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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28473: Humor de caserna (300): O plano de vacinação da tropa: a nossa "dose de cavalo" (Carlos Vinhal, José Câmara, António Murta, Luís Graça, José Teixeira)









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Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Carlos Vinhal | José Câmara | António Murta | Luís Graça | José Teixeira  (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)



1. Comentários aos poste P28470 (*):

1.1. José Câmara (EUA):

Mano Carlos,

Em Tavira eramos mais sotisficados. A referida vacina, se bem me lembro, foi dada na nádega e na parada do CISMI.

Abraço atlântico fraterno.

José Câmara
quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 22:45:21 WET


1.2. António Murta (Figueira da Foz):

Olá, Carlos Vinhal.

Eu também passei por uma cena caricata no dia das vacinas, mas não desmaiei. A bicha para receber a vacina foi formada na rua e, como a vacina era dada no braço, mandaram-nos descer o blusão para as costas e deixá-lo preso nos braços. 

O ritual da vacinação foi exactamente como descreves. Ora, quando o enfermeiro (que eu pensava que era o último) enfiou a seringa na agulha e a despejou, seguiu para o "cliente" seguinte sem uma palavra. Eu, sem mais aquelas, julgando ter-me já safado, puxei o blusão para os ombros e fiquei a aguardar. 

Uns minutos depois aparece outro enfermeiro e, fitando-me nos olhos, perguntou-me onde é que eu tinha posto a agulha. Perguntei-lhe "qual agulha?" e ele mandou descer o blusão e abriu muito os olhos quando viu a agulha ainda no braço. Olhei de esguelha e nem quiz acreditar... Não desmaiei mas nunca mais me esqueci do incidente.

António Murta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 23:38:48 WET

1..3. Tabanca Grande Luís Graça:

Carlos e António: Não me lembro de ter desmaiado na vida...

Mas nessa "cena da vacinação" na tropa, na recruta, nas Caldas da Rainha (julgo eu), comecei a ver as cores do arco-íris a desaparecer...Já estava entre o verde e o amarelo desmaiado, o céu cada vez mais a desbotar-se, quando, cheio de orgulho machão, arrebitei, endireitei o corpo, ergui a cabeça ao alto... Mas foi por um triz, senão tinha caído ao chão, e não seria o primeiro, naquela enorme fila de espera onde estava os bravos filhos do povo...

Sei que estive em tronco nu, ao sol, de manhã (?), com pouca coisa no estômago... Estávamos em bicha de pirilau, e o ritual está muito bem descrito pelo Vinhal...

Aquilo parecia uma linha de montagem automóvel, e cada enfermeiro (da tropa!) tinha uma função "especializada": um homem, uma tarefa, um posto de trabalho... O "taylorismo" também tinha chegado à tropa...

Ainda não descobri foi o raio da vacina que apanhámos !... Tétano, febre tifóide... ? A da  febre amarela apanhava-se mais tarde era só para os felizes contemplados com um cruzeiro (de borla) até ao Ultramar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 09:39:20 WET


1.4. Tabanca Grande Luís Graça:

Numa pesquisa rápida na IA / Google, apurei o seguinte:

(i) Durante os anos 60 e 70, no contexto da Guerra Colonial / Guerra do Ultramar, os militares mobilizados na Metrópole (Portugal Continental) para servir na Guiné eram sujeitos a um protocolo de vacinação militar obrigatório bastante rigoroso antes de embarcarem;

(ii) A administração das vacinas ocorria habitualmente na reta final da recruta ou durante a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (IAO), nas unidades mobilizadoras, para garantir que as reações secundárias não perturbassem os treinos iniciais;

(iii) As principais vacinas obrigatórias administradas na Metrópole incluíam:

  • Vacina contra a Febre Amarela: era a imunização mais crítica e exigida pelo Regulamento Sanitário Internacional para quem viajava para a África Ocidental; o registo era feito no célebre Certificado Internacional de Vacinação (a famosa caderneta amarela) que todos os militares tinham de transportar;
  • Vacina contra a Varíola: ainda uma ameaça global na época, a vacinação (ou revacinação) antivariólica era aplicada a todo o contingente (através do método de escarificação no braço);
  • Vacina contra a Febre Tifóide (frequentemente combinada com a vacina TAB, hoje em descontinuada): protegia contra a febre tifoide e paratifoides A e B, doenças comuns em teatros de operações com condições de saneamento, água e alimentos precários;
  • Vacina contra o Tétano: essencial para militares expostos a ferimentos de combate, picadas e cortes no terreno;
  • Vacina contra a Cólera: administrada consoante os surtos ativos e as exigências sanitárias do período da mobilização (já existia em 1971)....

Ainda não havia, nem ainda há, vacina contra o paludismo... Mas há havia a vacina contra a Pólio (Poliomielite): durante as décadas de 1960 e 1970, na sequência da introdução global da vacina oral Sabin, a vacinação contra a poliomielite passou também a fazer parte do protocolo sanitário e da caderneta de vacinação das Forças Armadas. Não sei se já fomos abrangidos...

(iv) Outras medidas profiláticas:

Para além das vacinas injetáveis aplicadas nos quartéis, os militares iniciavam ainda na Metrópole (ou imediatamente antes do desembarque) a toma diária ou semanal de comprimidos de quimioprofilaxia contra o paludismo (malária ou "sezonismo"), habitualmente à base de quinino ou cloroquina, que continuavam a tomar rigorosamente durante toda a comissão na Guiné. (Se hoje estamos surdos, agradeçam ao quinino que era  ototóxico...)

