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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.


(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
  • António Nunes Lopes (1942-2026)  e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67); 
  • Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha  do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
  • Vilma Crisóstomo (esposa do João);
  • Dina   (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe); 
(ii) na segunda fila:
  • Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
  • Maria Alice Carneiro e  Luís Graça;
  • Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
  • Horácio Fernandes (1936-2025);
  • Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data,  para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro  "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.

Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ 1439
(1965/67)
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva. 

O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e  morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).

O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão... 

No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois  evocam aqui,  de maneira muito viva e emocionada,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de  alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439,  ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.

No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..


Vídeo (7' 31''). Alojado em You Tube > Luís Graça 


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes  evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)

João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria. 

O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa. 

Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento". 


Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime  (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).


2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)

■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES 
 -  Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE 


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:

Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.

Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.

________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortos

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28151: Tabanca da Diáspora Lusófona (42): Voltando ao Mato Cão do meu tempo... (João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439, Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67)

Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Janeiro de 2008 > Estrada Bissau-Bafatá > Passagem do Xico Allen pelas proximidades de Mato Cão (ou "Matu de Cáo"), onde foi criado, no tempo do ten cor inf Polidoro Monteiro, comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), um destacamento, guarnecido pelo Pel Caç Nat 52.

Foto: Xico Allen (1950-2022)  / Albano Costa (2008) / Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradasda Guiné



Madeira > Funchal > BII 19 > CCAÇ 1439 > 1965 > "Os quatro alferes (ainda aspirantes...): Sousa e Zagalo (sempre independente, apareceu de roupão); à direita, o Freitas; a minha cabeça aparece por detrás do Zagalo."

Depois de seis meses fomos dados por “preparados” e a 2 de Agosto de 1965 embarcamos no “Niassa” para a Guiné. O mesmo navio nos traria de volta quase dois anos depois.

Foto do álbum do João Crisóstomo.  

Foto (e legenda)s: © João Crisóstomo (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Comentário do João Crisóstomo ao poste P28143 (*)

João Crisóstomo: tem 300 referências
no nosso blogue

Data - segunda, 29/06/2026 22:40~
Assunto - Comentário ao poste P28143 (*)


"Mas voltando ao Mato Cão (**)”…

Nos meus tempos (1965/67),   Mato Cão era conhecido pelos problemas que aí e à sua volta já tínhamos de enfrentar: especialmente a estrada de Porto-Gole- Enxalé- Bambadinca, com as suas emboscadas, minas e foram várias as que lembro, incluindo duas no mesmo dia, uma que vitimou o furriel Mano e logo a seguir outra quando eu próprio comandei uma coluna de socorro a essa coluna do Zagalo que tinha sofrido uma mina e e acabámos por cair noutra que vitimou o “Manel Açoreano” que era o único soldado dos Açores integrado na nossa companhia de madeirenses.

Mas quanto a protecção aos barcos nessa parte do Geba, ainda não se falava muito. Sei, especialmente pelos relatos do Beja Santos 
no seu primeiro livro ( "Diário da Guiné, 1968-1969: Na Terras dos Soncó”) que ir diariamente a Mato Cão para proteger as embarcações nessa zona era parte do seu mister.

Mas parece que isso só começou a sério depois de nós termos voltado a Portugal.

Durante a minha estadia na Guiné estive estacionado em Missirá várias vezes, por um mês, o que na prática por vezes se prolongavam por dois meses e mais. Mas não tínhamos obrigação de ir até Mato Cão ou fazer aí patrulhas com a finalidade de proteger embarcações.

Enquanto o Beja Santos foi para aí enviado com esse fim em vista (penso eu) e Missirá era já mais ou menos independente de Enxalé, nos meus tempos Missirá era apenas um simples destacamento de Enxalé.

Estávamos aí destacados fazendo mesmo muito pouco ou mesmo nada, excepto proteger quem ia buscar água a um poço aí perto, que era a única água fonte que fornecia a Tabanca de Missirá, esperando pacientemente que outro pelotão nos rendesse.

A nossa missão era apenas a de "dar proteção” nessa zona e participar em operações quando fosse preciso. O que era frequente e de facto o meu pelotão foi requisitado várias vezes para fazer parte em operações a nível de companhia ou mesmo de batalhão.

Missirá sofreu um grande ataque ainda no meu tempo, já perto da nosso regresso a Portugal.

O que me parece é que "o meu tempo” da CCAÇ 1439 foi um tempo de transição em que Missirá e Porto Gole, embora ainda integrados na companhia que estava em Enxalé, passavam a ter já mais autonomia.

Depois do nosso regresso a Portugal pelo que compreendo (mas o Beja Santos e o Henrique Matos poderão esclarecer tudo isto melhor que eu), os destacamentos de Missirá e Porto Gole passaram a ser mais independentes: Missirá passou a ser directamente dependente de Bambadinca, com pouca ou nenhuma ligação com Enxalé, e quanto a Porto Gole penso que ainda ficou por algum tempo mais dependente de Enxalé.

Mas já se sentia esse tempo de “transição” (que mais me pareceu um tempo de confusão do que transição) que não foi tão fácil para ninguém: quando destacaram para Porto Gole um "pelotão independente” sob o comando do alferes Maldonado, este destacamento de Porto Gole sofreu logo um tremendo ataque que levou a vida do próprio alferes Maldonado. E eu que de lá tinha saído semanas antes, não tive senão que aceitar as ordens do meu comandante, capitão Pires e tive de voltar para lá até que arranjassem outro alferes para o substituir. Foi o Henrique Matos.

O mesmo viria a acontecer com Missirá, que sofreu um tremendo ataque quando lá puseram um “pelotão independente”, ainda dependente de Enxalé, mas já com maior autonomia, sob o comando do alferes Marchand.

Depois de tremendo ataque a Missirá, quando o alferes Marchand aí se encontrava, a CCAÇ 1439 foi instruída a fornecer outra vez um dos alferes e foi o alferes Freitas que para lá voltou.

E até voltarmos nunca deixou de estar sob a dependência de Enxalé… na altura em que chegou hora de voltar a Portugal era eu que me encontrava em Missirá e de lá partimos para Fá, e daí para Bissau, rumo a Portugal.

( Vide Postes:
 22940).

Isto tudo sobre "voltando ao Mato Cão” para dizer que, no que se refere a proteção das embarcações no Geba, nessa zona perto de Mato Cão, tudo mudou nessa altura, portanto em fins de 1967 e seguintes. 

Nessa altura a companhia de madeirenses CCAÇ  1439 já tínha regressado e eu, contente e aliviado por ter voltado são e salvo da Guiné, depois de ter sido um “oficial” do Exército Português, lavava pratos em Londres para ajudar com as despesas de apendizagem/aperfeiçoamento da língua inglesa que me veio a a valer muito depois.

