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sexta-feira, 6 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27799: Em busca de ... (332): ex-alf mil médico Luís Tierno Bagulho (Artur Sousa, CCAÇ 2782 / BCAÇ 2927, Encheia e Bissorã, 1970/72)


Guiné > Região do Oio > Bissorã > CCS/BCAÇ 2861 (1969/70) > Receção aos "periquitos" do BCAÇ 2927 (set 70/ set 72) > Outubro de 1970 > "Esta até a mim me surpreendeu. Sobretudo ao ver que os pilantras foram aos fundos da enfermaria 'gamar' as batas que não eram utilizadas mas que faziam parte do espólio a entregar. Aos protagonistas peço desculpa por me 'faltarem' os nomes, mas vamos, a partir da esquerda: 1- 'Setúbal', pintor;  2- Lameiras, mecânico; 3- Condutor da GMC rebenta-minas; 4- Bate-chapas.. O 5º sou eu, que também quis ficar para a posteridade. Cartazes: 'Assistência à velhice', 'Serviço de saúde ao domingo' " (*).

Foto do álbum do ex-fur mil enf Armando Pires,  CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70)

Foto (e legenda): © Armando Pires (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do Artur Sousa, recebida através do Formulário de Contacto do Blogger:

Data - 5 mar 2026, 09:43

Assunto - Alf mil médico Bagulho

Bom dia,

Estive em Encheia e Bissorã, com IAO no Cumeré,  na CCAÇ 2782 / BCAÇ 2927, entre 1970/72.

Tivemos um oficial médico,  Dr. Bagulho, e, ao ver as vossas publicações, lembrei-me que poderia ser ele.

Tenho uma grande estima e consideração por ele e até a minha Companhia o considera.  

Se puder informar se está bem,  agradecia muito.

Muito obrigado.
Cumprimentos,
Artur Sousa  (...)

 2. Resposta do editor LG:

Camarada Artur Sousa, obrigado pelo teu contacto.  Presumo que te queiras referir ao dr. Luís Tierno Bagulho, o único alferes miliciano médico que consta  do nosso blogue com esse apelido. 

Tínhamos até agora apenas 4 referências a esse nome. Não sei se se trata do mesmo militar, nosso camaradas na Guiné. Mas o apelido é pouco comum. Deve ser essa pessoa que procuras. Infelizmente já faleceu há mais de 40 e tal anos. Convivi com a sua família (mulher e filhos), já depois da sua morte. Nunca o cheguei a conhecer pessoalmente.

Eis o que sabemos dele:
 
(i) o cirurgião Luís Tierno Bagulho era  filho do almirante Manuel Tierno Bagulho (nascido em Elvas, 1911);

(ii)  como estudante de medicina, participou  na crise académica de 1962 (em Lisboa);

 (iii) esteve na Guiné portuguesa, no tempo da Guiné colonial, e possivelmente em rendição individual;

(iv) esteve no BCAÇ 3863 (Teixeira Pinto / Canchungo, 1971/73) (este batalhão esteve no CTIG entre  setembro de 1971 e dezembro de 1973):

(v) terá passado também pelo  Hospital Militar de Bissau (HM 241),  sendo já cirurgião e mais velho do que os restantes colegas médicos, sem especialidade (geralmente os médicos, com especialidade ou com prática em cirurgia, mobilizados para a Guiné, na época da guerra colonial, acabavam por ser destacados para o HM 241; era grande a falta de cirurgiões militares; e  só em Bissau havia condições para a prática da cirurgia hospitalar);

(vi) ficou com um grande amor àquela terra e àquele povo, voltou à Guiné-Bissau, depois da independência como cooperante médico, em 1978;

(vii) morreu, de doença de evolução prolongada, no final dos anos 70, deixando três filhos menores.

Artur, e é tudo o que sabemos do dr. Bagulho. E infelizmente não temos uma única foto dele. 

Ele terá passado pelo teu batalhão, BCAÇ 2927 (Bissorã, set 1970/ set 72) ?

