À memória de José António Paradela (1937-2023):
Meu querido, os teus escritos
continuam a surpreender-nos.
Que ternura este poema
sobre o teu gato da infância.
E, com ele, ressuscitas
o pátio onde cresceste,
Que ternura este poema
sobre o teu gato da infância.
E, com ele, ressuscitas
o pátio onde cresceste,
e a tua mágica “rua suspensa dos olhos”.
As saudades destes 3 anos pesam,
As saudades destes 3 anos pesam,
mas a (re)descoberta
das tuas singularidades
continua a emocionar-nos.
Matilde & família.
Em pequeno eu tinha um gato,
Fofo gatinho amarelo
A quem fazia carícias,
Passando a mão p’lo pelo.
Fofo gato, Gatafunho
O nome com que viveu,
Adotado à nascença,
Nos anos em que foi meu.
Com ele aprendi o R,
No ronronar satisfeito,
Quando à noitinha dormia,
Deitado sobre o meu peito.
Felis Catus, meu filósofo
Da vida como ela é,
Em se sentindo carente,
Vinha roçar no meu pé.
E quando a fome apertava,
Lá no pátio da ti Cila (**),
Esperava por ela às quatro,
No seu regresso da vila.
Senhora certa da Praça,
Mãe de filhos e de gatos,
No esmalte da sua taça
Carrega peixes baratos.
E o meu gato amarelo,
Pelas quatro horas da tarde
Boceja e lambe o pelo,
Sabe que a Cila não tarda.
Correndo então beco fora,
Entoando o seu miau,
Na taça só via agora
Prenúncios de carapau.
Três carapaus e cabozes
Que sobraram do leilão,
E que eram, tantas vezes,
A primeira refeição.
Assim cresceu o meu gato
No fim dos anos quarenta,
Tinha eu então nove anos
E tinha ele noventa.
Sábio bicho de bigode,
Rei de gatas e de muros,
Que encheu enquanto pôde
Os meus sonhos mais maduros.
Sete vidas e um império,
Sete fôlegos de aventura,
Fugaz sombra de mistério
Que inda hoje perdura.
Na clara mansão da Lua,
Em um janeiro gelado,
Uma gata lá da rua
Mudou de vez o seu fado.
E o meu gatinho amarelo,
Gato que alguém me ofereceu,
Um dia partiu de casa
E nunca mais apareceu.
José Paradela | Costa Nova | Agosto de 2005
Matilde & família.
Costa Nova, 21 de fevereiro de 2026
EM PEQUENO
EU TINHA UM GATO (*)
Em pequeno eu tinha um gato,
Fofo gatinho amarelo
A quem fazia carícias,
Passando a mão p’lo pelo.
Fofo gato, Gatafunho
O nome com que viveu,
Adotado à nascença,
Nos anos em que foi meu.
Com ele aprendi o R,
No ronronar satisfeito,
Quando à noitinha dormia,
Deitado sobre o meu peito.
Felis Catus, meu filósofo
Da vida como ela é,
Em se sentindo carente,
Vinha roçar no meu pé.
E quando a fome apertava,
Lá no pátio da ti Cila (**),
Esperava por ela às quatro,
No seu regresso da vila.
Senhora certa da Praça,
Mãe de filhos e de gatos,
No esmalte da sua taça
Carrega peixes baratos.
E o meu gato amarelo,
Pelas quatro horas da tarde
Boceja e lambe o pelo,
Sabe que a Cila não tarda.
Correndo então beco fora,
Entoando o seu miau,
Na taça só via agora
Prenúncios de carapau.
Três carapaus e cabozes
Que sobraram do leilão,
E que eram, tantas vezes,
A primeira refeição.
Assim cresceu o meu gato
No fim dos anos quarenta,
Tinha eu então nove anos
E tinha ele noventa.
Sábio bicho de bigode,
Rei de gatas e de muros,
Que encheu enquanto pôde
Os meus sonhos mais maduros.
Sete vidas e um império,
Sete fôlegos de aventura,
Fugaz sombra de mistério
Que inda hoje perdura.
Na clara mansão da Lua,
Em um janeiro gelado,
Uma gata lá da rua
Mudou de vez o seu fado.
E o meu gatinho amarelo,
Gato que alguém me ofereceu,
Um dia partiu de casa
E nunca mais apareceu.
José Paradela | Costa Nova | Agosto de 2005
Publicado no Ilhavense, jornal centenário, 15 de fevereiro de 2026, pág. 22
(*) Último poste da série > 28 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27780: Coisas & loisas do nosso tempo de meninos e moços (38): O Fígaro, um dos cromos do Liceu D. João III, em Coimbra (Rui Felício, 1944-2026)
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Notas do editor LG:

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