(Revisão / fixaçãode texto, negritos, título: LG)

2. Comentário do editor LG:


A CCAÇ 1439 teve como unidade mobilizadora o BII 19 (Funchal), partiu para o CTIG em 2/8/1965 e regressou a 18/4/1967, tendo passado por Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole, Missirá, Fá Mandinga. 

O comandante era o cap mil inf Amândio Manuel Pires, já falecido. 

Alferes (milicianos): Freitas (Funchal, Madeira), João Crisóstomo (Torres Vedras, hoje a viver em Nova Iorque), Sousa (Vila Nova de Famalicão), Luís Zagalo (Lisboa, ator de teatro, já falecido).

Síntese da Actividade Operacional

Após o desembarque, seguiu imediatamente para Xime, a fim de efectuar o treino operacional com forças da CCav 678 e assumiu a responsabilidade do subsector de Xime em substituição da CCaç 508, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 697, com a missão de intervenção e reserva do sector.

Em 10Set65, por troca com a CCav 678, foi deslocada para Bambadinca, onde continuou com a missão de intervenção e reserva do sector e assumiu cumulativamente, a responsabilidade do respectivo subsector de Bambadinca.

Nestas funções, tomou parte em diversas operações de que se salientam, pelos resultados obtidos, a operação "Bravura", de 14 a 24Ago65, na região de Galo Corubal e a operação "Avante", de 29 a 30Ago65, na região do rio Burontoni.

Em 090ut65, por troca com a CCaç 556, assumiu a responsabilidade do subsector de Enxalé, com destacamentos em Missirá e Porto Gole, mantendose na dependência do BCaç 697 e depois do BCaç 1888. 

No período, efectuou várias operações nas regiões de Madina Belel, Bissá e Porto Gole, em que
capturou bastante armamento e material.

Em 08Abr67, foi rendida no subsector de Enxalé, por troca, pela CArt 1661 e recolheu seguidamente a Fá Mandinga, onde se manteve, temporariamente, como subunidade de reserva do sector.

Em 17Abr67, seguiu para Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações  Tem História da Unidade (Caixa n.º 74 - 2ª Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pág. 349

sábado, 31 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26868: Convívios (1036): Fotorreportagem do 61º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha, Algés, 29 de maio de 2025 (Manuel Resende / Luís Graça ) - Parte II

 
Foto nº 10 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  Da esquerda para a direita, o José Carlos  Valente (Amadora) e o Hélder Sousa (Setúbal). 

O Valente faz hoje anos. Desafiei-o a integrar (e a colaborar em) a Tabanca Grande, o que ele aceitou. Doutorado em História, é autor de dois livros, editados pela Colibri: "Estado Novo e Alegria no Trabalho" (2019, 250 pp.) e "Para a História dos Tempos Livres em Portugal: Da FNAT a INATEL 1935-2010" (2011, 288 pp.). É "pira" na Tabanca da Linha. Pelo que eu perecebi, foi fur mil enf,  CCS/BCAÇ 2884 (Pelundo, 1969/70).

O Hélder Sousa não precisa de apresentação: é o provedor da Tabanca Grande.



Foto nº 11 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  Dois camaraadas do que reprentam bem o nosso Sul: o Eduardo Estrela (Cacela, Vila Real de Santo António) e o José Serrano Matias (Évora). Houve mais dois "magníficos" que vieram do Algarve, o Mário Santos (Loulé) e o Joaquim Teixeira (Faro)


Foto nº 12 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > O António Bartolomeu e o filho... O Bartolomeu não o via desde junho/julho de 1969, estivemos juntos no CIM Contuboel. Viemos no mesmo T/T Niassa, em 24 de maio de 1969: ele petrtencia à CCAÇ 2592 (futyura, CCAÇ 14) e eu à CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12). Reconhecemos de imediato, uma ao outro!... Vive em Almada. É membro da nossa Tabanca Grande desde 31/5/2007. Esteve em Aldeia Formosa e em Cuntima.

Escrevi, no poste da sua apresentação à Tabanca Grande, em 31/5/2017:

 (...) "Foram os meus melhores momentos da Guiné, os únicos em que fiz Férias & Turismo, em que me esqueci que estava na guerra e vinha para fazer uma guerra… Contuboel representou para nós - creio que para nós todos - a maravilhada descoberta da África (...) Foi um tempo maravilhoso, intenso e veloz… Depois fomos lançados às feras… Ainda em farda nº 3, tivemos o nosso baptismo de fogo em finais de Junho, em Madina Xaquili…

As recordações são sempre (re)construções: pelo teu apelido, já não ia lá, mas ao ver a tua chapa, sem pêra, acendeu-se uma luzinha cá na minha base de dados… Do Dores e das suas anedotas, tenho uma vaga ideia, mas não estou a ver-lhe a cara…

Quanto a ti, por que é que não apareceste mais cedo, meu malandro ? Até à data, fora o pessoal da minha CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (o Levezinho, o Reis, o Marques, o Fernandes, o Sousa, o Martins, o Piça…), eu só tinha reencontrado o Renato Monteiro, da CCAÇ 11, mais antigo que nós em Contuboel " (...).



Foto nº 13  > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  O João Crisóstomo com o seu camarada da CCAÇ 1439 (1965/67),  o ex-1º cabo cond auto, António Almeida Figueiredo (São Domingos de Rana, Cascais). Cairam os dois numa mina anticarro, na estrada Enxalé-Missirá



Foto nº 14 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > O João e a Vilma (nascida em Brestanica, Eslovénia,em 1947; hoje naturalizada americana, casada com o J0ão em 2013; o casal vive em Queens, Nova Iorque; a Vilma já tem 22 referências no nosso blogue.

 


Foto nº 15 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 > Na mesa do João Crisóstomo, a  Cristina (Nova Iorque / Lisboa), o Joaquim Teixeira (Faro) ("pira" nesta tertúlia, também não é membrto da Tabanca Grande) e o Manuel Leitão (Mafra)... 


Foto nº 16 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  O João Crisóstomo trouxecom ele meia "companhia": além da esposa (Vilma) e da filha (Cristina, que vive e trabalha agora em Lisboa), desafiou mais uns tantos camaradas dfa sua companhia, a CCAÇ 1439, o Joaquim Teixeira (que veio de Faro), o Leitão ("Mafra"), que veio com o filho, Pedro, e ainda  o  António Almeida Figueiredo (que veio com a esposa e uma filha; moram em São Domingos de Rana)



Foto nº 17 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  O Pedro Leitão, filho do 
Manuel Calhandra Leitão ("Mafra"), ex-1º cabo at arm pes inf, Pel Mort 1028 (Fá Mandinga, Xime, Ponta do Inglês, Enxalé e Xitole, 1965/67), Mmbro ds Tabanca Grande desde 4/12/2022.



