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domingo, 13 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28343: (In)citações (290): Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes (Artur Conceição da CART 730)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 31 de Agosto de 2026:


Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes

No princípio da década de 90 começaram a ter lugar os primeiros convívios de Antigos Combatentes pertencentes à mesma companhia e/ou ao mesmo batalhão. Esta iniciativa partia sempre da boa vontade de alguns antigos combatentes. Por meados da década de 90, quando os convívios já eram moda, apareceu uma nova modalidade, mas sempre com os mesmos objectivos.

Esta nova modalidade consistia de um convívio entre todos os naturais de uma mesma freguesia, que tivessem participado na guerra do ultramar. Convívios desta natureza reuniam sempre um número de presenças muito elevado, porque eram abertos a residentes e não residentes. Na freguesia de Campia, com 182 antigos combatentes, as presenças eram sempre superiores à centena. Muitas foram as freguesias que aderiram a esta modalidade, havendo mesmo casos de algumas onde à falta de iniciativa por parte de antigos combatente era a própria junta da freguesia a tomar a seu cargo a organização de um convívio, como era o caso da Freguesia de Cacia no Concelho de Aveiro.

Muitas associações de antigos combatentes como é o caso da “Tabanca Grande” tiveram e muitas ainda tem, os seus convívios anuais.

O número de convívios atingiu no ano de 2014 o valor 360, publicitados, estando esse valor reduzido para o ano 2026 a 70 convívios aproximadamente. Tudo terá um fim no dia em que todos os antigos combatentes façam parte das hostes celestes da Paz e do Amor.

O nosso camarada da Tabanca Grande, Victor Barata, alfacinha, nascido na cidade de Lisboa foi encontrar noiva na aldeia onde eu nasci. Casou com uma filha da Amélia da Laja e do padeiro de Caveirós, neta materna da Senhora Dália Campos, segunda prima direita da minha avó.

A encosta norte da serra do Caramulo é riquíssima em granitos de alta qualidade. Só para o pavimento do IP5 foram destruídos milhares de toneladas de granito azul transformadas em gravilha, sem que alguém gritasse, não destruam o património.

A Victor Barata procedeu à instalação de uma fábrica de serração de granitos e não de mármores como aparece num comentário do blogue. Só não está sepultado no cemitério de Campia por ter sido cremado na cidade de Viseu.

Nunca consegui que o camarada Victor Barata participasse nos convívios dos combatentes da freguesia de Campia. Uma divergência entre o Victor Barata e um dos quatro elementos da Comissão Organizadora de primeiro convívio realizado em Campia, Mário dos Santos Ferreira, Furriel de Transmissões da Companhia que estava sediada em Ingoré no ano de 1965.
O Mário dos Santos Ferreira, meu companheiro de carteira da primeira, dois anos, até à quarta classe não era pessoa fácil.

A divergência teve origem na aquisição de duas placas em granito, com a inscrição, “Ditosa Pátria que tais filhos tem” para serem colocadas nas campas dos dois mortos em combate, que estão sepultados no cemitério de Campia. Sendo amigo dos dois, tentei por mais que uma vez, sempre que me cabia a organização do próximo convívio, a reconciliação, mas sem resultados.

Sinto cada vez mais dificuldade em aceitar que amizades com mais de 30, 40, 50 anos, possam desaparecer por uma pequena quezília que não vale umas míseras cascas de alhos.

Como consequência destes convívios surgiu também a iniciativa do levantamento de Marcos Históricos aos antigos combatentes. Estes pequenos monumentos foram erguidos a nível de freguesia, como é o caso Campia, a nível de concelho e também a nível nacional como é o caso do Bom Sucesso em Lisboa. Também estes monumentos foram patrocinados pelos antigos combatentes como é o caso de Campia, por Autarquias Locais e também por outras entidades.


Este Monumento aos Antigos Combatentes, naturais da freguesia de Campia foi custeado pelos próprios Combatentes. A Junta de Freguesia de Campia cedeu o terreno e a Câmara Municipal de Vouzela honrou-nos com uma presença no dia da inauguração (13-11-1999).

Quase ao virar da esquina como nos indica a gíria popular, já no ano de 2025 surge uma iniciativa de um antigo combatente, Alferes Miliciano em Angola, natural de Macieira-a-Velha, freguesia de Macieira de Cambra do concelho de Vale de Cambra, de seu nome Martinho Tavares de Almeida, Professor de Educação Física Aposentado. A cidade de Vale Cambra faz parte da Área Metropolitana do Porto.

Com a colaboração de um Grupo de patrocinadores encabeçado pela Câmara Municipal de Vale de Cambra, este antigo combatente decidiu levar a cabo a seguinte tarefa:
Fazer uma recolha ao nível do Concelho de Vale Cambra de dados relativos a todos os naturais que tivessem participado na Guerra do Ultramar. Para além dos dados pessoais também foram recolhidos dados relativos ao Posto e à frente de combate onde teve lugar a sua participação.

À semelhança do que é pedido na adesão à Tabanca Grande também aqui foi usado o mesmo critério em relação à entrega de fotos.
A partir da recolha efectuada, foi feita a edição de um livro em formato A4 com uma primeira tiragem de 1500 exemplares, com 512 páginas e um peso superior a 2 quilos.

Cada um dos Antigos Combatentes ainda vivos, recebeu um exemplar de forma gratuita. Todos os familiares dos Antigos Combatentes já falecidos, que colaboraram com a iniciativa receberam do mesmo modo um exemplar de forma gratuita como é o meu caso.

As duas imagens a seguir mostram a frente e o verso da obra que foi feita a partir desta brilhante iniciativa.