(Pesquisa: LG + IA / Google) (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 09:45:32 WET

1.5. José Teixeira (Matosinhos):

Eu, como todos nós, passei pelo "castigo" das vacinas. Numa segunda fase já como pronto e colocado no Ral 2 em Santa Clara, Coimbra, fui um dos que participei em duas ou três séries de aplicações da vacina, antes de ir para a Guiné.

Devia estar presente o médico da unidade e acolher cada recruta antes de ser dada a vacina. Porém, o médico da unidade trabalhava no Hospital Civil de Coimbra e ia ao quartel quando o rei fazia anos.
Para o substituir e preencher o questionário clínico, fui o felizardo escolhido, talvez por usar óculos. Recebidas as orientações, vesti uma bata branca, esteto ao ombro, sentado numa cadeira no fundo da sala. Cada recruta entrava e era direcionado para mim para o questionar.

Depois de preenchido o inquérito e antes de o mandar sentar na cadeira do martírio seguinte, fazia-lhe uma pergunta sacramental.

− Então não te queixas de nada?... Nem da carteira?

 − Sr. Dr., dinheiro não tenho.

− Então senta-te a seguir ao último.

E o outro, a seguir;

− Sr. Dr.,  não me posso queixar muito.

− Ótimo. Então, estás a ver aquelas seringas partidas,  ali à porta.? Os pobres rapazes enfermeiros têm de as pagar. Deixa lá cinco coroas para os ajudar.

Houve um ou outro que reagiu:

− E se eu der vinte paus e o Sr. Dr. diz para serem meiguinhos comigo?!...

− Ó nosso cabo, tome nota. Este que vai sentar-se agora,  deve ser tratado com cuidado.

No fim, seguíamos todos para a cantina, comprávamos umas latas de atum, casqueiro e umas cervejitas e petiscávamos, à custa dos mancebos que foram vacinados, logo na sexta-feira seguinte à sua entrada para a especialidade de condutores no Cica de Coimbra.

José Teixeira
quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 14:44:31 WET


(Seleção, revisão / fixação de título: LG)


2. Comentário do editor LG:

Camaradas, a final qual era a famosa "dose de cavalo" ou "a de cavalo", na nossa  gíria militar ?

A que deixou  marcas e memórias dolorosas na rapazida  era a vacina TAB,  a vacina contra a Febre Tifóide e Paratifoides A e B (frequentemente administrada em fórmula tripla ou associada ao Tétano, a TAB-T).

Mas eu não sei qual era exatamente o plano de vacinação obrigatório da tropa que era mobilizada... Temos que admitir que não todos apanhávamos as mesmas vacinas... Falta aqui o testemunho dos nossos médicos e dos nossos enfermeiros. Além disso, náo eram tomadas todas de uma só vez. Quem não era mobilizado para o Ultramar, não tomava a vacina contra a febre amarela... Havia vacinas que se tomavam na recruta e outras antes do embarque para o Ultramar. Temos de ter em conta essas particularidades...

Na documentação sobre o plano de vacinação dos militares portugueses destinados aos teatros de operações, encontramos, por exemplo, em 1963, a vacinação contra:

  • Varíola;
  • Febre tifoide;
  • Febre amarela;
  • Tétano;
  • Poliomielite.

No início da décadaa de1970, aparece também a vacina contra a cólera.

Mas eis algumas das razões por que a TAB, que podia ser ou não combinada com a  vacina contra o Tétano, deixou em muitos de nós marcas traumáticas:

(i) Volume e agulhas eeutilizáveis:

Na época, ainda hão havia as seringas de plástico descartáveis, pelo menos não chegavam às nossas "cavalariças"...  As vacinas eram administradas em massa com seringas de vidro e agulhas grossas de metal, fervidas e reutilizadas dezenas e dezenas de vezes, até "partirem"... A densidade da dose e o calibre da agulha tornavam a penetração muscular e a injeção extremamente dolorosas.

(ii) Administração dolorosa (subcutânea / muscular profunda): muitas vezes era administrada no braço, mas também era frequente ser inoculada na região subscapular (nas costas/omoplata) ou no peitoral; a sensação no momento da aplicação era descrita como "um ferro em brasa" ou um "soco de chumbo".

(iii) Reações secundárias violentas (Efeito pós-vacinal): sendo composta por bactérias inativadas (Salmonella enterica de vários serotipos), a TAB era extremamente reatogénica; poucas horas após a administração, a malta desenvolvia uma série de sintomas : febre muito alta (frequentemente acima dos 39 °C) e calafrios intensos; dores musculares e articulares generalizadas (mialgias e artralgias); dor local incapacitante: o braço ou a zona das costas onde fora dada a injeção ficava inchado, vermelho e tão dorido que o militar mal conseguia mover o membro ou apoiar-se; cefaleias (dores de cabeça) fortes, náuseas e prostração total...

Era habitual companhias inteiras ficarem "de baixa" no dia seguinte à aplicação da TAB. Nos quartéis, o dia da vacinação resultava em camaratas cheias de homens prostrados na cama, com febres altas e a queixarem-se do "braço dorido" ou da "picada nas costas". (Aqui não havia "heróis" !)

Embora a varíola deixasse a característica marca de escarificação (a cicatriz circular no braço) e a febre amarela fosse a mais exigida internacionalmente, no imaginário e na memória, dorida (!),  da tropa que embarcou para a Guiné, Angola e Moçambique, a TAB foi indiscutivelmente a rainha do "terror sanitário" .

