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sexta-feira, 20 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27839: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (51): Recordando o famoso Cozido à Portuguesa, by chef Preciosa, da Tabanca do Centro, que se reuniu pela 1ª vez em 27/01/2010



Alfragide >  17 de fevereiro de 2026 > Um Cozido à Portuguesa, by Chef Alice


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. No céu não disto. Não há Cachupa (*), nem rica nem pobre. Não há Cozido à portuguesa. Nem Bacalhau Assado na Brasa. Deve haver outras coisas boas. Ou até bem melhores. A avaliar pela publicidade que lhe fazem, ao céu, há centenas, milhares de anos. (Olimpo para os gregos da antiguidade clássica;  Jardim do Éden, para os judeus;  Céu, para os cristãos;  Jannah, para o Islão;  Svarga, no hinduísmo, etc.)

Mas agora que a primavera se arrependeu e voltou o inverno, hoje, sexta feira e se calhar sábado, "até ia um cozidinho à portuguesa", diz o nosso vagomestre de serviço (que passou dois anos na Guiné sem provar nem cheirar a farinheira nem a moira nem o nabo nem o salpicão nem o focinho de porco, e muito menos a couve portuguesa).


Foi com um prato destes que se inaugurou a Tabanca do Centro, no já longínquo dia 27 de janeiro de 2010, em Monte Real. O anfitrião foi o Joaquim Mexia Alves e a cozinheira a Dona Preciosa (foto à esquerda). E teve um nome de código, Operação Cozido à Portuguesa. E realizou-se no restaurante da Pensão Montanha (**). 

Foi o primeiro de muitos Cozidos à Portuguesa, hoje lembrados com saudade pelos tabanqueiros do Centro. O último terá sido em 28/10/2016, data em que se realizou o 56º Encontro. No fim desse mês, a Dona Preciosa cessaria a sua atividade., para grande mágoa de todos A Tabanca do Centro teve que encontrar outras alternativas. Mais recentemente passou a reunir-se na Ortigosa. O 110º Encontro, em 27 do corrente mês, vai ser lá.

As imagens que se publicam acima não são desse famoso Cozido de 2010 (que era sempre servido às quartas feiras na Pensão Montanha)... Não seria muito diferente o Cozido by Chef Alice.  (***)

Curiosamente não há fotos do petisco, só dos comensais. O mais "ilustre" dos quais o Joseph Belo, um "tuga" do nosso tempo já há muito "assuecado" (vd,. fotos abaixo).

2. Recordo aqui a mensagem  que o régulo da Tabanca do Centro escreveu então ao nosso camarigo José Belo, o nosso grão-tabanqueiro que, na altura era vizinho, do Pai Natal, bem dentro do Círculo Polar Ártico. Esses versos ficaram famosos, merecem ser aqui reproduzidos, são um hino ao Cozido à Portuguesa e à nossa camarigagem.


Tabanca do Centro > quinta feira, 14 de janeiro de 20010 >


Nada de confusões
Nessas cabeças já gastas,
Tão cheias de incerteza,
É que o amor da Suécia
É p’lo Cozido à Portuguesa.

Diz-me o nosso camarigo,
José Belo de seu nome,
Que virá de avião, de skate, ou a pé,
Apenas para comer
O afamado cozido,
Com a malta da Guiné.

É que não sabem vocês
Que por causa de um vento estranho
Que sopra no Litoral e na Beira,
Chegou até á Lapónia
O cheiro da farinheira.

Não contente com isso, 
Este ventinho maldoso
Levou também consigo
Um cheirinho a chouriço.

Coitado do José Belo, 
A tiritar do frio imenso!
Quando olha para as renas, vê vacas,
E todo o verde são couves,
Cozidas mesmo a preceito.

E o vento que nunca cessa
De lhe levar o cheiro intenso!
É uma dor de alma,
Um tormento,
Não devia ser permitido,
Que odor tão salivante
Fosse nas asas do vento.

Prometo solenemente
Que te guardo a melhor parte,
Fica com esta certeza.
Não só eu,
Mas toda a gente,
Te servirão alegremente
O “Cozido à Portuguesa”.


Monte Real, 14 de Janeiro de 2010

A 13 dias do Cozido à Portuguesa!!!

Joaquim Mexia Alves

(Revisão / fixação de texto: LG)


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Da direita para a esquerda, o Joaquim Mexia Alves, o José Belo e o José Teixeira (régulo da Tabanca de Matosinhos)


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Juntou 40 "tugas" da Guiné... O mais "exótico" veio da Lapónia sueca, o José Belo, aqui na foto à esquerda, tendo a seu lado o Joaquim Mexia Alves. De pé, ao centro, o Silvério Lobo. 



Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 27 de janeiro de 2010 > 1º Encontro Nacional da Tabanca do Centro > Op Cozido à Portuguesa > Quatro "tugas" que combateram no sul da Guiné: da esquerda para a direita, Zé Teixeira, Zé Belo, Vasco Ferreira e Manuel Reis.


Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 26 de fevereiro de 2010 > 2º Encontro Nacional da Tabanca do Centro >  José Belo, Luís Graça, e em segundo plano o saudoso JERO.



Leiria > Monte Real > Restaurante Montanha > 26 de fevereiro de 2010 > 2º Encontro Nacional da Tabanca do Centro >  Em primeiro plano, Joaquim Mexia Alves e Teresa, a esposa do Carlos Marques Santos (1943-2019), infelizmente já falecido; em segundo plano, José Belo, Idálio Reis,Luís Graça e Joáo Barge (1945-2010) (morreria nesse ano em princíos de dezembro, ainda foi ao V Encontro Nacional da Tabanca Grande, em Monte Real, em 26 de junho desse ano). 

No almoço do 2º Encontro, já não foi servido Cozido, mas sim Bacalhau Assado na Brasa com Migas e Batatas a Murro. Presentes 29 tabanqueiros (6 dos quais já falecidos): Alice e Luís Graça | Álvaro Basto e Rolando Basto (pai) (já falecido) | Agostinho Gaspar | Antonieta e Belarmino Sardinha | Artur Soares | Dulce e Luís Rainha | Gil Moutinho | Giselda e Miguel Pessoa | Hélder Sousa | Idálio Reis | Isabel e Alexandre Coutinho e Lima (1935-2022)  | João Barge (1945-2010) |   Joaquim Mexia Alves | José Eduardo Oliveira (JERO ) (1940-2021)  | José Belo | Jorge Narciso | Juvenal Amado | Manuel Reis | Teresa e Carlos Marques  Santos (1943-2019) | Silvério Lobo | Vasco da Gama | Victor Barata (1951-2021)
 

Créditos fotográficos: Tabanca do Centro (2010). Ediçãpo e legendagem : LG


3. Que fique,  para a história,  a "lista do 40 magníficos que estiveram presentes no 1º Encontro da Tabanca do Centro", a maior parte  membros da Tabanca Grande, 4 deles, infelizmente, já falecidos (a negrito, os seus nomes)

Álvaro Basto |  Ana Maria e António Pimentel | António Martins Matos | António Graça de Abreu | Agostinho Gaspar | Américo Pratas | Artur Soares | Antonieta e Belarmino Sardinha | Carlos Neves | Daniel Vieira | Dulce e Luís Rainha | Eduardo Campos | Eduardo Magalhães Ribeiro | Gina e Fernando Marques | Giselda e Miguel Pessoa | Gustavo Santos | Joaquim Mexia Alves | Jorge Canhão | Maria Helena e José Eduardo Oliveira (Jereo)  | José Belo | José Brás | José Casimiro Carvalho | José Diniz | José Moreira | José Teixeira | Juvenal Amado | Manuel Reis | Silvério Lobo | Teresa e Carlos Marques Santos | Torcato Mendonça | Vasco da Gama | Vasco Ferreira | Victor Caseiro.

