Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fotografia. Mostrar todas as mensagens

sábado, 24 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28458: Para bom observador, meia palavra basta (13): o crocodilo do canal do Enxudé, ao tempo da CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)... e as alucinações da IA





´

Foto nº 1B, 1A, 1


Foto nº 2


Foto nº 3

Foto nº 4




O Germano Estêvão, à civil,
antes da tropa. Foto original
a preto a branco.
Colorização  feita pela IA

1. Apresentámos ontem  o novo membro da Tabanca Grande, o nº 921, o Germano Estêvão (*). Foi "apadrinhado" pelo seu primo em 2º grau, e conterrâneo, o  João Crisóstomo. 

Das fotos (uma dúzia)  que o João trouxe consigo para digitalizarmos, consta esta, de muito fraca qualidade (Foto nº  5, abaixo reproduzida). 

Não a observámo com atenção e minúcia. O mal das pressas. Quisemos fazer o seu "restauro" digital e ver se a valia a pena "colorizá-la", com recurso à IA.

Para surpresa nossa obtivemos vários resultados para as nossas dúvidas sobre o "bicho" que os militares contemplam no cais de Enxudé. A foto deve ser de 1966/67.  Os militares devem pertencer à CCAÇ 1549, sediados em Tite (entre eles, deve estar o Germano Estêvão, que não conseguimos ainda identificar). 

Depois de várias "leituras" da foto (hilariantes, as primeiras), lá chegámos à conclusão que o "bicho" era, afinal,  um crocodilo do rio Geba...

(i) O Gemini / Google AI deu-nos esta resposta:

Com base nos registos históricos da fauna do rio Geba e no tamanho e formato alongado visíveis na imagem, o peixe capturado assemelha-se fortemente a um peixe-gato gigante africano (como as espécies do género Clarias ou Heterobranchus), ou potencialmente a um grande exemplar de tarpon ou barracuda de água doce, comuns nos estuários e águas salobras da Guiné-Bissau.

(ii) A mim, editor,  pareceu-me logo que era um crocodilo, e não um peixe, uma barracuda (palpite da IA do Google) (foto nº 2). 

O ChatGPT também não acertou à primeira (Foto nº 4). E lá fez a sua "autocrítica":

(...) "Tens toda a razão, camarada Luís — e não tens de pedir desculpa! Fui eu que interpretei mal a fotografia e, pior ainda, a colorização anterior inventou peixes e alterou bastante a cena original (Foto no. 4).

O animal é um crocodilo, e o homem de cócoras, ao centro, está a mexer-lhe nos maxilares, aparentemente a abrir-lhe a boca. A legenda deve respeitar o contexto que indicas: região de Quínara, Tite, margem esquerda do rio Geba, fotografia, a preto e branco, de Germano Estêvão, da CCAÇ 1549.

Vou corrigir a abordagem: preservar a composição original, os rostos, as posições dos homens, o crocodilo e a estrutura de madeira sob os seus pés. O restauro digital deve recuperar a fotografia histórica, não recriar uma cena diferente.

A nova versão (Foto no. 1) já representa o crocodilo com a boca aberta, mas devo ser rigoroso contigo: a ferramenta voltou a reconstruir partes da fotografia, em vez de se limitar a restaurar o original. Alterou pormenores das figuras e do animal, pelo que não a consideraria uma reprodução documental fiel para o blogue.

A legenda histórica que proponho é: Guiné, região de Quínara, rio Geba, margem esquerda, nas proximidades de Tite. CCAÇ 1549. Um grupo de militares junto de um crocodilo capturado, com um dos homens a abrir-lhe as mandíbulas. Fotografia de Germano Estêvão. Data não identificada.

Para o arquivo da Tabanca Grande, conservaria sempre a fotografia original a preto e branco como documento de referência.

A meu pedido, o ChatGPT fez uma "reconstituição" a preto e branco (Foto nº 2):

(...) "Camarada, fiz uma nova versão a preto e branco, procurando conservar o ambiente documental da fotografia de época, o enquadramento, os militares e o crocodilo, com maior nitidez e contraste.

