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terça-feira, 14 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28183: Tabanca Grande (583): Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo, ex-Alf Mil Inf do GA 7, 1973/74, grão-tabanqueiro n.º 917

1. Mensagem enviada ao editor Luís Graça em 25 de Junho de 2026, pelo camarada e novo amigo da Tabanca Grande, Eduardo Manuel Vieira de Brito Azevedo, ex-Alf Mil Inf, que fez a sua comissão de serviço no GA 7 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1974:

Caro camarada Luís Graça,
Na sequência da troca de mensagens sobre o assunto com o meu ex-cunhado Luís Vaz, e agradecendo desde já a disponibilidade que me concedes para integrar o Blogue que criaste e diriges, seguem abaixo e em anexo os elementos solicitados.

Desde já, o meu muito obrigado e uma saudação muito especial aos camaradas da Tabanca.
Eduardo


Alf Mil Inf Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

Nota biográfica:

- Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo;
- Alf. Mil. de Inf. (Nº Mecº. 05074273);
- Nascido a 15 de junho de 1952 em Angra do Heroísmo, onde reside;
- Cumpriu serviço militar no GA7, Guiné-Bissau, de dezembro de 1973 a setembro de 1974;
- É doutorado em Ciências Atmosféricas e Prof. Jubilado da Univ. dos Açores;
- É Project Manager e investigador na “Eastern North Atlantic (ENA) Atmospheric Observatory”, uma infraestrutura científica financiada pelo DOE dos EUA e operada pelo Los Álamos National Laboratory;
- É membro da Academia de Marinha, Director do Observatório do Ambiente dos Açores e Comendador da Ordem da Instrução Pública.

Foto actual do nosso amigo Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

2. Comentário do editor CV:

Caro Eduardo Azevedo,
Em nome do editor Luís Graça, demais colaboradores permanentes e tertúlia em geral, estou a receber-te e a dar-te as boas-vindas à tertúlia. Vais ocupar o simbólico lugar 917 da nossa tertúlia, equivalente ao número de camaradas (mortos e vivos) constantes nas nossa listagem.

A maioria da tertúlia deste blogue é composta por antigos combatentes da Guiné, militares do Quadro Permanente, amigos da Guiné-Bissau e combatentes de outros TOs, como foi o caso do Carlos Cordeiro, Furriel Miliciano em Angola nos anos de 1969/70/71, infelizmente já falecido, também ele professor na Universidade dos Açores.

Como tinha uma filha residente na cidade do Porto, vinha aqui muitas vezes pelo que acabei por conhecê-lo pessoalmente. Sempre que era possível combinávamos um encontro. Nas comemorações do Dia 10 de Junho, comemorado aqui em 2017, quis desfilar a meu lado. Sendo irmão do malogrado Capitão Paraquedista João Costa Cordeiro, falecido num estúpido acidente durante um salto de treino na Guiné, quis fazer parte da nossa tertúlia onde tem participação activa. Infelizmente uma doença grave levou-o prematuramente.

É da praxe pedirmos aos novos elementos da tertúlia a sua colaboração para a feitura da nossa memória colectiva, aquela que queremos escrita na primeira pessoa, nós próprios.

A tua permanência na Guiné coincidiu com o fim do império e a entrega das então províncias ultramarinas aos respectivos povos, pelo que nós, os mais velhos, temos uma particular curiosidade em saber como cada um de vós viveu esse período. Aceitamos memórias escritas e fotografadas. Contamos contigo.

Pessoalmente tenho uma admiração particular pelos compatriotas insulares, nem melhores nem piores, mas diferentes, porque o mar nunca foi um obstáculo para poderem alcançar uma vida melhor, em qualquer ponto de Portugal ou na diáspora. Tenho contacto permanente com o camarada José da Câmara, um compatriota das Flores emigrado nos Estados Unidos. Também o conheço pessoalmente apesar da distância que nos separa. Fez de mim seu mano e da sua família nossa família adoptiva.

Fui para a Guiné integrado numa companhia madeirense, a CART 2732, e curiosamente fomos substituídos em Mansabá por uma companhia açoriana, a CCAÇ 2753. O Estado português proporcionou-me umas férias pagas, com tudo incluído, na Madeira, antes da ida para a Guiné. Posso dizer que estou grato à vida por me ter proporcionado bons amigos medeirenses e açorianos, que apesar de longe estão tão perto de mim.

Despeço-me, deixando-te um abraço e os votos de saúde.
O camarada e novo amigo
Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 14 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Guiné 63/74 - P26748: Memórias de Mansabá (35): Reunião de três mansabanses, Ernestino Caniço (CMDT do Pel Rec Daimler 2208), Jacinto Rodrigues (CMDT do Pel Caç Nat 57) e Carlos Alberto Casquinha da CCAÇ 2403, em Almeirim, à volta de uma Sopa de Pedra (Ernestino Caniço / Carlos Vinhal)


Vista aérea do quartel de Mansabá
Foto: © Carlos Vinhal

1. Mensagem do nosso camarada Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2208 (Mansabá e Mansoa) e Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, (Bissau) (1970/1971), com data de 26 de Abril de 2025:

Caros amigos

Que os DEUSES vos protejam com a saúde nos píncaros.

“Tão calados, os nossos mansabenses”. Foi este o teu comentário, Luís, aquando da postagem de parte das fotografias de Mansabá, do Padre Zé Neves.

Pensando nesta temática, reuni com dois mansabenses em 2025.04.23, num bem-afamado restaurante de Almeirim (meu concelho), para nos deliciarmos com uma ótima sopa da pedra (e não só) e relembrarmos episódios da nossa passagem por Mansabá.

Foto 1 > Almeirim, 23 de Abril de 2025 > À minha direita na foto está o ex-Alferes Mil Carlos Alberto Casquinha, que pertenceu à CCAÇ 2403, comandada pelo Cap. Carreto Maia, e, após terminada a comissão desta, foi para Binar.

À minha esquerda está o ex-Alferes Mil Jacinto Rodrigues, Cmdt do Pel Caç Nat 57, que esteve em Cutia, que integrou em Mansabá a CCAÇ 2403 e posteriormente a CART 2732.

O ambiente tauromáquico não é despropositado, tendo eu integrado o grupo de forcados do colégio Nun´ Álvares de Tomar.

Foto 2 e 3 - Almeirim, 23ABR2025 > O almoço

O Carlos Vinhal deve lembrar-se deles, talvez mais o Rodrigues que esteve lá mais tempo e ao mesmo tempo.

