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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28133: Documentos (66): Para a história da administração civil ultramarina: "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província!"... Despacho (do Governador ?) a uma nota do administrador António Augusto de Barros, vítima de agressão, em Pete, chão mancanha, em 8/4/1920


Governo da Província da Guiné Portuguesa | 5ª Circunscrição CFivil (Brames) | Secretaria dos Negócios Indígenas | 2ª Secção | Ano de 1920 | *Processo nº 41 | Objeto: Agressão ao adminstrador da 5ª circunscrição civil (Brames), António Augusto de Barros, e assuntos que a mesma se prendam 

(A letra manuscrita, lê-le: "Concessão de terreno, Okika de Sá")


Governo da Província da Guiné  | Administração da Circunscrição Civil dos Brames |  

Bula, 9 de abril de 1920 
À Secretaria dos Negócios Indígenas   
Bolama

Registo de entrada: Governo da Província da Guiné Portuguesa | 3ª Secção  Nº 0717 | 17 abr 1920 | Secretaria Geral | Procº nº 9/1920

Despacho (ao alto, em letra manuscrita): 

Mo mo "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província. 24-4-920.  


Para conhecimento dessa Secretaria e devidos efeitos, tenho a honra de comunicar o seguinte:

Em 1917, por informação que obtive, os indígenas da povoação de Pete reclamaram ao então administrador interino desta circunscrição, Eugénio Veloso da Veiga, a entrega de uns terrenos destinados à cultura de arroz, os quais, segundo se afirma, desde há muitos anos eram cultivados pelo concessionário João Gomes Okika [de Sá] que os adquiriu por compra ao antigo régulo do Brame Grande, Muncuruco. 

Aquele, porém, receando que as insistentes reclamações dos indígenas conseguissem  tirar-lhe uns terrenos que só a ele pertenciam, quis pôr termo a essas reclamações apresentando, 



para esse efeito, o documento da compra e o alvará da sua concessão na qual supunha que entravam os terrenos em litígio e, ainda, para maior segurança, requereu uma nova medição.

 Esta, porém, tendo sido feita por pessoal competente, veio demonstrar, muito ao contrário do que ele, Okika, imaginava, que as terras não tinham entrado nos 200 hectares da concessão.

Restava-lhe, pois, a última prova, além da testemunhal,  o documento de compra, mas este não o pôde apresentar por lhe ter desaparecido juntamente com outros papéis e dinheiro num incêndio que dias antes houvera na sua casa.

Muito desanimado, teve que assistir à posse que foi dada aos mancanhas de Pete, das suas bolanhas, mas ainda convencido que lhas restituiam logo que ele pudesse provar que desde há

2.

muitos anos, essas bolanhas eram por ele cultivadas e que, para as desbravar e preparar para a cultura de arroz, tinha gasto algumas centenas de escudos, aproveitou as disposições da Portaria nº 588, de 5 de dezembro findo, requerendo a S. Exª o Governador a  mera posse dessas terras. 

Seguindo para Bolama a fim de tratar do assunto, de lá voltou com umas tabuletas para a demarcação das mesmas, pedindo-me para eu assistir à sua colocação.

Anui ao pedido para evitar um conflito entre os mancanhas de Pete e o Okika, o que, certamente, se dava logo que eles vissem aquele a colocar as referidas tabuletas.

Seguindo, pois, para aquela povoção às 5 horas da manhã do dia 8 do corrente, mandei chamar os indígenas para lhes dizer que as tabuletas não representavam para eles nenhum prejuízo e que eu muito desejava que entre todos houvesse um entendimento sobre a futura cultura das bolanhas, afim de se pôr termo a rivalidades e a questões que, a todo o transe, eu não permitiria.

Ouviram-me muito desconfiados e, um tanto exaltados, pediram-me para os

acompanhar a fim de eu ver o terreno demarcado pelo pessoal da agrimensura e também verificar que as bolanhas eram só deles e não do Okika. 

Para ali me dirigi no intuito de examinar essa demarcação e verificar se os marcos tinham ou não sido deslocados do seu primitivo lugar.

No momento, porém, em que eu, a cavalo, examinava uma dessas tabuletas, fui agredido por um indígena de nome [ espaço em branco ] o qual, devo confessar, não matei a tiro em seguida à agressão, porque as nossas leis não permitem que uma autoridade civil, quando gravemente ofendida por um indígena, execute imediatamente esse indígena para que o respeito e o prestígio sejam sempre, e através de tudo, bem mantidos.

Limitei-me, pois, a defender-me o melhor que pude, arrancando-lhe das mãos o cacete com o qual continuava a ameaçar-me e apenas o castiguei com o mesmo o cacete. O castigo, porém, foi pequeno mas... Dura Lex... Sed Lex...

Encontra-se  aqui, sob prisão, o indígena que me agrediu, à disposição de S. Exª o Governador, e, por intermédio dessa Secretaria, eu peço licença ao mesmo Exmo. Sr. para me dispensar de propor a penalidade que lhe deve ser imposta.

3.

Devo ainda acrescentar que, se a falta de respeito praticada por esse indígena é grave, a altivez desrespeitosa como  os indígenas me falaram, fazendo até ameaças, não é a meu ver menos grave. 

Mas, infelizmente, não é só nos Brames que se nota a pouca consideração e a falta de respeito que os indígenas têm, ultimamente, pelas ordens da autoridade; em outras circunscrições o mesmo está acontecendo. 

Dão-se ordens para os indígenas trabalharem nas estradas, recusam-se ou fogem. O comércio precisa de trabalhadores, não os encontra porque eles preferem morrer de fome ou afogados em aguardente do que trabalhar; e,  não tendo necessidades, têm no entretanto abundância de dinheiro e este não se esgota rapidamente porque o álcool, ultimamente, tem faltado na Província.

Finalmente, sou de opinião que os indígenas estão carecendo, presentemente, de castigos muito severos e que as autoridades administrrativas devem ter poderes mais latos para poderem proceder com o máximo rigor nos casos em que seja preciso mostrar e manter bem íntegros o respeito e os poderes das mesma autoridade Não são as deportações para os Bijagós que os


incomoda, como eles de resto confessam: as multas, pouco ou nenhuma diferença lhes fazem - há dinheiro em quantidade -  e na aplicação de castigos corporais todo o cuidado é pouco porque as leis da metrópole, tendo aplicação nos julgamentos indígenas, aparece nos Tribunais um ou outro advogado para defender e exigir uma condenação severa para os administradores por terem abusado da sua autoridade.

Concluindo, são estas as considerações que tomo a liberdade de levar ao conhecimento dessa Secretaria, informando-a igualmente que o indígena em questão também já faltou ao respeito ao meu colega Eugénio Veloso da Veiga quando ele aqui esteve como administrador interino, tentando agredi-lo, tendo o referido administrador que o mandar amarrar e conduzir para esta Administração onde o mesmo se conservou algum tempo sob prisão.

