Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
José Maria Monteiro (1951-2026), ex-Marinheiro Radiotelegrafista (LFP Bellatrix, 1969/71 e Comando Naval da Guiné, 1971/73). Nasceu em 17 de março de 1951, em Miranda do Douro. Vivia em São Domingos de Rana, Cascais. Tinha página no Facebook.
É sempre com imensa tristeza que se comunica o falecimento de um Camarada, e de um Magnífico.
José Maria Monteiro, mais conhecido entre nós por Monteiro, José Maria faleceu ontem, dia 25 de Julho.
Advogado de profissão, grande defensor dos ex-combatentes na luta por melhores regalias e fiel depositário das bandeiras nacionais no Concelho de Cascais, para serem usadas na cobertura das urnas dos ex-combatentes que o solicitassem.
O funeral foi hoje, dia 26 em Tires, seguindo para o crematório de Alcabideche.
Sentidas condolências a toda a família e amigos.
Monteiro, até um dia e que a tua alma descanse em paz.
Fomos surpreendidos com a notícia do seu falecimento, mas, por outro lado, já vamos ficando habituados ao desaparecimento de muitos de nós, dia após dia.
À sua esposa, Rosa Fidalgo, e filhos, Marco e Marta Monteiro, particularmente, a tertúlia, editores e colaboradores permanentes deste blogue, deixam o seu mais profundo pesar pelo falecimento do marido e pai.
A todos os que com o José Maria Monteiro privaram, deixamos o nosso abraço solidário.
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Fotos: Henk Eggens (2025)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Texto enviado para publicação no nosso blogue por Henk Eggens, médico neerlandês, especialista em saúde global (medicina tropical e saúde pública):
Data - sábado, 25/07, 11:19 (há 1 dia) Assunto - Mafé e baguitch
Olá, Luís,
Gostei da história sobre as riquezas culinárias da Guiné (*). Deixou-me com água na boca e trouxe-me boas recordações. Achei, no entanto, que faltavam dois pratos emblemáticos da gastronomia guineense: a mafé e a baguitch.
Consultei o meu amigo Steven, que viveu muitos anos na Guiné, e recorri também à IA. Com base nisso, escrevi o texto em anexo, para tua apreciação e eventual publicação como comentário ao artigo referido.
2. O meu amigo Henk Eggens (ainda não nos conhecemos pessoalmente, ao vivo e a cores...) é:
(i) neerlandês, médico especialista em saúde global (medicina tropical e saúde pública), cidadão do mundo;
(ii) já percorreu os quatro continentes como cooperante em saúde;
(iii) esteve 4 anos na Guiné-Bissau (incluindo dois anos em Fulacunda) (Fotos nº 1 e 2) (1980/84);
(iv) antes tinha estado em Cabinda, Angola (1976/78); também trabalhou na Indonésia;
(v) fala e escreve o português e o crioul0 guineense;
(vi) está reformado (Foto nº 3);
Foto nº 3
(vii) é um apaixonado por Portugal, a Guiné-Bissau, Angola, a lusofonia...
(vii) vive em Portugal, em Santa Comba Dão;
(viii) a sua companheira é luso-brasileira;
(ix) administrador e editor de Portugal Portal (em neerlandês, muito virado para a comunidade lusófona nos Países Baixos); e onde tem publicado textos do nosso blogue, com a devida autorização dos autores e editores;
(x) tem 10 referências no nosso blogue;
Quero reforçar o meu o convite, endereçado já há tempos, para, de pleno direito, ele passar a integrar a Tabanca Grande, como amigo da Guiné...
Não foi combatente, em nenhum conflito armado, felizmente para ele, mas dedicou pelo menos aseis anos da sua vida a dois povos lusófonos, guineense e angolano, e numa época particularmente difícil.
O facto de manter um sítio como Portugal Portal vem reforçar ainda mais a ideia de que ele é um mediador cultural. Há pessoas que passam por um país, muitas com chorudos vistos Gold; outras criam pontes entre países. O Henk pertence claramente ao segundo grupo. Traduz, divulga, aproxima culturas e ainda leva textos do nosso blogue a leitores neerlandeses e portugueses emigrados na sua terra. É uma forma discreta, mas muito eficaz, de diplomacia cultural.