Um grande abraço,
Ernestino caniço

PS – Texto redigido antes da visualização do P26728

Foto 4 > Mansabá > Da esquerda para a direita: ex-Alf Mil Amaral, Cap. Carreto Maia, ex-Alf Mil Rodrigues, ex-Alf Mil Casquinha e eu próprio.
Foto 5 - Estrada Mansabá-Farim, algures entre Mansabá e Bironque, à esquerda o Alf Mil Ernestino Caniço, CMDT do Pel Rec Daimler 2208, fazendo-se acompanhar do ex-Alf Mil Jacinto Rodrigues, CMDT do Pel Caç Nat 57.


2. Comentário do coeditor CV

Como já tive oportunidade de dizer ao nosso amigo Ernestino Caniço, não me lembro de ninguém da CCAÇ 2403, porque tenho ideia de que estiveram poucos dias em sobreposição connosco. Na altura, e durante seis meses, eu trabalhava na secretaria de Comando a tempo inteiro, não tendo por isso actividade operacional.

Lembro-me perfeitamente do Alferes Rodrigues do Pel Caç Nat 57, de quem fui escrivão dos seus autos, assim como do Capitão Carreto Maia, Comandante da CCAÇ 2403, e que após a ida desta Companhia para Bissau, assumiu, em 22ABR70, o comando da CART 2732. Esteve connosco só até meados de Junho de 1970, altura em que acabou a sua comissão de serviço. Seria substituído pelo Capitão José Maria Belo, que também esteve na Companhia durante pouco tempo, por ter sido evacuado para a metrópole por motivo de doença.

A publicação (e legendagem) da foto 5, foi da minha iniciativa, (tenho-a publicada no blogue da CART 2732) porque a acho curiosa, faz-me lembrar dois amigos num descapotável, passeando algures entre Cascais, Estoril, Praia de Carcavelos... A paisagem, apesar de a preto e branco, é belíssima.

Fotos: © Ernestino Caniço
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Nota do editor

Último post da série de 7 de novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13858: Memórias de Mansabá (34): As amêndoas da Páscoa de 1969 (Francisco Henriques da Silva)

sábado, 1 de março de 2025

Guiné 61/74 - P26539: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXII: Mansabá, novembro de 1970, por ocasião da missa de sufrágio por alma do alf mil art MA, Armando Couto, da CART 2372, vitima de mina IN




Foto nº 1 e 1A > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > "Cerimónia fúnebre" (possivelmente a missa de sufrágio que o Padre Zé Neves rezou em Mansabá, no dia 11 de outubro de 1970, em memória do malogrado Alf Mil Art MA Armando Couto, da CART 2732, vítima de uma mina IN cinco dias antes, como nos informa o Carlos Vinhal).  O edifício parece ser o do posto administrativo.


Foto nº 2 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Cerimónia fúnebre em homenagem ao Alf Mil Art MA Armando Couto: a presença dos Homens Grandes de Mansabá



Foto nº 3 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá >   Em segundo plano, à esquerda, a casa do chefe de posto; a messe de oficiais ficava em frente ao posto, junto ao edifício do Comando e Secretaria" (segundo a informação do Carlos Vinhal)
 


Foto nº 4 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Putos


Foto nº 5 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Putos que estavam a guardar o gado: vendo a coluna passar...


Foto nº 6 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Entrada, vindo de Bafatá...Ao fundo o quartel, com destaque para o inevitável depósito de água, como nos restantes quartéis (excelente referência para a artilharia do IN)


Foto nº 6A > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > O aquartelamento visto da entrada (de quem vinha de Bafatá, a sudeste)


Foto nº 7 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Um poilão centenário, gigante, que morreu de pé (1): vítima de um temporal, acabou por ser cortado mais tarde pela engenharia militar...


Foto nº 7A > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Um poilão centenário, gigante, que morreu de pé (2)...



Foto nº 8 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Futura avenida



Foto nº 8A > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Moranças


Foto nº 9 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Espaldáo do morteiro 81


Foto nº 9A > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Pormenor do espaldão do morteiro 81 e, ao fundo, à esquerda, o "castelo"



Foto nº 10 > Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > Chegada do mato: um bazuqueiro...


Guiné > Zona Oeste > BCAÇ 2885 (Mansoa) > Mansabá > 1970> Fotos do álbum do Padre José Torres Neves.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Mensagem do Ernestino Caniço (zeloso e diligente guardião do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário José Torres Neves):


Data - 01/02/2025, 20:10

Assunto - Fotos do Álbum Padre Zé Neves


Caros amigos, boa noite;

Que a saúde esteja no alto, nosso bem mais precioso.

Anexo mais fotos de Mansabá, do álbum do Padre Neves.

Sobre Mansabá existem mais 20 fotografias que serão enviadas oportunamente.

Grande abraço,

Ernestino Caniço


2. Nota do editor LG:


Continuação da publicação das fotos relativas a Mansabá, do álbum da Guiné do nosso camarada José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (*).

Membro da nossa Tabanca Grande, nº 859, desde 2 de março de 2022, é missionário da Consolata, tendo sido um dos 113 padres católicos que prestaram serviço no TO da Guiné como capelães. No seu caso, desde o dia 7 de maio de 1969 a 3 de março de 1971. Veio recentemente de África, vive agora em Lisboa com a boniuta idade de oitenta e muitos.

 Por Mansabá passaram diversos camaradas nossos, que fazem parte da  Tabanca Grande, o Carlos Vinhal e tantos outros: Francisco Baptista, José Carvalho, Vitor Junqueira, Ernesto Duarte, António Pimentel, António J. Pereira da Costa, Ernestino Caniço, Carlos Pinto, Jorge Picado, Manuel Joaquim, José Rodrigues, etc. (são apenas alguns dos nomes que nos vêm à cabeça)...

Sobre Mansabá temos cerca de 340 referências no nosso blogue. Em 11 de novembro de 1970, foi criado ou reativado o COP 6, com sede em Mansabá, abrangenmdo os subsetores de Mansabá e Olossato. O objetivo era assegurar a continuação e o bom andamento da construção da estrada Mansabá-Farim.

3. Comentários dos nossos camaradas que andaram por estas bandas :

(i) Césdar Dias:

Luis, o Padre Neves visitava todos os destacamentos do sector de Mansoa, os mais próximos era visita de médico, nos outros ficava alguns dias, como Mansabá fez parte do sector de Mansoa ele não deixaria de se preocupar com a guarnição, mas não fomos contemporaneos pois eu estive em Mansabá de novembro de 70 a fevereiro de 71, e não me recordo do Padre Neves ter lá ido nessa data.

Mas o Padre Neves provavelmente esteve em Mansabá antes do sector passar para o COP6.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025 às 15:49:00 WET 

(ii) Carlos Vinhal:

Caro César Dias: O Pe. Neves rezou em Mansabá, que me lembre, uma Missa de sufrágio, no dia 11 de outubro de 1970, em memória do malogrado Alf Mil Art MA Armando Couto, da CART 2732, vítima de uma mina IN 5 dias antes.

