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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28041: Fauna e flora (28): O "pis-cabalo", ou hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius): um futuro incerto: haverá, no máximo, umas 3 centenas na Guiné-Bissau




Guiné > Região do Cacheu > Có > 2ª CART /BART 6521/72 (Có, 1972/74) > s/d> "À falta de vaca, o hipopótamo avançou para o 'rancho' " (Ferreira, L. C., "Os Có Boys", ed. autor, s/l, 2025, pág. 82). Não sabemos se o animal foi caçado pela tropa ou por algum nativo.


Foto (e legenda): © Luís da Cruz Ferreira (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]





Guiné > Região do Oio > Farim > 1970 > "Quem não se acredita que não havia hipopótamos no rio Cacheu? Aqui está o malandro que dava cabo dos arrozais".


Foto do precioso álbum do Carlos Silva, ex-fur mil arm pes inf, CCaç 2548 / BCaç 2879 (Jumbembem, 1969/71).


Foto (e legenda): © Carlos Silva (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Pis-Cabalo (em crioulo) ou hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius) > Um dos mamíferos protegidos na Guiné-Bissau. Não confundir com o hipopótamo-pigmeu, dado como extinto na Guiné-Bissau há 50 anos.


Fonte: Guia de Identificação dos Animais da Guiné-Bissau. República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Deparatmento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d. (Já não está disponível em formato pdf, no sítio do IBAP, fomos recuperá-lo através do Aqruivo.pt).https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf


https://arquivo.pt/wayback/20210821092643/https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf




1. Perguntam os nossos leitores: na Guiné-Bissau, ainda há hipótamos (Hippopotamus amphibius", pis-cabalo" em crioulo) ? Onde ? Quantos não ? Estado de conservação ?


Com base na pesquisa em várias ferramentas de IA e ontras fontes da Net (como artigos cientificos em "open access", além do nosso blogue), pudemos apurar o seguinte

Os hipopótamos da Guiné-Bissau constituem um caso zoológico e ecológico muito interessante. E mais: é relativamente pouco conhecido fora dos círculos dos conservacionistas, em geral, e dos guineenses e portugueses, em particular

Existem duas populações distintas:

  • a população “marinha” ou estuarina dos Bijagós / Orango (que ficou célebre por frequentar águas salgadas e braços de mar como a água doce, que continua a ser imprescindível para a sua sobrevivência);
  • as populações continentais, de água doce, ligadas às grandes bacias hidrográficas do interior: Cacheu e Corubal; 
  • são estas que, do ponto de vista biogeográfico, são as mais importantes, ou que, pelo menos, nós conhecemos, mesmo que pontualmenmte, nos anos da guerra (1961/74).

(i) Uma relíquia, o que resta no extremo ocidental de África

No passado, o hipopótamo-comum africano (Hippopotamus amphibius), uma distribuição muito mais ampla na África Ocidental. Hoje, as populações da Guiné-Bissau representam o extremo ocidental da distribuição da espécie.

As populações continentais vivem sobretudo no sistema do Rio Corubal; rio Cacheu; e, no passado, mas em menor grau, rio Geba e rio Manso, em bolanhas inundáveis, lagoas temporárias (“vendus”) e galerias ripícolas associadas.

O Corubal, em particular, é frequentemente descrito por biólogos como um dos últimos grandes rios relativamente “selvagens” da África Ocidental.

Mas teme-se que o PAIGC (que não tinha consciência ambiental), tenha dizimado o hipopótamo do Corubal. Do macaco-cão ao hipopótamo, a predação foi muito grande. Era preciso alimentar os guerrilheiros e a população sob o seu controlo. A crise alimentar no pós-independência agravou a situação.

Na altura, a conservação ambiental não era uma prioridade para o PAIGC ou para o governo pós-independência. A sobrevivência imediata e a reconstrução do país foram os focos principais.