Frente do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra
Contracapa do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra

A todos os antigos combatentes a quem foi concedido o privilégio de regressar à sua origem sem ser dentro de um caixote, lutaram para serem os melhores, para terem o reconhecimento daquilo por que passaram em defesa dos ideais da época.
De nada lhes valeu, cada vez valem menos e a cada vez que aparece algo de benesse para antigos combatentes logo aparecem as discórdias a gritarem que os antigos combatentes não são pessoas de bem.

É público de que os antigos combatentes não pagam medicamentos. Não é verdade porque apesar de existir na Constituição um Artigo 13.º que diz que somos todos iguais. Há a possibilidade de serem produzidos medicamentos para pobres e para ricos. O antigo combatente não paga medicamentos se apenas usar os medicamentos para pobres. Em caso contrário paga como pagam os outros.[1]

O livro faz referência a todas as figuras do Estado Novo que durante 13 anos conduziram a Guerra, às grandes operações, tais como a tomada da Pedra Verde e a Operação Mar Verde, às grandes catástrofes como afundamento de uma jangada que vitimou mais de uma centena[2], e a tragédia do Chão Manjaco. É de igual modo feita uma referência a todos os intervenientes do lado oposto.

Tenho muita pena que não exista em todos os restantes concelhos deste país um Alferes Martinho Tavares de Almeida com capacidade para levar a bom porto uma nau com tanta carga. Até à página 225 este livro é de uma enorme riqueza para quem gosta de História.

Nas primeiras 225 páginas há espaço para:

- 1. O Império Ultramarino e o Estado Novo
- 2. Factos que antecederam o Conflito Armado
- 3. Período anterior ao início do Conflito Armado
- 4. Início do Conflito Armado em Angola
- 5. Principais protagonistas
- 6. Teatros de operações
- 7. Movimentos independentistas
- 8. Grandes operações
- 9. Meios terrestres aéreos e navais
- 10. Quarteis e aquartelamentos
- 11. Armas de combate. Perfeita elencagem de todas as armas com ilustração de todas as armas usadas de ambos os lados.
- 12. Minas. A chamada guerra subterrânea
- 13. Alguns números da Guerra do Ultramar
- 14. As grandes tragédias
- 15. As nossas Enfermeiras na Guerra do Ultramar
- 16. A missão do movimento nacional feminino
- 17. O papel da Igreja no conflito
- 18. Factos relevantes
- 19. Personalidades que exerceram funções de chefia e comando envolvidas na guerra do ultramar
- Da página 226 até à página 463 foram colocadas todas as fotos acompanhadas de um pequeno perfil de todos os antigos combatentes do concelho de Vale de Cambra.

O segundo da última fila é o autor desta brilhante obra (Alferes Mil Martinho Tavares de Almeida)

- Da página 464 em diante estão transcritos os louvores atribuídos a todos antigos combatentes naturais de Vale de Cambra.
- Uma lista de todos os falecidos.
- Lista de feridos graves acompanhada de alguns depoimentos.
- Notícias publicadas em alguns jornais da época.


Para terminar deixar um grande abraço com elevado reconhecimento ao Autor
Os meus mais sinceros parabéns Dr. Martinho Almeida.


Artur Conceição
SPM 2578


******************************
2 . Notas do editor Carlos Vinhal:

[1] - Peço desculpa ao amigo Artur Conceição, mas por uma questão de justiça, venho afirmar que é incorrecto dizer-se que os Antigos Combatentes só têm direito a medicamentos para pobres. Em Portugal não há medicamentos para pobres e para ricos. Uma vez que há muita falta de informação e desinformação a mais, esclareço, a título pessoal, que o Estado comparticipa os Antigos Combatentes a 100% o preço de referência de todos e quaisquer medicamentos receitados e comparticipados pelo SNS, genéricos ou de marca.
Os utentes do SNS, em geral, não saberão, nem se aperceberão, de que há medicamentos cujo PVP (preço de venda ao público) é superior ao PR (preço de referência). O SNS, nestes medicamentos, só comparticipa o PR, ficando a diferença a cargo do utente. Nunca dei conta de ver no balcão da farmácia alguém perguntar porque está a pagar aquela importância e não menos.
Com os Antigos Combatentes passa-se o mesmo, às vezes pagamos uns cêntimos por causa da tal diferença, mas porque se intuiu que nos comparticipam (sempre) 100% do preço dos medicamentos, reclamamos por falta de conhecimento.
Um exemplo prático: o reumatologista receitou-me Lepicortinolo (um medicamento de marca, não genérico), cujo preço de venda ao público é 3,82€ e o preço de referência é 2,80€. Perante isso, paguei a diferença, 1,02€, sendo comparticipado a 100% do preço de referência.
Também não é justo dizer-se que os Medicamentos Genéricos têm uma eficácia inferior aos de marca. Está provado cientificamente que é mentira. Eu sou um dos que opta sempre pelos genéricos. O SNS não nada em dinheiro, cabendo a cada um de nós zelar pela sua sobrevivência.
Aconselho a leitura atenta do nosso Poste de 6 de Janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26354: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (109): Portaria n.º 372-C/2024/1, de 31 de Dezembro que estabelece as condições de acesso dos Antigos Combatentes a uma percentagem adicional de comparticipação sobre a parcela não comparticipada dos medicamentos pelo SNS

[2] - Aqui não sei se o nosso amigo Artur se se está a referir ao desastre da jangada durante a travessia do rio Corubal. Se sim, e se considerarmos vítimas os camaradas falecidos, foram 43.

