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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27589: Em busca de... (330): Maria João Sá Lopes pretende contactar camaradas de seu tio Vítor Manuel da Silva de Sá Lopes, ex-Fur Mil Op Esp da CART 3567, falecido em 21 de Maio de 1973, numa emboscada a uma coluna auto na estrada Mansabá-Mansoa


1. Mensagem de Maria João Sá Lopes, enviada hoje mesmo ao nosso Blogue atravé do Formulário de Contacto do Blogger:

Caro Luís Graça e editores do blogue,

Escrevo-vos com o coração cheio de esperança na vossa vasta rede de camaradagem.

Sou sobrinha do Furriel Miliciano de Operações Especiais Vítor Manuel da Silva de Sá Lopes, natural de Água Longa (Santo Tirso), que serviu na CART 3567, integrada no BCAC 4612, em Mansoa/Mansabá.

O meu tio faleceu em combate no dia 21 de Maio de 1973, numa emboscada na zona de Cutia, quando a coluna seguia de Mansabá para Mansoa.

Encontrei recentemente o relato emocionante do Dr. António Vasconcelos de Castro sobre esse dia trágico, que descreve a chegada das viaturas a Mansoa e o sacrifício do meu tio e dos seus camaradas.

Gostaria de pedir a vossa ajuda para chegar aos antigos camaradas da CART 3567 (mobilizada pelo RAL 5 de Penafiel) ou do BCAC 4612.

O meu objetivo é:
Tentar encontrar fotografias onde o meu tio apareça (em grupo, no quartel ou em operações).

Recolher algum testemunho de quem tenha convivido com ele e que possa partilhar um pouco de como ele era enquanto camarada de armas.

Ele encontra-se sepultado em Ermesinde e a nossa família guarda com muito respeito a sua memória, mas faltam-nos as imagens desse tempo que ele viveu convosco na Guiné.

Agradeço antecipadamente toda a ajuda que puderem dar na divulgação deste apelo no vosso blogue.

Com os melhores cumprimentos e estima,
Maria Joao Sá Lopes


Estrada Mansabá-Mansoa > © Infogravura Luís Graça & Camaradas da Guiné

2. Comentário do editor Carlos Vinhal

Cara amiga Maria João
Muito obrigado pelo interesse em saber notícias do seu tio Vítor.

Conheço um camarada do seu tio, o Luís Bateira, também ele Furriel Miliciano da CART 3567, a quem enviei já a sua mensagem, pedindo para entrar em contacto consigo.

Da tertúlia do nosso Blogue, faz parte o Coronel António José Pereira da Costa que, enquanto Capitão, comandou em Mansabá a CART 3567. Também enviei para ele a sua mensagem.

Esperemos que pelo menos um deles nos possa dar alguma informação.

A título informativo, fica aqui a nota do falecimento na mesma emboscada dos Soldados:
- Francisco António Cordeiro, natural do concelho de Torre de Moncorvo
- Jaime do Livramento Alexandre, natural do concelho de Alcobaça e
- José de Jesus Pessoa, natural do concelho de Cantanhede.

Eu também estive em Mansabá, a minha CART 2732 esteve ali colocada entre Abril de 1970 e Fevereiro de 1972. A CCAÇ 2753 substituiu-nos naquela data até à chegada da CART 3567 em Abril do mesmo ano.

Também nós perdemos naquela maldita estrada, em Mamboncó, em Dezembro de 1971, dois companheiros do meu pelotão, o Manuel Vieira e o José Espírito Santo Barbosa, a pouco tempo de terminarmos a nossa comissão de serviço e irmos para Bissau aguardar embarque para regressarmos definitivamente a casa.

Por agora é tudo quanto podemos fazer por si e pela memória do seu tio.
Continuamos ao seu dispor, vá-nos dando notícias do que conseguir obter.

Os nossos cumprimentos

_____________

Nota do editor

Último post da série de 24 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27349: Em busca de... (329): Fur Mil Art Silva, de Rio Tinto - Porto, que fez parte da CART 6552/72 (Cameconde, Cacine e Cabedú, 1973/74), companhia que, estando mobilizada para S. Tomé, acabou por ir cumprir a sua comissão de serviço na Guiné (João Ferreira, ex-Fur Mil Art da CART 6254/72)

2 comentários:

Anónimo disse...

Minha amiga! Sou o coronel Pereira da Costa, na altura capitão comandante da CArt. nº 3567. Tenho a impressão de que o seu tio era um homem muito dedicado àquela "causa". Uns 2 ou 3 meses antes a primeira viatura da nossa coluna accionou uma mina anti-carro na região do Bironque, quando vínhamos de Farim para o nosso quartel. Todos os homens que iam na camioneta foram projectados, excepto o condutor que ficou agarrado ao volante. Recordo a figura do seu tio a gritar para a área onde o inimigo estaria escondido chamando-lhe cobarde e desafiando-o para combater.

No dia da sua morte eu não ia na coluna, mas pelo que soube, o seu tio ia na cabine no lado exterior da cabine transportando como muitas vezes uma metralhadora MG - 42 (de fitas), visando a dianteira do carro. Ao centro da cabine ia o alferes Silva director do museu da Guerra Colonial de Famalicão e que ficou muito ferido. Quando cheguei ao local da emboscada havia um carro a arder com duas granadas de morteiro que poderiam explodir. A viatrura foi atingida por dois tiro de arma anti-carro, um que matou o seu tio e outro que matou o soldado Cordeiro. Creio que poderá contactar o Bateira, o Silva (ambos do museu). Vou tentar-me lembrar-me de mais pormenores da emboscada. Um Abraço do António Costa

Anónimo disse...

Que grande mulher que procura saber alguma coisa do seu tio. Parabéns pela sua dedicação a esta causa tão nobre, e que não é a primeira nem será a última.
Pena é que haja filhos e até netos que não se interessam nada da guerra que vivemos. Hoje só pensam no divertimento e o nosso Estado ainda pior.
Não sou desse tempo nem estive nessa zona, um dia tentei ir a Mansoa por estrada numa motorizada, mas depois de passar por Nhacra uma coluna mandou parar e informaram que não podia seguir sem escolta.
Esta brincadeira dos nossos 25 anos poderia ter me custado caro.
Não me arrependo, bem pelo contrário, lamento não ter sido possível seguir.
Estas tragédias que aconteceram ao seu tio e a tantos outros camaradas são sempre uma tragédia.
Conheço bem Santo Tirso e todas as zonas do Vale do Ave, Sousa e Cavado por motivo de serviço.
Espero que tenha êxito e nos dê comentários neste blogue.
Obrigado por partilhar a nossa causa.
É um exemplo para todos.
Bem haja
Virgílio Teixeira
Ex alf mil do BCAC1933
67-69