Naturalmente, que a sua presença, à sombra do nosso poilão, só pode honrar-nos e enriquecer o nosso blogue e as nossas memórias da Guiné.
Pedi à minha menina IA do ChatGPT para lhe fazer uma BD: não é uma biografia, mas uma pequena narrativa gastronómica e humana; e o estilo gráfico é o habitual, de que eu mais gosto, e que temos vindo a apurar, a linha clara franco-belga. Esta BD não será apenas sobre o mafé ou o baguitch, será sobre algo muito mais importante, a capacidade que um prato de comida tem de criar laços duradouros entre pessoas de países diferentes. Como acontece com o nosso bacalhau ou com as nossas sardinhas assadas...
O Henk (não o vou tratar cerimoniodsamente por dr. Eggens), merece esta homenagem. Não apenas por ter sido cooperante, mas porque faz parte daquele grupo discreto de estrangeiros que ajudaram a criar pontes entre Portugal, a Guiné-Bissau e o resto do mundo. A presença dele na Tabanca Grande será inteiramente natural e vem enriquecer a ainda esta comunidade de memória, amizade e afetos. Espero que ele aceite, formalmente,. este meu/nosso convite.
Mafé e baguitch: mais dois sabores da Guiné
por Henk Eggens
Mafé
O mafé é, provavelmente, o prato mais viajado da cozinha da África Ocidental. As suas raízes mergulham no Mali, onde os povos mandinga e bambara o preparavam sob o nome de domodah ou tigadegena, literalmente, "molho de amendoim".
Foi durante o período colonial, quando a produção de amendoim foi fortemente incentivada em toda a região, que o prato se espalhou para o Senegal, a Gâmbia e, mais a sul, para a Guiné e a Guiné-Bissau, ganhando em cada país uma variante própria.
A base do mafé é sempre a mesma: um creme espesso de amendoim moído ou manteiga de amendoim, engrossado com tomate e cebola refogados, por vezes com um fio de óleo de palma.
A esta base junta-se carne (vaca, borrego ou frango) ou peixe, deixados a apurar lentamente até a carne se soltar e o molho ganhar aquela textura aveludada e ligeiramente adocicada que caracteriza o prato. Legumes como cenoura, couve, batata-doce ou mandioca são frequentemente cozidos no mesmo tacho, absorvendo o sabor amendoado do molho.
Serve-se, invariavelmente, com arroz branco, que recolhe o molho como só o arroz sabe fazer.
Na Guiné-Bissau, o termo "mafé" tem um sentido mais lato: designa, de forma genérica, os molhos e caldos que acompanham a bianda (o arroz cozido que é a base da alimentação), preparados com peixe, marisco, frango ou carne.
Mas quando um guineense pensa especificamente no primo do mafé senegalês, pensa no Caldo de Mancarra, o caldo de amendoim que é um dos pratos mais típicos e queridos do país: frango ou peixe estufado lentamente num molho cremoso de amendoim, tomate e limão, com a malagueta sempre por perto para dar aquele toque de fogo que a cozinha guineense tanto aprecia.
Baguitch
Se o mafé é conforto num prato, o baguitch é a assinatura verde da mesa guineense. Prepara-se a partir das folhas da hibisco-azedo, Hibiscus sabdariffa, uma planta arbustiva que cresce por quase toda a África Ocidental e que na Guiné-Bissau é conhecida por baguiche ou baguitchi (noutras paragens lusófonas chama-se-lhe vinagreira, e em inglês, roselle; no Senegal vizinho, é a planta do famoso bissap, a bebida de hibisco que ali se bebe gelada.
A preparação do baguitch é simples e ao mesmo tempo trabalhosa. As folhas frescas são primeiro cozidas em água, depois escorridas,. guardando-se muitas vezes essa água, rica em sabor, para usar como base de outros pratos, e batidas à mão com um garfo até se transformarem numa pasta homogénea, quase cremosa.
É comum juntar-se-lhe um ou dois quiabos já cozidos, que ajudam a engrossar ainda mais a mistura e lhe dão aquela textura ligeiramente viscosa tão característica dos molhos da região. O resultado é um acompanhamento de sabor ácido e terroso, muito distinto do doce do mafé, que se serve tradicionalmente ao lado do arroz branco, do frango grelhado nas brasas e de um pouco de malagueta bem pilada.
