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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28449: Em bom português nos entendemos (35): Quem disse que burro velho não aprende línguas ? (Em tétum, de Timor-Leste: "Kuda-burru katuas la aprende lian" ou "«Katuas ona, aprende susar")


Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 18 de março de 2018 > Inauguração da Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > O João Crisóstomo e o Rui Chamusco: ninguém tem a lata de chamar-lhes os nossos Dom Quixote e Sancho Pancha... Ser solidário, neste mundo cínico, hipócrita e sacana, é tudo menos lutar contra moinhos de vento, e enfrentar inimigos imaginários ou obstáculos inexistentes, gastando energia e fazendo esforços em vão. Bem, pelo contrário, é lutar contra a inércia  da grande maioria, a preguiça de muitos, o cinismo de bastante e a prepotência de alguns, em prol da resolução dos problemas concretos de quem precisa de coisas tão elementares como a saúde de e a educação. Como as crianças das montanhas de Liquiçá. Palmas para o João e o Rui e para a ASTIL (Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste), que eles representam aqui no nosso blogue. Podiam estar no conforto dos seus lares, a gozar a sua reforma...mas, não, ainda andam metidos "nestas guerras de bem-querer e bem-fazer"...

Foto (e legenda): © João Crisóstomo (2018). Todos os direitos reservados

[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 22 de março de 2025>   7º aniversário da ESFA  > O 1º ministro da República Democrática de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, acompanhado do administrador do município de Liquiça, Rogério dos Santos,  faz uma visita-surpresa  à Escola de São Franscisco de Assis, em Boebau / Manatti, município de Liquiçá, é recebido pelo Rui Chamusco ("avô Rui"), português, dirigente  da ASTIl, e nosso grão-tabanqueiro, e pelo coordenador da escola João de Araújo Moniz Sobral  ("Eustáquio"), aqui conhecido como "Pai  Nino".

Imagens da Média - GPM / RDTL (República Democrática de Timor-Leste, com a devida vénia)... Fonte:  Página do Facebook do 1º Ministro da RDTL, Kay Rala Xanana Gusmão

1.  Enquanto os timorenses estão a fazer um grande esforço por aprender português (desde miúdos, na escola), nós,  podemos igualmente ter, aqui em Portugal, pelo menos, a "curiosidade" de  conhecer, um pouco melhor,  a "língua franca" que é o tétum,   de resto língua oficial, a par do português, da República Democrática de Timor-Leste.

Tal como a Guiné-Bissau, Timor Leste tem uma grande diversidade linguística...Veja-se aqui , a propóstito  um vídeo, no Tiktoc, do Marcos Neves >  23/2/2025 > As Línguas de Timor.  (Marcos Neves é autor de um conhecido e já popular programa, na RTP1, "A  Língua Que  Nos Une".)

O tétum é apenas uma das duas dezenas de línguas  faladas no território (que tem c. de 15 km quadrados, menos de metade da superfície da Guiné-Bissau). É língua oficial, juntamente com o português, enquanto que o indonésio e o inglês são línguas de trabalho.  

O tétum "não é um crioulo de base lexical portuguesa".

O tétum (especialmente o tetun-prasa, a variedade mais falada como língua franca) absorveu um grande número de palavras de origem portuguesa devido aos séculos de colonização e à influência da Igreja Católica.

O tétum não difícil de aprender para um falante da língua portuguesa. Mas é importante saber que, apesar do vernáculo emprestado do português, a estrutura gramatical e a base do tétum pertencem à família das línguas austronésias (com influências malaia): a sintaxe, a formação de frases e a lógica da língua funcionam de maneira totalmente diferente do português.

E, a propósito, há um ano e tal não consegui arranjar maneira de traduzir para português a notícia da visita do 1º ministro Xanana Gusmão à Escola de São Francisco de Assis (ESFA), nas  montanhas de Liquiçá. Por ocasião do seu 7º aniversário. 

Recorde-se que  é uma escola do ensino primário e pré-primário fundada  em 2018 pela ASTIL - Associação dos Amigos Solidários  Com Timor Leste, de que fazem parte amigos nossos (e membros da Tabanca Grande) como o Rui Chamusco e o João Crisóstomo.

A título de curiosidade, compare-se esta notícia em tétum da vista do Xana Gusmão à ESFA, em 22/3/2025, com a tradução para português que conseguimpos fazer recorrendo à IA (ChatGPT / Open AI).

Nesta notícia faz-se referência a duas "personagens" já nossas conhecidas (cróncias sobre Timor-Leste): "Avô ou Abô Rui" (Rui Chamusco), cofundador e líder da ASTIL,  e "Pai Nino" (João  de Araújo Moniz Sobral, mais conhecido por "Eustáquio", irmão mais novo de Gaspar Sobral, luso-timorense, também cofundador e dirigente da ASTIL,. com sede em Coimbra).

𝐄𝐒𝐊𝐎𝐋𝐀 𝐒A𝐎 𝐅𝐑𝐀𝐍𝐂𝐈𝐒𝐂𝐎 𝐃𝐄 𝐀𝐒𝐒𝐈𝐒 𝐄𝐙𝐈𝐒𝐓𝐄 𝐓𝐈𝐍𝐀𝐍 𝐇𝐈𝐓𝐔, 𝐏𝐌 𝐗𝐀𝐍𝐀𝐍𝐀 𝐀𝐆𝐑𝐀𝐃𝐄𝐒𝐄 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐄𝐒𝐎́𝐑 𝐍𝐀𝐈’𝐍-𝐋𝐈𝐌𝐀 𝐕𝐎𝐋𝐔𝐍𝐓𝐀́𝐑𝐈𝐔 𝐇𝐀𝐍𝐎𝐑𝐈𝐍 𝐄𝐒𝐓𝐔𝐃𝐀𝐍𝐓𝐄

LIQUIÇA, 22 Marsu 2025

A Escola São Francisco de Assis existe há sete anos. O primeiro-ministro Xanana agradece aos cinco professores voluntários que ensinam gratuitamente

Liquiçá, 22 de março de 2025

Primeiru-Ministru (PM), Kay Ral Xanana Gusmão agradese ba profesór foin-sa’e Timor-oan na’in lima (5) kompostu hosi feto tolu no mane rua ne’ebé ho de’it diploma sekundáriu voluntáriu tinan hitu ona fahe matenek ba estudante sira iha eskola São Francisco de Assis, Liquiça.

O primeiro-ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, agradeceu a cinco jovens professores timorenses — três mulheres e dois homens — que, dispondo apenas do ensino secundário, há já sete anos dão voluntariamente aulas aos alunos  da Escola São Francisco de Assis, em Liquiçá.

