1. Mensagem do nosso amigo Renato Brito, voluntário, que na Guiné-Bissau integra um projecto de construção de uma escola na aldeia de Sincha Alfa, com data de 16 de Junho de 2026:
Boa noite Carlos Vinhal,
Espero tudo bem consigo.
Partilho a “cartolina” que divulga o próximo evento da campanha de angariação de fundos para construir uma escola na Guiné-Bissau.
No dia 26 de junho faremos a apresentação do projeto no Centro Cultural Est Ovest na cidade de Merano - Itália. Uma boa oportunidade para dar a conhecer como se vive na Guiné-Bissau a um público jovem. Aqui o site: https://ostwest.it/
O documentário presente na “cartolina” faz parte de uma série organizada pela BBC que conta a História da África na perspectiva das suas raízes. Possível aceder aos 20 episódios nesta página do site do projeto:
https://sostegnoguineabissau.weebly.com/pubblicazioni/historia-geral-de-africa
Cumprimentos,
Renato
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Nota do editor
Último post da série de 26 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27774: Ser solidário (295): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (20): Moringa (Nené Badadji em crioulo), é um alimento presente na gastronomia de todos os grupos étnicos do país (Renato Brito)
Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28109: Agenda Cultural (894): Lançamento do livro "Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau", de M. Margarida Pereira-Müller, dia 23 de Junho de 2026, pelas 18h00, na Galeria ArteGraça, Rua da Graça, 27-29, Lisboa
Boa tarde!
É com enorme prazer que convido para o lançamento do meu mais recente livro: "Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau".
Esta obra é um convite para viajar através da rica herança histórica e cultural da Guiné-Bissau, desvendando os segredos e as tradições que moldam a sua gastronomia única. Infra uma apresentação da obra.
A apresentação terá lugar no próximo dia 23 de junho, às 18h00, na Galeria ArteGraça (Rua da Graça, nº 27-29, Lisboa).
Se necessitarem de mais informações, estou à vossa disposição.
Conto com a vossa presença!
Com os meus melhores cumprimentos,
M. Margarida Pereira-Müller
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Nota do editor
Último post da série de 13 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28016: Agenda Cultural (893): Convite para a apresentação do meu 12.º livro, tendo este como tema o AVC, a levar a efeito no próximo dia 16 de Maio de 2026, sábado, pelas 15h00, na Casa do Alentejo, Rua das Portas de Santo Antão, 58, Lisboa (José Saúde)
domingo, 14 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho
Isaías Teles, foto de Carlos Ricardo (2013)
Isaías Teles, alf inf, CCAÇ 1591, Mejo, 1967
Fotos (e legendas): © Isaías Teles (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. O superintendente da PSP, na situação de reforma, ex-alf mil inf, CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), é o nosso novo grão-tabanqueiro, nº 915 (*). É também membro da Magnífica Tabanca da Linha. E é o presidente da direção, desde 2013, do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes.
Para completar a sua apresentação à Tabanca Grande, publicamos hoje o relato de sua viagem à Guiné-Bissau, efetuada em 2018, em que foi acompanhado do seu amigo e camarada Carlos Clemente, cor inf ref, ex-cmdt da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72).
A ideia de voltar à Guiné havia surgido cerca de um ano antes no decurso de um almoço que juntou, entre outros, o Carlos Clemente e o Suleimane Baldé (1938.2025), régulo de Contabane, ex-1º cabo do Pel Caç Nat 53 (1968-1974), filho por sua vez do régulo Sambel Baldé (**).
Foi nessa altura, por volta de 2017, que o Isaías Teles conheceu o Suleimane Baldé, entretanto falecido em 2025, e que passou a integrar a nossa Tabanca Grande a título póstumo.
Partir Mantenhas com o régulo e as gentes do Saltinho, em 2018
por Isaías Teles
Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 10 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28087: Tabanca Grande (581): O superintendente, na situação de reforma, Isaías Teles, e presidente do Núcleo de Oeiras / Cascais da Liga dos Combatentes, que foi alf inf na CCAÇ 1591 (Mejo, Aldeia Formosa e Buba, 1966/68), senta-se a partir de hoje à sombra do nosso poilão, no lugar nº 915
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28093: Notas de leitura (1927): A biografia de um combatente: O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História (3): V - Depois do Cuor, seguiu-se a intervenção em Bambadinca e VI - O primeiro regresso à Guiné, 1990/1991, o início da escrita (Mário Beja Santos)
CONGRESSO INTERNACIONAL
DAS GUERRAS AO PÓS-25 DE ABRIL
Os Militares em Territórios em Conflito
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
De 2 a 4 de abril de 2025
De 2 a 4 de abril de 2025
A biografia de um combatente:
O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História
Mário Beja Santos
V - Depois do Cuor, seguiu-se a intervenção em Bambadinca
A partir de agora, estamos em novembro de 1969, quando tenho saudades do Cuor, venho até ao porto de Bambadinca e olhar para lá da bolanha de Finete, fico ali especado a ver toda aquela massa florestal, por vezes o barqueiro, de nome Mufali Iafai, que me atravessou vezes sem conta de um lado para o outro, vem conversar comigo, faço dele o meu elemento de ligação com o passado. Ele lembra-se muito bem daquela noite de 28 de maio de 1969, quando Bambadinca sofreu a sua primeira flagelação, tomei a liberdade de vir em seu auxílio, o Geba na maré-baixa, ganhei lama até ao umbigo, este mesmo Mufali queria levar-me às costas para não entrar na lama da outra margem, recusei, mas não esqueci a deferência.
A intervenção em Bambadinca traduz-se numa multiplicidade de operações: levar e trazer correio de Bafatá; fazer patrulhamentos noturnos; fracionarmos o pelotão em secções, cada uma vai para o seu mister; passar noites abomináveis num lugarejo que dá pelo nome de Undunduma; participar em operações em Mansambo, Xitole, Xime; fazer colunas de reabastecimento entre Bambadinca e Xitole… enfim, um desgaste, uma perda da relação com os meus homens, por ironia estaremos sempre juntos nas operações ou naquelas emboscadas defensivas em que passamos a noite toda num ponto ermo para hipoteticamente defender Bambadinca.
O último mês de verdadeira atividade operacional, julho, traduz-se em sair de madrugada para proteger os trabalhos do alcatroamento da estrada Xime-Bambadinca. Até que recebo a notícia de que devo partir para Bissau, antes de partir voltei a ver uma nova prova do rancor que separa os guineenses dos cabo-verdianos, o meu substituto é cabo-verdiano, os soldados convocaram-me, acusam-me de deslealdade, tanta amizade, tanta amizade e agora entrega-nos ao velho patrão com chicote, um gajo que certamente nos odeia. Tudo se veio a concertar, mas a estadia do meu substituto não foi longa.