Há, porém, uma ressalva importante: esta é uma reconstituição assistida por IA, não uma restauração puramente fotográfica. Alguns pormenores podem ter sido reinterpretados. Para um documento histórico da CCAÇ 1549, convém preservar sempre o original e comparar cuidadosamente os rostos, as mãos, o camuflado e a posição do crocodilo.

Quanto à identificação, concordo contigo: é um crocodilo, não uma barracuda. A fotografia, atribuída a Germano Estêvão, situa-se no canal do Enxudé, no rio Geba, junto de Tite, na região de Quínara, por volta de 1966/67. A classificação como crocodilo de tamanho médio é plausível, mas não determinaria a espécie nem o comprimento exato apenas com base nesta imagem" (...).

E acrescentamos nós: trata-se de um crocodilo da espécie crocodilo-do-Oeste-Africano  (Crocodylus suchus), muitas confundido com crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus). 

Essa distinção é recente (2011), e baseia-se em  estudos de DNA. O crocodilo-do- Oeste-Africano é muito menos agressivo e perigoso que  o do Nilo.  É mais pequeno e tem muito menos peso. A malta, no nosso tempo, não sabia fazer estes distinções zoológicas e tinha um medo que se pelava de cair ao rio...

De facto, comparado com o   crocodilo do Nilo (Nile crocodile) (que pode chegar aos 5 metros de comprimento, e aos 225 / 700 kg de peso), o  crocodilo-do-Oeste-Africano (West African crocodile)  anda entre os 2 e os 3 metros, podendo pesar, em adulto, entre 90 e os 250 kg. 

Na realidade, a malta nadava nos rios e estava-se "cagando" para os crocodilos" (muitas vezes confundidos com os "jacarés", que só existem no Novo Mundo).  Em África, não há jacarés, camaradas!
 
 [ Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)



Foto  nº 5

Guiné  > Região de Quínara > Tite > CCAÇ 1549 > c. 1966/67 > No canal do Enxudé, rio Geba, um grupo de militares no cais, em observação a um animal capturado no rio (que parece ser um crocodilo)

Fotos: © Germano Estêvão / João Crisóstomo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]


3. Comentário do editor LG: 

A IA pode ser (e tem sido) útil na recuperação de fotos dos nossos mal tratados álbuns, em geral com fraca resolução, e com já com muitas marcas do tempo (humidade, riscos, etc.). 

Mas a IA comete frequentemente erros ao interpretar ou "ler" fotografias antigas devido a limitações técnicas e à falta de contexto histórico (daí a importância da legendagem detalhada, como nós fazemos).  

É verdade que os modelos de visão por computador evoluiram muito, mas o processamento de imagens históricas ("antigas") apresenta desafios únicos que as máquinas ainda não conseguem resolver perfeitamente. 

A IA analisa pixels, formas e padrões, mas não entende o contexto social, cultural ou histórico bem como o significado político ou humano de um cenário. A IA "não pensa, não sente", mesmo que ela fale contigo e te trate por "camarada"...

Muitas das fotos dos nossos álbuns da Guiné (ao fim de 50, 60 anos...)  apresentam grão, riscos, manchas e descoloração (caso desta, do Germano Estêvão), que a IA pode confundir com elementos reais da imagem (troca do crocodilo pela barracuda, por exemplo)... 

Por outro lado, em imagens a preto e branco ou sépia, a IA tem de "adivinhar" as cores originais através de modelos de estimativa, o que resulta em tons de pele incorretos, roupas com cores historicamente erradas, perda de contraste original, etc.

No restauro digital,  a IA sofre muitas vezes de "alucinações visuais": ao tentar restaurar ou reconstituir  uma foto antiga, desfocada, com manchas, com riscos, rasgões, etc. (recorrendo a ferramentas de "upscaling"), a IA inventa texturas e traços faciais para preencher os espaços em branco. 

Além disso, a  IA pode alterar a fisionomia real de uma pessoa do passado, tornando o rosto demasiado "plastificado", "bonitinho",  ou parecido com os dados modernos com os quais foi treinada.

Temos de ser sempre cautelosos e críticos em relação a estes "restauros digitais"...E, primeiro que tudo legendar a foto... E comparar os "resultados"... 

Se nos dermos  ao trabalho de ampliar a foto original (usando inclusive a lupa...)  e observá-la atentamente, vê-se  que estes militares observam um crocodilo. De tamanho aparentemente médio...

