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domingo, 15 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27822: Humor de caserna (246): O anedotário da Spinolândia (XVIII): Ó nosso furriel, a Guarda não destroça, recolha!.... (Domingos Robalo, ex-fur mil art, BAC 1 / GAC 7 / GA 7, Bissau, 1969/71; foi também cmdt do 22º Pel Art, em Fulacunda, 1969/70);


Domingos Robalo, ex-fur mil art,
BAC 1 / GAC 7 / GA 7, Bissau, 1969/71;
foi comandante do 22º Pel Art, em Fulacunda
(1969/70); nasceu em Castelo Branco,
trabalhou na Lisnave,
vive em Almada; tem cerca de
 3 dezenas de referências no nosso blogue.

I. Mais algumas algumas anedotas de caserna da Spinolândia (1968/73), quando o general Spínola foi Comandante-Chefe e Governador da então Guiné Portuguesa (hoje Guiné-Bissau) (*). 

A primeira é do Domingos Robalo, as restantes foram selecionadas por nós, de uma recolha feita pela IA (ChatGPT / Open AI)


1. Ó nosso furriel, a Guarda não destroça, recolhe

Esta é do Domingos Robalo, merece honras de montra principal (isto é, ser editada em poste):

A minha comissão na Guiné foi de maio/69 a maio/71. A única alcunha que conheci do General era a do “Caco Baldé”. Devido ao uso do monóculo.

A minha unidade ficava nas traseiras do QG: era a BAC1, que mais tarde passou a GAC7 e por fim em GA7, com a chegada do reforço da antiaérea na sequência da operação "Mar Verde”.

Em um sábado fui nomeado “sargento da Guarda” ao QG e áreas envolventes. A meio da manhã fui informado da entrada do General pela porta de armas onde eu estava Tinha o pessoal da Guarda formado e pronto para as honras devidas.

O General chegou na viatura e saiu desta para passar a porta de armas, a pé. Foi prestada a guarda de honra mas eu, como miliciano, não conhecia algumas regras/normas devidas para estas honrarias. Assim, quando o general se afastou, mandei “destroçar” o pelotão.

De imediato, o general vira-se para trás e diz-me:


— Ó nosso Furriel, não sabe que a Guarda não destroça, mas recolhe ?!

Encavacado, respondi, com as formalidades exigidas no momento, que não sabia.

A última palavra do general:

— Então não esqueça.

Nunca mais esqueci e fui passando palavra aos camaradas.

sábado, 14 de março de 2026 às 10:26:00 WET


2. O mapa sempre otimista

Num dos famosos briefings do QG/CCFAG em Bissau, um oficial de operações apresentava o mapa cheio de alfinetes vermelhos (zonas de controlo e/ou atividade do PAIGC).

Spínola olhou e comentou:

— Se continuarmos a pôr alfinetes vermelhos, qualquer dia não sobra mapa.

O oficial respondeu:

— Mas, meu general, também temos os azuis (posições das NT)

Ao que Spínola comentou, sarcástico:

— Pois… mas os azuis não se mexem.

A sala ficou em silêncio.


3. A barba regulamentar


Spínola introduziu uma certa tolerância com barbas e bigodes, sobretudo nas tropas africanas e em algumas unidades especiais.Não era habitual ele preocupar-se com esses detalhes. Os oficiais superiores da sua entourage faziam-no discretamente, mandando cortar barbas e cabelos.

Numa inspeção a um quartel, um alferes muito jovem apareceu com uma barba enorme. O general dessa vez não gostou e perguntou:

— Então, nosso alferes, isso é barba de guerrilheiro ou de revolucionário?

Resposta nervosa:

— É barba de operacional, meu general.

Diz-se que Spínola respondeu:

— Muito bem… desde que também seja um bom operacional no mato.

4. Soldado africano, "manga de contente

Numa visita a tropas africanas, o general perguntou a um jovem soldado:

— Então, "djubi", gostas de combater sob a nossa bandeira ?

O soldado respondeu prontamente:

— Sim, meu general.

Spínola insistiu:

— E porquê?

Resposta:

— Porque o meu primeiro sargento paga sempre patacão a  tempo e horas.

A história correu pelos quartéis como exemplo da sabedoria pragmática dos soldados do recrutamento local.


5. O relatório demasiado optimista

Um comandante de companhia enviou um relatório dizendo que a sua zona estava “totalmente controlada”.

Poucos dias depois houve um ataque do PAIGC nessa área. Spínola comentou ironicamente:

— Se isto é totalmente controlado, não quero imaginar o que seja meio descontrolado.


6. A definição de “Spinolândia”

Entre os militares do CTIG  começou a circular o termo “Spinolândia” para designar a Guiné durante o comando de Spínola.

Um capitão terá dito numa messe:

— Isto agora é a Spinolândia.

Perguntaram:

— Então, porquê?

Resposta:

— Porque aqui tudo funciona à maneira do nosso general: administração, política, guerra, propaganda, psico,  cerimónias. louvores e porradas.


(Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open Ai) | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editior LG:


(*) Último poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27820: Humor de caserna (245): O anedotário da Spinolândia (XVII): A Anedota e a Piada...

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