Nos anos 90, con o aumento da consciência ambiental e a criação de áreas protegidas (como o Parque Nacional de Orango e o Parque Natural das Lagoas de Cufada), começou a haver um maior esforço para proteger a espécie, embora a caça ilegal ainda ocorresse, especialmente em zonas remotas.

Mas a desfloretação continuou. O caso do Cantanhez é um exempplo com a intensificação da e a exploração madeireira: em março de  2008, quando lá estive,  já se notava a exploração madeireira ilegal, muitas vezes direcionada para o mercado chinês, que tem um "apetite voraz"  por madeiras tropicais (como o pau-rosa ou ébano). A Guiné-Bissau não tem capacidade para controlar o corte e exportação de madeira, e grande parte da exploração é feita sem qualquer regulação ou sustentabilidade.

A China (e outros atores internacionais) tem sido um dos principais destinos da madeira guineense, com contratos opacos e extração em larga escala, que devastam as florestas primárias. Isso afeta não só a biodiversidade, mas também os ecossistemas que sustêm espécies como o hipopótamo, o chimpanzé ou o elefante.

(ii) Diferenças em relação aos hipopótamos de Orango

Os hipopótamos dos Bijagós (sobretudo de Parque Nacional de Orango) tornaram-se "mediáticos" e "turísticos" devido ao seu "comportamento adaptativo, sem sucedido":

  • utilizam braços de mar e canais salobros;
  • entram em águas costeiras;
  • deslocam-se entre ilhas;
  • alimentam-se em zonas intertidais.

Já os hipopótamos continentais mantêm um comportamento mais “clássico”:

  • dependem de rios permanentes (Cacheu, Corubal);
  • procuram poços profundos durante a estação seca;
  • usam corredores florestais e margens densas;
  • deslocam-se de noite para alimentação em savana húmida e bolanhas.

Mesmo assim, na Guiné-Bissau existe alguma plasticidade ecológica rara: certos grupos usam estuários e zonas de água parcialmente salobra, sobretudo no Cacheu.


(iii) O Corubal: bastião principal

Tudo indica que a principal população continental sobrevivente esteja hoje associada ao corredor ecológico do Corubal-Dulombi, no sudeste do país. Essa região ainda conserva, felizmente:

  • florestas-galeria;
  • savanas arborizadas;
  • zonas húmidas sazonais;
  • baixa densidade humana relativa.
Os estudos recentes com ADN ambiental (eDNA) confirmaram a presença de hipopótamos no Corubal e reforçaram a importância internacional daquela bacia hidrográfica para a conservação. Ali coexistem ainda:

  • manatins;
  • crocodilos;
  • chimpanzés;
  • antílopes raros;
  • numerosas aves aquáticas.

(iv) Estado de conservação

Globalmente, o hipopótamo comum está classificado como “Vulnerável” pela UICN/IUCN. Na Guiné-Bissau, a situação inspira preocupação séria, embora não seja ainda considerada catastrófica. Quais são as principais ameaças ?

  • conflito com agricultores: é a ameaça mais antiga; os hipopótamos:entram em bolanhas, destroem arrozais, podem atacar pessoas quando surpreendidos, etc.;
  • após a independência, houve muitos "abates de retaliação": só na região de Cacheu terão ocorrido dezenas entre 1975 e 1996:
  • cresente pessão humana , sob a forma de desflorestação das margens; expansão agrícola; pesca intensiva; ocupação das zonas húmidas; redes elétericas para progere os arrrozais;
  • fragmentação populacional, reduzindo a diversidade genética e aumentando a vulnerabilidade.da espécie: populações parecem hoje pequenas e isoladas entre si: Cacheu Corubal; zonas de Bissorã/Carantaba; Bijagós;
  • caça: embora protegidos legalmente desde os anos 1990, continuam a ser vítimas da caça furtiva; abate por conflito agrícola; uso de carne e partes do animal localmente, incluindo os dentes que são de marfim.
(v) Quantos restam?