A refeição custou a astronómica quantia de 8,5 euros. Nunca  o Zé Belo, que veio expressamente da Suécia, pagou uma refeição tão cara. Os elogios à iniciativa e ao Cozido da Dona Preciosa foram unânimes, do general ao soldado. O vagomestre ficou babado. A chef Preciosa conquistou um exército de clientes.

(***) Último poste da série > 15 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27823: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (50): Não há sável ? Come-se lúcio...

quarta-feira, 18 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27833: (In)citações (285): Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos! Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos camarigos! (Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro)



A "camarigagem" da Tabanca do Centro: vai-se reunir, pela 110ª vez, no próximo dia 27 de março.


1. O termo "camarigo" está associado ao nosso Joaquim Mexia Alves, régulo da Tabanca do Centro. É tratado por "camarigo" e gosta de tratar a malta, o pessoal da Tabanca Grande e os da Tabanca do Centro por "camarigos" (contração das palavras "camarada" e "amigo"). 

A origem do termo e a sua adopção pela Tabanca Grande ainda não está bem averiguada. Mas, pelo que pesquisei, a palavra aparece pela primeira num poste do João Tunes, num dos primeiros postes do blogue:

20 de outubro de 2005 > Guiné 63/74 - P230: Cooperação, caridade ou negócio ? (1) (João Tunes)

Começa assim o texto:

(...) Camarigos e estimados tertulianos,

Lembrei-me hoje, ao ler um dos Projectos dos amigos da AD, que está a ser desenvolvido em parceria com cidadãos da localidade espanhola de Elx, se esta não era uma boa inspiração para que a nossa Tertúlia promovesse um projecto semelhante com crianças guineenses de uma qualquer localidade da Guiné-Bissau (...).


(Negritos e itálicos: LG)

segunda-feira, 16 de março de 2026 às 15:59:00 WET 

2. Num texto de Joaquim Mexia Alves, escrito em 2 de março de 2006, ele termina assim:

“...sei que todos, ou pelo menos a maioria esmagadora dos meus camarigos, o farão também.”

2 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P3965: Nuvens negras sobre Bissau (7): Ao combatente Nino Veira, um poema de Joaquim Mexia Alves

 O termo consolidou-se com os encontros anuais da Tabanca Grande (primeiro, na Ameira, Montemor-O-Novo, 2006; depois, Pombal, 2007; e a seguir em Ortigosa, Leiria, 2008 e 2009; e finalmente,  em Monte Real, Leiria, a partir de 2010 até 2019). 

Um dos elementos da comissão organizadora desses encontros (a partir de 2010) era o Joaquim Mexia Alves, a par do Miguel Pessoa e do Carlos Vinhal, e eu próprio. O Miguel e o Joaquim são também cofundadores, em 2010, da Tabanca do Centro.

 3. Anos mais tarde, o Joaquim Mexia Alves escreveu um texto, no blogue da Tabanca do Centro, sobre "o porquê do 'Camarigo' ", que reproduzimos a seguir, com a devida vénia:


Tabanca do Centro > domingo, 14 de julho de 2013 > P352: O Porquê do "Camarigo"

por Joaquim Mexia Alves 

Uma tentativa de explicação para a palavra “camarigo”.

Em primeiro lugar,  o óbvio! Camarigo é a junção das palavras camarada com amigo!

Quando comecei a frequentar a Tabanca Grande, (já lá vão uns anos), comecei também a descobrir melhor uma relação com os ex-combatentes da Guiné, que não se restringia apenas àqueles com quem tinha estado, mas se alargava a todos os outros que lá estavam, não só na altura, mas também antes e depois.

O termo utilizado pelos militares para se tratarem uns aos outros é camarada, o que está certo sem dúvida, com vemos no dicionário.

Camarada: companheiro de quarto; colega; parceiro; condiscípulo; indivíduos do mesmo ofício; tratamento entre militares e entre filiados de certos partidos políticos…

Ora isto parecia-me pouco, para definir a relação que nos une como ex-combatentes, e até também porque verdadeiramente já não somos militares.

Mas fomos realmente companheiros de quarto (ainda o somos quando os mesmos sonhos ou pesadelos nos envolvem à noite), e parceiros, e colegas e sei lá mais o quê.

Mas somos muito mais do que isso!

Somos sentimento e emoção e não é raro num reencontro, numa história contada ou lida, virem-nos as lágrimas aos olhos e apetecer-nos abraçar com força aquele que conta a história, para lhe dizer que sabemos bem o que foi, o que é, e muito provavelmente o que continuará a ser.

Ora isso vai muito para além da camaradagem, pois revela sentimentos de afectividade, de compreensão, de conhecimento, enfim numa palavra: de amizade.

Quando um de nós sofre, não sofre apenas um camarada, sofre também um amigo, por isso sofremos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Quando um de nós se alegra, não se alegra apenas um camarada, alegra-se também um amigo, por isso nos alegramos todos com ele, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Quando um de nós morre, não morre apenas um camarada, morre também um amigo, por isso morremos nós também um pouco, mesmo que não o conheçamos pessoalmente!

Lá longe, na Guiné, muitos de nós desabafaram com certeza aos ouvidos do outro, as alegrias e as tristezas de uma vida que se fazia longe de nós.

Um filho que nascia, uma mãe ou um pai que morria, um namoro que acabava, uma dúvida, uma incerteza, um desespero e uma alegria, enfim tudo aquilo que faz parte da vida e que tantas vezes ia parar ao ombro do que estava ao nosso lado, do que estava connosco.

E hoje isso ainda acontece, quando nos encontramos, ou quando nos procuramos num telefonema, ou numa visita oportuna.

Então era preciso para mim, procurar maneira de revelar com uma palavra aquilo que ia descobrindo, aquilo que ia tomando lugar no meu coração.

Porque o amigo também não chegava para definir essa relação:

Amigo: aquele que estima outra pessoa ou é por ela estimado; partidário; amásio; amante; afeiçoado…

E o óbvio apareceu diante de mim.

Somos camaradas, mas somos mais do que isso, somos amigos!

Somos assim camaradas e amigos, ou seja, somos CAMARIGOS!

É isso que eu sinto e é isso que sempre pretendo transmitir em cada encontro e em cada momento em que estamos juntos e não só.