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Nota do editor

Último post da série de 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28250: (In)citações (289): Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol... (Tony Borié, ex-1.º Cabo Op Cripto)

sábado, 22 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27450: Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, 18 de novembro de 2025: Simbolismo das coroas de flores depositadas no Monumento aos Combatentes do Ultramar (Luís Graça ) - II (e última) Parte


Foto nº 1 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar: ao centro, em cima da passadeira vermelha, a coroa do Ministério da Defesa Nacional. (De acordo com o protocolo, a coroa da entidade de maior precedência costuma ficar mais ao centro ou num lugar destacado, sendo as restantes organizadas simetricamente a partir desse eixo.)


Foto nº 2 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (2): da esquerda para a direto, em segundo plano, a coroa das Forças Armadas Portuguesas, e em terceiro plano as dos ramos (Marinah e Força Aérea), seguida da GNR e em quario plano, sem suporte metálico, a da Associaçáo Nacional dos Prisioneiros de Guerra

 

Foto nº  3 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (3): destaque para a coroa do Ministério da Defesa Naciona, em primeiro plano, alinhada com a passadeira vermelha


Foto nº 4 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (4): em segundo plano. as coroas dos Deputados da Comissão de Defesa da Assembleia Nacional, Exército Português,  Liga dos Combatentes, Grupo de Adidos Militares Estrangeiros Acreditados em Portugal, Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). Embaixada de França, Amicale des Anciens Combattants et Militaires Français au Portugal (AACMFP)  / Associação dos Veteranos e Militares Franceses em Portugal

Lisboa > Belém> Forte do Bom Sucesso > 18 de novembro de 2025 > 10h00 > Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, Coroas de flores junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar

Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2025). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)

1. Confesso que não tenho a cultura castrense do meu amigo, camarada e colaborador permanente  do blogue, o José Martins, que esse é que devia estar aqui a falar, de cátedra, sobre estas matérias (Honras Fúnebres, Honras Militares, Liga dos Combatentes...). Também esteve ao meu lado, nesta cerimómia, tendo os dois sido condecorados pela Liga dos Combatentes. 

Eu, confesso, não sou especialista neste assunto, que remete para a  Ordem de Precedência do Estado e o Regulamento de Honras Militares. Mas também não gosto de fazer a figura do boi a olhar para um palácio...Daí ter perdido algum tempo para saber algo mais e poder legendar as fotos  que tirei. Espero que a informação reunida possa ter algum interesse para os nossos leitores.


2. Protocolo e disposição espacial das coroas de flores fúnebres nas homenagens aos mortos da guerra do ultramar

Nas cerimónias militares e de Estado em Portugal existe um protocolo rigoroso para a disposição das coroas de flores, especialmente em locais solenes como o Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém (como mostram as fotos acima).

A disposição e a ordem de deposição das coroas de flores no Monumento aos Combatentes da Guerra do Ultramar obedece a uma lógica estrita de hierarquia institucional e precedência, de acordo com o protocolo de Estado e das Forças Armadas em Portugal.

A lógica protocolar visa garantir que a homenagem reflete, visual e cerimonialmente, a estrutura de autoridade do Estado e a importância dos organismos que prestam tributo.

Nas cerimónias fúnebres de combatentes e figuras militares em Portugal, o protocolo é muito rigoroso, sendo regulado por documentos como o Regulamento de Continências e Honras Militares (RCHM) e despachos específicos

(i) Honras fúnebres militares

  • Bandeira Nacional: os Antigos Combatentes têm o direito a ser velados com a Bandeira Nacional; o  protocolo define a forma como a bandeira cobre o féretro, geralmente com o vermelho virado para a frente e o verde sobre a cabeça do falecido 
  • Laço Preto: é comum o uso de laço preto na lança do Estandarte Nacional, do Guião, da flâmula e, por vezes, do Estandarte da Força/Unidade, como sinal de luto
  • Continências: militares uniformizados prestam a continência e executam o movimento de funeral-arma à passagem do féretro
  • Força de Honra: a presença de uma Guarda de Honra (com efetivo mínimo de pelotão) é protocolar, prestando honras com toques de sentido e apresentar armas, frequentemente acompanhados pelo Hino Nacional.

(ii) Disposição espacial das coroas


Embora as normas não especifiquem a disposição de cada coroa, em cerimónias públicas (como as Honras de Estado ou no Monumento aos Combatentes do Ultramar, por exemplo), observa-se:
  • Coroa Oficial do Estado/Presidência/Forças Armadas: geralmente é a mais destacada, colocada numa posição central e de maior visibilidade junto ao féretro ou monumento;  é comum ser uma coroa de louros;
  • Coroas de Entidades Militares/Associações de Combatentes: têm uma prioridade e posição de destaque em relação às coroas de indivíduos;
  • Coroas Privadas: são dispostas em redor do local da homenagem, muitas vezes de forma simétrica e ordeira, respeitando a hierarquia das homenagens oficiais;
  • Faixas: acompanham as coroas e são essenciais, identificando o doador (Exemplo: "Presidente da República", "Assembleia Nacional",  "Exército Português",  "Liga dos  Combatentes") e têm de ser visíveis para reconhecimento da entidade que presta a homenagem.
O conjunto destes elementos (a forma circular ou de louros, as flores brancas e vermelhas, e o protocolo militar...) servem para criar um ritual público que não só expressa luto, mas sobretudo reverência, honra e gratidão pelo sacrifício e serviço prestado à Nação.

(iii) Hierarquia da deposição e disposição das coroas

A ordem pela qual as coroas são depositadas, e que se traduz na sua disposição espacial junto ao monumento, segue a hierarquia das entidades que representam. Quanto mais alta a posição institucional, mais próxima do centro do monumento e mais proeminente será a coroa.

  • O ponto central e a coroa do Estado

O foco da homenagem é o Túmulo do Soldado Desconhecido (que oficialmente está situado na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha, ao que li); aqui no Monumento aos Combatentes do Ultramar, a centralidade é a "chama da Pátria". 