Não, não  pode ser uma barracuda ou outro peixe do estuário do Geba. O camarada de camuflado segura a cauda, um africano em tronco num está debruçado sobre o réptil, o militar, á frente, ao centro, em tronco nu, de cócoras, segura o  maxilar superior. 

Pedimos ao Gemini/ Google AI   e ao ChatGPT/Open AI  que nos fizesse  o "restauro da imagem original",  que está  em mau estado.  A preto e branco. E depois com "colorização".

Já mostrámos o que foi "saindo"...com diferentes afinações da nossa parte... No que se perde muito tempo...

Esperemos que os nossos leitores também possam acrescentar algo mais sobre o que observam na foto original (**), e a comparem com as imagens da IA. E sobretudo nos falem da sua experiência (ou das suas memórias) da passagem por estas paragens...  (Nunca lá estive no Enxudé   nem em Tite, mas passei ao largo, em LDG e em "barco-turra", nas memoráveis viagens Bissau-Xime-Bambadinca e vice-versa.)

Devem ser raras, no nosso blogue,as fotos tiradas no "canal do Enxudé", no lado esquerdo do rio Geba, frente a Tite. Vou confirmar.

______________________
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 23 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)

(**) Último poste da série > 19 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28393: In memoriam (589): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte IV: Recordações amargas de Gadamael (1)




Foto nº 1A, 1






Foto nº 2,  2A, 2B, 




Foto nº 3,  3A, 3B

Guiné > Região de Tombali > Gadamael > Maio / junho de 1973 > BCP 12 > Chegada, de LDG (foto m 1) e aberturas de abrigos e trincehiras(Fotos nº 2 e 3). Fotos originais, a preto e branco, publicados pelo António Dâmaso,oriundas da Hstória do BCP 12.

Restauro, melhoria técnica e coloerização: LG + IA (Gemini / Google) (2026)

 

1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus  homens no Cufeu, de má memória,  a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 juh - 17 jul 1973). 

Ele escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente.  (À mesma CCP 121/BCP, 2º Gr Comb, pertenceu o nosso amigo e camarada Victor Tavares. ex-1º cabo pqdt, apontador de MG42, natural de Águeda.)

Este texto, que se segue, foi inicialmente publicado no Bogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > Domingo, 20 de fevereiro de 2011 > Voo 2164_ a Operação "Dinossauro Preto" contada na primeira  pessoa 

É agora republicado, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande, bem como em homenagem a todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973).


Recordações amargas de Gadamael (1)

por António Dâmaso (1940-2026)


Operação “Dinossauro Preto” > Entre 2jun73 e 17jul73 em Cacine e Gadamael Porto > Força:  BCP 12 com 3 Companhias a 4 Gr Comb (*)

Os primeiros paraquedistas que chegaram a Gadamael Porto (1), além de terem quase tudo arrasado, viram-se na necessidade de cavar abrigos e abrir valas suficientemente profundas para poderem sobreviver à intensidade e pontaria dos ataques.

É do conhecimento geral que fora abandonada uma posição fortificada (Guileje), transitando essa tropa (CCAV 8350) para outra (Gadamael),  sem as mínimas condições de defesa fortificada (2).

Desconheço se não tiveram tempo de cavar trincheiras, por se verem repentinamente sob um inferno de metralha em cima, ou se se estiveram nas tintas para o fazer. A “necessidade aguça o engenho”, durante uma emboscada vi um militar esgravatar com as mãos para proteger a cabeça e o resto do corpo, depois do bagabaga que o tinha protegido ter sido arrasado, isso permitiu-lhe escapar e estar cá entre nós.

Depois os Páras começaram a fazer a segurança próxima e afastada como se impunha.

No dia 2jun73, chegou a Gadamael Porto a CCP 122, depois a CCP 123 a 4jun73 e a minha Companhia, a CCP 121, ainda não completamente refeita dos acontecimentos de Guidage, embarcou no dia 11jun73 pelas 23h30, no cais de Bissau, na LDG Bombarda, rumo a Cacine aonde chegámos no dia 12 de madrugada. Fomos transferidos para um Navio Patrulha (LFG) que nos levou até perto de Gadamael Porto.