Tenho um coração mole, (graças a Deus), a lágrima fácil, e os braços com uma “tendência compulsiva” para se abrirem, por isso arranjei a palavra que servisse para expressar os meus sentimentos em relação a todos vós.

Por isso gosto de vos tratar pelo nome próprio, para estar mais perto de vós e me sentir mais perto de vós!

Por isso também, aqui fica o meu forte, enorme e camarigo abraço para todos vós.

Joaquim Mexia Alves

4. Comentário do editor LG:

Houve já quem me perguntasse: "Camarigo, que raio de palavra é esta, em português, que não vem nos dicionários ?"

É um neologismo por fusão de duas palavras, como muito bem explica o Joaquim:  "camarigo = camarada + amigo". 

A palavra surgiu no contexto da nossa tertúlia (a que passámos a chamar, mais tarde, em meados de 2006, "Tabanca Grande"). É forma de tratamento afetuosa, mas também com a sua ponta de humor tribal:  "Um alfabravo (Abraço), camarigo!”... 

Ninguém se trata assim, apenas os "amigos e camaradas da Guiné", que se sentam à sombra do poilão da Tabanca Grande. O Joaquim usa muito, de resto, a expressão "meus camarigos"

Em termos linguísticos, podemos destacar o seu  "valor semântico", que carrega três ideias ao mesmo tempo:  camaradagem  (camarada) | amizade (amigo) | igualdade e proximidade

  • amigos – pessoas próximas mas que não viveram a guerra juntos;
  • camaradas – companheiros de armas;
  • camarigos – camaradas que se tornaram amigos para toda a vida

É uma "palavra de tribo", como dizem os linguistas, que  nunca chegam aos dicionários, mas podem viver durante décadas dentro do grupo ou da tribo que as criou. 

Nasce dentro de um grupo e aí ganha sentido. São chamadas "palavras-amálgama" (em inglês, blends, misturas lexicais). 

A nossa língua tem várias: portunhol (português + espanhol) | diciopédia (dicionário + enciclopédia) | Setôr (senhor + doutor) | estagflação (estagnação + inflação) | angolês (angolano + português) | eurocrata (Europa + burocrata) | camarigagem(camaradagem + amizade).

"Camarigo" está há m
uito grafado do nosso pequeno dicionário da Tabanca Grande.  É uma palavra que tenta expressar algo que a linguagem comum não captava bem: a amizade nascida da experiência extrema da guerra e da pertença a uma tertúlia de antigos combatentes.

 Não chegou (nem provavelmente chegará)  aos dicionários. Estes e outros "neologismos identitários"  vivem e podem viver durante décadas dentro da tribo que as criou. Mas na  realidade tèm um sabor muito português: é o caso, por exemplo,  camarigagem (camaradagem + amizade).

Fazendo justiça aos nossos dois camaradas, podemos dizer que:

o João Tunes inventou ou soltou a palavra num comentário; o Joaquim Mexia Alves adoptou.a, passou a usá-la recorrentemente e popularizou-a.
 
 A palavra nasceu, portanto,  dentro da "cultura" da Tabanca Grande. O que importa é a sua adoção grupal ou coletiva. Por isso dizemos que é um "neologismo identitário": não designa apenas uma relação pessoal, mas uma identidade de pertença à Tabanca Grande.
 
 Como deves imaginar, temos gente de todos os quadrantes, sensibilidades e leituras da guerra (por isso falamos da guerra colonial, guerra do ultramar, guerra de África e luta de libertação...). E temos um slogan: "Tabanca Grande, onde todos cabemos com tudo o que nos une e até com o que nos pode separar"...

_________________

Nota do editor LG:

Ultimo poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27819: (in)citações (284): Os netos da guerra (Juvenal Amado)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27683: Convívios (1047): Devido ao temporal que assolou a região Centro, foi cancelado o 110.º almoço-convívio e comemoração do 16.º aniversário da Tabanca do Centro, sexta feira, dia 30 de Janeiro de 2026, na Quinta do Paul, Ortigosa, Monte Real, Leiria



1. Como era, infelizmente, expectável, devido aos efeitos do temporal que afetou muito em especial e tragicamente a zona centro do País, foi cancelado o 110º encontro da Tabanca do Centro, previsto para amanhã, sexta feira, dia 30 de janeiro. (*) 

A informação é do blogue da Tabanca do Centro, mantido pelo Miguel Pessoa e pelo Joaquim Mexia Alves.

Para além de não haver luz, água, comunicações e outras condições básicas de segurança, as instalações do Atrium Buffet do restaurante (Quinta do Paul, Ortigosa, Monte Real, Leiria) estarão encerradas até domingo, 1 de fevereiro.

O nosso camarada e régulo da Tabanca do Centro, Joaquim Mexia Alvez, que mora na Marinha Grande, está incontactável. Oportunamente ele decidirá a nova data (e local) para comemorar, com segurança e novo alento, os 16 anos da Tabanca Grande, fundada a 27 de janeiro de 2010. Estavam inscritos cerca de meia centena de convivas.

Na badana do lado esquerdo do nosso blogue já tínhamos deixado um mensagem de pesar e  de solidariedade aos camaradas da Tabanca Grande, vítimas de maneira direta ou indireta dos efeitos da tempestade Kristin:

(...) Não é "habitual" falarmos da atualidade do país (e do mundo)... O nosso horizonte temporal acaba no fim da guerra, no 25 de Abril, na descolonização...

Mas às vezes não podemos deixar de o fazer, violando as nossas próprias regras... Hoje, quando publiquei, às 14:28, o poste sobre o ciclone de 15 de fevereiro de 1941 (**), ainda não tinha noção exata da tragédia que se abateu esta noite sobre Leiria, a cidade e o seu distrito...Tenho/temos lá amigos e camaradas. Estão sem água, sem eletricidade, sem comunicações... Espero que o país saiba estar à altura da sua nobre tradição e e do sagrado dever de solidariedade para com as vítimas, neste caso, da tempestade Kristin...

Espero que os nossos camaradas da Tabanca do Centro estejam bem de saúde e ainda possam, na próxima 6ª feira, dia 30, realizar o seu previsto almoço-convívio, de celebração do seu 16º aniversário.

Força, Tabanca do Centro!...  Força, Joaquim Mexia Alves e Miguel Pessoa! (...)

Resta-nos  aguardar boas novas do Joaquim Mexia Alves. O mais importante neste momento é saber que os nossos amigos e camaradas da zona Centro, estão bem e de saúde.
___________________
 
Notas do editor LG:


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27653: Blogoterapia (315): A Saudade (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)

Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais
CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; CMDT do Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73:

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, com data de 19 de Janeiro de 2026:


A SAUDADE

A saudade é coisa boa, mas que ao mesmo tempo faz doer o coração.

 Acho que só nós Portugueses sabemos bem o que é a saudade.

Claro que outros povos sentem talvez a mesma coisa, só não conseguiram foi dar-lhe um nome onde tudo coubesse, como a nossa saudade.

Na nossa saudade cabe tudo.