Segundo o depoimento de um camarada nosso, o António Graça de Abreu (alf mil, CAOP 1, Teixeira Pinto, Mansoa e Cufar, 1972/74), que o conheceu em Teixeira Pinto, o Luís Tierno Bagulho deverá ter terminado a sua comissão em setembro de 1972, tal como tu e a malta do teu batalhão.

Tens aqui mais referências ao ex-alf mil médico Luís Tierno Bagulho. Se souberes algo mais sobre ele, contacta-nos.

3. Aproveito para te convidar a integrar o nosso blogue. Bastam 2 fotos tuas (uma antiga e outra mais recente). E duas linhas de apresentação da tua pessoa (posto, naturalidade, onde vives, etc.). Como camaradas de armas, que fomos, tratamo-nos por tu.

 Só temos um representante do teu  BCAÇ 2927, o falecido comandante da CCAÇ 2781, Gertrudes da Silva. 
________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste dee 23 de julho de 2012 > Guiné 63/74 - P10185: Humor de caserna (27): Recepção aos piras do BCAÇ 2927 em Bissorã, em fins de outubro de 1970 (Armando Pires)

(**) Último poste da série > 21 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27758: Em busca de... (331): Pedro Leones procura notícias de Diamantino Lopes Dias, Soldado Condutor Auto Rodas da Companhia de Transportes/CTIG, vítima mortal de uma mina antipessoal na estrada Cuntima-Jumbembem, em 20 de Março de 1972

sábado, 13 de outubro de 2018

Guiné 61/74 - P19099: Tabanca Grande (468): Gertrudes da Silva (1943-2018), ex-cmdt da CCAÇ 2781 / BCAÇ 2927 (Bissum, 1970/72)...Senta-se, a título póstumo, à sombra do nosso mágico e fraterno poilão, sob o nº 779.



Amadora > Academia Militar > 1963 > Caderes do curso de Gertrudes da Silva

Foto (e legenda): © Vrigínio Briote (2008). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Gertrudes da Silva (19943-2018), 
nosso grã-tabanqueiro nº 779, a título póstumo. Foto Lusa / DR
(com  a devida vénia)



O Capitão Gertrudes da Silva, Cmdt da CÇAÇ 2781. (Guiné, 1970/72).

Foto: © Gertrudes da Silva (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do nosso coeditor, jubilado, Virgínio Briote, com data de 11 do corrente, respondendo a uma mensagem do nosso editor LG:


Data: quinta, 11/10/2018 à(s) 21:46

Assunto:  Gertrudes da Silva (1943-2018)

Era um tipo fora da corrente dos cadetes do princípio dos anos 60. 

Entrou para a Academia em 1963, um ano depois de mim. Com formação católica, julgo que frequentou um seminário na zona de Viseu, era um jovem de hábitos sóbrios, com carácter, estudioso e atento aos tempos que se viviam. 

Não foi surpresa saber que tinha tido participação activa no 25 de Abril. Comandou a companhia que saiu de Viseu,  e com as forças de Aveiro e Figueira da Foz,. assenhoreou-se do Forte de Peniche. 

Além do papel que desempenhou em 1974, Diamantino Gertrudes da Silva dedicou-se à escrita, publicando, entre outros, "Deus, Pátria e... A Vida", "A Pátria ou a Vida" e "Quatro Estações em Abril". 

A sombra da Guerra [, esteve em Angola e na Guiné, ] pairou numa boa parte das obras que escreveu.

Abraço, Luís.

V.Briote


2. Testemunho do Carlos Matos Gomes (*):

(...) O Diamantino morreu ontem. Nasceu em 1943, na Beira Alta, em Moimenta da Beira. Filho de gente humilde – não se trata de neo-realismo – frequentou o seminário e depois a Academia Militar, onde entrou em 1963. Conheci-o ainda de missal, expressão séria, a sair da caserna para ir à missa. Eu, três anos mais novo, já agnóstico. Nunca falámos de religião, de deuses, de salvação. Respeito. Ele infundia respeito, mesmo quando acreditava no que me merecia radicais oposições: eu dispensava a ideia de Deus, ele ainda a respeitava, não como amparo pessoal, mas como instância de justiça, julgo.