Depois de doze dias de viagem, de Bissau para o Sal, do Sal para Mindelo, de Mindelo para Ponta Delgada e daqui para o mesmo cais da Rocha do Conde Óbidos, regresso a Lisboa, sei que tenho que acalmar as recordações, prometo a mim mesmo que não quero descurar as amizades feitas, mas sei perfeitamente que tudo vai mudar, desisti de voltar ao meu antigo emprego, fiz um contrato com o Ministério do Exército, darei recrutas em Mafra, serei colocado em Lisboa na Agência Militar, recomecei os estudos, gota a gota vou fazendo exames, tenho família, nasceu-me uma filha, restabeleci uma vida social mitigada, fazer exames é o mais importante.
Veio depois o 25 de abril, o país tem uma inflação superior a 30%, os governos provisórios são obrigados a tomar medidas que obriguem à contenção dessa inflação. É agora nesse serviço público que eu vou descobrir a política dos consumidores, tanto a nível profissional como na participação cívica. A Guiné parece estar cada vez mais longe, visito e recebo em casa os meus soldados gravemente sinistrados, escrevo e recebo mensagens, há trocas de fotografias, descubro que falar da guerra incomoda muita gente, aliás o Governo garrota toda e qualquer informação que revela a evolução a que chegou a guerra nos três teatros de operações, é facto que há as notícias necrológicas, as mensagens de Natal do soldado, as campanhas do Movimento Nacional Feminino, não se mostram as partidas e chegadas dos contingentes militares, a filosofia é de que toda aquela tropa está em missões de policiamento, existe terrorismo que vem de outros territórios, é tudo estratégia do comunismo. Claro que há famílias enlutadas, mas a guerra continua longe.
O grande abalo, o de 1961, parece ultrapassado. De 1973 para 1974 entramos numa maré de sobressaltos: qualquer coisa de muito grave aconteceu na Guiné, não se sabe muito bem o quê; uma guerra para os lados de Israel vai desencadear uma crise petrolífera, as consequências serão visíveis na sociedade portuguesa, todos os preços sobem; em fevereiro de 1974 o General Spínola publica um livro onde consta uma frase fatal, não há solução militar para aquela guerra, só solução política. E assim chegámos ao 25 de abril.
VI - O primeiro regresso à Guiné, 1990/1991, o início da escrita
Trabalhei no Ministério da Economia, no Ministério do Comércio e Turismo e até no Ministério do Ambiente, estou ativo na tal política dos consumidores, só a tutela é que muda. Ora algo aconteceu em 1989 que leva a que dois funcionários do Instituto do Consumidor se desloquem à República da Guiné-Bissau para discutir da viabilidade de um protocolo na área da política dos consumidores. Em janeiro de 1990, regresso à minha Guiné. O ministro do Ambiente de então, reunira-se com os seus colegas da lusofonia para negociar uma posição comum relativamente a um acontecimento que iria ocorrer em 1992, a Cimeira da Terra, no Rio de Janeiro. O ministro da Indústria e dos Recursos Naturais da Guiné-Bissau surpreendeu o ministro português quando lhe pediu um programa de recuperação na área da defesa do consumidor. O ministro português disse que sim, encarregou o Instituto do Consumidor das diligências necessárias.
Foi uma semana intensa de contactos, sentia-se a ver sinceridade e preocupação quando se expunham os motivos de pedido de protocolo, dando uma grande abrangência à defesa do consumidor. Tomou-se nota de tudo e prometeu-se elaborar um documento favorável ao que se pedia e enviá-lo ao ministro português. Mas o meu coração não descansava, senti uma enorme vontade de visitar o regulado do Cuor. Um cooperante com quem se almoçava na chamada Pensão Central, ou da Dona Berta, ofereceu-se para lá irmos num domingo. Como aconteceu. 20 anos depois entrei em Missirá, houve choro convulsivo, abracei muitos amigos, recebi inúmeras cartas com pedidos, reencontrei o meu guarda-costas a quem prometi que tudo faria para vir para Portugal. Como aconteceu.
Chegado a Lisboa, preparei um relatório da missão em concordância com a expetativa das autoridades guineenses quanto ao lançamento daas bases de uma política para consumidores, eles pediam intervenção legislativa e formativa na área alimentar (punha-se a necessidade de saber minimamente o que se importava) no combate ao esbanjamento dos recursos naturais, na criação de uma instituição onde se articulasse as intervenções a favor dos consumidores, em paralelo com a concertação dos programas das agências das Nações Unidas em projetos com impacto no consumo; reconhecia-se como tutela o Ministério de Recursos Naturais e da Indústria, da Guiné-Bissau, a entidade colaboradora seria o Ministério do Ambiente de Portugal. Passaram-se semanas e meses, até que em maio de 1991 o Ministro do Ambiente convocou-me para me dizer que tinha conversado com o seu homólogo da Guiné-Bissau e que ele insistia numa cooperação para uma estrutura muito maleável que ajudasse os consumidores a otimizar os seus recursos. O Ministro previa um protocolo envolvendo um pequeno financiamento do lado português, lera o meu relatório, nomeava-me para essa missão. E em pleno verão português e até às vésperas de Natal dediquei-me de alma e coração a fomentar alianças entre a administração, as agências das Nações Unidas e algumas organizações não governamentais. Tive a satisfação de fazer uma série de programas para a televisão da Guiné-Bissau, o título era Um milhão de consumidores. Deu-se então uma cena caricata, já tinham sido emitidos seis programas e um dos diretores da referida televisão veio-me pedir que encontrasse um patrocinador, caí das nuvens, não era a mim que cabia tal missão, sugeri alguns nomes de empresas públicas, o dito diretor entendeu que não havia condições para continuar, intuí que ele não percebia que um cooperante estrangeiro não podia andar diretamente a angariar patrocinadores.
Chegou-se ao entendimento, e mesmo houve uma decisão presidencial, para se criar uma comissão interna e industrial, propunha-se uma verba para fazer obras em instalações dadas pelo Governo guineense, nomeava-se um secretário-geral remunerado e pagava-se ajudas de custo aos participantes das reuniões. Vim para Lisboa, trazia a promessa do Ministro guineense de que enviaria o seu colega português os termos da aceitação. Silêncio total, insisti por carta e por telefone. Aprendi amargamente quanto pesam os silêncios africanos.