Os números são muito incertos, o que é típico da África Ocidental. Estimativas frequentemente citadas apontava há 10 anos atrás para:

  • cerca de 135–150 nos Bijagós /Orango;
  • cerca de 50 no Cacheu;
  • 60–65 nas zonas de Bissorã e Carantaba.Para o Corubal, os dados continuam incompletos, mas pensa-se que alberga ainda (ou já albergou) uma das populações continentais mais importantes do país.

Provavelmente, o total nacional não ultrapassará as 3 centenas (no máximo) de indivíduos.
´
(vi) Importância simbólica e ecológica

Na Guiné-Bissau, o hipopótamo tem também dimensão cultural:surge em tradições bijagós;
é associado a tabancas e zonas sagradas; em certas regiões beneficia ainda de tabus tradicionais que limitaram a caça.

Ecologicamente, é um “engenheiro do ecossistema”: abre canais, fertiliza águas, influencia a vegetação ribeirinha; cria habitats para peixes e aves.

Mas o hipopótamo de Orango também enfrenta ameaças, provocadas nomeadamente pelas alterações climáticas. A subida do nível do mar e a erosão costeira reduzem e alteram os seus habitats. As alterações climáticas geram impactos diretos e severos no ecossistema único destes animais:

  • destruição do habitat: a subida do nível da água do mar aumenta a salinidade, provocando a erosão costeira e a destruição das zonas de mangal, essenciais para o abrigo e alimentação da subespécie;
  • escassez de água doce: com a intrusão salina nos lençóis freáticos, as lagoas de água doce (vital para os hipopótamos banharem-se e refrescarem-se durante o dia) secam ou tornam-se demasiado salgadas;
  • perturbação comportamental: estes animais desenvolveram uma adaptação única para tolerar a água salgada, transitando entre o mar e a terra; no entanto, fenómenos climáticos extremos alteram as marés e as correntes, dificultando as suas rotas diárias e a procura de vegetação;
  • pressões socioecológicas: as alterações climáticas também ameaçam as populações humanas locais, forçando-as a intensificar a pressão sobre os recursos hídricos e florestais, o que agrava a partilha de espaço e a perda do habitat natural dos hipopótamos.
Resumindo: a presença de hipopótamos no continente (fora dos Bijagós) é esporádica e localizada, com confirmação apenas para a zona de Cacheu. No Corubal, a presença é histórica, mas não há dados recentes que confirmem populações estáveis. Para Geba e Mansoa, não há registos atuais de presença significativa.

Conclusão: Um futuro incerto

A Guiné-Bissau é um microcosmo dos desafios da conservação em África: 

  • há leis e parques (no papel) mas a fiscalização é inexistente: não há guardas florestais em número suficiente, nem meios para patrulhar áreas vastas e remotas;
  • corrupção e interesses económicos: muitos responsáveis políticos e militares beneficiam da exploração ilegal (madeira, caça, mineração), o que torna a conservação um obstáculo aos seus interesses;
  • na prática, a sobrevivência humana é que dita a lei, sobrepondo-se  à proteção da natureza;
  • a par disso, as alterações climáticas estão a ter uma dramática erosão do sistema socioecológico, com consequências trágicas a longo prazo:
  • organizações como a IUCN ou o IBAP (Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas) tentam implementar programas, mas esbarram na falta de vontade política e na instabilidade crónica do paísno;
  • sem uma mudança estrutural (governança, educação ambiental, alternativas económicas para as comunidades), o homem e o animal selvagem continuarão em conflito direto, com a natureza a perder.
A sua sobrevivência depende, no fundo, da preservação dos grandes rios guineenses — sobretudo do Corubal, um verdadeiro corredor biológico entre o Fouta-Djalon e os estuários atlânticos. Um dia em que se fizer uma barragem no Corubal matam os hipótamos que restam (se é que ainda restam).


(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, itálicos
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Nota do editor LG

(*) ÚLtimo poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27795: Fauna e flora (27): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - II (e última) Parte

sábado, 13 de abril de 2024

Guiné 61/74 - P25379: (De)Caras (205): Uma foto, rara, de 'Nino' Vieira, presidente da República, na inauguração do Parque Nacional do Cantanhez, em 25 de maio de 2008... Rara por vir publicada no antigo sítio da AD Bissau, do Pepito, e que fomos recuperar...