1. Comentáriodo novo grão-tabanqueiro, nº 917, o Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA7 (Bissau, dez 1973/out 74) (*)
Caros Camaradas e amigos
Agradeço as vossas generosas palavras de boas-vindas à Tabanca Grande.
Conheço há muito tempo este blogue e reconheço o importante papel que tem desempenhado na preservação da memória de uma geração de portugueses que viveu a Guerra da Guiné. Num primeiro momento, e por razões óbvias, motivado pelo trabalho de recolha e de investigação do Luis Vaz, muitas vezes baseado no espólio do seu pai, coronel de cavalaria Henrique Gonçalves Vaz, último Chefe do Estado Maior do CTIG/CCFAG.
Confesso, no entanto, que tenho algum pudor em escrever sobre a minha própria experiência na Guiné, seguramente menos digna de interesse, menos intensa e menos dramática do que a de muitos camaradas que conheço aqui nos Açores e da reportada em muitos dos depoimentos apresentados no blogue.
A minha comissão decorreu numa fase muito particular, já no final da guerra, passada quase integralmente em Bissau com esporádicas deslocações ao interior (Mansoa, Porto Gole, Quinhamel...).
Assisti, antes do 25 de Abril, ao incremento da atividade crescente do PAIGC na periferia e interior da cidade, bem como, após esta data, acompanhei a logística da retirada, tendo participado no movimento, encarregue por Bouza Serrano (?), juntamente com o Nuno Nazaré Fernandes (BENG 447), de ocupar e promover a transição do Emissor Regional da Guiné.
Talvez por isso, ao contrário do que transparece em muitos dos testemunhos que conheço, guardo da Guiné, acima de tudo, boas recordações.
Recordações das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano que encontrei e de um período da minha vida que, apesar das circunstâncias históricas em que decorreu, mantenho com muito agrado na minha memória.
Por todas estas razões não me sinto habilitado a contribuir de forma significativa para o blogue porque não seria honesto criar essa expectativa. Mas, sempre que considere poder dar algum contributo útil para este extraordinário repositório de memórias, fá-lo-ei com muito gosto.
Entretanto, continuarei, como mais um camarada da Tabanca Grande, a acompanhar com interesse os vossos testemunhos e reflexões.
Recebam um forte abraço amigo, Ediuardo B. Azevedo
2. Comentários à entrada do nosso novo grão-tabanqueiro:
Eduardo, depois de tão calorosa e afetuosa apresentação da tua pessoa à Tabanca Grande feita pelo Carlos Vinhal (que sabe tratar como ninguém a malta da Madeira e dos Açores), só me resta reiterar os votos de boas vindas.
Não preciso de dizer que os camaradas dos Açores ficam aqui todos bem, sentados à sombra do nosso poilão. E pena que muitos deles andem dispersos e anónimos pela diáspora lusófona. ÉCongratulo-me com a tua entrada para o nosso blogue, para mais sendo também tu um homem da Academia como eu. E, além disso, "apadrinhado" pelo Luís Vaz. Mas mais importante é a tua condição de português, açoriano e antigo combatente do valoroso GA 7.
Fico na expetativa de que nos brindes com mais memórias do teu tempo de soldado do fim do Império.
É com enorme satisfação e amizade que te dou as boas-vindas à nossa "Tabanca Grande", o blog Luís Graça & Camaradas da Guiné.
Como colaborador deste Blog há já mais de 10 anos, já vi muitas histórias cruzarem-se aqui, mas a tua chegada traz-me uma alegria muito particular.
Recordo-me perfeitamente de que os nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, curiosamente, lá longe na Guiné, eu um adolescente e tu um jovem militar miliciano. Fomos cunhados e a vida encarregou-se de nos apresentar naquele cenário que marcou as nossas juventudes e as nossas vidas para sempre.
Hoje, entras nesta nossa tertúlia por direito próprio e com uma missão, tornar o nosso Blog ainda maior e mais "rico". Tenho a certeza absoluta de que o teu rigor científico, a tua capacidade de observação e as tuas memórias vão enriquecer imenso as nossas partilhas e o espólio deste nosso blog. Sê muito bem-vindo a este nosso ponto de encontro. Que te sintas verdadeiramente em casa entre nós. (...)