Chegou, entretanto, a Lisboa o filho mais novo do régulo do Cuor, passei a receber assiduamente notícias de gente que eu tanto estimava. O diretor de uma revista destinada a estudos coloniais, Carlos Cruz Oliveira, pediu colaboração, publiquei alguns artigos, escritos à pressão, não sentia disponibilidade para intervir a fundo, tinha o propósito de esperar pela reforma para lançar mãos à empreitada. É nisto que recebo um telefonema de um antigo furriel de armas pesadas de uma unidade de Bambadinca, estávamos paredes meias na sede do batalhão, vinha-me pedir autorização para reproduzir no seu blog um texto que eu publicara numa revista científica online. Combinámos encontro no seu ganha-pão, a Escola Superior de Saúde, e ainda hoje estou para saber o que me levou, imprevistamente, a declarar-lhe de que ia publicar o meu diário da Guiné no blog. Trabalhei neles durante dois anos, foram publicados em 2008 e 2009, ano a ano, de 1968 a 1969 com o título "Na Terra dos Soncó", nome de família do regulo do Cuor, e de 1969 a 1970, com o título "O Tigre Vadio", nome da operação mais sangrenta em que participei.
Enquanto ia publicando no blog estes trechos, juntavam-se outras peças resultantes das informações que me eram dadas por gente que tinha estado no Cuor ou regiões próximas. Também antigos militares meus residentes em Portugal me prestavam informações, eram sinistrados de guerra ou fugitivos da repressão do PAIGC sobre os comandos guineenses. Um acontecimento dramático, a perda de uma filha, em 2009, deu-me ocasião de me envolver em projetos de bastante fôlego, um inventário da literatura da guerra colonial da Guiné e um romance envolvendo uma mulher nonagenária que tinha vivido na Guiné entre os anos de 1950 e o início da guerra, proporcionou-me um relato sobre uma Guiné colonial antes do desencadear da luta armada.
Lia no blog Luís Graça e Camaradas da Guiné relatos de ex-combatentes que visitavam a Guiné ou que acompanhavam projetos de ajuda humanitária. Sabe-se lá que as saudades do Cuor e de Bambadinca não estavam a ser avivadas por esta escrita. E comecei discretamente a congeminar uma viagem, fazia perguntas soltas, diziam-me frequentemente não vás, aquilo está tudo uma miséria, o país entrou num ocaso, se acaso alguma vez foi um país, virás de lá traumatizado, ainda por cima não encontras instalações disponíveis, é tudo uma insegurança e sozinho, se estás mesmo com saudades viaja em grupo.
Fui então estabelecendo um plano, conversei com os meus amigos guineenses em Lisboa, consegui obter apoio logístico perto no Cuor, em Santa Helena, na outra margem do Geba, escrevi a um amigo muito querido a viver em Bambadinca, um sinistrado de guerra, de nome Fodé Dahaba para ver da possibilidade de me encontrar toda a rapaziada dos antigos caçadores nativos e dos dois pelotões de milícias, queria visitá-los, o meu propósito era ir despedir-me deles todos, agradecer-lhes a leal colaboração que me tinham dado, visitar os locais onde combatera, falar com antigos combatentes do PAIGC. Pedi mesmo ajuda junto da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau. E em novembro de 2010, ajoujado de sacos com livros e lembranças, com uma listagem de endereços, inclusivamente transportando um bom conjunto de encomendas de guineenses residentes em Portugal para guineenses residentes na Guiné-Bissau, apresentei-me no Aeroporto da Portela. A sonhar da viagem da reconciliação e sem qualquer ilusão quanto ao peso das emoções que me esperam, vai começar.
(continua)
_____________
Notas do editor:
Vd. post de 15 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28022: Notas de leitura (1923): A biografia de um combatente: O que experimentei na guerra da Guiné e como continuo a estudar a sua História (2): III - O que eu sei da guerra que estou a travar e IV - O conhecimento da morte, Missirá devastada, o desafio de lhe dar nova vida (Mário Beja Santos)
Último post da série de 8 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28080: Notas de leitura (1926): "Coragem, Altruísmo e Fé", por Rosalina Coelho Vaqueiro; Chiado Books, 2025 (Mário Beja Santos)
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sexta-feira, 5 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28073: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (5): Vendedeiras de bananas, no antigo estacionamento do aeroporto internacional Osvaldo Vieira, Bissalanca, agora requalificado (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)
Guiné-Bissau > Bissau > Bissalanca > 3 de maio de 2025 > Jovens vendedeiras de bananas... Lindas bajudas!...E bela froto!... " Tirada no estacionamento do aeroporto Osvaldo Vieira, atualmente em remodelação e ampliação por uma firma turca". (Depois das obras de requalificação, foi inaugurado em março de 2026: vd. aqui vídeo da pãgina da famosa Tita Pipoka, ativista e empreendedora social).
1. João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74):
(i) é profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha;
(ii) viaja regularmente, desde 2017, para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade" (em que distribui material pelas escolas de Cumbijã, e apoia também, mais recentemente, o clube de futebol local);
(iii) regressou há pouco tempo da sua viagem desde último ano (2026);
(iv) tem já cerca de meia centena de referências no nosso blogue para o qual entrou em 1 de março de 2009.
2. Na sua página do Facebook, em 3 de junho, 18:12, escreveu a sguinte nota sobre as estas e outras fotos de gente anónima de Bissau;
(...) Eu vou quase todos os anos à Guiné. Tiro imensas fotos daquele belo povo e NÃO TIRO E NÃO PUBLICO uma foto que não tenha a autorização das pessoas que aparecem nas mesmas!
Tenho muito respeito por toda a gente e, em especial para com o Povo da Guiné que merece de tudo menos de ser "usado". Nunca existiu, nem nunca existirá, de minha parte, qualquer outra intenção (...) senão a vontade de transmitir a beleza que a mulher Guineense tem! (...)
_________________Nota do editor LG:
Último poste da série > 22 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28046: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (4): Cadi, a jovem mãe muçulmana no final do Ramadão (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)
Último poste da série > 22 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28046: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (4): Cadi, a jovem mãe muçulmana no final do Ramadão (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74)
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P27985: Em bom português nos entendemos (31): Carica papaya: Papaieira, mamoeiro, papaia, mamão, ababaia...

Guiné-Bissau >Bissau > Impar Lda > 2019 > Belíssimo postal de boas festas que nos chegou, com data de 16/12/2019, de Bissau, no correio do Patrício Ribeiro, "patrão" da empresa Impar Lda. (Na imagem acima, uma papaieira, árvore caricácea que produz a papaia: vê-se que ainda estavam verdes...).