Guiné-Bissau > AD - Acção para o Desenvolvimento > Título da foto: Inaugurado o Parque de Cantanhez | Data de Publicação: | 25 de Maio de 2008 | Palavras-chave: Ambiente... 

Nota do editor LG: Nino Vieira, em missão de Estado, acompanhado da sua esposa (presumimos, Isabel  Vieira), que lhe dá o braço; seria assassinado dez meses depois, no seu palácio, em 2 de março de 2009.

 
 Legenda:

"No dia 20 de Maio de 2008 foi inaugurado o Parque Nacional de Cantanhez pelo Presidente da Republica da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, na presença do Director Geral do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP), Alfredo Simão da Silva, e de representantes do poder tradicional da zona do Parque.

Estiveram também presentes vários membros do Governo, Embaixadores sedeados no país, guardas florestais comunitários, guias ecoturísticos, membros dos Comités de Regulados encarregados de coordenar as acções de conservação e desenvolvimento no Parque.


A criação do Parque é um dos momentos altos de uma longa caminhada de mais de 30 anos onde pontificaram organizações nacionais como o DEPA (Departamento de Experimentação e Produção de Arroz) e a AD (Acção para o Desenvolvimento).

Fonte:  Internet Archive > AD Bissau (com a devida vénia...)


1. Porque é que esta foto de 'Nino' Vieira é rara ? É rara por vir publicada no antigo sítio da AD, a ONGD de que o Pepito era o cofundador, líder histórico, diretor executivo... E os dois eram inimigos políticos. 

O Pepito chegou a temer pela sua vida, no tempo em que o 'Nino' Vieira esteve no poder...e mais ainda no tempo do Kumba Ialá (que saltou os demónios étnicos").. 

Como escrevi em tempos, o Pepito trabalhava com toda a gente exceto com os senhores da guerra,  exceto com os 'esbirros' do 'Nino' Vieira ou os 'ninjas' do Kumba Ialá, que o quiseram matar no bairro do Quelelé, onde vivia  e era a sede da AD.

Para além de engenheiro agrónomo, o Pepito era uma força da natureza,  líder, assumido por ele, aceite e respeitado por aqueles que com ele trabalhavam, nomeadamente na ONGD AD - Acção para o Desenvolvimento, e já anteriormente no DEPA   (Departamento de Experimentação e Produção de Arroz). E dava-se particularmente bem com as autoridades tradicionais.

Deu para o conhecer,  nos anos em que convivemos, mesmo à distância. Conheci-o em 16/2/2006, na ENSP/NOVA.  E estive ainda com ele na véspera de morrer, subitamente, em Lisboa, em 18 de fevereiro de 2014. Era um líder, muito mais do que um chefe, coisa que o 'Nino' Vieira nunca foi, pelo menos enquanto político a seguir à independência. 

O Pepito admirava profundamente Amílcar Cabral, de resto amigo da família. Era engenheiro agrónomo como ele, ambos formados na mesma escola, em Lisboa. Voltou para a sua terra natal, depois da independência do país, fixando-se em Bissau, com a família, em 1975.  (**)

Criou a DEPA.  Acreditou no projeto político do PAIGC, até ao golpe de Estado de 'Nino'  Vieira, em 14 de novembro de 1980. 

Desiludido, independente, em 1991 criou, com outros técnicos, a AD. Chegou a ter responsabilidades ministeriais, num governo de curta duração. 

Em 1998, com a guerra civil, teve que recomeçar tudo de novo, depois de se refugiar em Lisboa.  Era um homem despojado, do dinheiro, das honrarias, do poder... O oposto de 'Nino' Vieira e de Kumba Ialá.