(...) O Diamantino formou-se em História, em Coimbra. Ele, e um outro destes capitães, também já desaparecido, o Monteiro Valente. Conheci-os, relacionei-me com eles como mais um privilégio que a vida me concedeu. O Monteiro Valente foi o único (julgo) capitão que teve de disparar a sua arma para impor o 25 de Abril numa unidade militar! (...)


\
Lisboa >Sociedade de Geografia > 6 de março de 2008 > O João Parreira e o Artur Conceição, do BArt 733 (Mansoa, Bissorã, Farim, Cuntima, Jumbembem, Canjambari, 1964/66), em primeiro plano na cerimónia de apresentação do Diário da Guiné, do M. Beja Santos. Na 2ª fila, o coronel Diamantino Gertrudes da Silva (sorridente).

Foto: © Mário Fitas (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e comentário: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


3.  Comentário o editor LG:

Escrevi, logo no dia 11, ao Virgínio Briote:

(...) Virgínio: lamento a morte de mais um camarada e amigo teu, dos tempos da Academia... Não o conheci pessoalmente, mas há postes teus e dele no nosso blogue...  Que achas se o integrarmos na Tabanca Grande, a título póstumo ? (...) Ele teve alguma interação connosco (...), e comandou a CCAÇ 2781 (Bissum, 1970/72) (...)

O Gertrudes da Silva tem 8 referências no nosso blogue. Infelizmente não tínhamos, até à data,  nenhum representante desta companhia no nosso blogue. 

Ora ele foi (e é) antes de mais um camarada nosso, comandante operacional no TO da Guiné... E mais: tem, pelo menos, duas intervenções no nosso blogue. Apresentou o livro do Beja Santos, "Diário da Guiné", em 6 de março de 2008, na Sociedade de Geografia.  (**). Perdi então a oportunidade de o conhecer pessoalmente: nessa semana eu estava na Guiné-Bissau.

O Gertrudes da Silva considerava, aliás, de pleno direito, este blogue como o "nosso blogue" (***). Certamentr por lapso, não foi convidado nessa altura para integrar a nossa Tabanca Grande. Entra, agora,  a título póstumo, com o nº 779 (****).

Vivia em Viseu. Publicou quatro obras, editados Palimage, a últma, em 2011, "Tempos sem Renissão". Esta última aparece após a publicação, entre 2003 e 2007,  de uma trilogia que percorre a Guerra Colonial portuguesa e a Revolução do 25 de Abril de 74, com os títulos: "Deus, Pátria e... a Vida" (2007);  "A Pátria ou a Vida" (2005); "Quatro Estações em Abril" (2003).

Entre outras condecorações, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1/10/1985,  pela sua participação no Movimento do 25 de Abril de 1974.
___________


(**) Vd. poste de 13 de março de 2008 > Guiné 63/74 - P2632: Coronel Gertrudes da Silva: A Guiné, a guerra colonial e o 25 de Abril (Virgínio Briote)

(...) Texto base da intervenção do Coronel Diamantino Gertrudes da Silva na apresentação do Diário da Guiné, do Mário Beja Santos.

O Coronel D. Gertrudes da Silva, ele próprio escritor de crónicas de Guerra, teve a ambilidade e deu-nos o gosto não só de estar presente mas também de responder à solicitação que lhe foi feita para enquadrar a Guerra da Guiné no contexto da Guerra Colonial. (...)

A Guiné no Contexto da Guerra colonial e do Regime do Estado Novo 

por Gertrudes da Silva, coronel reformado

(...) Profissionais ou não, voluntários ou obrigados, nós, os militares, cumprimos a parte que nos cabia, que era a de dar tempo e margem de manobra aos políticos para que resolvessem a Questão Colonial.