O administrador, António Augusto de Barros,

Instituição: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, Bissau

Pasta: 09907.085 | Assunto: Envio de nota da 5.ª circunscrição civil (Brames), respeitante a concessão de terrenos, assinada pelo administrador António Augusto de Barros | Remetente: Secretaria Geral do Governo | Destinatário: Secretaria dos Negócios Indígenas | Data: Sexta, 21 de Maio de 1920 | Fundo: C1.6 - Secretaria dos Negócios Indígenas | Tipo Documental: Correspondencia | Cota Original: C1.6/01.085 

Fonte: (1920), Sem Título, Fundação Mário Soares / C1.6 - Secretaria dos Negócios Indígenas, Disponível HTTP: http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=09907.085 (2026-6-25)
[ Com a devida vénia...]


1. É um documento (de 3 páginas ) interessante para que se conhecer as "agruras" da vida de administrador de circunscrição na "província da Guiné Portuguesa", mal acabada de "pacificar" em plena República..

Esta "nota" do administrador António Augusto de Barros, da 5ª Circunscrição Civil (Brames), não é um simples "fait-divers",   tem um enorme valor documental para a historiografia da presença portuguesa em África e, em especial, para a história do  colonialimo na Guiné.

Não temos dados biográficos deste administrador, possivelmente de origem cabo-verdiana. Mas sabemos por onde andou nos anos de 1920, de acordo com registos da plataforma Casa Comum (que disponibiliza a reprodução e descrição de documentos custodiados pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso, neste caso do .Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), Bissau):

  • Administrador da 13.ª circunscrição civil (Bijagós) em 1924;
  • Administrador da circunscrição civil de Buba em 1928;
  • Intendente, Intendência de Bolama, em 1930.

É contemporâneo de Eugénio Veloso da Veiga, outro administrador colonial português na Guiné, com atividade registada nas décadas de 1920 e 1930, de acordo coma a mesma fonte (INEP / Casa Comum):

  • Administrador de Bubaque (Arquipélago dos Bijagós): documentos entre 1927 e 1928 registam a sua correspondência com a Direcção dos Serviços e Negócios Indígenas; as suas funções incluíam a cobrança do imposto de palhota pelas ilhas e o envio de mapas de importação de bebidas;
  • Administrador de Gabu, em  1933 e 1934; 
  • Administrador da Circunscrição Civil de Bafatá em 1934;
  • Membro da Comissão de Limites (1934):  a 25 de janeiro de 1934, integrou a comissão portuguesa de representação do governo da Guiné Portuguesa que se reuniu com as comissões da Guiné Francesa na região de Catabá, para definir a fronteira.


Augusto de Barros
(1917-1969). Arquivo da família.
Não sabemos quando terminou a  carreira do António Augusto de Barros.. Mas há mais nomes de apelido Barros, ligados à administração ultramarina na Guiné: por exemplo, António Augusto de Barros Júnior, bem como Augusto de Barros.  É possível que tenham alguma relação de parentesco. 

Este último, Augusto de Barros,  nasceu em 1 de março de 1917 e faleceu em 21 de maio de 1969.  Foi administrador do concelho de Nova Lamego (1960/69). Deixou em vida um primeiro volume de  um livro inacabado em língua fula, que ele intitulou “Rudimentos da Língua Fula” e escreveu no final da década 1950 enquanto chefe de posto de Piche. 

O seu filho, António Augusto de Jesus Ferreira de Barros (nascido em Piche, em 17 de setembro de 1958) publicou em coautoria o livro "Rudimentos da língua fula: fúlbé rímbé ê djiábé = fulas forros e pretos" (Lisboa, Edições Nimba, 2023, 223 pp.).

Mas voltando ao administrador António Augusto de Barros, acrescente-se que à data da "nota" acima transcrita, era Govcrnador da Guiné Henrique Alberto de Sousa Guerra (de 31 de maio de 1919 a 16 de Junho de 1920).

Será dele o despacho, seco e cru, "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província. 24-4-920" ?.



Durante a República (1910-1926), a taxa de "turnover" dos governadores da Guiné era altíssima: praticamente o governador mudava todos os anos (ou a cada governo da Metrópole)...

Enfim, não somos especialistas da historiografia da presença portuguesa em África, e muito menos da história do nosso colonialismo.  Talvez o nosso especialista, amigo, camarada e colaborador permanente do blogue, o Mário  Beja Santos, queira e possa acrescentar algo mais sobre este caso e sobre esta época, bem co.o sobre o papel da Secretaria dos Negócios Indígenas.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, notas, parênteses retos, links e título: LG)
_______________

Nota do editor LG:

Último poste da série >  25 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28131: Documentos (65): A administração civil ultramarina

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28131: Documentos (65): A administração civil ultramarina



Foto nº 1 e 1A > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Bambadinca > BART 2917 (1970/729 > Março de 1972 > Carreira de tiro > Da direita para a esquerda:

(i) na primeira fila: o Comandante do CAOP 2, o General Spínola, e o ten cor Polidoro Monteiro (comandante do BART 2917);

(ii) atrás, na segunda fila,  o Paulo Santiago (,de bigode e óculos escuros), o ten-cor Tiago Martins (comandante do BART 3873,que foi render o BART 2917). e o antigo administrador do oncelho de Bafatá, o então intendente Guerra Ribeira (de seu nome completo, Manuel da Trindade Guerra Ribeiro. natural de Chaves) (*).(vd. Foto nº1-A).



Foto nº 2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > BART 2917 (1970/729 > Março de 1972 > Carreira de tiro > Em primeiro plano, dois civis, da administração ultramarina sendo o segundo o intendente Guerra Ribeiro (o primeiro pode ser  talvez o chefe de posto de Bambadinca) no meio de militares, com o gen Spínola ao centro; ao fundo, à direita o nosso grã-tabanqueiro Paulo Santiago, na altura instrutor e comandante de companhia de milícias.

Fotos (e legendas): © Paulo Santiago (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Vd. também na RTP Arquivos o vídeo (5'14') (sem som, a preto e branco) , "General António de Spínola, Governador Geral da Guiné Bissau, visita campo de instrução de milícias em Bambadinca, na Guiné Bissau" (passou  na RTP, no noticiário nacional, em 24/10/1971).