Foto nº 18 > Magnífica Tabanca da Linha > 61º almoço-convívio > Algés > Restaurante Caravela De Ouro > 29 de maio de 2025 >  Mais um "pira", o José Maria Monteiro, ilustre representante da Marinha (a par do Manuel Lema Santos) (cito de cor, em 0itenta e tal 
convivas)... O Monteiro é membro recente da Tabanca Grande. É autor de "Os Mais Jovens Combatentes, A Geração de Todas as Gerações, 1961-1974" (Lisboa, Chiado Books, 2019), de que o nosso crítico literário, Beja Santos, já fez a recensáo (em três notas de leitura).

Fotos: © Manuel Resende (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1. Continuação da fotorreportagem do último almoço-convívio da Tabanca da Linha,  Algés, 29 de maio de 2025, em que participaram 83 "magníficos" dos 87 inscritos. Fotos do Manuel Resende,  com legendagem do nosso editor LG.

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Nota do editor LG:

domingo, 20 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26707: Boas amêndoas e melhores Páscoas de 2025 - Parte IV (Vilma e João Crisóstomo, Brestanica, Eslovénia)

 
1. Mensagem do João e Vilma Crisóstomo:


Data - 20 abr 2025 13:20

Assunto - Boa Páscoa! e encontro?


Meus caros "Mafra" e Figueiredo

Estou na Eslovénia neste momento, onde o dia de Páscoa é dia festivo mais importante do ano, muito mais que o Natal que aqui passa quase despercebido.

Já tentei o telefone, mas ninguém apanhou .. vou tentar outra vez. Mas entretanto pode ser que leiam este ...

Primeiro: um abraço de Boas Festas de Páscoa para todos. (*)

E segundo: Gostava de os ver no encontro convívio do pessoal que esteve na Guiné , especialmente da nossa zona, que se vai encontrar no restaurante Caravelas de Ouro em Algés no dia 29 de Maio. Eu, o Luís Graça o Rui Chamusco e outros vamos lá estar. 

 Sei que o nosso querido "Mafra"! (Manuel Calhandar Leitão) (**)  gostava de um convívio especialmente para pessoal da CCaç 1439, mas não vejo grandes possibilidades. Em Portugal já somos bem poucos, e quase todos com razões suficientes para não se deslocarem com facilidade. Mas pelo menos nós três : eu, o António Figueiredo e o Leitão ("Mafra"), e que somos os três que fazendo parte da CCaç  1439 estamos na Tabanca Grande, com um pouco de esforço podemo-nos lá encontrar….

E aproveitamos para dar um abraçø ao Figueiredo que faz anos no dia 26, certo? Nós logo a seguir voltamos a Nova Iorque. ..

Oxalá vocês recebam este. Geralmente são as vossas horas queridas, (Sra Emília e Sra Felismina) que apanham o telefone. E é sempre um prazer ouvi-las! Vou continuar a tentar o telefone, na esperança de que suceda um milagre… como dizia o outro :” eu não acredito em milagres, mas que acontecem, lá nisso acredito!” . E para "teimoso casmurro" , creio que poucos como eu.

Abraço a todos.

João e Vilma

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Notas do editor:


(**) Vd. poste de 21 de maio de 2019 > Guiné 61/74 - P19809: Convívios (895): Pessoal que passou pelo Enxalé, em 1965/67, reuniu-se na Ericeira, Mafra: CCAÇ 1439, Pel Mort 1028, Pel Caç Nat 52 e Pel Caç Nat 54. Organizador, o "Mafra", Manuel Calhandra Leitão. Alguns vieram de longe, como o Henrique Matos (Olhão) ou o João Crisóstomo (Nova Iorque, EUA)

domingo, 16 de junho de 2024

Guiné 61/74 - P25643: Elementos para a história do Pel Caç Nat 54, "Águias Negras" (1966/74) - Parte II: Com o José António Viegas, por Bissau, Bolama, Mansabá, Enxalé e Missirá, no 2ºs emestre de 1966




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Missirá > Pel Caç Nat 54 > 1966 > O alf mil Marchand (ou Marchã) junto ao depósito de géneros, destruído no ataque de 22/12/1966


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Missirá > Pel Caç Nat 54 > 1966 > Mais uma vista parcial do destacamento (e tabanca), depois do ataque de 22 de dezembro de 1966.



Guiné >  Rio Geba > Pel Caç Nat 54 >c. agosto de 1966 >  No "cais" do Enxalé: da esquerda para a direita, o José António Viegas, o alf mil Marchand (Ou Marchã), ambos do Pel Caç Nat 54, eo fur mil enf, da CCAÇ 1439


Guiné >  Rio Geba > Pel Caç Nat 54 > Agosto  1966 > Nos barcos "turras" (Casa Gouveia), a caminho o Enxalé


Guiné >  Rio Geba > Pel Caç Nat 54 > Enxalé > Agosto de 1966 >  Vacas comparadas em Bissá, pelo comandante da CCAÇ 1439, cap Pires.

Fotos (e legendas): © José António Viegas  (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Confirma-nos, por email de ontem, o José António Viegas, que, no início, o Pel Caç Nat 54, formado no CIM de Bolama, era constituído por:

  • alferes Carlos Alberto de Almeida e Marchã (ou Marchand);
  • furriel mil Álvaro Valentim Antunes (morto na 1ª mina);
  • furriel Arlindo Alves da Costa (DFA, ferido na segunda mina);
  • fur mil José António Viegas;
  • 1ºs Cabos Manuel Januário (DFA), Coelho (DFA) e João Simão (telegrafista);
  • os soldados, do recrutamento local, eram das etnias Papel, Fula, Mandinga e Olof (um deles) (*)

Na primeira foto acima, o alferes Marchand (ou Marchã) está junto ao depósito de géneros depois do ataque a Missirá, em 21 de Dezembro de 1966.



José António Viegas, ex-fur mil, Pel Caç Nat 54
 (Bolama, Mansabá, Enxalé, Missirá, Porto Gole,  
Ilha das Galinhas, 
1966/68)


2. O José António Viegas, nosso grã-tabanqueiro nº 587 (desde 11 de novembro de 2012),  continua a ser a fonte privilegiada de informação sobre o seu Pel Caç Nat 54, de que é um dos "pais-fundadores". Daí que o seu percurso no CTIG, de 1966 a 1968, também o é desta subunidade, de que... "não reza a História" (*).

Vamos recordar alguns dos seus passos (**):

(i) Bolama, agosto de 1966

(...) Embarquei para o CTIGem 30 de julho de 1966,  no Uíge. Fui em rendição individual para ir formar, em Bolama, com outros camaradas, os primeiros Pelotões de Caçadores Nativos. Chegámos a 3 de agosto. (...)  Quatro  dias depois seguimos para Bolama para receber os Pelotões e fazer os treinos operacionais. O meu Pelotão foi o 54.