Apresiasaun ne’e Xefe Governu hato’o bainhira hala’o vizita supreza hodi partisipa selebrasaun aniversáriu Eskola São Francisco de Assis “Paz e Bem” iha Aldeia Hatumasi, Suku Leotala, Postu Administrativu Liquiça, Munisípiu Liquiça, sábadu (22/03/2025).

O chefe do Governo manifestou este reconhecimento durante uma visita-surpresa à escola, por ocasião da celebração do aniversário da Escola São Francisco de Assis, cujo lema é «Paz e Bem», situada na aldeia de Hatumasi, suco de Leotala, posto administrativo de Liquiçá, município de Liquiçá, no sábado, 22 de março de 2025.

Vizita supreza ne’e PM Xanana halo hafoin simu karta ne’ebé hakerek hosi Fundadór Eskola São Francisco de Assis, Rui Fernandes Manuel Chamusco dirije bá PM Xanana hodi relata prokupasaun ne’ebé estudante no inan-aman sira hasoru.

 A visita-surpresa do Chefe do Governo  teve lugar depois de ter recebido uma carta do fundador da Escola São Francisco de Assis, "Paz e Bem", Rui Fernandes Manuel Chamusco, na qual este lhe dava conta das preocupações e dificuldades enfrentadas  pelos alunos e pelos seus pais

Eskola ne’e harii hosi Associação dos Amigos Solidários com Timor Leste (ASTIL-Portugál), iha tinan 2019 ho sala aula tolu, haris-fatin ida, ne’ebé inaugura iha loron 10 fulan-Marsu hosi fundadór ASTIL, João Crisóstomo e Criança de Boebua, eskola ne’e harii ho intensaun ajuda estudante sira iha área rurál asesu ba edukasaun ho besik liután.

A escola foi fundada, em 2019, pela Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste (ASTIL-Portugal). Inicialmente, dispunha de três salas de aula e de uma instalação sanitária. Foi inaugurada a 10 de março pelo fundador da ASTIL, por João Crisóstomo e  pelas Crianças de Boebau. A sua criação teve como objetivo ajudar os alunos das zonas rurais a terem um acesso mais próximo à educação.

“𝐇𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐭𝐚𝐧𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐤𝐨𝐥𝐚 𝐬𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚 𝐭𝐢𝐧𝐚𝐧-𝐡𝐢𝐭𝐮, 𝐡𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝𝐞𝐬𝐞 𝐛𝐚 𝐀𝐯ó 𝐑𝐮𝐢 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐂𝐡𝐚𝐦u𝐬𝐜𝐨 𝐡𝐨 𝐧𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐮𝐤 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛𝐞é 𝐡𝐨 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭, 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐚𝐣𝐮𝐝𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐮 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧. 

"𝐇𝐚’𝐮 𝐦ó𝐬 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐛𝐚 𝐏𝐚𝐢 𝐍𝐢𝐧𝐨 (𝐉𝐨ã𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐚ú𝐣𝐨) 𝐡𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬𝐨𝐫𝐚 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐥𝐮𝐚𝐤 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐡𝐚𝐫𝐞𝐞 𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐮. 𝐒𝐞́ 𝐡𝐨 𝐯𝐨𝐥𝐮𝐧𝐭á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐦𝐚𝐤𝐚, 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫-𝐨𝐚𝐧 𝐡𝐨𝐭𝐡𝐨𝐭𝐮 𝐛𝐞𝐥𝐞 𝐤𝐨𝐧𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢’𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐫𝐚𝐢𝐧,” PM Xanana hateten.

«Vim juntar-me a vós para celebrar os sete anos da vossa escola. Vim também agradecer ao avô Rui Fernandes Manuel Chamusco e aos seus companheiros, que, com grande coragem e determinação, têm ajudado o nosso Governo a proporcionar educação e a preparar os nossos filhos através do ensino. 

"Quero igualmente manifestar o meu reconhecimento ao Pai Nino (João de Araújo) e aos professores e professoras que trabalham arduamente para construir o futuro dos nossos filhos. Mesmo sendo voluntários, estes professores timorenses estão a contribuir de forma muito significativa para o desenvolvimento do nosso país», 
afirmou o primeiro-ministro Xanana.

Xefe Governu haktuir, Ministériu Edukasaun rezolve hela problema edukasaun no problema profesór sira. Maibé iha área rurál hanesan iha Aldeia Hatumasi profesór sira hanorin voluntáriu tinan hitu ona, nunka reklara sira-nia direitu más sakrifika a’an atu hanoin de’it oinsá mak fahe sira-nia matenek ba estudante sira nia futuru, no ida ne’e asaun fraternidade importante ida.

O chefe do Governo acrescentou que o Ministério da Educação está a trabalhar para resolver os problemas do sistema educativo e as dificuldades dos professores. Contudo, em zonas rurais como a aldeia de Hatumasi, há professores que ensinam voluntariamente há sete anos, sem nunca reclamarem os seus direitos, sacrificando-se e preocupando-se apenas em transmitir os seus conhecimentos aos alunos, para que estes tenham um futuro melhor. Trata-se, sublinhou, de um importante ato de fraternidade.

PM Xanana ne’e apela ba estudante sira atu badinas estuda, mezmu sira iha área rurál hasoru dezafiu oin-oin. 

Xanana Gusmão apelou ainda aos alunos para que se empenhassem nos estudos, apesar dos vários desafios que enfrentam por viverem numa zona rural.

Iha ámbitu ne’e, PM Xanana orienta estudante sira kanta múzika Hino Nasionál “Patria-Patria” no fahe livru ba estudante, dosi, bebida ba estudante inklui inan no aman sira.

Neste contexto, o primeiro-ministro orientou os alunos a cantarem o hino nacional, «Pátria, Pátria», e distribuiu livros, doces e bebidas pelos estudantes, incluindo também os pais presentes.

Iha biban hanesan, Koordenadór Eskola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral agradese ba prezensa Xefe Governu ne’ebé hakat ona to’o sira-nia fatin hodi haree no rona rasik preokupasaun ne’ebé sira hasoru.“

Na mesma ocasião, o coordenador da Escola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral, agradeceu a presença do chefe do Governo, que se deslocou pessoalmente àquele local para conhecer e ouvir diretamente as preocupações e dificuldades que a comunidade escolar enfrenta.

