
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 23 de Janeiro de 2026:
Queridos amigos,
Só a posição em si é um deslumbramento, lá em cima o Castelo dos Mouros, na grande varanda desfruta-se do espetáculo da Quinta da Regaleira à esquerda e um pouco da vila de Sintra à direita. É tudo aprazível em termos de arborização desde a cascata dos plátanos até ao Palácio, da primavera para o verão deve ser um espetáculo no jogo de cores caleidoscópico, todo aquele arvoredo exótico a dialogar com os fetos arbóreos, os plátanos. As obras de conservação e restauro revelam-se magníficas, o Palácio, cuja construção esteve a cargo de um dos nomes sonantes da época, contou com a colaboração de Luigi Manini e um entalhador de nome sonante, Leandro de Souza Braga; e há, como é inevitável, alguns acepipes para aficionados do esoterismo, cabala e ramos afins com o que se pode especular da Capela templária e da Câmara iniciática. Asseguro que ninguém sairá desta visita decepcionado. Boa visita.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (246):
O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um parque de sonho - 2
Mário Beja Santos
Quem gosta de obras românticas de grande aparato, o Palácio Biester, que alguns tratam por chalé, satisfaz plenamente os aficionados mais exigentes. O Palácio está no ponto alto de um Parque de indiscutível beleza. Era, para a época, uma proeza paisagística, uma conceção com um elevadíssimo grau de dificuldade, com espaços que aparecem designados no mapa que se oferece ao visitante com nomes tais como Cascata das Camélias, Ponte dos Fetos Australianos, Passeio Bordallo Pinheiro, Largo dos Fetos Australianos ou Tanque dos Plátanos.
É andando no interior deste Palácio, contemplando as panorâmicas, quer as do parque em si, quer o desfruto de olhar à esquerda o edifício mais significativo da Quinta da Regaleira e à direita a vila de Sintra, que se sente na perfeição a integração do Palácio no parque, a grande variedade de exemplares exóticos, e mesmo na caminhada obrigatória entre a Cascata dos Plátanos e o Palácio ver como resultou em cheio este desenho em declives quase labirínticos, obra do paisagista francês François Nogré que foi construindo o jardim com uma série de patamares com diferentes vistas para o Palácio, o resultado é a variedade de cenários e de cromáticas com um aproveitamento estético da beleza natural do declive e dos cursos de água. Referi no número precedente ao leitor o deslumbramento da nogueira-do-Japão, das garbosas faias, os altíssimos plátanos, os fetos arbóreos, e andei à procura de uma árvore nativa da América do Norte e das regiões montanhosas do México a Liquidâmbar, que no outono pode adquirir uma fabulosa miríade de cores. Saí do Palácio por instantes só para vos mostrar este cenário florestal ímpar.
Não sei como é o jardim do Éden, mas no caminho entre o passeio Bordallo Pinheiro, o lago dos Fetos Australianos há um ajardinamento onde despontam palmeiras, sabe-se lá o que me passou pela cabeça, até imaginei que estava nos palmares de Gambiel ou Chicri, no meu regulado do Cuor, no Centro-Leste da Guiné.
Regresso ao interior, não tirei esta imagem ao acaso, no Palácio Biester trabalhou um artista de nomeada, Leandro de Sousa Braga, os seus arcos ogivais ornamentais de desenho neogótico são insuperáveis, e veja-se o entalhamento da cimalha para o teto.
Há soberbas pinturas nas paredes e no teto, figuras angélicas de Paul Baudry, e Luigi Manini, cenógrafo reputado de profissão deixou aqui vegetalismos que conferem ao espaço uma atmosfera onírica que nos remete para o romantismo no seu expoente máximo.
Obras de Luigi Manini, sempre presente pelos seus magníficos trabalhos conferem um estreito diálogo entre o neogótico das decorações com a arquitetura.
Como se disse anteriormente, o construído no rés-de-chão é eminentemente espaço de convívio social, abra-se exceção para a biblioteca, o primeiro andar é área dos aposentos e também da Capela, chamemos-lhe uma Capela Templária, talvez devido à presença dos Cavaleiros Templários na história de Sintra. No teto, a Capela mostra as mais soberbas pinturas de todo o Palácio, dois anjos atribuíveis a Paul Baudry.
Escadaria principal do Palácio Biester, foi na totalidade realizada em madeira, é uma construção entalhada e vazada de Leandro de Sousa Braga, vejam-se os arcos ogivais ornamentais de desenho neogótico.
Aproximei-me de uma janela para bisbilhotar o parque, é a luz do entardecer, daí os dois tons de verde e lá no alto o Castelo dos Mouros.
Um arco gótico na janela onde se avista esfumado uma lembrança do parque
Estamos na Câmara iniciática. Seguindo a legenda aqui patente, este é um local profundamente ligado à ideologia religiosa que domina toda a conceção do Palácio Biester, sendo que, juntamente com a Capela, se encontra conectado com a sua prática, através da iniciação do individuo a uma Ordem sacra Templária. Trata-se de uma pequena divisão totalmente dividida em pedra, que apresenta um teto abobadado e, na parede imediatamente à frente de quem entra, uma janela à maneira de um altar medieval rudimentar, que em galgando nos dá acesso a uma bifurcação de túneis, cuja saída vai dar aos jardins do Palácio. A estrutura foi delineada tendo como base modelos de santuários medievais, nos quais as paredes em pedra despida, de construção em abóbada com arcos, eram inspiradas pelos santuários cristãos da antiga cidade de Jerusalém. A modéstia desta camara iniciática, onde o voto de pobreza do aspirante observava os mandamentos originais, à imagem da Terra Santa com a riqueza da Capela neogótica do Palácio.Estamos de novo cá fora, ainda houve intenção de ir até ao miradouro do Castelo, e depois visitar o miradouro das Descobertas, optou-se pelo Lago dos Fetos Australianos. Este feto arbóreo australiano, segundo consta na brochura, é uma das espécies mais elegantes do parque Biester, tendo sido integrada pelo paisagista François Nogré com o objetivo de difundir alguns exotismos em determinadas zonas da propriedade, e aquela queda de água vem mesmo a propósito deste parque romântico em que o paisagista foi bastante feliz no aproveitamento dos declives e dos cursos de água.
Despedimo-nos com uma visita às instalações onde convivia o pessoal entre criadagem e cozinheiros. Anda-se por aqui a pensar nas comédias britânicas de downstairs e upstairs, está tudo conservado e recuperado e, confesso bem alindado, até podemos imaginar os comentários dos que conviviam cá em baixo ou os modos de ser dos multimilionários que habitavam entre os salões e os aposentos privados.
Impossível, perante tanta beleza e a qualidade de recuperação do Palácio de Biester não deixar de sugerir uma visita a património de edifício e parque tratado com cuidados requintados e com um restauro de primeiríssima classe.
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Nota do editor
Último post da série de 28 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27781: Os nossos seres, saberes e lazeres (724): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (245): O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 1 (Mário Beja Santos)














1 comentário:
Visitei o Palácio Nacional de Sintra, o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena, o Palácio da amante do Rei (condessa de Elba?) e gostei de ver a fotografia com as escadas e as paredes de pedra, a câmara iniciàtica associada ao ritual da Ordem do Templo, mas não conheço o Palácio de Biester.
É uma cidade com história mas não gostei da alimentação da cidade de Sintra.
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