
Guiné-Bissau >Bissau > Impar Lda > 2019 > Belíssimo postal de boas festas que nos chegou, com data de 16/12/2019, de Bissau, no correio do Patrício Ribeiro, "patrão" da empresa Impar Lda. (Na imagem acima, uma papaieira, árvore caricácea que produz a papaia: vê-se que ainda estavam verdes...).
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) > O alf graduado capelão, padre José Torres Neves, a "apalpar a fruta" (sem qualquer conotaçãio sexual...), neste caso, a papaia, que ainda estava verde... Em segundo plano , parece-nos o padre franciscano Júlio do Patrocínio, da missão católica de Santa Ana de Mansoa (fundada oficialmente em 1953). Ou então é algum oficial, à civil, da CCS/BCAÇ 2885.
Foto do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.
Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Guiné-Bissau > Bissau > Quintal do Patrício Ribeiro > Abril de 2026 > Uma papaieira (árvore caricácea que produz a papaia, nome científico Carica papaya). Há uma linda papaia madura (parece-nos, pela cor).
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Isto de frutas tropicais e subtropicais tem muito que se lhe diga... Papaia ou mamão ? É tudo a mesma coisa, só diferem no tamanho ?... O mamão maior e mais arredondado, e a papaia mais pequena e alongada ?...
Mamão, papaia ou ababaia é o fruto do mamoeiro ou papaeira, árvores da espécie Carica papaya (nome científico).
A espécie é cultivada como fruteira no Brasil, Índia, Austrália, Malásia, Indonésia, Filipinas, Angola, Havai e muitas outras regiões dos trópicos e subtrópicos... A Índia é o 1º produtor mundial, seguida do Brasil... E também cresce, e bem, no quintal do Patrício Ribeiro, o "pai dos tugas", em Bissau (*)...
sábado, 2 de maio de 2026 às 22:58:00 WEST
Eventuais diferenças:
(i) Papaia (Hawai): fruto mais pequeno, peso à volta de 300g / 500g, polpa laranja intenso, muito doce e ideal para comer à colher;
(ii) Mamão (Formosa): fruto maior, pode pesar mais de 1 kg, polpa laranja claro/amarelo, sabor mais suave, ótimo para sucos e saladas.
No Brasil e em Angola, diz-se mamão. Mas também papaia: "em Angola utilizam-se os termos mamão / mamoeiro para identificar o fruto mais arredondado, identificando papaia / papaeira com o fruto mais alongado. São frutas ovaladas, com casca macia e amarela ou esverdeada. Sua polpa é de uma cor laranja forte, doce e macia. Há uma cavidade central preenchida com sementes negras". Distingue-ser duas variedades: mamão Formosa e mamão Hawai, que se dão muito em Angola, comforme a zona e o clima.
A espécie é nativa do sul do México, América Central e norte da América do Sul, estando naturalizada nas Caraíbas, Flórida e diversas regiões de África e Ásia.
A espécie é cultivada como fruteira no Brasil, Índia, Austrália, Malásia, Indonésia, Filipinas, Angola, Havai e muitas outras regiões dos trópicos e subtrópicos... A Índia é o 1º produtor mundial, seguida do Brasil... E também cresce, e bem, no quintal do Patrício Ribeiro, o "pai dos tugas", em Bissau (*)...
Diz o Alberto Branquinho:
"Da minha experiência nas andanças pela Guiné, fiquei com as seguintes ideias:
- o mamão tem a configuração de um melão pequeno;
- a papaia (cortada de cima - pedúnculo de fixação à planta - até à parte inferior) tem a configuração de uma viola
Ambos os frutos, quando bem maduros, têm cor idêntica (laranja forte).
Tanto em Cabo Verde como no Brasil encontrei pessoas que chamam mamão a ambas. A palavra 'ababaia' não conheço!"
sábado, 2 de maio de 2026 às 22:58:00 WEST
2. O que apurámos na Net, permite distinguir o seguinte:
Eventuais diferenças:(i) Papaia (Hawai): fruto mais pequeno, peso à volta de 300g / 500g, polpa laranja intenso, muito doce e ideal para comer à colher;
(ii) Mamão (Formosa): fruto maior, pode pesar mais de 1 kg, polpa laranja claro/amarelo, sabor mais suave, ótimo para sucos e saladas.