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) > O alf graduado capelão, padre José Torres Neves, a "apalpar a fruta" (sem qualquer conotação sexual...), neste caso, a papaia, que ainda estava verde... Em segundo plano , parece-nos o padre franciscano Júlio do Patrocínio, da missão católica de Santa Ana de Mansoa (fundada oficialmente em 1953). O Ernestino Caniço não restante nem um nem outro, o José Torres Neves e o Júlio do Patrocínio. Devem sere então dois graduados, à civil, da CCS/BCAÇ 2885.
Foto do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.
Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Guiné-Bissau > Bissau > Quintal do Patrício Ribeiro > Abril de 2026 > Uma papaieira (árvore caricácea que produz a papaia, nome científico Carica papaya). Há uma linda papaia madura (parece-nos, pela cor).
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Isto de frutas tropicais e subtropicais tem muito que se lhe diga... Papaia ou mamão ? É tudo a mesma coisa, só diferem no tamanho ?... O mamão maior e mais arredondado, e a papaia mais pequena e alongada ?...
Mamão, papaia ou ababaia é o fruto do mamoeiro ou papaeira, árvores da espécie Carica papaya (nome científico).
A espécie é cultivada como fruteira no Brasil, Índia, Austrália, Malásia, Indonésia, Filipinas, Angola, Havai e muitas outras regiões dos trópicos e subtrópicos... A Índia é o 1º produtor mundial, seguida do Brasil... E também cresce, e bem, no quintal do Patrício Ribeiro, o "pai dos tugas", em Bissau (*)...
sábado, 2 de maio de 2026 às 22:58:00 WEST
Eventuais diferenças:
(i) Papaia (Hawai): fruto mais pequeno, peso à volta de 300g / 500g, polpa laranja intenso, muito doce e ideal para comer à colher;
(ii) Mamão (Formosa): fruto maior, pode pesar mais de 1 kg, polpa laranja claro/amarelo, sabor mais suave, ótimo para sucos e saladas.
No Brasil e em Angola, diz-se mamão. Mas também papaia: "em Angola utilizam-se os termos mamão / mamoeiro para identificar o fruto mais arredondado, identificando papaia / papaeira com o fruto mais alongado. São frutas ovaladas, com casca macia e amarela ou esverdeada. Sua polpa é de uma cor laranja forte, doce e macia. Há uma cavidade central preenchida com sementes negras". Distingue-ser duas variedades: mamão Formosa e mamão Hawai, que se dão muito em Angola, comforme a zona e o clima.
A espécie é nativa do sul do México, América Central e norte da América do Sul, estando naturalizada nas Caraíbas, Flórida e diversas regiões de África e Ásia.
A espécie é cultivada como fruteira no Brasil, Índia, Austrália, Malásia, Indonésia, Filipinas, Angola, Havai e muitas outras regiões dos trópicos e subtrópicos... A Índia é o 1º produtor mundial, seguida do Brasil... E também cresce, e bem, no quintal do Patrício Ribeiro, o "pai dos tugas", em Bissau (*)...
Diz o Alberto Branquinho:
"Da minha experiência nas andanças pela Guiné, fiquei com as seguintes ideias:
- o mamão tem a configuração de um melão pequeno;
- a papaia (cortada de cima - pedúnculo de fixação à planta - até à parte inferior) tem a configuração de uma viola
Ambos os frutos, quando bem maduros, têm cor idêntica (laranja forte).
Tanto em Cabo Verde como no Brasil encontrei pessoas que chamam mamão a ambas. A palavra 'ababaia' não conheço!"
sábado, 2 de maio de 2026 às 22:58:00 WEST
2. O que apurámos na Net, permite distinguir o seguinte:
Eventuais diferenças:(i) Papaia (Hawai): fruto mais pequeno, peso à volta de 300g / 500g, polpa laranja intenso, muito doce e ideal para comer à colher;
(ii) Mamão (Formosa): fruto maior, pode pesar mais de 1 kg, polpa laranja claro/amarelo, sabor mais suave, ótimo para sucos e saladas.
No Brasil e em Angola, diz-se mamão. Mas também papaia: "em Angola utilizam-se os termos mamão / mamoeiro para identificar o fruto mais arredondado, identificando papaia / papaeira com o fruto mais alongado. São frutas ovaladas, com casca macia e amarela ou esverdeada. Sua polpa é de uma cor laranja forte, doce e macia. Há uma cavidade central preenchida com sementes negras". Distingue-ser duas variedades: mamão Formosa e mamão Hawai, que se dão muito em Angola, comforme a zona e o clima.
Em Portugal, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde, usa-se mais o termo papaia (e papaia gigante nos mercados em Bissau: vd aqui foto de Cabral Fernandes Yasmine, à direita).
No hiper onde faço compras (o Auchan Alfragide, passe a publicidade), chamam papaia ao fruto mais pequeno e mamão ao maior... Vem do Brasil o mamão...
Na messe, em Contuboel e Bambadinca, comíamos manga, papaia, banana e abacaxi. Na época destes frutos... Havia ainda algumas "pontas" (quintas) em atividade, nos arredores, aonde nos abastecíamos de frutos tropicais... A ponta Brandão, por exemplo, entre Bambadinca e Fá Mandinga...
Tal como nas tabancas em autodefesa: não me lembro de ter comprado, davam-nas...Mas quentes não tinham o sabor que têm hoje...E, estupidamente, nem sumos fazíamos. Também não tínhamos gelo nem máquinas de sumos... E aos vagomestres faltava-lhes imaginação (e formação)... Havia tantas coisas boas na Guiné. Mas dava trabalho arranjá-las... E estávamos em guerra, tínhamos vinte anos e éramos etnocêntricos (o que quer dizer, sem ofensa para ninguém, estúpidos!)
Mas, se bem me lembro, comia-se mais o abacaxi e a banana. A manga existia em abundância, era "mato". A papaia era mais rara. Não havia grandes extensões de papaieiras. Era cultura de quintal. Cada árvore (uma herbácea...) dava meia dúzia de papaias.
A agricultura da Guiné era de autossubsistência. A guerra deu cabo das "pontas". E pensar (ironia da História!) que foi um engenheiro agrónomo (!) do ISA e um professor de finanças, de Coimbra, de botas de elástico, que deram cabo de tudo aquilo... Hoje a Guiné poderia ser um paraíso.