Resumo Analítico (revisto e melhorado, RTP/LG):

(i) lápides e monumentos em memória de soldados mortos em combate colocados junto ao pau da bandeira e em frente ao edifício da escola local, pertencentes a várias unidades e subunidades que passaram por Bambadinca: CCAV 678 (1964/66),  BCAÇ 1888 (1966/68), Pel Mort 1192 (1967/69), BCAÇ 2852 (1968/70), Pel Mort 2106 (1969/70), CCAÇ 2590 / CCAÇ 12  (0'-23'');

(ii) helicóptero aterra; general Spínola (com o seu ajudante de campo, cap cav Lourenço Fernandes Tomás), desce do helicóptero e cumprimenta militares (24''-30'');

(iii) população local assiste à chegada do Governador e acompanha-o, saudando-o efusivcamente (31''- 38'');

(iv) Spínola dirige-se às milícias formados em parada; é acompanhado pelo cmdt do BART 2917, ten cor Polidoro Monteiro e pelo intendente Guerra Ribeiro;  milícias apresentam armas; Com-chefe em continência perante a parada e a passar revista às tropas; população aplaude (39'' - 1' 04'');

(v) general Spínola e individualidades militares na tribuna de honra; desfile militar; militares realizam exercícios físicos com arma e exercícios de obstáculos (1' 05'' - 1' 32'')

(vi) comitiva dirige-se à carreira de tiro (perto do destacamento da ponte do rio Udunduma, na estrada Xime-Bambadinca (alcatroada); milícias desmontam e montam a G3; General Spínola observa os militares durante o exercício; militares praticam tiro ao alvo e fazem fogo com morteiro 60 e LGFog; vista do campo de tiro (pareço reconhecer o José Luís Vacas de Carvalho, junto aos milícias que operam a bazuca, ele seria, na altura, o oficial de tiro) (1' 33 - 2' 03'');

(vii) visita as obras de construção da nova ponte do rio Udunduma; milícias simulam operação de guerra com progressão no mato (2' 04'' - 2' 50'');

(viii) regresso a Bambadinbca; Spínola e demais individualidades, militares (ten cor Polidoro Monteiro, major Carlos Fabião, cmdt do CAOP2 / Bafatá, ajudante de campo de Spínola...) e civis (intendente Guerra Ribeiro) percorrem o recinto e entregam ofertas aos mílicias; alguns são graduados; vista geral do recinto (2' 51'' - 3' 40'');

(ix) General Spínola e individualidades locais, apoiantes da "causa nacional" (incluindo o régulo de Badora) discursam (sem som) (3'41'' - 4' 13''):

(x) parte final: desfile militar; General Spínola conversa com militares, dirige-se para o helicóptero e despede-se; helicóptero descola (4'14'' - 5' 14'').



Guiné > Região do Cacheu > Outubro de 1964 > Tabanca de Caboiana > O chefe de posto do Cacheu, mais duas senhoras: (i) a esposa do chefe de posto; e (ii) a esposa do tenente [que o autor não diz quem é; seria o comandante do Pel Caç Ind 953, a quem o 1º cabo António Paulo Bastos pertencia?]

Foto (e legenda): © António Bastos (2015). Todos os direitios reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Nunca vi o chefe (ou administrador) de posto de Bambadinca. Também nunca vi o administrador de Bafatá (Guerra Ribeiro, transmontano de Chaves; em 1972, no vídeo supracitado, aqui já era intendente, e colaborador próximo de Spínola).

Acrescente-se que esta gente tem sido ignorada por nós, aqui no blogue, e sobretudo pelos  historiadores académicos. Temos falado pouco destes homens que, de resto, conviviam pouco ou nada connosco, militares. Mesmo sendo nossos vizinhos... E, temos que o reconhecer,  foram "maltratados" depois da descolonização.  Como sendo os "maus da fita", a começar pelos cabo-verdianos, que levaram com o "rótulo" de "turras"; outros, os régulos, os cipaios, os milícias, etc. , "cães dos colonialistas". 

Mais de meio século depois, está na altura de rever o discurso da "diabolização colonial" e da "hagiografia revolucionária".  Por exemplo, Amílcar Cabral tinha um ódio de estimação ao António Carreira que foi administrador colonial, funcionário da Casa Gouveia e grande etnógrafo, estudioso da história e da sociedade tanto da Guiné como da sua terra, Cabo Verde...

Na Guiné (tal como em Angola ou em Moçambique), o administrador de circunscrição e o chefe de  posto não eram apenas burocratas (nem muito menos pequenos déspotas). Em vastas regiões do interior eram simultaneamente representantes do governo, gestores de conflitos, magistrados, coordenadores de obras públicas, recrutadores de mão-de-obra, coletores de impostos, responsáveis pelo recenseamento, interlocutores dos régulos e, por vezes, a autoridade mais visível do Estado (embora, com a guerra, suplantados pela tropa).  

Além disso, não eram todos "maus, racistas e colonialistas"... 

Essa dimensão,  prática, quotiana, de "interface",  ajuda a compreender porque tantas memórias locais (leia-se o nosso António Rosinha, o nosso Cherno Baldé...)  ainda hoje recordam "o administrador" ou "o chefe de posto" pelo nome próprio. Por boas ou más razões... Guerra Ribeiro e António Carreira, por exemplo, são dois nomes que nos vêm à memória. O primeiro transmontano, o segundo cabo-verdiano. 

E ainda há dias falámos aqui do caso do Agnelo Macedo (1925-1972),  chefe de posto de Catió, vítima de perseguição política, preso pela PIDE em 1962/63, detido na Ilha das Galinhas e transferido compulsivamente para Moçambique.

No ultramar português, os administradores de circunscrição (ou de concelho) e os chefes ( ou administradores) de posto pertenciam a uma carreira específica da Administração Civil Ultramarina, integrada no funcionalismo público do Ministério do Ultramar e, portanto, distinta das carreiras da função pública na metrópole.

O recrutamento, a progressão e as atribuições destes funcionários eram regulados por legislação própria, nomeadamente pelo Estatuto do Funcionalismo Ultramarino e pelos diplomas orgânicos dos Serviços de Administração Civil.

A hierarquia administrativa estruturava-se, de forma simplificada, da seguinte maneira:
  • Aspirante administrativo; categoria de ingresso na carreira, destinada aos candidatos em fase de formação e aprendizagem prática;
  • Administrador de posto ( tradicionalmente designado por chefe de posto): responsável pela unidade administrativa básica, assegurando o contacto direto com as populações, as autoridades tradicionais e os serviços locais do Estado;
  • Administrador de circunscrição ou de concelho: encarregado da administração de uma área territorial mais vasta, coordenando vários postos administrativos e exercendo amplas funções de governo local;
  • Intendente de distrito e inspector administrativo: categorias superiores, responsáveis pela coordenação, fiscalização e orientação dos serviços administrativos;
  • Inspector superior de administração ultramarina: um dos patamares mais elevados da carreira.

Ao longo do século XX, o acesso à carreira passou a estar fortemente associado à formação ministrada pela:
  • Escola Colonial (criada em 1906 e instalada na sede da Sociedade de Geografia de Lisboa);
  • posteriormente Escola Superior Colonial (a partir de 1926/27) (em 1933 passa a ocupar o  Palacete dos Anjos, no Príncipe Real, ficou mais diretamente dependente do Ministério das Colónias);
  •  Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (ISEU) (a partir de 1954, integrando-se na Universidade Técnica de Lisboa com o início da guerra colonial em 1961);
  • e, mais tarde, Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina (ISCSPU) (1962-1974 (quando passa a ocupar o Palácio Burnay, na Rua da Junqueira);
  •  e finalmnete,  com o 25 de Abril,  ISCSP - Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP / UL).(em 2001 mudou-se para o Campus da Ajuda). 

