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Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (5)... Fotos tiradas de dentro carro em andamento, com o vidro sujo... (tirando a primeira).
Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]1. A série "Manuscrito(s) (Luís Graça)" é onde eu, em geral, escrevia (e continuo a escrever) as minhas "blogarias"... Também tenho direito a elas, bolas. Pus o meu blogueforanada, criado em 8 de outubro de 2003, ao serviço da comunidade virtual dos amigos e camaradas da Guiné. Progressivamente, sobretudo a partir de finais de 2004/princípios de 2005, deixei de falar de mime do meu umbigo (como diria o nosso Alberto Branquinho, escritor da guerra colonial).
De facto, daí em diante abstive-me de falar da atualidade, da minha vida, da minha profissão, dos meus lazeres, dos meus amores e ódios de estimação, das minhas angústias existenciais, da minha vida sentimental, das minhas crises financeiras, das minhas crises de fé e de patriotismo, e de outras merdas que não interessam a mais ninguém a não ser ao meu confessor e ao meu psicoterapeuta. Esporadicamente, falo das minhas geografias emocionais, da Lourinhã, da Quinta de Candoz, de uma outra "escapadela" (viajo cada vez menos)...
Há dias, depois do vendaval que tudo levou, fui/fomos dar uma volta pelo Alentejo (do Alto) a ver se estava tudo no mesmo sítio. Gosto do Alentejo (e até mais do Baixo), tem a vantagem de ocupar um terço deste país (31,5 mil km2) e ter c. de 4,4 % (470 mil) da população total.
O Alentejo tem singularidades, uma das quais vale a pena destacar:
- 1 cegonha por cada 30–50 pessoas;
- 1 abetarda por cada 400/500 pessoas;
- e cada vez menos mouros (e cada vez menos sobreiros e azinheiras, ou seja, montado).
Para uma região europeia, isto é extraordinário, porque estas aves (pesadonas, e nomeadamente a abetarda...) dependem de paisagem agrícola extensiva, que praticamente desapareceu em grande parte da Europa.
Muitos dos nossos leitores (que nunca viram uma abetarda) não sabem, mas há mais abetardas em poucos concelhos do Baixo Alentejo (Castro Verde e pouco mais) do que em muitos países europeus inteiros.
Mas eu não fui a Castro Verde (que é a capital das abetardas portuguesas), fui a Évora e a Montemor-o-Novo. E pelo caminho fui-me dando conta que a "crise da habitação" também já chegou a terras do sul... Aqui fica um registo fotográfico dos "ocupas"...
2. Já agora acrescente-se, sobre a grande ave das estepes cerealíferas, a Abetarda (Otis tarda), que:
- em Portugal existem cerca de 900–1.200 indivíduos;
- cerca de 80% vivem na região de Castro Verde, no chamado “Campo Branco”;
- é praticamente exclusiva do Alentejo, em Portugal;
- a Espanha tem a maior população mundial (c. 25.000–30.000 aves), seguida da Hungria (c. 1500) e... do Alentejo;
- em todo o mundo não haverá mais do que 36.000 abetardas, a espécie nos últimos 15 anos perdeu 35% da sua população.
3. Sobre a cegonha: a espécie dominante é a Cegonha‑branca (Ciconia ciconia):
- em Portugal, segundo os dados do último censo anual da espécie, realizado em 2014, haveria c. de 12.000 ninhos ocupados (um aumento substancial face aos 1.533 ninhos que estavam ocupados 30 anos antes, no censo de 1984);
- estes "emigras" (e "ocupas") dão-se tão bem em Portugal (e não descontam para a Segurança Social!...), que nem migram para África, imaginem (ainda não li, nas redes sociais, os gajos racistas e populistas a pedirem a expulsão das cegonhas, mas lá chegarem0s, pelo andar da carruagem);
- esse aumento tem sido acompanhado por uma população residente cada vez maior (passou de 1.187 aves registadas no censo de inverno realizado em 1995, em que se contaram cegonhas que não tinham migrado, para um total de 19.295 que o não fizeram em 2020, segundo os dados do censo de inverno feito em outubro passado);
- mais de 80% dos ninhos estão no Sul, sobretudo nos distritos de Beja, Évora, Setúbal, Santarém e Portalegre — ou seja, essencialmente Alentejo e envolvente;
- o sucesso reprodutor desta espécie, altamente adaptável e oportunista (como a gaivota e que se tornou o rato das cidades, a par do pombo), pode explicar-se por 2 fatores: (i) aumento de biorresíduos (o seu "fast food"!) nos nossos aterros sanitários; e (ii) introdução, em 1979, do lagostim-vermelho, espécie invasora que está hoje espalhada por pelo menos 11 bacias hidrográficas de Norte a Sul, e que é praticamente impossível de erradicar;
- põe-se então a questão de saber quando é que se atinge o "limite máximo de carga" (aliás, é o mesmo problema que se põe patra nós. humanos); para quem vai por essa autoestrada do sul, a A2, a caminho do bem-bom (férias, praia, sol, golfe, boa vida, comes & bebes,...), já se nota nos postes de alta tensão da REN sinais da "crise de habitação... das cegonhas".
