Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Cacheu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Cacheu. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28435: As nossas histórias aos quadradinhos (1) : o ataque à LFG Hidra (P376), no rio Cacheu, na noite de 20 para 21 de maio de 1973 (António Dâmaso, 1940-2026)










Prompting e orientaçãoo editorial: Luís Graça
Texto: António Dâmaso (2012) + Manuel Lema Santos (2007)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

 

1. Muitos de nós "aprenderam a ler" ou "alimentaram o seu gosto pela leitura", numa época em que não havia bibliotecas públicas na província, com  "O Cavaleiro Andante", uma das primeiras grandes revistas de "histórias aos quadradinhos" dirigidas aos mais jovens:  começou a  ser publicada em 5 de janeiro de 1952 e terminou  em 25 de agosto de 1962; saíram  556 números (!).

Publicada sob a chancela da Empresa Nacional de Publicade (ENP), tinha como diretor  o conhgecido escritor de literatura infabto-juvenil Adolfo Simões Müller (1909-1989). Custava 1$80 e destacava-se por trazer páginas a cores e capa ilustrada, e várias secções . 

Fui um consumidor voraz de "O Cavaleiro Andante" (e de livrinhos de cobóis): geralmente ia lê-lo a casa dos meus colegas e amigos de escola (como o Álvaro de Carvalho ou o Rui Tovar), cujos pais, mais afortunados do que os meus, já tinham ordenado ao fim do mês...Em meados de 1950, a minha mãe governava a casa com uma nota semanal de 20$00. E tinha  arte de saber fazer a multiplicação dos pães, sob a forma de rissóis, pastéis de massa tenra, bolinhos de bacalhau, etc. Com 1 escudo e 80 centavos comprava-se muita coisa, leite, milho, pão, etc. O "Diário de Lisboa" custava 80 centavos.  O salário diário de um trabalhador português andava, por essa época,  enre os 15$00 e os 25$00.

Foi através desta "revista juvenil", emblemática, que conheci alguns dos heróis (e autores) da BD franco-belga, e me afeiçoei à sau linha gráfica e à sua estética. 

 Foi um pouco a pensar nesse passado lá longínquo, em que consumia essa literatura infanto-juvenil, compulsivamente (digamos até aos meus 10 anos, 1957, quando terminei a 4ª classe e fiz o exame de admissão aos liceus),... que me ocorrei a ideia de abrir aqui uma nova série, "A nossa guerra aos quadradinhos".

A série será para já alimentada, preferencialmente,  com  os retatos dos nossos camaradas da Guiné. Com "prompting" (instruções)  e orientação editorial da minha autoria, iremos recorrer a ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa para a criação de pequenas bandas desenhas (BD), com oito a 12 vinhetas... 

Como o nosso blogue não tem publicidade, nem recursos financeiros próprios nem "patrocinadores",  só podemos ter o concurso, mesmo assim, precioso, da IA dos "pobrezinhos"... O resto é... "lápis e borracha", "corte e costura", com muita dose de paciência, imaginação,  bom humor... e alguns ataques de raiva!..

A primeira "história aos quadradinhos" a sair, por mera conveniência (há outras na forja, ou melhor, na "prancha") é o ataque à LFG Hidra (P376) no rio Cacheu, em 20/21 de maio de 1973, a partir do relato do então 1º srgt pqdt, da CCP 121 / BCP 12, António Dâmaso (1943-2026), um dos bravos de Guidage e de Gadamael.

Peço aos nossos "marinheiros" que sejam indulgentes em relação a certos aspetos, mais grosseiros, do nosso "ilustrador gráfico" que nunca conheceu nenhum LFG nem nunca bebeu "água do Cacheu".


2.  Em mensagem do dia 29 de maio de 2012, o nosso camarada António Dâmaso (Srgt-mor pqdt, CCP 121 / BCP 12, na situação de reforma) enviou-nos o seu relato da emboscada perpetrada à LFG Hidra em 21 de maio de 1973, no rio Cacheu, no Norte da Guiné. Houve um primeiro poste, a dar conta dessa efeméride (*). E  que agora reproduzimos, com BD a ilustrar...


No regresso da Op Ametista Real, 
um ataque à LFG Hidra
à meia-noite do do dia 21 de maio de 1973, 
no rio Cacheu

por António Dâmaso (1940-2026)




No dia 20 de maio de 1973,  domingo, depois da CCP 121 ter participado na Operação ”Ametista Real”, cerca das 19h30 (não posso precisar a hora, sei que era de noite), embarcámos em Ganturé, juntamente com alguns Comandos Africanos no Navio Patrulha Hidra  (a LDF com número de amura P376) com destino a Binta. 

Julgava eu que íamos regressar a Bissau.

Entrei à conversa com um camarada da guarnição, o 1.º srgt artilheiro Joanás. Fomos até uma salinha. E, depois de uma cervejinha bem fresca e de uma conversa, estávamos sentados e eu deixei-me vencer pelo sono. 

 Repentinamente cerca das 24h00, sou acordado com uma série de rebentamentos. O convés do navio tinha sido atingido, havia granadas a arder (pólvora), tive a sensação que o paiol tinha sido atingido. Mais tarde li algures que o que foi atingido foi um reservatório das peças Bofors, de um dos canhões que equipavam o navio. (**)

O Joanás agarrou imediatamente num extintor, eu passei-lhe outro e, com um em cada mão, apagou o incêndio naquele local. Fiquei impressionado com a rapidez e destreza dele, não há dúvida que na Marinha, as guarnições dos navios estão muito bem preparadas para combater incêndios a bordo. Quando vi as granadas incendiadas, fiquei com receio que estas rebentassem, o que teria acontecido se não tivessem sido extintas atempadamente.