Claro que hoje não é mais a escola de quadros da administerçáo colonial, já que Portugal "liquidou" o seu velho império...  A instituição, que comemora 120 anos,  nasceu por decreto de 18 de janeiro de 1906, durante a monarquia constitucional, no reinado de Dom Carlos, inserindo-.se  a  sua criação no  movimento europeu de profissionalização da administração colonial, semelhante ao que existia, de resto,  em países como a França, a Bélgica ou o Reino Unido.

O curso de Administração Colonial (e depois ultramarina) procurava preparar os futuros administradores para lidar com as realidades políticas, jurídicas, económicas, sociais e culturais dos territórios do Ultramar, muito diferentes das da Metrópole.

Entre as disciplinas lecionadas nesta escola de quadros da admistração colonial (e, depois, de 1951, ultramarina) encontravam-se o Direito Administrativo e Colonial, a Administração Colonial, a Antropologia, a Etnografia, a Geografia Económica, a História da Expansão Portuguesa, a Higiene Tropical,  Línguas Africanas e Orientais, e outras matérias ligadas às sociedades africanas e asiáticas. 

Diferentemente de um funcionário administrativo da metrópole, o administrador ultramarino acumulava frequentemente funções de:
  • representação do Estado;
  • administração local;
  • polícia administrativa;
  • recolha de impostos;
  • recenseamenmto da população;
  • coordenação de serviços públicos; 
  • relacionamento com as autoridades tradicionais, etc.
Nas regiões mais afastadas dos centros urbanos, era frequentemente a figura que personificava a presença do Estado português perante as populações locais.

2. Outro tema a explorar no nosso bloguye seria o desenvolvimento  da etnografia / antropologia coloniais já no séc. XX... Vários administradores coloniais portugueses atuaram também como antropólogos ou etnógrafos. 

Durante o século XX, a própria administração ultramarina incentivava estes funcionários a recolher dados culturais e físicos para melhorar o controlo e a governação das populações locais. 

A partir de 1945, por exemplo, o concurso para administrador de circunscrição passou a exigir obrigatoriamente a apresentação de uma "monografia etnográfica original".

Um dos momes mais conhecido é o do cabo-verdiano António Carreira (que tem mais de 45 referências no nosso blogue). Foi mais tarde funcionário da Casa Gouveia e, ao que parede, injustiçado (e até diabolizado) na história do 3 de Agosto de 1959 (o chamado massacre do Pidjiguiti). 

António Barbosa Carreira nasceu na Ilha do Fogo, em 1905. Morreu em Lisboa, aos 82 anos, em 1988. 

3. Fontes a consultar (legislação e regulamentação) | Sitografia:

Decreto n.º 44 241, de 19 de março de 1962:  Orgânica dos Serviços de Administração Civil do Ultramar > Define a hierarquia do quadro administrativo (inspectores, intendentes, administradores de circunscrição e de posto).

Decreto n.º 46 982, de 27 de abril de 1966:  Aprova o novo Estatuto do Funcionalismo Ultramarino.

Decreto n.º 48 792, de 24 de dezembro de 1968:
  Reorganização dos serviços de administração civil e atualização das categorias administrativas.

História institucional do atual ISCSP, herdeiro da Escola Colonial (1906), Escola Superior Colonial, ISEU e ISCSPU. A ligação da escola à formação dos quadros administrativos ultramarinos está bem documentada.
______________

Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de 21 de março de 2013 > Guiné 63/74 - P11288: (De) caras (13): Guerra Ribeiro, natural de Bragança: de administrador colonial no tempo do Schulz a intendente no tempo de Spínola (Paulo Santiago / Cherno Baldé / António Rosinha)

(...) No poste P11281 (...) fala-se do Guerra Ribeiro, Administrador de Bafatá. Conheci a pessoa num dia em que apareceu no Saltinho,e lá pernoitou.

Mais tarde, apareceu em Bambadinca na cerimónia de encerramento do curso de Milícias. Nesta altura, já não era Administrador, era Intendente, e penso que estava em Bissau, mas sei muito pouco sobre estes cargos da Administração Civil.

(...) Voltei a Bambadinca em Janeiro de 72 e, durante o novo curso de milícias, tive duas visitas do Com-Chefe, uma aí pelo meio e a outra no final tendo, desta vez, sido cumprido todo o programa de encerramento, que incluiu uma deslocação de viatura à carreira de tiro, que ficava para lá do destacamento da Ponte de Udunduma, a caminho do Xime. (...)

Nas fotos juntas, Março de 72, aparece o então Intendente Guerra Ribeiro. Na primeira, é a pessoa de farda amarela, atrás do Polidoro Monteiro e do Spínola. Na segunda, está a olhar para o lado esquerdo, e vê-se, também fardado,um outro elemento da Administração Civil que não sei quem é. (...)

(**) Último poste da série > 19 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28114: Documentos (64): A Última Operação: Retirada Final – Ordem nº 1/74: Retirada da Guiné em 15 de outubro de 1974 (Luís Gonçalves Vaz, filho do Cor Cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (Barcelos, 1922- Braga, 2001), último Chefe do Estado-Maior do CTIG, 1973/74)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28128: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (8): tropas e paisanos, e "a Guiné...para os guinéus"

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Foto nº 1 >  Foto de grupo, tirada à porta da igreja de Bafatá (pormenor)


Foto nº 1 B > Possivelmente, os pais (na segunda fila, do lado direito),  avós (nma terceira fila, de óculos escuros) e familiares e amigos da criança, mais o padre, missionário (em primeiro plano, à direita). A jovem mãe seria de origem libanesa.


Foto nº 1 > Foto de grupo, tirada à porta da igreja de Bafatá 


Foto nº 1 C > Foto de grupo, tirada à porta da igreja de Bafatá (pormenor): o Fernando Andrade Sousa é o primeiro da esquerda; o Joaquim Vidal Saraiva (alf mil médico) é o segundo da última fila, de óculos escuros e boné, Há mais 3 militares, fardados, que não identificamos. À esquerda do do Vidal Saraiva, pode ser o José Carlos Lopes, o ex-fur mil dos reabastecimentos...


Foto nº 1 D > Os padrinhos e a criança (ao colo da professora  Dona Violete)


Foto nº 2 > O almoço do batizado na casa dos pais da criança, em Bambadinca... Pelo que se depreende da visualização da imagem, a cerveja Cristal era muito popular na época... Se calhar, era por ser a mais barata... Os comerciantes de Bambadinca também estavam muito dependentes da tropa para efeitos de logística e segurança: os barcos civis que chegavam a (e partiam de) Bambadinca tinham segurança militar, pelo menos em dois pontos do rio Geba: Mato Cão e Ponta Varela...


Foto nº  2 A > O almoço do batizado na casa dos pais da criança, em Bambadinca (pormenor): um civil, em primeiro plano (talvez irmão ou cunhado da mamã libanesa), e o alf mil médico, Vidal Saraiva, já à civil.


Foto nº 2 B >  O almoço do batizado na casa dos pais da criança, em Bambadinca: O Fernando Andrade, de bigodinho, é o terceiro... (Ele já não se lembrava do bigodinho, à margem do RDM...). 

Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Batizado de um filho de um casal de comerciantes de Bambadinca, para o qual foram convidados alguns militares da CCS/BCAÇ 2852 e da CCAÇ 12. Por volta de finais de 1969. A mãe da criança era libanesa, o pai possivelmente era português de origem metropolitana, talvez até transmontano (o padrinho, o alf mil Carlão,  era de Mirandela)  (Foto nº 1 B)...

Fotos: © Fernando Sousa (2018). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca >  Abril de 1965 (?) > Festa da primeira comunhão > A menina branca, filha do chefe do posto de Xitole, ladeada pela Professora Primária Dona Violete (à esquerda, de óculos escuros) e a esposa de um dos comerciantes locais (à direita).



Foto nº 4 >Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Foto nº 3 > Abril de 1965 (?) > Capela local > Um grupo de meninos e meninas (só uma das quais é branca, filha do chefe de posto do Xitole, a frequentar a escola primária em Bambadinca), no dia da comunhão solene, devidamente enquadrados por uma freira, católica, muito possivelmente missionária e estrangeira (italiana?)
 
Fotos do álbum do ex-Fur Mil At Manuel Bastos Soares,  natural de Vila Nova de Gaia e residente na Maia.
 
Fotos (e legendas): © Manuel Bastos Soares (2008). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar. Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto nº 5 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá> Sector L1 > Bambadinca > 1970 > Parada do aquartelamento, frente à escola primária > Memoriais de unidades que passaram por Bambadinca 

Foto (e legenda): © Humberto Reis (2005). Todos os direitos reservados. [Edição e legemdagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Nunca vi o chefe de posto de Bambadinca. Diziam que era cabo-verdiano. Tal como a professora primária, Dona Violete. E provalmente o encarregado da Casa Gouveia. Sei que havia uma pequena comunidade cabo-verdiana em Bambadinca. E que era cristã. Também havia, pelo menos, uma família de origem sírio-libanesa. Civis, "paisanos",  comerciantes, incluindo o Fernando Rendeiro (casado com uma guineense, mandinga, e pai de uma ranchada de filhos) e o Zé Maria (que a tropa dizia que era "turra"). De origem metropolitana, estes dois últimos. Mas todos apartados da hierarquia militar. Havia 7 casas comerciais em Bambadinca mas eu nunca as contei.  Também nunca vi o administrador de Bafatá (Guerra Ribeiro, transmontano de Chaves; será depois promovido a intendente).

Nunca vi o chefe de posto nem  a professora, que viviam connosco dentro do perímetro de arame farpado, serem convidados para cerimónias militares ou festas no quartel (Natal, por exemplo). 

Racismo, segregação, discriminação ?... Temos de ser cautelosos com as palavras e sobretudo evitar os "chavões" e o "sociologuês"...

Na metrópole, militares e civis também não conviviam... Como eu costumo dizer, simplificando a realidade, éramos os "três estados": clero, nobreza e povo...Na minha terra, eu também nao convivia com a elite local, e muito menos comia á sua mesa, encontrávamo-nos apenas na igreja, mesmo assim em espaços segregados...

Na Guiné, os oficiais e os sargentos milicianos e as praças  eram mais abertos e conviviam, informalmente, com os civis. Nalguns casos, poderia haver afinidades (pessoas da mesma terra ou região). Falo de Bambadinca, onde estive, de julho de 1969 a março de 1971. 

O Rodrigo Rendeiro, que estava na Guiné desde os 17 anos, e que era natural da Murtosa, convidava alguns de nós, milicianos, para comer o seu famoso "chabéu de galinha". Mas nunca nos apresentou a cozinheira, que era a mãe dos seus filhos. Teve uma aventura rocambolesca que já aqui contámos, quando se conseguiu evadir dos "libertadores" do PAIGC... Já faleceu. Mais recentemente ficámos a saber que tinha sido "informador" da PIDE/DGS e que terá tido problemas ainda na Guiné a seguir ao 25 de Abril. (A propósito, o Anjos de Carvalho,  em 1973, aparece em listas dos colaboradores militares, remunerados, da censura para as obras literárias...).


2. As fotos acima mostram uma cena, que já em tempos cataloguei, há dez anos atrás (*), como  "algo insólita", no TO da Guiné, numa zona de guerra, em Bambadinca, uma festa de batizado para a qual (tal como  na boda), como se costuma dizer, só vão os convidados... 

Mas,  como todas as "fotos de família", estas têm algo de ternurento... Perguntei-me na altura: quem seriam  estas pessoas, por onde andariam então (em 2016)... Algumas, eu conhecia-as, tinham sido meus camaradas... E dos civis, meus vizinhos, nem sequer tinha uma vaga lembrança... 

Afinal, morávamos perto, uns dos outros, durante, quase dois anos... Espantoso: eu vivia a 100 metros da escola, nunca vi, "ao vivo", a professora dona Violete (nem a sua mãe, que vivia com ela, na "casa da professora", anexa à escola primária, as duas enclausuradas). Tal como nunca vi o chefe de posto, nem me lembro de ter entrado no seu "estaminé" (que, se não erro, era junto ao depósito de água e à escola)..

O Fernando Andrade Sousa (ex-1º cabo aux enf da CCAÇ 12, 1969/71), que vive na Trofa (e que está doente, infelizmente, ele que foi uma dos mais entusiásticos participantes e organizadores dos convívios anuais do pessoal de Bambadinca desde os anos 90),  já não se lembrava  bem de toda a gente, muito menos dos civis. 

Disse-me ao telefone que;

(i) ele e o alferes Carlão eram os únicos representantes da CCAÇ 12; 

(ii) o Carlão fora convidado para padrinho possivelmente por ser da terra ou da região (Trás-os-Montes) de alguém da família da criança (pai ou avós);

(iii) a criancinha batizada era da "Casa Libanesa", de Bambadinca;

(iv) ele,  Fernando, "caiu lá de paraquedas", foi convidado porque fazia parte do pessoal do serviço de saúde, cujo chefe era o alf mil médico Joaquim Vidal Saraiva, da CCS/BCAÇ 2852 (que deve ter feito o parto, e que acabaria a comissão em maio de 1970) (**);

(v) o Silvino Aires Lopes Carvalhal (fur mil, SAM, CCS/BCAÇ 2852) também esteve presente;

(vi)  ficou de me mandar (mas não mandou...) mais fotos deste "batizo"  

O casal libanês  (ou ela, de origem libanesa, e o pai, português da metrópole, transmontano) que vivia em Bambadinca, moravam possivelmente numa das casas junto à rampa de acesso ao quartel,  do lado direito (no sentido descendente), talvez em frente à casa e loja do Fernando Rendeiro (que ficava do lado esquerdo), e que eu frequentava com alguma regularidade, tal como o bar / tasco do Zé Maria , já na zona ribeirinha... 

Os Rendeiro não aparecem aqui. Possivelmente o jovem casal, os pais da criança, aparecem,  na foto nº 1 B, ao centro, tendo a atrás os avós  e possivelmente um tio (o mais forte).

