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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28356: Lições de artilharia para os infantes (13): as fotos do ex-alf graduado capelão José Torres Neves sobre o obús 14 cm e o pessoal do 29º Pel Art (Mansoa, c. 1970)








Foto nº 1, 1A, 1B, 1C, 1D, 1E








Foto nº 2, 2A, 2B, 2C, 2D, 2E, 2F

Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > c. 1970 >  28º Pel Art (14 c,)


Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar. Melhoradas pela IA (ChatGPT)


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A Foto nº 2, original (*), estava tremida. Foi entretanto  melhorada pela IA (ChatGPT). Agora com uma resolução 4 vezes superior (2,65 MB), foi possível fazer recorte de pormenores interessantes como este último, das granadas e do escovilhão (Foto nº 2F)...

 O escovilhão (ou esfregão de limpeza do tubo), no "jargáo"  técnico militar da artilharia,   é composto por duas partes principais:

(i) cabeça do escovilhão (a peça redonda cilíndrica/oval que se vê em primeiro plano na foto, revestida por cerdas duras ou por uma copa de tecido/lã encorpada); 

(ii) haste ou haste de manobra: o cabo longo em madeira ao qual a cabeça se fixa, permitindo percorrer toda a extensão da alma do tubo do obus, neste caso o obus 14 cm (Vd. Foto nº 1, 1A, 1B)

Funções principais após o disparo: 

(i) limpeza e descarbonização: remover os resíduos de pólvora e depósitos que ficam acumulados nas estrias do tubo); 

(ii) arrefecimento e segurança: quando embebido em água ou numa solução de limpeza, ajuda a arrefecer a alma da peça e a extinguir eventuais restos de bucha ou detritos incandescentes antes de se introduzir o tiro seguinte.



2. São duas fotos do álbum do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). O espólio está à guarda do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço.

Mansoa (Sector Oeste, SO4) começou por ter o 11º Pel Art (8,8 cm) (em 1 de julho de 1969). Um ano depois, já era o 28º Pel Art (14cm) a que se referem estas fotos.

Em 1 de julho de 1971, era o 13º Pel Art (14cm) que guarnecia Mansoa. Continuaria em Mansoa até ao fim da guerra:  fazia parte do dispositivo do Sector O4 em 1 de julho de 1972, em 1 de julho de 1973, e em 10 de abril de 1974.

Como se vê por estas fotos, os artilheiros ficavam muito expostos em caso de flagelação ou ataque ao aquartekamento.As praças dos Pel Art eram do recrutamento local.

Temos escassas referências ao 28º Pel Art. Sabemos muito pouco do seu historial. O mesmo acontece com outros Pel Art. Como, de resto, sabemos pouco da estrutura e funcionamento desta arma da artililharia, o obus 14 cm. Nem inclusive sabemos disitingui-la da peça 11,4 cm.

Estas fotos, agora melhoradas,  são excelentes para aprofundar o nosso conhecimento das armas de artilharia que estiveram ao serviçlo no TO da Guiné (obus 8.8, obus 10,5, peça 11.4, obus 14). Pode ser que algum camarada artilheiro queira prosseguir esta "liçáo de artilharia para infantes" (**) e nos ajude a completar a legendagem das fotos.

(Revisão / fixação de texto: LG)

__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 11 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28339: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXIX: 28º Pel Art (obus 14 cm)


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28354: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XL: a pesca no rio Mansoa








Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > s/d > Pesca do rio Mansoa

Foto do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.


Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

O espólio tem estado à guarda do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 
Com este publicamos o poste nº 40 (em numeração romana, XL). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves, natural de Penamacor.

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presente foto com dois pescadores numa canoa, no rio Mansoa (julgamos que a parelha seja balanta).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre a vila de Mansoa e o antigo setor O4 (Oeste 4), ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).




Imagens melhorados pela IA (ChatGPT). A foto original tinha uma mancha azulada que não foi possível remover manualmente, no quadrante inferior esquerdo. De qualquer modo, temos de reconhecer que os rios da Guiné não espelhavam esta cor azul...


