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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27948: As nossas geografias emocionais (65): O Jorge Ferreira, no CIM de Bolama, em junho/julho de 1961




Foto nº 1 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, o segundo a contar a esquerda. 


Foto nº 2 >  Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, o primeiro a contar da direita


Foto nº 3 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > À porta de armas...


Foto nº 4 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O alf mil Jorge Ferreira, na entrada do CIM de Bolama: é o segundo a conta da direita


Foto nº 5 >Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar (CIM)  > c. junho /julho de 1961 > Entrada do CIM 


Foto nº 6 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > Recrutas guineenses em formatura (1)


Foto nº 7 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > Recrutas guineenses em formatura (2)


Foto nº  8 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 >   Paisagem



Foto nº 9 > Guiné > Arquipélago dos Bijagós > Bolama >  Centro de Instrução Militar > c. junho /julho de 1961 > O Jorge Ferreira à civil


Fotos (e legendas): © Jorge Ferreira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Jorge Ferreira em Buruntuma
(nov 61 / jul 62)

1. O Jorge Ferreira tem 40 referências no nsso blogue. É um dos nossos VCC ("velhinhos como o caraças...). Não em idade (é um jovem, vai fazer 88 anos no próximo dia 4 de julho), mas em antiguidade na tropa.

Entrou para a Tabanca Grande em 19/9/2016 (nº 728) (*)

Em meados de 1960, tinha concluído o 3º ano da licencitura em Ciências Sociais e Políticas (ISCSPU / UTL), quando foi chamado para a tropa. (Os últimos dois anos do curso serão completados depois de regressar à metrópole em julho  de 1963.)

Em maio de 1961 é  mobilizado para a Guiné. Ficou no CIM de Bolama a dar recruta a tropas do recrutamento local  (2 turnos). É colocado em Nova Lamego na 3ª Companhia de Caçadores Indígenas (a partir de 1/4/1967, sesignada por CCAÇ 5, "Gatos Pretos", Canjadude, até à sua extinção, em 1974).

Entre  novembro de 1961 e julho de 1962, esteve em Buruntuma, na fronteira com a Guiné-Conacri, quando ainda a guerra não tinha começado oficialmente... Esteve a comandar um pelotão  de 40 homens (metade do Esquadrão de Cavalaria nº 252, e metade do recrutamento local, da 3ª CCI).

A sua comissão de serviço no CTIG foi de 25 meses.  As fotos que apresentamos são do início da sua comissão quando foi colocado como instrutor no CIM de Bolama (**).

2. Informação adicional sobre a 3ª CCAÇ  I (José Martins, nosso colaborador permanente, ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70):



 (i) esta unidade foi constituída em 1 de fevereiro de 1961, como unidade da guarnição normal do CTIG;

(ii) era formada por quadros metropolitanos e praças indígenas do recrutamento local;

(iii) iniciou a sua formação adstrita à 1ª CCAÇ I (que passou a designar-se, a partir de 1/4/1967, CCAÇ 3);

(iv) em 1 de agosto de 1961, com a constituição de dois pelotões, substitui a 1ª CCAÇ I na guarnição de Nova Lamego;

(v) desloca elementos para guarnição de várias localidades do Setor Leste, por períodos e constituição variáveis, sendo de destacar as localidades de Che-Che, Béli e Madina do Boé;

(vi) passou a guarnecer, em permanência,  as localidades de Béli e Madina do Boé instalando, em 6 de maio de 1963, um pelotão em cada localidade;

(vii) em 1 de abril de 1967 passa a designar-se por Companhia de Caçadores nº 5, com sede em Canjadude.

________________

Notas do editor LG:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Guiné 61/74 - P17089: Agenda cultural (543): Sessão de lançamento do livro de fotografia do nosso camarada Jorge Ferreira sobre Buruntuma, Gabu, 1961/63... Apresentação a cargo de Luís Graça, editor do nosso blogue.... Concerto de Korá com mestre Braima Galissá, nosso grã-tabanqueiro... Local e data: Galeria-Livraria Verney, Centro Histórico de Oeiras, sábado, dia 4 de março, às 15h00... Estamos todos convidados!