 "𝐀𝐯ó X𝐚𝐧𝐚𝐧𝐚 𝐦𝐨𝐬𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐝𝐞𝐫𝐞𝐩𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐬𝐮𝐩𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐛𝐚 𝐢𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐯𝐮 𝐧𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐮𝐝𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐬𝐮𝐬𝐚𝐫 𝐛𝐚 𝐛𝐮𝐚𝐭 𝐡𝐨𝐭𝐮-𝐡𝐨𝐭𝐮. 𝐀𝐦𝐢 𝐧𝐚’𝐢𝐧-𝐥𝐢𝐦𝐚 𝐡𝐨 𝐝𝐢𝐩𝐥𝐨𝐦𝐚 𝐬𝐞𝐤𝐮𝐧𝐝á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐨 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐭𝐮 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐞 𝐫𝐚𝐢 𝐢𝐝𝐚 𝐧𝐞’𝐞 𝐥𝐢𝐥𝐢𝐮 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐬𝐚𝐢 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐧𝐞𝐤,” João de Araújo hateten.

«A chegada inesperada do avô Xanana foi uma enorme surpresa para a nossa população e para os alunos, que enfrentam muitas dificuldades. Somos cinco professores, com apenas o diploma do ensino secundário, mas queremos desenvolver esta terra,  preparando e educando as crianças  
para que adquiram cada vez mais conhecimentos»,
declarou João de Araújo.

Estudantes hamutuk na’in-102 kompostu hosi feto na’in-54 no mane 48 mak tuir aprendizajem iha tinan 2025. Estudante sira ne’e maioria hela ho distánsia dok, la’o de’it hosi ai-laran, hakur mota hodi ba to’o iha eskola.

Em 2025, a escola tinha 102 alunos, dos quais 54 raparigas e 48 rapazes. A maioria vive longe da escola e tem de percorrer  caminhos pelo meio da floresta e atravessar rios  para chegar às aulas.

Problema seluk ne’ebé eskola ne’e hasoru mak menus livru, kadeira no meja balun komesa aat, armari la iha atu tau livru no la iha biblioteka.

Entre os outros problemas enfrentados pela escola contam-se a falta de livros, o mau estado de algumas cadeiras e mesas e a inexistência de armários para guardar os livros e de uma biblioteca.

Maski nune’e, eskola ne’e komesa harii ona moru haleu hodi proteje estudante sira bainhira tuir prosesu aprendizajem bele seguru no evita animal tama ba resintu eskola.

Apesar destas dificuldades, a escola começou a construir um muro de vedação para proteger os alunos durante as atividades letivas, garantindo-lhes maior segurança e impedindo a entrada de animais no recinto escolar.

Prezensa PM Xanana nian apoia mós “𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐚𝐬𝐢, 𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫” fahe fahe kamiza Fronteira Marítima no apoia nesidade bázika ba estudante sira, atividade ne’e taka ho hasai foto hamutuk nu’udar rekordasaun.

A presença do primeiro-ministro Xanana Gusmão serviu também para apoiar a iniciativa «Ha'u Tasi, Ha'u Timor» (O meu mar, o meu Timor), através da distribuição de camisolas alusivas à fronteira marítima e do apoio às necessidades básicas dos alunos. A atividade terminou com uma fotografia de grupo, destinada a registar o acontecimento.

Akompaña PM Xanana iha eventu ne’e mak Administradór Postu Liquiça-Vila, Rogério dos Santos no reprezentante Komandu PNTL. 

(Média-GPM)

O primeiro-ministro Xanana Gusmão esteve acompanhado pelo administrador do posto administrativo de Liquiçá-Vila, Rogério dos Santos, e por um representante do Comando da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

Fonte: Média-GPM (Gabinete do Primeiro-Ministro).

(Tradução de Tétum para Português Europeu feita com recurso à IA - ChatGPT / Open AI. Fixação / revisão de texto: LG) (O Google Gemini não faz, ou ainda não faz traduções de e para o tétum...) 

________________

Nota de tradução da IA:

Há algumas expressões do original cujo sentido exato pode depender do contexto local. Traduzi "Avó" por «avô» — forma de tratamento respeitosa dirigida a Xanana Gusmão  e a Rui Chamusco — e "suco" e "aldeia" foram mantidos como designações da organização administrativa timorense. A expressão Hino Nasionál “Patria-Patria” foi vertida literalmente, sem tentar substituir o título por uma designação oficial diferente. 

Nota do editor LG:

A designação oficial da ASTIL é Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste.

O João Crisóstomo não é fundador da ASTIL, como se podia deduzir da notícia original, que corrigimos; é apenas associado e grande amigo de Timor-Leste. (E um histórico dirigente e cofundador do LAMETA - Luso-American Mouvement for East-Timor Autodetermination .)  Esteve presente na inauguração da ESFA,  em 18/3/2018, tal como o Rui Chamusco, esse,sim, fundador e dirigente da ASTIL.

O título oficial do Hino Nacional de Timor  Leste é "Pátria", que fixámos na tradução.  Eis a letra:

(...) “Pátria” é o hino nacional da República Democrática de Timor-Leste. Composta em 1975 por Afonso de Araújo com letra de Francisco Borja da Costa, “Pátria” foi adoptada em 2002 com a Restauração da Independência, como hino nacional.

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploração.
Avante unidos firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo
o inimigo dos povos, até à vitória final.
Pelo caminho da revolução.

Fonte: Governo de Timor-Leste > Timor-Leste _ Símbolos Nacionais


Letra em tétum (Símbolu Nasionál > Inu Nasionál)

“Pátria” mak inu Nasionál Repúblika Demokrátika Timór-Leste nian. Múzika kompoin iha 1975 , Afonso de Araújo mak halo ho letra Francisco Borja da Costa nian, “Pátria” adopta iha 2002 ho Restaurasaun Independênsia, hanesan inu Nasionál.

Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Ita manán hasoru kolonializmu, ita hakilar:
Hatuun imperializmu
Rai livre, Povu livre,
Lae,lae, lae ba explorasaun
Bá oin hamutuk, laran metin no barani
Halo funu hasoru imperializmu
inimigu Povu hotu-hotu nian, to’o vitória finál
liu dalan revolusaun.


(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

 ______________

Nota do editor LG:

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Guiné 61/74 - P26072: (In)citações (266): Será que é desta ?... Se Xanana Gusmão não vai à nossa Escola nas montanhas de Liquiçá, a nossa Escola vai ter com ele em... Nova Iorque (João Crisóstomo)



Foto nº 1 > Timor > Díli > 2017 > Xanana Gusmão, João e Vilma 
 


Foto nº 2 > Timor > Díli > 2017 > Ramos Horta, João e Vilma 


Foto nº 3> Timor > Díli > 2017 > Mari Alkatiri, João e Vilma 


Foto nº 4 > Timor > Díli > 2017 > Rui Maria Araújo, 
Primeiro Ministro nessa altura. João e Vilma


Foto nº 5 > Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 >  Com Xanana Gusmão:
 "a expressão de surpresa por ver a Escola em páginas dum blogue sobre a Guiné"…



Foto nº 7 > Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 > Protestei, mas o Xanana foi mais teimoso e insistiu em ajudar.( Fez-me lembrar uma experiência semelhante em que Elie Wiesel fez questão de me ir abrir as portas quando eu carregava duas cadeiras.)



