Domingos Robalo, ex-fur mil art, BAC 1 / GAC 7 / GA 7, Bissau, 1969/71; foi comandante do 22º Pel Art, em Fulacunda (1969/70); nasceu em Castelo Branco, trabalhou na Lisnave, vive em Almada; tem cerca de 3 dezenas de referências no nosso blogue. |
I. Mais algumas algumas anedotas de caserna da Spinolândia (1968/73), quando o general Spínola foi Comandante-Chefe e Governador da então Guiné Portuguesa (hoje Guiné-Bissau) (*).
A primeira é do Domingos Robalo, as restantes foram selecionadas por nós, de uma recolha feita pela IA (ChatGPT / Open AI)
1. Ó nosso furriel, a Guarda não destroça, recolhe
Esta é do Domingos Robalo, merece honras de montra principal (isto é, ser editada em poste):
A minha comissão na Guiné foi de maio/69 a maio/71. A única alcunha que conheci do General era a do “Caco Baldé”. Devido ao uso do monóculo.
A minha unidade ficava nas traseiras do QG: era a BAC1, que mais tarde passou a GAC7 e por fim em GA7, com a chegada do reforço da antiaérea na sequência da operação "Mar Verde”.
Em um sábado fui nomeado “sargento da Guarda” ao QG e áreas envolventes. A meio da manhã fui informado da entrada do General pela porta de armas onde eu estava Tinha o pessoal da Guarda formado e pronto para as honras devidas.
O General chegou na viatura e saiu desta para passar a porta de armas, a pé. Foi prestada a guarda de honra mas eu, como miliciano, não conhecia algumas regras e normas devidas para estas honrarias. Assim, quando o general se afastou, mandei “destroçar” o pelotão.
De imediato, o general vira-se para trás e diz-me:
— Ó nosso Furriel, não sabe que a Guarda não destroça, mas recolhe ?!
Encavacado, respondi, com as formalidades exigidas no momento, que não sabia.
A última palavra do general:
— Então não esqueça.
Nunca mais esqueci e fui passando palavra aos camaradas.
sábado, 14 de março de 2026 às 10:26:00 WET
2. O mapa sempre otimista
Num dos famosos briefings do QG/CCFAG em Bissau, um oficial de operações apresentava o mapa cheio de alfinetes vermelhos (zonas de controlo e/ou atividade do PAIGC).
Spínola olhou e comentou:
— Se continuarmos a pôr alfinetes vermelhos, qualquer dia não sobra mapa.
O oficial respondeu:
— Mas, meu general, também temos os azuis (posições das NT)
Ao que Spínola comentou, sarcástico:
— Pois… mas os azuis não se mexem.
A sala ficou em silêncio.
3. A barba regulamentar
Spínola introduziu uma certa tolerância com barbas e bigodes, sobretudo nas tropas africanas e em algumas unidades especiais. Não era habitual ele preocupar-se com esses detalhes. Os oficiais superiores da sua entourage faziam-no discretamente, mandando cortar barbas e cabelos.
Numa inspeção a um quartel, um alferes muito jovem apareceu com uma barba enorme. O general dessa vez não gostou e perguntou:
— Então, nosso alferes, isso é barba de guerrilheiro ou de revolucionário?
Resposta nervosa:
— É barba de operacional, meu general.
Diz-se que Spínola respondeu:
— Muito bem… desde que também seja um bom operacional no mato.
4. Soldado africano, "manga de contente"
Numa visita a tropas africanas, o general perguntou a um jovem soldado:
— Então, "djubi", gostas de combater sob a nossa bandeira ?
O soldado respondeu prontamente:
— Sim, meu general.
Spínola insistiu:
— E porquê?
Resposta:
— Porque o meu primeiro sargento paga sempre patacão a tempo e horas.
A história correu pelos quartéis como exemplo da sabedoria pragmática dos soldados do recrutamento local.
5. O relatório demasiado optimista
Um comandante de companhia enviou um relatório dizendo que a sua zona estava “totalmente controlada”.
Poucos dias depois houve um ataque do PAIGC nessa área. Spínola comentou ironicamente:
— Se isto é totalmente controlado, então eu não quero imaginar o que seja meio descontrolado.
