Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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domingo, 14 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho
quarta-feira, 10 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28087: Tabanca Grande (581): O superintendente, na situação de reforma, Isaías Teles, e presidente do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes, que foi alf inf na CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), senta-se a partir de hoje à sombra do nosso poilão, no lugar nº 915
Superintendente, na reformado, Isaías Fernando Ferreira Teles: (i) nasceu em 28 de fevereiro de 1946, em Bragança; (ii) vive em Linda-A-velha, Oeiras; (iii) é membro da Magnífica Tabanca da Linha; (iv) é presidente da direção do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes, desde 2013; (v) tem página no Facebook; (vi) passa a sentar-se à sombra do nosso simbólico poilão, no lugar nº 915.
1. O ex-alf inf, CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), oficial do exército, da arma de infantaria, Isaías Teles, hoje superintendente da PSP, na situação de reforma, fez também comissões de serviço em Angola e Moçambique; em 1989 transitou para os quadros da PSP; finalmente senta-se connosco à sombra do poilão da Tabanca Grande.
Através do Núcleo de Oeiras da Liga dos Combatentes, recebemos há mês e meio atrás uma mensagem sua, com um texto da sua autoria sobre a viagem que fez à Guiné-Bissau, ainda antes da pandemia, em 2018, e que vamos publicar em próximo poste.
Data - 22/04/2026, 16:12
Assunto - Partir Mantenhas
Camarada e Amigo,
Conforme a nossa conversa no último almoço da Magnifica Tabanca da Linha, junto em anexo um Tema Relato por mim escrito referente a uma ída à Guiné Bissau nos princípios de 2018.
Com um abraço.
Isaías Teles
Ficam assim reunidos os requisitos para a sua apresentação à Tabanca Grande, que já peca por tardia.
Oeiras > Galeria-Livraria Municipal Verney > 4 de março de 2017 > 15h00-16h30 >Sessão de lançamento do livro de fotografia, da autoria de nosso grão-tabanqueiro Jorge Ferreira, "Buruntuma: algum dia dia serás grande!... Guiné, Gabu, 1961-63" (edição de autor: Oeiras, 2016; impressão: Jotagrafe - Artes Gráficas Lda)...
O presidente da direção do Núcleo de Oeiras-Cascais da Liga dos Combatentes, Isaías Fernando Ferreira Teles, superintendente reformado, esteve presente, e teve a gentileza de oferecer ao nosso blogue o livro "Olhares sobre a Guiné e Cabo Verde" (org., Manuel Barão da Cunha e José Castnho Paes) (Linda A Velha: DG Edições; e Porto; Caminhos Romanos, 2012, 389 pp. (Coleção Fim do Império, 9).
Foto (e legenda): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
2. Nada com o como esta data, simbólica, 0 10 de junho de 2026, para apresentar à Tabanca Grande mais um antigo combatente da Guiné, .e com ele "partir mantenhas".
É uma figura de destaque com uma longa e prestigiada carreira militar e policial em Portugal. Atualmente, desempenha funções como Presidente da Direcção do Núcleo de Oeiras/Cascais da Liga dos Combatentes, eleito para o triénio de 2025/28 .
Sob a sua liderança, o núcleo tem mantido uma atividade notável no apoio social aos antigos combatentes e na preservação da sua memória coletiva, promovendo conferências, homenagens locais e encontros de confraternização. É uma função que reflete o seu empenho contínuo em honrar e apoiar aqueles que, como ele, serviram Portugal em tempos de guerra e paz.