Cabe o sentimento de ausência, a força do amor, a ternura do momento, o carinho experimentado, a alegria do conhecimento, a intimidade da amizade, a força da entrega, a presença invisível, a lágrima que é chorada, o sorriso do reencontro, a delicadeza da memória, a tristeza do não estar, o silêncio da recordação, a vida que foi vivida, a partida, a chegada, o abraço interminável, o não saber, o existir, o viver, o tudo e o nada, o ter presente quem está ausente.

Realmente a saudade é um sentimento muito Português, porque só os Portugueses partem e chegam sem nunca saírem de Portugal.

Marinha Grande, 19 de Janeiro de 2026
Joaquim Mexia Alves


********************

Comentário do editor CV:

Esperando não estar a invadir a privacidade do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, deixo aqui a nota de que faleceu hoje o seu mano António, antigo combatente em Angola.
Há pouco mais de um mês tinha falecido o seu mano mais velho, João, Oficial Piloto Aviador na década de 50 do século passado.

Nesta hora de provação, deixo ao Joaquim, em nome da tertúlia, um abraço solidário e as nossas condolências, que ele fará o favor de fazer chegar a toda a família.

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Nota do editor

Último post da série de 30 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25793: Blogoterapia (314): Conversas improváveis sobre a guerra (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)

domingo, 18 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27646: Convívios (1046): 110.º almoço-convívio e comemoração 16.º aniversário da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 30 de Janeiro de 2026



LEMBRANDO OS PRIMÓRDIOS

        16.º ANIVERSÁRIO DA TABANCA DO CENTRO

Caros Camarigos

O 110.º Encontro da Tabanca do Centro, a realizar em 30 de Janeiro, é também a comemoração do 16.º aniversário dos nossos encontros, pois o primeiro teve lugar no dia 27 de Janeiro de 2010.

Assim sendo esperamos que todos se disponibilizem para estarmos juntos nesse dia, comemorando este aniversário.

Imagens do 1.º Encontro da Tabanca do Centro, 27JAN2010

O tempo vai passando e os anos vão aumentando a passos largos, por isso, mais do que nunca, devemos juntar-nos para fazermos festa recordando o que passámos, o que vivemos e, sobretudo, aqueles que connosco estiveram e já nos deixaram, guardando-os assim nas nossa memórias e nos nossos corações.

Sabemos bem que só nós Combatentes conseguimos perceber as nossas histórias, os nossos medos, as nossas bravatas, enfim, tudo aquilo que vivemos e ainda de quando em vez se trona presente em noites mal dormidas.

Cá vos esperamos pois, no dia 30 de Janeiro, para fazermos a festa juntos.

Abraços dos
Miguel Pessoa e Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27610: Convívios (1045): 63º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, quarta feira, dia 14 de janeiro de 2026, 16º aniversário do Grupo... Bom ano e força nas canetas para os Magníficos (Manuel Resende)

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27538: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (7): Conto de Natal 2025 (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)

1. Mensagem natalícia do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves (ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73) com data de 15 de Dezembro de 2025, contendo um conto de Natal:


CONTO DE NATAL 2025

Que porcaria de vida, pensou ele com os seus botões.
Afinal era tão bom a dar conselhos e não os conseguia aplicar na sua vida.

Tinha tentado controlar tudo tanto e tão bem, que acabou por fazer o vazio à sua volta e nada mais lhe restava a não ser um pouco do seu orgulho e teimosia em viver assim.

Nada lhe faltava financeiramente e até tinha muitos amigos.
Quando pensou nos amigos sorriu interiormente porque tinha bem a noção de que os amigos que tinha, nada tinham a ver consigo, pois eram fruto apenas da vida dispersa que levava e, verdadeiramente, se precisasse deles nenhum apareceria.

Nem a família lhe restava, porque ao tentar controlar tudo e todos, a mulher e os filhos tinham acabado por se afastar de si.

Afinal tinha tudo e… não tinha nada.

Era dia vinte e quatro de Dezembro, e a véspera de Natal fazia-o sentir-se ainda mais sozinho e desamparado.
Longe iam os tempos em que em família celebravam o Natal com paz e alegria, mas agora tudo isso era apenas recordação.

Já que assim é, pensou ele, vou jantar a um bom restaurante, comer e beber do bom e do melhor e depois… depois volto para casa sozinho, claro.

Telefonou para o restaurante a marcar mesa para jantar e ficou um pouco incomodado quando lhe perguntaram se a mesa era só para uma pessoa, mas não pensou mais nisso.
Vestiu-se a preceito e saiu para o frio da rua, rumo ao restaurante.

Entrou no restaurante e indicaram-lhe a sua mesa.
Sentou-se e reparou que na mesa ao lado estava outro homem sozinho também.
Apetecia-lhe muito meter conversa com ele, mas não encontrava motivo para tal.

A certa altura um papel qualquer caiu da mesa do seu “vizinho” e ele aproveitou para chamar a atenção do outro para isso. O “vizinho” agradeceu e isso deu azo a conversarem um pouco sobre várias coisas, até à constatação de que afinal estavam os dois sozinhos na noite de Natal.

Convidou o outro para a sua mesa e ele de pronto aceitou.
A conversa foi fluindo e o seu colega de mesa disse-lhe que estava sozinho na vida, sem família, e inevitavelmente acabaram por falar do Natal, referindo o outro, no entanto, que estava com uma certa pressa pois queria ir à Missa do Galo, que era uma tradição sua desde menino a que não queria faltar.
Ele respondeu de imediato que dantes também ia sempre a essa Missa e então o outro convidou-o para irem juntos nessa noite.

Sem perceber muito bem porquê acedeu ao convite, e depois de jantarem saíram para a rua em direção a uma igreja que ficava ali perto.

Entraram e deixaram-se ficar pelos bancos logo à entrada da igreja.
Vários sentimentos tomaram conta dele à medida que a Missa avançava, e deu por ele a pensar que se sentia ali muito bem e com umas saudades imensas da sua família.
Fez um esforço para reter as lágrimas e deixou-se envolver por aquele momento.

De tal modo estava enlevado pelo momento que não se apercebeu que a Missa tinha acabado e o seu novo amigo olhava para ele à espera de uma qualquer resposta da sua parte.

Sentiu então uma mão no seu ombro e ao voltar-se para ver quem era, deu com a cara da sua mulher que, acompanhada dos seus filhos, saíam da Missa naquele momento.
Os filhos abraçaram-no com força e ele, desta vez, não conseguiu reter as lágrimas que lhe correram pela cara abaixo.

A sua mulher perguntou-lhe então se estava sozinho e, perante a sua resposta afirmativa, disse-lhe que ela e os seus filhos gostariam muito que ele fosse lá a casa cear nesse dia.
Surpreendido disse logo que sim, mas referiu que tinha aquele recente amigo que também estava que estava sozinho naquela noite.
Claro que o convite de imediato se estendeu ao amigo recente, que de pronto aceitou, sem se fazer rogado.

Já em casa, sentados à mesa, antes de começar a ceia a sua mulher pediu-lhe para ele fazer uma pequena oração.