A reacção ao ataque por parte da CCP 121 foi rápida e eficaz, dando origem a que os guerrilheiros do PAIGC tivessem desistido de mandar mais granadas para o convés do navio, porque se tivessem continuado, teriam provocado mais vítimas e estragos de maior monta. 

Como era de noite não me apercebi bem dos efeitos do ataque. Quanto à localização julgo ter sido na curva de Jagali (**)

De cada vez que eu tentava subir as escadas para o convés, aparecia-me um ferido que eu encaminhava para a enfermaria, tarefa dificultada por ser feita no escuro. Isto repetiu-se várias vezes, um dos feridos era do meu pelotão, apontador do morteiro, atingido  num calcanhar.

Recordo que, no meio daquela confusão toda, alguém ter dito que faltava um zebro (barco de borracha). 

Chegámos a Binta na madrugada do dia 21, segunda feira. Pela manhã os feridos foram evacuados para o HM 241, em Bissau, e nós lá ficámos. 

Ao meu pelotão coube para alojamento um barracão de madeira junto do cais que ficava do lado esquerdo. Binta tinha sido em tempos um entreposto madeireiro.

Depois de ter desembarcado, dei por falta de um rádio ("banana"), que só podia ter desaparecido no Patrulha, uma vez que eu tinha feito conferência de material antes de embarcarmos e o militar que o tinha à guarda fora ferido no ataque. 

Como recebiam prémios por armamento ou equipamento, apreendido ou encontrado, mais tarde o rádio apareceu como tendo sido dado como achado por um Comando Africano na zona de Bigene...

À noite, estava a dormir, pelo quarto dia consecutivo, sou acordado com um ataque dirigido aos barracões, com lança granadas de foguete (RPG 2 e 7), vindo do outro lado do rio Cacheu. Não houve baixas mas,  além de termos ripostado ao ataque, tivemos de apagar um incêndio num dos barracões que ficava em frente ao nosso.

Nesse barracão estava uma viatura carregada com caixões com destino a Guidage. Os ataques já se tinham tornado uma rotina. Ainda ficámos em Binta mais um dia e uma noite, à espera de uma coluna de viaturas que viria de Farim com destino a Guidage.

Mais tarde quando me encontrei com o Joanás em Cacine, quando este andava a apoiar Gadamael Porto, disse-me que tinha sido louvado  e que a CCP 121 tinha tido uma citação elogiosa pela sua acção.

Um Ab
A. Dâmaso

(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)



Guiné > Região do Cacheu > Rio Cacheu >  1973 >  A LFG Hidra (P376). Reconstituição:

Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Google / Gemini AI) (2026)


3. NRP Hidra (P 376).  LFG (Classe Argos / 1963)

(i) Tipo: Lancha de Fiscalização Grande (LFG) | Classe: Classe Argos (1963) (Um das 10 unidades da classe Argos, construídas no Arsenal do Alfeite e nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, entre 1963 e 1965; tinham todas nomes de constelações (Cassiopeia, Orion, Sagitário, etc.); estiveram ao serviço da Marinha entre 1963 e 1975;  estão profundamente ligadas às "guerras da descolonização".

(ii) História: Aumentada ao efectivo em 11 de abril de 1964; abatida ao efetivo  em Luanda a 30 de setembro de 1975: serviu em teatros de operações ultramarinas (como na Guiné, em patrulhas nos rios e missões de apoio/transporte entre 1971 e 1973, do rio Cacheu ao rio Cacine).

(iii) Ficha técnica: deslocamento: 210 t | comprimento: 41,7 m | boca: 6,7 m | calado: 2,1 m | propulsão: 2 motores diesel de 1200 hp, 2 veios | Velocidade 17 nós (c. 3,5  km / hora;  19,6 milhas / hora; 8,74 m /s | armamento: 2 peças 40 mmm | Tripulação: 24. 

Fonte: Wikipedia

____________

Notas de  LG/CV:

(*) Vd. poste de 1 de junho de 2012 > Guiné 63/74 - P9975: Efemérides (101): Ataque ao navio Patrulha Hidra, dia 20 de Maio de 1973 (António Dâmaso)


(**) Ver poste de 16 de Abril de 2007 > Guiné 63/74 - P1665: Operação Larga Agora, Tancroal, Cacheu, local maldito para a Marinha (Parte I) (Lema Santos)

(...) Em 20 de maio de 1973 a LFG Hidra, frente à clareira de Jagali, a juzante da foz do rio Buborim, foi emboscada da margem Norte com RPG, armas ligeiras e morteiro 60 mm. 

O primeiro RPG deflagrou contra os cunhetes de munições da Boffors de vante, provocando rebentamentos e um grave incêndio, tornando a peça inoperativa. 

Reagiu de imediato e tudo acabou por se compor, não sem alguns estragos.

Foi elogiada a colaboração de elementos da CCP 121 e BCmds (Batalhão de Comandos) que, seguindo a bordo, conjuntamente com o navio, reagiram prontamente com o armamento de que dispunham. 

O resultado foram 3 feridos graves (Comandos) e 6 feridos ligeiros (Comandos, Paras e LFG).(...)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28143: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (9): porque é que o PAIGC nunca afundou nenhuma embarcação no rio Geba Estreito (São Belchior e Mato Cão) - Parte I

Guiné > Região de Bafatá  > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > c. novembro/dezembro de 1971 >O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917, já falecido; o alf mil médico António Rodrigues Marques Vilar  (hoje psiquiatra, com consultório em Aveiro); e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca), hoje engenheiro técnico agrícola reformado (Águeda). O grupo posa para a fotografia com um crocodilo juvenil  do rio Geba, abatido pelo alf mil Vilar... 

Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão >  c. 1973/74 > Pel Caç Nat 52 (1973 /74) >   Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão.  Foto do álbum do último cmdt do Pelotão, alf mil  Luís Mourato Oliveira.

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].




1. A mítica LDM 302 tem pelo menos 16 referências do nosso blogue... A sua "vida e morte" davam um filme...Mas neste país a guerra nunca foi "cinéfila" ou melhor o cinema é que não gosta de guerra. Muito menos da guerra da Guiné que nos coube na rifa.  



Ludgero Henriques 
de Oliveira
(1947-2012),


A referência à LDM 302, afundada duas vezes no Cacheu (*), trouxe-me de imediato, à lembrança, um dos seus tripulantes,  maquinista fogueiro que foi meu conterrâneo, vizinho, colega de escola e amigo, Ludgero Henriques de Oliveira, natural da Lourinhã, e que a morte levou, precoce e injustamente, aos 64 anos, em 2012 (era então sargento-chefe na situação de reforma).

Já aqui, no nosso blogue, foi homenageado, mais de uma vez;  foi agora também lembrado pelos nossos camaradas do portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, um sítio igualmente incontornável do nosso repositório de memórias: faz este ano 20 anos de existência na Web; daqui vai um alfabravo para a equipa do portal UTW, com votos de boa continuação da caminhada pelos trilhos da nossa memória histórica.

Mas voltando ao Mato Cão (**)...Eu que lá fui bastante vezes, em patrulhamentos ofensivos, com montagem de emboscadas na margem direita do rio Geba Estreito (Xaianga), noutra encarnação (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71), nunca percebi por que razão o PAIGC  
nunca conseguiu meter a pique uma embarcação, civil ou militar, naquele troço... Passsaram lá LDG (!) e seguramente LDP e LDM da Marinha. Passaram lá "barcos turras", civis,  ao serviço da Intendência Militar, mas também das casas comerciais "colonialistas" como a Casa Gouveia ou a Sociedade Ultramarina... Chegavam inclusive a Bafatá...Com a maré-cheia, claro...

A embarcação afundada (e às vezes iam em comboio, com batelões...) iria bloquear a navegação fluvial entre o Xime e Bambadinca, durante semanas, senão meses...E o impacto no abastecimento de toda a zona leste, far-se-ia sentir de imediato,  com consequências visíveis do ponto de vista logístico,  psicológico,  propagandístico, etc... 

Os portos fluviais do Xime e de Bambadinca eram as duas únicas entradas (por rio e terra) na Zona Leste (regiões de Bafatá e de Gabu, que iam da Foz do Rio Corubal, a oeste, à fronteira com a Guiné Conacri, a leste), e de norte (Senegal) a sul (Guiné-Conacri). Era a maior zona da Guiné e a mais povoada: mais de 15 mil quilómetros quadrados, com uma  população (fulas e mandingas, sobretudo) de 180 a 200 mil habitantes (por volta de 1970): mais de 40% do território, mais de 35% da população (que no total não chegava a meio milhão).

Terá sido uma questão de "cálculo político" ou pura "incompetência operacional" ? Tentaremos responder a essa questão em próximo poste desta série ("Nomadizações de um marginal-secante") (**).No rio Cacheu, na clareira do Tancroal, o IN meteu a fundo, duas vezes, a nossa gloriosa LDM 302... Por que raio é que os gajos do PAIGC não haveriam de acertar, em cheio, com uma simples canhoada, num bocado de madeira flutuante como era um "barco turra" (onde também viajei, pelo menos umas quatro vezes, no percurso Bambadinca-Xime-Bissau e vice-versa) (além de 2 viagens de LDG, no princípio e fim da comissão).

Infelizmente a Guiné-Bissau deixou assorear os seus rios... Já nem cenários temos para um simples documentário, quanto mais um filme de ficção.

Por certo, já não se passa hoje no Tancroal (Rio Cacheu), ou no Mato Cão (Rio Geba Estreito)... Em 2008, ainda atravessei o Rio Cacine de um lado a outro,. numa canoa nhominca... Mas o Cacine não é um rio, é um braço de mar...segunda-feira, 29 de junho de 2026 às 14:27:00 WEST



2. Enfim, apetecei-me recapitular algumas situações relaci0nadas com a navegação no rio Geba Estreito e a instalação do destacamento do Mato Cão (que já não é do meu tempo: saí da Guiné em março de 1971). 

O PAIGC, no 2º semestre de 1971, vai "reagir mal" à ocupação, pelas NT, do Mato Cão (Op Tareco  Vilão I, 2-7, nov 71).

Ao Mato Cão,  durante aqueles anos todos da guerra, só lá se ia em patrulhamento ofensivo, para montar segurança aos barcos, essencialmente civis, que navegavam no Geba Estreito.  As LDG também chegavam a Bambadinca, até finais de 1968/princípios de 1969, mas já não era no meu tempo; em 2 de junho de 1969, já desembarquei (ou melhor "abiquei") no Xime (porto fluvial, a par do de Bambadinca).

Em 1 de julho de 1971, ao tempo do BART 2917 (Bambadinca, junho 1970/maio 1972), era a seguinte dispositivo das NT no Sector L1 (Zona Leste), no que diz respeito aos Pel Caç Nat 52, 54 e 63 (que vão depois guarnecer o novo destacamento do Mato Cão, "à vez"):

Pel Caç Nat 52 > Fá Mandinga;
Pel Caç Nat 54 > Bambadinca;
Pel Caç Nat 63 > Missirá (reforçado por 1 Pel Mil 202 / CMil 1) e a seguir Mato Cão


Maio 71, 4 e 5 >  Op Triângulo Vermelho 

Na região de Enxalé-Cuor, sector L1, foi feito um patrulhamento por forças de 3 GComb/CArt 2715 (Xime), CCaç 12 (Bambadinca), CCP 123 / BCP 12 (BA 12, Bissalanca) e 1 Pel Caç 54 (Bambadinca).