Pesquisa: LG + IA (Gemini / Google | ChatGPT / Open AI) (Condensação, revisão / fixação  de texto: LG)

__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. posgte de 28 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28470: (Ex)citações (450): Quando o "115" precisou de emergência médica (Carlos Vinhal, ex-Fur Mil da CART 2732)

(**) Último poste da série > 25 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28463: Humor de caserna (299): Só foi pena os lagostins, após o "incidente" com o Unimog, na estrada Enxudé-Tite, terem conseguido voltar, a nado... à bolanha

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV


Foto nº 32



Foto nº 33


Foto nº 34


Foto nº 35


Foto nº 36


Foto nº 37


Foto nº 38


Foto nº 39


Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)



Fotos (e legendas)  © Zé Fernandes Pina (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] (Cortesia da página do facebook do loriguense Zé Fernanes Pina, antiogo combatenmte)


Legenda das fotos  nº 35 e 36:  "A mesa da comissão organizadora: de costas, em primeioro plano, o António de Brito Ribeiro,  ladeado  à direita por outro elemento da comissão organizadora do almoço-convívio, o Gabriel Pina; e à esquerda, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loriga, Luís Costa, que veio cá abaixo com uma delegação de gente da aquela terra serrana, de gente voluntariosa, trabalhadora e bairrista (tem hoje c. de 850 habitantes; tinha em 1950, no auge da indústria de lanifícios, c. de 3 mil). Outros elementos da comissão organizadora, que estavam presentes na mesa nº 1: além do António Ribeiro (Guiné) e do Gabriel Pina (Moçambique):  António Fernandes (Guiné); José Manuel Alves (Angola); e José Ambrósio (Guiné). Há ima um convidado, represent6ante da CM Loures".

Legenda da foto nº 37: "Mesa nº 5, membros da Tabanda da Linha e da Tabanca Grande".


1. Mais fotos do memorável almoço-convívio dos antigos combatentes de Loriga, Seia, realizado no passado sábado, em  17 de outubro de 2026, na Escola Secundária de Sacavém. As fotos acima são do José Fernandes Pina, loriguense,  nascido em 1949 (pertenceu à 32ª CCmds, esteve  29 meses no Ultramar, 3 em Angola, e o restante tempo em Moçambique, fev 1971 / julho 1973; segundo percebi da sua ficha de combatente, foi condutor auto; vive em Loriga).

Publicamos também informação adicional sobre o encontro e os seus participantes:

1.1. Mensagem de António Brito Ribeiro

Data - quinta, 22/10/2026, 17:58

Maria de Jesus Mendes
Assunto - Registo de Memórias e Homenagem a Mãe

 Boa tarde, amigo Luís Graça,

Como prometido, envio em anexo o registo de memórias de alguns ex combatentes de Loriga que eu e o Adelino Pina (Alemanha) conseguimos registar com base em textos enviados pelos próprios, ou redigidos por nós com base em dados recolhidos (86 páginas em formato A4) .

Cada memória é a recordação / passagem, contada na primeira pessoa, de uma fase da nossa vida, que agora tem um sentimento especial mais ou menos sentido, mas quase sempre doloroso.

Por curiosidade encaminho-te para os textos dos dois “José Brito Ribeiro”, um na India e o outro (meu irmão) em Moçambique.

Envio-te também a folha de homenagem de Maria de Jesus Mendes, mãe de 4 filhos, ainda vivos que estiveram no ultramar:
  • Fernando António Mendes Alves, Moçambique, 61/63, Exército,
  • Nuno Mendes Alves Pereira, Moçambique, 70/72, Paraquedista,
  • Tarcísio Mendes Pereira, Timor, 68/70, Exército,
  • Vítor Manuel Mendes Alves, Angola, 71/73, Exército.

Em Loriga ainda houve outra família / mãe com 4 filhos no ultramar. Penso que poucas famílias tiveram esse n.º de filhos enviados para a guerra colonial. Gostaria que evidenciasses esta situação, porque estas MÃES devem ser devidamente homenageadas.

Abraço, António Ribeiro.

1.2.  Mensagem de  Luís Graça (by email)

Data - sábado, 24/10/2026, 21:32

António (e companheiros da mesa nº 5, em C/C) (Foto nº 37)

António: obrigado pelos documentos que me mandaste (o teu CV, que vou ler com toda atenção + testemunhos de antigos combatentes loriguenses, os da Guiné poderei publicar na Tabanca Grande + a foto da mãe loriguense Maria de Jesus Mendes que teve 4 filhos mobilizados, mas tu falaste de uma outra, que também me escapou, quando visionei o painel, "au vol d'oiseau")...

Publiquei já  a 3ª parte da nossa "reportagem" do encontro de sábado... E aproveito para pedir:

(i) ao Manuel Resende, para me confirmar os nomes dos membros da Tabanca da Linha, da mesa do Orlando Pinela, o Alpoim (Algés) e sobretudo o Ambrósio (Lisboa) (Foto nº 30);

(ii) a ti e ao Jaime, para me confirmarem o nome do antigo combatente que esteve em Angola e ainda é pastor na Serra da Estrela...Fiquei com a ideia que se chamava Abílio (Foto nº 31);

(iii) ao Hélder, para me lembrar o nome do "loriguense", dos TSF, que ele foi render em Piche (e que esteve no almoço);

(iv) ao João Crisóstomo, para me escrever "duas linhas" com as suas impressões (dele e da Vilma) sobre o encontro...(Oh, Vilma, não ficaste para o fim, houve música africana, como tu gostarias de ter ouvido ouvir, bolo da festa e "champanha"...).

Um alfabravo, para ti e todos os "camarigos" a quem mando esta mensagem em C/C.