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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28339: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXIX: 28º Pel Art (obus 14 cm)







Foto nº 1, 1A e 1B






Foto nº 2, 2A e B


Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > c- 1970  28º Pel Art (14 c,)


Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). O espólio está à guarda do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço.

Mansoa (Sector Oeste, SO4) começou por ter o 11º Pel Art (8,8 cm) (em 1 de julho de 1969). Um ano depois, já era o 28º Pel Art (14cm) a que se referem estas fotos.

Em 1 de julho de 1971, era o 13º Pel Art (14cm) que guarnecia Mansoa. Continuaria em Mansoa até ao fim da guerra:  fazia parte do dispositivo do Sector O4 em 1 de julho de 1972, em 1 de julho de 1973, e em 10 de abril de 1974.

Como se vê por estas fotos, os artilheiros ficavam muito expostos em caso de flagelação ou ataque ao aquartekamento.As praças dos Pel Art eram do recrutamento local.












A Foto nº 2 (acima) está tremida. Foi entretanto  melhorada pela IA (ChaGPT). Agora om uma resolução 4 vezes superior, 2,65 MB), é possível fazer recorte de pormenores interessantes como este último, das granadas e do escovilhão...

 O escovilhão (ou esfregão de limpeza do tubo), no "jargáo"  técnico militar da artilharia,   é composto por duas partes principais: (i) cabeça do escovilhão (a peça redonda cilíndrica/oval que se vê em primeiro plano na foto, revestida por cerdas duras ou por uma copa de tecido/lã encorpada); (ii) haste ou haste de manobra: o cabo longo em madeira ao qual a cabeça se fixa, permitindo percorrer toda a extensão da alma do tubo do obus, neste caso o obus 14 cm).

Funções principais após o disparo: (i) limpeza e descarbonização (emover os resíduos de pólvora e depósitos que ficam acumulados nas estrias do tubo); (ii) arrefecimento e segurança: quando embebido em água ou numa solução de limpeza, ajuda a arrefecer a alma da peça e a extinguir eventuais restos de bucha ou detritos incandescentes antes de se introduzir o tiro seguinte.


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Nota do editor LG:

sábado, 5 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28322: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVIII: Quartel de Mansoa, porta de armas e vista aérea

 



Foto nº 1, 1A e 1B >  Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > Porta de armas



Foto nº 2, 2A e 2B >  Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) > Porta de armas





Foto nº 3, 3A, 3B e 3A >  Guiné > Região Oeste > Sector O4 > Mansoa > BCAÇ 2885 (1969/71) >  Vista aérea


Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação ão da publicação  do álbum 
fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). O espólio está à guarda do nosso amigo e camarada, o médico Ernestino Caniço.
 
O aquartelamenmto de Mansoa foi construído de raiz pelo BENG 447, como se vê pela tipologia das edificações (casernas), que eram iguais em toda a parte...

Sgundo comentário do Ernestino Caniço,  na foto nº 1, o oficial que se vê  de costas a receber honras militares, à sua passagem pela porta de armas, seria o 2.° Cmdt do BCAÇ 2885, o maj inf Valentino Diniz Tavares Galhardo.

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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P28321: Fichas de unidade (42): BCaç 2885 (Mansoa, 1969/71), e suas unidades de quadrícula, CCAÇ 2587, CCAÇ 2588 e CCAÇ 2589


Presumivelmente, o ten cor inf João Pedro do Carmo Chaves de Carvalho,
 cmdt do BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)



Guiné > Região do Oio > BCAÇ 2885 (1969/71 >  s/d >  Comandante, capitão e 1º sargento (presume-se que seja o cmdt do BCAÇ 2885, o cmdt da CCS, cap SGE Abílio do Nascimento Castro,  e o 1º srgt, cujo nome se desconhece.

Foto do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar, CCS/BCAC 2885 (1969/71).

Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]





Fichas de unidade > Batalhão de Caçadores nº 2885

Identificação:  BCaç 2885

Unidade Mob: RI 15 - Tomar

Cmdt: TCor Inf João Pedro do Carmo Chaves de Carvalho | 2.° Cmdt: Maj Inf Valentino Diniz Tavares Galhardo | OInfOp/Adj: Maj Inf Alfredo José

Cmdts Comp:

CCS: Cap SGE Abílio do Nascimento Castro

CCaç 2587: Cap Mil Art Lourenço Gomes de Campos

CCaç 2588: Cap Inf Fernando do Amaral Campos Sarmento | Cap Inf Luís da Piedade Faria | Cap Mil Art Armando Vieira dos Santos Caeiro

CCaç 2589: Cap Inf Francisco António Mendonça Martins Vicente | Cap Mil Art Jorge Manuel Simões Picado

Divisa: "Nós Somos Capazes"

Partida: Embarque em 07Mai69; desembarque em 13Mai69 | Regresso: Embarque em 25Fev71

Síntese da Actividade Operacional

Em 14Mai69, rendendo o BCaç 1912, assumiu a responsabilidade do Sector 04, com sede em Mansoa e abrangendo os subsectores de Porto Gole e Mansoa. 

Em 230ut69, por extinção do Sector 03, a zona de acção foi aumentada do subsector de Mansabá, o qual lhe foi novamente retirado em 11Nov70, após reactivação do COP 6. 

Em 290ut69, o subsector de Porto Gole, foi reduzido da área de Enxa1é, que passou a ser integrada no sector do BCaç 2852. 

Em 15Nov69, por ajustamento do dispositivo, foi criado o subsector de JuguduI. As suas subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do batalhão.

Desenvolveu intensa actividade operacional, efectuando numerosas operações e acções, golpes de mão, emboscadas, escoltas e patrulhamentos. 

Colaborou ainda na protecção e segurança dos movimentos das colunas de transporte dos meios de pavimentação e asfaltagem da estrada Mansabá-Farim e na segurança e protecção dos aldeamentos e organização dos sistemas de autodefesa e promoção sócioeconómica das populações.

Dentre o armamento capturado mais significativo, salienta-se: 

3 metralhadoras pesadas, 1 pistola-metralhadora, 8 espingardas e 28 granadas de armas pesadas e 50 minas detectadas e levantadas.

Em 14Fev71, foi rendido no Sector 04 pelo BCaç 3832 e recolheu a Bissau para embarque.

***

A CCaç 2587 seguiu em 14Mai69 para Mansoa, a fim de render a CCaç 1686 e assumir a responsabilidade do mesmo subsector, com destacamentos em Uaque, Rossum, Bindoro e Jugudul

Em 15Nov69, por criação do subsector respectivo, a sede da subunidade foi transferida para Jugudul, mantendo os destacamentos de Uaque, Rossum e Bindoro e sendo substituída em Mansoapela CCaç 2588. 

Em 15Jan70, por troca com a CCaç 2588, regressou a Mansoa, com a missão de intervenção e reserva do sector, onde se manteve até 04Mai70, sendo substituída pela CCaç 15, tendo actuado em diversas operações realizadas nas regiões de Locher, Bindoro e Polibaque, entre outras, e escoltas a colunas.

Em 05Mar70, rendendo a CArt 2411, assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com um destacamento em Bissá.

Em 17Fev71, rendida pela CCaç 3303, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

***

A CCaç 2588 seguiu em 14Mai69 para Mansoa, a fim de render a CCaç 1685, ficando em missão de intervenção e reserva do sector, tendo actuado em diversas operações realizadas nas regiões de Locher, Changalana, Benifo, Ponta Bará e Namedão, entre outras, e escoltas a colunas. 

Em 15Jan70, por troca com a CCaç 2587, assumiu a responsabilidade do subsector de Jugudul e seus destacamentos de Uaque, Rossum e Bindoro.

