moçambique existe apenas esta última. 


Fonte: Cortesia do sítio Triplov > Serpentes do ultramar português

Referência bibliográfica: FRADE, Fernando - Serpentes do Ultramar Português. Garcia de Orta. Lisboa; 1955; III (4), pp. 547-553. Em colab. com Sara Manaças. Legendas e notas de aguarelas de Silva Lino.

Vd. tambEm em Google >Imagens >Dendroaspis viridis Hallowvell [Nome comum em inglês:  Western Green Mamba]



2. Comentário de L.G.:

Ainda há dias, falando com um amigo e conterrâneo meu, L.R., antigo alf mil pil Al III, no TO da Guiné (1970/72), parece que era relativamente frequente o pedido de helievacuações para civis que faziam a recolha do chabéu, trepando às palmeiras, e se atiravam, instintivamente, para o chão, muitos metros abaixo, quando eram surpreendidos por uma mamba verde (n
ão confundir com a vulgar cobra verde, em inglês a smooth green snake, norteamericana, não venenosa)... 

De acordo com as observações da missão científica que estudou, em meados dos anos  40 do séc. XX, a fauna da Guiné (chefiada por essa grande figura de naturalista que foi o prof Fernando Frade, cuja vida e obra merece ser melhor conhecida pelos nossos leitores ), esta espécie - a mamba verde - abundava nos palmeirais e nas plantações de bananeiras, e era particularmente temida pelos "nativos" da Guiné, recolectores de chabéu [vd. imagem em baixo; cortesia do sítio Novas da Guiné-Bissau]...



Fui testemunha de um caso desses, numa ponta, em Contuboel, por volta de junho/julho de 1969... Na Guiné, chamávamos-lhe simplesmente a cobra verde ou cobra verde das palmeiras...

Claro que "os desgraçados chegavam todos partidos ao hospital de Bissau", acrescentava o L.R., o meu amigo e conterrâneo, piloto da FAP...
________________

Nota do editor:

 Último poste de 10 de julho de 2012 > Guiné-Bissau - P10138: Fauna & Flora (27): A cobra cuspideira (de seu nome científico Naja nigricollis Reinhardt)