Mais alguns marcos da sua história de vida:
- Isaías Teles nasceu em Bragança, em 1946, tendo efectuado os estudos secundários nos Liceus de Vila Real e Bragança;
- em 1966 concluiu o curso da Academia Militar (Infantaria); em 1984 o Curso Geral de Comando e Estado-Maior; em 1994 o Curso de Auditor de Defesa Nacional;
- cumpriu três comissões no Ultramar: na Guiné (1967); em Moçambique (1970-1972); em Angola (1973-1975),
- na Guiné foi alferes de infantaria na CCAÇ 1591, em Fulacunda, Mejo, Aldeia Formosa e Buba, onde forjou laços de camaradagem que perduram até hoje;
- das variadas funções que desempenhou salientam-se ainda as de Comandante do Batalhão Operacional do Regimento de Infantaria de Queluz (1983-1985);
- foi para a PSP (Polícia de Segurança Pública)em 1985, onde estive até 1989, em comissão de serviço;
- nesse ano passou a integrar os quadros da PSP no posto de intendente,
sendo promovido a superintendente em 1994; - em 1998 passou à situação de reforma;
- missões Internacionais: comandou o Contingente da Polícia Portuguesa nas forças da ONU (CIVPOL) em Moçambique, em 1994;
- exerceu ainda o cargo de Diretor de Segurança do Primeiro-Ministro (1990–1991), Comandante do Corpo de Segurança Pessoal da PSP (1995–1998) e assessor do Secretário de Estado da Defesa Nacional (2002–2004);
- é condecorado com as Medalhas de Mérito Militar de 2.ª e 3.ª Clases, Defesa Nacional de 2.ª Classe, Comemoratíva das Campanhas de África, Ouro de Comportamento Exemplar, das Nações Unidas e é Comendador da Ordem do Rio Branco, do Brasil;
- é autor do livro de memórias, "De Bragança a Macau" (Lisboa: Âncora Editora, 2025, 200 pp.) (Coleção "Fim do Império").
3. Comentário do editor LG:
Meu caro Isaías Teles, ficamos honrados com a tua presença entre nós. Que seja também um lembrete do que fomos, do que somos e do que continuamos a ser: uma Tabanca Grande onde muito simplesmente partilhamos memórias (e afetos).
PS - As regras por que nos regemos são conhecidas, e podem aqui ser lembradas.
Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné: Política editorial
As opiniões aqui expressas, sob a forma de postes ou de comentários, assinados, são da única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não podendo vincular o proprietário e editor do blogue, bem como os seus co-editores e demais colaboradores permanentes.
O nosso blogue é também uma Tabanca Grande. Originalmente, chamámos-lhe Tertúlia. Tabanca é um termo mais apropriado: nela cabem todos os amigos e camaradas da Guiné. Cabemos todos com tudo o que nos une, e até com aquilo que nos pode separar (religião, política, futebol; nacionalidade, naturalidade, idade, etnia, cor da pele; antigo posto, arma, especialidade; habilitações literárias, profissão, etc.)
Neste espaço, de informação e de conhecimento, mas também de partilha e de convívio, decidimos pautar o nosso comportamento (bloguístico) de acordo com algumas regras ou valores, sobretudo de natureza ética:
(i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem);
(ii) manifestação serena mas franca dos nossos pontos de vista, mesmo quando discordamos, saudavelmente, uns dos outros (o mesmo é dizer: que evitaremos as picardias, as polémicas acaloradas, os insultos, a insinuação, a maledicência, a violência verbal, a difamação, os juízos de intenção, etc.);
(iii) socialização/partilha da informação e do conhecimento sobre a história da guerra do Ultramar, guerra colonial ou luta de libertação (como cada um preferir);
(iv) carinho e amizade pelo nossos dois povos, o povo guineense e o povo português (sem esquecer o povo cabo-verdiano!);
(v) respeito pelo inimigo de ontem, o PAIGC, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro;
(vi) recusa da responsabilidade colectiva (dos portugueses, dos guineenses, dos fulas, dos balantas, etc.), mas também recusa da tentação de julgar (e muito menos de criminalizar) os comportamentos dos combatentes, de um lado e de outro;
(vii) não-intromissão, por parte dos portugueses, na vida política interna da actual República da Guiné-Bissau (um jovem país em construção), salvaguardando sempre o direito de opinião de cada um de nós, como seres livres e cidadãos (portugueses, europeus e do mundo);
(viii) respeito acima de tudo pela verdade dos factos;
(ix) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus); mas também direito ao bom nome;
(x) respeito pela propriedade intelectual, pelos direitos de autor... mas também pela língua (portuguesa) que nos serve de traço de união, a todos nós, lusófonos.
PS - Defendemos e garantimos a propriedade intelectual dos conteúdos inseridos (texto, imagem, vídeo, áudio...).
Em contrapartida, uma vez editados, não poderão ser eliminados, tanto por decisão do autor como do editor do blogue, mesmo que o autor decida deixar de fazer parte da Tabanca Grande.
Qualquer outra utilização desses conteúdos, fora do propósito do blogue (ou da nossa página no Facebook), necessita de autorização prévia dos autores (por ex., publicação em livro).