Como bem referes, Mansabá passou a sede do COP6 em meados de Novembro, deixando a CART 2732 de estar adstrita ao BCAÇ 2885.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025 às 17:22:00 WET 


(iii) Carlos Vinhal:

(,,,) Na estrada Mansoa-Mansabá, só em 1973 morreram 18 camaradas, entre metropolitanos e guineenses. Em Janeiro de 1972 morreram 2 camaradas da minha CART 2732.

No meu tempo, entre Mansabá e Farim, rebentou em julho de 1971 uma mina no Bironque, aparecendo outra em dezembro, no mesmo local, detectada pelos meus camaradas da 2732 e levantada por mim.
Fazer colunas entre Mansoa e Farim nunca foi pacífico. (...)


(iv) Carlos Vinhal:

Na foto n.º 9 (*) aparece ao fundo, na estrada de acesso a Mansabá, um gigantesco oiláo, muito velhinho, que um temporal derrubou. Foi preciso vir a Engenharia para o remover. Enquanto lá permaneceu causou imensos transtornos ao tráfego local, principalmente nas horas de ponta.

Nas fotos 12 e 12A parece-me reconhecer o abrigo da Mancarra. Posso estar enganado.

O Castelo era um ponto muito importante na defesa de Mansabá, estava integrado na povoação. Situado na estrada Mansoa-Farim, onde havia uma bifurcação para a alameda de acesso à Porta de Armas do quartel. Estava equipado com um Breda que cobria uma área muito abrangente. Confesso que não me lembro do nome dos nossos militares que lá viviam em permanência.


(v) Ernestino Caniço:

A CCAÇ 2403 a que o meu Pel Rec Daimler 2028 esteve adstrito cerca de 2 meses e era comandada pelo capitão Carreto Maia, antecedeu a CART 2732.

Não era infrequente a deslocação do Padre Neves aos aquartelamentos do setor de Mansoa, nomeadamente a Mansabá.

Pelo menos uma vez, quando eu estava em Mansoa, acompanhei-o a Mansabá tendo-nos deslocado em avioneta Dornier (já relatei esse episódio neste blogue). Terá deixado de ir a Mansabá quando esta passou a ser a sede do COP 6, como referem os amigos César Dias e Carlos Vinhal.

Como diz o Carlos Vinhal,  fazer colunas entre Mansoa e Farim nunca foi pacífico. Eram frequentes as emboscadas entre Cutia e Mansabá na zona da serração (normalmente as colunas eram “protegidas” por uma Daimler do meu pelotão, até não ter peças para a sua manutenção). Por essa razão o pelotão acabou por ser desativado, apesar das minhas tentativas de aquisição das indispensáveis peças.

Durante o alcatroamento da estrada Bironque – Farim (K3) os ataques eram praticamente diários. A estrada Mansabá - Bironque já estava alcatroada.

A estrada Bissau Mansoa era apelidada a linha de Sintra (segundo um capitão meu amigo e ex colega de liceu, já falecido, quando fui comandar a coluna que o escoltou de Bissau a Mansoa, para integrar o BCAL 2885). (mais tarde penso que houve um ataque entre Mansoa e Nhacra).

 
sábado, 11 de janeiro de 2025 às 16:18:00 WET 

 
(Revisão/ fixação de texto, legendagem complementar, edição e numeraçáo das fotos: LG)

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Nota do editor:

(*) Último poste da série > 10 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26370: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXI: Mansabá, a "avenida", "o castelo"... (legendas precisam-se)

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Guiné 61/74 - P25735: A minha ida à guerra (João Moreira, ex-Fur Mil At Cav MA da CCAV 2721, Olossato e Nhacra, 1970/72) (51): Operação Jaguar Vermelho - I: dia 26 de Maio de 1970



"A MINHA IDA À GUERRA"

João Moreira


OPERAÇÃO JAGUAR VERMELHO - I

Para quem não sabe, informo que a Operação Jaguar Vermelho1 foi uma grande operação na zona do MORÉS, que ficava a cerca de 5 ou 6 Km, em linha recta, dos nossos quartéis do OLOSSATO, onde estava a minha CCAV 2721 e de MANSABÁ, onde estava a CART 2732, do Carlos Vinhal.

Durante um mês, aproximadamente, os nossos aviões Fiats e T-6 iam lá várias vezes largar as bombas.
E eram bombas de "pouca potência".
Eram tão "fraquinhas" que quando rebentavam, até as casas do Olossato tremiam e muita população que vivia sob controle do PAIGC se ia entregar nos nossos quartéis.
E assim chegou o dia 26 de Maio de 1970.
Localização do MORÉS - Região do Oio - no triângulo formado pelos itinerários Mansoa-Bissorã-Mansabá-Mansoa
Infografia: © Luís Graça & Camaradas da Guiné


1970/MAIO/26 ÀS 09H00M

Às 9H00M o meu grupo de combate (4.º GComb), reforçado com 15 milícias, saiu para a região de BISSANCAGE, onde encontrou um trilho muito recente e batido, de MORÉS para MADINA MANDIGA.
O alferes Silva decidiu emboscar neste local.
Enquanto o alferes Silva estava a instalar os primeiros elementos do 4.º grupo de combate, que eram milícias, surgiram 2 elementos inimigos armados.
Deste contacto resultou o ferimento e captura de 1 elemento inimigo e a fuga do outro.
Neste contacto também resultou a morte de um soldado milícia nosso, que foi morto pela rajada dum soldado nosso (FR) que, por precipitação ou por medo fez fogo para o local onde estava o alferes e os soldados milícias e só parou o fogo quando o alferes e os soldados da milícia gritaram para parar o fogo.
Não sei se o alferes tinha avisado o que se estava a passar, mas o soldado "tinha" que saber que estavam ali os nossos militares.

Quando a situação estava controlada e trouxeram o guerrilheiro para o local onde estava o resto do grupo de combate, os outros milícias queriam matá-lo à pancada. Tive que intervir para acabar com esta cena de vingança. Mas há uma frase dum soldado milícia nosso que não esqueci, nem esquecerei e que é a seguinte:
- "Furriel, se turra apanha nós (e fez um gesto com o dedo indicador no pescoço = corta-nos o pescoço OU mata-nos) mas se apanhar pessoal branco trata-o bem".