Foto nº 8 > Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 >   
Eu e Xanana:  Se for desta que a Escola arranja professores, 
esta foto vai ficar numa parede…



Foto nº 9> Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 >  
Com Luís Guterres, Embaixador de Timor Leste em Washington; 
Dionísio B. Soares, Embaixador de Timor nas Nações Unidas; 
uma senhora, não tenho a certeza ,mas penso 
que é Dulce Soares, ministra da cultura; e eu.



Foto nº 10> Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 >   
Embaixador Luís Guterres; o nosso Embaixador de Portugal 
em Washington Francisco Duarte Lopes; 
Xanana; eu, a Vilma e...uma senhora que foi-me apresentada 
mas não me lembro quem é (ai o que faz a velhice…).



Foto nº 11> Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 > 
 Xanana autografando o livro 
para o Rui Chamusco (que vive na Lourinhã)



Foto nº 12 > Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 > 
 A dedicatória do Xanana:  "Para Rui Chamusco:Muito agradecido
pela escola que construiu em Timor Leste!... 
Muita amizade. Xanana, NY, 23 setembro 2024"

O último livro de Kay Rala Xanana Gusmão
(O Meu Mar, O Meu Timor)

 

Foto nº 6> Nova Iorque > 23 de setembro de 2024 > 
Xana, a Vilma e eu... Ele fifcou contente pelo livro “LAMETA” 
que lhe entreguei: que nunca tinha recebido 
o primeiro que lhe enviei… o que me leva a concluir 
que outros assuntos também nem sempre chegam 
aos seus destinos…

Fotos (e legenda): © João Crisóstomo  (2024). Todos os direitos reservados 
[Edição e lendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Mensagem do João Crisóstomo, o "embaixador" da nossa Tabanca Grande em Nova Iorque, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, ativista de causas sociais, etc.

Data - terça, 24/09/2024, 20:00
 Assunto - Será desta ? 


Caro Luís Graça (c/c Rui):


Será desta?


Como sabes tem sido longa a nossa luta para conseguirmos professores acreditados (oficializados) para a escola de S. Francisco de Assis em Timor Leste (*). Temos batido a todas as portas em Portugal e em Timor Leste, mas a solução tem-se mostrado elusiva. 

Em vários casos estes esforços têm sido feitos em encontros e contactos pessoais; em outros casos quando um contacto pessoal tem sido possível, a situação tem sido dada a conhecer através de assessores que sempre garantem que os nossos pedidos chegarão aos destinatários. Não sei se chegam ou não. A verdade é que temos ficado sempre esperando!.

Embora eu tivesse estado com vários líderes em 2017, quando fui a Timor Leste pela primeira vez, nessa altura o projecto da escola apenas existia na mente do casal Glória e Gaspar Sobral e do Rui Chamusco. Este havia-me falado dessa ideia , mas eu ainda não tinha ido às montanhas e não fazia ideia da situação e que necessidade desta escola era tão premente.

Encontrei-me nessa altura com Xanana, 17 anos depois do nosso último encontro em Nova Iorque: um encontro muito agradável, direi mesmo uma experiência extraordinária. 

Como sucedeu com Mari Alkatiri, que tinha sido Primeiro Ministro quando Xanana foi Presidente na primeira administração após a independência de Timor Leste , ou com Ramos Horta e com Rui Maria Araújo, que era o Primeiro Ministro nessa altura. Mas nesta altura o projecto da construção duma escola ainda não existia sequer na minha mente.

Os nossos esforços, especialmente por parte do Rui Chamusco que já foi a Timor Leste cinco vezes (**), têm sido razão de muita frustração. Tenho uma admiração enorme por este homem que não desiste, com uma perseverança contagiante que leva os outros a continuarem e a não perderem a esperança. E tem sido esta perseverança dele que me tem motivado a não desistir também.

E, assim de repente, apareceu uma oportunidade que eu não esperava: o Embaixador de Timor Leste nas Nações Unidas, Dionísio Babo Soares, com quem há tempos me encontrei, mandou-me uma mensagem: que o atual Primeiro Ministro de Timor Leste, Xanana Gusmão, em Nova Iorque por ocasião da Assembleia Geral da ONU, ia lançar um livro sobre o mar de Timor “My sea, my Timor”... e se eu estava interessado em aparecer.

Primeiro eu não via razão para ir: depois do acidente que tive há meses decidi ter mais cautela e tenho-me limitado apenas ao mesmo necessário. Mas logo refleti : porque acredito em contactos pessoais como o melhor meio de se conseguirem resultados (como no caso de Aristides de Sousa Mendes e o “Dia da Consciência” junto do Vaticano que tentávamos desde 2004, mas que apenas começou a receber a devida atenção depois dum encontro pessoal com o Secretário de Estado), logo me lembrei que sendo ele agora Primeiro Ministro,  seria uma boa ocasião para tentar falar com ele pessoalmente sobre a escola S. Francisco de Assis…

E mesmo em cima da hora decidi ir. Não tinha tempo para preparações , mas tinha à minha frente alguns posts do nosso blogue sobre as crónicas do Rui Chamusco que tinha acabado de imprimir. São várias centenas já, pois que eu, não sendo letrado em coisas digitais, imprimo tudo o que acho de especial interesse. Apanhei duas ou três folhas onde aparecem a escola e as crianças da escola e levei-as comigo.

Quando cheguei, o Xanana tinha também acabado de chegar. E estava ainda cá fora, muito efusivo a cumprimentar outras pessoas quando nos viu e reconheceu. E até eu fiquei surpreendido pelos abraços e receção calorosa que nos deu. 

E lembrou aos presentes que nos tínhamos encontrado aqui em Nova Iorque no ano 2000. Com receio de não ter oportunidade de falar com ele mais tarde, como sucede muitas vezes nestes casos, logo lhe disse se podia falar com ele sobre um assunto que achava importante, uma escola nas montanhas de Timor Leste, ao mesmo tempo que lhe mostrava essas folhas do nosso blogue. 