(...) Aqui apanhei o meu primeiro paludismo que me deixou de rastos por uns dias. O cheiro de que estávamos numa guerra e não de férias em África, era o ouvir de rebentamentos todas as noites em S. João, que ficava em frente a Bolama, e em Tite, e logo de seguida fazer a guarda de honra a um camarada que tinha morrido no rebentamento de uma bailarina em S. João e que foi enterrado no cemitério de Bolama.

(...) A minha estadia em Bolama, antes de ser colocado com o meu Pel Caç Nat 54 em Mansabá..., lembro-me bem daquela cidade já em degradação mas ainda com várias edificações em bom estado, como os correios, junto à piscina do Cabo Augusto onde se passavam os bons tempos de lazer, a casa do Governador e o Hotel, que estava em boas condições, onde muitos camaradas vinham descansar e passar férias.

(ii) Mansabá, setembro/outubro  de 1966

(...) No fim de Agosto, depois de ter terminado o treino operacional, seguimos para Bissau e depois para Mansoa, numa coluna enorme, onde se juntaram mais militares com destino a Mansabá.

A coluna até Cutia decorreu com normalidade, mas a partir daqui foram tomadas todas as precauções até Mansabá, onde se ouviram alguns tiros e aviso.

Em Mansabá estivemos 45 dias com a CCAÇ 1421. Aqui começa a nossa entrada na guerra. Logo nos primeiros dias fomos fazer um golpe de mão e, como tal, foi posta à prova a nossa impreparação para reagirmos debaixo de fogo. Quando se chegou ao objectivo, foi lançado o ataque pelo homem da bazuca e, debaixo daquele fogachal, eu de pé com as balas a assobiar sem saber o que fazer.

Aqui começa a minha preparação com os melhores operacionais, os meus soldados nativos, o meu cabo Ananias Pereira Fernandes, o homem que não gostava de G3 e só usava a Madsen, que me joga para o chão e me ensina a organizar e dispersar debaixo de fogo.

Lembro-me o que aprendemos em Vendas Novas com aqueles filmes da guerra da Argélia, no meio de dunas, e nós íamos para a selva, enfim ainda havia poucos formadores com experiência de combate.

(...) Voltando aos meus 45 dias em Mansabá... (Pena que não tenha fotos desta fase pois ardeu-me tudo no ataque em Missirá.)

Nos primeiros dias em Mansabá, ao cair da noite, começou o nosso obus 8.8 a cantar, vim até ao pé da bateria falar com o artilheiro um Fur. Mili. cabo-verdiano, perguntar o que se passava, dizendo ele que tinham informações que o Amílcar andava por ali.

Na semana seguinte foi feita uma operação em forte com a 5.ª CComandos, a CCP 121, a CCAÇ 1421 e o nosso Pelotão. Entrámos pelo Morés, os Comandos e os Páras fizeram o estrago e voltamos.
Um Sargº. Paraquedista trocou o seu camuflado com o meu, soube há pouco tempo que morreu com a doença maldita e que vivia aqui perto de Loulé.

Todas as semanas estávamos a sair sempre à noite. Nas progressões, até me habituar no escuro da noite, às grandes teias de aranha e aos terríveis bicos das Micaias, foi uma tortura.

Antes de sairmos, fomos montar uma emboscada no Alto de Momboncó com um Pelotão da 1421. Estava com o meu pelotão emboscado quando vejo os Fiat a picar sobre nós, deu para assustar, levantámos com as armas para o alto e vejo o asa a desviar, logo de seguida ouviu-se largar as bombas e o cheiro horrível de petróleo. Este era um dia não, e no regresso apanhámos com uma emboscada de abelhas, os nativos largaram as armas e toca a fugir. O Sargento Monteiro da 1421 ficou bem picado e ainda por cima tinha pouco cabelo, ficando num estado lastimável.

Desta CCAÇ 1421 lembro-me do Cap Carrapotoso, já falecido, e dos Furriéis Fernandes e Passeiro. (...)

(iii) Enxalé, novembro de 1966

(...) Os poucos dias que estive em Bissau, foi para tomar contacto com a cidade, um dos sítios de encontro era o Café Bento, conhecido pela a 5ª Rep, onde encontrei amigos que nem pensava que estavam por aqueles lados.

Neste café sabiam-se as novidades todas do mato e também as histórias que contavam aos piriquitos. Havia um pouco de tudo, aqueles que diziam que estávamos ali na guerra para defender os interesses da CUF que era representada pela Casa Gouveia, outros que diziam que ainda iam voltar situações piores que a Ilha do Como.

Os frequentadores assíduos do Café aconselharam-me logo que se quisesse bons livros era falar com o Sr. Bento, pois que certos livros a Pide ia lá buscar, mais tarde tive ocasião de presenciar.

Passados que foram estes curtos dias em Bissau, lá fomos embarcados nos barcos da Casa Gouveia, que iam levar abastecimentos a Bambadinca, e navegando rio Geba acima durante a noite, aconchegados da humidade no meio da carga.

Chegámos ao Enxalé pela manhã. As barcaças encostaram, não havia cais, fomos recebidos pela Companhia 1439 e pelo Pel Caç Nat 51 que já estava naquele aquartelamento.

Fui encontrar o pessoal da CCAÇ 1439 um pouco desmoralizado pois um mês antes, em outubro, tinha rebentado uma mina em Mato Cão, na ida houve um primeiro rebentamento que pulverizou um soldado açoriano, e na volta outro rebentamento que resultou na morte do furriel Mano.

Esta Companhia era comandada pelo Capitão Pires, um grande homem e um bom operacional.

A nossa primeira saída foi para ir a Bissá onde o BCAÇ 1888 queria fazer um destacamento.
Fomos direito a Porto Gole e depois seguimos para Bissá, era impressionante ver aquele aldeamento, no chão balanta, no meio de uma grande clareira com bastante gado e celeiros de arroz enormes.

Lembro-me do cap Pires dizer:

- Um destacamento aqui, no meio de um dos principais fornecedores do IN ? Vai correr muito sangue.

E foi verdade, entre 1967 e 1968 muitos morreram e muitos ficaram feridos.

Regressámos com gado comprado para a Companhia.

Nesta mês de Novembro a nossa missão era fazer colunas a Missirá e a Porto Gole e umas operações na zona. Lembro-me do alferes Zagalo de Matos que,  quando saía para as operações o seu ordenança trazia o camuflado impecável e as botas a brilhar, tinha que estar todo a rigor. Ainda há dois para três anos, quando o encontrei nas suas andanças teatrais, lhe falei nisto que ele recordou com saudade. (Já partiu).