A cerimónia religiosa foi em Bafatá, onde a foto de grupo (nº 1) é tirada. Quer dizer que não havia padre em Bambadinca. O padre era missionário, possivelmente italiano (foto nº 1 B). Os missionários católicos italianos (do IPME) tiveram uma relação difícil com as autoridades portuguesas. Alguns foram presos ou expulsos (o missionário de Catió, o de Samba Silate....).

Os padrinhos da criança foram o alf mil António Manuel Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018), ainda solteirinho, sem a sua Helena que há de vir depois morar para Bambadinca, e a única professora, branca, que lá havia,  a Dona Violete da Silva Aires (que segura a criança, e que era solteira, nascida em Cabo Verde; vivia no edifício da escola, com a mãe). (Foto nº 1 D).

O Fernando lembra-se de ter sido convidado, mesmo sem conhecer (nem privar com) a família. Dos militares, da CCS/BCAÇ 2852  (incluindo Carvalhal) e da CCAÇ 12 (o Fernando), terão sido convidados o pessoal dos serviços de saúde e do reabastecimento (incluindo o José Carlos Lopes, fur mil).

O fur mil enf João Carreiro Martins não aparece aqui, o que não admira: ele recusava-se a sair do arame farpado...  Aparece o alf mil médico Joaquim António Vidal Saraiva (1936-2015), acabado de chegar de Guileje em novembro de 1969 (foto nº 1 C) e que seguramente terá feito o parto da mamã libanesa...

As fotos devem ser de finais de 1969. E eu achava que deviam merecer generosos comentários. Se o Vidal Saraiva não tivesse morrido em 2015 (**), possivelmente estes fotos iriam ficar esquecidas no álbum do Fernando Sousa que pediu, a instâncias minhas, a um sobrinho para as digitalizar...  


3. Estamos a falar de coisas que a historiografia académica não tem abordado... E que são delicados como a "estigmatização" dos civis, comerciantes, metropolitanos, cabo-verdianos ou libaneses, bem como a administração ultramarina onde os cabo-verdianos estavam sobrerrepresentados, uns e outros "mal vistos" pela PIDE e pela tropa... (Mas quem é que queria ir viver e trabalhar para a Guiné?!... E quem numa guerra civil, como foi aquela, não joga com um pau de dois bicos ?)

Mal vistos, e depois marginalizados, com Spínola e a sua política de africanização da guerra e da administração. O slogan "A Guiné para os guinéus" era também uma provocação para o PAIGC de Amílcar Cabral.

Durante a fase final da guerra da Guiné, a política de Spínola procurou, de facto,  promover uma elite política, militar e administrativa guineense, reduzindo o peso relativo das tradicionais elites cabo-verdianas na administração do território. (Administração que, com ele, e com a guerra,  praticamente foi substituída por quadros militares.)

Como muitos cabo-verdianos eram vistos pelos serviços de informação e pela tropa  como potenciais simpatizantes do PAIGC, desenvolveram-se atitudes de desconfiança e, por vezes, de estigmatização e repressão.

Contudo, essa realidade deve ser entendida mais como uma estratégia política de reequilíbrio de poderes e de conquista das populações guineenses do que como uma política oficial de discriminação racial contra os cabo-verdianos (que até ao início cio dos anos 60  eram minorias relativamente influentes na administração, tal como os libaneses, no pequeno comércio).


Foto nº 6 > Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Festa de anos do 1º srgt Fernando Brito. Convívio no bar de sargentos, em meados de 1970: ainda estávamos em "lua de mel", os "velhinhos" da CCAÇ 12, e os "piras" do BART 2917, aqui representados pelo 2º Comandante, maj art José António Anjos de Carvalho, sempre fardado, sempre "militarista", amante do fado de Coimbra (já falecido, no posto de cor art ref), e o 1º srgt art Fernando Brito (1932-2014) (falecido no posto de major, depois de ter feito a Escola Central de Sargentos)...

À direita do Brito, a Helena, mulher do falecido alf mil at inf António Manuel Carlão, do 2º Gr Comb da CCAÇ 12 (o casal vivia em Fão, Esposende): à direita do Anjos de Carvalho, a esposa do major art, Jorge Vieira de Barros e Bastos (mais familiarmente conhecido por Bê Bê, era o major de operações do comando do BART 2917; mais tarde cor art ref); e à sua direita, a Isabel, a esposa do José Alberto Coelho, o fur mil enf da CCS/BART 2917 (o casal vive hoje, ou vivia até há uns anos, em Beja). Eram as únicas "três mulheres brancas", esposas de militares, que viviam no "quartel".

Em Bambadinca, mesmo dentro do perímetro de arame farpado onde viviam a professora, branca, cabo-verdiana (e a sua mãe), e o chefe de posto, também cabo-verdiano, os espaços de convívios eram socialmente segregados. Os oficiais vinham ao bar e messe de sargentos, os sargentos não podiam frequenta o bar e a messe de oficiais, os civis também não conviviam com a tropa dentro do "quartel"...E as praças tinham o seu  "refeitório e cantina"... E foi assim que fizemos todos a guerra...

Foto: © Vitor Raposeiro (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


(***) Último poste da série > 21 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28118: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (7): duas "retiradas finais": Bissau (15/10/1974) e Saigão (29-30/4/1975): (dis)semelhanças

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28082: Casos: a verdades sobre... (75): O meu tio paterno Agnelo António Monteiro de Macedo (ilha do Fogo, Cabo Verde, 1925 - Lisboa, 1972), chefe de posto de Catió, preso pela PIDE em 1962/63, detido na Ilha das Galinhas e depois transferido compulsivamente para Moçambique (José Macedo, EUA)





Guiné > Região do Cacheu > Cacheu > DFE 21 (1973/74) > O então 2º ten fuzileiro especial posando, à civil,  na sua mota. Em 1971 tinha frequentado o 1º ano da Escola Naval e preparava-se para ingressar nos fuzileiros. Nesse verão, conheci-o e convi com ele na Lourinhã. Arranjou um trabalho sazonal no parque municipal de campismo  da Praia da Areia Branca.

Foto e legenda): © Zeca Macedo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



1. O nosso amigo e camarada de guerra, da Guiné, a viver nos EUA, desde 1977 (onde é advogado),  José Macedo, fez-nos um pedido sobre um tio paterno, que integrou  a carreira na administração ultramarina e passou pela Guiné nos anos 60.

Sabemos alguma coisa sobre esse tio, mas não o suficiente para poder ajudar o sobrinho. Recorremos  tambéma a algumas ferramentas de IA (Hemini/ Google, ChatGPT / Open AI)-


2. Mensagem do José Macedo (EUA); 

Data - sexta, 5/06/2026, 17:55

Assunto - Agnelo Macedo, chefe de posto na Guiné e depois em Moçambique

 Camarada Luís: o meu tio Agnelo Macedo, irmão do meu pai, era Chefe de Posto em Catió, na Guiné. Foi preso pela PIDE, enviado para a Ilha das Galinhas em 1962 ou 1963 por alegadamente ter tido reuniões com dirigentes do PAIGC. 