Ficou surpreendido,  pensando ser engano : “Mas… como é? … esta escola é na Guiné?"… 

Explicada a razão de que Timor Leste era também assunto importante para os “camaradas e amgos da Guiné" e quantos lessem este blogue, aceitou a explicação. Solícito, ao ver a minha bengala até fez questão de me ajudar a subir as escadas …

E depois de termos cumprimentado alguns convidados presentes que já conhecíamos e outros que nos foi apresentando, foi ele que me me levou para um banco mais afastado "para falarmos melhor”.

Antes de prosseguirmos para o “momento de lançamento do livro",  mandou chamar o Embaixador de Timor-Leste nas Nações Unidas (o mesmo que nos convidou para este evento) a quem instruiu para colher as informações pertinentes sobre este assunto.

Já depois do lançamento, eu pedi-lhe a sua assinatura no livro que queria enviar ao Rui Chamusco. Logo que cheguei a casa apressei-me a chamar o Rui a quem dei conhecimento de tudo e dum livro que tenho aqui para ele, devidamente autografado pelo Xanana.

Fico esperançado que não tenha sido uma conversa em vão! 

Será desta? (**)

João
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PS - Como não sei fazer melhor, aqui vão algumas fotos, com as devidas legendas, se as achares pertinentes e quiseres usá-las.

Legendas:

As primeiras quatro fotos foram tiradas em 2017 durante a nossa primeira visita a Timor Leste.

1 > c/ Xanana | 2 >c/  Ramos Horta | 3 >  >  c/ Mari Alkatiri |  4 > Até parece anedota com Rui Maria Araújo, Primeiro Ministro nessa altura.

As oito seguintes foram tiradas ontem (23 de setembro de 2024).

5 > Podes ver a expressão de surpreza do Xanana por ver a Escola em páginas dum blogue sobre a Guiné…

6 > Ficou contente pelo livro “LAMETA” que lhe entreguei: que nunca tinha recebido o primeiro que lhe enviei… o que me leva a concluir que outros assuntos também nem sempre chegam aos seus destinos…

7 > Protestei, mas ele foi mais teimoso e insistiu em ajudar.( Fez-me lembrar uma experiência semelhante em que Elie Wiesel fez questão de me ir abrir as portas quando eu carregava duas cadeiras).

8 > Se for desta que a escola arranja professores, esta foto vai ficar numa parede…

9 > Com Luís Guterres, Embaixador de Timor Leste em Washington; Dionísio B. Soares, Embaixador nas Nações Unidas; (não tenho a certeza ,mas penso que é Dulce Soares, Ministra da cultura).

10 > Embaixador Luís Guterres; o nosso Embaixador de Portugal em Washington Francisco Duarte Lopes; Xanana e (???) (a senhora foi-me apresentada mas não me lembro quem é;  ai o que faz a velhice…).

11 > Xanana autografando o livro para o Rui Chamusco.

12> A página com a dedicatória...

(Revisão / fixação de texto: LG)

___________

Notas do editor:

(*) 17 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25950: (In)citações (261): tudo o que temos pedido é que forneçam professores devidamente acreditados para a Escola de São Francisco de Assis (ESFA), nas montanhas de Liquiçá, Timor Leste (João Crisóstomo, Nova Iorque)

(**) Vd.postes de:



terça-feira, 17 de setembro de 2024

Guiné 61/74 - P25950: (In)citações (261): tudo o que temos pedido é que forneçam professores devidamente acreditados para a Escola de São Francisco de Assis (ESFA), nas montanhas de Liquiçá, Timor Leste (João Crisóstomo, Nova Iorque)




João Crisóstomo, régulo da Tabanca da Diáspora Lusõfona
e amigo de Timor Leste. Foto: LG (2017)


1. Email enviado por João Crisóstomo, na sequência de comentário ao poste P25944 (*)

Data - 15 de setembro de 2024, 08:51

Caros Rui Chamusco  e Luís Graça,


Nem sempre leio, mas hoje vi, li e tive de desabafar (*) (...). São 01.24 da manhã de 15 de setembro. Não consigo dormir e resolvi buscar o computador, talvez alguma leitura amena no nosso blogue, como as peripécias narradas pelo Jorge Cabral ou outras me trouxessem o sono.

E ao deparar com esta crónica do Rui, resolvi lê-la para “lembrar”; ao fim e ao cabo também cheguei a ir e estive em Timor (em 2017 e 2018), onde , perante a situação de que o Rui me tinha falado e que confirmei, pensei poder continuar a ajudar: a minha experiência e contactos que ainda mantinha desde os tempos da luta pela independência poderiam com certeza ajudar, pensava eu.

Mas hoje, em vez de uma leitura amena, deparei com o contar duma situação que tem sido uma constante desde esses dias em 2018 até hoje. Raiva, tristeza, saudades, frustração, não sei qual deles maior, foi o que experimentei agora.

De alguma maneira quase me sinto culpado, pois que na altura sonhei e falei do muito que se poderia fazer para ajudar aquelas crianças esquecidas e aquelas gentes tristemente ignoradas nas montanhas de Liquiçá; alimentei tantas esperanças ao Rui, ao Gaspar e à Glória e a tanta gente boa em Portugal, e não só, que perante o nosso entusiasmo resolveram dar também a sua ajuda. E de alguns não foi só ajuda financeira como a de oferecerem-se e irem a Timor Leste. E agora passados seis anos ainda continuamos lutando pela mera sobrevivência duma única escola. Como é triste!

Mas como poderia eu, como poderíamos nós esperar tão pouca resposta por parte daqueles que em Timor Leste, em Portugal e em outras partes do mundo (como na Guiné), desta situação e outras semelhantes, se deviam ocupar?

Se razões de consciência, solidariedade e mesmo justiça não os motivam, então que cumpram o dever e obrigações dimanadas pela situação de poder ou de privilégio em que se encontram agora ou tiveram no passado se ainda agora podem ser influentes.

Os deveres inerentes à consciência e solidariedade são deveres permanentes e não devem ser coisas acidentais e temporárias na nossa vida.

Tenho acompanhado outros projectos semelhantes na Guiné e S.Tomé, aqui descritos no nosso blogue. Que são para mim sempre motivos de motivação, não só pelo simples facto de existirem, como pelo facto de serem motivo de tanto interesse por parte de todos nós que por lá andamos e conhecemos o que era e o que ainda é.

No caso de Timor admiro a boa vontade de tantos que nunca lá estiveram mas que inspirados pelo Rui e outros continuam ajudando, persistindo em fazer bem.

Bem hajam! Eu não acredito em milagres, mas, mesmo na minha muita desilusão, ainda teimo em persistir, esperando sempre por um milagre.