Dez anos depois da sua morte, os amigos e antigos colaboradores do Pepito recordam-no com saudade, e apontam-no como um exemplo inspirador: "Pipito ká mori"... Em contrapartida, não se vê ninguém hoje  a chorar, na Guiné-Bissau, pelo herói da liberdade da Pátria 'Nino' Vieira. É verdade que Amílcar Cabral também está esquecido, 50 anos depois da sua morte matada... Mas a Guiné-Bissau é um país extremamente jovem, de "djubis" e de "bajudas", nascidos já no séc. XXI... Infelizmente, não há memória histórica naquela terra...

Recordo sempre o Pepito como um grande amigo nosso, que nos continua a fazer muita falta, por ser uma  ponte entre nós, antigos combatentes, e o povo da Guiné-Bissau de hoje...  Conheci-o talvez na melhor fase da sua vida (na segunda metade da primeira década do séc. XXI). E fotografei-o, em 2007, 
à sombra da palmeira da minha Escola, que entretanto cresceu em altura e largura, tanto, tanto,  que a tiveram de cortar...  Um Pepito "luminoso", em grande forma, cheio de projetos e de esperança, e que conseguiu a proeza de realizar um  improvável Simpósio Internacional de Guileje, no tempo do 'Nino' Vieira, como prsidente da República, onde juntou mais de 60 estrangeros, entre diferentes personalidades, de diferentes paises, além de combatentes dos dois lados...

Enfim, o Pepito tinha horror aos "demónios étnicos" que, qual caixinha de Pandora, de vez em quando dilaceravam a "sua" Guiné, a "sua" terra...  Detestava tanto 'Nino' Vieira como Kumba Ialá.

Quanto ao 'Nino' Vieira só o conheci pessoalmente no âmbito do Simpósio Internacional de Guileje,  em 6 de março de 2008, numa audiência, extra-programa,  que ele dedidiu dar à última hora, a uma representação dos participantes estrangeiros no Simpósio... 

Está enterrrado no panetão nacional da Guiné-Bissau, na Amura.

(Seleção, revisão / fixação de texto, edição da foto: LG)

PS - Temos andado à procura das "fotos da semana" da antiga página da AD - Acção Para o Desenvolvimento (http://www.adbissau.org/ ) que foi reformulada e descontinuada (por volta de 2020/2021).

Algumas foram publicadas no nosso blogue. Outras, perderam-se irremediavelmente. Através do Arquivo.pt e do Internet Archive é possível recuperar algumas, nomeadamente do período que vai de 2005 a 2011.

A maior parte das fotos da série eram da autoria do Pepito...  Cada foto tinha um título, uma data, uma palavra-chave ou "descritor", e uma legenda, resumo analítico ou sinopse. Mas esta, que publicamos acima,  não nos parece ser da sua autoria... (Não o poderemos confirmar.)

A ONG AD - Ação para o Desenvolvimento passou, a partir de maio de 2011, a ter outro endereço, mas a URL é ligeiramente diferente da do sítio antigo. Estranhamente, não tem sido capturada pelo Arquivo.pt: https://ad-bissau.org/ . Já sugerimos que o façam.
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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 3 de abril de 2024 > Guiné 61/74 - P25333: (De) Caras (204): É-se um Soncó para toda a vida (Mário Beja Santos)

(**) Vd. poste de 31 de julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3101: História de vida (12): Desistir é perder, recomeçar é vencer (Carlos Schwarz, 'Pepito', para os amigos)

quinta-feira, 14 de março de 2024

Guiné 61/74 - P25271: Ser solidário (265): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (6): O mar da Guiné-Bissau (Renato Brito)

1. Mensagem com data de 21 de Dezembro de 2023, enviada ao nosso Blogue por Renato Brito, voluntário, que na Guiné-Bissau integra um projecto de construção de uma escola na aldeia de Sincha Alfa:

Bom dia Carlos Vinhal,
Agradecendo o contributo em divulgar a aventura de tentar construir uma escola na Guiné-Bissau, envio-lhe mais um bilhete-postal que apresenta a data de mais um mercado para venda objectos em segunda-mão.
Grande parte dos objectos para venda foram oferecidos por crianças de duas escolas primárias (Alessandro Manzoni em Bolzano e Giovanni XXIII em Sinigo) quando em dezembro do ano passado fui falar com eles a pedir ajuda para construir uma escola na Guiné-Bissau. Pedia a doação de um objecto e ofereceram um saco cheio de presentes.[1]

1 - Também, continuando o objectivo de dar a conhecer as maravilhas deste país, desta feita nesta “cartolina” falo sobre o mar da Guiné-Bissau.
(Clicar na imagem para ampliar e facilitar a leitura)

2 - O Documentário “Neram N'Dok” que apresenta o processo de gestão participativa de uma área marinha protegida nas Ilhas Urok, no Arquipélago dos Bijagós é muito bonito de se ver. Está disponível neste site com legendas em português: https://vimeo.com/130528214

3 - Ainda a referência a um publicação, disponível neste site para consulta e download:
Guia dos mamíferos do Parque Nacional de Cantanhez, https://www.researchgate.net/publication/322490831_GUIA_DOS_MAMIFEROS_DO_PARQUE_NACIONAL_DE_CANTANHEZ

Muito grato pelo seu contributo em divulgar este projecto.
Cumprimentos,
Renato Brito

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Notas do editor:

[1] - Vd. post de 22 DE DEZEMBRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24989: Boas Festas 2023/24 (10): Renato Brito, voluntário que integra um projecto de construção de uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau

Último post da série de 9 DE MARÇO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25256: Ser solidário (264): Relatório da viagem a Suzana em Fevereiro de 2024 (Manuel Rei Vilar Presidente da Associação Anghilau)

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Guné 61/74 - P21862: Fotos à procura de... uma legenda (143): "Macaco verde" [Chlorocebus sabaeus], dizem eles, depois do sueco Lineu (em 1766), que nunca esteve em Buruntuma ou em Bafatá e muito menos no Cantanhez... (António Marreiros / Fernando Gouveia / António Levezinho / Virgílio Teixeira)


Foto nº 1 


Foto nº 2

Foto nº 3

Guiné > Região de Gabu > Buruntuma > CCAÇ 3544, "Os Roncos de Buruntuma" > 1972 >  O nosso "macaco verde"... Nome científico: Chlorocebus sabaeus (Linnaeus, 1766)

Fotos (e legenda): © António Marreiros (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 4

Guiné > Região de Bafatá  > Bafatá  > Cmd Agr 2957 (1968/70) > O alf mil rec e info Fernando Gouveia com um juvenil de "macaco verde"


Fotos (e legenda): © Fernando Gouveia (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guis dos Mamíferos do Parque Nacional do Cantanhez, da autoria de Nicolas Bout e Andrea Ghiurghi (2018, 189 pp., AD - AIN - IBAP - IUCN, ISBN: 9788890894923).



1.  Os nossos camaradas e amigos estão "confinados", como os nossos editores e colaboradores permanentes estão "confinados" por causa do raio da pandemia de Covid-19... Mas não estão "tramados" e muito menos "finados"... 

Continuam, desde há 17 anos (tantos quantos existe o blogue) a ser generosos e a responder às nossas iniciativas... Por que afinal a "nossa guerra" não foi só de tiros: desconbrimos um país e um povo fantásticos... Descobrimos as suas paisagens deslumbrantes, a sua biodiversidade, a sua multicultura...E aprendemos, neste blogue, a partilhar as nossas memórias (e afetos) e até o transformámos numa fonte de informação e conhecimento. Sempre numa base de grande tolerância e respeito por tudo aquilo que nos une mas também por aquilo que nos pode separar...

Num espaço de horas, houve logo resposta ao nosso desafio (*). E eu tinha aproveitado, entretanto,  para mandar a alguns de nós que se interessam mais pela "Fauna e flora" da nossa Guiné-Bissau, um guia, em formato pdf, útil para  a observação de mamíferos do Parque Nacional do Cantanhez, na região de Tomboli, fortemente regada pelo sangue de muita gente, de um lado e do outro, nos tristes anos em que andámos lá aos tiros...


