Capa: Legenda: "A cerimónia da exposição do menino nos templos de Lisboa. [ Desenho inédito do grande artista (Manuel) Roque Gameiro ] : Entre a multidão onde afloram cabeças que são admiráveis expressões da Raça, o sacerdote expõe o símbolo da eterna graça que é o Menino Jesus! Paz aos homens, paz nos corações!... Que a curta vida que vivemos, seja mais de beleza que de tentação, mais de bondade que de rancor!"
Sobre o semanário "O Domingo Ilustrado" (de que um dia dediretores foi o futuro cineasta Leitão de Barros), já aqui dissemos, citando Rita Lopes, na ficha histórica disponível em formato pdf, no portal da Hemeroteca Digital / Câmara Municipal de Lisboa, que teve um vida efémera (janeiro de 1925 - dezembro de 1926);
(...) "A sua curta existência coincide com um período de grande perturbação política e social, que muitos autores consideram mesmo de guerra civil latente, e que conduzirá à Ditadura Militar, instaurada pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926.
(...) [Espelha] uma imagem profundamente negativa da política, enquanto jogo protagonizado por partidos, e, consequentemente, da própria democracia, enquanto sistema político.
O nº 50 traz na capa e contracapa ilustrações contraditórias de um Portugal, que na época ainda se resume a Lisboa, a cabeça de um vasto e desvairado império e que está longe de ser um país moderno e desenvolvido.
Já agora acrescente-se que a epidemia manifestou-se em três momentos distintos: (i) maio/junho de 1918: uma vaga moderada, com muitos contágios mas baixa letalidade; (ii) outubro/novembro de 1918: a vaga mais letal, que paralisou o país, sendo nesta fase que a doença se tornou fulminante, muitas vezes matando em menos de 48 horas; e (iii) início de 1919: uma última vaga menos intensa, mas que ainda provocou milhares de mortos.
A pandemia atingiu um país já de si fragilizado pela participação na I Guerra Mundial (Flandres, Angola e Moçambique), pela crise económica e financeira, pela instabilidade política do regime de Sidónio Pais e por graves crises de subsistência (fome, com todas as letras).
Foi o colapso do incipiente sistema de saúde: total incapacidade de resposta dos hospitais e do corpo médico; falta de caixões e coveiros; pânico generalizado com o fluxo constante de funerais (traduzido, por exemplo, na proibição dos sinos das igrejas tocarem a finados).
Face aos graves acontecimentos políticos e militares da época, e apesar da sua dimensão trágica, a pandemia acabou por ser rapidamente esquecida e manteve-se assim durante décadas. Voltou a falar-se da "pneumónica" aquando da pandemia de Covid-19 (2020/21).Nota do editor LG:
Último poste da série > 13 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26384: Foi há 100 anos (2): A "saloiada" vem às sortes a Lisboa...enquanto bandos de operários, nas ruas, pedem "pão ou trabalho" ("O Domingo Ilustrado", nº 1, 18 de janeiro de 1925)... Estamos já a um ano e pico da instauração da Ditadura Militar.