No Brasil e em Angola, diz-se mamão. Mas também papaia: "em Angola utilizam-se os termos mamão / mamoeiro para identificar o fruto mais arredondado, identificando papaia / papaeira com o fruto mais alongado. São frutas ovaladas, com casca macia e amarela ou esverdeada. Sua polpa é de uma cor laranja forte, doce e macia. Há uma cavidade central preenchida com sementes negras". Distingue-ser duas variedades: mamão Formosa e mamão Hawai, que se dão muito em Angola, comforme a zona e o clima.
Em Portugal, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, usa-se mais o termo papaia (e papaia gigante nos mercados em Bissau: vd aqui foto de Cabral Fernandes Yasmine, à direita).
No hiper onde faço compras (o Auchan Alfragide, passe a publicidade), chamam papaia ao fruto mais pequeno e mamão ao maior... Vem do Brasil o mamão...
Na messe, em Contuboel e Bambadinca, comíamos manga, papaia, banana e abacaxi. Na época destes frutos... Havia ainda algumas "pontas" (quintas) em atividade, nos arredores, aonde nos abastecíamos de frutos tropicais... A ponta Brandão, por exemplo, entre Bambadinca e Fá Mandinga...
Tal como nas tabancas em autodefesa: não me lembro de ter comprado, davam-nas...Mas quentes não tinham o sabor que têm hoje...E, estupidamente, nem sumos fazíamos. Também não tínhamos gelo nem máquinas de sumos... E aos vagomestres faltava-lhes imaginação (e formação)... Havia tantas coisas boas na Guiné. Mas dava trabalho arranjá-las... E estávamos em guerra, tínhamos vinte anos e éramos etnocêntricos (o que quer dizer, sem ofensa para ninguém, estúpidos!)
Mas, se bem me lembro, comia-se mais o abacaxi e a banana. A manga existia em abundância, era "mato". A papaia era mais rara. Não havia grandes extensões de papaieiras. Era cultura de quintal. Cada árvore (uma herbácea...) dava meia dúzia de papaias.
A agricultura da Guiné era de autossubsistência. A guerra deu cabo das "pontas". E pensar (ironia da História!) que foi um engenheiro agrónomo (!) do ISA e um professor de finanças, de Coimbra, de botas de elástico, que deram cabo de tudo aquilo... Hoje a Guiné poderia ser um paraíso.
3. Valha-nos, ao menos, a nossa bela e rica língua comum... Vejamos então o que dizem os lexicógrafos (**): segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa , "papaia" é fruto da "papaieira", e a palavra seria de origem caribe, por via do espanhol.
(Tenho a edição completa, 6 volumes, do Círculo de Leitores, Lisboa, 2003; uma grande obra, o melhor que conheço, só é pena que o tipo de letra seja de tamanho pequeno, dificultando a leitura e tornando a consulta penosa para a vista, e portanto menos amigável; o editor português quis pôr o Rossio na Betesga...)
Sinónimos de papaia: bepaia, mamão, mamoa.A etimologia vem do espanhol "papaya" (1535), palavra indigena americana , caribe ou aruaque (impossível determinar com rigor a origem, alguns autores inclinam-se mais para o caribe: "papai").
Papaieira é a árvore (Carica papaya, nome científico ). Sinónimos: ababaia, bepaia, mamão, mamoeiro, pinoguaçu...´
Papaieira é a árvore (Carica papaya, nome científico ). Sinónimos: ababaia, bepaia, mamão, mamoeiro, pinoguaçu...´
Na Guiné-Bissau, e em Cabo Verde, tal como em Portugal, diz-se "papaia" e "papaieira". No Brasil, e em Angola, é "mamão". Veja-se o provérnio crioulo da Guiné-Bissau:
Ami i rasa papaia: N ka ta durmi na bariga di algin (=eu sou como a papaia: não fico parado na barriga de ninguém).
4. O vocábulo "ababaye" (ou "ababaya") existe em francês antigo e em alguns dialetos, referindo-se à papaia (Carica papaya). Os franceses, que colonizaram partes das Caraíbas (como a Martinica e a Guadelupe), podem ter adaptado o termo para "ababaye", que depois foi reimportado para o português como "ababaia".A forma "ababaia" em português pode ser um empréstimo ou adaptação desse termo.