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 30 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27684: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Bambadinca/Imbecilburgo, 29 de Janeiro de 1971: Alá não passou por aqui
Último poste da série > 30 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27684: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Bambadinca/Imbecilburgo, 29 de Janeiro de 1971: Alá não passou por aqui
7 comentários:
Redes de muito alta tensão a servirem os apartamentos das meninas. Na Geria, antes de chegar a Coimbra a actividade está em franca expanção.
A rede que me fornece o pitrol é de média tensão (30.000 V). Os trabalhos começaram hoje com a empreza Irmãos Heleno. Entretanto o meu gerador de 44 KVA vai-se aguentando.
Agora o que está a dar é a defeza do ambiente.
É um espectáculo ver estes ambientalistas da treta, com grandes máquinas, com tripé a verem o cú ao passarinho.
Onde chegam é tudo deles, não ouvem nem defendem o equilibrio mas, não sabem que na provincia ainda há malucos que lhes servem me.da que não é do passarinho!
Luís
Já há muitos anos que, nas várias viagens para sul, venho apreciando a expansão desse "condomínio familiar" (?) - (fotos 1 e 2).
Mesmo lá (no sul), junto ao nosso prédio, há cegonhas e dois ninhos num cedro grande, que todos os anos têm uma ou duas crias. Onde haja água e peixe (ou afim) elas instalam-se. Nessa zona da autoestrada há um curso de água próximo. E, se fores para norte pela A23, depois de atravessares o túnel da Gardunha e começares a descer para o Fundão, quando estás quase a chegar aí, encontras muitos ninhos de cegonha e... olhando para o alto e em frente, talvez vejas bolsas de neve do alto da Serra da Estrela. Tudo está a mudar - até o tempo das cegonhas!
A cegonha é muito cordata, sossegada, é muda. Não guincha, grita, pia, chora, como as gaivotas, que, para além disso, vivem, dormem, defecam e procriam no mesmo espaço (horizontal ou quase). Só são bonitas a voar e foi por essa razão que o autor, inglês (ou americano?) e piloto escreveu o livro "Jonathan Livingston Seagul", traduzido para português como "João Capelo Gaivota".
Abraço.
Abraço
Luís, as cegonhas não são "ocupas", porque elas mesmas são "convidadas" a fazerem os seus ninhos nos postes (cujo termo técnico é "apoios de linha") pelas empresas que gerem as redes de transporte e distribuição de energia. São as próprias empresas que colocam, elas mesmas, plataformas metálicas nos postes, de propósito para que as cegonhas façam os seus ninhos ali. Numa das fotografias que publicas, pode ver-se uma dessas plataformas, ainda devoluta.
https://drive.google.com/file/d/1MbpGTF-E2FpiMrZ9uZN_ENDnaCKbjW6p/view?usp=sharing
Nos postes onde a empresa não tiver colocado qualquer plataforma, não há ninhos de cegonha, como se pode ver noutra fotografia que publicas.
https://drive.google.com/file/d/1JTJbnsIZiWBDd8906ls-ugvBtTbosYdN/view?usp=sharing
Os apoios de linha em forma de cabeça de gato transportam a energia elétrica à tensão de 400 kV (400 000 Volts), mas não temamos pela vida das cegonhas, que elas não são feitas em torresmos. Nestes apoios, as linhas (trifásicas) que transportam a energia estão de tal maneira separadas entre si e entre cada uma delas e o poste (que está ligado à terra), que nenhuma cegonha é suficientemente grande para fazer curto-circuito, tocando em duas linhas ao mesmo tempo, ou entre uma linha e o poste. Se uma cegonha tocar só numa linha, não lhe acontece nada, qualquer que seja a tensão a que a linha estiver.
Obrigado, Fernando, pelas tuas explicações técnicas ...O termo "ocupa" é irónico, como deves ter percebido...Quanto ao Alberto, oberigado, também. Náo tenho nada contra as cegonhas. Uma delas ttrouxe de França. Obrigado aos dois pelos comentários que são exemplares, e só vêm enriquecer a nossa (fraca) cultura ornicológica!...
Sem querer, apaguei os endereços das imagens que queria partilhar. Aqui estão as mesmas imagens, mas com novos endereços.
https://drive.google.com/file/d/1PnCDsO_ZmoOg_r62zr5x7LVVFLB1Ldux/view
https://drive.google.com/file/d/1efg4VjIHhP2N7v46kqDjI7soiNvtJ3yN/view
Eu tenho um ninho de andorinhas num canto da varanda bem esquecido.
Hoje já vi a chegada de algumas, mesmo não sendo primavera.
Vamos ver quando voltam às suas origens ou ficam por cá!
O vento, o frio, a aragem fria câmara chuva, a nortada e noutros elementos da natureza não são boa ideia para estas aves.
Não consigo uma foto porque elas voam a alta velocidade como os mísseis da nova guerra.
Ab. Vt
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