A coroa mais importante e central é sempre a do Estado Português, colocada pela mais alta autoridade presente (neste caso, que as fotos documentam, é o Ministério da Defesa Nacional):  

Coroa Presidencial: é depositada pelo Presidente da República (na sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas) ou por um seu representante; esta é a primeira e mais proeminente coroa, simbolizando a homenagem de toda a Nação; é comum que seja uma Coroa de Louros, que representa a Honra e a Glória militar; nesta cxerimónia de 18 de novembro passado, não houve presença do Chefe de Estado, por razões de agenda,.

  • A hierarquia das soberanias e do governo

Após a homenagem do Chefe de Estado, seguem-se as restantes entidades de soberania, por ordem de precedência:

Coroas do Governo e Parlamento: entidades como o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro-Ministro (ou o Ministro da Defesa Nacional em representação do Governo) depositam as suas coroas a seguir.

  •  A cúpula militar (Forças Armadas)

As Forças Armadas seguem a sua própria hierarquia institucional:

Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA): o responsável máximo pela cúpula militar deposita a coroa em nome das Forças Armadas Portuguesas;M

Chefes de Estado-Maior dos Ramos: seguem-se os Chefes de Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea, por essa ordem; cada um representa a homenagem do respetivo ramo.

  • Entidades externas e associações

Finalmente, são depositadas as homenagens de outras entidades, seguindo uma ordem definida:

Representações Estrangeiras: embaixadores ou adidos militares estrangeiros depositam coroas em nome dos seus países; a ordem segue o protocolo diplomático (antiguidade do embaixador ou ordem alfabética do país);

Associações de Combatentes: as organizações representativas dos Antigos Combatentes, como a Liga dos Combatentes ou a ADFA - Associação dos Deficienets das Forças Armadas, depositam as suas coroas com grande significado emocional e simbólico;

Outras entidades: entidades públicas (municípios, Cruz Vermelha, etc.) ou privadas, por ordem estabelecida no guião cerimonial.

Em resumo,  a posição das coroas segue a hierarquia das entidades que as depositam. Tipicamente:
  • Presidência da República
  • Assembleia da República
  • Governo — especialmente o Ministério da Defesa Nacional
  • Chefias militares
  • Estado-Maior-General das Forças Armadas
  • Exército
  • Marinha
  • Força Aérea
  • Liga dos Combatentes
  • Associações de veteranos ou unidades militares
  • Outras entidades oficiais ou diplomáticas
Este rigor protocolar garante que a homenagem pública seja conduzida com a máxima dignidade e respeito pela memória dos que "morreram ao serviço da Pátria"

(iv) Simbologia da coroa oficial

No contexto de honras militares, a coroa não é apenas um arranjo floral, mas um símbolo de sacrifício e vitória.

  • Coroa de Louros: é o elemento mais significativo. A coroa do Estado e de outras entidades militares de topo é muitas vezes feita com louros (frescos ou folheados) e pode incluir sempre-vivas (símbolo de resistência e eternidade) e, por vezes, um laço com as cores nacionais, em vez de um arranjo floral composto apenas por flores;

  • Posicionamento: no final, a disposição física no plano do monumento cria um cone de reverência, onde as coroas mais importantes estão dispostas mais próximas do eixo central do túmulo, e as restantes a partir desse ponto, em ordem decrescente de importância hierárquica.

(v) Simetria e representação formal


  As coroas, como se vê nas fotos acima, apresentam muitas vezes:
  • Símbolos heráldicos (armas dos ramos das Forças Armadas, brasões, distintivos de unidades);
  • Cores institucionais:
  • Formatos circulares ou em escudo, conforme a tradição militar

Esta iconografia ajuda a identificar rapidamente a entidade que presta homenagem.

(vi) Distância e alinhamento

As coroas são colocadas:
  • em suportes metálicos padronizados,
  • afastadas por intervalos regulares,
  • geralmente de frente para o monumento e alinhadas ao longo do tapete vermelho, por onde passam as autoridades.
 
(vii) Protocolo cerimonial

Durante o ato:
  • a deposição segue a ordem oficial das entidades;
  • a guarda de honra e a banda militar acompanham o momento.
  • depois da deposição, segue-se o toque de silêncio e, por vezes, a homenagem aos mortos.
 (viii) Fontes oficiais e protocolos

A lógica de disposição das coroas segue estritamente a Ordem de Precedência do Estado e o Regulamento de Honras Militares.

  • Regulamento de Continências e Honras Militares (RCHM)

Este é o diploma legal que estabelece a ordem e a forma das honras militares. Embora não especifique a disposição exata de cada coroa, define a hierarquia das entidades que presidem ou são homenageadas, o que se traduz diretamente na ordem de deposição das coroas e, consequentemente, na sua disposição espacial (as mais altas autoridades e símbolos da pátria têm a primazia).

Fonte Primária: Decreto-Lei n.º 331/80 (Regulamento de Continências e Honras Militares) e alterações subsequentes, que definem a precedência para fins de continências e honras militares  

Esta lei determina a ordem hierárquica das Altas Entidades, que é a base para a sequência em que são chamadas a prestar homenagem (colocar a coroa).

Fonte Primária: Lei das Precedências do Protocolo do Estado Português (que estabelece a ordem do Presidente da República, Presidente da Assembleia, Primeiro-Ministro, Chefes Militares, etc.); esta ordem é crucial para saber quem deposita primeiro e quem fica mais próximo do Túmulo do Soldado Desconhecido.

