Nota do editor
Último post da série de 2 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28315: Convívios (1073): Regressámos - Aviso da Tabanca do Centro que anuncia também o próximo convívio para o dia 25 de Setembro
Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
1. A nossa Marinha tinha LDP, LDM e LDG que faziam este percurso, Bissau - Xime- Bambdinca. Até 1969 iam todas até Bambadiuca, metendo-se pelo rio Geba Estreito acima, a partir do Xime. Com a conmstrução da ponte-cais do Xime, em 1969, as LDG deixaram de subir o rio Gena Estreito (Xaianga).
Eram os famosos "barcos turras" que fariam, até ao fim, a ligação fluvial entre a capital e o interior da Guiné, e nomeadamente na Zona Leste. A viagem de barco tinha dois pontos críticos; a PontaVarela, entre a Foz do Rio Corunal e o Xime e depois o Mato Cão (na margem do rio Geba Estreito, entre Nhabijões e Bambadinca).
Em 1 de julho de 1972, o dispositivo das NT já permitia uma melhor defesa da navegaçáo no rio Geba Estreito, relativamente ao tempo qem que a CCAÇ 12 e outars subunidades, ao serviço batalhão sedfiado em Bambadinca (Sector L1) eram obrigadas a manter segurnaça móvel, sempre que subia ou descia um "barco turra"... O quer era penoso; saíamos do quartel de Bambadinca, atravessávamos a bolanha de Fonte e montávcamos emboscada, a nível de pelotão, nbas imediçóes de Mato Cão.
Em 1 de julho de 1972, já havia um destacamento permanente em Mato Cão (ou Mato de Cão). Nessa data, era guarnecido pelo Pel Caç Nat 54 (anualmenbte, ia rondando: Pel Caç Na 52, em 1973, e Pel Caç Nat 63, em 1974), reforçado com um 1 esquadrão de um pelotão de morteiro (em 1 de julho de 1973, era o Pel Mort 4575/72).
Do outro lado do rio (margem esquerda), já também havia, em 1 de julho de 1972, no destacamento de Nhabijões, uma guarnição constituida por um pelotão (CCS/BART 3873) e uma 1 esquadra do Pel Mort 2268.
No limite, o Mato de Cão podia ser batido pelo obus 10,5 cm do Xime (20º Pel Art). A defesa do rio Geba Estreito, no subsetor de Bambadinca (sector L1, que incluía ainda mais 3 subsetores: Xime, Mansambo e Xitole), era ainda assegurada por Bambadinca (sede de batalhão: CCS/BART 3873 + CCAÇ 12 + Pel Mort 2268 + Pel Rec Daimler 3085)...No total, com os Pel Mil (Finete e Missirá) e Pel Caç Nat (Mato de Cão, Fá Mandinga e Missirá), o subsetor de Bambadinca teria cerca de 550 homens enm armas!...
Guiné > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão > Pel Caç Nat 52 (1973 /74) > Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão.
Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].
Guiné > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Rio Geba > A caminho de Bissau > c. 1968/1969 > O Fur Mil Carlos Marques dos Santos (1943-2019), "viriato" da CART 2339, Mansambo (1968/69), num barco civil ("barco turra"), a caminho de Bissau.
Era um dos típicos barcos civis de transporte de pessoal e de mercadoria, que fazia a ligação Bissau-Bambadinca, e Bambadinca-Bissau, passando pela temível Ponta Varela, na confluência do Rios Geba e Corubal e, a seguir, o assustador Mato Cão, no Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca. Estes barcos (alguns ligados a empresas comerciais, como a Casa Gouveia) tinham, como principal cliente a Intendência militar. Pelo Xime e por Bambadinca passava a alimentação e tudo o mais que era preciso para saciar o "ventre da guerra" da Zona Leste: homens, viaturas, armas, munições, materiais de construção, etc.Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Contuboel > 1969 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 20 de julho de 1969 > "Efeméride: no dia que o homem chegou à Lua, eu descia o rio Geba (Bambadinca-Bissau, com passagem no célebre Mato Cão e depois na não menos temível Ponta Varela, a seguir ao Xime)...

Alfragide > 17 de fevereiro de 2026 > Um Cozido à Portuguesa, by Chef Alice
Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
1. No céu não disto. Não há Cachupa (*), nem rica nem pobre. Não há Cozido à portuguesa. Nem Bacalhau Assado na Brasa. Deve haver outras coisas boas. Ou até bem melhores. A avaliar pela publicidade que lhe fazem, ao céu, há centenas, milhares de anos. (Olimpo para os gregos da antiguidade clássica; Jardim do Éden, para os judeus; Céu, para os cristãos; Jannah, para o Islão; Svarga, no hinduísmo, etc.)
Mas agora que a primavera se arrependeu e voltou o inverno, hoje, sexta feira e se calhar sábado, "até ia um cozidinho à portuguesa", diz o nosso vagomestre de serviço (que passou dois anos na Guiné sem provar nem cheirar a farinheira nem a moira nem o nabo nem o salpicão nem o focinho de porco, e muito menos a couve portuguesa).