Havia na companhia um Furriel que era professor, o Farinha, dava aulas aos militares, a maior parte madeirenses, alguns analfabetos, e dava aulas numa escola improvisada no aldeamento, não esqueço a fome de aprender daquelas crianças.

(iv) Missirá, dezembro de 1966:

(...) O Capitão Pires, da CCAÇ 1439,  querendo juntar o máximo da Companhia para passarem o ultimo Natal juntos, enviou o nosso Pelotão 54 para Missirá, todo o pessoal dizia que íamos passar umas férias, pois aquele destacamento não tinha problemas de ataques há muito.

Instalámo-nos e fizemos o respectivo reconhecimento. No dia 22 recebemos o correio,  via Bambadinca, com algumas encomendas de Natal e preparávamos o nosso primeiro Natal na guerra. Depois do jantar, e depois de verificar os postos, fomo-nos deitar. 

Na nossa palhota dormíamos os três furriéis. Enquanto o sono não vinha,  íamos falando até que, por volta das 10 horas da noite, começa a entrar pela nossa palhota uma metralha de fogo: explosivas, tracejantes e iluminantes de arma pesada, por sorte o fogo passava todo a um metro acima das nossas camas, foi agarrar nas armas como estavámos, já com a palhota a arder, e tentar organizar a defesa.

Eu fui municiar o meu cabo Ananias Pereira Fernandes , com a MG42,  para o abrigo e tentar pôr o pessoal a fazer fogo o mais rasteiro possível. O destacamento parecia Roma a arder e a pontaria deles era tão grande que conseguiram meter uma morteirada no bidão do azeite no depósito de géneros. O rebentamento deste parecia fogo de artifício.

No meio da gritaria e dos impropérios de um lado e de outro, ouve-se um grito de agarra-lo á mano, pois de certeza que vinham com cubanos.

Depois de quase uma hora de fogo, as morteirada estavam a cair junto ao refeitório onde estava o Unimog debaixo do embondeiro, o soldado condutor da CCAÇ 1439 foge e consegue pôr a viatura a funcionar, que estava com escape livre, para o retirar daquela zona de fogo. Julgo que eles pensaram que vinham reforços e debandaram, foi uma sorte porque as munições não eram muitas, principalmente as de morteiro 60 e bazuca.

Tentou-se a seguir ver se havia feridos, não havendo nada a registar entre os militares, mas acho que na população houve dois mortos e três feridos.

Hipótese de ajuda não tínhamos, nem de Finete, que era o destacamento mais perto, nem de Bambadinca, pois tinham que atravessar o rio. Só aguardando o pessoal do Enxalé.

Logo pelo nascer do dia veio o heli fazer as evacuações, o piloto era o Faísca, moço conhecido do Algarve. Assim que o heli levantou começamos a ouvir metralha, era o pessoal da CCAÇ 1439 e o pessoal do Pell Caç Nat 51 que estava a ser emboscado entre Mato Cão e Missirá. O IN retirou mas ficou emboscado, era lógico que viria ajuda.

Começámos então a olhar para a realidade, palhotas ardidas e grande destruição, dos nossos pertences só tínhamos a roupa vestida no corpo, o resto era tudo cinza. Guardo a única coisa que encontrei, uma moeda de 10 pesos toda queimada. No reconhecimento que fizemos, encontrámos bastante sangue e uma pistola. Era triste ver o destacamento com tanta destruição.

Com o depósito de géneros completamente destruído, pouco tínhamos para comer, fomos a Bambadinca buscar algumas coisas e tentar arranjar roupa.

Chega o dia de Natal, a comida não era muita, vem o meu cabo Januário e outro cabo Ananias dizer que iam dar uma volta para arranjar carne. Chegada a hora do almoço apresentaram um repasto de carne com arroz de xabéu , que estava uma delicia, findo o almoço o cabo africano Ananias chamou-me à parte e deu-me as caveiras dos macacos que tínhamos acabado de comer. Guardei uma como talismã que perdi quando vim da Africa do Sul em 1978. (...)

 (Selecção, reevisão / fixação de texto: LG)
____________

Notas do editor:

(*) Último poste da série > 14 de junho de 2024 > Guiné 61/74 - P25640: Elementos para a história do Pel Caç Nat 54, "Águia Negras" (1966/74) - Parte I: Temos dois representantes na Tabanca Grande, o algarvio José António Viegas (1966/68) e o açoriano Mário Armas de Sousa (1968/70)...



27 de novembro de  2012 > Guiné 63/74 - P10731: Memórias de Mansabá (26): Os meus 45 dias em Mansabá (José António Viegas)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Guiné 61/74 - P24983: Tabanca da Diáspora Lusófona (21): Visitando velhos amigos e camaradas... em Portugal (João Crisóstomo, Nova Iorque)

1. Regressou ontem a casa, em Queens, Nova Iorque, o nosso amigo e camarada João Crisóstomo, depois de receber no passado dia 11, em Lisboa,  o Prémio Tágides 2023 (Categoria "Portugal no Mundo") (Foto à esquerda). 

Por razões de agenda, ficou por publicar uma sua mensagem, datada  de  domingo, 3/12/2023, 20:44.  Fazèmo-lo agora,  com o nosso pedido de desculpas pelo atraso. Mas o seu interesse e atualiddae mantêm-se.
 

Caro Luís Graca,

Desculpa o meu longo silêncio. Às vezes não dá para melhor! Mas aqui estou.

Por razões várias , umas que de longa data têm esperado concretização e outras inesperadas que não aceitam adiamentos, estou em Portugal. E também por razões que não dependem de nós, eu e a Vilma viemos e vamos voltar para Nova Iorque em datas diferentes. Ela só chega no dia 6 e volta a 18. Eu já estou aqui desde o dia 27 de Novembro e vou voltar a Nova Iorque em 20 de Dezembro. Ainda vamos a tempo de fazer algo para celebrar o Natal com os nossos queridos, mas as decorações e luzes na frente da nossa casa que costumam ser parte desta época natalícia vão ficar esperando para o próximo ano.

O muito que tencionava fazer obrigava-me a vir mais cedo, mas desta vez os ventos estavam a favor e inesperadamente acabei por resolver vários assuntos muito mais depressa do que antevia. Como resultado reorganizei a minha agenda de modo a poder ver familiares e amigos que, pensava eu, não ia ter tempo de ver. Dentre destes alguns camaradas da Guiné.

E assim, 
a 29 de Novembro: tive a oportunidade de ver um camarada que esteve na Guiné na mesma altura que eu, o Germano Estêvão, da CCAÇ 1549, BCAÇ 1888, ainda meu primo. Recorda-se bem que nos encontrámos uma vez em Tite, facto que eu tinha esquecido mas de que depois me lembrei. Estava festejando o seu aniversário de casamento com a sua esposa Etelvina. Eu sabia disso e já tinha telefonado e convidado a aparecer um outro camarada nosso, o furriel Peixeira que na Guiné foi comandante do Germano e que tu conheces bem por muitos motivos. 