Envergonhado e tímido disse então: Obrigado, Jesus, que hoje me trouxeste para o presépio da minha família e me deste mais um amigo, rompendo assim a minha solidão.

Numa certa gruta em Belém, dois mil anos antes, que agora se faziam presente, Jesus, Maria e José sorriam felizes com o Natal daquela família.

Marinha Grande, 24 de Novembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 16 de Dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27534: Prova de vida e votos de boas festas 2025/26 (6): José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enf da CCAÇ 2381 e António Ramalho, ex-Fur Mil Cav da CCAV 2639

sábado, 8 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27402: (in)citações (280): A mata (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Inf)

Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Inf
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Fevereiro de 1966 > Vista aérea de Bambadinca, tirada do lado do Rio Geba e da estrada Bafatá-Bambadinca

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves (ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73) com data de 7 de Novembro de 2025:


A MATA

Caminhas, sentindo a pele molhada, quase pegajosa, por causa daquela constante humidade, por causa daquele calor sufocante.

Dentro de ti há um misto de medo e de determinação, que vai obrigando o coração a bater mais depressa, praticamente compassado com cada passo que dás.
A mata envolve-te, árvores altas, arbustos baixos, coisas que deveria ser lindo ver, não fossem as circunstâncias em que estás envolvido.

Olhas para trás e vês os teus homens que te seguem, uns com um semblante apreensivo, outros com uma calma aparente.
Querias poder transmitir-lhes paz e serenidade, mas sabes que também tu não estás tão calmo e sereno como aparentas estar.

À tua frente apenas o guia, um guineense, filho da terra, em quem confias para te guiar mata adentro.

Por um breve momento voltas a casa dos teus pais, à tua vida anterior que agora parece tão longe, e um tímido sorriso chega à tua boca, e deixas-te levar pela saudade.
Abanas a cabeça para sair desse torpor, pois sabes bem que ali, naquela mata, a distração pode ser fatal.

Queres olhar para além da vegetação que ladeia o trilho em que caminhas, mas se há espaços em que consegues ver mais longe, a maior parte do tempo apenas caminhas quase sem ter a noção certa do que te rodeia.
Levantas a cabeça, enches o peito, endireitas-te porque, caramba, és tu que tens que dar o exemplo, é a ti que os homens devem seguir com confiança e esperança.

Cada um deles, ao longo destes meses já passados, tornou-se num amigo teu e preocupa-te mais o seu bem estar naqueles tempos difíceis, que o teu próprio bem estar.

Sentes que deves a cada um deles a promessa a cumprir de os fazer regressar a todos ao aquartelamento primeiro, e depois, quando for tempo disso, regressar à casa que deixaram lá longe, ou até mais perto.

Vais ouvindo os barulhos da mata, o vento nas árvores, os animais que “falam” uns com os outros, os cheiros que já vais conhecendo bem, e continuas avançando como que a dizer que aquela mata agora é tua e de mais ninguém.

De repente percebes que um silêncio profundo se instalou.
Não se ouve nada, nem vento, nem animais, parece que até os cheiros deixaram de cheirar.

Numa fracção de segundo tomas consciência de que algo está errado, e gritas para os teus homens se prepararem para aquilo que vai acontecer.

Os cheiros regressam, mas são cheiros de pólvora.
Os animais já não “falam”, mas ouvem-se os gritos dos homens e a “voz” das armas.

Num instante, que parece uma eternidade, tudo termina.

Olhas apreensivo para todos e todos te devolvem o olhar, alguns com o medo espelhado nos olhos, outros com um olhar de alívio imenso.

Olhas para o céu, por entre as árvores, e tu, que nem costumas rezar, pensas apenas: Obrigado, meu Deus!

Marinha Grande, 7 de Novembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 23 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27245: (in)citações (279): Por favor, cuidem-se (Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto)

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27199: (in)citações (278): Dos nossos “males” sabemos, pelo visto. E dos “males” dos outros? (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Operações Especiais)

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves (ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73) com data de hoje, 9 de Setembro de 2025:


Dos nossos “males” sabemos, pelo visto. E dos “males” dos outros?

Vejo e leio muitas vezes aqui na Tabanca Grande textos sobre os “os males” provocados pelas Forças Armadas Portuguesas na Guiné, e não só, (como recentemente o uso do napalm), mas raramente, ou nunca, se encontram por aqui textos relatando “os males” que o PAIGC, e não só, provocou nos militares portugueses e nas populações durante a guerra, porque sobre o acontecido depois do 25 de Abril até há alguns textos sobre o que então se passou.

Escreve-se sobre coisas que uma grande parte das vezes apenas se ouviu falar, histórias contadas e que terão sido praticadas pelos militares portugueses, mas sobre coisas semelhantes praticadas pelos militares do PAIGC, pouco ou nada se diz.

Eu, por exemplo, ouvi contar várias histórias que terão acontecido durante e depois de emboscadas feitas pelo PAIGC, mormente no conhecido “carreiro da morte”, mas, porque de tal não sou testemunha presencial e são histórias muitas vezes repetidas, evito falar ou escrever sobre as mesmas.

Mas com tanta gente que aqui vem todos os dias, não haverá ninguém que escreva e dê testemunho sobre isso?

Calculo que não seja politicamente correcto, como hoje em dia se diz, mas se este espaço se quer considerar um repositório mais ou menos fiel dos acontecimentos da guerra na Guiné, não deveria também ter essas histórias do “outro lado” aqui contadas?

É uma espécie de desafio que aqui deixo, para que a verdade não exista só para um dos lados, mas para ambos, pois a paz só se constrói verdadeiramente na verdade.

Marinha Grande, 9 de Setembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 4 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27091: (in)citações (277): O cérebro também pode apodrecer (Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27042: (in)citações (276): Os sinais de Deus (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)


1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves (ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73) com data de 20 de Julho de 2025:


OS SINAIS DE DEUS

Era para ser uma consulta normal de oftalmologia.
Na quarta feira a caminho de Lisboa, pareceu-me sentir algo diferente na minha vista direita mas não dei importância por já ter alguns problemazitos anteriores que eram, aliás, motivo da consulta.
Na consulta a médica, muito simpática e competente, (amiga do meu filho mais velho e da minha nora), mandou-me ler com a vista direita as habituais letras do quadro e foi então que percebi que não via nada daquela vista, estava tudo negro, excepto uma pequena nesga do lado direito que ainda tinha imagem.
O susto foi enorme e feitos os exames competentes logo se chegou ao diagnóstico de um grave descolamento da retina que necessitava de intervenção cirúrgica urgente.
A competência e dedicação da médica foram inexcedíveis e conseguiu que uma sua colega arranjasse tempo para me operar no fim da manhã seguinte.

Assim aconteceu e, para encurtar razões, já me encontro em casa, em repouso prolongado para garantir o bom êxito da operação.
Como em tudo o que me acontece hoje em dia tento sempre ver a presença de Deus e o que Ele me quer dizer no que me vai acontecendo.
Assim escrevo este texto que vai ser o último destes próximos dias.