1.  Convite com data de 12 do corrente do nosso camarada Jorge Ferreira

[ Foto à direita: Jorge Ferreira, ex-alf mil da 3ª CCAÇ, tendo estado em Buruntuma com o seu pelotão (20 metropolitanos e 20 guinenses) entre novembro de 1961 e julho de 1962; a 3ª CCAÇ estava sediada em Nova Lamego, tendo mais tarde dado origem à CCAÇ 5, "Gatos Pretos", sediados em Canjadude]

Caros Amigos

Junto envio o "CONVITE" para a sessão de apresentação do "BURUNTUMA ... ".

Seria para mim um privilégio poder contar com a V/ Presença na Mesa fazendo companhia ao Prof. Luís Graça que se disponibilizou para apresentar o Livro e em reconhecimento pelo "papel relevante" que desempenha como dinamizador do Convívio entre a Comunidade dos "JOVENS" que estiveram mobilizados na Guiné.

Na expectativa de poder contar com a V/ presença, subscrevo-me com Amizade
Jorge Ferreira


2. Como chegar à Galeria-Livraria Verney, Oeiras

Na Av Copacabana, (Liv. Verney), a primeira rua à esquerda dá acesso ao Parque Estacionamento Municipal (Gratuito) que, por sua vez, dá acesso "a pé", ao ARCO ao lado da porta da Galeria (Liv. Verney1),. na Rua Cândido dos Reis, nº 90.



Galeria-Livraria Verney

3. Ficha técnica, dedicatória e apoios



Preço de capa:  12, 5 € + portes. Pedido ao autor  através do endereço de email: jorgeferr@netcabo.pt


Dedicatória aurtografada ao blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



[pág. 06]

Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Mais do que um simples repositório de informação e conhecimento de um determinado tempo e espaço (Guiné e Portugal, 1961/74), o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné é um ponto de encontro entre homens (e algumas mulheres) que fizeram a guerra e a paz, uma ponte de ligação entre dois povos  que têm muitas coisas em comum, a começar por  uma língua e uma história,  é sobretudo um espaço interativo de partilha de memórias e afetos entre combatentes da guerra colonial (ou do ultramar, como se queira), uma comunidade virtual a que puseram o nome de Tabanca Grande. Um espaço onde todos cabem com tudo o que os une e até com aquilo que os pode separar.  
Não têm a veleidade de fazer história, com H grande, mas também não querem ser meros figurantes do filme da história, reúnem-se muito simplesmente por que gostam (e sentem a obrigação de)  contar a “petite histoire” dos seus verdes anos na tropa e na guerra,  partilhando uns com os outros (e com os seus filhos e netos) os seus álbuns de fotografia e os seus escritos, em prosa e em verso. Como camaradas que foram no passado e que continuam a ser,  tratam-se hoje por tu, deixando de lado  títulos, postos, idade, convenções  ou outras barreiras à livre e espontânea comunicação entre eles.
Encontram-se todos os anos, pelo menos uma vez,  na primavera. Sabem que são um “espécie em vias de extinção”. E têm diversas "tabancas pequenas" espalhadas por aí, de norte a sul do país... Não haverá pelo mundo fora (incluindo a Web) muitas comunidades (virtuais e reais) como esta, de veteranos de guerra.
O Jorge Ferreira foi dos primeiros militares a ser mobilizado para a então província da Guiné, e é um dos mais recentes (o nº 728) a entrar para a Tabanca Grande. É um homem de muitos seres, saberes e lazeres, a começar pela paixão da fotografia. Com a sua inseparável câmara Konika, ele fixou, com rara sensibilidade socioantropológica, momentos únicos e irrepetíveis do quotidiana e da cultura das gentes de Buruntuma, no leste, no limite na região de Gabu, mas ainda em pleno  “chão fula”, quando os "bombolons" da guerra já começavam a tocar ao longe, no norte e no sul da Guiné…
[pág. 07]
______________________

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Guiné 63/74 - P16502: Tabanca Grande (495): Jorge Ferreira, ex-alf mil, 3ª CCAÇ (Bolama, Nova Lamego e Buruntuma, 1961/63), nosso grã-tabanqueiro nº 728...