3. Valha-nos, ao menos, a nossa bela e rica língua comum... Vejamos então o que dizem os lexicógrafos (**): segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa , "papaia" é fruto da "papaieira", e a palavra seria de origem caribe, por via do espanhol.
(Tenho a edição completa, 6 volumes, do Círculo de Leitores, Lisboa, 2003; uma grande obra, o melhor que conheço, só é pena que o tipo de letra seja de tamanho pequeno, dificultando a leitura e tornando a consulta penosa para a vista, e portanto menos amigável; o editor português quis pôr o Rossio na Betesga...)
Sinónimos de papaia: bepaia, mamão, mamoa.A etimologia vem do espanhol "papaya" (1535), palavra indigena americana , caribe ou aruaque (impossível determinar com rigor a origem, alguns autores inclinam-se mais para o caribe: "papai").
Papaieira é a árvore (Carica papaya, nome científico ). Sinónimos: ababaia, bepaia, mamão, mamoeiro, pinoguaçu...´
Papaieira é a árvore (Carica papaya, nome científico ). Sinónimos: ababaia, bepaia, mamão, mamoeiro, pinoguaçu...´
Na Guiné-Bissau, e em Cabo Verde, tal como em Portugal, diz-se "papaia" e "papaieira". No Brasil, e em Angola, é "mamão". Veja-se o provérnio crioulo da Guiné-Bissau:
Ami i rasa papaia: N ka ta durmi na bariga di algin (=eu sou como a papaia: não fico parado na barriga de ninguém).
4. O vocábulo "ababaye" (ou "ababaya") existe em francês antigo e em alguns dialetos, referindo-se à papaia (Carica papaya). Os franceses, que colonizaram partes das Caraíbas (como a Martinica e a Guadelupe), podem ter adaptado o termo para "ababaye", que depois foi reimportado para o português como "ababaia".A forma "ababaia" em português pode ser um empréstimo ou adaptação desse termo.
Em Portugal, o termo já não se usa, mas aparece em textos antigos ou em regiões com influência colonial, onde a papaia era cultivada e consumida (regiões tropicais e subtropicais)
Curiosidade linguística: a papaia (Carica papaya) é originária da América Central, mas espalhou-se pelo mundo através dos colonizadores. Os franceses, que também tiveram presença em África e nas Antilhas, podem ter introduzido o o termo "ababaye" em algumas regiões lusófonas, onde depois foi adaptado para "ababaia".
Os caribes são um povo indígena das Caraíbas, conhecidos pela sua resistência à colonização europeias. É interessante as "voltas" que as palavras dão...

Em Cabo Verde, diz-se "papaia",
é um dos fabulosos frutos tropicais
que as ilhas produzem
5. No mundo lusófono, não há registos conhecidos de "ababaia" como termo corrente para papaia. No entanto, o Dicionário Houaiss regista-o.

é um dos fabulosos frutos tropicais
que as ilhas produzem
No Brasil, "ababaia" também aparece como gíria ou calão para genitália feminina em português. Mas terá uma origem mais provável no tupi do que no francês. (Com esta aceção, o Houaiss não regista o termo, encontrámo-lo noutras fontes).
Segundo a ferramenta de IA que consultámos (Le Chat / Mistral AI), "ababaia" aparece em dicionários de tupi antigo (ou tupinambá) como termo relacionado com a vulva ou órgão sexual feminino.
Em tupi, "aba" pode significar "homem" ou "pai", mas também aparece em compostos com sentido erótico ou anatómico. "Baia" (ou "aia") pode estar ligado a "abertura" ou "local", mas, em contexto brejeiro o termo foi adaptado para o calão.
O vocabulo é documentado em obras como o "Vocabulário na Língua Brasílica" (século XVII), de Luís Figueira, onde constam palavras de origem tupi para partes do corpo, incluindo termos tabu.
No português brasileiro, "ababaia" é gíria antiga (e hoje menos comum, omisso na "Bíblia da Língua Portuguesa" que é o Dicionário Houaiss) para designar a genitália feminina, especialmente em contextos de calão ou linguagem pícara, brejeira ou até pornográfica.
Aparece em literatura erótica ou popular, como em modinhas, cordéis ou até em obras de Gregório de Matos (século XVII), que usava termos indígenas em seus poemas satíricos.
"Ababaye" em francês não tem registo como termo para genitália feminina. A hipótese francesa é mais plausível para papaia (fruta), mas não para este sentido anatómico.
6. A influência tupi no português brasileiro é massiva em gírias, especialmente em termos relacionados com o corpo, sexo ou natureza. Exemplos:
- "Pindorama" (terra das palmeiras, nome indígena para o Brasil);
- "Cunhã" (mulher, em tupi);
- "Perereca" (sapo, mas também gíria para genitália feminina).
Em Portugal, o termo "ababaia", não sendo hoje corrente, pode ter chegado, por influência brasileira, através de marinheiros, comerciantes ou imigrantes que trouxeram a gíria. Ou da literatura e do teatro, em obras que retratavam o Brasil colonial ou a vida nos trópicos.
O uso de termos indígenas para partes íntimas (ou "vergonhosas") reflete:
(i) tabu e eufemismo: os povos indígenas tinham palavras específicas para o corpo, que foram adotadas (e ao mesmo tempo "interditas") pelos colonizadores;
(ii) resistência cultural: mesmo em contextos de opressão, a língua tupi sobreviveu no calão e na gíria, como forma de resistência.
Em português, a vulva é conhecida por termos da gíra e calão como pipi, pipica (informal, entre crianças e adolescentes); pito, pepeca, ostra, crica, berbigão, entrefolhos, nêspera, greta, papaia (informal, entre os adultos). (E "catota", nio crioulo da Guiné.)
(Condensação, revisão / fixação de texto, itálicos, negritos, título: LG).
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 1 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27978: Bom dia. desde Bissau (Patrício Tibeiro) (64): Hoje, Dia do Trabalhador, foi tudo para a praia.. Só cá ficaram os que saíram na 3ª caravela do Vasco da Gama, na passagem para a Índia, como eu...
(**) Último poste da série > 20 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27933: Em bom português nos entendemos (30): Kalashnikovomania, mania da Ak-47, culto da Kalash
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sábado, 28 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27865: Agenda Cultural (886): A Sociedade de Geografia de Lisboa vai promover uma Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada: “República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”
O Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa tem a honra de Convidar V. Ex.ª a assistir à Conferência (em formato híbrido) promovida pela Secção de Antropologia, que se realiza no próximo dia 17 abril de 2026 pelas 14h45, no Auditório Adriano Moreira, intitulada:
“República da Guiné-Bissau: entre narrativas dedicadas à luta da libertação e aos dias de hoje”.