  • Prática Protocolar Observada em Cerimónias Oficiais

A execução prática da disposição das coroas é documentada e observada nas cerimónias públicas realizadas no local, muitas vezes divulgadas pelos gabinetes das entidades ou pela Liga dos Combatentes:

Fontes Secundárias (Observação): Comunicações da Presidência da República e da Liga dos Combatentes sobre as cerimónias do Dia Nacional do Combatente, Dia do Armistício e outras;. estes relatórios confirmam que o Presidente da República e as autoridades militares de topo presidem e iniciam a homenagem.

Em resumo, a lógica é baseada na Lei (que define a hierarquia institucional) e no Regulamento Militar (que define as honras devidas a cada entidade).


Pesquisa LG + Net + IA (ChatGPT, Gemini)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos e itálicos: LG)
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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27447: Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, 18 de novembro de 2025: Simbolismo das coroas de flores depositadas no Monumento aos Combatentes do Ulramar (Luís Graça ) - Parte I


Foto nº 1 > Ministério da Defesa Nacional


Foto nº 2 : Forças Armadas de Portugal


Foto nº 3 > Força Aérea Portuguesa


Foto nº 4 > Marinha Portuguesa



Foto nº 5 > Exército Portuguès


Foto nº 6 > Deputados da Comissão de Defesa da Assembleia Nacional


Foto nº  7 > Guarda Nacional Republicana (GNR)



Foto  nº 8  > Liga dos Combatentes 



Foto nº 9 > Grupo de Adidos Militares Estrangeiros Acreditados em Portugal


Foto nº 10 > Ambassade de France au Portugal / Embaixada de França em Portugal


Foto nº 11 > Cruz Vermelha Portuguesa (CVP)



Foto nº 12  > Associação Nacional dos Prisioneiros de Guerra


Foto nº 13 > Amicale des Anciens Combattants et Militaires Français au Portugal (AACMFP)  / Associação dos Veteranos e Militares Franceses em Portugal


Figura nº 14 > Associação dos Deficientes das Forças Armadas (?)


Foto nº 15 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (1)


Foto nº 16 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (2)


Foto nº  17 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (3)


Foto nº 18 > Coroas de flores no Monumento aos Combatentes do Ultramar (4)

Lisboa > Belém> Forte do Bom Sucesso > 18 de novembro de 2025 > 10h00 > Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar, Coroas de flores junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar

Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2025). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Fui, como convidado, e pela primeira vez (que me lembre!), participar numa cerimónia comemorativa do fim de uma guerra, aliás duas, a da I Grande Guerra (1914/18)  e a da Guerra do Ultramar (1961/74),  organizada pela centenária Liga dos Combatentes (LC).

A cerimónia decorreu entre as 10h00 e as 12h30 do passado dia 18 de novembro. Tendo chegado um pouco mais cedo, pus-me a observar e a fotografar as coroas de flores (mais de uma dúzia) colocadas na base  do Monumento aos Combatentes do Ultramar, localizado junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Ao centro, e alinhada com a "passadeira vermelha" para os VIP, estava a coroa do Ministério da Defesa Nacional, organizador do evento em conjunto com a Liga dos Combatentes. A cerimónia foi presidida, se não erro, pelo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.

Por (de)formação profissional, gosto de pôr a mim próprio, mentalmente,  questões sobre o que vejo ou apreendo: o quê, onde, quando, como, porquê, por quem e para quem... 

De entre as formas de homenagem aos combatentes mortos nas guerras avulta a tradicional  deposição de coroas de flores funerárias. De repente intrigou-me a forma,  as cores e o tipo de flores das coroas funerárias, bem como a sua disposição espacial, na base do monumento, e em torno de um tapete vermelho por onde circulariam depois os representantes das entidades oficiais. 

Ora tudo isso não acontecia por acaso. Quis saber o simbolismo e o significado profundo que tem o uso das coroas de flores  na nossa cultura e na nossa sociedade, em cerimónias como estas em que se homenageiam os mortos caídos pela Pátria.

Com a ajuda das ferramentas de IA (ChatGPT e Gemini) e outras consultas na Net, fui respondendo a algumas das minhas questões. Para já fiquemos pela primeira parte: cores e espécies de flores, forma e estrutura das coroas. 

Numa segundo poste, falaremos da ordenação espacial das coroas das flores, que devem obedecer a um protocolo institucional. (A tropa tem horror ao  vazio e ao improviso, embora na Guiné, em teatro de guerra,  nos mandasse "desenrascar"...)


1. Têm um simbolismo que vai muito além da estética: representam memória, valores, emoção e, em última análise, a forma como uma sociedade encara o sacrifício (supremo) dos seus soldados. O uso de coroas funerárias remonta à Antiguidade Clássica, Greco-Romana. Afinal, já fomos escravos e colonizados pelos romanos.  (Não sabemos a língua que falava o nosso Viriato.)

Embora cada cultura possa ter nuances próprias, há alguns sentidos amplamente reconhecidos para as cores:

(i) Vermelho=sacrifício, coragem, heroísmo e sangue derramado

O vermelho é uma das cores mais usadas, sobretudo em rosas, cravos, antúrios, gerberas Representa:
  • o sangue derramado pelos combatentes;
  • a nobreza;
  • a coragem no campo de batalha;
  • a lembrança viva do sacrifício;
  • amor eterno e admiração.

É por isso tão comum no Dia do Armistício, no 10 de Junho, no Dia da Memória e outras efemérides, em vários países.

(ii) Branco=paz, pureza, reverência, e respeito


É cor mais comum, simbolizando:
  • o desejo de paz duradoura após o conflito;
  • a pureza das intenções dos combatentes;
  • luto e reverência.

É uma forma de homenagear não só quem morrer, mas também a esperança de que os infaustos eventos, como a guerra (incluindo a guerra civil), não se repitam.