Projeto de capa para o livro, profusamente ilustrado, e a ser publicado em breve, "Buruntuma: algum dia serás grande. Guiné, Gabu, 1961-63", da autoria de Jorge Ferreira, que foi alf mil da 3ª CCAÇ, tendo estado em Buruntuma com o seu pelotão (20 metropolitanos e 20 guinenses) entre  novembro de 1961 e julho de 1962. A 3ª CCAÇ estava sediada em Nova Lamego.

Aqui na foto, o Jorge Ferreira aparece com o régulo de Buruntuma, que era tenente de 2ª linha, junto ao marco fronteiriço ("República Portuguesa: Província da Guiné"). O seu próximo livro tem inegável interesse documental e etnográfico.

Buruntuma, sendo uma localidade fronteiriça, tinha posto da PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado. O Jorge Ferreira conheceu outras localidades do leste da Guiné, como Pirada e o célebre comerciante Mário Soares. O Jorge, na 3ª CCAÇ, em Nova Lamego, lembra-se ainda do  ten mil médico António  Sancho, mais tarde conhecido cirurgião plástico.



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Buruntuma > 1961/62 > 3ª CCAÇ > O alf mil Jorge Ferreira, fotografado junto ao armazém da mancarra (que ainda hoje existe, em ruinas).



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Buruntuma > 1961/62 > 3ª CCAÇ > O alf mil Jorge Ferreira, junto à incipiente rede de arame farpado do destacamento... Para alguns de nós, Buruntuma era o "cú de Judas" da Guiné... Hoje temos mais de 70 referências a Buruntuma no nosso blogue... Com a entrada do Jorge Ferreira temos ter seguramente mais e enriquecer o nosso espólio fotográfico...



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Buruntuma > 1961/62 > 3ª CCAÇ > O alf mil Jorge Ferreira


Fotos: © Jorge Ferreira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís & Camaradas da Guiné]

1. Mensagem de Jorge Ferreira, com data de 15 do corrente:

Caro Prof. Luis Graça e Companheiro:

Muito sensibilizado pelo caloroso acolhimento que me dispensou, envio-lhe como combinado a mini versão da "maquete" do meu livro.

O CV e as minhas fotos serão enviadas oportunamente.

Com consideração e grato pela atenção.

Jorge Ferreira


2. Mensagem do Jorge Ferreira de 16 de junho passado:

Boa noite.  Prof. Luís Graça

Os meus agradecimentos pela gentileza do seu acolhimento ao meu contacto telefónico de hoje.

Como lhe referi, tenho em fase de conclusão um Livro de Fotografias sobre Buruntuma (1961/62) que tenciono publicar no último trimestre deste ano. Entretanto estou dialogando com duas entidades prestigiadas o seu parocínio. Porém, com ou sem patrocínio, o Livro será publicado.

No fim do corrente mês a "maquete" para entregar na Gráfica estará concluída e depois seguir-se-á o necessário diálogo sobre as provas gráficas.

Como na 1ª quinzena de Julho estarei ausente no estrangeiro, gostaria de após o meu regresso conhecê-lo pessoalmente e abordar o tema do Livro, de acordo com as suas disponibilidades de tempo.

Grato pela atenção, apresento-lhe os meus melhores cumprimentos.

Jorge Ferreira




Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Posição relativa de Buruntuma, junto à fronteira coma  Guiné-Conacri > Carta de Buruntuma > Escala 1/50 mil (1957)


3.  Comentário do editor L.G. :

Jorge: Como combinado, aqui vai o link com a carta / mapa de Buruntuma, escala 1/50 mil,  de 1957...

