O título, convenhamos, não prometia grande coisa. Era apenas mais um texto da série “Contraponto”, do nosso camarada Alberto Branquinho. Um pequeno exercício de humor de caserna, escrito na pele de um imaginário “soldado básico”, com uma ortografia deliberadamente desfigurada, que trocava os "vês" pelos "bês", e que metia uma "estória" de oficiais, cuecas, lavadeiras, comprimidos, leite com milho (que afinal era a o leite achocolatado MILO) e outras pequenas misérias da nossa vida militar na Guiné.
Mas o que aconteceu depois é que é interessante. O texto caiu no goto dos leitores. O texto publicado na segunda feira, 18 de outubro de 2010, às 13h38, desencadeou uma verdadeira tertúlia "ad-hoc". Sucederam-se os comentários, 39 no otal, até quarta feiura, 20 de outubro de 2010, às 21h15.
Vieram os que reconheceram naquele “básico” personagens que tinham conhecido; vieram os que se reconheceram a si próprios; vieram os que começaram a investigar quem seria o misterioso oficial; vieram os que discutiram se a personagem era realmente analfabeta ou apenas estava a fazer teatro; vieram os que recordaram os seus próprios “básicos”; vieram os que pegaram nas cuecas e fizeram delas matéria de direito, moral, anatomia; e houve quem recuasse aos tempos do PREC e do Conselho da Revolução!
E, naturalmente, vieram os nortenhos, os sulistas, os ilhéus, os milicianos, os do QP, os desterrrados, os combatentes da Guiné e até quem nunca tinha posto os pés na Guiné. Vieram tabanqueiros de várias tabancas, e origens geográficss, de Portugal Continental, os da América, da Lapónia sueca...
A certa altura, já ninguém estava propriamente a comentar o texto do Branquinho. Estavam a brincar uns com os outros. É talvez aí que esteja o segredo daquela caixa de comentários. E o lado mais saudável deste blogue.Comentários ao poste P7144 (*), republicado (Poste P28325) (**)
Não levemos à letra o texto do camarada António Branquinho, mas encaremo-lo como uma diversão utilizando a língua portuguesa, traiçoeira e tão mal tratada. (...)
Presumo que era...Nortenho. Ou? O B(V)ossemecê confunde-me! (...)
Essa do oficial que vestia as suas cuecas nas deliciosas (para homens que gostam de mulheres!) partes baixas da sua lavadeira é de antologia.
Todo o texto é brilhante, meu caro Branquinho, temos a gente do Norte à deriva pela Guiné, a melhor gente de todas, meu querido Porto, carago!
Mas esse oficial é quem? Aceitam-se prognósticos..., só no fim, e dão-se alvíssaras.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010 às 15:04:00 WEST

(iv) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]
Caro Branquinho:
Devia haver alguns desses. Até os encontravas (ou encontras?) na vida civil. Na minha companhia os oficiais, sargentos e praças, excepto o capitão e o 1º sargento, dormiam cada qual em sua cama mas em camarata-abrigo.Não havia diferenças em comida, dormida e roupa lavada...heim...
De um modo geral as cuecas eram para dormir, assim pijama aligeirado...e, devido a micoses, no dia a dia andava tudo "ao pendurão" entre o corpo e calças ou calção. Na cidade, prevendo erecção e etc. convinha o uso das ditas.
Os básicos da minha CART eram gente feliz sem lágrimas. Tanto assim que, mesmo depois de entrar na peluda pensava: porque não fui básico? Se calhar até fui mas com outro nome.
Gostei e continua a glozar com "a guerra e os guerreiros"... Tirar do sério é preciso. ) (...
(vi) Fernando Gouveia
Considero o Alberto Branquinho, juntamente com mais dois ou três escribas do Blog, um dos que mais bem interpreta, passados quarenta anos sublinhe-se, o espírito com que se deve ver a nossa vivência na Guiné, repito, passados quarenta anos.
(vii) Alma [ Jorge Cabral, 1944-2021]
No meu Destacamento as Mulheres não usavam cuecas, tal como o Oficial..
E sempre existiu um Básico,o "cozinheiro" que Bambadinca nos mandava.
Todos excelentes rapazes,dos quais já falei...
vantagens era o "cozinheiro" pois, além de não ir para o Mato,tirava proveito de poder "partir" géneros
alimentícios com as Mulheres.Um deles foi aliás uma vez,por mim surpreendido,amando com furor,em
cima da mesa das nossas refeições, entre cascas de batata... Que romântico! Bela vida a de Básico!
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Jorge Cabral, Alfero (Básico)
(ix) José Manuel Corceiro
Caro Alberto Branquinho
Espirituoso…este teu desanuviar e imprimir humor à guerra!