Em 15Fev71, rendida pela CCaç 2304, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

***

A CCaç 2589 seguiu em 14Mai69 para Mansoa, a fim de render a CCaç 1684, destacando efectivos para Braia e Cutia. 

Em 27Nov70, a sede da companhia foi transferida para Cutia, para protecção e segurança dos movimentos na estrada Mansoa-Mansabá.

Em 15Fev71, rendida pela CCaç 3305, recolheu a Bissau, a fim de aguardar o embarque de regresso.

Observações -  Tem História da Unidade (Caixa n.º 110 - 2ª Div/4ª  Sec, do AHM\

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 133/134

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 11 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28173: Fichas de unidades (41): CART 2384, "Leões do Norte" (Contuboel, Saliquinhedim / K3, Jumbembém, Farim, 1968/1970)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28146: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVII: Ramadão de 1970: celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 8 a 14)



Foto nº 8 e 8A
 

Foto nº 9






Foto nº 10, 10A, 10B, 10C e 10 D





Fotos nº 11, 11A, 11B, 11C


Foto nº 12


Foto nº 13 E 13A




Foto nº 14, 14A e 14B

Guiné > Região do Oio > Mansoa > 30 de novembro de 1970 > Celebração do Korité (ou Eid al-Fitr, em árabe) que marca o fim do Ramadão (o mès sagrado). Homens, mulheres e crianças participam segundo os costumes locais, formando grupos distintos. Militares e civis portugueses assistem à festa como observadores, num raro testemunho fotográfico da convivência entre a administração portuguesa e a população muçulmana da vila, em plena guerra (*).

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação de um lote de 14 fotos ("slides" digitalizados) do alferes graduado
capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pretenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71)


De um modo geral, estas imagens são muito interessantes (embora já comuns no nosso blogue), quer do ponto de vista etnográfico, quer histórico. O padre José Torres Neves revela aqui a sua empatia, capacidade de observação participante, espírito ecuménico e sensibilidade sociocultural.

Em 1970, Mansoa encontrava-se relativamente segura, embora a guerra estivesse bastante próxima. Estamos na região Oio. Mas ia-se, com relativa segurança, de Bissau a Mansoa (c. 60 km). E nunca houve, praticamenmet, nenhuns casos muito graves de terrorsimo urnavo (com exceção de Farim enm 1965 e depois em Bissau, já no fim da guerra).

É significativo que uma festa muçulmana pudesse decorrer com esta dimensão pública, e sem nenhum dispositivo militar de segurança.  Estas imagens podiam ser usadas pelas NT contra a propaganda do PAIGC...

Também mostram, pro outro lado,  que as autoridades portuguesas, incluindo os capelães militares como o padre José Torres Neves, assistiam frequentemente às festividades religiosas das populações locais, num espírito de convivência e observação que muitos deles registaram em fotografia (como é o caso dos nossos camaradas Abílio Duarte,  António Marreiros, Armando Fonseca, Armando Oliveira, Arménio Estorinho, Jorge Pinto, José Carvalho, Luís Mourato Oliveira, Vasco da Gama) e/ou em cmentários e observações como os  nossos amigos Cherno Baldé e Cataraina Meireles. entre outros.


2. Sobre algumas destas fotos pode acrescentar-se o seguinte:

Fotos nº 8 e 10:  As mulheres e crianças participam, mas à parte. Os "tugas", curiosos, misturam-se também com os crentes. A Fotio nº 8  mostra um pequeno grupo de mulheres muçulmanas, quase todas envoltas em grandes panos brancos. 

Esse branco  (nas vestes de mulheres e homens) tem um significado simbólico importante: é a cor da pureza, da alegria religiosa e da festa. Muitos terão vestido a sua melhor roupa para o Korité (ou Eid al-Fitr), assinalando o fim do Ramadão. Sob o pano branco veem-se vestidos coloridos, como o da mulher em primeiro plano, revelando o gosto africano pelos tecidos estampados.