O lN flagelou as NT, causando 2 mortos e 9 feridos e sofrendo 4 mortos.

Destruídas 20 moranças e meios de vida (dpois cleiros com meia tonelada de arroz). Capturado 1 elemento armado com esp "Mauser" e documentos diversos.

Agosto 71, 28 > Flagelação ao barco "Manuel Barbosa"


Um grupo IN estimado em cerca de 10 elementos flagelou com RPG-2 e Armas automáticas ligeiras,  de Mato Cão, o barco “Manuel Barbosa” causando 8 feridos graves, e 9 feridos ligeiros.

Pelas 14,50 horas uma secção do Pel Caç Nat 52 iniciou a progressão em meio auto com destino a Finete onde se juntaria uma secção do Pel Mil 201.

Às 15,10 horas, em [BAMBADINCA 4C2-84], a viatura Unimog 411,de matrícula ME-18-93,  accionou uma mina A/P reforçada, com a roda da frente do lado direito, ficando completamente destruída e provocando ferimentos na quase totalidade dos elementos das NT que nela seguiam, nomeadamente no 2º cabo atirador Nhaga Maque (Pel Caç Nat 52) que veio mais tarde a falecer em Bambadinca como consequência dos ferimentos recebidos.

Após o accionamento da mina o sold cond Manuel Castro Ribeiro Silva,    da CCS/BART 2917 (que estava destacado no Pel Caç Nat 52), assumiu o comando da secção, instalando os seus companheiros e montando um dispositivo de segurança à viatura com os elementos mais válidos após o que se deslocou a Bambadinca, transportando aos ombros um dos feridos, a fim de avisar as NT sedeadas neste aquartelamento (CCS/BART 2917, CCAÇ 12...).

Imediatamente se deslocou de Bambadinca uma secção da CCAÇ 12 (acompanhada de um enfermeiro e macas) que se encarregou do transporte dos feridos de Finete, para onde as milícias desta tabanca, que imediatamente acorreram ao local do acionamento da mina os tinham já transportado, para Bambadinca.

Num reconhecimento feito posteriormente não foi detectada a colocação de mais qualquer engenho explosivo, tendo-se no entanto detectado em [BAMBADINCA 4C7-74], vestígios de instalação em emboscada de um Grupo IN estimado em cerca de 10 elementos, o que vem confirmar declarações de milícias em Finete que dizem ter ouvido alguns tiros.

Novembro 71, 2-7 > Op Tareco Vilão I


 No dia 2 de novembro pelas 8,30 horas os 2 Gr Comb da CCAÇ 12 (Bambadinca) deslocaram-se em meios auto de Bambadinca para o Porto (fluvial) de Bambadinca de onde em meios fluviais [barco sintex], prosseguiram para Mato Cão, onde chegaram cerca das 21h00.

Substituíram então, no local, os Gr Comb da CCAÇ 12 empenhados na Op Tudo Vale , montando uma rede de emboscadas nos trilhos de acesso mais provável do IN ao Destacamento de Mato Cão, garantindo a segurança com a colaboração do Pel Caç Nat 63, do pessoal que procedia à instalação daquele Destacamento.

No dia 3 pelas 13,30 horas, um Grupo IN estimado em cerca de 40 elementos flagelou com RPG-2 e Arm Aut Lig de [BAMBADINCA 1H97-61], apoiados por RPG-7 e Mort 82, o estacionamento de Mato Cão, causando 2 feridos graves e 8 ligeiros.

As NT reagiram imediatamente obrigando o IN a retirar, com baixas prováveis.

Feito reconhecimento à área de instalação IN, detectaram-se vestígios de IN se ter aproximado e retirado na direcção de Chicri, tendo-se encontrado vários vestígios de sangue.

No dia 6 pelas 16h55, um Grupo IN não estimado flagelou da direcção de Chicri o estacionamento de Mato Cão e as forças de segurança ao mesmo, durante 5 minutos com Mort 82 e LRock.

As NT reagiram prontamente pelo fogo de Mort 81 obrigando o IN a retirar. Posteriormente o 20º Pel Art (Xime) bateu os trilhos prováveis de retirada.

Não foi feita uma conveniente batida imediata por, após os tiros de artilharia, ter anoitecido sendo a visibilidade muito fraca.

No dia 7 pelas 6h45, quando o Pel Caç Nat 63 explorava o contacto havido ao anoitecer do dia 6 reconhecendo a mata a Norte de arame farpado, detectaram.  a cerca de 600 metros do mesmo, numeroso Grupo IN estimado em 50 elementos que ali se encontrava emboscado.

As NT imediatamente abriram fogo, tendo o IN, ao sentir-se descoberto, reagido com RPG-2, RPG-7, Mort 60 e Arm Aut Lig ao mesmo tempo que um outro Grupo IN localizado mais para Norte e a uns 500 metros do primeiro, começou a flagelar o estacionamento de Mato Cão com Mort 82 e RPG-7.

As NT imediatamente exploraram o contacto manobrando pelo fogo e movimento obrigando o IN a retirar.

Apesar da pronta e enérgica reacção do Pel Caç Nat 63, o IN conseguiu ao fim de cerca de um minuto quebrar o contacto em virtude do Pelotão ter esgotado as munições de Mort 60 e dilagrama que transportava consigo, cujo consumo foi maior do que seria de prever num contacto deste tipo em virtude do LGFog 8,9 cm não ter funcionado.

Remuniciado, o Pel Caç Nat 63 prosseguiu na batida tendo encontrado abandonado no terreno um morto, armado de pistola Ceska Zbrojovka m/1927, de origem checa, identificado por documentos que possuía como sendo Mário Campos, e uma granada de RPG-7.