Será oradora a Prof.ª Doutora Catarina Casanova.
Ingressar na reunião Zoom
https://us06web.zoom.us/j/81969866566?pwd=nn9ia0nfige7e4u1Q5tiOPuz6j5qeS.1
ID da reunião: 819 6986 6566 - Senha: 335512
Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100
1150-208 Lisboa - Portugal
213425401 - 935425401
www.socgeografialisboa.pt
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Nota do editor
Último post da série de 23 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27849: Agenda Cultural (885): Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia e Tribunal da Relação), Porto: Exposição temporária: "África Vista por Duas Gerações (1938-1995) | Ernst Schade e Carol Alexander Schade, de 07.03 a 28.06.2026. Entrada livre
quinta-feira, 19 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27836: Antologia (101): "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", a publicar brevemente (Mário Beja Santos)
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Março de 2026, trazendo em anexo um texto intitulado "Agradecimentos e Dedicatória", no qual reproduz as razões curriculares que o conduziram ao lançamento do seu próximo livro "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", cuja data de lançamento será anunciada oportunamente.Agradecimentos e dedicatória
Permita-me o leitor que reproduza no Tomo II as razões curriculares que me conduziram a este empreendimento, tal como as escrevi na obra anterior:
O país que é hoje a Guiné-Bissau foi o local onde combati entre 1968 e 1970, matéria que tratei em dois volumes diarísticos, agradecendo penhoradamente as lições recebidas do povo amável com quem convivi, nomeadamente nos regulados do Cuor e Bambadinca; motivado por conhecer melhor os antecedentes deste território em décadas anteriores, meti mãos a um outro empreendimento, uma digressão um tanto romanesca à volta das memórias de uma nonagenária que casou com um administrador colonial, nos alvores da década de 1950 e conheceu os primeiros sinais da insurreição, assim escrevi A Mulher Grande; participante regular naquele que é, sem margem para dúvida, o blogue mais influente para antigos combatentes na então Guiné Portuguesa, Luís Graça & Camaradas da Guiné, senti impulso de ali regressar para me despedir dos meus soldados guineenses, e assim urdi A Viagem do Tangomau; ao longo desses anos de íntima relação com a realidade guineense, fui também procurando ler tudo quanto era literatura da guerra colonial, fundamentalmente do lado português – assim nasceu Adeus, Até ao Meu Regresso.
Os anos passavam, a Guiné continuava sempre presente, no coração, na memória, no desejo de melhor compreender o seu passado e até os seus tempos atuais. Em parceria, enveredei numa tentativa de fazer o arco cronológico entre dados fundamentais da Guiné Portuguesa até à Guiné-Bissau, assim nasceu o livro Da Guiné Portuguesa à Guiné-Bissau: Um Roteiro. Estava dado o balanço para intensificar as pesquisas, nos anos seguintes apareceram as História(s) da Guiné Portuguesa e História(s) da Guiné-Bissau.
Quis um feliz acaso que batesse à porta do então Arquivo Histórico do Banco Nacional Ultramarino (de saudosa memória) em busca de um livro ricamente ilustrado, fui não só compensado por o ter folheado demoradamente como surgiu a oportunidade de ter acesso a documentação inédita, e assim escrevi Os Cronistas Desconhecidos do Canal de Geba: O BNU da Guiné. A saga teve uma nova deriva, encontrei num alfarrabista o livro de um poeta popular, antigo combatente na Guiné, ali fez comissão entre 1963 e 1965, o seu poema galvanizou-me e deu-me a ideia de escrever um livro em que ia respondendo taco a taco às suas itinerâncias desde a recruta à passagem à disponibilidade, de novo aproveitei referências da imensa literatura produzida sobre aquela guerra, desde romance, conto, novela, poesia, memórias, e nesta parceria foi dada à estampa Nunca Digas Adeus às Armas.
Mais recentemente, novo surto para a deriva romanesca, desta feita na cidade de Bruxelas dois cinquentões apaixonam-se, ele vai regularmente a esta sede europeia, ela é intérprete e aceita o repto de passar a escrito as memórias de guerra, cronista amorosa num romance feito fundamentalmente de cartas, Rua do Eclipse, a Guiné atravessa-se nas suas vidas, do princípio ao fim.
Quando tudo levava a crer que estavam esgotados os filões sobre a Guiné, apareceu de rompante um projeto um tanto ambicioso: elaborar, por seriação do século XV ao século XX, um género de antologia com peças umas determinantes outras possuidoras de vigor testemunhal, sobre a presença portuguesa desde o tempo em que os navegadores e cartógrafos denominavam a região por nomes inconclusivos e até bizarros como Etiópia Menor, Rios da Guiné de Cabo Verde, Terra dos Negros ou Senegâmbia, termo que curiosamente foi usado e abusado até ao século XIX, sobretudo para referir uma costa ocidental africana entre o Cabo Verde e a Serra Leoa. Devo advertir o leitor que muitos outros textos aqui poderiam caber, mas creio não ter omitido intencionalmente nenhum que me tenha parecido essencial para a natureza desta obra de divulgação.
Esta antologia decorre de um processo laborioso, escrevi bastantes textos, de forma avulsa e um tanto ao corroer da pena no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, recebi sugestões de mãos amigas, caso dos investigadores António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias, um sem número de sugestões; jamais poderia esquecer as ajudas ou propostas de leitura que recebi da Helena Teotónio Pereira, então à frente da biblioteca do CIDAC, um espaço onde há relevante documentação histórica, e o mesmo podia dizer dos incentivos que tive no Arquivo Histórico do Banco Nacional Ultramarino (de saudosa memória); não esqueci a estimulante parceria que tive a felicidade de encontrar para escrever Da Guiné Portuguesa à Guiné-Bissau: Um Roteiro e também naquele outro livro a quatro mãos Nunca Digas Adeus às Armas.
Sendo eu um infoexcluído, tive a dita de receber uma admirável prestação na colaboração de Linda Sioga, vai para mais de três anos que andamos em belíssima colaboração intermediada pelo Skype/Teams. Naturalmente que agradeço e a junto a esta dedicatória.
