
Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região do Oio > Farim > 7 de junho de 2022 > Crocodilo-do-Nilo (Lagarto, em crioulo) (Crocodylus nilotcus)... Está protegido por lei... Pode atingir os 7 metros de comprimento... e atacar o homem.
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2009). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2015). Todos os direitos reservados. .[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".
O Polidoro Monteiro, já falecido, gostava de caçar. Incluindo à noite, utilizando os faróis do jipe, na orla da pista de Bambadinca. Lembro-me dele como tendo sido o único oficial superior que andou connosco (CCAÇ 12), a penantes no mato (pelo menos, uma vez, quando se foi inteirar dos seus domínios, o sector L1; veio de Bissorã e era considerado um spinolista, mesmo sendo de infantaria).
Fonte: República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP , https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf)
3. Comentou o Paulo Santiago, em complement0o da legenda da foto nº 4:
"Eu e o Vilar regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O comandante Polidoro ficou no destacamento e, como acontecia várias vezes, houve flagelação ao anoitecer".
(Continua)
___________________
Nota do editor LG:
Último poste da série > 6 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)


8 comentários:
Quem avistou o réptil,a caminho do Mato Cão,foi o Soldado que conduzia o Sintex.Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada.Notou-se o animal acusar o tiro.O "barqueiro" aproxima o bote,o crocodilo tem ferimento num dos membros,abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho,fecha a boca,abana a cabeça,e o futuro psiquiatra quase mergulha...valeu-lhe o Ten-Cor. Polidoro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça.
Chegados ao destacamento,o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho.Fizeram uns "bifes" da cauda,dos quais não comi nenhum.
Eu e o Vilar,regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O Comandante Polidoro ficou no destacamento,e como acontecia várias vezes houve flagelação ao anoitecer,
Oh, Paulo, comer um bicho que come seres humanos, acaba por ser canibalismo... Ou não? Este juvenil ainda não devia ter provado carne humano... Quem sabe ? Eles também são necrófagos... Mas a gente come tanta m*rda, a começar pelos crustáceos... Devemos ser a espécie mais oportunistica da criação...
Oh, Paulo, comer um bicho que come seres humanos, acaba por ser canibalismo... Ou não? Este juvenil ainda não devia ter provado carne humano... Quem sabe ? Eles também são necrófagos... Mas a gente come tanta m*rda, a começar pelos crustáceos... Devemos ser a espécie mais oportunistica da criação...
Quando como uma navalheira, que adoro, nunca fico a pensar que posso estar a "comer" também os olhos de um desgraçado de um náufrago...
Somos os maiores necrófagos do planeta, só comemos cadáveres.
A espécie de crocodilo mais comum em Angola era o crocodilo-do-Nilo. Em Angola ele era chamado "jacaré", por influência do Brasil, com o qual Angola manteve durante séculos uma choruda relação "comercial", leia-se tráfico de escravos. Vi muitos crocodilos por lá e até comi um, em Ponte do Zádi, no extremo norte de Angola, onde esteve instalada a sede da minha companhia durante a segunda parte da nossa comissão militar.
A carne de crocodilo é comestível, mas está muito longe de ser um manjar dos deuses. É uma carne branca, muito fibrosa, e sabe a peixe, que é o que os crocodilos costumam comer sempre que não encontram alguém para saciar o apetite.
Quando a população local soube que nós tínhamos comido carne de crocodilo, passou a olhar para nós como se olhasse para canibais. Aquele bicharoco poderia ter comido alguém e nós teríamos comido carne humana indiretamente. Tivemos alguma dificuldade em convencer as pessoas de que naquela região não havia notícia de alguém ter sido comido pelos crocodilos há um ror de meses e, por isso, a probabilidade de aquele réptil em particular ter comido alguém era baixíssima. Pedimos-lhes imensa desculpa e prometemos nunca mais repetir a "proeza". Acabaram por fazer as pazes connosco e o caso passou à história.
Não era preciso ir ao mato profundo para ver crocodilos em Angola. Na barragem das Mabubas, situada a menos de 100 km de Luanda, podiam ver-se muitos crocodilos, imóveis, a aquecerem-se a sol, nas margens da albufeira da barragem.
Também conheci em Angola crocodilos de uma outra espécie, chamados agentes da PIDE, que eram ainda mais perigosos do que os crocodilos-do-Nilo. Representavam permanentemente a rábula do "polícia bom" e do "polícia mau", sempre na expectativa de que caíssemos na esparrela, mas tanto um como o outro eram verdadeiros facínoras. Assim que se deu o 25 de Abril, "evaporaram-se"... Constou que fugiram para a Namíbia, que estava sob domínio sul-africano.
Fernando, é um tema apaixonante da área da antropologia, etnologia cultural, gastronomia, religião, história...Nunca comi crocodilo, nem macaco, nem cão... Em situação de fome extrema (ou até por bravata...) se calhar até poderia comer... Nunca digas que desta água não beberei... Como outras coisas esquisitas como sapateira, navalheira, lavagante, sem esquecer os "tomates de carneiro"...