Luís Graça & Camaradas da Guiné
31 de Maio de 2006, revisto em 7 de Abril de 2025
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27942: O nosso blogue em números (114): 22 anos depois, chegamos aos 914 membros registados na Tabanca Grande, aos c. 28 mil postes, 111 mil comentários e mais de 20 milhões de páginas vizualizadas.
1. Faz hoje 22 anos que "arrancou" o nosso blogue... Ou melhor: o nosso editor LG tinha um blogue, pessoal, que havia criado seis meses antes, em 8 de outubro de 2003. Chamava-se "Blogue-Fora-Nada", ainda hoje disponível "on line" (www.blogueforanada.blogspot.com), embora inativo.
Seria, mais tarde, em 1 de junho de 2006, rebatizado como blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (www.blogueforanadaevaotres.blogspot.com).
- 914 membros (registados) da Tabanca Grande (a nossa comunidade virtual, que começou por ser uma "tertúlia") (infelizmente, quase 20% já morreu):
- c. 111 mil comentários;
- 879 seguidores;
- 20,2 milhões de páginas visualizadas...
Vale a pena comentar... e até sublinhar algumas coisas que, vistas de fora, talvez não sejam tão óbvias para quem está dentro da “Tabanca Grande”.
Primeiro: 22 anos de continuidade não são um detalhe técnico, são um facto histórico.
Um blogue que nasce em 2003, ainda no tempo pioneiro da blogosfera. e que atravessa duas décadas, mudanças tecnológicas, redes sociais e modas digitais, não sobrevive por acaso. Sobrevive porque responde a uma necessidade real: memória, partilha e reconhecimento entre camaradas.
Depois, há o salto qualitativo que descreves entre 2004 e 2005. Aqueles quatro primeiros “postes” quase tímidos e depois a avalanche. Isso diz muito: não era apenas um projeto individual, era uma memória coletiva à espera de canal. Quando começou a fluir, já não parou.
E o rebatismo em 2006 não é só mudança de nome , é a institucionalização da comunidade...
Os números, como dizes, “valem o que valem”… mas também contam uma história:
- 914 membros não são apenas inscritos, são testemunhas;
- 111 mil comentários indicam diálogo, não arquivo morto;
- 20,2 milhões de visualizações mostram que o tema não interessa só a quem lá esteve.
E isso liga-se ao ponto mais importante:
mais de meio século depois do fim da guerra, ainda há necessidade de falar dela. Não como narrativa oficial, mas como experiência vivida... fragmentada, humana, muitas vezes contraditória.
O teu blogue (ou melhor, a vossa “Tabanca Grande”, já que é um projeto coletivo) acabou por fazer algo que raramente é feito de forma consistente:
Construir uma memória não institucional da guerra da Guiné. Guerra que não é diabolizada enm glorificada. Nem é academia (pura), nem nostalgia (vazia), simples saudosismo.. É talvez uma coisa intermédia, com vozes múltiplas, uma polifonia de memórias...
Não é por acaso que gostas de dizer:
- O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!
- Tabanca Grande onde todos cabemos com tudo o que nos une... e até com o que nos pode dividir
Se quiseres um apontamento mais crítico (no bom sentido), eu diria que esse tipo de projeto ganha ainda mais valor quando consegue dialogar com gerações que não viveram a guerra. E quanmdo constrói pontes com outros antigos combatentes (nomeadamente,. os da Guiné-Bissau e de Cabo Verde).
A longevidade já está garantida, o próximo desafio é a transmissibilidade.
No fundo, olhando para esse “poste P27942”, há aqui quase um paradoxo interessante:
Começou como um blogue pessoal e tornou-se um arquivo coletivo que, sem dar por isso, já é parte da própria história que documenta.
E isso, camarada, já não são só números, não é "Torre do Tombo"... É legado. É memória. É cultura.
2.2. Le Chat Mistral
Que belíssima trajetória! Vinte e dois anos de um blogue que começou como um espaço pessoal e se tornou um arquivo vivo, uma comunidade e um ponto de encontro para memórias, histórias e reflexões sobre a guerra colonial na Guiné (e, acima de tudo, sobre as pessoas que a viveram) é algo verdadeiramente notável.