(...) Com um Regime orgulhosamente só (lá fora e cá dentro), com 40% do Orçamento afectado aos encargos da defesa, com milhares de mortos, milhares de feridos e muitos estropiados, com um esforço militar cinco vezes maior, em termos proporcionais ao dos EUA no Vietname, com a sangria das melhores energias da Nação na Guerra Colonial e na emigração, com a privação de todas as mais elementares liberdades, com um povo profundamente triste por tanta ausência e tanta perda era absolutamente necessária e, mesmo, inevitável qualquer coisa como foi o 25 de Abril, levado a cabo pelos militares, porventura porque sentiam melhor que ninguém a inutilidade da tragédia da Guerra Colonial, porque lhe preparavam uma saída ultrajante como a da Índia, porque talvez só eles estariam em efectivas condições de o fazer.

De resto, como dizia o mestre Kierkgaard, “A vida só pode ser vivida para a frente e explicada para trás”. (...)

Viseu, 8 de Março de 2008
Gertrudes da Silva
Cor Ref (...)

[Texto para intervenção no encontro do Blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”, que teve lugar em Lisboa, em 06Mar2008.] (**)
.
(***) 15 de março de 2008 > Guiné 63/74 - P2646: A Guiné, a Guerra Colonial e o 25 de Abril. Comentários e Nota do Coronel Gertrudes da Silva (Virgínio Briote)

(...) A UM ANÓNIMO [que comentou o poste P2632]

Se não se apresentasse sem dizer o nome, já que mais não fosse por razões de pertença, dirigir-me-ia a si como caro ou até como amigo ou camarada (da tropa, naturalmente). Mas aí vai.
Eu não omiti nada no escrito (*) que alguém com esse direito tratou de publicar no, já agora, nosso blogue. Não me propunha aí falar propriamente do 25 de Abril, e tão só no enquadramento desse facto (marco) histórico no contexto da Guerra Colonial.

(****) Último poste da série > 4 de outubro de 2018 > Guiné 61/74 - P19070: Tabanca Grande (467): José Ramos, ex-1º cabo cav, condutor Panhard AML, EREC 3432 (Bula, 1972/74)... Novo grã-tabanqueiro, nº 778.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Guiné 63/74 - P10427: Blogues da nossa blogosfera (55): Memórias de Bissum-Naga, no blogue de Quim Santos (CCAÇ 2781, 1970/72)











Guiné > Região do Oio > CCAÇ 2465 (1969/70) > De cima para baixo: (i)  lavadeira, (i) ajudantes de cozinha descascando batas; (iii) crianças á espera das sobras do rancho; (iv) milícias; (v) tabanca, reordenada.

Fotos: Aníbal Magalhães (2009). Cortesia de Quim Santos







"Este Blog foca memórias sobre a guerra colonial, destina-se ao público em geral e aos ex-combatentes em particular", aos militares do BCAÇ 2927 e especificamente à CCAÇ 2781 /(Bissum, 1970/72)...

"Vamos recordar aquele período das nossas vidas passado na Guiné, em particula na zona de Bissau, Bissalanca, Cumeré, Bissorã e Bissum, onde estivemos destacados. Qim"..
.

Fonte: Guiné Bissau - Memórias, blogue de Quim Santos



 1. O Quim Santos - pseudónimo, Verdegaio - vive na Póvoa do Varzim, tem 12 blogues, está no Blogger desde 2007. O nosso grã-tabanqueiro Armando Pires já em tempos se tinha referido ao Quim Santos e a este blogue, tendo inclusive cedido uma série de fotos relativas à chegada dos "piras" do BCAÇ 2927 a Bissorã. E antes do Armando, já o Quim Santos tinha aparecido por aqui a informar-nos da existência do seu blogue e da sua estadia em Bissum, entre finais de 1970 e finais de 1972, como homem das transmissões da CCAÇ 2781.


Em resumo, já anteriormente estava assinalada a existência deste blogue, representando mais um ponte entre o nosso presente e o nosso passado. Metaforicamente falando, um blogue de um camarada nosso deve ser saudado como mais uma estrela no firmamento das nossas memórias. Mas, o que acontece à maior parte deles, é que têm uma vida curta, um trajeto meteórico pela blogosfera. Deixam de ser atualizados, em geral por falta de "matéria-prima" para alimentá-los...Ou então acabam por ser "destronados" pelo Facebook, hoje mais populae que os blogues...