Como não podia deixar de ser as Guinés, de antes e de agora, estiveram presentes pois o Peixeira logo apresentou um calhamaço de fotos e outros documentos , incluindo uma 
Petição à Presidência da Assembleia da República para a qual ele está angariando assinaturas.

.


Na 1ª foto do lado direito: eu, o Germano e a senhora Etelvina,  sua esposa. No lado esquerdo o Peixeira e sua esposa. Na 2ª foto, um excerto da recolha de assinaturas de antigos combatentes, que está a efectuar o Joaquim Peixeira, para efeitos de petição à Assembleia da República.


No dia seguinte,  30 de Novembro,     fui a Leiria com o fim de ver o meu muito querido António Rodrigues, de quem também te deves lembrar pois estivemos juntos em vários "encontros das famílias Crisóstomo e Crispim”,   encontros em que eu incluia os meus amigos e camaradas da Guiné.

A sete de Maio passado o António ao sair de casa caiu e bateu com a cabeça num muro. E tem estado desde então num estado de coma quase total, primeiro em hospitais e agora numa casa “Lar para idosos “, a ADESBA , na Barreira de Leiria. 

 Fui-o ver, acompanhado de dois familiares que o visitam todos os dias mas não sabemos sequer ao certo se ele dá pela presença de alguém. É de partir o coração, mas a idade e a vida por vezes obriga-nos a ter de aceitar tanta coisa que nem dá para compreender.~

O tempo permitiu-me ainda uma outra visita, esta muito diferente da primeira: cumprindo a minha promessa que faço a muita gente por telefone.  especialmente pela época de Natal de, "se um dia ocasião propícia aparecer vou-te visitar”, eu fui ver um camarada, condutor, que pertencia à minha companhia CCAÇ  1439. É o António Agostinho  (comigo na foto a seguir) a quem chamávamos "o Marrazes” , nome da terra onde vive e onde eu o fui agora visitar.


Eu e o António Agostinho (o "Marrazes")



Apesar das minhas repetidas “promessas", parece que ele nunca acreditou que alguém aparecesse mesmo para o ver. . Assim me pareceu pelo abraço que me deu. "Não podes imaginar, repetia ele, a alegria que me deste.” Se assim foi, valeu a pena, pois por minha parte o rever e em boa saúde um camarada que não via há muitos anos foi satisfação grande também.

Dia 2 de Dezembro. Depois dum almoço no "Restaurante Braga”,   no Vimeiro, Lourinhã,  com a São, esposa do nosso saudoso Eduardo Jorge Ferreira, o Rui Chamusco e alguns seus familiares que o vieram visitar, sobrou-me tempo para o que bem entendesse. 

Depois de ver um sobrinho meu lembrei-me dum outro camarada da Guiné com quem andei na escola primária e que esteve na Guiné ao mesmo tempo que eu. Vi-o a última vez há mais de sete anos, em Abril de 2016, mas não me lembrava já onde ele morava, pelo que perguntei ao Germano, o meu primo de quem falei atrás se ele sabia e me podia ajudar. E lá fomos para o encontramos, muito cabisbaixo, sentado num banco ouvindo rádio. Estranhei que não nos ligasse muito, para logo nos dizer que estava só e muito triste pois que sua esposa estava num lar, sem grandes esperanças de a poder ver de novo na sua casa.


   

Eu e o Jaime Moreira


A Guiné e suas recordações foram o auxílio que ele precisava para se reanimar. Chama-se Jaime Moreira. Quando éramos garotos ele era o “Jaime dos aeroplanos”, mas eu nunca soube a razão de “aeroplanos”. Pertencia à CCAÇ 1417, BCAÇ  1856. Para logo me perguntar se eu conhecia o Alferes Ceril (?) e o capitão Aranha Gonçalves. Respondi que não, mas isso não foi razão para ele parar de lembrar bons e maus bocados, que lá passou. 

Lembrava bem Bafatá e Nova Lamego onde ia e passou muito tempo, graças, explicava ele , à situação de alguma maneira privilegiada da sua companhia , mercê dos conhecimentos e protecção de alguém bem relacionado junto do General Schultz. 

Mas lembrava também Madina do Boé e os maus bocados e aflições que aí passou; assim como uma grande operação em que tomou parte e em que o transporte/ passagem do Corubal de todo o material de todas as categorias levou quase três dias, durante os quais passou as ruas da amargura, enquanto o oficial que comandava/dirigia essa operação de passagem do Corubal o fazia sempre duma avioneta... .


O meu primo Germano, à esquerda


A esta altura o nosso camarada Jaime, que foi também meu colega de escola primária, já não era o mesmo homem que nos tinha recebido. Falava pelos cotovelos e queria e insistia em contar mais coisas que lembrava bem. E quando estávamos a partir ele disse ao Germano que o queria ver mais vezes para não se sentir tão sozinho. O Germano disse-me então que apesar de saber notícias dele e onde ele morava etc, realmente desde há muitos anos nunca mais o tinha visto talvez desde que saiu da tropa .

Oxalá este encontro e possivelmente outros, que fazem renascer velhos conhecimentos e amizades continuem ajudando a quem de companhia e contactos mais frequentes necessitam.


3 de Dezembro. É dia de aniversário do Manuel Leitão , o nosso querido “Mafra”. Também a ele eu tinha prometido fazer o possível para lhe ir dar um abraço. Aniversário de nascimento é só uma vez ao ano… Mas desta vez havia razão especial : a sua esposa Felismina já se encontrava em casa depois de longa e preocupante estadia no hospital.

Se o 80º aniversário do Mafra já era motivo de muita alegria , o facto de terem de volta a esposa e mãe multiplicou mil vezes essa satisfação. Mesmo sem grandes manifestações, eu imaginava o que o Mafra e os filhos estavam sentindo. Senti-me muito muito feliz por me terem deixado ser parte desta celebração e de momentos de tanta felicidade para todos eles.


Eu, o Manuel Calhandra  Leitão (o "Mafra") e a esposa, em dia de aniversário


Fotos (e legendas);  © João Crisóstomo (2023). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Já regressei a casa. Ainda queria ir visitar a Aranha Antunes, em Santa Cruz, mas senti-me cansado e a idade começa a ser mais forte toque as intenções.

Com muita antecipação de vos poder ver em breve, para ti e para a tua querida Alice um abraço grande.

E como costumas publicar os E mails que te envio em que falo dos nossos camaradas da Guiné, aproveito para, de coração desejar a todos os meus amigos/camaradas da Guiné, especialmente aos extraordinários voluntários teus ajudantes editores Carlos Vinhal, Eduardo Magalhães Ribeiro e Jorge Araújo que contigo conservam e alimentam a chama do nosso blog, uma época festiva tão boa como cada um possa desejar para si mesmo e os seus queridos.