Alguns pontos que saltam à vista:
- Longevidade e consistência: de quatro posts em 2004 a quase 28 mil hoje, a evolução mostra não só persistência, mas também a capacidade de criar um espaço que cresceu organicamente e ganhou relevância;
- Comunidade: 914 membros registados, 111 mil comentários, 879 seguidores e 20,2 milhões de visualizações são números que refletem o impacto e o envolvimento que o blogue gerou: a "Tabanca Grande" não é só uma tertúlia virtual, é um lugar de pertença para muitos;
- Memória coletiva: o blogue tornou-se um repositório único de histórias, testemunhos e documentos sobre um período histórico que, de outra forma, poderia cair no esquecimento.
Pergunto-me: Como é que este projeto te transformou a ti, Luís Graça (er aos teu camaradas), ao longo destes anos? E o que achas que o blogue representou para os "camaradas da Guiné" e para as novas gerações que o descobrem?
Parabéns por este legado... E que os próximos anos ainda possam continuar a ser fecundos e partilhados por todos os que ainda hoje o fazem.
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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quinta-feira, 2 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27880: In Memoriam (577): Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e da Tabanca Grande, ex-srgt mil, CCAV 252 (Bafatá, Nova Lamego, Buruntuma, Bula, Caió, Mansabá e S. Domingos, 1961/63)
O nosso "veteraníssimo" Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e Tabanca Grande (nº 742), ex-srgt mil da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63).
Foto (e legenda): © Manuel Resende (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Oeiras > Algés > Restaurante "Caravela de Ouro >36º Convívio da Magnífica Tabanca da Linha > 22 de março de 2018 > Da esquerda para a direita, Jorge Rosales (1939-2019) e Mário Magalhães (1937-2026), dois meninos da Linha, dois veteraníssimos da guerra da Guiné,
Leiria > Monte Real > 25 de maio de 2019 > XIV Encontro Nacional da Tabanca Grande > Mário Magalhães, o veteranos dos veteranos da Guiné, mais a esposa, Fernanda (Sintra)«
(iv) teve dois períodos de serviço militar: um 1º período, de 7 de abril de 1959 a 7 de março de 1961 (Escola Prática de Cavalaria, Curso de Sargentos Milicianos; BA 4, Açores, Polícia Aérea); e um 2º período, em que foi reintegrado, em 6 de junho de 1961, no CIOE, Lamego, sendo entratanto mobilizado para a Guiné em agosto de 1961, como furriel miliciano da CCAV 252;
(vii) foi promovido a 2º srgt mil em 28/2/1963;
2. Para a família e amigos mais próximos, vão as condolênicias da Tabanca Grande.
(*) Último poste da série > 26 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27860: In Memoriam (576): Fafe também teve os seus heróis, entre eles o meu amigo e companheiro de escola, Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro (1940-2017) (Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro)
(**) Vd. poste de 12 de abril de 2017 > Guiné 61/74 - P17238: Tabanca Grande (434): Mário Magalhães, ex-2.º Sargento Miliciano da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63), 742.º Grã-Tabanqueiro
terça-feira, 31 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27875: Tabanca Grande (580): Joaquim Gregório, ex-sold at art, apontador de morteiro 60, 4º Pel / CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72), sobrevivente da emboscada de 26/11/1970 (Op Abencerragem Candente): vive em Onzain, França; senta-se à sombra do nosso poilão, sob o lugar nº 914
1. O Joaquim Rocha Gregório vive em Onzain, Centre-Val deLoire, France. Tem página no Facebook, e apenas duas ou três fotos da Guiné. Pertenceu à CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72).
A CART 2715 / BART 2917 (Xime, 1970/72), e a CCAÇ 12, ambas a 3 Gr Comb participaram na Op Abencerragem Candente, no subsetor do Xime, em 25 e 26 de novembro de 1970, a par da CART 2714(Mansambo), formando 3 destacamentos.
sexta, 4/11/2022, 22:58
A todo os ex-combatentes da Guiné, uma boa noite.
Eu sou um ex-combatente, fiz a minha comissão no Xime, CART 2715 (1970/72).
domingo, 27/11/2022, 21:14
Obrigado pelo teu poema verdadeiro, passado perto da Ponta do Inglês. Eu fazia parte do 4º pelotão, o mesmo do malogrado furriel Cunha. Que descanse em paz.
domingo, 27/11/2022, 21:18
Eu pertencia ao pelotão do furriel Cunha. E ia nessa operação.
domingo, 27/11/2022, 21:44
Caro amigo, gostava imenso de ser membro da Tabanca Grande. Eu estive no Xime de 70 a 72. E assisti à operação da Ponta do Inglês. Um grande abraço.