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 4 DE JULHO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25715: A minha ida à guerra (João Moreira, ex-Fur Mil At Cav MA da CCAV 2721, Olossato e Nhacra, 1970/72) (50): Ataque ao quartel no dia 12 de Maio de 1970

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Guiné 61/74 - P25590: (In)citações (266): Vamos identificar as Unidades com as Divisas, lemas e designações mais curiosas e divertidas (Augusto Silva Santos, ex-Fur Mil Inf)

1. Mensagem de Augusto Silva Santos (ex-Fur Mil da CCAÇ 3306/BCAÇ 3833, Pelundo, Có, Jolmete e Bissau 1971/73), com data de 29 de Maio de 2024, com  desafio de identificar unidades conhecidas pelas suas mais estranhas denominações:

Olá Carlos, boa tarde!

Para colmatar de alguma forma a minha longa ausência destas "lides", umas vezes por manifesta preguiça e outras por questões de saúde, aqui vai um pequeno ou pseudo desafio, isto porque não me lembro de alguma vez ter visto referências ao que passo a descrever, mas também é muito provável que já tenha acontecido sem eu ter dado por tal facto, pelo desde já peço desculpa.

Então é assim...

Depois da minha "estadia" em Jolmente / CCaç 3306, onde fui colocado em rendição individual e, após o regresso daquela à metrópole finda a sua comissão, fui colocado no Depósito de Adidos em Brá, no qual fiquei quase todo o ano de 1973 (por certo e por sorte por ali fiquei esquecido).

Durante esse período estabeleci contactos com muitos camaradas, uns que já havia conhecido na EPC / Santarém e no CISMI / Tavira, mas também tive o prazer de conhecer muitos outros que por aquela unidade iam passando, alguns infelizmente com sortes bem diferentes.

Assisti à chegada de muitas Companhias "piras", e também à partida de muitas outras com as suas comissões cumpridas (era praticamente o dia a dia do Depósito de Adidos), mas curiosamente três delas sempre me ficaram na mente, pelos slogans ou denominações pelas quais eram conhecidas/identificadas, agora vindas à memória passado meio século.

Será que alguém ainda se lembra/consegue identificar estas unidades e onde estiveram aquarteladas?

A saber:
- "FERRA O BICO"
- "DEIXA-OS POISAR"
- "COMPANHIA TOYOTA"

De notar que, relativamente a esta última, não era de facto a sua correcta denominação, mas viria a ficar assim conhecida pelo facto de já ter passado bastante tempo sobre o terminus da sua comissão, sem que houvesse ordem para o seu regresso. Esta identificação tinha assim a ver com o slogan utilizado pela Toyota aquando do início da sua comercialização em Portugal, e que dizia que "tinha vindo para ficar". Era o caso daquela Companhia.

Por certo haverá muitas outras igualmente conhecidas por formas curiosas/divertidas.

Forte abraço e saúde para todos!
Augusto Silva Santos


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2. Nota do editor CV :

Caro Augusto Silva Santos

(a) - Quanto aos "Ferra o Bico", apenas encontrei uma Companhia de Moçambique, a CCAÇ 4542/72, com esta designação. Não sei se houve alguma na Guiné porque não encontro nenhum registo. Se te vieres a lembrar, informa-nos.


(b) - Os "Deixós Poisar" são a CCAÇ 3549 / BCAÇ 3884, que fizeram a sua comissão em Fajonquito entre 1972/74.

(c) - Por sua vez, a CCAÇ 3520, cuja Divisa era "Os Homeopáticos de Cacine", como bem disseste, por estarem demasiado tempo na Guiné, exactamente 27 meses, eles próprios se apelidaram de "Companhia Toyota". Também adoptaram a designação de "Estrelas do Sul"

(d) - Já agora a propósito, a minha CART 2732, que cumpriu a sua comissão de serviço em Mansabá, tinha como Divisa "Nam Acha Quem Por Armas Lhe Resista", na Guiné o nosso lema era "Venceremos nem que seja a pontapé"

Era engraçado fazer no Blog um registo, não só das divisas mas também dos lemas adoptados em campanha pelos Batalhões e Companhias.

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Nota do editor

Último post da série de 28 DE FEVEREIRO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25225: (In)citações (265): A Guerra. Nos últimos tempos as notícias tendem a ser brutais e deprimentes (Francisco Baptista, ex-Alf Mil Inf)

domingo, 12 de novembro de 2023

Guiné 61/74 - P24843: S(c)em Comentários (15): Ainda a propósito da Operação Jaguar Vermelho, levada a efeito entre 26MAI e 11JUN70, na Região do Morés, com a participação da CART 2732 (Carlos Vinhal)

Localização do MORÉS - Região do Oio - no triângulo formado pelos itinerários Mansoa-Bissorã-Mansabá-Mansoa
Infografia: © Luís Graça & Camaradas da Guiné

Recorte da pág. 486 do 6.º Volume - Aspectos da Actividade Operacional - Tomo II - Guiné - Livro II da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974)


1. Ainda a propósito da Operação Jaguar Vermelho, levada a efeito entre 26MAI e 11JUN70, na Região do Morés, transcreve-se o constante nas páginas da HU da CART 2732:

DA HU DA CART 2732, CAP II / FASC 1 /PÁG 6 E 7:

26 DE MAIO DE 1970 - INÍCIO DA OPERAÇÃO "JAGUAR VERMELHO"

Na 1.ª Fase, de 25 a 26MAI, 02 GCOMB emboscaram em MAMBONCÓ sem resultados.

Em 30MAI, a CART a 4 GCOMB reforçada com 01 SEC do PEL MIL 250, deslocou-se para a Regiãi de CÃ QUEBO. Ao entrar na mata de CÃ QUEBO, foram detectados 02 elementos IN armados. As NT abriram fogo sem que estes fossem atingidos. Fez-se uma batida a numerosos trilhos e vestígios da fuga IN. Montada uma emboscada sem resultado. Às 19h00 encontro com um grupo IN armado com armas aur. e mort. 60. As NT abriram fogo pondo em debandada o grupo IN, e, por ser escuro, não se efectuou batida.

Em 31MAI às 05H00 iniciou-se a batida à procura de casas de mato cuja localização aproximada se adivinhava. Em FARIM 1A5 encontradas 4 tabancas que foram destruídas, tendo sido apanhados 2 carregadores de arma aut. e material sem significado. Às 18H00, golpe de mão a um aldeamento com cerca de 100 casas, já abandonado, onde foram capturadas munições de armas ligeiras e utmsílios domésticos. Em FARIM 1A5 montou-se uma emboscada e apareceram 2 el IN que fugiram depois de as NT abrirem fogo sobre os mesmos. Fez-se uma batida e então o IN estimado em 2 grupos fortemente armados, emboscou as NT causando um ferido (milícia), e 1 praça do Pel Caç Nat partiu um dedo ao fazer fogo de morteiro.