Fizemos transbordo para botes de borracha e sintex em virtude da maré estar baixa e da zona do cais estar a ser atacada. 

Fomos deixados na margem mas dentro de água num braço do rio oposto ao cais, choviam granadas que entravam na água à nossa frente mandando um repuxo de água pelos ares.  Primeiro “rebentavam”,  depois ouvia-se o silvo da trajectória e só mais tarde a saída. 

Chamávamos-lhe "supersónicas" , era um tipo de granadas a que não estávamos habituados, mais tarde vim a saber que se tratava dum canhão 130. Não houve estragos por se enterrarem no lodo, fez-me lembrar cenas do filme “ O dia mais longo”, a uma escala muito reduzida.

No Alentejo para pequena complicação costuma-se dizer “ se isto é conduto antes prefiro comer pão seco”. Naquele dia pensei para com os meus botões:  "Porra! …, Se isto é conduto não quero comer nada,  que bela recepção com que nos brindaram."

Assim que entrei no aquartelamento, verifiquei que algum pessoal da CCP que lá andava, estava bastante “apanhado”, vi dois sargentos de braço dado a passear com chapéu-de-chuva aberto durante uma flagelação, a única chuva no momento era de granadas. Conhecia-os de outra comissão na mesma província, para mim não estavam a armar aos “cucos”, estavam mas era bem “apanhados”.

No dia 13jun73, ainda de noite, a minha  CCP 121 saiu para o mato, não tínhamos andado um km o pessoal da frente parou,  por ter ouvido algum ruído, ficámos todos atentos, estávamos assim havia pouco mais de 10 minutos, o dia ia começando a clarear.

Eu já estava como adjunto de comando domeu pelotão.  Como não tinha havido tempo para instruir convenientemente um apontador do morteiro 60, eu tinha junto de mim o militar que levava o morteiro, foi ele que me alertou para um guerrilheiro que vinha a rastejar na nossa direcção, eu disse-lhe para abrir fogo para cima, rebenta ali um tiroteio de armas ligeiras e pesadas que durou cerca de meia hora.

Mais uma vez agarrei no morteiro e comecei a despejar granadas para cima deles. Eram muitos e alguns estavam em cima das árvores. Um apontador de RPG 7 da minha Companhia cortou uma palmeira ao meio deitando o guerrilheiro que lá estava abaixo. Se não tivessem sido detectados e não estivéssemos em posição defensiva, tínhamos tido ali mais um dissabor.

Aquilo para mim já se tinha considerado rotina, o pior era o meu estado físico, eu estava muito fraco, estava doente física e psicologicamente, era um hospedeiro nato de ténias e lombrigas. Tinha tomado uma droga para as matar mas que me provocava um tremendo mal-estar, em toda a minha vida nunca me tinha sentido tão mal como naquela altura. 

Voltei a ter os mesmos sintomas quando depois de 25 de Abril fui submetido a outra desparasitação, tinha férias marcadas para aquela data e não me deixaram ir de férias, quando toda a gente tinha vindo até ali e estava mesmo necessitado de as gozar depois do que tinha passado em Guidage. Lei do funil, eu não fui mas o comandante da Companhia foi. Deixei enterrar o tubo do morteiro e não tive força para o desenterrar, teve de ser o novo comandante de companhia a desenterrá-lo.

Tivemos um morto e um ferido grave, do pessoal que fazia de guia, o morto estava esventrado de tal modo que quando passou na zona onde eu estava, vi um alferes cujo estômago não aguentou a cena e teve de "chamar pelo Gregório” ali mesmo. Tivemos de voltar para trás com eles e para nos remuniciar, em virtude de termos ficado com poucas munições.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso (**)

______________

Notas do autor AD:

(1) Devido às baixas sofridas por doença e ferimentos, o Comandante do Batalhão (BCP 12) teve de se socorrer de graduados e praças que prestavam serviço na CMI (Companhia de Material e Infraestruturas) para repor os efectivos. Foi assim que vi em Gadamael camaradas que estavam prestes ou já tinham acabado a comissão, a dar o seu contributo na ajuda aos camaradas que estavam numa situação difícil.