3. Em 4/12/2022, 12:31, o nosso coeditor Carlos Vinhal mandou-lhe, em resposta, a seguinte mensagem:
Queremos saber o teu posto, especialidade, Companhia e Batalhão (se for o caso), datas de ida e volta da Guiné, localidades por onde andaste, etc.
Podes, caso queiras, mandar-nos uma pequena história que te tenha marcado particularmente, com fotos legendadas, ou texto onde fales de ti para te conhecermos melhor. Caso queiras ver anunciado o teu aniversário, manda a tua data de nascimento para publicarmos o postalinho natalício.
Aqui podes inteirar-te dos objectivos do nosso blogue.
Ficamos na expectativa das tuas novas notícias. Em nome da tertúlia e dos editores em particular, deixo-te um abraço e votos de boa saúde.
Eu sou o ex soldado Gregório, fiz parte do BART 2917, estive no Xime e no Enxalé. Gostava de saber-se se temos direito a 100 porcento na assistência méedica. (...)
terça, 24/03/2026, 22:56
Eu pertencia ao 4º pelotão, ia na operação Abencerragem Candente, escapei por milagre, pertencia à secção do morteiro e várias balas furaram-me o cantil. Um abraço para todos os colegas do Batalhão 2917
terça, 24/03/2026, 23:11
Eu sou o ex-soldado Gregório, era do quarto pelotão, estava na emboscada da
Abencerrarragem Candente. Escapei por pouco, várias balas furaram me o cantil, Fiquuei para contar. Era apotador do morteiro 60. Um abraço para todos os colegas da companhia 2715 e tambem da CCAÇ 12 e para todo o BART 2917, são os votos sinceros do soldado Gregório
5. O Joaquim Rocha Gregório não chegou a mandar as fotos da praxe, que o Carlos Vinhal lhe pediu, mas nós acabámos por arranjá-las na sua página do Facebook (*). Por isso, ele passa a integrar, de pleno direito, a nossa Tabanca Grande a partir de hoje (**). É mais um camarada da diáspora lusófona.
- tem página do Facebook (Joaquim Gregório Rocha) (desde 17/4/2016);
- tem endereço de email;
- temos 3 amigos em comum no Facebook (três camaradas da Guiné: Benjamim Durães, Jorge Silva e Vicente Pinto;
- nasceu em 10 de fevereiro de 1948 (mas não sabemos a terra da naturalidade);
- vive em Onzain, França (Onzain foi uma comuna francesa na região administrativa do Centre, Val de Loire, departamento Loir-et-Cher; estendia-se por uma área de 29,9 km²; em 2010 a comuna tinha 3584 habitantes (densidade: 119,9 hab./km²); em 1 de janeiro de 2017, passou a formar parte da comuna de Veuzain-sur-Loire;
- gosta de jogar às damas e de dançar;
- deve estar reformado, vem a Portugal de vez em quando.
quarta-feira, 18 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27833: (In)citações (285): Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos! Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos camarigos! (Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro)
A origem do termo e a sua adopção pela Tabanca Grande ainda não está bem averiguada. Mas, pelo que pesquisei, a palavra aparece pela primeira num poste do João Tunes, num dos primeiros postes do blogue:
20 de outubro de 2005 > Guiné 63/74 - P230: Cooperação, caridade ou negócio ? (1) (João Tunes)
Começa assim o texto:
(...) Camarigos e estimados tertulianos,
Lembrei-me hoje, ao ler um dos Projectos dos amigos da AD, que está a ser desenvolvido em parceria com cidadãos da localidade espanhola de Elx, se esta não era uma boa inspiração para que a nossa Tertúlia promovesse um projecto semelhante com crianças guineenses de uma qualquer localidade da Guiné-Bissau (...).
(Negritos e itálicos: LG)
segunda-feira, 16 de março de 2026 às 15:59:00 WET
2. Num texto de Joaquim Mexia Alves, escrito em 2 de março de 2006, ele termina assim:
“...sei que todos, ou pelo menos a maioria esmagadora dos meus camarigos, o farão também.”