Em 01JUN foi pedido fogo de artilharia pois ouviam-se vozes e tinha-se que passar a bolanha para o regresso a MANSABÁ onde se chegou pelas 15H00.

Na 2.ª fase, de 03 a 05JUN, 2 GCOMB montaram emboscada em FARIM 1F3 sem resultados.

Em 07, a Companhia a 4 GCOMB deslocou-se em meios auto para MAMBONCÓ. As NT dirigiram-se para BIGINE. Encontraram em seguida o trilho CAI-MORÉS que não tinha nenhuns vestígios de passagem. Montaram emboscada e pernoitaram na zona. No dia seguinte dirigiram-se a TAMBATO. Dirigiram-se depois à bolanha de MANSOA 9I3 para serem reabastecidos de água e fazerem a evacuação de 3 doentes. Cerca das 16H00 à ordem iniciaram o regresso à estrada CUTIA-MANSABÁ onde chegaram às 17H30.

Posição relativa de Mansabá-Cã Quebo-Bigine e Cai. © Infografia da Carta de Farim 1:50.000 (Luís Graça & Camaradas da Guiné)
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Notas do editor

Vd. poste de 9 DE NOVEMBRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24836: A minha ida à guerra (João Moreira, ex-Fur Mil At Cav MA da CCAV 2721, Olossato e Nhacra, 1970/72) (16): HISTÓRIA DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2721: Capítulo II - Actividades no TO da Guiné - Operação "Jaguar Vermelho", de 26 de Maio a 8 de Junho de 1970 na região do Morés

Último poste da série de 10 de Novembro de 2023 > Guiné 61/74 - P24838: S(c)em Comentários (14): Os fulas, que se alistaram nas forças armadas portuguesas, valorizavam o dinheiro, mas nunca perdiam de vista o mais importante que eram objectivos políticos a longo prazo (Cherno Baldé, Bissau)

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Guiné 61/74 - P24830: Fotos à procura de... uma legenda (178): Mansabá e a sua placa toponímica, com lista em diagonal, bicolor, encarnada e verde, cores da Bandeira Nacional...

Guiné > Região do Oio > Mansabá > 1970 >  Placa toponímica assinalando a entrada de Mansabá para quem vinha de Cutia

Foto (e legenda):   © Carlos Vinhal (1970). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A foto acima foi reproduzida no poste P24828 (*) com um lapso: "placa toponímica assinalando o fim da localidade de Mansabá"...

O Valdemar Queiroz, o nosso campeão do passatempo "Veja se é bom observador", não deixou escapar,  como sempre, aquilo que lhe parecia que não bater a bota com a perdigota, e zás, comentou: 

(...) Mais uma fotografia interessante e surrealista. Não só a placa de trânsito está mal colocada, deveria estar colocada no lado esquerdo, como ao contrário virada para a tabanca que ficou para trás." (...) | 7 de novembro de 2023 às 23:04

O Carlos Vinhal, que lá fez umas férias naquele aprazível "resort" turístico da Guiné, Mansabá, entre 1970 e 1972, e que é o dono da foto-recuerdo, veio a terreiro "defender a sua dama":

(...) "Caro Valdemar, tens (e não tens) toda a razão. A placa toponímica, e não de trânsito, da foto, assinala a entrada de Mansabá para quem vinha do Sul, Cutia, e se dirigia para norte, Farim. A fazer fé no Luís, se a legenda é minha, na altura eu devia estar sob efeito de alguma substância ilícita" (...) |  de novembro de 2023 às 10:06
 
E fez um esclarecimento adicional: 

(...) Aquela faixa em diagonal não quer dizer fim de localidade, trata-se de uma lista bicolor encarnada e verde, cores da Bandeira Nacional.(...) | 8 de novembro de 2023 às 10:16

O editor LG comentou, por sua vez,  desfazendo o equívoco:

(...) Valdemar e Carlos, não tenho aqui o livro do Mamadu Djaló (vim a Lisboa), não posso confirmar, mas pelo que vejo na cópia digital que me mandou o Virgínio Briote, a foto tem a seguinte legenda: "FOTO 103: Mansabá, vista aérea da povoação e aquartelamento. Foto de Carlos Vinhal, ex-Furriel Mil."

Trata-se de uma gralha, obviamente, que eu não sei se foi corrigida antes da impressão do livro... A legenda, no poste, era pois da minha autoria ("placa toponímica assinalando o fim da localidade de Mansabá")...  

Devia ter visto com mais atenção a foto, e  consultado o Carlos Vinhal, mas ele já fez o favor de corrigir, e muito bem: "Guiné > Região do Oio > Mansabá > Placa toponímica assinalando a entrada de Mansabá para quem vinha de Cutia" (...) .8 de novembro de 2023 às 12:50


2. Mas agora é altura de lançar um desafio aos nossos leitores: 
  • alguém mais tem fotos destas, de placas toponímicas com lista em diagonal, bicolor,  encarnada e verde, cores da Bandeira Nacional...?  
  • qual o seu significado? 
  • nasceu de uma bizarria das autoridades locais, civis e/ou militares?
  • era uma reafirmação do portuguesismo das gentes da terra? 
  • ou uma provocação aos "vizinhos" do Morés? 
Talvez o Carlos Vinhal possa dar mais um eslcarecimento adicional... (**)


Carlos Vinhal (ex-fur mil, at art, MA, CART 2732, Mansabá, 1970/72)  junto à placa toponímica que assinala a entrada de Mansabá para quem vem de Cutia. Na placa, em diagonal, a lista com as cores encarnada e, supostamente, verde, representativas da Bandeira Portuguesa. E na coluna pode ler-se: "CART 2732"...


Foto (e legenda)  © Carlos Vinhal  (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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(**) Último poste da série >  25 de agosto de 2023 > Guiné 61/74 - P24586: Fotos à procura de... uma legenda (177): Foto do Abílio Duarte, tirada talvez pelo Cândido Cunha, em Fasse, Paunca: (i) "Furriel com um bebé ao colo"; (ii) "O capitão pode ser o chefão disto tudo, mas é o furriel que me dá a pica cá no sitio"; (iii) "Os furríeis podem ser os mais garbosos, mas quem me trazia as sobras eram os da ferrugem", etc. (Valdemar Queiroz / Chernmo Baldé / Carlos Vinhal / Eduardo Estrela / Luís Graça)

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Guiné 61/74 - P24490: Tabanca Grande (550): João de Jesus Moreira, ex-Fur Mil At Cav MA da CCAV 2721 (Olossato e Nhacra, 1970/72), que se vai sentar no lugar 878 do nosso poilão

1. Mensagem do nosso camarada e novo tertuliano, João de Jesus Moreira, ex-Fur Mil At Cav MA da CCAV 2721 (Olossato e Nhacra, 1970/72), enviada ao Blogue no dia 15 de Julho de 2023:

Boa tarde Carlos Vinhal
Sou leitor do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné desde as primeiras publicações - ainda como "FORANADA.BLOGSPOT.COM - mas nunca me decidi em colaborar no mesmo.