Este livro, tal como o anterior, é dedicado a todos aqueles que se iniciam num estudo das relações luso-guineenses, seja em que local for; bem gostaria de lhes ser útil, porventura abrindo-lhes portas, dando-lhes dicas, o que aqui aparece ordenado pela cronologia de há muito foi investigado, ou nunca obteve tratamento público, caso dos documentos que consultei nos Reservados da Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa. Dedico, igualmente, o livro a duas figuras da Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa, Helena Grego e José Carlos Silva; ao longo de todos estes anos em que frequento tais instalações históricas, possuidoras de fascinante documentação, eles tudo têm feito para ter acesso a livros, revistas, relatórios, e, fundamentalmente, a papelada que consta dos Reservados, aqui encontrei textos fervilhantes ou esclarecedores, que o leitor agora vai encontrar deste período histórico em análise dos séculos XIX e XX.
A minha dívida com estes bibliotecários é impagável. Tanto mais que quando disse à Dr.ª Helena Grego que chegara ao fim da linha, nada mais havia para remexer nos arquivos, depois deste tomo II, ela desenganou-me: “Nem pense, agora vai começar a ler o Boletim Oficial do Governo Geral de Cabo Verde e depois o Boletim Oficial da Guiné, Colónia e Província, tem ali trabalho para os próximos anos.”
É o que presentemente está a acontecer, pelas minhas contas será o adeus neste vasculhar que levo à presença portuguesa na Guiné entre meados do século XV e primeiro quartel do século XXI.
"Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo I, A Presença Portuguesa na Senegâmbia", de Mário Beja Santos, lançado em Setembro de 2024(*)
_____________
Nota do editor
(*) Vd. post de 10 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26371: Agenda cultural (876): Apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade", de Mário Beja Santos, dia 13 de Janeiro de 2025, pelas 14h30, na Livraria Municipal Verney, Rua Cândido dos Reis, 90 - Oeiras
Último post da série de 20 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27652: Antologia (100): Uma caçada ao elefante em... Canjambari há mais de 100 anos (Conto publicado em "O Mundo Português", em 1936, da autoria de Artur Augusto Silva, 1912-1983)
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segunda-feira, 16 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27827: Caderno de notas de um mais velho (António Rosinha) (59): A terapia dos almoços da tropa
1. Mensagem de 14 de Março de 2026 do nosso camarada António Rosinha que foi Fur Mil, ainda do tempo da farada "amarela", em Angola, 1961/1962; topógrafo em Angola; emigrante no Brasil, e mais tarde na Guiné-Bissau, onde trabalhou, de 1978 a 1993, na empresa TECNIL. Entrou para o nosso blogue, em 29/11/2006, é um histórico da Tabanca Grande e autor da série "Caderno de Notas de Um Mais Velho"; tem cerca de 150 referências no blogue.
A TERAPIA DOS ALMOÇOS DA TROPA
Quem entre os 70 e os 83 anos, com alguma saúde, anseia pela convocatória anual dos almoços com os camaradas que andaram aos tiros nas ex-colónias, todos juntos, quando tinham 20 anos, com certeza que devem sentir-se uma geração historicamente diferenciada dos seus contemporâneos, que não tiveram aquela experiência.
Haverá muita nostalgia, haverá também orgulho em muitos, mas com certeza esses encontros são um alívio de tensão que dá vida e ânimo para manter a sanidade mental no seu devido lugar.
E mesmo quando nessas reuniões se invocam os nomes dos camaradas que morreram quer em combate quer pela vida fora, com ou sem visitas aos cemitérios, como se vê fazer em almoços a nível regional, missa e idas aos cemitérios, até esse recordar dos que morreram, como que completa uma obrigação de dever cumprido.
E quando se fala de muitos camaradas que ficaram com traumas e sem um tratamento adequado, podiam encontrar um bom tratamento em encontros/convívios e evitar desencontrar-se com antigos camaradas da tropa.
Mais antigos, já terão dificuldade em realizar esses encontros, uns vão desaparecendo, alguns mais entusiastas já não conseguem reunir camaradas com capacidade de deslocação com autonomia, e, no caso recente do problema do covid 19, com a interrupção aconselhada de reuniões, para muita gente esses almoços foi o fim total.
Pessoalmente, como ex-tropa da guerra de Angola, acabou-se o almoço anual, e tive a hipótese de frequentar um almoço mensal, com pessoal mais reduzido, com a interrupção do covid, não mais se retomou esse hábito.
E pessoalmente conheci ainda o poder terapêutico desses "almoços" em reuniões de retornados, que não era de jovens na casa dos vinte anos, mas em muitos casos foi com gente nos 50/60 anos... casos familiares terríveis, mas esses encontros funcionaram com muito sucesso, no "deixar para lá" e desabafar uns com os outros e retomar as rédeas da vida.
Como ex-militar, recorro muitas vezes aos lugares através do google earth para visitar os lugares por onde passei de arma ou sem arma na mão, para ver por onde passei, seja em Angola, Guiné ou Brasil, e ver como aquilo está, também essas visitas (virtuais) ajudam a encarar o nosso passado de frente.
E como diz o nosso grande escritor e também ex-militar, Lobo Antunes, que se preocupou muitíssimo comigo e todos os retornados, em que inclui grandes retornados tal como Vasco da Gama e mesmo por onde esses antigos andaram, eu gosto de visitar e desopilo imenso com isso.
Imagine-se hoje, 2026, lembrar que um desses guerreiros portugueses antigos, Afonso de Albuquerque, mandou construir o Forte Nossa Senhora da Conceição em 1515 na Ilha de Ormuz para cobrar portagem a barcos que quiserem transportar especiarias do oriente para norte e hoje nesse mesmo lugar alguém quer impedir petroleiros de transpor essa mesmíssima portagem sem pagar.
E segundo Lobo Antunes, fazem-nos falta petroleiros em frente aos Jerónimos.
Com reuniões e almoços, ou acompanhar Luisgraca de perto, não é só viver do passado, é viver a nossa história de frente.
Um abraço
Antº Rosinha
_____________
Nota do editor
Último post da série de 22 de Julho de 2025 >Guiné 61/74 - P27044: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (58): O racismo em Portugal... onde ninguém sabe se os seus antepassados foram escravos ou esclavagistas...
A TERAPIA DOS ALMOÇOS DA TROPA
Quem entre os 70 e os 83 anos, com alguma saúde, anseia pela convocatória anual dos almoços com os camaradas que andaram aos tiros nas ex-colónias, todos juntos, quando tinham 20 anos, com certeza que devem sentir-se uma geração historicamente diferenciada dos seus contemporâneos, que não tiveram aquela experiência.
Haverá muita nostalgia, haverá também orgulho em muitos, mas com certeza esses encontros são um alívio de tensão que dá vida e ânimo para manter a sanidade mental no seu devido lugar.