É o que parece ter acontecido a este blogue do Quim Santos. Deixou de ser atualizado a partir de 25 de abril de 2011. Mas, no caso do Quim Santos, o problema pode ser outro: com doze blogues, mais o Facebook, o nosso camarada não tem mãos a medir... Em novembro de 2010 criou um grupo no Facebook sobre o BCAÇ 2927 (que já tem 228 membros): 

(...) Vamos tentar reunir aqui o maior número de combatentes nas ex-colónias, com saliência para a Guiné e em particular a malta do Batalhão de Caçadores 2927, que partiu em missão para a Guiné em Setembro de 1970 no Uíge e era constituído pelas companhias - CCS, 2780, 2781, 2782 e lá ainda com Caçadores 13.

Seria interessante a publicação das nossas vivências e memórias ilustradas com documentos fotos e tudo o mais relacionado com esta campanha na Guiné Bissau, que apesar de ter acontecido nos anos 70, está ainda bem presente nos ex-combatentes que a integraram.

Amigos, interessados nesta temática e ainda familiares dos ex-combatentes serão bem recebidos aqui com os seus depoimentos e tudo o mais que acharem por bem publicar. 

O meu blogue sobre as minhas memórias ao serviço da Companhia de Caçadores 2781 que se fixou em BISSUM NAGA após passagem por Bissau, Cumeré e Bissorã, pode ser visitado aqui. www.guine-bissum.blogspot.com, Abraço a todos os ex-combatentes. Pinto (TRMS da CCaç 2781). (...)


3. Entretanto do blogue sobre a CCAÇ 2781 e sobre Bissum, tomamos a liberdade de selecionar, editar e reproduzir algumas fotos, com a devida vénia. Está também na altura de convidar o nosso camarada Quim Santos para integrar a Tabanca Grande. Sabemso que ele segue o nosso blogue. LG.




Guiné > Região do Oio > Bissum-Naga > CCAÇ 2465 (1969/70) > A velha GMC, "aquela máquina"!...



Foto: Aníbal Magalhães (2009). Cortesia de Quim Santos.


4. PS - Em comentário a este poste, há a seguinte informação, oportunísssima, do nosso grã-tabanqueiro Aníbal Magalhães, ex-alf mil CCaç 2465/BCaç 2861 [, foto à esquerda]:


"Amigo Luís Graça: Quero esclarecer que as fotos apresentadas no P10427 foram tiradas no tempo da CCaç. 2465/B.Caç.2861 (Bissum-Naga, 1969/70).

 "De maneira nenhuma quero reprovar a apresentação destas fotos, até por contrário. Dizem respeito a todos nós, principalmente aos amigos que passaram por Bissum-Naga em várias épocas.

"Um abraço, Aníbal Magalhães, CCaç 2465".



Resposta do editor:

Camarada Magalhães: O seu a seu dono!... Este é um dos nossos princípios sagrados: respeitar os "direitos de autor". Já corrigi o poste. Os créditos fotográficos são, portanto, teus. Fico-te grato pela generosidade e franqueza. No blogue do Quim Santos, é difícil de apurar de quem são os créditos fotográficos. Foram estas as fotos que me sensibilizaram mais, que eu editei e procurei valorizar, fazendo-as chegar a um público mais vasto do que aquele que acede ao blogue do Quim. Tomo boa nota da tua informação, segundo a qual estiveste em Bissum-Naga, de 14/05/1969 a 14/12/1970. 

 Já agora, vou mais longe e peço-te que comentes estas fotos, que são de excelente qualidade. Se bem recordo, a maioria da população civil era de etnia balanta. 