(2) A posição fortificada abandonada refere-se  a Guilege. Estive lá durante uma semana debaixo de ataques de morteiradas 120 mm em 1970. Se aquela posição tivesse sido reforçada em abril ou maio de 1973, provavelmente teria ficado mais um cemitério militar em Guilege.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

__________

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28365: Manuscrito(s) (Luís Graça) (296): Quinta de Candoz: "aguarelas"

 


Foto nº 1 > Não, não é  uma pintura a óleo... Muito menos uma aguarela. ´R uma peça em cerâmica vidrada, com um estilo muito característico das majólicas ou vinhagens portuguesas, especialmente associadas à Fábrica Bordallo Pinheiro (Caldas da Rainha). A técnica de vidrado brilhante e as cores vibrantes (verdes, vermelhos, amarelos) são típicas do trabalho da oficina, que produzia peças utilitárias e decorativas desde o século XIX.

 Está cá em casa há cerca de 27 anps.  Não está assinada nem tem a marca da oficina. De qualquer modo, é um tributo em barro à antiga abundância de Quinta de Candoz, sita na região de Entre-Douro-e-Minho, terra roubada aos castanheiros e aos carvalhos, feita de solcalcos (uma dezena), nas faldas da serra de Montedeiras, no concelho de Marco de Canaveses, que o Zé do Telhado tristemente celebrizou com o trágico assalto à Casa do Carrapatelo, em 1852. Quinta que já  foi de milho  agora é de vinha. Mas sempre deu de tudo um pouco, das cebolas às batatas, das castanhas às cerejas, do milho ao linho, do centeio ao vinho, dos tomates às pencas...



Foto nº 2 > A castanha já a sorrir, á espera do dia de São Martinho e do vinho novo. Antes da batata, a castanha era a comida dos pobres. O cultivo da batata levou muito a generalizar-se.


Foto nº 3 > A casta de uva branca "Pedernã" ou " Arinto"... Maduríssima, a uva,  este ano, o vinho terá um álcool provável de 14 graus. Há uma crise na vitivinicultura nacional (e mundial). Estamos  a chegar ao fim de um ciclo. Os nossos vizinhos ainda têm vinho ao ano passado nas cubas de inox...


Foto nº 4 > O nosso azevinho (Ilex aquifolium), tão cobiçado,  no Natal, pelos portugueses. Hoje, espécie protegida. Presentemente, o risco de ameaça de extinção do azevinho em Portugal é considerado "pouco preocupante". Com a ajuda da IA, as bagas ficaram mais vermelhas (ainda estão alaranjadas...)


Foto nº 5 > Uma romã da romãzeira (Punica granatum) da tia Nita (1947-2023), a alma-mãe da Quinta de Candoz.




Foto nº 6  e 6A> Entre o apeadeiro do Juncal (Marco de Canaveses) e o apeadeiro da Pala (Baião) na Linha do Douro existe este viaduto que é a Ponte das Quebradas, uma grande obra de arte ferroviária, dos anos 40 (veio substituir uma de ferro). E é de trágica memória, devido ao acidente que em 1 de setembro de 2009, às 5h55 fez 6 vítimas mortais, naturais da freguesia de Santa Leocádia, incluindo o chefe da  junta de freguesia. (Estávamos em casa, quando o acidebnte ocorreu, e da nossa janela, demos, pela manhá, com o aparato de ambulâncias). Um automóvel foi colhido por um comboio regional. Os passageiros dirigiam-se e para Fátima, A ponte tem 170 metros de comprimento, e fica no km 67,9. 

Depois deste viaduto da Ponte Quebrada, a seguir ao apeadeiro da Pala e antes da estação de Mosteiró / Tormes, vem o ainda mais espectacular viaduto da Pala, ao km 70,3 (tem 195 metros de extensão e vistas soberbas sobre a albufeira da barragem do Carrapatelo).  

A Imagem, acima, nº 6, foi gerada pela IA, a partir da foto original, a nº 6A, tirada da nossa casa em Candoz; a ponte e em alvenaria, um trabalho magnífico, obra do Estado Novo; ainda me lembro do patriarca da família, José Carneiro, nascido em 1911, falar dela, e dos carros de bois e centenas de braços que mobilizou, em plena II Guerra Mundial)

Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > Vindimas > 18 de setembro de 2026 >  "Aguarelas"


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].