Estas recreações são económicas, para a Nação e para o cidadão comum, produzem mais eficácia que uma caixa de Valium 10 (Diazepam).
De onde podemos inferir, que o nosso Blogue está a poupar dinheiro ao Estado, ao contribuir para a salutar saúde do cidadão e sã economia do País… Parabéns e um abaraço.

Cá está o José Belo com a sua veia legalista, disciplinadora e moralista (mas não belicista).

(xi) Vitor Junqueira
Este texto do Branquinho devolve-me a vontade de ler e reler cada frase, palavra a palavra, vírgula por vírgula de tudo quanto se escreve neste Blog.
Eu gostei do escrito do Branquinho. Faz falta prosa assim. Mas: lendo um ou mesmo outro comentário sinto-me, digamos, curioso.
Vossa(s) Excelência(s) preocupa(m)-se com as cuecas de um Senhor Oficial. Mais preocupados se afirmam se o Senhor Oficial é Miliciano ou QP (leia-se do Quadro Permanente) donde se pode presumir que,as ditas, seriam diferentes pois,certamente uma gaita e apêndices de um Senhor Oficial do QP e um Miliciano, diferentes seriam. Será?
Atentamente,
José Simplesmente José
Soue um gaijo cum sorte, carago, na minha cumpanhia num abia básics, mas o Zé Belo tirou cá do meue âmago a resposta ao comentário ao camarada Graça de Abreu, pois é, já estaba a insinuare coisas do carago, mas não, o que o Básico disse foi isso mesmo, puxou os panmos à labadeira e lá estabam as cuecas (...)
(xv) Zé Carlos Bocês estou m' a vincar, mas num sei se bão a argum lado. A labadeira era esperta, e o sordado tamém era.
(xvi) José Manuel Matos Dinis [ 1948-2021]Este Branquinho, tá uma rica pinga.
E pelos bistos, o estilo que pode cumparar-xe ao daquele nubél que já morreu, e não debia de ter a escola primária, está a agradar.
Eu acredito nicho tudo, inda hoje na Guiné andam lá muitos assim, cos homens num mudam do pé prá mão, e eu bi muito com estes ca terra háde comer.

(xvii) Jose Marcelino Martins.
O Básico a Primeiro (ministro, claro), já!!!!!!!!!!
Este pelo menos é observador das necessidades
(xviii) Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos]Antes de mais,ao Alberto Branquinho,um sincero obrigado por uns momentos de nostálgica alegria.
(xix) Carlos Nabeiro [ Moçambique]Estimados Camaradas.Desculpai a este vosso visitante assíduo e admirador, ao dar a minha "colherada", visto não ser combatente da Guiné.
Caro Amigo Carlos Nabeiro. Eu conheci um Básico com bastante,(e cito),"parlapié". Chegou mesmo a fazer parte do Conselho da Revolucäo.
Ou foram mais?

Estimado Camarada J. Belo:
terça-feira, 19 de outubro de 2010 às 14:57:00 WEST
Pois é meus camarigos, nesta questão dos básicos, o básico fui eu!!!
Passo a explicar. Na instrução do meu Pelotão da CART 3492, no RAP2, um soldado se distinguiu pela sua fraca participação e entendimento do que lhe era pedido, quer ao nível físico, quer ao nível intelectual.
No Xitole fazia diversos trabalhos, nos quais obviamente não estava incluída a parte operacional.
Julgo que só saiu uma vez para a mata a seu pedido, mas que a partir daí nunca mais lá colocou os pés!
Ora bem, o básico sou eu, porque passados largos anos, quando nos reencontrámos num qualquer almoço de combatentes, ou talvez lembro-me agora, em Monte Real num qualquer dia, vim a saber que o “básico” era, e é, um empresário de sucesso, com uma vida desafogada e boa.
Quando o confrontei com a discrepância entre os seus “feitos” na tropa e a sua vida de empresário, riu-se com gosto na minha cara, com amizade, dizendo que me tinha enganado bem!
Não o identifico, embora muitos saibam quem é. É um bom amigo, a quem muito prezo, e que também muito bem me enganou!!!
Por isso digo que o básico fui eu!!! (...)
Caríssimo Branquinho
Confesso que, tendo-me habituado a que não falasses de 'ti nem do teu umbigo', percebi logo que este teu 'reenvio' não tinha nada a ver contigo e seria mesmo uma coisa inocente.