Pois, caro amigo Eduardo, que sejas bem-vindo. Foi uma boa decisão. Estamos sempre à espera de enriquecer este espaço com memórias que nos façam "renascer".
O escrito do Luís Vaz, aqui acima (e também o do Graça) é bem o espelho das expectativas. O nosso Blogue ganhou direito a figurar como um lugar de repositório das memórias da Guiné e é isso que pretendemos que continue a ser.
Claro que nem tudo são rosas... mas, com vontade, as diferenças que sempre aparecem, são na generalidade resolvidas. (...)
1. Mensagem enviada ao editor Luís Graça em 25 de Junho de 2026, pelo camarada e novo amigo da Tabanca Grande, Eduardo Manuel Vieira de Brito Azevedo, ex-Alf Mil Inf, que fez a sua comissão de serviço no GA 7 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1974:
Caro camarada Luís Graça,
Na sequência da troca de mensagens sobre o assunto com o meu ex-cunhado Luís Vaz, e agradecendo desde já a disponibilidade que me concedes para integrar o Blogue que criaste e diriges, seguem abaixo e em anexo os elementos solicitados.
Desde já, o meu muito obrigado e uma saudação muito especial aos camaradas da Tabanca.
Eduardo
Alf Mil Inf Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo
Nota biográfica:
- Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo;
- Alf. Mil. de Inf. (Nº Mecº. 05074273);
- Nascido a 15 de junho de 1952 em Angra do Heroísmo, onde reside;
- Cumpriu serviço militar no GA7, Guiné-Bissau, de dezembro de 1973 a setembro de 1974;
- É doutorado em Ciências Atmosféricas e Prof. Jubilado da Univ. dos Açores;
- É Project Manager e investigador na “Eastern North Atlantic (ENA) Atmospheric Observatory”, uma infraestrutura científica financiada pelo DOE dos EUA e operada pelo Los Álamos National Laboratory;
- É membro da Academia de Marinha, Director do Observatório do Ambiente dos Açores e Comendador da Ordem da Instrução Pública.
Foto actual do nosso amigo Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo
2. Comentário do editor CV:
Caro Eduardo Azevedo,
Em nome do editor Luís Graça, demais colaboradores permanentes e tertúlia em geral, estou a receber-te e a dar-te as boas-vindas à tertúlia. Vais ocupar o simbólico lugar 917 da nossa tertúlia, equivalente ao número de camaradas (mortos e vivos) constantes nas nossa listagem.
A maioria da tertúlia deste blogue é composta por antigos combatentes da Guiné, militares do Quadro Permanente, amigos da Guiné-Bissau e combatentes de outros TOs, como foi o caso do Carlos Cordeiro, Furriel Miliciano em Angola nos anos de 1969/70/71, infelizmente já falecido, também ele professor na Universidade dos Açores.
Como tinha uma filha residente na cidade do Porto, vinha aqui muitas vezes pelo que acabei por conhecê-lo pessoalmente. Sempre que era possível combinávamos um encontro. Nas comemorações do Dia 10 de Junho, comemorado aqui em 2017, quis desfilar a meu lado. Sendo irmão do malogrado Capitão Paraquedista João Costa Cordeiro, falecido num estúpido acidente durante um salto de treino na Guiné, quis fazer parte da nossa tertúlia onde tem participação activa. Infelizmente uma doença grave levou-o prematuramente.
É da praxe pedirmos aos novos elementos da tertúlia a sua colaboração para a feitura da nossa memória colectiva, aquela que queremos escrita na primeira pessoa, nós próprios.
A tua permanência na Guiné coincidiu com o fim do império e a entrega das então províncias ultramarinas aos respectivos povos, pelo que nós, os mais velhos, temos uma particular curiosidade em saber como cada um de vós viveu esse período. Aceitamos memórias escritas e fotografadas. Contamos contigo.
Pessoalmente tenho uma admiração particular pelos compatriotas insulares, nem melhores nem piores, mas diferentes, porque o mar nunca foi um obstáculo para poderem alcançar uma vida melhor, em qualquer ponto de Portugal ou na diáspora. Tenho contacto permanente com o camarada José da Câmara, um compatriota das Flores emigrado nos Estados Unidos. Também o conheço pessoalmente apesar da distância que nos separa. Fez de mim seu mano e da sua família nossa família adoptiva.