Um alfa bravo, extensivo a todos os camaradas que passaram por Bissum-Naga. LG
_____________


Nota do editor:

Último poste da série > 16 de setembro de 2012 > Guiné 63/74 - P10392: Blogues da nossa blogosfera (54): A Página do nosso camarada Carlos Silva "Guerra na Guiné 63/74" atingiu o milhão de visitas

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Guiné 63/74 - P10185: Humor de caserna (27): Recepção aos piras do BCAÇ 2927 em Bissorã, em fins de outubro de 1970 (Armando Pires)

1. Mensagem do nosso camarada Armando Pires (ex-Fur Mil Enf.º da CCS/BCAÇ 2861, Bula e Bissorã, 1969/70) com data de 16 de Julho de 2012:

Meus Caros Editores Camaradas:

Dias atrás, lembrou o régulo maior da nossa Tabanca que o verão está à porta e com ele, por causa dele, a habitual diminuição do produto “noticioso” ameaça deixar o mural da Tabanca a pão e laranja. E sugeria, como alternativa, a actualização e aprofundamento do nosso álbum fotográfico.

Faz tempo que dentro da minha cabeça bailava a vontade de dar o meu contributo para o enriquecimento dessa página do blog. Vamos então a ela, deixando para depois das férias as duas histórias que já se encontram alinhavadas nos rascunhos.

E começo pelo fim. Por aquele momento em que definitivamente respiramos fundo. O momento em que o pensamento voa longe, até que alcance a família, levando nas suas asas uma mensagem escrita que diz, sosseguem, mais uns dias e estou aí. O momento em que recebemos e damos as boas vindas aos que nos vêm render. Quem não recorda esses instantes que foram mistura de perplexidade e medo à chegada, de jubilo e paz na partida?

Tenho tão vivo e tão presente aquele 15 de Fevereiro de 69, quando saí da jangada e meti pé em terra firme de João Landim, assustado e atónito com tudo à minha volta, com uns tipos de camuflado de cor completamente diferente do meu a atirarem-me mãos cheias de amendoins (vim a saber depois que se chamava mancarra), ao mesmo tempo que gritavam, “salta periquito, vem que o paizinho quer ir para casa”, o bater metálico das culatras à rectaguarda, o roncar das Panhard  a ganharem posição na coluna, o arranque em grande velocidade estrada fora e, finalmente, a entrada no aquartelamento de Bula por entre filas de militares que se riam, que para nós se riam, com ar de quem mais parecia dizer, “coitadinhos, tão tenrinhos, nem sabem no que se metem”.

Depois, o tempo encarregou-se de tornar tudo isto normal, encarregou-se de em nós deixar fruir a ideia de que “a nossa hora também chegará”. E chegou em fins de Outubro de 1970, em data que a memória, a nossa e a deles, não consegue precisar.

Lá vêm os “piras”. 

Vindos da estrada de Mansoa, entram em Bissorã as primeiras viaturas que transportam a CCS e a CCAÇ 2781 do BCAÇ 2927. À sua espera a “Policia da Unidade”, formada pelo impagável Orlando Bonito, Fur Mil Amanuense, e o seu inseparável 1.º Cabo, o "Alentejano”, que se esforçou, todo o dia, por convencer os recém-chegados que, não obstante estarem “no mato”, tinham de andar devidamente escanhoados e ataviados, sem esquecer as botas devidamente engraxadas.

É destas praxes, destes momentos mais ou menos hilariantes, que cada um, no seu lugar e à sua maneira, preparava para receber condignamente aqueles que os vinham render, que quero dar testemunho nas fotos que se seguem. Peço desde já desculpa por algumas delas não serem “exclusivas”. De facto, algum tempo atrás, o Quim Santos, que pertenceu à CCAÇ 2781, que edita o blog “Guiné-Bissum” , pediu-me uma ou outra fotografia da sua chegada. Mas atrevo-me a oferecê-las ao nosso álbum por nele nunca ter visto semelhante tema retratado. Vamos a isso.


O pano é a legenda. "A ferrugem saúde os piriquitos". A festa dos putos é a vida.


Provocações! "Piras, tendes fome ? A velhice oferece-vos mancarra... Saltitão!...


A equipa de reportagem da RadioTelevisão de Bissorã registou o grande momento. Ao volante o Fur Mec Meneses, no lugar do realizador o Fur Trms Gesteiro, o camara é o 1.º Cabo Trms Carlos Senra. A velhcie saúda os piriquitos!"...