PS - Já te transmiti, António, a impressão da Alice: em geral crítica como todas as nossas companheiras em relação a estes encontros ("da tropa"), foi sincera e pediu-me para te dizer que adorou e que te manda, a ti e demais loriguenses presentes, um abraço fraterno... Ficou impressionada com o nível do encontro em todos os aspetos. E ficou com vontade de, um dia destes, dar um salto até Loriga...

domingo, 25 de outubro de 2026 às 06:09:08 WET


1.3. Comentário do Hélder Sousa
 
Ora bem, aceitando o desafio do Luís Graça, sempre posso dizer que apesar de já termos estado em troca de comentários, nunca tinha chegado a estar "ao vivo" com o "Zé Bentinha", pois é esse o nome pelo qual ele responde, embora saiba que "Bentinha" é uma espécie de alcunha.

Ora o "Zé Bentinha" era o homem que tinha a responsabilidade de Posto do STM em Piche, imediatamente entes de eu para lá ser enviado. Por um motivo qualquer, que nunca esclareci bem, ele saiu de Piche e por esse motivo a chefia do referido Posto sofreu um hiato até à minha chegada na primeira semana de Dezembro de 1970.

Na prática fui substituí-lo mas nunca cheguei a estar com ele.

Já descobri, entretanto, que o "Zé Bentinha" é o José Mendes Gouveia, conforme escreveu, faz pouco tempo, o Brito Ribeiro nos comentários a outro "post".

Quanto ao evento foi, de facto, notável. Tanto na organização como na forma como decorreu. Sinceramente fiquei agradavelmente surpreendido. E aproveitei, a par do Jaime Suilva para voltar a praticar "falar francês" com a Vilma Kracun, esposa do João Crisóstomo.

Relativamente ao António Brito Ribeiro pois também foi um conjunto de circunstâncias que se precipitaram. Já o conhecia dos encontros na Tabanca da Linha, onde vou irregularmente, mas, claro, sabia dele muito pouco. E ele de mim.

Sabia que tinha estado na Guiné mas não quando nem onde.

Agora já sei que esteve em rendição individual no Batalhão de Piche que antecedeu aquele ao qual também estive adido durante cerca de 6 meses, mas não nos encontrámos por lá.

Entretanto ele também andou a pesquisar e ficou a saber que eu também era Engenheiro Técnico e telefonou-me na passada sexta-feira para saber se eu também pertencia à OET (Ordem dos Engenheiros Técnicos) e se sabia dum evento que iria ocorrer (e ocorreu) no sábado, dia 24 e, caso sim, se iria lá, para nos voltarmos a encontrar ao vivo.

Disse-lhe que sim e que certamente teria uma surpresa, pois não lhe disse que seria um dos oradores e que sou detentor de um cargo na instituição.

Correu tudo muito bem, exceto o facto de ele ter sido homenageado no grupo dos membros com 25 anos de associados, quando o deveria ter sido no grupo dos de 50 anos, o que o deixou bastante aborrecido.

Certamente foi um caso de erro administrativo (perfeitamente possível, dada a quantidade de elementos a tratar) mas que tivemos a possibilidade de abordar com o Bastonário, o qual, conjuntamente comigo, ficámos de averiguar o sucedido e depois agir em conformidade.

Na prática, um conjunto de sucessivos acontecimentos que se precipitaram e que mostram como a nossa "teia de contactos" permite estas coisas: 

(i) o João Crisóstomo ao dar-me os parabéns pelo telefone disse-me que gostaria de dar ao vivo e que devia contactar o Manuel Resende para que isso fosse possível num almoço em Sacavém; falei com o Resende que me passou ao Brito Ribeiro e assim lá fui;

(ii) conversa puxa conversa, e o Brito Ribeiro apercebeu-se da minha "função civil", seguiu a pista, e acabámos por nos encontrar num evento bem significativo;

(iii) sucedeu um percalço e, fruto do (re)conhecimento recente, tal será certamente resolvido.

Abraço, HS

domingo, 25 de outubro de 2026 às 23:57:00 WET 


1.4. Mensagem do A. Brito Ribeiro (by email)

Data - domingo, 25/10/2026, 23:37

Boa noite Luís,

Antes de mais um bem-hajas pelo relevo que tens dado ao evento realizado pelos ex-combatentes loriguenses de homenagem às suas mães.

Vou tentar responder às solicitações / observações que colocaste.

Como te referi, existem em Loriga 2 famílias/mães que tiveram 4 filhos no ultramar, uma foi a que te indiquei, Maria de Jesus Mendes. Não consegui indicação do nome da outra mãe que teve 2 filhos na Guiné, 1 em Angola e 1 em Moçambique (mas vou procurar).

Na mesa do Alpoim e do Orlando Pineda esteve outro magnífico da Tabanca da Linha, Fernando Pereira Ambrósio (Guiné 73/74) (Foto nº 30) (*).

Além do Fernando e de mim, estiveram ainda no evento mais 2 magníficos, o António Mendes Fernandes (mesa 1) e o José Mendes Fernandes (mesa 7). Faltou ainda à ultima hora o magnífico António Santos Pina.

O antigo combatente em Angola (67/68), pastor na Serra da Estrela, é o Abílio Gomes de Brito (Foto nº 31(.

O Combatente presente que como o Hélder pertencia às transmissões STM, é o José Mendes Gouveia (70/72), que atua no grupo Chão da Ribeira (baixo), irmão da vocalista Maria Mendes, que tu já enalteceste. Também esteve em Piche simultaneamente comigo, comforme foto que te envio em anexo.

Podes ter a certeza que tanto tu como a Alice serão sempre bem-vindos e bem recebidos em Loriga e irão adorar.

Abraço a todos,

António Ribeiro

quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 22:45:38 WET


 (Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28437: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio


Lourinhã > 4 de outubro ode 2026 > Caas do Rui Chamusco : As minhas netas, Clara e Rosa, mais a avó  Chita., a ajudar o Rui a apanhar diospiros. Reconstituiçáo artística, com recurso a ferramenta de IA, a patir de uma imgem HDR (High Dynamic Range).