João Crisóstomo

terça-feira, 7 de março de 2023

Guiné 61/74 - P24126: Tabanca Grande (546): António Figueiredo, ex-sold cond auto, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67); natural de Sátão, Viseu, vive em São Domingos de Rana, Cascais; senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 873



O António Figueiredo, hoje e ontem... Senta-se, a partir de hoje, 
no lugar nº 873, à sombra do poilão da Tabanca Grande.


Fotos (e legenda): © António Figueiredo (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do António de Almeida Figueiredo, ex-soldado condutor auto, nº 8563364, CCAÇ 1439 (1965/67):

Data - 06/03/2023, 16:02

Assunto - Pedido de Adesão ao Blogue Combatentes da Guiné

Conforme indicação do Amigo Crisóstomo, junto envio os seguintes elementos:

Duas fotografias, uma antiga (Guiné); a outra é a atual.

Chamo-me António de Almeida Figueiredo, sou natural de Satão, Viseu e resido em S. Domingos de Rana, Cascais.

Fui combatente na Guiné, incorporado no BII 19, CCAÇ 1439 , Funchal, desde 17 de Agosto de 1965 até 18 de Abril de 1967.

Tenho falado várias vezes sobre este tema com o Crisóstomo, que muito estimo e, apesar de só agora solicitar adesão ao blogue, reconheço a sua grande importância.

Na Guiné estive colocado, por mais ou menos tempo, em Bambadinca, Xime, Missirá, Enxalé e também com deslocações a Porto Gole, como condutor auto. Foi numa destas deslocações, em 21-8-1966 que tive a experiência real do risco constante, com a explosão de uma mina anticarro  (**) que eu conduzia e em simultâneo sofremos uma grande emboscada que só terminou com o auxílio da Força Aérea. Felizmente não houve mortos mas houve vários feridos graves, incluindo o nosso médico. Na viatura destruída seguia ao meu lado o Alferes Crisóstomo.

Um abraço, António Figueiredo



CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): tem 107 referências no nosso blogue. E além do João Crisóstomo e do Júlio Martins Pereira (1944-2022), passa a ter mais um representante na Tabanca Grande, o António Teixeira...


2. Mensagem do João Crisóstomo, ex-alf mil, CCAÇ 1439 (1965/67):

Data - 06/03/2023, 21:53

Meus caros,

Quando pensava que já não valia a pena qualquer esforço meu para trazer mais alguém da CCaç 1439 para a nossa Tabanca, sucedeu o milagre: como o Figueiredo alegava não ser perito em coisas digitais eu pedi à esposa dele, a senhora Emília, que tinha apanhado o telefone quando chamei, que o ajudasse, uma vez que ele afirmava ter gosto em fazer parte do blogue.

Por ocasiões e experiências anteriores,  eu sabia da simpatia e amabilidade da senhora Emília. Este feliz desenvolvimento deve-se a ela. Bem haja. Fico aguardando com antecipação o podermo-nos encontrar pessoalmente de novo para, em nome dos muitos que se regozijam pela entrada do Figueiredo na nossa Tabanca, lhe dar um beijinho de apreço e gratidão. É que este feliz desenlaço vai-me ainda dar a possibilidade de "explorar mais um pouco”: vou telefonar de novo ao Teixeira e outros, que também manifestaram boas intenções de um possível ingresso na Tabanca, na esperança de que o exemplo do Figueiredo sirva de inspiração e motivação...

Como ele menciona na sua apresentação, eu e o Figueiredo estamos de alguma maneira especialmente ligados na nossa experiência da Guiné (Vd. poste P22478,  de 23 de Agosto de 2021) (**) por termos sido projectados pelos ares por uma mina em que houve muitos feridos, possivelmente mortos. E digo possivelmente mortos pois que dos vários que na altura foram evacuados de helicóptero para Bissau (incluindo o médico Francisco Pinho da Costa que tinha partido as pernas), de alguns deles nunca soubemos mais nada. A nós os dois, salvo o grande susto, não nos aconteceu nada.

Além das fotos agora recebidas, encontrei duas fotos feitas num encontro/convívio em 26 de maio de 2012, no restaurante Solar Verde Gaio, em Viseu, da CCaç 1439, Pel Caç Nat
52 e 54 e dois pelotões de  morteiros 81 que foi organizado pelo Figueiredo. 

Tenho uma pena enorme, muito grande mesmo, de já não os poder identificar todos. Com sinceras desculpas àqueles que cujos nomes não me lembro mais (é a tal “…” da idade!) não quero deixar de identificar os que ainda lembro bem (Foto nº 1)
 
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Foto nº 1 > Viseu > Restaurante Verde Gaio > 26 de maio de 2012 > Convívio do pessoal da CCAÇ 1439, organizado pelo António Figueiredo. 

"Na linha da frente, na Foto nº 1, meio ajoelhados, da esquerda para a direita (entre parênteses o número de ordem atribuído pelos editores): furriel Farinha (já falecido) (1); alferes Freitas (Funchal) (2); o nosso novo tabanqueiro António Figueiredo (3): Pimentel (4), e outros dois cujos nomes me escapam (5 e 6)

Na segunda fila de pé, também da esquerda para a esquerda: furriel Neiva (7); furriel Teixeira (Faro) (8); alferes Sousa (V. N. Famalicão) (9); a seguir não lembro os nomes daqueles com os números 10, 12 e 14; eu sou o número 11 e o falecido furriel Octávio (dos autos) ocupa o penúltimo lugar (13)".


Foto nº 2 > 
Viseu > Restaurante Verde Gaio > 26 de maio de 2012 > Convívio do pessoal da CCAÇ 1439 (mais Pel Caç Nat 52 e 54) e dois pelotões de morteiros 81, um deles o Pel Mort 1028), organizado pelo António Figueiredo.

"Nesta segunda foto aparecem todos os participantes (penso eu), neste convívio. O reduzido número de participantes deve-se ao facto de as praças (soldados) da CCaç 1439 serem todos da Madeira".

Nota do editor LG: do restante pessoal (não pertencente à CCAÇ 1439), reconhecemos na primeira fila,  na ponta esquerda, o nosso saudoso Jorge Rosales (1939-2019), o Manuel Calhandra Leitão, o "Mafra" (do Pel Mort 1028) (o nº 6 da segunda fila, a contar da direita para a esquerda), o Mário Beja Santos (do Pel Caç Nat 52, o penúltimo desta fila, ao lado do João Crisóstomo). O mais alto da terceira, fila, ao centro, é o Henrique Matos, que foi o primeiro comandante, em 1966/68, do Pel Caç Nat 52.