João Crisóstomo

PS - Esqueci-me de dizer que tudo o que temos pedido é que, que forneçam professores devidamente acreditados para esta escola, uma vez que agora já há uma escola construída e uma residência para professores nestas montanhas onde as crianças, que são tão timorenses como as crianças que vivem em cidades ou em locais com mais facilidades e que têm sorte de terem pais mais afortunados, parecem ou foram completamente esquecidas. (**)

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segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Guiné 61/74 - P25858: II Viagem a Timor: janeiro / junho de 2018 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte X: "Obrigadu, malae" João Crisóstomo!



Torres Vedras > Praia de Santa Rita > 15 de dezembro de 2016 > Eduardo Jorge e João Crisóstomo (Foto de Luís Graça)


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Tabanca de Porto Dinheiro > Convívio anual > 18 de agosto de 2017 > Eduardo, Luíse Rui (Foto de Álvaro Carvalho)




Lourinhã > Praia da Areia Branca > 2 de dezembro de 2017 > Rui Chamusco e Gaspar Sobral (Foto de Luís Graça)




Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > Março de 2018 > Da esquerda para a direita, Rui Chamusco, João Crisóstomo e Gaspar Sobral (foto de Rui Chamusco)



1. O nosso amigo Rui Chamusco partiu para Timor, em 25 de janeiro de 2018, com o Gaspar Sobral, ambos cofundadores e dirigentes da ASTIL (Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste), criada em 2015, com sede em Coimbra. 

Foi o nosso saudoso Eduardo Jorge Pinto Ferreira (Lourinhã, Vimeiro, 1952 -  Torres Vedras,  A dos Cunhados, 2019) quem mo apresentou, a mim, Luís Graça,  e me falou dos seus projetos em Timor. 

Eu, por minha vez, apresentei ao Eduardo o João Crisóstomo, afinal seu vizinho  (de A dos Cunhados).  O João conheceu o Rui, pelo Eduardo,  e ficou logo entusiasmado com a sua ligação a Timor. Afinal, o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande!

De Timor Leste o Rui mandou para Portugal as crónicas dessa viagem (a segunda, de cinco já feitas, de 2016 a 2024), que achámos oportuno e relevante publicar no nosso blogue. Trata-se de uma seleção. Elas ajudam-nos a perceber melhor a idiossincrasia timorense, a história recente e passada deste povo a que nos ligam laços linguísticos, culturais e afetivos.

O Rui é  membro da nossa Tabanca Grande desde 10 de maio último. Natural da Malpaca, Sabugal, vive na Lourinhã onde durante cerca de 4 décadas foi professor de música no ensino secundário.  Em Timor, o Rui tem-se dedicado de alma e coração aos projetos que a ASTIL tem lá desenvolvido,nas montanhas de Liquiçá.

Em Dili  costuma ficar em Ailok Laran, bairro dos arredores na casa do Eustáquio (alcunha do João Moniz) , irmão (mais novo) do luso-timorense Gaspar Sobral, e que andou, com a irmã mais nova, a mãe e mais duas pessoas amigas da família, durante três anos e meio, refugiado nas montanhas de Liquiçá, logo a seguir à invasão e ocupação do território pelas tropas indonésias (em 7 de dezembro de 1975) (tinha "apenas" 14 anos...). O pai de ambos foi "liurai", "no tempo dos portugueses".

A menina dos seus olhos (dos três, o Rui, o Gaspar e o Eustáquio) é a Escola de São de Francisco de Assis, de Manatti / Boebau, município de Liquiçá. A escola e as suas crianças da montanha que finalmente podem aprender música e português. Há também um programa de apadrinhamento de crianças em idade escolar.


II Viagem a Timor: janeiro / junho de 2018 (Rui Chamusco, ASTIL)


Parte X -   "Obrigadu, " malae" João Crisóstomo!





Dia 08.05.2018, terça feira  - Relatório da Exposião Lameta para conhecimento do João Crisóstomo, em Nova Iorque



O João Telefonou a pedir-me um pequeno texto/relato sobre as exposições “ Lameta”, para ser utilizado, a seu critério, nos seus encontros made in USA. Aqui vai:



João Crisóstomo, Lourinhã, 
2017 (Foto de Luís Graça)

Caro amigo João Crisóstomo

Venho por este meio apresentar-te um relatório sobre a exposição “LAMETA - O Contributo Desconhecido das Comunidades Luso Americanas para a Independência de Timor Leste”.


Depois de 4 exposições já realizadas: Escola Rui Cinati, Escola Amigos de Jesus, Escola São Francisco de Assis, Universidade Nacional de Timor Leste, verificamos, com satisfação, o interesse crescente do povo timorense em conhecer este precioso contributo vindo de outras partes do mundo, tão distantes mas tão presentes e colaborantes no processo de autodeterminação deste jovem país.

E se, em Boebao, nas montanhas que abrigaram tantas lutas, ex-combatentes olhavam avidamente para as fotos que mostravam entidades relevantes do mundo internacional, em Dili, capital da nação, muitos estudantes e professores ficaram a conhecer factos e acontecimentos da história recente para muitos desconhecidos, através desta preciosa coleção. 

Quero destacar a exposição na UNTL no passado dia 4 de maio, onde a “Lameta” e o Grupo de Crianças de Ailok Laran tiveram tão caloroso acolhimento. Reitor da universidade, Diretora do Departamento de Língua Portuguesa, Embaixador de Portugal, vários professores catedráticos, ilustres convidados, e muitos alunos nos felicitaram pelo evento.

Quanto à coleção “Lameta”,  várias entidades, nomeadamente o senhor Reitor, manifestaram o seu apreço dizendo-nos: 

“Isto é um documento muito importante para a história de Timor Leste. É importante que os nossos jovens, muitos indiferentes ao passado, conheçam através dele a sua recente história.”

Nós também temos esta consciência. E, como fiéis depositários (património da Escola de São Francisco de Assis, em Boebau), tudo faremos por dá-lo a conhecer através de futuras exposições. Talvez, durante a nossa estadia em Timor, ainda possamos fazer mais uma na sede da Cruz Vermelha, em Liquiçá.

Caro amigo, a ti e a todos os que contribuíram ou contribuem para estas nobres causas o nosso preito e gratidão, sabendo de antemão que Deus vos pagará por tudo isso. “Quem dá aos pobres empresta a Deus", e Ele vos retribuirá 100X mais. E tu, João, sabes bem que há sorrisos que não têm preço. São a melhor moeda de troca.