É interessante notar que os rostos permanecem descobertos. Isso corresponde aos costumes locais da Guiné-Bissau, onde, mesmo entre Mandingas e Fulas muçulmanos, nunca foi habitual o uso do véu integral como noutras regiões do mundo islâmico.(Mas já vemos hoje no Gabu sinais do regersso do fundamentalismo religioso, pelo menos a nível do vestuário feminino.)

Já na foto nº 1 e 2 do poste anterior (*),a separação dos grupos é ainda mais evidente. Essa disposição não significa propriamente uma segregação  socioespacial rígida, mas antes o respeito pelas normas sociais e religiosas da época. Nas cerimónias públicas, sobretudo depois da oração, homens e mulheres tendiam naturalmente a formar grupos distintos, embora todos participassem na mesma festividade.

Vejam-se tambéma as res stantes fotos nº 9, 10, 11, 12, 13 e 14:
  • homens sentados ou reunidos,  muitos vestidos de branco;
  • mulheres agrupadas um pouco mais atrás, formando um conjunto próprio;
  • crianças circulando livremente entre os adultos;
  • e, ao fundo, alguns militares e civis portugueses observando discretamente ou fotografando (fotos nº 10, 11, 13).

Na Foto nº 13, está o César Dias, fur mil trms da CCS (de camisinhja branca e ósiuclos escuros), mais o  Américo Caetano fur mi,l  da CCAÇ 2587/BCAÇ 2885 (Mansoa, Jugudul, Mansoa, 1969/71).
 
É um pormenor curioso, a  atitude dos "tugas"... Não há ali qualquer sinal de tensão. Pelo contrário, parecem simples espectadores, quase "turistas".  Alguns usam camisa de manga curta, outros óculos de sol, e misturam-se com naturalidade entre a população. Em Mansoa, em 1970, isso era ainda possível. Apesar da guerra estar presente na região, o núcleo urbano continuava a manter uma vida social relativamente aberta, permitindo este tipo de contacto. 

Também a arquitetura merece referência. As casas circulares de cobertura de colmo coexistem com edifícios de planta retangular e cobertura metálica, mostrando uma Mansoa em transição entre a construção tradicional e a influência urbana trazida pela administração colonial.

 Destaque para a foto nº 14, e os comentários já aqui produzidos pelo Cherno Baldé, em 2023  (ao poste P24207)(**):

(...) "Na parte final da reza tem lugar o que chamam de 'Cutuba' ou Sermão com a participação de um grupo seleto de discíplos e pessoas dedicadas a causa da religião na comunidade, todos do sexo masculino, durante o qual é revisitada a longa história do Islão dos primórdios a actualidade, incluindo partes do período Judaico e dos textos do antigo testamento do Cristianismo com particular destaque as peripécias do antes, durante e após a fuga dos Hebreus do Egipto e a épica ou mitológica travessia do Mar Vermelho com o Profeta Moisés (Mussa,  para os Árabes) a frente da nação rumo ao deserto do Sinaí e que culmina com a vida e obra do Profeta Muahammad.

Esta parte é a mais importante, mas também é a mais monótona e menos interessante para a rapaziada que já está com os sentidos voltados para as comidinhas que, entretanto, estariam a preparar em casa de maneiras que, não raras vezes, só ficam os mais velhos a acompanhar esta longa narrativa prenhe de recomendações dogmáticas sobre a religião, a vida em comum e a necessidade e fundamentos da preservação dos ensinamentos e da tradição islámicas, a bem da comunidade" (...). (**)

No conjunto, estas imagens têm um valor documental notável. Não retratam apenas uma cerimónia religiosa: mostram a convivência, durante a guerra, entre uma população maioritariamente muçulmana e militares portugueses que assistem, como vizinhos, convidados ou curiosos, sem interferirem na celebração. São um testemunho raro de um quotidiano que a historiografia militar nem sempre regista, mas que ajuda a compreender a complexidade das relações humanas na Guiné daqueles anos. E mais: têm um valor ecuménico, numa época em que crescem os sinais de islamofobia.