Os sinais de Deus
A mão de Deus


Esta consulta já tinha sido adiada por mim.
Se fosse quando estava marcada inicialmente o problema não teria sido detectado.
A mão de Deus guiou-me para o tempo certo e as circunstâncias certas.
Nas coisas de Deus não há coincidências, há “deuscidências”.

Sinal de Deus

A constatação de que nada via da vista direita, como se fosse uma cortina preta, excepto a pequena nesga do lado direito, levou-me a reflectir que muitas vezes nós colocamos essas “cortinas” na nossa relação com Deus e apenas O queremos ver em pequenas partes das nossas vidas.
Também precisamos de uma “operação espiritual” que remova essas “cortinas” da nossa visão de Deus.

A presença de Deus

Depois do enorme susto de perceber a perda da visão naquela vista, sobreveio uma grande serenidade, aceitação e entrega à vontade de Deus.
Entreguei tudo por aqueles que podendo ver Deus querem continuar cegos à Sua presença nas suas vidas.
Nas horas que fui passando nos cadeirões e macas, fui invocando o Espírito Santo e servindo-me dos dedos das mãos para ir contando as contas do Rosário, sentindo assim bem viva a Sua presença com Maria nossa Mãe junto de mim.

O amor de Deus

As médicas, as enfermeiras, auxiliares, administrativos daquele Hospital dos Lusíadas, foram de uma simpatia e dedicação a toda a prova, (e reparei que não era só comigo), e isso foi para mim o amor de Deus a rodear-me.
A minha comunidade paroquial da Marinha Grande com os seus grupos a que pertenço com enormes amizades, as minhas amigas e amigos do Renovamento Carismático Católico, no CHARIS, Pneuma, Comunidade Emanuel também do Alpha com as suas orações, foram também, sem dúvida, sinal visível do amor de Deus para mim.
O meu “velho” grupo de amigos de Lisboa com o Grupo de Forcados de Montemor e não só, já desde a juventude, com a sua amizade e solidariedade, foram uma expressão muito sentida deste amor de Deus que une os amigos. Um deles até escreveu logo que esperava um texto sobre o “acontecimento”!
Os meus filhos, nora e genro, a minha mulher, a minha irmã e irmãos, a minha família e ligados a ela, com o seu carinho e ternura foram e são sempre a parte mais visível e próxima do amor de Deus na minha vida.

A todos, muito, muito obrigado.
Guardo-vos nas minhas orações
Deus vos abençoe, proteja e guarde sempre.
Realmente o amor de Deus não tem largura nem comprimento, é incomensurável, eterno e manifesta-se das mais variadas formas.
Obrigado meu Deus por tanto que me dás e eu dou-Te tão pouco.

Marinha Grande, 19 de Julho de 2025
Joaquim Mexia Alves

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Notas do editor

- Este texto pode ser lido na página do facebook do nosso amigo Joaquim Mexia Alves, clicando no título

- Último post da série de 4 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P26982: (in)citações (275): Jorge Ferreira, "um dos nossos mais velhos"... "Jorge, até aos 100 é sempre em frente!... É só preciso ter cuidado com as minas e armadilhas!... E um dia Buruntuma ainda será grande!" (Luís Graça)

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26450: Os nossos seres, saberes e lazeres (667): Rescaldo da apresentação do livro "Orando em Verso III", da autoria do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, levada a efeito no passado dia 24 de Janeiro de 2025, na Igreja Matriz da Marinha Grande

APRESENTAÇÃO NA MARINHA GRANDE DO LIVRO
"ORANDO EM VERSO", DE JOAQUIM MEXIA ALVES

Na sexta-feira, 24 de janeiro, o Salão 1 da Igreja Paroquial da Marinha Grande acolheu a apresentação pública do livro “Orando em Verso”, da autoria de Joaquim Mexia Alves. O evento contou com a presença do padre Armindo Castelão Ferreira, pároco da Batalha, que teve a honra de fazer a apresentação da obra.

“Orando em Verso” reúne uma seleção de orações poéticas escritas por Joaquim Mexia Alves ao longo do tempo. O autor, colaborador habitual do website da Diocese de Leiria-Fátima e da Revista Digital REDE, partilha com os leitores textos que refletem sobre a fé, a espiritualidade e a meditação, frutos da sua vivência pessoal.

A receita da venda do livro será integralmente destinada à paróquia da Marinha Grande, com especial enfoque na construção do Centro Pastoral, um projeto muito aguardado pela comunidade local.

Na sua intervenção, o padre Armindo Castelão Ferreira destacou a generosidade e a entrega de Joaquim Mexia Alves, lembrando que o autor, ao escrever estas orações poéticas, oferece ao público não apenas palavras, mas uma expressão da sua vida de fé e de oração. “Estes poemas são ‘oxigénio para a alma'”, afirmou, referindo que os textos do autor podem ser uma fonte de consolo tanto nos momentos felizes como nos difíceis, levando os leitores a Deus em oração e meditação. O padre Armindo exortou todos a seguirem o exemplo de Joaquim Mexia Alves, que, ao partilhar o seu talento e dedicação, demonstra um profundo compromisso com a comunidade e com a fé cristã.

O padre Armindo referiu ainda que este é o terceiro livro publicado por Joaquim Mexia Alves e que, desde o primeiro lançamento, o autor tem demonstrado uma dedicação constante à partilha da sua fé através da escrita. Recordou com carinho as palavras que escreveu aquando da apresentação do primeiro livro de Joaquim, e quando soube que o terceiro estava prestes a ser publicado, expressou a sua felicidade e o seu apoio incondicional ao projeto.

“Orando em Verso III é expressão viva do teu viver em Cristo e da tua vida na comunidade cristã”, concluiu o padre Armindo, deixando uma mensagem de gratidão e encorajamento, na esperança de que Joaquim possa continuar a partilhar com todos os frutos da sua vida de fé. E, com um tom de leveza, disse que aguardam ansiosamente o próximo livro, Orando em Verso IV.

Joaquim Mexia Alves, por sua vez, revelou que para ele a escrita das orações e dos versos não é uma tarefa difícil, mas um prazer e uma forma de se encontrar com Deus. Agradeceu a todos que tornaram possível a realização deste livro, destacando a colaboração do padre Patrício, responsável pela edição e pelo prefácio, e da fotógrafa Daniela, que contribuiu com uma excelente imagem para a capa.

O evento, além da apresentação do livro, foi uma celebração de comunhão, com a presença de diversos membros da comunidade da Marinha Grande. Através deste gesto de partilha, o autor quis também expressar a sua gratidão pela paróquia que o acolheu em tempos difíceis, tornando-se para ele uma verdadeira família em Cristo.

O livro “Orando em Verso” está disponível para venda, com a totalidade da receita a reverter para os fundos do Centro Pastoral da Marinha Grande.