E mesmo quando nessas reuniões se invocam os nomes dos camaradas que morreram quer em combate quer pela vida fora, com ou sem visitas aos cemitérios, como se vê fazer em almoços a nível regional, missa e idas aos cemitérios, até esse recordar dos que morreram, como que completa uma obrigação de dever cumprido.
E quando se fala de muitos camaradas que ficaram com traumas e sem um tratamento adequado, podiam encontrar um bom tratamento em encontros/convívios e evitar desencontrar-se com antigos camaradas da tropa.
Mais antigos, já terão dificuldade em realizar esses encontros, uns vão desaparecendo, alguns mais entusiastas já não conseguem reunir camaradas com capacidade de deslocação com autonomia, e, no caso recente do problema do covid 19, com a interrupção aconselhada de reuniões, para muita gente esses almoços foi o fim total.
Pessoalmente, como ex-tropa da guerra de Angola, acabou-se o almoço anual, e tive a hipótese de frequentar um almoço mensal, com pessoal mais reduzido, com a interrupção do covid, não mais se retomou esse hábito.
E pessoalmente conheci ainda o poder terapêutico desses "almoços" em reuniões de retornados, que não era de jovens na casa dos vinte anos, mas em muitos casos foi com gente nos 50/60 anos... casos familiares terríveis, mas esses encontros funcionaram com muito sucesso, no "deixar para lá" e desabafar uns com os outros e retomar as rédeas da vida.
Como ex-militar, recorro muitas vezes aos lugares através do google earth para visitar os lugares por onde passei de arma ou sem arma na mão, para ver por onde passei, seja em Angola, Guiné ou Brasil, e ver como aquilo está, também essas visitas (virtuais) ajudam a encarar o nosso passado de frente.
E como diz o nosso grande escritor e também ex-militar, Lobo Antunes, que se preocupou muitíssimo comigo e todos os retornados, em que inclui grandes retornados tal como Vasco da Gama e mesmo por onde esses antigos andaram, eu gosto de visitar e desopilo imenso com isso.
Imagine-se hoje, 2026, lembrar que um desses guerreiros portugueses antigos, Afonso de Albuquerque, mandou construir o Forte Nossa Senhora da Conceição em 1515 na Ilha de Ormuz para cobrar portagem a barcos que quiserem transportar especiarias do oriente para norte e hoje nesse mesmo lugar alguém quer impedir petroleiros de transpor essa mesmíssima portagem sem pagar.
E segundo Lobo Antunes, fazem-nos falta petroleiros em frente aos Jerónimos.
Com reuniões e almoços, ou acompanhar Luisgraca de perto, não é só viver do passado, é viver a nossa história de frente.
Um abraço
Antº Rosinha
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Nota do editor
Último post da série de 22 de Julho de 2025 >Guiné 61/74 - P27044: Caderno de notas de um mais velho (Antº Rosinha) (58): O racismo em Portugal... onde ninguém sabe se os seus antepassados foram escravos ou esclavagistas...
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terça-feira, 10 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27808: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (63): O antigo hospital militar, HM 241 (e depois "complexo hospitalar 3 de agosto"): "E tudo o vento levou"...
Foto nº 1
Foto nº 2
Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Guiné > Bissau > "O Pavilhão de Tisiologia do Hospital de Bissau foi projetado por Lucínio Cruz e Mário de Oliveira, entre 1951 e 1953 para doentes tuberculosos, e construído a pedido do governo da província à entrada de Bissalanca, a cerca de 6 km do centro da cidade, numa altura em que algumas valências são gradualmente implantadas fora do sector hospitalar existente no centro de Bissau. Erguido no recinto do atual Hospital 3 de Agosto, atualmente em ruínas, em 1962 funciona já como novo hospital militar, situação que se prolonga com a guerra colonial." (Ana Vaz Milheiro)
Foto (e legenda): © Mário Beja Santos (2013). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Mensagem do Patricio Ribeiro, "embaixador" da Tabanca Grande em Bissau:
Data - quarta, 4/03/2026, 20:39
Assunto - Antigo Hospital Militar
Luís,
Hoje foi com surpresa que vi que já não há as paredes do Hospital "3 de Agosto", o antigo hospital militar português onde muitos sobreviveram.
Abraço, Patrício
Degradação do Hospital Militar na Guiné-Bissau
Data - quarta, 4/03/2026, 20:39
Assunto - Antigo Hospital Militar
Luís,
Hoje foi com surpresa que vi que já não há as paredes do Hospital "3 de Agosto", o antigo hospital militar português onde muitos sobreviveram.
Abraço, Patrício
2. Comentário do editor LG:
Pois é, Patrício, andamos todos distraídos... Há muito que esta unidade de saúde era uma ruína completa: já em 1994 chocava os profissionais que lá haviam trabalhado... Chegou a ser, no tempo da outra senhora, o melhor hospital da África, subsariana, com exclusão da África Austral do "Apartheid"
Vd. aqui uma reportagem da RTP:
1994-08-25 00:02:49
Bissau, degradação do Hospital Militar choca aqueles que lá trabalharam, pois era considerado o melhor equipado, de todas as colónias portuguesas.
Bissau, degradação do Hospital Militar choca aqueles que lá trabalharam, pois era considerado o melhor equipado, de todas as colónias portuguesas.
Resumo analítico: Imagens de arquivo do hospital totalmente degradado, da Guerra Colonial e ferido em maca; declarações de Felino Almeida, antigo diretor do hospital, sobre o imperdoável estado de conservação.
Fonte: RTP Arquivos
Soubemos agora, por pesquisa na Net, que a demolição do antigo Complexo Hospitalar 3 de Agosto em Bissau, Guiné-Bissau, já tinha tido início em abril de 2025, devendo em seu lugar construir-se um novo Hospital de Referência.
Segundo notícias de Bissau, a infraestrutura original, abandonada após a independência e em ruínas, é (ou era) para ser substituída por um "hospital moderno com tecnologia de ponta" (sic), numa área de 33 mil metros quadrados, fruto da cooperação com os Emirados Árabes Unidos. Pelo menos era essa promessa (!) do deposto Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, há quase um ano atrás.
Pelo que se deduz das fotos recentes do Patrício Ribeiro, o edifício (ou o que dele restava, as paredes) foi arrasado pelas máquinas da engenharia militar mas ainda não há notícias (nem sequer um foto da primeira pedra) do prometido novo hospital de chave na mão....
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 8 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27804: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (62): Antigo quartel da marinha e estaleiros navais, na avenida marginal
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