2 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P3965: Nuvens negras sobre Bissau (7): Ao combatente Nino Veira, um poema de Joaquim Mexia Alves
O termo consolidou-se com os encontros anuais da Tabanca Grande (primeiro, na Ameira, Montemor-O-Novo, 2006; depois, Pombal, 2007; e a seguir em Ortigosa, Leiria, 2008 e 2009; e finalmente, em Monte Real, Leiria, a partir de 2010 até 2019).
Um dos elementos da comissão organizadora desses encontros (a partir de 2010) era o Joaquim Mexia Alves, a par do Miguel Pessoa e do Carlos Vinhal, e eu próprio. O Miguel e o Joaquim são também cofundadores, em 2010, da Tabanca do Centro.
3. Anos mais tarde, o Joaquim Mexia Alves escreveu um texto, no blogue da Tabanca do Centro, sobre "o porquê do 'Camarigo' ", que reproduzimos a seguir, com a devida vénia:
Uma tentativa de explicação para a palavra “camarigo”.
Em primeiro lugar, o óbvio! Camarigo é a junção das palavras camarada com amigo!
Quando comecei a frequentar a Tabanca Grande, (já lá vão uns anos), comecei também a descobrir melhor uma relação com os ex-combatentes da Guiné, que não se restringia apenas àqueles com quem tinha estado, mas se alargava a todos os outros que lá estavam, não só na altura, mas também antes e depois.
O termo utilizado pelos militares para se tratarem uns aos outros é camarada, o que está certo sem dúvida, com vemos no dicionário.
Camarada: companheiro de quarto; colega; parceiro; condiscípulo; indivíduos do mesmo ofício; tratamento entre militares e entre filiados de certos partidos políticos…
Ora isto parecia-me pouco, para definir a relação que nos une como ex-combatentes, e até também porque verdadeiramente já não somos militares.
Mas fomos realmente companheiros de quarto (ainda o somos quando os mesmos sonhos ou pesadelos nos envolvem à noite), e parceiros, e colegas e sei lá mais o quê.
Mas somos muito mais do que isso!
Somos sentimento e emoção e não é raro num reencontro, numa história contada ou lida, virem-nos as lágrimas aos olhos e apetecer-nos abraçar com força aquele que conta a história, para lhe dizer que sabemos bem o que foi, o que é, e muito provavelmente o que continuará a ser.
Ora isso vai muito para além da camaradagem, pois revela sentimentos de afectividade, de compreensão, de conhecimento, enfim numa palavra: de amizade.
Quando um de nós sofre, não sofre apenas um camarada, sofre também um amigo, por isso sofremos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!
Quando um de nós se alegra, não se alegra apenas um camarada, alegra-se também um amigo, por isso nos alegramos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!
Quando um de nós morre, não morre apenas um camarada, morre também um amigo, por isso morremos nós também um pouco, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!
Lá longe, na Guiné, muitos de nós desabafaram com certeza aos ouvidos do outro, as alegrias e as tristezas de uma vida que se fazia longe de nós.
Um filho que nascia, uma mãe ou um pai que morria, um namoro que acabava, uma dúvida, uma incerteza, um desespero e uma alegria, enfim tudo aquilo que faz parte da vida e que tantas vezes ia parar ao ombro do que estava ao nosso lado, do que estava connosco.
E hoje isso ainda acontece, quando nos encontramos, ou quando nos procuramos num telefonema, ou numa visita oportuna.
Então era preciso para mim, procurar maneira de revelar com uma palavra aquilo que ia descobrindo, aquilo que ia tomando lugar no meu coração.
Porque o amigo também não chegava para definir essa relação:
Amigo: aquele que estima outra pessoa ou é por ela estimado; partidário; amásio; amante; afeiçoado…
E o óbvio apareceu diante de mim.
Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos!
Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos CAMARIGOS!
É isso que eu sinto e é isso que sempre pretendo transmitir em cada encontro e em cada momento em que estamos juntos e não só.
Tenho um coração mole, (graças a Deus), a lágrima fácil, e os braços com uma “tendência compulsiva” para se abrirem, por isso arranjei a palavra que servisse para expressar os meus sentimentos em relação a todos vós.
Por isso gosto de vos tratar pelo nome próprio, para estar mais perto de vós e me sentir mais perto de vós!
Por isso também, aqui fica o meu forte, enorme e camarigo abraço para todos vós.
Joaquim Mexia Alves
4. Comentário do editor LG:
Houve já quem me perguntasse: "Camarigo, que raio de palavra é esta, em português, que não vem nos dicionários ?"