Fui para a Guiné integrado numa companhia madeirense, a CART 2732, e curiosamente fomos substituídos em Mansabá por uma companhia açoriana, a CCAÇ 2753. O Estado português proporcionou-me umas férias pagas, com tudo incluído, na Madeira, antes da ida para a Guiné. Posso dizer que estou grato à vida por me ter proporcionado bons amigos medeirenses e açorianos, que apesar de longe estão tão perto de mim.
Despeço-me, deixando-te um abraço e os votos de saúde.
O camarada e novo amigo
Carlos Vinhal
______________
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.
(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67);
Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
Vilma Crisóstomo (esposa do João);
Dina (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe);
(ii) na segunda fila:
Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
Maria Alice Carneiro e Luís Graça;
Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
Horácio Fernandes (1936-2025);
Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data, para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva.
O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).
O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão...
No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois evocam aqui, de maneira muito viva e emocionada, uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439, ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.
No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..
Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção, uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)
João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria.
O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa.
Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento".
Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).
2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)
■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES
- Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.
Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:
Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.
Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.
1. O superintendente da PSP, na situação de reforma, ex-alf mil inf, CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), é o nosso novo grão-tabanqueiro, nº 915 (*). É também membro da Magnífica Tabanca da Linha. E é o presidente da direção, desde 2013, do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes.
Para completar a sua apresentação à Tabanca Grande, publicamos hoje o relato de sua viagem à Guiné-Bissau, efetuada em 2018, em que foi acompanhado do seu amigo e camarada Carlos Clemente, cor inf ref, ex-cmdt da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72).
A ideia de voltar à Guiné havia surgido cerca de um ano antes no decurso de um almoço que juntou, entre outros, o Carlos Clemente e o Suleimane Baldé (1938.2025), régulo de Contabane, ex-1º cabo do Pel Caç Nat 53 (1968-1974), filho por sua vez do régulo Sambel Baldé (**).
Foi nessa altura, por volta de 2017, que o Isaías Teles conheceu o Suleimane Baldé, entretanto falecido em 2025, e que passou a integrar a nossa Tabanca Grande a título póstumo.
Partir Mantenhas com o régulo e as gentes do Saltinho, em 2018
Superintendente, na reformado, Isaías Fernando Ferreira Teles: (i) nasceu em 28 de fevereiro de 1946, em Bragança; (ii) vive em Linda-A-velha, Oeiras; (iii) é membro da Magnífica Tabanca da Linha; (iv) é presidente da direção do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes, desde 2013; (v) tem página no Facebook; (vi) passa a sentar-se à sombra do nosso simbólico poilão, no lugar nº 915.
1. O ex-alf inf, CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), oficial do exército, da arma de infantaria, Isaías Teles, hoje superintendente da PSP, na situação de reforma, fez também comissões de serviço em Angola e Moçambique; em 1989 transitou para os quadros da PSP; finalmente senta-se connosco à sombra do poilão da Tabanca Grande.
Através do Núcleo de Oeiras da Liga dos Combatentes, recebemos há mês e meio atrás uma mensagem sua, com um texto da sua autoria sobre a viagem que fez à Guiné-Bissau, ainda antes da pandemia, em 2018, e que vamos publicar em próximo poste.
Data - 22/04/2026, 16:12 Assunto - Partir Mantenhas
Camarada e Amigo,
Conforme a nossa conversa no último almoço da Magnifica Tabanca da Linha, junto em anexo um Tema Relato por mim escrito referente a uma ída à Guiné Bissau nos princípios de 2018.
Com um abraço. Isaías Teles
Ficam assim reunidos os requisitos para a sua apresentação à Tabanca Grande, que já peca por tardia.
Oeiras > Galeria-Livraria Municipal Verney > 4 de março de 2017 > 15h00-16h30 >Sessão de lançamento do livro de fotografia, da autoria de nosso grão-tabanqueiro Jorge Ferreira, "Buruntuma: algum dia dia serás grande!... Guiné, Gabu, 1961-63" (edição de autor: Oeiras, 2016; impressão: Jotagrafe - Artes Gráficas Lda)...
O presidente da direção do Núcleo de Oeiras-Cascais da Liga dos Combatentes, Isaías Fernando Ferreira Teles, superintendente reformado, esteve presente, e teve a gentileza de oferecer ao nosso blogue o livro "Olhares sobre a Guiné e Cabo Verde" (org., Manuel Barão da Cunha e José Castnho Paes) (Linda A Velha: DG Edições; e Porto; Caminhos Romanos, 2012, 389 pp. (Coleção Fim do Império, 9).