Foram ainda detectados vestígios e vistos elementos IN arrastando mais cinco corpos de elementos feridos ou mortos pelas NT.

Entretanto, primeiro, os Mort 81 do Destacamento e posteriormente o 20º Pel Art /BAC 7 (10,5 cm) (Xime) batiam os itinerários previsíveis de retirada,  tendo o Pel Caç Nat 63 verificado que alguns dos impactos de artilharia se situavam sobre o trilho seguido pelo IN e nas suas imediações encontrava-se muito sangue.

Neste contacto as NT sofreram 3 feridos graves e 9 (um civil) ligeiros sendo um ferido grave e 3 ligeiros proveniente do contacto directo com o IN e os restantes como consequência da flagelação ao estacionamento.

No dia 7/11/71 pelas 14h30, os 2 Gr Comb da CCAÇ 12, após serem substituídos no local pelas NT empenhadas na Op Tareco Vilão II e II, iniciaram progressão em meios fluviais [Barco Girassol] para Bambadinca, permanecendo o Pel Caç Nat 63 e uma secção do Pel Mil 202 em Mato Cão, onde chegaram cerca das 16h00.

Fonte: Adapt de História do BART 2917, de 15nov1969 a 27mar1972, mimeog, 182 pp. (Cópia, em formo digital, gentilmente cedida por Benjamim Durães)



Guiné > Região de Bafatá > Carta de Bambadinca (1955) > Escala de 1/50 mil > Detalhes: posição relativa de Bambadinca, na maregm esquerda (sul), do rioGeba Estreito, regulado de Badora;

(i) a  sudoeste: Nhabijões,  Sambassilate, São Belchior e o regulado do Xime;

(ii) a noroeste; Mato Cão, Finete, Salá e regulado do Cuor;

(iii) a norte/nordeste: Mero, Fá Mandinga, Missirá e regulados de  Óio, Mansomine e Joladu; 

O PAIGC só mandava (alguma coisa), a partir de Salá... tendo "barracas", maiss a noroeste, na zona de Madina / Belel. Já no Óio havia a "base central" de Sara Sarauol... 

O destacamento, mais a norte de Bambadinca, no setor L1, era Missirá, guarnecido por um Pel Caç Nat (52 ou 63, em diferentes períodos) e um pelotão de milícias e uma esquadra de morteir0 81... 

 A Madina/ Belel , muito para lá de Salá (e que por isso que já não vem nesta carta) ia-se uma vez por ano, na época seca...para "dar e levar porrada".

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27795: Fauna e flora (27): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - II (e última) Parte


Guiné > Região de Tombali > Catió > Ganjola > c. 1967/69 > Um crocodilo apanhado por militares no rio de Ganjola. O zebro devia ser dos fuzileiros. Poucos camaradas viram, ao  vivo os furtivos crocodilos do Nilo, mas havia-os por todo o lado, do rio Cacheu ao rio Cumbijá... Alguns eram pequenos e  eram confundidos com jacarés (repteis que não existiam na Guiné nem no resto da África).


Foto (e legenda): © Alcides Silva (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Em 6 de fevereiro de 1969, aquando do "desastre" do Cheche, no rio Corubal, na região do Boé, no sudeste da hoje Guiné-Bissau, havia crocodilos naquele troço ? É uma dúvida que subsiste.

 Os corpos dos 47 náufragos não foram encontrados, a não ser apenas 11, duas semanas depois, em estado de decomposição e totalmente irreconhecíveis.

Da consulta que fizemos a várias ferramentas de IA, pudemos apurar o seguinte:

Sim, historicamente houve (e ainda há) crocodilos no sistema do rio Corubal, na Guiné-Bissau. A sua presença atual pode variar conforme a espécie e a zona do rio. Eis o que, no essencial, se sabe com base em estudos e observações científicas e naturais:

(i)   Contexto histórico e ambiental

Na década de 60, a fauna na região do Boé era extremamente rica e selvagem. A região era pouco povoada. A menor densidade populacional humana em comparação com o litoral favorecia a permanência de grandes mamíferos (do leão ao elefante, do hipopótamo ao chimpanzé).

A Guiné-Bissau ainda possui populações de crocodilos de água doce ou de pequenas espécies de crocodilianos em muitos dos seus grandes cursos de água, lagoas e zonas húmidas, incluindo cursos como o rio Geba, Cacheu e zonas do parque de Lagoas de Cufada, que está ligado ao Corubal.

 O rio Corubal é um dos principais rios da Guiné-Bissau e, como muitos rios da região, faz parte de um ecossistema que tradicionalmente abrigou crocodilos, especialmente o crocodilo-africano (Crocodylus niloticus).
 
Os crocodilos são nativos da África Ocidental e eram comuns em rios, lagos e zonas húmidas da Guiné-Bissau, incluindo o rio Corubal. No entanto, a sua população tem vindo a diminuir devido à caça, perda de habitat, alterações climáticas e conflitos com humanos.

A presença de crocodilos no rio Corubal, particularmente na zona do Cheche (região do Boé), era um facto bem conhecido e documentado nos anos 60/70.

Muitos relatos de militares portugueses que operaram no setor de Madina do Boé e no atravessamento do Cheche mencionam o perigo  dos crocodilos, tanto durante patrulhas e "cambanças". Falta, no entanto, documentação fotográfica.
 
O Cheche ficou tragicamente marcado na historiografia da Guerra do Ultramar. Durante a operação de retirada de Madina do Boé, no dia 6 de fevereiro de 1969, a jangada que transportava as tropas adornou no rio Corubal,  em Cheche.