.Foto (e legenda: ©  Luís Graça (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT/Open AI]
 


1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.

Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (só não foi  na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar, e de que é dirigente (a ASTIL).

Essa história, em tétum e em português,  de dedicação às crianças das montanhas da martirizada Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis) merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. Bem como outros aspetos da geografia, história e cultura de Timor-Leste, país membro da CPLP, que as crónicas do Rui também procuram  divulgar.

Em Timor-Leste, o Rui fica na casa do Eustáquio, irmão mais novo do Gaspar Sobral (outro dos co-fundadores  e dirigentes da ASTILl juntamente com a Glória Sobral).




Prompting  e orientação editorial: Luís Graça
Imagens e texto: Rui Chamusco (2019)
Geração gráfica assistida por IA (Google Gemini AI)
(2026)


Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > 22 de março de 2025 > 7º aniversário da Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > O 1º ministro da RDTL com o grupo de professores, mais o Rui  (à direita) e o  João Moniz Sobral ("Eustáquio") (ao lado de Xanana Gusmão)


O 1º ministro da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), Kay Rala Xanana Gusmão, acompanhado do administrador do município de Liquiça, Rogério dos Santos, fez uma visita-surpresa à ESFA, em Boebau / Manatti, município de Liquiçá, por ocasião do 7º aniversário, sendo recebido pelo Rui Chamusco ("Tiu Rui" ou "Abô Rui"), "malae"m português, dirigente da ASTIL, e pelo coordenador da escola, o timorense João de Araújo Moniz Sobral ("Eustáquio").

Imagens da Média - GPM / RDTL (República Democrática de Timor-Leste, com a devida vénia)... Fonte:  Página do Facebook do 1º Ministro da RDTL, Kay Rala Xanana Gusmão
I

III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio (*)



12.05.2019, domingo - A ociosidade...mãe de todos os vícios

Já referi em relatos anteriores que um dos grandes problemas a resolver nesta sociedade timorense é a ocupação dos jovens. Enquanto que bastantes prosseguem os seus estudos, obtêm diplomas e tentam arranjar emprego no país ou no estrangeiro, outros ficam-se pelo ensino básico, à espera que algo lhes aconteça.

É frequente encontrarmos grupos de jovens em qualquer parte e a qualquer hora do dia. E nós perguntamo-nos: “ O que é que eles estão fazendo?” 

Muitos deles frequentam lições de artes marciais, capacitando-se assim para a luta de corpo a corpo. De vez em quando há episódios que lhes são atribuídos. Por exemplo terem atacado e morto um senhor (normalmente atacam para roubar, sobretudo dinheiro que tanta falta lhes faz). Depois, esquartejaram o seu corpo e foram lançá-lo ao mar, para alimento dos crocodilos.

Esta noite, aqui bem perto, aconteceu outro ataque: um senhor que descansava tranquilamente na sua casa, foi assaltado por um destes grupos para o roubar. Estragaram-lhe a motorizada e, possivelmente, limparam-lhe os dólares que encontraram. Safou-se ao menos de ser atirado ao mar.

Este clima de insegurança já levou uma alta patente do exército − o coronel Ledere  − a fazer declarações em canal televisivo, dizendo: 

 −  Se o governo não tomar medidas, a tropa virá para a rua resolver a situação.

 Mas até agora, não se tem sentido o efeito de qualquer medida adotada.

“Quem poderá domar os cavalos do vento” ? Quem terá a coragem de intervir? Oxalá não apareça algum político demagogo a prometer mundos e fundos a estes jovens, pois facilmente os arrastará pra a sua causa e, quem sabe, para o combate violento.

Não sei,  não! Mas gostaria que, tal como a maioria dos habitantes deste país,a guerra e a violência nunca mais cá voltassem.

Hoje e amanhã, dia 12 e 13 de Maio, multiplicam-se rezas e procissões pelas ruas e igrejas deste país, porque é o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima. 

Que bom seria que todos pedissem a paz para este povo tão martirizado recentemente. As cicatrizes e as memórias da guerra ainda estão muito presentes.

13.05.2019, segunda feira    − A festa dos mortos

Parece incrível mas é verdade. Logo de manhã, depois do matabicho (pequeno almoço), inadvertidamente comecei a trautear uma canção. Fui logo chamado atenção pela Adobe e pela Aurora: 

− Tiu Rui não pode cantar, porque morreu asenhora.

 Ontem soou a meio da tarde a sirene do carro mortuário que trazia o corpo da senhora falecida cuja casa de família é daqui bem perto. E por respeito aceitei a reprimenda, sem que no entanto deixasse de pensar e retorquir: 

− Então eu aqui em vossa casa não posso cantar, mas vocês à noite, na casa do velório, a rir, comer e beber,rezar, jogar cartas, etc...?!”

Parece um paradoxo, segundo o que queiram pensar. O facto é que, aqui em Timor, o culto dos mortos é motivo de tristeza e de festa. Guardam os corpos durante três ou quatro dias, e durante esse tempo, todas as noites se faz o mesmo ritual. Sei até que há o costume de nessas vigílias falarem bem e mal do morto, pondo a nu a sua vida.

Choro e riso, lágrimas de alegria e de tristeza, mal dizer e bem dizer, preces e orações, tudo pode acontecer. E estas cerimónias vão repetir-se ao longo do ano: seis meses depois para anunciarem o o pequeno luto (luto kíik), e um ano depois para comunicarem o desluto (koremetan).