2. Nada com o como esta data, simbólica, 0 10 de junho de 2026, para apresentar à Tabanca Grande mais um antigo combatente da Guiné, .e com ele "partir mantenhas".
É uma figura de destaque com uma longa e prestigiada carreira militar e policial em Portugal. Atualmente, desempenha funções como Presidente da Direcção do Núcleo de Oeiras/Cascais da Liga dos Combatentes, eleito para o triénio de 2025/28 .
Sob a sua liderança, o núcleo tem mantido uma atividade notável no apoio social aos antigos combatentes e na preservação da sua memória coletiva, promovendo conferências, homenagens locais e encontros de confraternização. É uma função que reflete o seu empenho contínuo em honrar e apoiar aqueles que, como ele, serviram Portugal em tempos de guerra e paz.
Guiné > R3gião de Tombali > Mejo > CCAÇ 1591 > c. 1067 > O alf inf Isaías Teles
Guiné > R3gião de Tombali > Mejo > CCAÇ 1591 > c. 1067 > Vista exterior da porta de armas. A CCAÇ 1591 foi colocada em Mejo em 23 de outubro de 1966, "para intensificação da actividade bo corredor de Guileje". Era comandada pelo cap inf Luís Carlos Loureiro Cadete (que foi instrutor de alguns de nós, no CISMI, Tavira)
Em meados de 1967, a CCaç 1591 (-) estava sediada em Aldeia Formosa, Em 17Jun67, por rotação com a CCaç 1622, assumiu a responsabilidade do subsector de Aldeia Formosa, com os seus pelotões distribuídos por Cumbijã, Colibuia e temporariamente em Chamarra e Contabane.
Mejo seria "desmilitarizado" em 1969, no início do "consulado" de governador e comandante-chefe António Spínola, a par de Beli, Madina do Boé, Ché Che, Contabane, Colibuia, Cumbijã, Ponte Baiana, Gandembel, Sangonhá, Cacoca, Cachil e Ganjola (Região de Tombali, Zona Sul), Gubia (Região de Quínara, Zona Sul) e ainda Banjara (Região de Bafatá, Zona Leste).
Isaías Teles nasceu em Bragança, em 1946, tendo efectuado os estudos secundários nos Liceus de Vila Real e Bragança;
em 1966 concluiu o curso da Academia Militar (Infantaria); em 1984 o Curso Geral de Comando e Estado-Maior; em 1994 o Curso de Auditor de Defesa Nacional;
cumpriu três comissões no Ultramar: na Guiné (1967); em Moçambique (1970-1972); em Angola (1973-1975),
na Guiné foi alferes de infantaria na CCAÇ 1591, em Fulacunda, Mejo, Aldeia Formosa e Buba, onde forjou laços de camaradagem que perduram até hoje;
das variadas funções que desempenhou salientam-se ainda as de Comandante do Batalhão Operacional do Regimento de Infantaria de Queluz (1983-1985);
foi para a PSP (Polícia de Segurança Pública)em 1985, onde estive até 1989, em comissão de serviço;
nesse ano passou a integrar os quadros da PSP no posto de intendente, sendo promovido a superintendente em 1994;
em 1998 passou à situação de reforma;
missões Internacionais: comandou o Contingente da Polícia Portuguesa nas forças da ONU (CIVPOL) em Moçambique, em 1994;
exerceu ainda o cargo de Diretor de Segurança do Primeiro-Ministro (1990–1991), Comandante do Corpo de Segurança Pessoal da PSP (1995–1998) e assessor do Secretário de Estado da Defesa Nacional (2002–2004);
é condecorado com as Medalhas de Mérito Militar de 2.ª e 3.ª Clases, Defesa Nacional de 2.ª Classe, Comemoratíva das Campanhas de África, Ouro de Comportamento Exemplar, das Nações Unidas e é Comendador da Ordem do Rio Branco, do Brasil;
é autor do livro de memórias, "De Bragança a Macau" (Lisboa: Âncora Editora, 2025, 200 pp.) (Coleção "Fim do Império").