Esta até a mim me surpreendeu. Sobretudo ao ver que os pilantras foram aos fundos da enfermaria “gamar” as batas que não eram utilizadas mas que faziam parte do espólio a entregar. Aos protagonistas peço desculpa por me “faltarem” os nomes, mas vamos, a partir da esquerda: 1- “Setúbal”, pintor 2- Lameiras, mecânico 3- era o condutor da GMC rebenta-minas 4- o bate-chapas. O 5º sou eu, que também quis ficar para a posteridade. Cartazes: "Assistência à velhice", "Serviço de saúde ao domingo"...


Alinhada já no interior do aquartelamento de Bissorã, a coluna que transportou os homens do BCAÇ 2927.


Lindos e frescos, os periquitos sorriem para a objectiva. Aquele ali ao centro, de G3 com dilagrama e cigarro ao canto da boca, é o Furriel Cerqueira, o enfermeiro da CCS que me foi render.


E pronto! Chegou a hora de ir para casa. A nossa última coluna à partida de Bissorã para Bissau. Em primeiro plano a minha equipa. Juntos, unidos, como sempre estivemos naqueles 22 meses de Guiné. A contar da esquerda, eu, o 1º Cabo Enf Machado e os Soldados Maqueiros Maltez, Teixeira e João. Infelizmente, não está na foto o Soldado Maqueiro Daniel Agostinho, de cuja história já aqui vos dei conta no P9877. Esperou por nós em Lisboa e deu-nos uma grande alegria. 
____________

Nota de CV:

Vd. último poste da série de 5 de Março de 2012 > Guiné 63/74 - P9562: Humor de caserna (26): Chocos recheados para curar o paludismo (Henrique Cerqueira)

sábado, 16 de setembro de 2006

Guiné 63/74 - P1079: Almoço-convívio da CCS do BCAÇ 2927 (Bissorã, 1970/72) (Carlos Fonseca)


Guiné > Rehgião do Oio > Bissorã > CCAÇ 13 - Os Leões Negros > 1971> O Fur Mil Fortunato, ao centro, junto de uma peça de artilharia pesada (obus 10,5 cm) que defendia Bissorã, sede do BCAÇ 2927 (1970/72).

Foto: © Carlos Fortunato (2005)


1. Amigo Luis Graça:

O meu nome é Carlos Fonseca, de Maceira, Leiria, telefone 962603713, ex-combatente da CCS do BCAÇ 2927, Guiné, Bissorã, 1970/72.

Admiro bastante o seu empenhamento na divulgação da nossa causa através do seu site.

Informo que a nossa companhia irá realizar um almoço-convívio no dia 7 de Outubro, em Fátima. Caso seja possivel, divulgue. Gostaria ter o seu endereço para lhe enviar um convite para estar presenta no nosso convívio, era um prazer.
Desde já os meus agradecimentos.

Um Abraço

Carlos Fonseca

2. Comentário de L.G.:

Carlos:

Este é o maior espaço na Internet sobre a experiência, única, dos ex-combatentes que estiveram na Guiné, no período da guerra colonial (1963/74). É naturalmente também o teu espaço e o espaço dos teus camaradas da CCS da 2927. Podes ver, nas nossas páginas mais informação sobre Bissorã. Será que chegaste a conhecer alguém da CCAÇ 13 - Os Leões Negros ?

Podes também consultar a carta de Mansoa (1/50.000) onde se inclui Bissorã.

O Carlos Fortunato é elemento da nossa tertúlia. Em breve, no próximo mês de Novembro de 2006, deverá revisitar Bissorã e outros sítios por onde andaram os Leões Negros.

Aqui fica a divulgação da data e local da vossa festa. É simpártico o teu convite, mas -como deves imaginar - não poderei estar convosco nessa data. No dia 14, também deveremos ter um encontro, a nível da nossa tertúlia, em Montemor-o-Novo.

De qualquer modo, ajuda também a divulgar o nosso blogue:

Luís Graça & Camaradas da Guiné > http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com

O meu endereço de e-mail é o seguinte > luis.graca@ensp.unl.pt

Também podes telefonar-me, nos dias úteis, directamente para: 21 751 21 38 (das 9 às 17h).