Por outro lado, depois daquele soberbo texto/trabalho sobre a(s) água(s), confesso que estava à espera dum sucedâneo, chamemos-lhe assim, a puxar para o esotérico, ou alquímico, sei lá, qualquer coisa sobre a terra (os diferentes chãos), ou o ar (o clima, o frio, o calor) ou então ainda o fogo (os nossos, os do IN, as queimadas). Não veio agora, mas vou aguardar pacientemente.
A avaliar pelas inúmeras reacções e pelo tipo e teor delas (quase, quase, na linha das que ocorreram a propósito duma namorada do António Graça de Abreu), este teu texto (reenviado...) vem provar que o pessoal não perdeu o sentido do humor (embora isto não seja totalmente verdade, em todas as circunstâncias e para todos os 'observadores') e que sabe bem, pelo menos de vez em quando, 'guardar as G3' e contar, relatar, estas histórias/situações pitorescas.
A prova do que digo está no facto de ter visto, quase depois de um ano passado (ou talvez mais..), ter visto, dizia, uma intervenção de um dos homens deste Blogue que foi para mim um dos primeiros (senão mesmo o primeiro 'audível') com que contactei e que dá pelo nome de de Vitor Junqueira, a quem aproveito para saudar.
Vamos continuar, pois para nos tornar cinzentões já chega o que dia-a-dia nos é imposto... (...)
Básico para futuro Primeiro Ministro! Básico para Ministro da Economia! Básicos em defuntos Conselhos da dita Revolucäo!U m Básico a escrever estes comentários!...Näo vamos estar aqui,sistematicamente, a ofender os nossos Camaradas Básicos!
Camaradas Vinhal e Branquinho:
1 - O Oficial era o mais branco do grupo, já que os outros, excluindo o Capitão, eram ilhéus ou negros;
2 - Quem andava a comer a lavadeira era o Oficial porque sempre que ela se apresentava em serviço, sem as respectivas cuecas, aproveitava o momento em que ele se ia lavar, para enfiar as cuecas abandonadas;
3- O Básico, chatedo com os protestos e acusações do Oficial, oportunamente, aproveitou a presença dos ilhéus e da lavadeira para demonstrar a sua inocência, descompondo a referida profissional;
4 - Um dos ilhéus disse logo "Boa coma milho", mas ficou-se à espera de ser servido;
5 - Outro fez movimento repulsivo, afastando-se de cu;
6 - O outro desapertava os calções e logo perdia a tusa.
a)- Tenha feito grande evolução através do ensino nas "Novas Oportunidades";
b) - A sua escrita seja perfeitamente enquadrada na normalização do português, através do "Acordo Ortográfico";
c) - Um dia destes apareça nalgum Ministério Governamental (já com diploma) ocupando um lugar de destaque e vendendo a pomada para a salvação do desgraçado País.
Um grande abraço do Silva para todos, especialmente para os ilhéus, nortenhos, alentejanos, guineenses, palestinianos, etc. e outos ilustres desfavorecidos.
(xxviii) Alberto Branquinho
Disse:
Agora, que parece que não há mais:
1º- Um obrigado a todos, mesmo não sendo "obrigado" a isso, incluindo (sem reserva mental) o Carlos Nabeiro que "enfiou" texto e contexto no "Curral das Moinas", pois sendo eu do interior norte (não de junto do "Puerto", mas onde se diz "Vijeu"), esse programa televisivo me diverte bastante (descontando um ou outro exagero).
2º. Em especal e acima de tudpo, as boas vindas ao Vitor Junqueira (Helder Valério "dixit") e... venha de lá essa frontalidade!
3º. Ao Artur Conceição, que sugere uma outra foto "diferente", reenvio o recado para o Carlos Vinhal, que, apesar de ter só três fotos - uma é menos "carrancuda".
3º. Ao Silva da nossa CART 1689 direi que, quanto ao "ufissial" andou lá perto, mas não identificou a personagem. (Se o vir, será segredo nosso). (...)
Meus senhores, desculpem voltar ao "palco". É que me esqueci de agradecer ao meu advogado José Belo e, além disso, esclarecê-lo sobre essa coisa do "vossemessê". Salvo melhor opinião, esta expressão, ainda muito usada pelo menos no Alto Douro e em Trás-os-Montes, é o resultado da contracção do tratamento mdieval "vossa mercê", devendo, portanto escrever-se "vossemecê". Está correcto?
É sempre uma honra para mim, quando, em humilde obscuridade,vou tendo oportunidade de zelar pela verdade,e muito principalmente pela Moral.
Senhor meu advogado José Belo
Vossemecê desculpe, mas quem não sabe é como quem não vê.