OBRIGADO! THANK YOU! MERCI BIEN! GRAZIA TANTA! MUCHAS GRACIAS! DANKE SHAN!

O B R I G A D U !



Dia 09.05.2018, quarta feira  - De poeta, músico e louco ....


A história e os comportamentos de Felisberto (irmão Beto,  como é vulgarmente chamado) surpreendem-nos dia a dia, a cada instante. 

O Felisberto, ex-prisioneiro do regime indonésio, é um doente do foro psíquico, que merece a atenção de todos devido ao seu estilo de abordagem. De vez em quando tem atitudes violentas, destruindo o que bem lhe interessa, mas ele considera-se um verdadeiro messias, pelo que quando ele aparece já sabemos que vamos ouvir um grande sermão. Fala muito mas pouco ouve, porque se considera o detentor da verdade. E quando assim é, já sabemos o que acontece. A conversa começa a chatear.

Hoje ao pequeno almoço surgiu de novo o tema do Felisberto. Aproveitando a presença do Lito (Carlito), amigo desde a infância do Eustáquio que mora aqui mesmo ao lado, lembraram alguns dos episódios que passaram com o TiBeto. 

Contam os dois amigos que uma vez o TiBeto, passou-se dos carretos como de vez em quando é habitual, e decidiu enterrar dentro da sua casa, mesmo a pegar com a do Eustáquio, todas as imagens que tinha em seu poder. Fez um buraco bem fundo e para lá atirou tudo o que era santo ou santa, tapando bem a seguir para que ninguém pudesse lá ir salvá-los.

 Mas costuma dizer-se que “ o diabo faz a panela mas esquece-se do testo”. O Lito e o Eustáquio bem combinados, decidiram resgatar as imagens soterradas. Enquanto um vigiava o outro ia descobrindo cada santo e, num saco de arroz à maneira, aí ia depositando e escondendo o tesouro. Depois do trabalho completo, o Lito fugiu com o saco às costas, levando o espólio para lugar seguro, nunca descoberto pelo iconoclausta.

Conta também o Lito que uma vez, chamado pelo pregador Filisberto, foi interpelado pelo mesmo, e lhe disse: “disseram-me que tu lês muito a Bíblia. É verdade?"...  E o Lito lhe respondeu: "Sim, é verdade. Todos os dias eu leio a Bíblia. Abro o livro a meio e coloco-a sobre a minha cabeça para ela entrar dentro.” 

O TiBeto, muito admirado, comentou: “Qualquer dia ainda sabes mais do que eu!”

Pois é. Mal suspeita o Filisberto que a gente se ri com estas coisas. Considerando que “de poeta, músico e louco todos temos um pouco...”, penso que o Tibeto tem mesmo necessidade de ajuda. Ainda que ele não o admita, precisa de tratamento psiquiátrico, coisa que por aqui não será fácil de arranjar..




O  Toqué  (em Timor), ou Tokay Gecko.
Copyright (c) 1998 Richard Ling/GFDL
Fonte: Wikimedia Commons
(com a devida vénia...)
Vd. aqui áudios com as vocalizações
deste pequeno réptil
(Wikipedia, em inglês).
O Toqué, sinal de sorte?!...


Hoje vi o “Toquê” pela primeira vez. Este réptil tão respeitado e apreciado em Timor Leste, que devido ao preço inflacionado (os indonésios chegavam a trocar carros por estes lagartos) esteve em vias de extinção, está agora, graças ao programa de proteção por parte do governo timorense, em franca expansão. 

È rara a noite que não oiçamos ao nosso redor o seu canto vigilante: “Toquê!...Toquê!...” Na casa do Anô, mesmo aqui à nossa beira, há uns três ou quatro. E ninguém pense em espantar ou matar estes prestigiosos bichinhos. A sua presença dá sorte e proteção aos da casa.

Pois hoje o Valente apareceu por aqui em direção a casa, e trazia com ele um Toquê e um bonito galináceo. Claro que examinei ao pormenor este exemplar que, em boa verdade, não é nada feio, mesmo para quem não gosta de répteis. Depois de uns momentos de conversa, ajudado pelo Eustáquio como tradutor, o Valente pediu
 licença para se retirar e voltar a casa. 

Apeteceu-me gritar bem alto este desejo profundo que nos invade em relação à família do Valente: 

“ Que o Toquê vos proteja e que Deus, com as nossas ajudas, cuide de vós. Oxalá a vida vos sorria, tal como vós sorris para nós. Que o presente e o futuro possam ser melhores para todos vós”...


Dia 12.05.2018, sábado - Eleições: Ninguém gosta de perder, nem que seja jogar a feijões.


Dia de eleições antecipadas aqui em Timor Leste. A campanha eleitoral decorreu com dignidade, apenas com alguns pequenos incidentes e escaramuças, como em todo lado. 

Com o apelo ao voto vindo de todos os quadrantes religiosos, sociais e políticos adivinha-se uma participação massiva. Vamos a ver como ficará composto o puzle da Assembleia Nacional. Mas bem me parece que quem vencer vai ter que procurar alianças, pois não acredito que, seja quem for, tenha maioria absoluta. Que vença o melhor e que governe bem, é o anseio genuíno desta gente. E que, por falta de governo, Timor Leste não seja privado de programas e ações de desenvolvimento e apoios que muita gente, sobretudo os mais necessitados, estão à espera.

E, já agora, que os futuros governantes, para além das suas competências, tenham aprendido com outros governos que se criticam, cá dentro ou lá fora, a não cometerem os mesmos erros de governação. Este povo bem merece. Todos nós assim desejamos. Que os vencedores sejam suficientemente humildes para pedirem a colaboração dos outros. Que os que perderam sejam suficientemente solidários para participarem e ajudarem na governação. Nem que seja uma “geringonça à portuguesa”.



Dia 13.052018, domingo - Engano!...


Afinal enganei-me. Esta eleições tiveram uma participação massiva, a maior de sempre, e deram a maioria absoluta ao AMP (Aliança de Mudança para o Progresso) liderada pelos antigos presidentes Xanana Gusmão, Taur Mtan Ruak, e Naimori Buckar, presidente do novo partido Kunto.

O Gaspar, homem muito entendido nestas andanças, diz que “até que enfim alguém tem a coragem de dizer as verdades que têm estado ocultas".

Quanto a mim que nada tenho a ver com as eleições em Timor (pelo menos por enquanto), mais uma vez me enganei nas previsões, pelo que peço imensa desculpa. Vai haver governo sem geringonça nenhuma, cumprindo a vontade do voto popular que é quem mais ordena. Governe quem governar, que façam um bom trabalho em prol do desenvolvimento e do bem estar deste povo.