(iii) Amarelo=lembrança e esperança

Em algumas culturas, o amarelo representa:
  • lembrança perene;
  • esperança na reunião espiritual;
  • luz e eternidade.
Já o amarelo, na sua forma dourada (amarelo-ouro), é um símbolo forte de nobreza, riqueza, sucesso e poder, reforçando a ideia de glória e eternidade.

(iv) Roxo=luto profundo e espiritualidade

O roxo, poço usado em arranjos florais, está muitas vezes associado a:
  • cerimónias mais solenes;
  • respeito espiritual;
  • reflexão sobre a morte e o seu significado;
  • luto.

2. Porque se usam flores em homenagens fúnebres ?


Para além das cores, as próprias flores têm um profundo significado:
  • são símbolos de vida, beleza e fragilidade;
  • lembram-nos que a vida dos combatentes foi preciosa e efémera; 
  • representam a continuidade, a passagem de testemunho, a partilha;
  • mesmo após a morte, a memória floresce; e a vida renasce;
  • criam um momento de beleza num contexto doloroso, um gesto de humanidade face à brutalidade da guerra e do sacrifício da própria vida,

O sentido mais profundo: no fundo, estas cores não são apenas  um elemento meramente decorativo; são signos, são uma linguagem simbólica que permite expressar:
  • respeito e gratidão;
  • memória coletiva;
  • humanização do luto;
  • compromisso com a vida, com a liberdade e com a paz.

É uma forma silenciosa, mas poderosa, de dizer que os mortos não ficam "inumados na vala comum do esquecimento" (como gostamos de dizer na Tabanca Grande) e que o seu sacrifício tem significado na história das famílias, dos grupos, da comunidade, do País.

 3. As cores usadas nas cerimónias e flores não são apenas escolhas simbólicas tradicionais, mas também refletem frequentemente as cores dos brasões e insígnias das entidades que prestam a homenagem (chefe de estado, assembleia da república, governo, forças armadas, associações de combatentes...). E isso acrescenta um significado institucional e histórico muito forte.

(i) Representação institucional

Quando o exército, o governo, as ligas de combatentes, embaixadas ou outras entidades colocam coroas ou arranjos florais, é comum que:
  • escolham as cores do seu próprio brasão oi insígnias;
  • usem as cores da bandeira nacional;
  • ou combinem ambas.

Isto serve para:
  • mostrar que a homenagem não é apenas pessoal, mas oficial e coletiva, institucional;
  • marcar que a entidade assume publicamente a memória dos seus combatentes;
  • dar continuidade a uma tradição cerimonial formal.

 (ii) Identidade e continuidade histórica

A utilização das cores dos brasões reforça o vínculo entre:
  • os combatentes homenageados;
  • a instituição ou a arma a que pertenciam (exército, marinha, força aérea):
  • e a história da própria instituição ou da arma.

Por exemplo: o Exército pode usar o verde e vermelho (cores nacionais) ou detalhes dourados e pretos das suas insígnias; a  Liga dos Combatentes utiliza as cores do seu emblema, reforçando a missão de preservar a memória; embaixadas estrangeiras  usam frequentemente as cores da bandeira do país que representam, simbolizando respeito internacional.

(iii) Um gesto simbólico e protocolar

Ao usar as cores dos brasões:
  • reforça-se a ideia de que os combatentes não foram esquecidos pela Pátria;
  • mostra-se a unidade entre Estado, instituições militares e sociedade civil, incluindo associações de veteranos;
  • cumpre-se o protocolo cerimonial militar e diplomático.

(iv) Complemento ao simbolismo emocional das flores

Assim, há dois níveis de significado:
  • emocional e universal; cores que expressam luto, sacrifício, paz e memória;
  • institucional e histórico: cores dos brasões que reforçam a identidade e a responsabilidade da entidade homenageante.
Ambos se complementam para criar uma homenagem mais completa e cheia de significado.


4. Mas não são apenas as cores, mas também as formas e a estrutura das coroas que carregam simbolismo. Em cerimónias militares e de Estado, a forma da coroa ou arranjo floral transmite mensagens subtis, ligadas à tradição, ao protocolo e à identidade da entidade que presta homenagem. Muitas vezes estas coroas são extremamente elaboradas e visualmente muito atrativas, porque representam não só o luto, mas também a honra, a hierarquia e a memória colectiva.


(i) Formas geométricas com significado

As coroas podem ser circulares, ovais, em escudo, em coração, em cruz ou mesmo em arranjos verticais.

 Círculo= eternidade e continuidade

A coroa circular: é a forma mais tradicional e o símbolo primordial da eternidade e da imortalidade da alma e da memória:

  • simboliza a vida eterna, ou o eterno retorno;
  • representa a memória que não tem início nem fim;
  • transmite a ideia de unidade nacional e de solidariedade intergeracional.

Coroa de louros=honra, vitória e glória

Variante da coroa circular, a coroa de louros é um símbolo clássico de honra, vitória e glória, remontando ao mito de Apolo e Dafne, e sendo historicamente associada a conquistas e estatuto elevado; é frequentemente usada em homenagens a militares e figuras de Estado em Portugal.

Forma de escudo=honra militar

Algumas coroas são feitas à maneira de um brasão ou escudo militar:
  • reforçam a ligação ao corpo ou Ramo das Forças Armadas;
  • simbolizam proteção e bravura;
  • recordam que o combatente serviu uma instituição com identidade própria.

 Formas religiosas (cruz, palma, espiga)
  • usadas sobretudo por entidades com tradição cristã;
  • simbolizam fé, sacrifício e esperança na vida espiritual, ressurreição;
  • muito usadas por governos ou associações que seguem protocolos históricos.
Outras formas, como o  Coração (amor profundo e afeição) também podem ser usadas, embora a forma circular ou de louros seja mais prevalente em cerimónias públicas militares.