Gostaria de saber se alguém da(s) unidade(s) estacionada(s) em Catió durante esse período se lembra desse episódio da prisão do chefe de posto . 

Mantenhas, Zeca. 

PS1 - Quando saiu da Ilha das Galinhas foi enviado para Moçambique onde foi chefe de posto em Nacala, concelho de Nampula. Teve problema nos rins, possivelmente pela “porrada” que levou na “prisão” veio a falecer em Lisboa em 1972. Obrigado pela tua assistência.

PS2 - (...) Em 62 João Bacar Jaló foi nomeado Chefe dos Caçadores Nativos no Sector Catió/Cacine. E Foi em Catió que o meu tio conheceu os pais do Zikky (Sayeg) de quem era padrinho. Mantenhas e obrigado.



Agnelo António Monteiro de Macedo (1925-1972):: quando joveme na idade adulta

Fonte: Genealogia...https://www.barrosbrito.com/8286.html (com a devida vénia)


3. Resposta do editor LG:

 O teu tio, que tem o mesmo nome do teu mano, Agnelo Macedo (n. 1952, capitão-de-mar-e-guerra, na situação de reforma) é este teu patrício, nascido em 1925. Descobri em:  https://www.barrosbrito.com/8286.html

Agnelo António Monteiro de Macedo (1925-1972): 

  • data e local de nascimento: 4 mar 1925, N. Senhora da Conceição, São Filipe, Fogo, Cabo Verde;
  • data e local do óbito: 23 mai 1972, Lisboa, com 47 anos de idade;
  • era filho de Joaquim Botelho da Costa Monteiro de Macedo (1894-1943) e de Palmira Monteiro (1903-1983);
  • o pai era engenheiro electrótecnico, nascido a 16/12/1895, em S. Filipe, casado (1º casamento) com Palmira Monteiro, natural do Fogo; formado pela Universidade de Toulouse, França; foi nomeado em 17 jan 1922 administrador do concelho da Ilha de S. Vicente mas foi exonerado a seu pedido, dois meses depois  (tendo sido nomeado para substituí-lo o seu primo Simão José Barbosa); foi nomeado presidente da câmara municipal do Fogo em 3 jul 1928;
  • o Agnelo Monteiro era, em 1944, estudante, solteiro, residente na Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde;
  • em 26 fev 1946 entrou para os Correios e Telégrafos de Cabo Verde; 
  • desportista, foi um dos sócios-fundadores do Boavista Futebol Clube,  da cidade da Praia (3 de março de 1948);
  • em data que não podemos precisar, seguiu como funcionário administrativo para a Guiné (então portuguesa); dali foi transferido para o nordeste de Moçambique (Nacala, distrito de Nampula).

3. Contexto 

Com base nos dados fornecidos e no cruzamento com o contexto histórico-administrativo e militar da época (transição de 1961 para 1963), aqui estão os caminhos e os factos que ajudam a reconstituir e a validar o pedido do Zeca Macedo. São os anos da contestação nacionalista na Guiné, e também os  "anos de chumbo", de forte repressão das autoridades locais (PIDE, polícia administrativa, exército).

(i) Catió e a prisão (1961/63):

O relato do Zeca Macedo é historicamente muito verosímil e enquadra-se no xadrez político da Guiné naqueles anos cruciais.
 
A região de Catió (no sul da Guiné, junto à fronteira com a Guiné-Conacri) foi a zona escolhida pelo PAIGC para a infiltração inicial e mobilização política, culminando no início oficial da luta armada na "Frente Sul" em 23 de janeiro de 1963 (com o ataque ao quartel de Tite, na região de Quínara). 

A partir de 1961/62, a rede clandestina do PAIGC operava intensamente nos regulados de Quínara e de Tombali e à volta dos postos administrativos daquela zona.

(i) O papel do Chefe de Posto: 

Se o Agnelo esteve de facto em Catió, pode-se levantar a questão de se saber se era Chefe de Posto ou Administrador... Catió, em 1971, já era Concelho...

Como Chefe de Posto Administrativo em Catió (ou no concelho de Catió), Agnelo Macedo controlava o território, a cobrança do imposto de palhota e o contacto direto com as populações locais (maoritariamente nalus e fulas na região, mas também balantas, grandes orizicultores). 

O Chefe de Posto Administrativo era responsável pela menor unidade administrativa (o Posto), em contacto direto com as populações locais, as autoridades tradicionais (régulos) e os assuntos quotidianos. O Administrador de Circunscrição (ou de Concelho), de 3.ª, 2.ª e 1.ª classe, era o magistrado administrativo que governava uma área geográfica mais vasta (a Circunscrição ou Concelho), coordenando vários postos e detendo amplos poderes civis, policiais e de fomento de instrução.

O facto de o Agnelo ser natural de Cabo Verde (São Filipe, Fogo) colocava-o frequentemente sob a mira de especial desconfiança por parte da PIDE, que receava a simpatia ou a colaboração das elites intelectuais e administrativas cabo-verdianas com o movimento liderado por Amílcar Cabral. Em muitos casos, havia laços familiares entre os cabo-verdianos, emigrados na Guiné e os militantes do PAIGC (que rapidamente se transformou em partido armado).

(ii) A Colónia Penal da Ilha das Galinhas: 

Situada no arquipélago dos Bijagós, funcionava precisamente como o destino principal para os presos políticos na Guiné (tanto guineenses como cabo-verdianos),  acusados de subversão ou cumplicidade com o PAIGC, antes e durante os primeiros anos da guerra (e até ao fim da guerra). 

A detenção por "alegadas reuniões com dirigentes do PAIGC" era o modus operandi clássico da delegação da PIDE em Bissau para neutralizar funcionários suspeitos de passar informações ou facilitar a logística nacionalista.

Mas tudo indica que o "suspeito" esteve detido (quanto tempo ?) na Ilha das Galinhas sem culpa formada e sem nunca ter sido julgado. Não se tendo provado que era "militante" ou "simpatizante" do PAIGC, terá sido deixado em paz mas transferido para longe, compulsivamente, para Moçambique. Caso contrário, poderia ter ido parar, no mínino, ao Tarrafal.

(iii) As unidades militares em Catió 

Para responder à dúvida do Zeca sobre quem se poderá lembrar desse episódio, seria fundamental identificar as subunidades militares que estavam estacionadas ou operavam em Catió no biénio de 1962/1963. Tarefa que é muito difícil ou praticamente impossível: em meados de 1962, haveria apenas uma secção a guarnecer Catió, segundo as nossas contas. 

Em todo o Sul (que abrangia as regiões de Qínara e Tombali), havia apenas, já em 1963,  um batalhão, o BCAÇ 237 (sem unidades orgânicas) (jul 61/out 63), com o comando sediado em Tite, e tendo sob o seu dispositivo e manobra  a CCAÇ 152 (em Buba) e CCAÇ 153 (em Aldeia Formosa) (mai 61/jul 63). 