O seu cliente, atentamente
Alberto Branquinho
Será que estes meus mais de 34 anos longe da Pátria...? Estamos os dois a falar de A-D-V-O-G-A-D-O-S ? "Perceber-se" se foi condenado ou absolvido? Haverão diferenças tão mesquinhas no nosso querido Portugal de hoje ?
Senhor meu advogado José Belo
Prontos. Está tudo esclarecido e acabado. Mande a conta, faz favor, pela Aurora Boreal, ao cuidado da D. Alzira, que é a minha porteira, que também é do Norte e que diz que ainda é prima da Aurora.
Obrigados. (...)
Anónimo [José Belo, que escreve da Lapónia, em teclado sem os caracteres portugueses, lapso que corrigimos](PERANTE A ÂNSIA DOS EDITORES DO BLOGUE!....Que Deus lhes pague!).
(xxxvi) Torcato Mendonca
Abri agora isto. Andando ao rolar do rato ...e zás - 34 comentários por umas cuecas e que já estão com renda e cor de rosa. Diacho??!!! Que raio de cor...nos tempos que correm cada um consome do que gosta. Mas fala-se de um algarvio com o nome José...terá a ver com o Simplesmente José?? Esse tipo lá não usava cuecas. Bem de quando em vez sim.
Se roupa ofertava á lavadeira era soutien (nº 36,38??? sem memória numeral)e panos, lindos panos de África deles...e, quanto a direito, bem, bem mais outrora que hoje mas pronto para cooperação e há cada uma...
José Simplesmente José
(xxxvii) Torcato Mendonca
Não está em causa o escrito. Gostei e assim comentei. O Alberto Branquinho escreve assim e bem.
Felizmente para ele e para nós.
Só tem a ver com sulista e nortenho...fez-me lembrar a barraca de um politico ainda no activo... (...)
Todos nós chó shabemos ibentar berdades. Achim é qué bom! Shomos todos igalinhos.
Um amigo nócho diche aqui que as labadeiras tinham chido todas comidas com as cascas das chabolhas em chima da meja. Portanto as labadeiras tinham chido comidas.
Vamos aplaudir o nosso bajico ibentado por ter uma memória tão boa. Ochalá que a nocha estiveche tão rota.
Como os burackos que nós ujáavamos chó cherviam para recheber a bijita dos nochos amigos que moravam do outro lado da bolanha, icho shignifica que nós tinhamos que labar as nossas (chó as nochas) coijinhas à mão.
E hoje eu não pocho mais. Já estou miuto eschanchado de olhar para ver se ainda ujo cuecas rotas na frente. Agora quem as lava é a minha madrinha de guerra. Ela às vejes pergunta quem é que lava melhor. Se ela ou as labadeiras da Guiné. Eu digo que não chei pois as da Guiné tinham chido todas comidas antes de eu chegar lá.
Antão ela fica muto contente, porque quer ser a única que chabe lavar a minha roupinha.
Por icho eu mando um abraço muito estrechado para o meu amigo basico iventado, e para os outros que me fijeram estar muito cotente com as bochas opiniões.
Shempre she aprende qualquer couja nova no nocho blogue que já é muto grande. E agente para mandar cartas aos nochos amigos já nem prejijamos de por stampas nem comprar envelopes. É c'ma che foche um aragrama do nocho tempo.
Eu não chei c'ma aprender mais uma tonga. Já falava duas e agora chão três.Mas não chei qual delas eu usar melhor.
Che for prejijo eu tradujir mandem-me um aragrama por via bate-estradas. Da terra das caboiadas
Jé Câmara
PS - Daqui faço homenagem sentida aos básicos da minha companhia. Para além de serem excelentes pessoas e militares conscientes (tive a oportunidade de os abraçar no nosso último convite da CCaç 3327) também tiveram bastante sucesso na sua vida profissional.
A barraca de UM (!) político?

Meus caros camaradas e amigos e em especial ao Branquinho.
Tenho evitado de me pronunciar sobre este tema porque, de básico não tem nada. Isto deve ser cultura de alto gabarito que, para mim, se torna dificil de entender, já que ainda estou na primeira fase das Novas Oportunidades, depois irei à segunda fase e, espero, usar o acordo de Bolonha, para me instruir.
Concluo no entanto que, nesta matéria, estamos muito mais atrasados hoje que na Guiné em 1974.
A CCaç 5, unidade formada por tropas da província, não tem, nos mais de 400 nomes que compilei relativos de Agosto/61 a Agosto/74, não encontrei nenhum Básico.
Será que já havia uma Outra Oportunidade que só cá chegou agora?
Nota: este texto não foi elaborado ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico, pelo que se tiver erros, são mesmo erros

