É um neologismo por fusão de duas palavras, como muito bem explica o Joaquim: "camarigo = camarada + amigo".
A palavra surgiu no contexto da nossa tertúlia (a que passámos a chamar, mais tarde, em meados de 2006, "Tabanca Grande"). É forma de tratamento afetuosa, mas também com a sua ponta de humor tribal: "Um alfabravo (Abraço), camarigo!”...
Ninguém se trata assim, apenas os "amigos e camaradas da Guiné", que se sentam à sombra do poilão da Tabanca Grande. O Joaquim usa muito, de resto, a expressão "meus camarigos"
Em termos linguísticos, podemos destacar o seu "valor semântico", que carrega três ideias ao mesmo tempo: camaradagem (camarada) | amizade (amigo) | igualdade e proximidade
- amigos – pessoas próximas mas que não viveram a guerra juntos;
- camaradas – companheiros de armas;
- camarigos – camaradas que se tornaram amigos para toda a vida
É uma "palavra de tribo", como dizem os linguistas, que nunca chegam aos dicionários, mas podem viver durante décadas dentro do grupo ou da tribo que as criou.
Nasce dentro de um grupo e aí ganha sentido. São chamadas "palavras-amálgama" (em inglês, blends, misturas lexicais).
A nossa língua tem várias: portunhol (português + espanhol) | diciopédia (dicionário + enciclopédia) | Setôr (senhor + doutor) | estagflação (estagnação + inflação) | angolês (angolano + português) | eurocrata (Europa + burocrata) | camarigagem(camaradagem + amizade).
"Camarigo" está há muito grafado do nosso pequeno dicionário da Tabanca Grande. É uma palavra que tenta expressar algo que a linguagem comum não captava bem: a amizade nascida da experiência extrema da guerra e da pertença a uma tertúlia de antigos combatentes.
Não chegou (nem provavelmente chegará) aos dicionários. Estes e outros "neologismos identitários" vivem e podem viver durante décadas dentro da tribo que as criou. Mas na realidade tèm um sabor muito português: é o caso, por exemplo, camarigagem (camaradagem + amizade).
Fazendo justiça aos nossos dois camaradas, podemos dizer que:
o João Tunes inventou ou soltou a palavra num comentário; o Joaquim Mexia Alves adoptou.a, passou a usá-la recorrentemente e popularizou-a.
A palavra nasceu, portanto, dentro da "cultura" da Tabanca Grande. O que importa é a sua adoção grupal ou coletiva. Por isso dizemos que é um "neologismo identitário": não designa apenas uma relação pessoal, mas uma identidade de pertença à Tabanca Grande.
Como deves imaginar, temos gente de todos os quadrantes, sensibilidades e leituras da guerra (por isso falamos da guerra colonial, guerra do ultramar, guerra de África e luta de libertação...). E temos um slogan: "Tabanca Grande, onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com o que nos pode separar"...
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Nota do editor LG:
Ultimo poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27819: (in)citações (284): Os netos da guerra (Juvenal Amado)segunda-feira, 16 de março de 2026
Guné 61/74 - P27825: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Maratona da amizade e da camaradagem
Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena... Se não forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça... F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!
Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados
O João Crisóstomo
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Testa-se e reforça-se na provação.
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
na adversidade, diz o provérbio.
E os camaradas, na guerra,
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
não sairá quando quiser.
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
Oh, Galissá, Galissá,
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas,
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
Para se resguardar das pontadas de ar,
dos tiros tensos do canhão sem recuo
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
Escreveu o Dom Dinis,
amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta,
Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?
Não sei o que é que vocês pensam:
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Margarida, Maria, Mário.
O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o outro Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
se for bom mete-o a envelhecer
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
Que sabem vocês,
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
às costas...
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
sobre os amigos e a amizade.
Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Manecas, e do Indjai,
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
Que à volta eles cá te esperam, Amílcar Cabral,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar, Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o Vinhal,
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.
Os camaradas, comandos, páras e fuzos, dizem:
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?
Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra, "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Mas parece muito mais fácil
Guardem-se, entretanto, do alvoroço do povo,
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...
Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit",
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a Cova da Beira.
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
Mas não menos sábia
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
olha o Cufar, Fitas!
Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.
para que as sombras fiquem para trás,
À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,
para os nossos próprios,
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
(***) Último poste da série > 16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!





