Como ultimamente, o Luís Graça se vem queixando da falta de colaboradores e publicações para "alimentar" o Blogue, resolvi oferecer a minha colaboração.

Para isso, estive a reler a história da minha Companhia e a relembrar as várias situações e "estórias" vividas naquelas terras vermelhas, quentes e chuvosas.

Desdobrei a história da minha Companhia em várias partes, para não ficarem muito "pesadas" e levarem os nossos camaradas a desistirem da leitura antes de chegarem ao final.

Já tenho a história da minha COMPANHIA DE CAVALARIA 2721 em emails individualizados.
Só preciso que me informes a data a partir da qual posso começar a enviar-te para publicação.
Pensei em mandar um email por semana, para não ficar muito maçador.

Se concordares com este prazo, diz-me o dia de semana que preferes que envie.

Votos de saúde.
Abraço.
JOÃO MOREIRA
Ex-Furriel Miliciano


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2. No mesmo dia foi enviada resposta ao João Moreira

Caro João:
Muito obrigado pelo teu contacto e pela tua disponibilidade para aderires à nossa tertúlia, não para seres mais um, mas prometendo desde já colaborar "forte e feio" com as tuas memórias.
Na verdade estamos muito necessitados de sangue novo, não forçosamente em idade, mas de camaradas que queiram deixar, na nossa página, as suas memórias, escritas e fotográficas, destinadas a serem consultadas pelos nossos vindouros e pessoas que, de alguma maneira, queiram ler os testemunhos, na primeira pessoa, de quem "por lá" andou e sofreu na pele as consequências de uma guerra que não quis.

As tuas memórias militares começarão quando e como quiseres. A recruta foi o nosso começo mas o fim, esse parece vir só com o fim da nossa existência. Estás à vontade para começares até na inspecção militar.

A periodicidade para o envio e publicação dos teus textos e fotos, será conforme queiras, mas acho que semanalmente não estava mal.

Não esqueças que de ti queremos saber: o nome, posto, especialidade, unidade, datas de ida e volta da Guiné, locais de acção, etc.

As fotos que enviares deverão ser acompanhadas por legendas (à parte), onde constará a identificação dos retratados (caso não vejas inconvenientes nisso), data, local e situação. Quando as quiseres intercalar nos textos, ou as colocas tu, ou fazes uma nota no local para nós as localizarmos durante a edição.

Deves mandar as tuas coisas, sempre para: luis.graca.prof@gmail.com e para mim, carlos.vinhal@gmail.com, para assim teres a certeza de que eu e/ou o Luís vai ler.
Vamos fazer uma prévia apresentação tua à tertúlia, pelo que podes aproveitar para aí começares a contar a tua vida militar e outros pormenores que aches que possamos saber de ti, por exemplo, formação académica, profissão, etc.

Acho que o essencial está dito, mas estou sempre por aqui para qualquer dúvida.

Recebe um abraço do camarada, de há muito, e amigo desde hoje
Carlos Vinhal


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3. Nova mensagem do camarada João Moreira ainda no mesmo dia:

Carlos e Luís Agradeço a aceitação do meu pedido de inscrição no grupo.
Em resposta ao Carlos Vinhal, informo que tomei nota das tuas sugestões.
Comunicar-vos-ei os elementos que sugeriste. Não garanto que seja hoje, mas se se proporcionar ainda informo neste fim se semana. Se não puder, envio durante a próxima semana.

Informo-vos que enviarei um email por semana, para publicação e que neste ritmo posso tenho stock para mais de um (1) ano.

Abraço e bom fim de semana.

JOÃO DE JESUS MOREIRA
FURRIEL MILICIANO (porque não quis virar as divisas)

João Moreira na actualidade

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4. No dia 16 recemos a mensagem em que o nosso novo amigo, João Moreira, faz um resumo do seu percurso militar:

Boa tarde Carlos e Luís,

As sugestões do Carlos Vinhal, iriam ser satisfeitas ao longo das publicações que irei enviar.

De qualquer forma e para fazer a minha apresentação vou enviar os dados que o Carlos Vinhal sugeriu.

Chamo-me JOÃO DE JESUS MOREIRA-

Nasci no dia 05 de Junho de 1946, no lugar do Candal, freguesia de Santa Marinha, concelho de Vila Nova de Gaia.

Tirei o Curso Geral do Comércio na Escola Industrial e Comercial de Vila Nova de Gaia.
Fiz a Secção Preparatória para o Instituto Comercial, na Escola Oliveira Martins, no Porto.
Fiz a admissão e frequentei o Instituto Comercial do Porto mas não acabei o curso.

Fui trabalhar na secção de peças duma empresa Comercial do Porto, que entre outras actividades também vendia máquinas industriais.

Com o desenvolvimento dessa secção foi criado um departamento de contabilidade só para esse sector e eu fui transferido para a contabilidade até ir para a tropa.

Quando vim do ultramar fui reintegrado na secção de peças, que passei a chefiar e a ser o gestor de stocks.

Na vida militar fui furriel miliciano com a especialidade de atirador de cavalaria. Também tirei a especialidade de Minas e Armadilhas, em Tancos.

Em Janeiro de 1969 fui para Estremoz para formar batalhão para a Guiné, mas não embarquei por estar internado no Hospital Militar de Évora.

Quando tive alta do Hospital Militar vim gozar os 10 dias da mobilização para ir ter com a minha Companhia que estava em Ingoré. Ao 2.º ou 3.º dia recebi um telefonema do 1.º sargento da secretaria do RC 3 de Estremoz, a dizer para regressar ao quartel, porque tinha sido desmobilizado.

Fiquei lá até Dezembro de 1969, data em que fui transferido para o RC 4, em Santa Margarida, para formar a Companhia de Cavalaria 2721, novamente para a Guiné.

Embarquei no T/T Carvalho Araújo, no dia 04 de Abril de 1970, ou seja já tinha sido incorporado há 27 meses (21 meses de tropa efectiva mais 6 meses das 2 especialidades perdidas. Já era furriel desde Janeiro, embora ainda não me tivessem promovido.

Fui para o Olossato, que tinha um destacamento no Maqué. Ficavam na estrada Mansoa, Bissorã, Olossato, Farim. No final de Maio de 1971, metade da Companhia foi para Nhacra e a outra metade, onde estava o meu grupo de combate, só fomos no dia 09 de Junho.