(ii)   Coroas elaboradas com detalhe e complexidade

As coroas mais ornamentadas aparecem geralmente quando:
  • a entidade é de alto nível (Presidente da República, Governo, Chefes militares, Embaixadas);
  • a cerimónia é oficial ou de Estado;
  • o local é de grande significado (Túmulo do Soldado Desconhecido, Mosteiro da Batalha ou  dos Jerónimos, Monumento aos Combatentes do Ultramar, campos de batalha, cemitérios militares, outros monumentos nacionais).

Estas coroas:
  • reforçam a solenidade;
  • representam a dignidade do cargo que presta homenagem;
  • procuram traduzir visualmente o respeito máximo.

(iii) Elementos específicos que acrescentam significado:

Muitas coroas possuem detalhes que parecem apenas decorativos, mas não são:

 Fitas com inscrições

Contêm:
  • nome da instituição;
  • palavras como “Homenagem”, “Glória”, “Honra”, “Memória”;
  • cores da bandeira ou brasão ou insígnia da entidade.

Ramos de louro ou oliveira

Muito usados em coroas militares:
  • o louro simboliza vitória e honra;
  • a oliveira simboliza paz e reconciliação.
 Outras flores e folhagens (verdura) 

  • por exemplo,  o verde (folhagens): representa renovação e esperança;

  • as flores podem ser escolhidas, para além da sazonalidade,  pelos seus significados simbólicos, que se adaptam ao contexto de homenagem a um combatente.

 
 Elementos dourados ou metálicos

Reforçam:
  • a solenidade;
  • o carácter oficial;
  • a antiguidade histórica da instituição.

 (iv)  O significado mais profundo das formas elaboradas

No fundo, a forma da coroa é uma linguagem simbólica, tão importante quanto as palavras proferidas no discurso de homenagem. Cada forma e detalhe transmite a mensagem de que:
  • o combatente é lembrado com identidade, respeito e história;
  • a sua morte não é apenas um facto individual, mas um elemento da memória coletiva do país;
  • a homenagem é proporcional à importância do sacrifício.

5. Simbolismo das coroas funerárias (síntese)

ElementoSignificado
comum
Contexto militar/Honra
LouroVitória, Honra, GlóriaEssencial em coroas militares, simboliza o triunfo e o sacrifício; remonta ao mito de Apolo e Dafne
Sempre-
-Vivas
Força, Resistência, Memória EternaRepresentam a permanência da memória e a resistência do espírito 
Carvalho (Folhas)Sabedoria, Força, RobustezAssociado a Zeus (na mitologia helénica) ,  simbolizando a resiliência
Rosas
Brancas
Reverência, Respeito, Pureza, PazA escolha clássica para expressar respeito profundo e paz espiritual 
Rosas VermelhasAmor, Respeito, Coragem, SacrifícioSimboliza o amor profundo e a coragem, especialmente relevante para um combatente 
Lírios
Brancos
Pureza, Tranquilidade, Paz EspiritualUsados para transmitir serenidade e a renovação da alma / espírito
Crisân-
temos
Luto e Homenagem (em muitas culturas)Usados tradicionalmente em funerais, simbolizam a nobreza da alma / espírito

  (Continua)


Pesquisa LG + Net + IA (ChatGPT, Gemini) 
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos e itálicos: LG)

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27348: Notas de leitura (1855): "Ecos Coloniais", coordenação de Ana Guardião, Miguel Bandeira Jerónimo e Paulo Peixoto; edição Tinta-da-China 2022 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Outubro de 2025:

Queridos amigos,
Ecos Coloniais não é nem um guia de viagem nem um almanaque de curiosidades histórico-culturais onde as memórias coloniais e imperiais se interpenetram. Juntaram-se académicos, ativistas, museólogos e jornalistas e fazem uma apreciação desses espaços, lugares, monumentos, instituições onde pulsam as tais reverberações que dão ensejo a encarar a História de Portugal na faceta que as marcas do Império nos arrastam à compreensão da nossa identidade, na dimensão do passado. Começámos no Arquivo Histórico Ultramarino, estamos hoje em frente ao monumento a Sá da Bandeira, vamos até ao Forte do Bom Sucesso, o monumento aí é outro, homenageiam-se os combatentes mortos nas guerras do Ultramar, seguimos depois para o Museu Nacional da Etnologia. Dá-se esta obra como relevante, é um exercício original para debates sobre passado e o presente, mostra como o património colonial está obrigatoriamente associado a uma memória inapagável.

Um abraço do
Mário



Império e colonialismo: reverberações na Lisboa atual - 3

Mário Beja Santos

Ecos Coloniais resulta de um exercício coletivo de investigação sobre o património histórico e cultural, aqui se interrogam instituições, entidades, monumentos, obras de arte, palácios onde se interseccionam a história colonial e imperial portuguesa, do passado ao presente, edição ilustrada com fotografias de Pedro Medeiros e o acervo de textos tem a coordenação de Ana Guardião, Miguel Bandeira Jerónimo e Paulo Peixoto, edição Tinta-da-China 2022. Logo na introdução, os organizadores referem que este levantamento é uma obra consciente e que há muito por investigar e por saber, importa evitar generalidades e simplismos mobilizadores para escapar aos engenheiros e empreendedores da “história” e da “memória”.