2. Mensagem para o Tony Levezinho, 

Data - 6 fev 2021, 21h10
Assunto - Material deestudo para o DI, agora "confinado"

Vê se o teu DI [, Diogo , o neto, com 14 anos]  me/nos ajuda a identificar esta espécie animal (*)...

 Como prenda de anos atrasada, segue um guia de observação de mamíferos da Guiné-Bissau, Parque Nacional do Cantanhez (que visitei em 2008; e o João em 2009)...

Pode ser que ele aprecie...embora agora seja mais ornitólogo do que primatólogo...

Grande abraço para os dois "guardiões da Ponta de Sagres".. Luís


3. Resposta do António Levezinho, meu camarada e amigo do peito, desde os tempos da CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71):

Luis, 

Pede-me o Di que te agradeça o guia do parque do Cantanhez. Ao visualizá-lo disse logo que gostava de lá ir. Confesso que não lhe dei qualquer esperança em ajudá-lo a satisfazer o seu desejo.
 
Quanto à pergunta sobre a espécie do macaco,  ele disse desconhecer. A praia dele, neste momento, são mesmo as aves.
 
Um abraço cá do Sul.

4. Resposta de outros camaradas:

(i) Antonio Marreiros, 7 fev 2021, 00:26

Olá, camaradas,

Aproveitei uma aberta sem chuva para continuar a limpar o quintal porque há sinais de Primavera ...mas também uma frente ártica vem a caminho que pode ser má,  se descer a -7 C... Na pradaria Canadiana está mesmo frio, de -30 a -40 C para este fim de semana! Em Sagres são 14 positivos!!!

Encontrei duas fotos a cores do mesmo macaco que adorava dormir no meu peito quando tinha a camisa vestida e lhe abria dois botões (*).

Pelo que li no Guia, parece que é o "macaco verde"...

Coitado com certeza sentia falta do bando pois estava amarrado e só tinha um cão pequeno como companheiro...Um e outro davam-se bem e dormiam juntos,  normalmente o macaco em cima do cão!

Um abraço,
A. Marreiros

PS - Quando visitaram esse novo parque nacional conseguiram ver alguns animais ou não foi possível?


(ii) Fernando Gouveia, 7  fev 2021, 1h04  [ex-Alf Mil Rec e Inf, Bafatá, Cmd Agr 2957, 1968/70), autor de, entre outras séries notávais, "A Guerra Vista de Bafatá  (Fernando Gouveia)" de que se publicaram cerca de 9 dezenas depostes;arquitecto reformado, transmontano, vive no Porto; tem mais de 165 referências no nosso blogue]

Olá,  Luís, ai vai mais uma imagem do macaco que penso ser da mesma estirpe. Em anexo.

Abraço.
Fernando G.

 
(iii) Virgilio Teixeira, sábado, 6/02/2021,  22:40

Boa noite Luis,

Grande obra que tiveste a lembrança de me enviar. Sei muito pouco sobre fauna, quer na Guiné ou outro local qualquer. Dei uma vista de olhos e gostei, vou ler com atenção e curiosidade.

Onde estavam estes animais durante a Guerra de 61/74?

Obrigado pela lembrança, e espero que haja um bom titulo para estas curiosidades fantásticas.

Abraço, Virgilio Teixeira



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional de Cantanhez > Iemberém > 9 de dezembro de 2009 > 15h50 > Macaco fidalgo vermelho (ou fatango, em crioulo). Espécie, nome científico: Procolobus badius. Em inglês, western red colobus. 

É mais um primato em perigo,  está ameaçado de extinção, fundamentalmemte devido à caça,   à desflorestação, às mudanças climáticas, etc. No Cantanhez não haverá mais do que duas centenas de indivíduos. Vd. pp. 30/32, do "Guia  dos Mamíferos do Parque Nacional do Cantanhez". 

Foto (e legenda): © João Graça (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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