Canibalismo não é comer crocodilo que come homens...Mas há relutância cultural, em comer carne de crocodilo, em certos povos de Angola (como tu confirmas). Na Guiné, o felupe, da região do Cacheu, come crocodilo como no passado comia inimigo e defunto (necrofagia ritual, cultural). O fula, muçulmano (tal como o mandinga, o biafada, o nalu...), não come crocodilo nem chimpazé nem babuíno. Não sei sei o balanta mané, muçulmano, é esquisito em relação a isto... Gostava de saber mais sobre os balantas, a "carne para canhão" do PAIGC...
O canibalismo ritual, os tabus alimentares e a relação entre cultura, religião e sobrevivência são temas que dão pano para mangas. Vou publicar o teu comentário em poste.
Na Guiné, lidei com os fulas, nunca vi ninguém comer crocodilo. Nem era habitual caçar crocodilo no rio Geba... lá para os meus lados (estive em Contuboel, Geba/Sara Ganá, Bambadinca..., mas mais em Bambadinca).
E dos felupes sei pouco: o canibalismo ritual (praticado por eles no passado) não era apenas uam questão de "comer carne humana" (logo da mesma espécie), mas sobretudo poder incorporar a força, a coragem ou o espírito do inimigo ou do "homem grande" da tabanca, que se finou. É um ato simbólico, muitas vezes ligado a rituais de passagem, guerra ou luto.
Portanto, na Guiné, havia (não sei se ainda há...) práticas de necrofagia ritual. Conheci um felupe, "cortador de cabeças" (e que as gostava de guardar): mostrou-me uma, à minha frente... Um espetáculo macabro!
Quanto à carne de crocodilo: em culturas africanas, o crocodilo é visto como um animal sagrado ou perigoso. Objeto de esculturas em madeira fabulosas...Para o Felupe (animista, no passado, cristão, hoje), se calhar comê-lo poderá ser uma forma de dominar o seu poder; para o fula (muçulmano) (e também para o mandinga), a proibição está ligada à "halal" (o crocodilo, tal como o porco, não é considerado "puro" no Islão; o mesmo se passa com o chimpanzé ou o babuíno (macaco-cão), por serem primatas ou animais com características "humanizadas"). O chimpanzé ou "dari" era um ferreiro castigado por Alá por trabalhar ao sábado.
Sobre Angola, pelo nos que contas e pelo que li, especialmente entre povos como os Ovimbundu ou Ambundu, há também tabus em torno de certas carnes, como a de crocodilo ou de macacos. Isso pode estar ligado a: (i) crenças animistas: o crocodilo é visto como um guardião dos rios, um ser com ligações espirituais (semelhante aos "irãs" da Guiné); (ii) influência colonial e religiosa: o cristianismo (mais eurocêntrico) e o islão (mais tolerante em relação a certos aspetos das culturas locais) introduziram novas proibições, sobrepondo-se a práticas tradicionais.
Sobre os fulas e a diética islâmica... O nosso Cherno Baldé é que pode falar de cátedra sobre isto... Mas sabemos que os fulas, como muçulmanos, seguem restrições alimentares baseadas no Alcorão e na Suna. Animais como crocodilos, macacos ou babuínos são "haram" (proibidos) porque: (i) não são abatidos segundo os rituais islâmicos; (ii) são considerados "impuros" ou associados a comportamentos "humanos" (no caso dos primatas)...
A malta na Guiné não se aperecebia mas os caçadores (mandingas, fulas...) tinham os seus rituais próprios antes, durante e depois da caça. A carne de caça, para ser "halal", exige condições específicas (ex.: o animal deve ser abatido com uma faca afiada, invocando o nome de Alá). (...)
(Continua)
Continuação)
(...) Por fim, não podemos deixar de falar da dicotomia tabu/sobrevivência... Na Europa, durante a II Guerra Mundial, até os ratos se comeram (um animal profundamente repelente para um cristão ocidental, que na memória coletiva está associado à peste, à fome e â guerra)... Lembram-se ? Na igreja, aprendemos a rezar: "Da peste, da fome e da guerra... e do bispo da nossa terra, Libera Nos, Domine! (, livrai-nos., Senhor!).
Na guerra, a fome e o instinto de sobvrevivência quebram tabus. O PAIGC caçava hipopótamo e macaco-cão, não por escolha cultural, mas certamente por sobrevivência. Eram o "Mcdonalds" das "áreas libertadas"... O mesmo aconteceu noutros conflitos africanos (ex.: na guerra civil de Moçambique, onde houve relatos de casos de canibalismo por fome extrema).
É uma velha máxima: em tempo de paz, os tabus voltam a dominar; em tempo de crise (como a guerra), a cultura adapta-se.
Um candando, abraço em "angolês". Luís
PS - Vou comer uma "cachupa" com malta de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde... e Portugal. Retornados, alguns. Tabanca do Ministério da Agricultura. Viva a lusofonia.
Enviar um comentário