_______________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 15 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28348: Manuscrito(s) (Luís Graça) (295): Em 6 de setembro passado, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28354: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XL: a pesca no rio Mansoa








Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > s/d > Pesca do rio Mansoa

Foto do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.


Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

O espólio tem estado à guarda do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 
Com este publicamos o poste nº 40 (em numeração romana, XL). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves, natural de Penamacor.

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presente foto com dois pescadores numa canoa, no rio Mansoa (julgamos que a parelha seja balanta).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre a vila de Mansoa e o antigo setor O4 (Oeste 4), ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).




Imagens melhorados pela IA (ChatGPT). A foto original tinha uma mancha azulada que não foi possível remover manualmente, no quadrante inferior esquerdo. De qualquer modo, temos de reconhecer que os rios da Guiné não espelhavam esta cor azul...


____________________

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28348: Manuscrito(s) (Luís Graça) (295): Em 6 de setembro passado, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.

 

Foto nº 1 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07;16

Foto nº 2 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:18


Foto nº 3 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07: 20


Foto nº 4 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:22

Foto nº 5 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:24

Foto nº 6 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:31


Foto nº 7 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:35


Foto nº 8 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:35


Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 6 de setembro de 2026


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição:   Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Não é habitual ver o nascer do sol, só o pôr do sol. Justamente porque vivo no Oeste, na Lourinhã, junto à costa atlântica... (O Oeste é uma região da Estremadura, que vai de Torres Vedras a Alcobaça.) 

Não sei porquê,  ninguém fotografa o nascer do sol... Terá menos magia ?  (Acho que não...  O nascer do sol exige acordar cedo, enquanto o pôr do sol é mais acessível:  no fim do dia, o fotógrafo tem mais liberdade e disponibilidade; por outro lado, o pôr do sol tende a ter tons mais quentes e dramáticos (laranjas, vermelhos intensos), enquanto o nascer pode ser mais suave e frio (amarelos, brancos, cinzentos, azuis); e, adicionalmente,  há uma razão cultural: tendemos a associar o pôr do sol ao fim de algo (romântico, melancólico, trágico), que é um tema recorrente na arte ocidental; enfim, o  nascer do sol é mais difícil de capturar em palavras, ligado à ideia de começo, recomeço, trabalho, suplício de Sísifo, mas esperança, desafio,  incerteza...).

 Em Candoz, a mais de 300 km de distância, freguesia de Paredes de Viadores e Manhuncelos. concelho de Marco de Canaveses, estou rodeado de serras (Montedeiras, Aboboreira, Montemuro, Gralheira, Meadas, Marão...).

O rio Douro que vejo da minha janela ou varanda, na Quinta de Candoz, à direita (Porto Antigo, barragem do Carrapatelo e, mais à direita, Cinfães, já na serra de Montemuro),  separa os distritos do Porto e Viseu... 

Da minha janela ou da minha varanda,  virada para nascente,  vejo também em frente, a linha do Douro, a escassos 200 ou 300 metros: o comboio que vai do Porto à Régua e ao Pocinho (e até Barca de Alva, em viagens de turismo histórico) passa pelo vale que me separa do concelho de Baião, que fica a Leste e Nordeste. Em frente, as freguesias, de povoamento disperso, de Mesquinhata, Santa Leocádia, Grilo (e por detrás do 1º horizonte, Grove, Ancede, cujo fogo de artifício vejo na Páscoa)...

Eu estou aqui:  Quinta de Candoz, Coordenadas GPS:41.118254559520246, -8.1129390491463

No dia 6 de setembro de 2026, o sol nasceu em Portugal às 07.01 mas eu só o vi da varanda da nossa casa, na Quinta de Candoz, mais de meia-hora depois... Em rigor, devo tomar como referência a hora solar local, a da cidade do Marco de Canaveses, que foi às 07:03.  E o pôr-do-sol às 19:57. Houve, portanto 12 h 53 min de dia astronómico.