Embora a maioria das mortes (47 homens, 46 militares e 1 civil ) tenha ocorrido por afogamento devido ao peso do equipamento e à forte corrente do rio, o medo dos crocodilos
terá sido também um fator psicológico adicional para os sobreviventes que tentavam alcançar as margens ou voltar  à jangada.

A presença destes animais continua a ser uma característica da região até aos dias de hoje, sendo o Boé uma das zonas de maior importância para a conservação da vida selvagem na Guiné-Bissau.


(ii) Observações em zonas próximas ao Corubal:

O Corubal, depois do Geba, é o maior rio de água doce da Guiné-Bissau.Nasce nas redondezas da cidade de Lélouma, no maciço de Futa Djalon, na Guiné-Conacri, e desagua no rio Geba, na margm esquerda, a cerca de 50 quilómetros a montante de Bissau. Tem um comprimento de 560 km, É considerado o rio mais selvagem da Ãfrica Ocidental.

O turismo e os guias locais mencionam a presença de crocodilos no Parque Natural das Lagoas de Cufada, que inclui partes das margens e afluentes do rio Corubal e dos seus sistemas.

O Corubal, devido às suas características geográficas (margens íngremes em certas zonas, correntes fortes e áreas de águas mais paradas e profundas), constituía um habitat ideal para estes répteis.

A região do Boé, perto da fronteira com a Guiné-Conacri, é conhecida pela sua biodiversidade e pela presença de zonas húmidas que, historicamente, seriam habitats adequados para crocodilos, hipopótamos e outros animais, répteis, mamíferos, aves.

Há relatos de avistamentos de crocodilos no rio Corubal, embora a sua presença atual possa ser menos frequente do que no passado, devido aos fatores mencionados acima.


(iii) Estudos científicos modernos

Um estudo recente de distribuição de crocodilos em Guiné-Bissau registrou presenças de crocodilos em vários rios importantes e lagoas, incluindo evidências (observações, pistas ou informações locais) em áreas como o rio Corubal e seus afluentes.

Um estudo que usou eDNA (técnica de detecção de DNA no ambiente) ao longo do rio Corubal não detectou crocodilos diretamente nos locais da amostragem, apesar de se saber que eles existem na região. Isso pode dever-se à limitação dessa técnica ou ao facto de os crocodilos estarem presentes principalmente em zonas marginais, lagoas ou áreas sazonais menos amostradas.

(iv) Espécies

As espécies mais comuns eram (e são) o Crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus), que pode atingir grandes dimensões (no rio Cacheu), e o crocodilo-anão africano (Osteolaemus tetraspis) (sobretudo em zonas húmidas e lagoas ligadas ao rio Corubal).

Também é referido o Crocodilo-de-focinho-delgado (Mecistops cataphractus)

(v) Outros rios: Cacheu

É uma das zonas com mais crocodilos do país O rio Cacheu atravessa uma vasta área de mangais e estuários, hoje protegida como Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu, que contém um dos maiores blocos contínuos de mangal da África Ocidental. 

Esse habitat é muito favorável aos crocodilos. Os mangais, águas calmas e abundância de peixe. criam condições ideais para populações relativamente densas desses répteis.

É também onde há mais relatos de ataques. Vrios estudos e registos indicam que os ataques documentados na Guiné-Bissau aparecem frequentemente na região do Cacheu. Um estudo recente menciona inclusive um ataque a um pescador no rio Cacheu em janeiro de 2025.

A mesma investigação sugere que os ataques atribuídos historicamente a crocodilos na região podem envolver o crocodilo-do-Nilo, espécie maior e potencialmente mais perigosa. Há vários fatores: (i) grande população de crocodilos nos mangais: (ii) muita interação humana com o rio (pesca, transporte em canoas, lavagem, banho); (iii) águas turvas e margens baixas, ideais para emboscadas; (iv) tabancas ribeirinhas dentro da área protegida.

Ou seja, o problema não é só o número de crocodilos, mas o contacto diário com eles. Mas o rio Cacheu não é o único rio perigoso;  há também o Geba, o Cacine, o Grande de Buba... Só que o Cacheu é frequentemente citado porque combina densidade de crocodilos com população humana ribeirinha (o que não acontece no Corubal, que atravessa, ou atrevassa, no passado, zonas maia despovoadas, nbomeadamente no Boé).


Conclusão

Sim, há evidências de que crocodilos vivem ou já foram observados nas margens e zonas alagadas do rio Corubal e áreas adjacentes na Guiné-Bissau.

Em 1969, existiam, pois, crocodilos no rio Corubal, incluindo na zona de Cheche, e eram reconhecidos como um perigo potencial para quem frequentava o rio, especialmente em zonas de travessia e margens. 

Durante a guerra colonial, vários ex-combatentes portugueses mencionaram a presença de crocodilos nos rios da Guiné-Bissau, incluindo o Corubal, embora não haja registros científicos detalhados sobre a zona do Boé.

Não há relatos específicos de ataques a humanos em Cheche nesse ano de 1969, mas a sua presença e reputação como "comedores de homens" eram bem conhecidas entre os militares, guias e populações locais.

A sua presença pode não ser uniforme por todo o rio e pode ser mais frequente em zonas lentas, lagoas laterais e ambientes húmidos associados ao sistema fluvial. A detecção direta moderna em alguns trechos pode ser difícil devido a fatores ambientais e métodos de amostragem.