Dia 14.05.2018, segunda feira  - “ Que grande galo!...”


É um galo do caraças!... Logo cedinho, bate três vezes as asas, enche bem de ar o peito...e aí vai: Có-có-ró-có-có!.... Desafia os outros todos da redondeza, que em resposta cantam também alternadamente. Mas a ele ninguém o bate! “O nosso galo é bom cantor!”

Este galináceo veio das altas montanhas de Liquiçá, trazido pelo Abílio, o construtor da nossa escola em Boebau. Creio que não veio para aqui para ser cantor, mas sim para ser imolado e comido. E, se não fora eu, com certeza que já não estaria na terra dos vivos. 

Quando vim a saber que estava pronto para ser sacrificado, pedi com fervor para não ser morto, pelo menos enquanto eu aqui estiver. Fui atendido e por isso cá temos o nosso galo cada manhã, despertando-nos e dando graças pelo dia que aí vem. Não falha. E eu até já acho que ele faz isso para me agradecer a vida.

E no meio de tanta cantoria, há um descontrole inexplicável. Há galos que já cantam a qualquer hora do dia, não sei se enganados por alguém. Até o cantar dos galos já não é o que era. Talvez a luz artificial os confunda e já não saibam onde acaba a noite e começa o dia. Mas o nosso galo continua fiel. Que grande galo!...


Dia 15.052018, terça feira  - “Tenho medo...”


É a primeira vez que ouço esta expressão ao Eustáquio. E por isso quis saber mais sobre o seu temor. Então é assim. O Gaspar, muito atarefado com as lides de registos do terreno da Escola de São Francisco em Boebau e com o registo Da ASTILMB e da escola que lhe pertence, tem vindo a insistir que precisa urgentemente de ir a Liquiçá e a Boebau para serem assinados os documentos necessários para a legalização. 

Por várias razões, a mais plausível é ter estado a decorrer a campanha eleitoral, esta ida ainda não foi concretizada. Ontem, já passados dois dias das eleições, pensava o Gaspar poder viajar até às montanhas, e de novo insistia com o generoso irmão, porque o tempo aperta, porque assim, porque assado. Foi quando o irmão Eustáquio desabafou e disse: 

“Tenho medo!...”

“Tens medo de quê?”, perguntou o Gaspar.

E então veio a explicação mais compreensível do mundo, que nos deixou sem palavras. Desde há uns tempos que grassa por Timor e sobretudo nas cidades e arredores pequenos grupos aqui chamados Rama Ambon  (também conhecidos pelos grupos da fisga) que, ao entardecer ou já de noite, se escondem onde podem e atacam os transeuntes que lhes interessam,  lançando um tipo de setas com intenção de ferir e de matar. 

Já não são os primeiros que têm de ser assistidos no Hospital Guido Valadares, em Dli. Conta-se até que ainda há pouco, um jovem atingido na zona do coração, ao lhe retirarem a seta do crime, se esvaziou em sangue acabando por morrer. O Eustáquio tem medo que, dois dias depois do ato eleitoral, haja pelos caminhos que têm de percorrer alguns grupos destes que se queiram vingar dos resultados obtidos.

Claro que não houve resposta. Simplesmente silêncio e aceitação. A viagem será feita quando houver condições de confiança e segurança.

Mas hoje, dia 15 pelas 12 horas, dei-me conta do movimento de preparação das bagagens e do “motor”. Estava decidido que iriam partir até Liquiçá, seguindo logo que possível para Boebau. Boa viagem amigos, e que Deus vos acompanhe...

Nota: Agora percebo porque é que nunca me deixam sair sozinho ao escurecer ou durante a noite. Tenho realmente verdadeiros amigos.


Dia 17.05.2018, quinta feira - A miscigenação


Quem andar à procura de um rosto verdadeiramente timorense vai ter bastantes dificuldades em encontrá-lo. Aqui como em qualquer outra parte do mundo, as influências da globalização fazem-se sentir também na caracterização sobretudo das faces. 

A miscigenação é um fenómeno comum. E é com facilidade que nos cruzamos todos os dias, pelo menos nas cidades, com os rostos mais diversos: brancos, negros, mestiços; portugueses, chineses, australianos, angolanos, cubanos, indonésios, japoneses, etc... 

Neste momento Timor é uma amálgama de raças e de rostos com a maior diversidade possível. A tendência para o rosto asiático, devidamente colorida em café chocolate, é a mais notada. Mas nas montanhas, onde as influências são menos notadas, ainda há rostos que indiciam o verdadeiro retrato de um timorense do leste, possível de encontrar também nos timorenses do oeste, na parte ocidental da ilha.

Seja como for, não consigo imaginar o verdadeiro rosto timorense sem o sorriso aberto, carregado de simpatia, respeito e hospitalidade. Tudo o mais vem de outros lados, doutros países, de outros continentes com virtudes e defeitos que, em policromia e sincronia, fazem deste país uma terra encantadora e com um futuro promissor. Basta que nos aceitemos e respeitemos uns aos outros. Não sou defensor da “raça pura”, mas aprecio o que é genuíno.


Ausência e Presença


Ainda sou do tempo (década de 50) em que partir para um país longínquo como a Índia, Timor, Argentina, Brasil, etc) era considerado como o último adeus. Lembro-me da partida e da despedida da família do Tio Augusto para a Argentina nos começos dos anos cinquenta. Chorava-se de um lado e do outro porque se pensava que nunca mais nos iríamos ver. Ausência para sempre!...

Sessenta a setenta anos passados, eis que tudo se altera. As viagens aéreas, as facilidades de deslocação, os novos meios de comunicação, os facebooks, os emails, os whatsapps, os telemóveis, e tudo o mais criaram pontes de união, contactos, presenças constantes nas nossas vidas. 

Hoje em dia as distâncias não metem medo a ninguém. De manhã em Singapura, à noite em Lisboa. O que é agora ausência, torna-se mais tarde presença. Ou então podemos dizer que não há ausência nem presença, porque embora opostas, ambas estão sempre presentes. São imanentes.

E começo a pensar em coisas do outro mundo, da outra vida. Será que já estamos antecipando a experiência? Será que quando deixarmos este corpo que nos suporta a nossa presença é uma presença ausente, mas que nem por isso será menos importante na vivência da nossa outra vida? Não me incomoda nada se assim for. E então se essa vida futura for o cumprimento da promessa e o ponto de chegada, a plenitude da vida cristã, melhor ainda. Assim o creio e espero.


(Continua)

(Seleção, alguns dos substítulos, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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