A tradição, a cultura timorense, é muito exigente no cumprimento destas cerimónias e rituais. Traz muita carga de responsabilidade, sobretudo para os “manefons” (genros) que têm de suportar uma despesa enorme, conforme os “humanes” (irmãos do falecido) decidirem. É por isso que eu digo: esta gente que respeitar e cumprir estas exigências culturais nuca poderá enriquecer.

Talvez um dia possa descrever em pormenor toda a negociação que se gera em torno destes eventos associados à morte. Por enquanto não me resta outra solução do que respeitar esta cultura e tentar compreender esta dialética entre a vida e a morte.

14.05.2019, terça feira  - Nós, os mosquitos e o mosquiteiro

Viajar para países tropicais supõe sempre uma prevenção que passa pela consulta do viajante, por vacinas e cuidados a ter contra as doenças que proliferam no país de destino. Timor não sai desta regra e, quase sempre, vimos prevenidos com cremes, comprimidos, etc, etc...

Um dos agentes mais comuns na transmissão destas doenças são os mosquitos que, a bem dizer, nem sei porque Deus os põe neste mundo, mas como bom crente acredito que de alguma missão foram incumbidos. Que mais não seja para nos chatear e por à prova a nossa paciência.

Por precaução e para evitar as picadas de mosquitos, particularmente das melgas, utilizamos diversos artefactos: 

  • raquete mosquiteira (muito eficaz mas que deixa um rastro de carne queimada), 
  • os sprays (também infectam o ar tornando-o irrespirável);
  •  a rede mosquiteira.;
  • e, em último recurso, a palmada certeira que reduz a vítima asanduíche. 
De todos eles, a rede mosquiteira é talvez a mais utilizada, o que implica uma espécie de teto falso sobre as nossas camas. tornando-o quase transparente.

Muitas vezes não conseguimos distinguir se os atacantes estão dentro ou fora deste habitáculo, originando assim situações caricatas. Quantas das vezes não fazemos deDon Quixote de la Mancha, perseguindo mosquitos que mais não são do que pontos negros ressaltando do teto ou das paredes. E então quando o perseguidor já tem falta de vista ou é mirolho, pior ainda. São golpes e chapadas em vão que até nos fazem rir de nós próprios. É uma guerra injusta, mas que temos de suportar...

14.05.2019 - “Com bolos se enganam os tolos...”

Hoje vim a saber que, em Portugal como em Timor, há práticas ancestrais comuns para alcançar determinados fins.

Lembro-me em criança, nos anos cinquenta, que um dia os ciganos apresentaram uma égua a meu pai, para fazerem o negócio de troca por uma burra mais uma quantia em dinheiro. Para provarem que o animal era manso, foram à Eira buscar uma carga de ferrém. O meu pai ficou encantado, a égua era mansinha, e de pronto se fez o negócio. 

No dia seguinte, meu pai foi experimentar de novo a doçura do equídeo, e depressa se deu conta que tinha sido enganado. O animal parecia que tinha o diabo no corpo. Ninguém a segurava. Soubemos então que eles tinham embebedado a égua,  deitando-lhe aguardente para dentro das orelhas. Claro que o meu foi de imediato ter com os ciganos para desfazer o negócio. A troca da burra pela égua endiabrada foi possível. O que não conseguiu foi recuperar o dinheiro.

Vamos então ao caso de hoje em Timor, em Ailok Laran. O Eustáquio, como os outros vizinhos, tem por aqui vários galináceos, donde ressaltam belos exemplares de galos (manu-aman") que, devido à liberdade de que gozam, é muito difícil apanhá-los. 

Então qual foi a estratégia adoptada? Deitou-lhes uma mão cheia de grão de milho e, num recipiente improvisado (uma garrafa de água vazia cortada ao meio) misturou "sabu" (aguardente de palmeira) com cocola e deu de beber aos dois “pica-no-chão”.

 Regalados, foram bebendo até à saciedade, até cairem de borrachos como se costuma dizer. Não caíram, mas ficaram muito calmos, podendo assim, se o quiserem, apanhá-los e levá-los para onde for o seu destino: mudança de lugar, luta de galos, ou o cadafalso para servirem de manjar.

Pois é! Parece que a utilização do álcool como droga anestesiante funciona mesmo.

Quem teria ensinado este povo timorense? Não me admiraria nada que tenham sido os portugueses. Aliás temos a fama de sermos grandes consumidores de álcool, particularmente de vinho.

16.05.2019, quinta feira  - Há mar e mar...Há ir e voltar...

Esta é a sina de todos nós: viajar. No tempo, no espaço, de uns lados para os outros num constante devir. Ontem chegamos, amanhã partimos. Tal e qual, como peregrinos e forasteiros neste mundo.

Estes últimos anos os ventos sopraram para os lados do Oriente. Pela terceira vez que o destino é Timor, sempre com ordem de voltar ao país de origem. E chegou a hora de pensar no regresso, atempadamente, até porque nos fazem melhores preços. Pois assim será: na primeira semana de julho próximo, lá estaremos nós (eu) de abalada.

Mas como ainda falta um mês e meio, e há tanta coisa por fazer, vamos trabalhar no projeto de solidariedade com unhas e dentes, na esperança que alguns dos problemas e necessidades se resolvam. Penso até que, quando o tempo urge, somos mais eficazes nas nossas ações. Assim mesmo. Sem perdermos de vista o que realmente nos traz porcá, vamos caminhando nesta reta final, de peito ao vento e de cabeça erguida, esperando o dia do regresso.”Há mar e mar...Há ir e voltar...”