(Pesquisa: LG + IA  (Gemini | Le Chat Mistral | ChatGPT)

 (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27779: As nossas geografias emocionais (63): Farim, ao tempo do Manuel Jordão Revelos, ex-sold at art, CART 2384 (Farim, Mansoa, Mansabá, 1968/70)


Foto nº 1 > Guiné > Região do Oio > Farim > 1969 > CART 2384 (1968/70)  > Vista aérea parcial da vila de Farim, sede de circunscrição e de batalhão


Foto nº 2 > Guiné > Região do Oio > Farim > 1969 > CART 2384 (1968/70)  > Piscina local (construída em 1958)


Foto nº 3 > Guiné > Região do Oio > Farim > 1969 > CART 2384 (1968/70)  > K3/Saliquinhedim

~
Foto nº 4 > Guiné > Região do Oio > Farim > 1969 > CART 2384 (1968/70) > NRP Sagitário, LFG P1131. Da classe Argos, este e outros navios estiveram ao serviço da Marinha Portuguesa, entre 1963 e 1975. 

Esta LFG  é a última, de  1965, tendo sido abatida em 7 de Setembro de 1974 e afundada a 21, a 104 milhas a Oeste de Bissau. Foram construídas do Arsenal do Alfeite e nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Tinham todas nomes de constelações (além destas,  havia ainda as seguintes: Dragão, Cassiopeia, Hidra. Escorpião, Pégaso, Lira, Orion, Centauro).


Foto nº 5 > Guiné > Região do Oio > Farim > 1969 > CART 2384 (1968/70) > Peixe-serra, capturado no rio Cacheu.

Fotos (e legendas): © Manuel Jordão Revelos (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Manuel Jordão Revelos (n. 1946,  Lavos, Figueira da Foz; mora em Cacia, Aveiro)


1. Manuel Jordão Revelos, natural de Lavos, Figueira da Foz; nasceu em 15/12/1946; mora em Cacia, Aveiro; foi sold at art, CART 2384 (Farim, Mansoa, Mansabá, 1968/70), mobilizada pelo RI 10,GACA 2. Partiu no T/T Niassa em 1/5/1968, regressou no mesmo navio em 3/1/1970.

Sobre a CART 2384 só tínhamos até agora 1 referência. E não temos nenhum representante. O Manuel Jordão Revelos, se nos ler, fica desde já convidado a sentar-se à sombra do poilão da Tabanca Grande. Estamos-lhes gratos pela partilha pública destas fotos de Farim e arredores.

Originalmente estas imagens estavam alojadas no portal Prof2000, que foi descontinuado: tinha uma excelente galeria de fotos, enviadas por antigos combatentes (e não só) da região de Aveiro ; era "um projecto com serviços de suporte à formação de professores a distância e de apoio às TIC nas escolas", tendo como público-alvo "Escolas, Centros de Formação, Centros Novas Oportunidades, professores, projectos de escola e comunidade educativa em geral". 

A página (que foi também recuperada pelo Arquivo.pt)  está agora alojada no Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE) > Aveiro e Cultura > Arquivo Digital.

Ficámos a saber que uma decisão tomada em Lisboa, capital deste país macrocéfalo,  teve um efeito sísmico neste portal (Prof2000), como nos conta o coordenador do projeto (email: henriquejcoliveira@gmail.com ), que presumimos ser professor do AEJE, em Aveiro:

"Os responsáveis pela manutenção dos servidores do Ministério da Educação e Cultura, ao fim de 18 anos de compilação de documentos, eliminaram todo o espólio cultural do projecto comunitário Aveiro e Cultura. 

"Todas as hiperligações tiveram de ser refeitas para o novo alojamento, pelo que, eventualmente, algumas poderão não funcionar. Por isso, agradecemos a informação, para podermos corrigir o erro. Obrigado."

O  Arquivo Digital sobre Aveiro e Cultura (alojado no AEJE - Agrupamento de Escolas José Estêvão) tem como objectivo:
  •  a constituição de uma base colectiva de imagens, 
  • de livre utilização,
  • abrangendo todas as áreas temáticas,
  • obtidas de diferentes suportes (fotografias antigas, postais, diapositivos, etc.).
"Todas as imagens poderão ser livremente utilizadas, desde que não seja para fins comerciais, devendo-se ter o cuidado de indicar os respectivos autores e o endereço do local onde se encontram".

Obrigado, Henrique Oliveira. Parabéns pelo acervo fotográfico reunido e salvaguardado com tanto rigor e carinho. Muitas destas imagens estavam condenadas a ir parar á "cesta secção", ou seja, a "pubela", ao caixote do lixo.
_______________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 24 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27766: As nossas geografias emocionais (62): Visita sanitária à região do Boé, em 1981 (Henk Eggens, médico especialista em saúde global, cooperante na Guiné-Bissau, 1980-1984)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região do Oio > Farim > 7 de junho de 2022 > Crocodilo-do-Nilo (Lagarto, em crioulo) (Crocodylus nilotcus)... Está protegido por lei... Pode atingir os 7 metros de comprimento... e atacar o homem.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné- Bissau > Região de Biombo >  s/l  > s/d  (c-. 2009) > O crocodilo da Praia do Biombo 

Foto (e legenda):  © Patrício Ribeiro (2009). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Região do Cacheu > São Domingos > Novembro de 2015 > Captura de dois crocodilos "assassinos" no rio Cacheu... Um deles foi exposto numa árvore, juntando uma multidão de curiosos...

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2015). Todos os direitos reservados. .[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto nº 4 > Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917 (1970/72), o alf mil médico Vilar (popularmente conhecido como o "Drácula", mais tarde psiquiatra) e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca) com um crocodilo juvenil do rio Geba Estreito...
 
Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

O Polidoro Monteiro, já falecido, gostava de caçar. Incluindo à noite, utilizando os faróis do jipe, na orla da pista de Bambadinca. Lembro-me dele como tendo sido o único oficial superior que andou connosco (CCAÇ 12), a penantes no mato (pelo menos, uma vez, quando se foi inteirar dos seus domínios, o sector L1; veio de Bissorã e era considerado um spinolista, mesmo sendo de infantaria).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Na Guiné, no meu tempo (1969/71), a malta não tomava banho à vontade nos rios, por muitas razões, a começar pelas de saúde e segurança... E, claro, o medo de répteis em geral e crocodilos, em particular... Herpetofobia, é o palavrão...