Meu caro Isaías Teles, ficamos honrados com a tua presença entre nós. Que seja também um lembrete do que fomos, do que somos e do que continuamos a ser: uma Tabanca Grande onde muito simplesmente partilhamos memórias (e afetos).
As opiniões aqui expressas, sob a forma de postes ou de comentários, assinados, são da única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não podendo vincular o proprietário e editor do blogue, bem como os seus co-editores e demais colaboradores permanentes.
O nosso blogue é também uma Tabanca Grande. Originalmente, chamámos-lhe Tertúlia. Tabanca é um termo mais apropriado: nela cabem todos os amigos e camaradas da Guiné. Cabemos todos com tudo o que nos une, e até com aquilo que nos pode separar (religião, política, futebol; nacionalidade, naturalidade, idade, etnia, cor da pele; antigo posto, arma, especialidade; habilitações literárias, profissão, etc.)
Neste espaço, de informação e de conhecimento, mas também de partilha e de convívio, decidimos pautar o nosso comportamento (bloguístico) de acordo com algumas regras ou valores, sobretudo de natureza ética:
(i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem);
(ii) manifestação serena mas franca dos nossos pontos de vista, mesmo quando discordamos, saudavelmente, uns dos outros (o mesmo é dizer: que evitaremos as picardias, as polémicas acaloradas, os insultos, a insinuação, a maledicência, a violência verbal, a difamação, os juízos de intenção, etc.);
(iii) socialização/partilha da informação e do conhecimento sobre a história da guerra do Ultramar, guerra colonial ou luta de libertação (como cada um preferir);
(iv) carinho e amizade pelo nossos dois povos, o povo guineense e o povo português (sem esquecer o povo cabo-verdiano!);
(v) respeito pelo inimigo de ontem, o PAIGC, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro;
(vi) recusa da responsabilidade colectiva (dos portugueses, dos guineenses, dos fulas, dos balantas, etc.), mas também recusa da tentação de julgar (e muito menos de criminalizar) os comportamentos dos combatentes, de um lado e de outro;
(vii) não-intromissão, por parte dos portugueses, na vida política interna da actual República da Guiné-Bissau (um jovem país em construção), salvaguardando sempre o direito de opinião de cada um de nós, como seres livres e cidadãos (portugueses, europeus e do mundo);
(viii) respeito acima de tudo pela verdade dos factos;
(ix) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus); mas também direito ao bom nome;
(x) respeito pela propriedade intelectual, pelos direitos de autor... mas também pela língua (portuguesa) que nos serve de traço de união, a todos nós, lusófonos.
PS - Defendemos e garantimos a propriedade intelectual dos conteúdos inseridos (texto, imagem, vídeo, áudio...).
Em contrapartida, uma vez editados, não poderão ser eliminados, tanto por decisão do autor como do editor do blogue, mesmo que o autor decida deixar de fazer parte da Tabanca Grande.
Qualquer outra utilização desses conteúdos, fora do propósito do blogue (ou da nossa página no Facebook), necessita de autorização prévia dos autores (por ex., publicação em livro).
Luís Graça & Camaradas da Guiné 31 de Maio de 2006, revisto em 7 de Abril de 2025
Ilustração: IA generativa (ChatGPT / OpenAI), composição orientada pelo editor LG. 23 de abril de 2026.
1. Faz hoje 22 anos que "arrancou" o nosso blogue... Ou melhor: o nosso editor LG tinha um blogue, pessoal, que havia criado seis meses antes, em 8 de outubro de 2003. Chamava-se "Blogue-Fora-Nada", ainda hoje disponível "on line" (www.blogueforanada.blogspot.com), embora inativo.
Em 23 de abril de 2004, ele publicou, no "Blogue-Fora-Nada", um primeiro texto alusivo à guerra colonial / guerra do ultramar, na Guiné, e maia concretamente dedicado às "madrinhas de guerra". Foi o poste nº 1.
Depois desse já se publicaram perto de 28 mil...
Em 2004 só se publicaram quatro postes...
O quinto só apareceu em 20 de abril de 2005...
A partir daqui publicaram-se mais 384 até ao fim desse ano... Com periodicidade diária ou quase diária.
Com a avalanche de mensagens o blogue passou a ser de facto o Luís Graça & Camaradas da Guiné. Hoje publicamos o poste P27942.