(Com a devida vénia à Diocese de Leiria-Fátima e ao Blogue da Tabanca do Centro)
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Notas do editor:

Vd. post de 16 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26397: Os nossos seres, saberes e lazeres (663): Convite para a apresentação pública do livro "Orando em Verso III", da autoria do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, dia 24 de Janeiro de 2025, pelas 21h30, no Salão 1 da Igreja Matriz da Marinha Grande

Último post da série de 1 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26447: Os nossos seres, saberes e lazeres (666): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (190): From Southeast to the North of England; and back to London (9) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26397: Os nossos seres, saberes e lazeres (663): Convite para a apresentação pública do livro "Orando em Verso III", da autoria do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, dia 24 de Janeiro de 2025, pelas 21h30, no Salão 1 da Igreja Matriz da Marinha Grande

C O N V I T E



Na sexta feira, dia 24, às 21h30, no salão 1 da nossa igreja da Marinha Grande, terá lugar a apresentação do meu terceiro livro “Orando em Verso III”.

A apresentação será feita pelo meu amigo Padre Armindo Castelão Ferreira, que aceitou o nosso convite para viver connosco esta minha alegria.

Tenho de agradecer muito ao Padre Patrício Oliveira, meu amigo e meu pároco, todo o trabalho que teve na concepção, paginação, etc., deste livro, bem como a óptima fotografia do autor colocada na badana do livro e que também está impressa neste convite.

Muito obrigado pelo fantástico trabalho.

Tenho também de agradecer muito à minha amiga Daniela Sousa a excelente fotografia da capa do livro, que engrandece o livro, sem a mínima dúvida.
A fotografia é do grande crucifixo que faz parte do espólio artístico da Paróquia da Marinha Grande.

Claro que o meu maior agradecimento vai para Deus, o Pai, o Filho, o Espírito Santo, que, no Seu infinito amor, conseguiram moldar a “pedra dura” que eu era, (e ainda sou um pouco), e levar-me a escrever coisas que eu próprio não consigo, por vezes, abarcar.

À minha Mãe do Céu, dizer obrigado por tantas vezes me dar a mão quando me perco no caminho.

Todos estão convidados a juntarem-se a nós nesta noite de grande alegria para mim.

A receita da venda deste livro reverte inteiramente para a Paróquia da Marinha Grande, particularmente para o fundo para a construção do Centro Pastoral, que tanto desejamos e necessitamos na nossa paróquia.

Quem não quiser ou puder estar presente, mas quiser adquirir o livro, pode fazê-lo enviando um email para – orandoemverso@gmail.com – expressando essa intenção e na resposta será indicado o modo como poderá adquiri-lo.

Marinha Grande, 15 de Janeiro de 2025
Joaquim Mexia Alves


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Sobre o autor:

Joaquim Mexia Alves nasceu em Maceira Liz em 1949, mas viveu sempre em Monte Real e Lisboa. Desde 2003, vive na Marinha Grande. Passou por África numa comissão militar na Guiné (1971-1973) como alferes miliciano de operações especiais e trabalhou em Angola nos anos 1974 e 1975.

Educado por pais católicos, frequentou colégios católicos dos irmãos Maristas, Franciscanos e Dominicanos. Ainda frequentou dois anos do curso de Medicina. Na adolescência, afastou-se da fé cristã e da Igreja, mas por volta dos 40 anos encontrou, no Renovamento Carismático Católico, a espiritualidade que o fez reencontrar a fé cristã e marcou o seu regresso empenhado à Igreja.

Fez o Curso Geral de Teologia, no Centro de Formação e Cultura da Diocese de Leiria-Fátima. Pertenceu aos órgãos nacionais do RCC e é, hoje em dia, membro do Board Nacional do Percurso Alpha. Pertence à equipa de liderança pastoral da sua paróquia da Marinha Grande, onde é também ministro extraordinário da comunhão.

É casado, pai de quatro filhos e avô de cinco netos. É autor de dois livros, Orando em Verso e Orando em Verso II, ambos editados pela Paulus.
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Nota do editor

Último post da série de 11 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26378: Os nossos seres, saberes e lazeres (662): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (187): From Southeast to the North of England; and back to London (5) (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26372: Convívios (1012): 101.º Convívo da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 31 de Janeiro, coincidente com a comemoração do 15.º aniversário desta Tabanca

Com a devida vénia à Tabanca do Centro, reproduzimos o seu Post P1511 que anuncia o 101.º Almoço/Convívio da sua Tertúlia, a levar a efeito no próximo dia 31 de Janeiro, onde se comemorará os 15 anos de existência desta Tabanca.
A Tabanca Grande, mãe de todas as Tabancas, endereça aos nossos camarigos, Joaquim Mexia Alves e Miguel Pessoa, os nossos parabéns, desejando-lhes muita força para darem continuidade a esta tertúlia que regularmente se reune à mesa.


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Nota do editor

Último post da série de 26 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26312: Convívios (1011): 51º almoço-convívio da CCAÇ 12 (Bambadinca e Xime, 1971/74), em Mora, no passado dia 25 de maio (António Duarte)

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26306: Desejando Boas Festas, Feliz Ano Novo de 2025, e aproveitando para fazer... prova de vida (11): Conto de Natal - "Reencontro", por Joaquim Mexial Alves, ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873 e Pel Caç Nat 52

REENCONTRO

Tantas vezes já tinha tentado falar com os seus pais para lhes pedir perdão por tantas coisas erradas que tinha feito e que o tinham levado a sair de casa. Tantos problemas que tinha causado e tinham entristecido os seus pais que, no entanto, sempre lhe respondiam com todo o amor que tinham por ele.

Lembrava-se de ter saído intempestivamente de casa, dizendo que se ia embora para sempre, deixando-os mergulhados numa profunda tristeza e desalento.

Agora via tudo isso, mas naquele tempo, um qualquer mal que ele não entendia, tinha-o levado a quase odiá-los por não quererem entender, julgava ele, as suas “verdades”.

O que seria feito deles?

Sabia que viviam na mesma casa de sempre, que os anos tinham passado por eles, e alguém lhe tinha dito que viviam sem alegria.

Também ele agora, passados aqueles anos loucos em que se tinha deixado consumir pelos maus caminhos, pela droga, pela sua mania de tudo pensar saber, sentia uma enorme tristeza dentro de si que, quando reflectia conscientemente, percebia que não era só pela vida que tinha levado, mas sobretudo por aquilo que tinha feito a seus pais e por este afastamento deles que agora vivia.

De repente percebeu algo tão nítido que ficou surpreso com ele mesmo.

“Aquilo que tinha feito a seus pais”! “Tinha feito”!

Então se “tinha feito”, pensou ele, era passado e estava muito a tempo de ir ter com eles, pedir perdão e deixar que o amor que ele sabia eles lhe tinham, fazer o resto.

Mas dentro dele ainda vivia um orgulho quase incontrolado.

Ir ter com eles e pedir perdão era reconhecer que tinha errado e, se ele queria sentir a paz do perdão dentro de si, a realidade é que teria de reconhecer que afinal não era dono da verdade e tinha errado, e isso parecia-lhe uma barreira quase intransponível.

Mas ele agora estava tão bem!