6. A definição de “Spinolândia”
Entre os militares do CTIG começou a circular o termo “Spinolândia” para designar a Guiné durante o comando de Spínola.
Um capitão terá dito numa messe:
— Isto agora é a Spinolândia.
Perguntaram:
— Então, porquê?
Resposta:
— Porque aqui tudo funciona à maneira do nosso general: administração civil, política, guerra, propaganda, psico, reordenamentos, cerimónias, idas a Meca, louvores e porradas.
(Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open Ai) | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:
(*) Último poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27820: Humor de caserna (245): O anedotário da Spinolândia (XVII): A Anedota e a Piada...
5 comentários:
Virgílio Teixeira (by email)
Data - sábado, 14 de março de 2026, 16:94
Assunto - Anedotas e piadas, precisam-se...
Amigos
Tenho qualquer coisa a ver com a Spinolândia!
Não são piadas nem humor de caserna.
Factos reais envolvendo o nosso Governador, com piada ou sem piada!
Apesar de tudo, em meados de 68, a chegada do Caco Baldé, foi de longe melhor que
o antigo governador, que até nem me lembro do nome... Arnaldo Shutzer ?
Será esse que nunca o vi, durante cerca de um ano de set 67 até meados de 1968!
Vou escreve mas leva tempo.
Até mais logo
Vt
Vt, mal de nós quando perdermos o sentido de humor... Não se pense que estamos aqui a fazer o culto do Spinolismo... Nunca fui spinolista. Mas o Spínola tem o seu lugra na História, acabou por me surpreender, ao termo contribuído para o fim da guerra... E depois é um dos nossos "cromos"... Todos os povos precisam de ter os seus "cromos"... A diferença entre o Spínola e o Schulz estã aqui:
Releia-se o P27393:
Spínola ainda era "periquito", brigadeiro, cheio de tusa. quando aterrou na Ponta do Inglês... Mas cedo começou a habituar a tropa, do soldado ao coronel, a aparecer, a desoras, sem se fazer previamenmte anunciar... A mim também me calhou uma destas visitas inesperadas, na ponte do Rio Udunduma, em 1 de janeiro de 1971...
Cenas destas fazem parte da Spinolândia: encontrar um militar, para mais oficial, "de calções, barba crescida, tronco nu" e, pior ainda, com "uma extraordinária boina de cor verde alface com uma estrela de metal", à 'Che' Guevara (!), tornou-se banal...
Não deve ter sido fácil para ele, que era um conhecido militarista de cavalaria (mas próximo dos seus homens, desde Angola, 1961/64)... Aprendeu, como nós, a cultivar o humor de caserna, condição "sina qua non" de sobrevivència naquele tipo de guerra...
O seu comentário, quando viu "o fantasma do alferes miliciano Mata", comandante do destacamento, completamente "apanhado do clima", é de antologia: "Não tenho a certeza de ter aterrado no sítio certo!"… − disse, ao descer do heli (a malta dizia "hélio")...
Eu que lhe chamava "Herr" Spíniola, hoje tiro-lhe o quico, à medida que vou colecionando estas histórias pícaras!...Repare-se: ele podia ter tido um acesso de fúria, um "amóque" (como tinham os paraquedistas do BCP 21, em Angola, segundo oo testemunho do meu amigo e conterrâneo Jaime Silva)... Ele podia ter dado um par de chapadas ao seu subordinado, mas não, conteve a sua ira, e respondeu-lhe
Claro que há mais mundo para além da Guiné (que ninguém sabe onde ficava), e para além de Spínola (no passado amado e odiado por por "tugas" e "guinéus")... Outras guerras, outros cromos... Nascemos, vivemos e morremos num mundo de loucos.. Releia-se o Lobo Antunes.
Sejamos justos: as idas a Meca já vinham do tempo do Arnaldo Schulz (que os guineenses diziam que não era "tuga", por causa do apelido germânico....). Mas o Spínola também tinha, o passado, ascendência "italiana".. Como muitos de nós, afinal, filhos de muitas mães...
É preferivel sermos filhos de muitas mães, do que filhos da mãe.
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