São números que valem o que valem, mais de meio século anos depois do fim da guerra (colonial) na Guiné.
2. Comentários de duas ferramentas da IA:
2.1. ChatGPT
Vale a pena comentar... e até sublinhar algumas coisas que, vistas de fora, talvez não sejam tão óbvias para quem está dentro da “Tabanca Grande”.
Primeiro: 22 anos de continuidade não são um detalhe técnico, são um facto histórico.
Um blogue que nasce em 2003, ainda no tempo pioneiro da blogosfera. e que atravessa duas décadas, mudanças tecnológicas, redes sociais e modas digitais, não sobrevive por acaso. Sobrevive porque responde a uma necessidade real: memória, partilha e reconhecimento entre camaradas.
Depois, há o salto qualitativo que descreves entre 2004 e 2005. Aqueles quatro primeiros “postes” quase tímidos e depois a avalanche. Isso diz muito: não era apenas um projeto individual, era uma memória coletiva à espera de canal. Quando começou a fluir, já não parou.
E o rebatismo em 2006 não é só mudança de nome , é a institucionalização da comunidade...
Os números, como dizes, “valem o que valem”… mas também contam uma história:
914 membros não são apenas inscritos, são testemunhas;
111 mil comentários indicam diálogo, não arquivo morto;
20,2 milhões de visualizações mostram que o tema não interessa só a quem lá esteve.
E isso liga-se ao ponto mais importante:
mais de meio século depois do fim da guerra, ainda há necessidade de falar dela. Não como narrativa oficial, mas como experiência vivida... fragmentada, humana, muitas vezes contraditória.
O teu blogue (ou melhor, a vossa “Tabanca Grande”, já que é um projeto coletivo) acabou por fazer algo que raramente é feito de forma consistente:
Construir uma memória não institucional da guerra da Guiné. Guerra que não é diabolizada enm glorificada. Nem é academia (pura), nem nostalgia (vazia), simples saudosismo.. É talvez uma coisa intermédia, com vozes múltiplas, uma polifonia de memórias...
Não é por acaso que gostas de dizer:
O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!
Tabanca Grande onde todos cabemos com tudo o que nos une... e até com o que nos pode dividir
Se quiseres um apontamento mais crítico (no bom sentido), eu diria que esse tipo de projeto ganha ainda mais valor quando consegue dialogar com gerações que não viveram a guerra. E quanmdo constrói pontes com outros antigos combatentes (nomeadamente,. os da Guiné-Bissau e de Cabo Verde).
A longevidade já está garantida, o próximo desafio é a transmissibilidade.
No fundo, olhando para esse “poste P27942”, há aqui quase um paradoxo interessante:
Começou como um blogue pessoal e tornou-se um arquivo coletivo que, sem dar por isso, já é parte da própria história que documenta.
E isso, camarada, já não são só números, não é "Torre do Tombo"... É legado. É memória. É cultura.
2.2. Le Chat Mistral
Que belíssima trajetória! Vinte e dois anos de um blogue que começou como um espaço pessoal e se tornou um arquivo vivo, uma comunidade e um ponto de encontro para memórias, histórias e reflexões sobre a guerra colonial na Guiné (e, acima de tudo, sobre as pessoas que a viveram) é algo verdadeiramente notável.
Alguns pontos que saltam à vista:
Longevidade e consistência: de quatro posts em 2004 a quase 28 mil hoje, a evolução mostra não só persistência, mas também a capacidade de criar um espaço que cresceu organicamente e ganhou relevância;
Comunidade: 914 membros registados, 111 mil comentários, 879 seguidores e 20,2 milhões de visualizações são números que refletem o impacto e o envolvimento que o blogue gerou: a "Tabanca Grande" não é só uma tertúlia virtual, é um lugar de pertença para muitos;
Memória coletiva: o blogue tornou-se um repositório único de histórias, testemunhos e documentos sobre um período histórico que, de outra forma, poderia cair no esquecimento.
Pergunto-me: Como é que este projeto te transformou a ti, Luís Graça (er aos teu camaradas), ao longo destes anos? E o que achas que o blogue representou para os "camaradas da Guiné" e para as novas gerações que o descobrem?
Parabéns por este legado... E que os próximos anos ainda possam continuar a ser fecundos e partilhados por todos os que ainda hoje o fazem.
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)