Fotos (e legendas): © João Crisóstomo (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

3. Comentário do editor LG:

Antes de mais um grande abraço de boas vindas ao António Figueiredo, que se passa a sentar no lugar nº 873, e fica sob a protecção do nosso mágico, simbólico, fraterno poilão da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas, a única em que todos nós, os antigos combatentes da Guiné, cabemos com tudo o que os une e até com aquilo que os pode separar (política, religião, futebol, etnia, armas, postos...).

De acordo com as nossas regras, como antigos camaradas de armas que fomos, tratamo-nos por tu. Já lá vai o tempo do antigo regime de "apartheid" que vigorava na tropa (e depois na Guiné), com as "três ordens (nobreza, clero e... povo)" devidamente segregadas, socioespacialmente falando... 

Depois do João Crisóstomo e do saudoso Júlio Martins Pereira, tu és o terceiro elemento da CCAÇ 1439 a integrar a nossa Tabanca Grande. O que também é uma honra para todos nós, sabendo-se que a maior parte do pessoal era de origem madeirense e está muito provavelmente espalhado pelos quatro cantos do mundo, na diáspora lusófona. 

O "Mafra", o Manuel Calhandra Leitão, que era do Pel Mort 1028, e esteve convosco, ao longo da comissão, também nos dá a honra da sua presença na Tabanca Grande. Somos uma comunidade virtual de antigos combatentes, que desde há 18 anos procura preservar e divulgar as suas memórias da Guiné. De 2006 até 2019, também realizámos encontros anuais (catorze ao todo). Foram interrompidos com a pandemia, vamos lá ver se conseguimos juntar forças para reeditar esta iniciativa. O último, o XIV Encontro Nacional da Tabanca Grande realizou-se em Monte Real, Leiria, em 25 de Maio de 2019.

O teu nome, António Figueiredo, passa a figura na lista alfabética da Tabanca Grande, de A a Z, constante na "badana" (ou coluna estática) do blogue, do lado esquerdo. Dos nosso 873 (contigo) membros, já faleceram, infelizmente, cerca de 15% (132).

Podemos dizer que entras pela mão de um "padrinho", o João, a quem eu trato por mano e com quem falo com frequência, à distância. Ele nasceu perto de mim, em A-dos-Cunhados, Torres Vedras, eu sou do concelho vizinho, Lourinhã. Há muito, desde 1977, como sabes, que ele vive em Nova Iorque. Mas de vez em quando dá-nos o prazer da sua visita, dele e da sua querida Vilma. Pode ser que a gente, um dia destes, se encontre, aqui para os lados do Oeste, já que tu também não estás longe, vives em São Domingos de Rana, Cascais. 

António, também nos podemos encontrar, em Algés, na Magnífica Tabanca da Linha, de que um dos cofundadores e grande animador foi o nosso Jorge Rosales, já falecido o ano passado (vd. foto nº 2). Costumamos anunciar, no nosso blogue, a realização dos convívios da Tabanca da Linha: vê aqui a págjna do Facebook. Há malta de São Domingos de Rana, que costuma aparecer. Os almoços-convívio realizam-se, em geral, de seis em seis semanas, às quintas-feiras, no restaurante A Caravela, D'Ouro, em Algés.

Parabéns à tua esposa Emília, que te ajudou a chegar até nós. Também estamos no Facebook, vê aqui a nossa página, Tabanca Grande Luís Graça. E, claro, parabéns ao teu "padrinho", João Crisóstomo, cuja dedicação ao nosso blogue eu tenho que aqui destacar e agradecer em público. Tomo a liberdade de citar aqui um excerto do mail que ele te mandou a ti e mais camaradas da CCAÇ 1439, convidando-vos, mais uma vez, a juntarem-se à nossa Tabanca Grande:

(...) Tenho mesmo pena que a nossa CCaç 1439 esteja tão pouco representada em meios escritos… Seria bom que mais alguém aparecesse  para que a nossa CCaç 1439 num futuro próximo não passe quase despercebida! 

 Além disso eu gostaria de não me sentir tão sozinho, mas antes ter o gosto de ver a nossa querida CCaç 1439 mais e melhor representada neste blogue que é sem dúvida o melhor meio de nos lembrarmos uns dos outros, de lembrarmos tudo o que passámos e vivemos na Guiné. " (...)

PS 1 - Já agora, António, sendo tu natural de Sátão, distrito de Viseu, sabes quantos conterrâneos teus morreram na guerra do ultramar / guerra colonial? Foram, dezassete, sendo quatro no TO da Guiné. Podes ver aqui os seus nomes.

PS 2 - Se quiseres que a gente te faça, no dia do teu aniversário, um "cartanito de parabéns", tens que nos indicar a tua data de nascimento (sabemos, pelo João, que vais fazer 80 aninhos no próximo daí 11 de novembro)... Comunica connosco, e manda mais fotos e algumas pequenas histórias.

PS 3 - Esqueci-me de te dizer que também andei, em 1969/71, pelos mesmos sítios onde tu e os teus camaradas da CCAÇ 1439 penaram:  Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, entre outros...
___________

Notas do editor:

(*) Último poste da série > 26 de fevereiro de  2023 > Guiné 61/74 - P24098: Tabanca Grande (545): Corrigindo um lamentável lapso nosso, o José António Paradela (1937-2023) fica connosco, no lugar nº 872... pelo seu contributo para a memória da "Faina Maior"... Parafraseando o capitão Valdemar Aveiro, podemos perguntar: "daqui a uma geração, quem se vai lembrar disto, a guerra do ultramar / guerra colonial e a outra guerra, a da pesca do bacalhau"?!

(**) Vd. poste de 23 DE AGOSTO DE 2021 > Guiné 61/74 - P22478: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte XII: Mina A/C em 21/8/1966, e violento ataque ao Enxalé em 9 de setembro

(...) Do rebentamento do engenho explosivo resultaram danos materiais e físicos:

(i) Destruição de uma viatura GMC;

(ii) Feridos das NT:
  • Alf Mil Médico Francisco Pinho da Costa, do BCAÇ 1888, evacuado
  • 1º cabo 682 1364 José Manuel Afonso Ferreira, evacuado
  • 1º cabo aux. enfer. 647 4664, Alexandrino Pestana F. Leitão
  • 1º cabo 182 6865 Carlos Tibúrcio Nunes
  • 1º cabo 7351565, José Luís Fernandes Martins
  • Soldado condutor 8563364, António de Almeida Figueiredo
  • Sold 22665 António Francisco Caneca de Oliveira
  • Sold 651 7665 Álvaro de Sousa
  • Sold 0483065 José Dionísio Vieira de Castro
  • Sold 09/63 Nagna Chete, da 1ª CCaç
  • Sold da Polícia Administrativa 241/64 , Buli Mané. (...)