Encaminhamo-nos agora para o monumento a Sá da Bandeira, sito ali perto do Mercado da Ribeira e da Marconi, tendo a Avenida 24 de julho pela frente. O bravo Marechal, de nome Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, de bravura incontestável, liberal e irredutível, está ligado à abolição da escravatura em Portugal. Como escrevem os autores deste texto, “Na década de 1850, quando vários decretos vão progressivamente libertando os escravos do Estado e das misericórdias, quando se estabelece o conceito da liberdade do ventre e aqueloutro de ‘libertos’. São estes dois bons exemplos de carácter gradual, feito de concessões e cedências, e hesitações, que marcou não só o abolicionismo português como a própria figura de Sá da Bandeira (…) A estátua de celebração do Marquês Sá da Bandeira não se esgota no movimento abolicionista. No sope, uma outra estátua, de uma mulher africana evoca aquilo que era um tropo na altura: o agradecimento do continente e seus habitantes, ao abolicionismo protagonizado pelas classes esclarecidas dos países ‘civilizados’. O problema da escravatura enquanto injunção moral que os poderes imperiais projetavam sobre si mesmo havia sido transformada num novo instrumento de geopolítica. A escravatura, real, que existia ainda no continente africano, apesar das várias ‘abolições’, era então identificada como problema congénito das sociedades locais a que estavam associados outros: poligamia, canibalismo, uso imoderado de álcool, predisposição para a indolência. A escravatura, alimentada que tinha sido ao ponto de alcançar uma dimensão quase industrial na sua versão transatlântica, era agora apresentada como o resultado do atavismo e violência de grupos socioculturais tidos por atrasados.”

O marechal e aquela mulher africana com a criança ao colo, no significado que a época lhe deu, representa a homenagem do país a quem deu a liberdade aos escravos, mas num quadro ideológico de tornar estes libertos indígenas com possibilidade de aceder à civilização.

Tomámos agora o rumo para Belém, vamos até ao monumento aos Combatentes do Ultramar. Diz a autora do texto: “Numa instrumentalização da dor, os monumentos aos mortos de guerra revelam que a morte não dá igualdade. A abstração do morto aniquila as diferenças dos que lutaram integrando-as num processo hegemónico.” Anteriormente, a autora apresentara assim o monumento inaugurado em 5 de fevereiro de 2000:
“Ao Forte do Bom Sucesso foram adicionadas placas talhadas com os nomes, dispostos cronologicamente, de cerca de 10 mil soldados mortos na Guerra Colonial, incluindo soldados africanos das Forças Armadas Portuguesas. A associação dos mortos procura fortalecer, por um lado, a ideia de uma linearidade histórica, sem as ruturas que momentos de crise como as guerras poderiam causar e, por outro lado, a integração orgânica dos membros do corpo nacional, onde também se encontra o colonial. A 11 de novembro de 2015, no 97.º aniversário do Armistício, foi integrado ao conjunto memorial o Soldado Desconhecido caído na Guiné durante a Guerra Colonial, depositado na Capela do Combatente. Tal como em 1921, o morto anónimo é colocado no centro do palco. O herói não identificado, figura idealizada e transversal, é chamada à função de regenerar a nação e transladado para o Panteão Nacional.”

Um monumento que esteve envolvido em controvérsia, e que tem a estatura de uma ferida histórica, há quem o encare como espelho de memória de uma descolonização acabada. Com o passar dos anos, este espaço público vai gerando o sentimento de uma memória comum, ganha o papel de reconciliador, torna-se numa memória comum, o país ajustou-se à veneração dos seus mortos, já são muito poucos os que, por razões ideológicas, pretendem instrumentalizar a dor.

A última viagem é ao Museu Nacional de Etnologia, a autora do texto revela-se bastante crítica quanto ao teor da exposição permanente e releva o papel do multiculturalismo que em Portugal se agigantou com as sucessivas vagas de imigração, logo a dos “retornados” após a revolução do 25 de abril, o que está patente no Museu oculta o lado violento e racista do colonialismo português, abre espaço para exibir narrativas como a panaria de Cabo Verde e Guiné Bissau, e a autora destaca a importância do Serviço Educativo que valoriza as coleções a partir do presente, contribuindo para a construção de relações recíprocas, tal serviço educativo volta-se hoje para a população afrodescendente, contribuindo de forma crítica para o combate à marginalização de grupos sociais que buscam sentido de cidadania, fora da ética dos Descobrimentos. “Coleções como as do Museu Nacional da Etnologia constituem uma oportunidade única para conhecer uma história profundamente desumana, permitindo-nos ativar práticas reparadoras no campo das temporalidades, das materialidades e da dignidade, e compreender melhor o mundo em que vivemos, para podermos assumir o compromisso de contribuir para a construção de um presente melhor.”

Ecos Coloniais, vale a pena repetir, debruça-se sobre um eco diversificado de espaços, atores, instituições e símbolos, permitem-nos ver ou refletir sobre histórias imperiais e coloniais que podemos ver em Lisboa e arredores. É um trabalho coletivo, envolve uma equipa em que há autores e um fotógrafo. Impondo-se uma súmula ou resenha desses espaços e lugares, falando de um quadro que está no Museu Nacional de Arte Contemporânea, “os Pretos de Serpa Pinto”, iremos depois ao Porto de Lisboa e à Sociedade de Geografia de Lisboa.

Monumento aos combatentes do Ultramar, junto do Forte do Bom Sucesso
Museu Nacional de Etnologia, objetos em exposição
Os Pretos de Serpa Pinto, Catraio e Mariana, por Miguel Ângelo Lupi, 1879, Museu Nacional de Arte Contemporânea

(continua)
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Notas do editor

Vd. post de 17 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27326: Notas de leitura (1852): "Ecos Coloniais", coordenação de Ana Guardião, Miguel Bandeira Jerónimo e Paulo Peixoto; edição Tinta-da-China 2022 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 20 de outubro de 2025 >
Guiné 61/74 - P27336: Notas de leitura (1854): "Um Império de Papel", por Leonor Pires Martins; posfácio de Manuela Ribeiro Sanches; Edições 70, 2.ª edição, 2014 (2) (Mário Beja Santos)