17.05.2019, sexta feira - Farmácia natural

Hoje tomei conhecimento de mais uns quantos produtos naturais que a cultura timorense aplica para determidas doenças. Enquanto esperávamos no jardim do Mundo Mágico, o Eustáquio deu-me uma aula sobre remédios naturais, a partir das plantas que ali se encontram, A saber:

  • Buganvília: as suas raízes, depois de bem lavadas, são fervidas. Não se deve tapar o recipiente. A sua água deve beber-se regradamente. É um remédio utilizado para curar a tuberculose. O Eustáquio afirma que já foi aplicado num familiar, e que a partir daí nunca mais teve esse problema de saúde.
  • Birama: as suas folhas esfregadas são bom coagulante do sangue. Uso externo.
  • Papaia: as suas sementes, engolidas sem mastigar, são um bom digestivo e regulador do intestino.

Sempre a aprender nesta escola da vida, com um professor de excelência.



Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > 2023 > Transporte coletivo, uma "anguna"

Foto (e legenda): © Rui Chamusco (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


18.05.2019, sábado  - A caminho de Boebau ...


Mais uma viagem para as montanhas de Liquiçá. Como sempre cada viagem é uma aventura, nunca sabendo o que iremos encontrar: chuva, sol, nevoeiro, lama, buracos e árvores atravessadas no caminho, animais ("kraus" / bois e "manus" / galinhas), pessoas sobretudo crianças, etc... Uma constante atenção a ter em conta, especialmente pelos condutores.

Desta vez tivemos de alugar um “carro” para transportar alguns materiais (mesas e cadeiras) que o Jardim Mágico (creche e jardim de infância, fundado em 2016, e que fica na Rua Santo António de Motael, em Díli, junto à Igreja de Motael) ofereceu, a fim de equiparmos a Escola de São Francisco. Carga pronta, e lá fomos até Liquiçá, onde dois amigos − o professor Mário e a educadora Mariana − nos esperavam para seguirmos a viagem até Boebau.

Por conselho do Eustáquio a Mariana deixou o seu “motor” em Hepu’u, em casa de familiares da família Sobral. E começou então propriamente a aventura desta viagem:os dois “motores” do Eustáquio e do Mário à frente, e o “carro” do Apeu atràs, onde viajávamos eu e a Mariana. 

Para além dos solavancos e apertões a que fomos sujeitos, pois os buracos do caminho são cada vez mais e maiores  não há manutenção nem seviços de estrada - por três vezes tivemos de descer da viatura para a ajudarmos a sair do lamaçal ou de subidas íngremes onde o cheiro dos pneus queimados nos ia entupindo as narinas. 

Valeu-nos em situação mais difícil a boa vontade dos viajantes da “anguna” (camioneta ou carrinha, tipo toca-toca)  que prontamente acudiram para empurrar.

Depois de duas horas de caminho com mais ou menos doze quilómetros de distância carregado de peripécias, chegámos finalmente a Boebau, onde nos esperavam as crianças, as assistentes e bastantes pais à entrada da Escola de São Francisco. 

Cantado o hino da escola e mais algumas canções anteriormente aprendidas procedeu-se à sessão de fotografias das crianças que frequentam esta escola: 

  • grupo A (3, 4 anos) )= 16; 
  • grupo B (5,6 anos) = 25. 

A professora Rita Gonçalves, a lecionar na escola de Kilo, e que colobora na escola de São Francisco, reuniu os pais das crianças e quis que eu dissesse algumas palavras sobre esta visi ta. Quiseram também saber qual o motivo da presença do professor Mário e da educadora Mariana. E tive que lhes dizer que é uma visita de amigos, porque alguns já pensavam que eram os professores para a Escola de São Francisco de Assis. Quem nos dera!...

Chegou a hora do almoço e, como sempre, fomos até à casa do Bozé, onde nos esperavam as iguarias desta refeição: arroz, folha de mandioca, flor de papaia, bocadinhos de frango caseiro (aqui não há frango de aviário) ("manus") e água. 

A Mariana comentava: 

 −Adoro estas comidas... 

Eu também.

A Mariana ainda teve tempo para dar as instruções necessárias sobre a utilização e aplicação do material pedagógico que nos trouxe.

Rui Chamusco  | Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG.

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Nota do editor LG:

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28416: Prémio Governador da Guiné e outros prémios (2): Em treze anos, de 1962 a 1974, viajaram à borla na TAP cerca de 1500 soldados e civis, "felizes contemplados" (na prática, e em média, "um herói... por batalhão")





Cópia do ofício do presidente do CA da TAP, o engº Amílcar José de Gouveia Marques (1917-1982, que foi ministro dos Transportes e Comunicações, no III Governo  Constitucional) com data de 30dez1974,  e dirigido ao Ministro da Defesa Nacional,  a anunciar  o fim  dos Prémios instituídos pela empresa para "recompensar os militares e civis que se tivessem distinguido na luta em África" (sic): 

  • Prémio Governador-Geral de Angola (1962), 
  • Prémio Governador da  Guiné (1965),
  • Prémio Governador de Moçambique (1966), 
  • Prémio Governador de S. Tomé e Príncipe (1966),
  • e ainda Prémio 'Heróis de Portugal' (1972) (este para os condecorados, no 10 de Junho, com a Torre e Espada).
"Em face da atual situação política em relação às nossas colónias foi decidido, em Conselho de Administração, acabar com estes Prémios" (sic), lê-se no ofício supracitado.

Documento disponibilizado leo nosso camarada paraquedista Pedro Castanheira no Portal Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, e qui reproduzido parcialmenet, com a devida vénia.














Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné > s/ d > Regulamento para  Concessão do Prémio Governador da Guiné > Cópia do ADN - Arquivo de Defesa Nacional > Disponibilzada pelo Pedro Castanheira no Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultrama Tem capa e 2 folhas, numeradas de 1 a 2, com 11 pontos. Não sabemos se está completo. Não tem data nem outras especificações, 

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



1. Diz o "Senhor TAP" da Tabanca Grande, o Alberto Branquinho (trabalhou muitos anos no departamento jurídico da nossa transportadora aérea), em comentário ao poste P28412 (*):


Gen Arnaldo Schulz
(1910-1993) 

(...) "Quanto ao Prémio Governador Geral não sei se foi criado pela TAP ou se foi ideia de algum Ministério, que a TAP acompanhou" (*).

Alberto, não temos cópia do documento que criou o Prémio Governador-Geral de Angola, em 1962. Temos apenas o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, criado posteriormente, em 1965, ao tempo do governador e comandante-chefe gen Arnaldo Schulz  (foto à esquerda).

Pelo documento que acima reproduzimos, o prémiuo era sobretudo uma "borla" na TAP (uma viagem de ida e volta de  Bissau à Metrópole ou Ilhas Adjacentes da Madeira e dos Açores, como então se dizia). 

A tropa encarregava-se do transporte , alojamemto e alimentação durante o trânsito em Bissau do "feliz contemplado"... Uma vez na metrópole, tinha direito a viajar da borla na CP, de Lisboa até à "terra da sua natalidade" (sic) (lapso: naturalidade). 

Era um prémio,  sobretudo para praças que habitualmente não podiam ir  à "terra" para gozo da licença de férias. dado o preço, exorbitante, dos bilhetes cobrados pela TAP, mais de 6 contos (6430$00, ida e volta,em 1971, equivalente hoje a mais de 2 mil euros).

 Em todo o caso, um prémio modesto para quem arriscava o pêlo pela "Pátria"... Não havia subsidio de férias na época. Todas as despesas extras eram suportadas pelo premiado... Com o pré  de uma praça, na época, não se podia ir longe da aldeia ou viloria  da "natalidade"... A mobilidade era reduzida,a rede de transportes públicos rudimentar... Em suma, foi sobretudo um bom negócio para TAP...

O regulamento não foi elaborado, naturalmente, pela TAP ( ou o seu departamente jurídico),  mas por alguém do QG/CTIG.

Os critérios para a concessão do Prémio Goovernador da Guiné eram apertados. Por ordem decrescente de importância, eram os seguintes:  (i) ter cruz de guerra ou medalha de valor militar com palma; (ii)  ter outras medalhas por "serviços distintos ou relevantes no Ultramar por feitos em campanha"; (iii) ter sido "ferido gravemente em combate com ação relevante", etc,

Por outro lado, não nos parece que, além da viagem, o premiado recebesse "patacão" (a não ser talvez algum "dinheiro de bolso", no caso dos "naturais da Província", contrariamente  à interpretação abusiva da IA (*).

Como já aqui comentámos (*), uma coisa era o espírito e a letra o regulamento da concessão do Prémio Governador da Guiné, e outra a sua aplicação prática, ..Diz logo no ponto 1 que tem por finalidade galardosar: (i) " cabos e marinheiros, soldados e grumetes, seus equiparados das forças militares e militarizadas": e ainda (ii) "civis". num caso e noutro,  "que se tenham distinguido por actos de heroísmo ou abnegação na luta contra o terrorismo"...

Ou seja: o prémio era visto sobretudo como uma oportunidade para as "praças" (e não propriamemte os sargentos e oficiais subalternos, milicianos ou do QP) de gozarem um mês de licença na metrópole (continente e ilhas adjacentes). De resto, dera condição necessária, para beneficiar da concessão do prémio, "não ter gozado licença disciplinar no ano em causa" (sic)...

E, no caso dos "naturais da Província", como o João Bacar Jaló (*), era uma oportunidade de conhecer a "mãe-pátria"... (Não sabemos quantos guineenses  beneficiaram do Prémio, de 1965 a 1974; mas deviam vir, de preferência, por razões climáticas, entre abril e outubro.)

Pelos vistos, o entendimento da "tropa" (leia-se: do QG/CTIG em Bissau) terá sido outro, e diferente do regulamento; e os sargentos e oficiais também passaram a ser "elegíveis", conforme   vídeos que selecionámos,  da RTP Arquivos (*).

Não temos a estatística dos "felizes contemplados" por ano, teatro de operações e posto, pelo que temos de ser prudentes em relação a conclusões e generalizações.

Ficamos a saber, isso sim,  que desta iniciativa da TAP beneficiaram cerca de 1500 soldados e civis, o que  em 13 anos, desde 1962 até 1974, dá uma média de 115 beneficiários, "grosso modo", por ano, 2,2 por semana.

 Estamos a falar de 0,1875 % do total de tropas  mobilizados para os 3 teatros de operações (c. 800 mil, entre metropolitanos e africanos) (e não contando com os civis, que foram contemplados, já que se desconhece o seu número). Em termos mais simples, são menos de 2 em cada mil. Em termos práticos, e bem humorados, tivemos um herói... por batalhão (!).

Importa salientar que o prémio era também, uma forma de,  mostrando à Nação os nossos "bravos": 

(i) apresentar a "guerra do ultramar" aos militares e à populaçáo civil, metropolitana e guineeense; 

(ii) ,banalizá-la" (mesmo à distância de casa,  de 4 mil, 8 mil, 12 mil quilómetros, fazia desde 1961 parte da rotina e do "fado" dos portugueses);  

e  (iii) " legitimá-la" institucionalmente.   

Na sua visita à metrópole. os premiados tinham direito ao "minuto de fama" no telejornal da RTP, a par  das obrigações protocolares (serem recebidos l, em Lisboa, nos gabinetes dos Ministros do Ultramar, da Marinha, do Exército...). A  partida e no regresso tinham que ir também ao " beija-mão" no palácio do Governador...
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