Tinha vencido o vício, tinha um bom emprego, um bom apartamento, enfim, uma boa vida e, no entanto, percebia, mais uma vez, que aquela situação não o deixava ser feliz e viver em paz.

Era véspera de Natal, e ele lembrou-se de que nesse mês e nesse dia, algo de bom, de sensível, se vivia sempre em casa dos seus pais, com os preparativos e a chegada do Natal, com uma alegria calma e aconchegante.

Já não rezava há tanto tempo, pensou ele.

Tudo isso tinha afastado da sua vida e já nem se lembrava das orações que faziam em casa de seus pais.

De qualquer modo fechou os olhos, baixou a cabeça, e quase num murmúrio disse: Menino Jesus, se me amas, ajuda-me a nascer de novo.

Veio ao seu coração uma certeza inabalável: Tinha que ir a casa dos seus pais nessa noite pedir-lhes perdão e que o deixassem passar com eles a noite de Natal.

Num instante colocou algumas coisas num saco e partiu de viagem, porque já era tarde e ainda tinha muitos quilómetros para fazer.

Longe, na terra de seus pais, já se celebrava a Missa do Galo e eles lá estavam, como sempre na igreja, tentando viver com alguma alegria a noite de Natal.

Mas era quase impossível, porque o seu filho longe e sem saberem onde, gerava uma tristeza muito profunda nos seus corações.

Deram as mãos no Pai Nosso e mesmo sem dizerem nada um ao outro, sabiam que nessa oração pediam ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo por aquele filho a quem tanto amavam.

Acabada a Missa saíram da igreja e caminharam apressadamente, por causa do frio, para sua casa que era ali bem perto.

Quando chegaram perto de casa, perceberam que junto à porta de entrada estava um vulto de homem, e ficaram um pouco receosos.

À medida que se aproximavam parecia-lhes que o ar se tornava mais leve, que uma qualquer melodia enchia aquela rua, que uma expectativa alegre tomava conta dos seus corações.

Foi então que reconheceram o seu filho junto à porta e, sem pensarem nem um pouco, correram para ele enquanto ele corria para eles, também.

Abraçaram-se chorando de alegria e quando ele tentava pedir-lhes perdão, eles só lhe diziam: Obrigado, obrigado por teres vindo ter connosco. Vem, entremos em casa e vivamos o Natal que fez renascer o nosso menino.

No presépio, podiam jurar que o Menino Jesus, Maria e José, sorriam embevecidos com os abraços intermináveis daquela família.

Marinha Grande, 21 de Dezembro de 2024
Joaquim Mexia Alves

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Notas do editor:

Conto de Natal, "Reencontro", por Joaquim Mexia Alves, publicado no Blogue da Tabanca do Centro, reproduzido aqui com a devida vénia

Último post da série de 23 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26304: Desejando Boas Festas, Feliz Ano Novo de 2025, e aproveitando para fazer... prova de vida (10): Mensagens natalícias dos camaradas Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav; João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, CMDT do Pelotão de Transportes Especiais/BEN 447; Vítor Junqueira, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 2753 e Manuel Serôdio, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 1787/BCAÇ 1932

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Guiné 61/74 - P26210: Lembrete (49): Tabanqueiros/as do Centro, que não vos falte o fôlego para apagar amanhã as 100 velas do bolo!



Logo da Tabanca do Centro, que vai fazer amanhã o seu 100º encontro, como de resto já tínhamos anunciado no poste P26132 (*)...  



1. Na Ortigosa, concelho de Leiria, na nossa já conhecida Quinta do Paul (fizemos lá dois Encontros Nacionais da Tanca Grande, o III e o IV, em 2008 e 2009, respetivamente), amanhã há festa.  

As inscrições já fecharam, mas o nosso lembrete vem a propósito, porque amanhã é dia de "ronco" para os tabanqueiros do Centro. E  Tabanca Grande, que é, a bem dizer, ... "a mãe de todas as tabancas", vem regozijar-se e desejar, a todos e a todas, bom almoço e bom convívio. Que não lhes falte o fôlego para apagar as 100 velas do bolo... 

Hoje, no Centro Comercial Alegro, em Alfragide, encontrei o meu vizinho, e bom amigo,  Juvenal Amado e ouvi-o combinar com o Miguel Pessoa, que mora em Benfica, a hora e o local para apanhar a boleia do costume até à Ortigosa... 

Recorde-se que foi, em dezembro de 2009, que  o Juvenal Amado (na altura a viver em Alcobaça, e hoje na Reboleira, Amadora) , o Vasco da Gama (Figueira da Foz) e o Manuel Reis (Aveiro) tiveram a ideia de criar a Tabanca do Centro. 

Aos pais-fundadores juntaram-se o Joaquim Mexia Alves (Marinha Grande e Monte Real) e o Miguel Pessoa (Lisboa). E tudo começou regularmente à volta da mesa e do famoso "cozida à Portuguesa", servido às 4ªs feiras na Pensão Montanha, em Monte Real. E tão famoso que chegou a vir gente da Suécia para provar a iguaria da "chef" Dona Preciosa...

Depois o mundo deu muitas voltas, mas a Tabanca do Centro nunca perdeu o seu lugar de equidistância "geodésica" entre todas as tabancas da Tabanca Grande... Pois ela fica, rigorosamente, ao Centro, entre o Norte e o Sul, o Oeste e o Leste... Quem não acreditar, que vá lá medir...

100 encontros é mais do que uma "marca", é um "marco"... E no dia 27 de janeiro de 2025 haverá outro bolo, com 15 velas para soprar, comemorativo do 15º aniversário do primeiro (e histórico) encontro. 

Tenho pena de lá não poder estar amanhã. Mas daqui vão os meus xicorações, alfabravos, quebra-costelas, mantenhas e beijinhos para todos/as os/as tabanqueiros/as do Centro (que esse é do género...neutro). 

A Tabanca Grande também está bem representada na lista dos inscritos para o 100º convívio da Tabana do Centro (contámos pelo menos 15 grãos-tabanqueiros, que vão com links com as suas referências no nosso blogue).

A Tabanca Grande sente-se também  orgulhosa por estar na génese de todas as congéneres espalhadas pelo País, a começar, historicamente, pela Tabanca de Matosinhos, a Tabanca do Centro e, mais tarde, a Tabanca da Linha, dos Melros (Fânzeres, Gondomar), etc.
 
Estas, e outras Tabancas mais pequenas (da Maia, do Algarve, da Diáspora Lusófona, etc.), são um caso de estudo, surgidas quase espontaneamente, com o fim de manter o convívio entre velhos camaradas da Guerra do Ultramar / Guerra Colonial, que agora têm mais tempo disponível e perderam todo o tipo de complexos, por ventura imputados ao seu passado como combatentes nos territórios africanos de então.

Desejamos à Tabanca do Centro uma vida longa e activa, salientando o fundamental papel que têm mantido os  seus mentores, com destaque para o Joaquim Mexia Alves e o  Miguel Pessoa, sem esquecer os outros pais-fundadores. (LG)



29Nov2024 | Inscritos: 45
(Revisão / fixação de texto, links: LG)
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