Mas eu estou  numa situação completamente diferente: o horizonte montanhoso é o meu “segundo horizonte”. Na varanda no VIGIA, na Praia da Areia Branca, eu vejo o sol a cair pique no Atlântico, com as Berlengas e o cabo Carvoeira à minha direita...Claro, quando não há nuvens...

Aqui, em Candoz, comecei a ver o primeiro sol direto aproximadamente às 07:37. Ou seja, preguiçosamente, o sol só "pegou ao trabalho" uns 34 minutos depois... E o seu trabalho é o de iluminar e aquecer a nossa encosta, as nossas vinhas: estamos  de 250/300  metros acima do nível do mar, nas faldas da serra de Montedeiras,  que ficou tristemente famosa pelas andanças e façanhas do Zé do Telhado, e nomeadamente o assalto à Casa do Carrapatelo, em 8 de janeiro de  1852. 

Montedeiras fica no concelho de Marco de Canaveses, e tem altitudes que variam entre os 450 e os 650 metros...

E no passado dia 6, domingo, o pôr-do-sol foi às 19:57, mas em Candoz,  eu despedi-me dele cerca de uma hora mais cedo (estimativa minha, hora não documentada)... 

Em conclusão, perdi  nesse dia cerca de  uma hora e meia de sol direto...

Como me levantei cedo nesse dia, de resto como habitualmente, deu-me na veneta de o fotografar, minuto a minuto, e até fiz um vídeo de 2 minutos... Aqui fica uma seleção desses momentos em que o sol amigo nos diz "bom dia, cheguei para te iluminar e aquecer, a ti e a todos os bichos e demais seres vivos que te rodeiam"...


2. Com a ajuda da IA (ChatGPT) fiz o cálculo da posição do sol para as minhas coordenadas (41.1183 N, 8.1129 W): às 07:37, o sol estava aproximadamente:

  • 5,6° acima do horizonte astronómico
  • azimute ≈ 86°, ou seja, praticamente Este.

Portanto, a minha serra/horizonte nascente (parte do concelho de Baião) (a 3, 5, 5 km, em linha reta,  da minha janela ou varanda)  está a ocultar aproximadamente os primeiros 5–6 graus de altura do Sol. É precisamente o que será de esperar de uma casa encaixada numa paisagem montanhosa como a da Quinta de Candoz.

A fotografia das 07:37 é, portanto, uma excelente evidência de campo: a minha observação dos 34 minutos está perfeitamente dentro do que o cálculo astronómico prevê.

Menos rigoroso, porque não tenho fotografias recentes (e disponíveis aqui), é a estimativa de perda de sol direto ao fim da tarde.

Se a minha observação de que o Sol desaparece cerca das 19:00 estiver correta, então:

19:57 − 19:00 ≈ 57 minutos. Ou seja, perco quase uma hora de Sol direto ao fim do dia.

E  momento em que o sol desaparece por trás da minha encosta (a poente) ele ainda estará aproximadamente 10° acima do horizonte astronómico.

Isto significa que a serra de Montedeiras (o conjunto de relevos que tenho  a poente) funciona como uma verdadeira parede solar. "A serra engole o sol"...

Em conclusão, no passado domingo, o sol direto começu: ~07:37; e terminou: ~19:00. Perdi c. 90 minutos de sol direto.

Mas há uma distinção importante: não estou propriamente a perder “luz do dia” durante esses 90 minutos, mas sim "sol direto".

Às 07:20, por exemplo, já há claridade em Candoz (vd. foto nº 3), apesar de a serra impedir que os raios solares atinjam diretamente a nossa a casa e as nossas vinhas. E depois das 19:00 ainda temos crepúsculo, embora já não tenhamos o disco solar.

Em rigor, devo então dizer: “Em 6 de setembro, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.”

Neste último fim-de-semana, colhemos uvas com vamos fazer o vinho verde branco DOC Nita, Escolha, 2026, com 14 graus de álcool provável.

É uma ironia bonita: a mesma montanha que nos rouba sol, é também parte da paisagem que nos ajuda a obter este vinho, que continuamos a fazer por amor...

























Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 12 e 13 de setembro de 2026 > As primeiras vindimas...


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição:   Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 18 de setembro de 2020 > A nossa querida Nita (1947-2023), a "alma mater" da nossa quinta..


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Foto: Luís Graça (2020)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI. (2026)