Sabemos que não havia "jacarés" em África (só no Novo Mundo), mas os crocodilos estavam no nosso imaginário quando lá chegávamos... Para o "tuga", crocodilo ou jacaré era tudo o mesmo... 

Parece que o Crocodylus niloticus sofreu uma redução drástica, na África Ocidental, desde há dois séculos, com o colonialismo e a pressão humana (caça, procura da pele, redução do habitat, poluição, etc.). E terá desaparecido de muitos rios da África Subsaariana.

Mas será que ainda havia crocodilos em todos os rios da Guiné, no nosso tempo? Os restos mortais dos nossos infortunados camaradas que caíram ao rio Corubal, em Cheche, terão sido também devorados por crocodilos? Há relatos, no blogue, de cadáveres que foram recuperados (no Geba e no Corubal), parcialmente mutilados...

Em anos mais recentes, o rio Cacheu tem sido notícia por más razões, as do eterno conflito entre a vida selvagem e as comnunidades humanas ribeirinhas... 

No rio Cacheu um habitat de crocodilos de grande porte, tem sido reportados e documentados ataques esporádicos daqueles réptéis, quer pelos habitantes da região quer pela imprensa de Bissau. E pelo nosso Patrício Ribeiro, o "tuga" que melhor conhece a Guiné (vd. fotos nºs 1, 2, e 3).

Por outro lado, os rios da Guiné, de águas barrentas e margens indefinidas (no tempo das chuvas), metiam respeitinho, sobretudo quando a malta fazia uma "cambança" de canoa... Cair-se ao rio era quase morte certa...

Enfim, vamos ver o que as diferentes ferramenta de IA nos dizem a respeito destes bichos feios e predadores, mas raramente visíveis por nós (ambos, "criaturas de Deus", diria o São Francisco, que nunca deve ter visto a mandíbula de um crocodilo-do-Nilo). 

Tal como os hipopótamos, que os havia no rio Corubal, no meu tempo (1969/71)... Mas esses faziam-se notar à distância, pelos seus urros... 

Comecemos por este "juvenil" de crocodilo da foto nº 4, freguês do Mato Cão, onde fomos muitas vezes (e onde, depois em finais de 1971/princípios de 1972, será montado um destacamento, por onde passaram alguns dos nossos grão-tabanqueiros). 

Confesso que nunca lá vi nenhum crocodilo, no Mato Cão. Nem tinha nem vagar para os observar. Mas o crocodilo era como o "Zé Turra", hábil no engenho e na arte de se camuflar e furtar ao contacto do "Zé Tuga", mesmo que estes dois pertencessem à mesma Ordem, a dos Primatas, e à mesma Espécie, a do Homo Sapiens Sapiens. A espécie que está no topo dos grandes predadores.


Pergunta à IA:  Crocodylus niloticus ou Osteolaemus tetraspis ? Juvenil, apanhado em 1971 no rio Geba Estreito, no Mato Cão (sujeito às marés, logo, água salgada) (foto nº 4)


Responde  a "menina IA"  ( europeia,  Le Chat / Mistral):

A espécie de crocodilo na imagem, apanhada em 1971 no rio Geba Estreito (Mato Cão, Guiné-Bissau), e que o nosso Paulo  Santiago segura, pela mandíbula superior, é quase certamente um Crocodylus niloticus, o crocodilo-do-Nilo.

Razões:
  • Distribuição geográfica: o Crocodylus niloticus é comum em toda a África subsaariana, incluindo a Guiné-Bissau, enquanto o Osteolaemus tetraspis (crocodilo-anão) tem uma distribuição mais restrita, principalmente em florestas tropicais da África Ocidental e Central, mas é raro ou ausente em habitats como o rio Geba, que é influenciado por marés.
  • Tamanho e morfologia: mesmo sendo um juvenil, o corpo alongado e a forma da cabeça são mais consistentes com o Crocodylus niloticus; o Osteolaemus tetraspis tem um focinho mais curto e largo, e é geralmente menor, mesmo em idade adulta.
  • Habitat: o Crocodylus niloticus é adaptado a rios, lagos e estuários, enquanto o Osteolaemus tetraspis prefere águas mais calmas e florestais.
  • Contexto histórico: durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-74), era comum os soldados entrarem em contacto com a fauna local, incluindo crocodilos, especialmente em zonas ribeirinhas como o Geba ou o Cacheu.

2. Distinção entre "lagarto" e "lagarto preto"

Ficha técncia: Crocodilo-do-Nilo ("Lagarto", em crioulo) (Crocodylus nilotcus) (pág. 28)

"Lagarto preto", em crioulo  (Osteolaemus tetraspis) (pág. 28), Também conhecido na África Equatorial como crocodilo-anão.

Fonte: República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP , https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf)


3. Comentou o Paulo Santiago, em complement0o da legenda da foto nº 4:

"Quem avistou o réptil, a caminho do Mato Cão, foi o soldado que conduzia o Sintex. Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada. 

"Notou-se o animal acusar o tiro. O "barqueiro" aproxima o bote, o crocodilo tem ferimento num dos membros, abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho fecha a boca, abana a cabeça, e o futuro psiquiatra quase mergulha...

"Valeu-lhe o ten-cor Polidoro Monteiro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça. Chegados ao destacamento, o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho. Fizeram uns 'bifes' da cauda, dos quais não comi nenhum.

"Eu e o Vilar regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O comandante Polidoro ficou no destacamento e, como acontecia várias vezes, houve flagelação ao anoitecer".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 às 19:36:27 WET

(Continua)
 ___________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)