Ao princípio da noite sofremos um ataque (penso que foi o primeiro ataque a Nhacra). Em Nhacra também passei pelos destacamentos de Dugal e Ponte de Ensalmá.

Regressamos num avião dos TAM, no dia 28 de Fevereiro de 1972.

Curiosamente o Vinhal foi e veio nos mesmos transportes, 2 semanas depois de eu ter ido, e esteve também na mata do Oio. Estávamos a cerca de 10 quilómetros de distância, em linha recta, com o mítico MORÉS, no meio.

Nhacra, 1971 - João Moreira

Reprodução, com a devida vénia, da pág. 512 do 7.º Volume - Fichas das Unidades - Tomo II - Guiné, da Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974), publicação do Estado-Maior do Exército.

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5. Comentário do Coeditor CV:

Caro amigo, e camarada de armas, João Moreira, como prometi, estás apresentado formalmente à tertúlia.
Tens reservado para ti o lugar 878 do nosso poilão.

Acho que sabes que tens na tertúlia um companheiro da tua CCAV 2721, o ex-Alf Mil Op Esp, Paulo Salgado, que escreveu o livro "Guiné - Crónicas de Guerra e Amor". Não sei estiveste na apresentação aqui no Porto.

Temos, como disseste, um percurso quase paralelo na Guiné, vocês embarcaram para lá no dia 4 de Abril de 1970, indo no "Carvalho Araújo", e nós no dia 13 do mesmo mês, no Porto do Funchal, no navio "Ana Mafalda". Fomos quase vizinhos, Olossato e Mansabá não ficavam asssim tão distantes, fazendo as duas localidades parte do "empreendimento turítico" do Morés.
Se a tua Companhia substituiu em Abril, no Olossato, a CCAÇ 2402 do BCAÇ 2851, a minha substituiu também em Abril, mas em Mansabá, a CCAÇ 2403 do mesmo batalhão.

Apesar de tudo, a CCAV 2721 teve mais sorte porque em Maio/Junho de 1971 se mudou para um local bem mais pacífico, Nhacra, enquanto a 2732 aguentou estoicamente, em Mansabá, até Fevereiro de 1972, chorando ainda a perda de dois camaradas, em Janeiro, na zona de Mamboncó, um dos carreiros de e para o Morés. A CCAV 2721 regressou a casa em 28FEV72 e a CART 2732 só em 19 de Março.

Ah! Ainda mais uma coincidência, temos ambos uma "pós-graduação" em Minas e Armadilhas.
Posição relativa do Morés, uma importante base estratégica do PAIGC. © Infografia Luís Graça & Camaradas da Guiné

A tua Companhia a partir do Olossato, e a minha, em Mansabá, foram forças activas no Plano de Operações Faixa Negra, que tinha como missão o apoio logístico e manter a segurança aos trabalhos de asfaltamento da estrada Mansabá-Farim, obra reatada no Bironque, até à margem esquerda do rio Cacheu. As nossas Companhias faziam parte das chamadas Forças de Intervenção, a minha integrada no Sub-Agrupamento "M", juntamente com a CCP 122, 2 GCOMB/CCP 121, mais 1 Pelotão(-) do EREC 2641. A tua 2721 fazia parte do Sub-Agrupamento "O", juntamente com a CCP 121(-) mais 21.º PelArt (10,5).

Posição relativa do Bironque na estrada Mansabá-Farim. © Infografia Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

Ainda a propósito da tua ida tão tardia para a Guiné, e uma vez que já terias tempo suficiente para a promoção a Furriel Miliciano, antes do embarque, nunca chegou a sair à ordem a tua promoção a 2.º Sargento? Éramos mesmo muito mal tratados, no fim do curso de sargentos promoviam-nos(?) a cabos, e quando tatingíamos o tempo para promoção a 2.ºs sargentos, esqueciam-se de nós.

Como o poste já vai longo, resta-me deixar aqui um abraço de boas-vindas em nome dos editores e da tertúlia.

Estamos por aqui sempre disponíveis para qualquer dúvida que tenhas em relação ao funcionamento do Blogue, e já que nos indicaste a tua data de nascimento, a menos que não queiras, terás direito ao nosso singelo postalinho de aniversário. CV

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Nota do editor

Último poste da série de 1 DE MAIO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24275: Tabanca Grande (549): As "fotos da praxe" do cor inf ref Mário Arada Pinheiro, que completou 90 anos em 12/12/2022... Foi 2.º cmdt do BCAÇ 2930 (Catió, 1971/73) e Cmdt do Comando Geral de Milícias (1973)

sábado, 1 de outubro de 2022

Guiné 61/74 - P23658: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (98): Em Mansabá havia 2 geradores Lister que trabalhavam alternadamente, em turnos de 4 horas (Carlos Vinhal, ex-fur mil art, MA, CART 2732, Mansabá, 1970/72)


Guiné > Região do Oio > Mansabá > CART 2732 (1970/72) > 12 de Novembro de 1970 Ataque do PAIGC... Enfermaria militar atingida por munição de canhão sem recuo. A CART 2732 foi render a CCAÇ 2403.

Foto: © Carlos Vinhal (2010) . Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Brasão da madeirense CART 2732 (Mansabá, 1960/72)


1. Comentário do Carlos Vinhal ao poste P23654(*)  e em resposta ao pedido formulado no poste P23647 (**):

Estive há pouco a falar com o meu camarada da CART 2732, João Malhão, responsável pela manutenção dos geradores e da "rede elétrica" de Mansabá, que me confirmou haver no nosso tempo 2 geradores Lister que faziam turnos de 4 horas. Das 9 às 11 da manhã estavam ambos parados.

Contou também que numa altura em que um deles esteve inoperacional, o nosso comandante exigiu que aquele que ficou em serviço cumprisse escrupulosamente as ordens da Engenharia, 4 horas de funcionamento com 4 horas de descanso.

Quanto ao fornecimento de energia, seria só para o aquartelamento onde se incluía, para além das instalações militares e perímetro do arame farpado, o Posto Administrativo, a Enfermaria civil e a casa do Administrador.

Fora do arame farpado apenas se alimentava a casa do senhor José Leal, um civil metropolitano que vivia com a família numa casa contígua no exterior do arame farpado, que explorava madeira e que tinha uma sala de jantar onde quem podia ia de vez em quando saborear os apetitosos petiscos da D. Olinda.

Diz o Malhão que em determinada altura recebeu ordens para ligar a energia a uma casa onde morava uma senhora que teria alguma importância. Seria a casa da professora? Pergunto eu.

