
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 21 de Janeiro de 2026:
Queridos amigos,
Depois de longos e cuidados restauros e obras de conservação, o Parque e o Palácio Biester abrem-se ao público no seu espantoso desenho em declives, obra de um célebre paisagista francês, François Nogré, que organizou espaço com uma série de patamares com diferentes vistas para o Palácio, as espécies arbóreas como a Nogueira-do-Japão, faias, plátanos e camélias e fetos arbóreos asseguram o jogo de cores quase caleidoscópico, e lá no cimo vemos um Palácio romântico, faz boa parentela com outro património próximo, a Quinta da Regaleira, os cabalistas e esotéricos têm muito aqui para se entreter, basta pensar na Capela templária e na Câmara Iniciática. O Palácio destaca-se pelo seu ecletismo e exuberância, revela o bom gosto da época em toda a sua magnificência, como continuaremos a ver seguidamente.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (245):
O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 1
Mário Beja Santos
Quem gosta de obras românticas de grande aparato, o Palácio Biester, que alguns tratam por chalé, satisfaz plenamente os aficionados mais exigentes. O Palácio está no ponto alto de um Parque de indiscutível beleza. Era, para a época, uma proeza paisagística, uma conceção com um elevadíssimo grau de dificuldade, com espaços que aparecem designados no mapa que se oferece ao visitante com nomes tais como Cascata das Camélias, Ponte dos Fetos Australianos, Passeio Bordallo Pinheiro, Largo dos Fetos Australianos ou Tanque dos Plátanos. As espécies que encontramos no parque são, em alguma medida, transversais às existentes no Parque da Pena, constituindo-se por uma grande variedade de exemplares exóticos importados dos quatro cantos do mundo; desde as espécies cameleiras com origem na China e no Japão, às faias verdes e vermelhas da Europa Central, até aos fetos da Austrália e aos abetos norte americanos. Para ser sincero, não se pode dissociar a obra romântica do Palácio dos esplendores que oferece o Parque. É possível comprar na receção um volume com a história do Palácio e dos seus proprietários, encontrei um site que talvez tenha utilidade para o leitor: https://serradesintra.net/chalet-biester/, poderá mesmo ver o ator Johnny Deep, no filme a Nona Porta, que teve filmagens no Palácio de Biester.
A Cascata dos Plátanos, junto da receção do Palácio Biester
Uma nogueira-do-Japão, uma árvore que, apesar do seu nome comum em português mencionar o Japão, é na verdade nativa da China, onde se pensou que poderia estar em vias de extinção. Com mais de 200 milhões de anos, trata-se da espécie arbórea mais antiga do planeta, o que faz com que os seus exemplares sejam muito presados pela cultura de diferentes civilizações. Com tonalidades que se manifestam desde os verdes até a um espantoso amarelo-açafão, pela altura do outono. À época, foi uma adição rara escolhida por François Nogré para o Parque Biester, que dela possui dois exímios espécimes com dimensões generosas.Entrada do Palácio de Biester
Para se chegar aqui saiu-se do comboio em Sintra, atravessou-se a vila, havia que pôr-me ao caminho da Estrada Nova da Rainha, o Palácio Biester antecede a Quinta da Regaleira. Entra-se no parque, depois da bilheteira temos a cascata dos Plátanos e começa um sinuoso percurso até se chegar ao cimo, ao Palácio. Não se resistiu a fotografá-lo cá de baixo. É na verdade um chalé romântico, nem se sonha o que há no seu interior de neogótico, vê-se à vista desarmada que é construção dos fins do século XIX, tem uma traça eclética e exuberante, os seus alçados são francamente elegantes, o famoso arquiteto José Luís Monteiro foi feliz nesta construção cheia de harmonia.Estamos no rés-de-chão, há por aqui inúmera beleza, na biblioteca, na sala de música, na sala de estar e no salão de festas; a escadaria principal é de cortar o fôlego. Quem mandou construir não se poupou a despesas, escolheu artistas consagrados. Olhe-se para a beleza deste teto, obra de Luigi Manini, um famoso cenógrafo do teatro de São Carlos, decorador reputado.
Um pormenor da biblioteca, uma das mais peculiares salas do Palácio, aqui se albergava o acervo literário, servia de sala de leitura e consulta de documentos e agenda
É impressionante a qualidade do trabalho dos revestimentos, a ambiência neogótica, uma bela lareira azulejada, convém recordar que andou por aqui Rafael Bordalo Pinheiro, além de genial caricaturista possuía a célebre fábrica de cerâmica nas Caldas da Rainha. Este é um pormenor do salão de festas, sala dedicada a celebrações e bailes, a divisão foi claramente projetada a pensar no tempo mais invernoso.
A sala de refeições, atenda-se ao requinte das decorações das paredes
Podia ser uma pintura, mas não é. De um dos quartos, teve-se muita sorte na hora e na luz, até parece que o Castelo dos Mouros emerge de um eriçado mundo vegetal e parece estar ao alcance da mão, ilusão da ótica, o arquiteto concebeu o edifício dispondo no rés-de-chão a área social, ou seja, a sala de estar, o salão de festas e a sala de música, não falta mesmo um espaço privado que é a biblioteca, e dispôs no primeiro andar os quartos e a capela, as varandas e janelas parece que foram talhadas para um grande espetáculo cénico.O que se avista desta varanda é esplendoroso, de um lado a vila, do outro um património um tanto afim, a Quinta da Regaleira, os cabalistas e esotéricos aqui procuram câmaras iniciáticas, códigos templários, simbologias por decifrar.
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 21 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27759: Os nossos seres, saberes e lazeres (723): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (244): Paula Rego, o guarda-roupa do seu estúdio num diálogo com as obras que lhe correspondem - 3 (Mário Beja Santos)










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