Foi com um prato destes que se inaugurou a Tabanca do Centro, no já longínquo dia 27 de janeiro de 2010, em Monte Real. O anfitrião foi o Joaquim Mexia Alves e a cozinheira a Dona Preciosa (foto à esquerda). E teve um nome de código, Operação Cozido à Portuguesa. E realizou-se no restaurante da Pensão Montanha (**).2. Num texto de Joaquim Mexia Alves, escrito em 2 de março de 2006, ele termina assim:
“...sei que todos, ou pelo menos a maioria esmagadora dos meus camarigos, o farão também.”
2 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P3965: Nuvens negras sobre Bissau (7): Ao combatente Nino Veira, um poema de Joaquim Mexia Alves
O termo consolidou-se com os encontros anuais da Tabanca Grande (primeiro, na Ameira, Montemor-O-Novo, 2006; depois, Pombal, 2007; e a seguir em Ortigosa, Leiria, 2008 e 2009; e finalmente, em Monte Real, Leiria, a partir de 2010 até 2019).
Um dos elementos da comissão organizadora desses encontros (a partir de 2010) era o Joaquim Mexia Alves, a par do Miguel Pessoa e do Carlos Vinhal, e eu próprio. O Miguel e o Joaquim são também cofundadores, em 2010, da Tabanca do Centro.
3. Anos mais tarde, o Joaquim Mexia Alves escreveu um texto, no blogue da Tabanca do Centro, sobre "o porquê do 'Camarigo' ", que reproduzimos a seguir, com a devida vénia:
É isso que eu sinto e é isso que sempre pretendo transmitir em cada encontro e em cada momento em que estamos juntos e não só.
Tenho um coração mole, (graças a Deus), a lágrima fácil, e os braços com uma “tendência compulsiva” para se abrirem, por isso arranjei a palavra que servisse para expressar os meus sentimentos em relação a todos vós.
Por isso gosto de vos tratar pelo nome próprio, para estar mais perto de vós e me sentir mais perto de vós!
Por isso também, aqui fica o meu forte, enorme e camarigo abraço para todos vós.
Joaquim Mexia Alves
4. Comentário do editor LG:
Houve já quem me perguntasse: "Camarigo, que raio de palavra é esta, em português, que não vem nos dicionários ?"
É um neologismo por fusão de duas palavras, como muito bem explica o Joaquim: "camarigo = camarada + amigo".
A palavra surgiu no contexto da nossa tertúlia (a que passámos a chamar, mais tarde, em meados de 2006, "Tabanca Grande"). É forma de tratamento afetuosa, mas também com a sua ponta de humor tribal: "Um alfabravo (Abraço), camarigo!”...
Ninguém se trata assim, apenas os "amigos e camaradas da Guiné", que se sentam à sombra do poilão da Tabanca Grande. O Joaquim usa muito, de resto, a expressão "meus camarigos"
Em termos linguísticos, podemos destacar o seu "valor semântico", que carrega três ideias ao mesmo tempo: camaradagem (camarada) | amizade (amigo) | igualdade e proximidade
É uma "palavra de tribo", como dizem os linguistas, que nunca chegam aos dicionários, mas podem viver durante décadas dentro do grupo ou da tribo que as criou.
Nasce dentro de um grupo e aí ganha sentido. São chamadas "palavras-amálgama" (em inglês, blends, misturas lexicais).
A nossa língua tem várias: portunhol (português + espanhol) | diciopédia (dicionário + enciclopédia) | Setôr (senhor + doutor) | estagflação (estagnação + inflação) | angolês (angolano + português) | eurocrata (Europa + burocrata) | camarigagem(camaradagem + amizade).
"Camarigo" está há muito grafado do nosso pequeno dicionário da Tabanca Grande. É uma palavra que tenta expressar algo que a linguagem comum não captava bem: a amizade nascida da experiência extrema da guerra e da pertença a uma tertúlia de antigos combatentes.
Não chegou (nem provavelmente chegará) aos dicionários. Estes e outros "neologismos identitários" vivem e podem viver durante décadas dentro da tribo que as criou. Mas na realidade tèm um sabor muito português: é o caso, por exemplo, camarigagem (camaradagem + amizade).
Fazendo justiça aos nossos dois camaradas, podemos dizer que:
o João Tunes inventou ou soltou a palavra num comentário; o Joaquim Mexia Alves adoptou.a, passou a usá-la recorrentemente e popularizou-a.
A palavra nasceu, portanto, dentro da "cultura" da Tabanca Grande. O que importa é a sua adoção grupal ou coletiva. Por isso dizemos que é um "neologismo identitário": não designa apenas uma relação pessoal, mas uma identidade de pertença à Tabanca Grande.
Como deves imaginar, temos gente de todos os quadrantes, sensibilidades e leituras da guerra (por isso falamos da guerra colonial, guerra do ultramar, guerra de África e luta de libertação...). E temos um slogan: "Tabanca Grande, onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com o que nos pode separar"...
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Nota do editor LG:
Ultimo poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27819: (in)citações (284): Os netos da guerra (Juvenal Amado)