Esta  última, comandada pelo cap inf José dos Santos Carreto Curto, manteve  "forças destacadas em Cufar, Catió e Bolama, por períodos variáveis" (forças essas que podiam ser de 1 secção, 1 secção reforçada, menos de 1 pelotão, 1 pelotão ou 1 pelotão reforçado, nunca uma companhia). E havia em Bedanda a 4ª CCAÇ Indígena (a partir de abril de 1967, CCAÇ 6).


Dispositivo das NT em 8 de agosto de 1962, assinalando-se com uma seta a vermelho Catió (que devia ter uma secção)

Fonte:  Excerto de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014),  pág. 61.
 

Em 7/2/1963, a CCAÇ 153 foi rendida pela CCaç 274 (jan 62/ jan 64) e colocada em Bissau.  Esta fez operações no sector de Catió.

Sabemos por informações recolhidas pelo PAIGC, que Catió  tinha uma delegação da PIDE e ainda  "poucos soldados", por esta altura (c. 1962/63).

É hoje praticamente impossível encontrar  algum militar, ainda vivo, que tenha passado em 1962/63 por Catió e que se lembre de "ter ouvido falar desta história"... o desaparecimento ou a detenção abrupta do Chefe de Posto Agnelo Macedo pela PIDE. 

(iv) A Transferência para Moçambique e o fim prematuro de vida

A transferência de funcionários públicos "sob suspeita" ou após cumprirem períodos de detenção e inquirição  administrativa era uma prática comum do Ministério do Ultramar para afastar, dos palcos de conflito,  
os elementos ativos sem necessariamente os demitir de imediato (o que criaria mais contestação local).

O Agnelo Macedo morreu em maio de 1972, então o alegado episódio da prisão pela PIDE em Catió, em 1962 ou 1963, ocorreu cerca de dez anos antes da sua morte. Isso significa que ainda teria tido uma década de vida após esse acontecimento.

Ora, em muitos casos semelhantes da administração colonial, funcionários suspeitos de "simpatias nacionalistas" eram:

  • presos preventivamente pela PIDE;
  • sujeitos a inquérito;
  • transferidos compulsivamente para outro território ultramarino;
  • afastados de determinadas funções;
  • ou então demitidos da função pública.

A PIDE, apesar de tudo, não terá conseguido "provar" que o Agnelo Macedo era "turra"... O envio para Moçambique (um território imenso e, até 1964, ainda sem frente de guerra ativa) servia como uma espécie de "exílio administrativo". Agnelo Macedo terá continuado a sua carreira   na Administração Civil de Moçambique, como chefe de posto em Nacala,  no nordeste de Moçambique, durante a década de 1960.

O facto de ser cabo-verdiano é relevante. Nos anos que antecederam a guerra, vários funcionários cabo-verdianos da administração colonial mantinham relações pessoais e familiares com quadros nacionalistas da Guiné e de Cabo Verde. Isso não significa que fossem militantes do PAIGC, mas explica por que motivo alguns ficaram sob vigilância da PIDE.

Aliás, Catió era uma zona particularmente sensível. Mais tarde tornar-se-ia um dos principais teatros de operações do sul da Guiné. A partir do início da década de 1960, a polícia política observava atentamente funcionários administrativos, comerciantes e professores suspeitos de contactos com o movimento nacionalista.

O seu  óbito, registado em Lisboa a 23 de maio de 1972, com apenas 47 anos, sugere uma evacuação médica de Moçambique para a metrópole,  possivelmente devido a doença prolongada, uma realidade que afetava muitos dos funcionários que serviam em postos de isolamento e clima insalubre no Ultramar (com a agravante, neste caso, de ter sido preso e muito provavelmente torturado pela PIDE e internado na Colónia Penal da Ilha das Galinhas).

(v) Pistas para investigação adicional

Para robustecer  esta pesquisa e trazer respostas mais concretas ao Zeca Macedo, os caminhos documentais mais eficazes em Portugal são:

  • Arquivo Histórico Ultramarino (AHU): onde repousa o processo individual de Agnelo António Monteiro de Macedo enquanto funcionário do Quadro Administrativo Comum do Ultramar (Guiné e Moçambique); ali constam as nomeações, louvores, licenças e as notas de transferência;  seria importante saber, aqui, quem foram os administradores e chefes de posto de Catió entre 1958 e 1964, por exemplo;
  • Arquivo da PIDE/DGS (no Arquivo Nacional da Torre do Tombo): a consulta pelo nome completo no índice da PIDE/DGS poderá revelar a existência da ficha de cadastro político, o auto de detenção em Bissau e a ordem de internamento na Ilha das Galinhas entre 1962 e 1963;
  • Através do Digitarq 2026 (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), descobri que o processo deste antigo funcionário público ultramarino está na Torre do Tombo (ANTT): código de referência: PT/TT/DGAP-DIA/001/014275; pasta em papel, não está tratado arquivisticamente; produção: 1963 (?) - 1974 (?).
  • Condições de acesso: Não é comunicável. O acesso da documentação é regido pelo disposto no Decreto-Lei n.º 16/93, de 21 de Janeiro, tendo sido considerado que em matéria de comunicabilidade nos termos do ponto n.º 2 do artigo 17.º "não são comunicáveis os documentos que contenham dados pessoais de caráter judicial, policial ou clínico, bem como os que contenham dados pessoais que não sejam públicos, ou de qualquer índole que possa afetar a segurança das pessoas, a sua honra ou a intimidade da sua vida privada e familiar e a sua própria imagem, salvo se os dados pessoais puderem ser expurgados do documento que os contém, sem perigo de fácil identificação, se houver consentimento unânime dos titulares dos interesses legítimos a salvaguardar ou desde que decorridos 50 anos sobre a data da morte da pessoa a que respeitam os documentos ou, não sendo esta data conhecida, decorridos 75 anos sobre a data dos documentos"; e nos termos do ponto n.º 3 do artigo 17.º estabelece que "os dados sensíveis respeitante a pessoas colectivas, como tal definidos por lei, gozam de proteção prevista no número anterior, sendo comunicáveis decorridos 50 anos sobre a data da extinção da pessoa coletiva, caso a lei não determine prazo mais curto".
  • Veremos, em poste a seguir, que tendo o Agnelo morrido em 1972, portanto há mais de 50 anos, os familiares podem pedir o acesso ao processo.
No portal Casa Comum, da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, não aencontrámos, numa pesquisa rápida,  nenhuma referência ao nome do Agnelo Macedo.

(Pesquisa: LG + Página de Barros Brito + Digitarq «  IA (Gemini IA / Google)
(Condensação, revisão/fixação de texto, itálicos, negritos, título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28077: Casos: a verdade sobre ...(74): A tragédia de Fajonquito, o "Dia Negro" de 2 de abril de 1972, domingo de Páscoa: evocandio duas das suas vítimas, oc ap art Carlos Borges de Figueiredo e o sold Pedro José Aleixo de Almeida (Cherno Baldé, o "Chico de Fajonquito)