Em Portugal, o termo já não se usa, mas aparece em textos antigos ou em regiões com influência colonial, onde a papaia era cultivada e consumida (regiões tropicais e subtropicais)
Curiosidade linguística: a papaia (Carica papaya) é originária da América Central, mas espalhou-se pelo mundo através dos colonizadores. Os franceses, que também tiveram presença em África e nas Antilhas, podem ter introduzido o o termo "ababaye" em algumas regiões lusófonas, onde depois foi adaptado para "ababaia".
Os caribes são um povo indígena das Caraíbas, conhecidos pela sua resistência à colonização europeias. É interessante as "voltas" que as palavras dão...

Em Cabo Verde, diz-se "papaia",
é um dos fabulosos frutos tropicais
que as ilhas produzem
5. No mundo lusófono, não há registos conhecidos de "ababaia" como termo corrente para papaia. No entanto, o Dicionário Houaiss regista-o.

é um dos fabulosos frutos tropicais
que as ilhas produzem
No Brasil, "ababaia" também aparece como gíria ou calão para genitália feminina em português. Mas terá uma origem mais provável no tupi do que no francês. (Com esta aceção, o Houaiss não regista o termo, encontrámo-lo noutras fontes).
Segundo a ferramenta de IA que consultámos (Le Chat / Mistral AI), "ababaia" aparece em dicionários de tupi antigo (ou tupinambá) como termo relacionado com a vulva ou órgão sexual feminino.
Em tupi, "aba" pode significar "homem" ou "pai", mas também aparece em compostos com sentido erótico ou anatómico. "Baia" (ou "aia") pode estar ligado a "abertura" ou "local", mas, em contexto brejeiro o termo foi adaptado para o calão.
O vocabulo é documentado em obras como o "Vocabulário na Língua Brasílica" (século XVII), de Luís Figueira, onde constam palavras de origem tupi para partes do corpo, incluindo termos tabu.
No português brasileiro, "ababaia" é gíria antiga (e hoje menos comum, omisso na "Bíblia da Língua Portuguesa" que é o Dicionário Houaiss) para designar a genitália feminina, especialmente em contextos de calão ou linguagem pícara, brejeira ou até pornográfica.
Aparece em literatura erótica ou popular, como em modinhas, cordéis ou até em obras de Gregório de Matos (século XVII), que usava termos indígenas em seus poemas satíricos.
"Ababaye" em francês não tem registo como termo para genitália feminina. A hipótese francesa é mais plausível para papaia (fruta), mas não para este sentido anatómico.
6. A influência tupi no português brasileiro é massiva em gírias, especialmente em termos relacionados com o corpo, sexo ou natureza. Exemplos:
- "Pindorama" (terra das palmeiras, nome indígena para o Brasil);
- "Cunhã" (mulher, em tupi);
- "Perereca" (sapo, mas também gíria para genitália feminina).
Em Portugal, o termo "ababaia", não sendo hoje corrente, pode ter chegado, por influência brasileira, através de marinheiros, comerciantes ou imigrantes que trouxeram a gíria. Ou da literatura e do teatro, em obras que retratavam o Brasil colonial ou a vida nos trópicos.
O uso de termos indígenas para partes íntimas (ou "vergonhosas") reflete:
(i) tabu e eufemismo: os povos indígenas tinham palavras específicas para o corpo, que foram adotadas (e ao mesmo tempo "interditas") pelos colonizadores;
(ii) resistência cultural: mesmo em contextos de opressão, a língua tupi sobreviveu no calão e na gíria, como forma de resistência.
Em português, a vulva é conhecida por termos da gíra e calão como pipi, pipica (informal, entre crianças e adolescentes); pito, pepeca, ostra, entrefolhos, nêspera, greta, papaia (informal, entre os adultos).
(Condensação, revisão / fixação de texto, itálicos, negritos, título: LG).
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 1 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27978: Bom dia. desde Bissau (Patrício Tibeiro) (64): Hoje, Dia do Trabalhador, foi tudo para a praia.. Só cá ficaram os que saíram na 3ª caravela do Vasco da Gama, na passagem para a Índia, como eu...
(**) Último poste da série > 20 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27933: Em bom português nos entendemos (30): Kalashnikovomania, mania da Ak-47, culto da Kalash