Embora não estivesse na Guiné na altura da independência, tenho quase a certeza que a Engenharia não recolheu nenhum destes geradores. Para quê? Deixámos lá coisas muito mais valiosas.

Carlos Vinhal
Fur Mil Art
CART 2732
Mansabá, 1970/72


30 de setembro de 2022 às 12:19



Guiné > Região do Oio > Carta de Farim (1954) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Mansabá, a sudeste de Farim. Pertencia à cirscunscrição de Mansoa. Era posto administrativo.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2022)

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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 29 de setembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23654: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (97): os geradores militares: contributos para a história da eletricidade no território (Manfred Stoppok / José Nunes / Eduardo Estrela / Fernando Gouveia / António J. Pereira da Costa / Carlos Silva / Cherno Baldé / José Colaço / Magalhães Ribeiro / Valdemar Queiroz / Manuel Gonçalves / Luís Graça)

(**) Vd. poste de 27 de setembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23647: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (96): Os geradores nos quartéis também forneciam eletricidade para a população civil? (Manfred Stoppok, investigador alemão, a fazer um estudo sobre a história da energia elétrica na Guiné-Bissau, 1890-2020)

terça-feira, 5 de julho de 2022

Guiné 61/74 - P23412: A(r)didos e mal pagos: histórias pícaras da nossa guerra (5): Então o comandante do navio não assinou o recibo de entrega do preso?... (Carlos Vinhal, ex-Fur Mil At Art, MA, CART 2732, Mansabá, 1970/72)

1. Os pobres dos editores deste blogue mal têm tempo para se coçarem, quanto mais escrever as suas próprias histórias e editar os seus próprios postes... Há material (sobretudo os textos com montes de fotografais...) que pode levar algumas horas a editar...

Mas a verdada é que eles, editores,  também sabem escrever e até têm, além de memória, sentido de humor... Hoje fomos recuperar um comentário do nosso querido Carlos Vinhal, esquecido ou escondido na "montra traseira" (a caixa de comentários) do nosso blogue, no poste P23391 (*).

Afinal, é uma história (aliás, são duas) com "princípio, meio e fim", e que encaixa na perfeição na nossa nova série "A(r)didos e mal pagos: histórias pícaras da nossa guerra" (**)

Recorde-se que o nosso camarada, amigo e coeditor Carlos Vinhal (um histórico da Tabanca Grande, à qual pertence desde 25 de março de 2006)  foi  furriel miliciano atirador de artilharia  com a especialidade de minas e armadilhas. Incorporado como instruendo do CSM em Abril de 1969 nas Caldas da Rainha (RI5), tirou a a especialidade de atirador de artilharia em Vendas Novas (EPA), tendo passado ainda, em novembro, por Tancos (EPE) onde tirou o XXXIII Curso de Minas e Armadilhas... 

Em dezembro de 1969 rumou ao Funchal onde ajudou a dar a especialidade de atirador a um grupo de militares madeirenses com os quais se formaram as duas primeiras Companhias da Bateria de Artilharia de Guarnição n.º 2 (BAG2, a partir de 1970, GAG2) a irem para o Ultramar: a CART 2731 foi para Angola, e a sua, a CART 2732, embarcou no cais do Funchal para a Guiné no dia 13 de abril de 1970, onde chegou a 17. 

Como quase quase toda a malta, esteve "hospedado" uns dias, 
no Depósito de Adidos, em Brá, e  no dia 21 do mesmo mês seguiu, com os seus madeirenses da CART 2732,  para Mansabá (que ficava na região do Oio, entre Mansoa e Farim).  Aqui permanceu em quadrícula até finais de fevereiro de 1972.

Mas estas duas histórias, que metem 1.ºs cabos milicianos e presos (e que, por isso, têm o seu quê de pícaro), não se passam exatamente nos Adidos, nem em Lisboa, nem em Brá,  mas uns tempos antes, no GAG2 (Grupo de Artilharia de Guarnição nº 2), no Funchal... (O BAG2 /GAG2 teve origem nas unidades de artilharia estacionadas na Madeira pelo menos desde 1661; hoje está integrado no Regimento de Guarnição nº 3.)



O soldado do GAG2, Funchal, que foi 'repescado' nas águas do Tejo pela Polícia Militar...

No BAG2 / GAG2 (Funchal) havia uma cela com alguns presos. Ao domingo abria-se a porta e os presos iam com as famílias, esposas, filhos, pais, etc, dar umas voltas pelas redondezas. Ao fim da tarde regressavam à situação de presos. 

Uma situação complicada foi quando num dia em que o aspirante não foi à instrução que constava de uma progressão ao longo das levadas, um dos recrutas veio ter comigo e pediu para ir falar com o aspirante ao quartel. Anui.

Quando mais tarde voltei, estava tudo em alvoroço porque o tal recruta tinha abandonado o quartel e apanhado clandestinamente um navio para o continente. 

Fiquei mesmo atrapalhado, mas antes de manifestar a minha preocupação, perguntei naturalmente ao aspirante se o militar tinha estado com ele durante a manhã. Que tinha estado e que lhe tinha pedido para o deixar ir a casa porque morava ali perto. Só que não voltou à hora de almoço. 

Contactada Lisboa, no dia seguinte a PM estava à sua espera no cais. O recruta tendo-se apercebido da recepção que lhe estava destinada, atirou-se à água, sendo preciso algum trabalho para o capturar. A esta distância não me lembro quem era e se foi connosco.


Atão, e o recibo de entrega do preso, assinado pelo comandante do navio ?

Ainda outra história com prisioneiros. Um dos meus camaradas foi incumbido de levar um preso ao cais do Funchal para ser encaminhado sob prisão para Lisboa. Chegados a bordo, o cabo miliciano entregou o preso e os respectivos papéis. 

De volta ao quartel, o oficial de dia perguntou-lhe se o Comandante do navio tinha assinado o recibo de entrega do preso.
- Era preciso? 

Havia que voltar rapidamente ao cais antes que o navio zarpasse.

Carlos Vinhal

Notas do editor:

(**) Vd. poste de 25 de março de 2006 > Guiné 63/74 - P632: Tabanca Grande: Carlos Vinhal, ex-Fur Mil Art MA da madeirense CART 2732 (Mansabá, 1970/72)

(***) Último poste da série >  4  de julho de  2022 > Guiné 61/74 - P23409: A(r)didos e mal pagos: histórias pícaras da nossa guerra (4): peripécias de um aspirante miliciano, no Depósito de Adidos de Luanda, um mês e tal à espera de transporte para o CTIG (João Rodrigues Lobo, ex-alf mil, cmdt, PTE / BENG 447, Brá, 1967/71)