Foi um prazer conhecer-te, camarada... Como mandam as boas regras do blogue, tratamo-nos doravante por tu, como camaradas que fomos no passado e que continuamos a ser, no presente. E deixa de títulos, postos, idade ou outras barrreiras à nossa comunicação.  São as regras do blogue (*).

Camaradas da Tabanca Grande: o Jorge, veteraníssimo camarada que esteve um ano em Buruntuma, entre  novembro de 1961 e julho de 1962,  quando ainda a guerra não tinha começado oficialmenmte, tem um livro lindíssimo sobre aquela terra e as suas gentes que ficaram no nosso coração... Prometi dar a notícia, em primeira mão, no nosso blogue... Conhecemo-nos há dias, pessoalmente, embora já desde meados de junho que temos vindo a falar ao telefone. Pedimos, há tempos, amizade na página do Facebook da Tabanca Grande, mas falta apresentá-lo formal e condignamente no nosso blogue. 

Eu e o Jorge Ferreira, que mora no concelho de Oeiras, para além da Guiné, temos várias coisas em comum: a frequência do ISCSP - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, onde ele se licenciou depois de ter vindo da Guiné, (e onde eu frequentei o 1º ano da licenciatura em ciências sociais, em 1975/76, na mesma alturta em que lá esteve o cap cav Salgueiro Maia); vários amigos do Instituto de Informática do Ministério das Finanças e da DGOA - Direção Geral de Organização Administrativa); a paixão pela fotografia, etc...  Trabalhou, depois do regresso, em maio de 1963,  da Guiné , nos serviços mecanográficos do exército até 1972 onde teve, entre outros, como colega o Manuel Barão da Cunha, conhecido escritor da guerra de África, bem como o seu irmão Francisco.

O Jorge [da Silva] Ferreira, que passa a ser o nº grã-tabanqueiro nº 728 (**), tem um blogue de fotografia que merece ser divulgado e conhecido.  É um homem culto e viajado. e que cultiva a memória. No seu blogue, diz com modéstia que não é  "um fotógrafo profissional nem mesmo um amador". Descreve-se  apenas como um" caçador de imagens" (...) "que desde muito jovem se sentiu atraído pela fotografia, passando a fazer parte do [seu] quotidiano". Retomou a fotografia depois de enviuvar há 5 anos, fazendo do seu blogue também uma tocante homenagem à sua companheira de uma vida,  Gabriela, e mãe do seu filho (que, se não erro, vive nos EUA).

Sobre a sua comissão de serviço na Guiné, para onde foi mobilizado em 1961, escreveu:

(...) "A minha experiência de comando de um pelotão integrando militares portugueses e nativos, em igual número, foi extremamente enriquecedora e, embora em clima de guerra, moldou-me fortemente o carácter e levou-me a acreditar que a multirracialidade é um dos pilares em que deve assentar a sã e pacífica convivência entre os diferentes povos e raças da Humanidade.

"Durante os 25 meses em que permaneci neste pedaço de solo africano foi minha companheira inseparável, nos bons e maus momentos, uma câmara KONIKA S que me permitiu captar a diversidade étnica e religiosa do “chão” que corresponde à actual Guiné Bissau, verdadeiro 'moisaco humano polícromo', e o convívio harmonioso de brancos e negros ainda que em cenário de conflito armado.

"Estas imagens pela importância que revestem para mim, encontram-se agrupadas autonomamente em 'MEMÓRIAS' tal como foram captadas há cerca de 50 anos sem qualquer manipulação e por isso com as deficiências resultantes da sua 'velhice'.

"Finda a Comissão, regressei a Portugal. Entretanto conclui os 2 anos que faltavam para obter a minha licenciatura [em ciências sociais e políticas], abracei a carreira profissional na Área das TI [Tecnologias da Informação], concretamente como Técnico e posteriormente como Gestor de Sistemas de Informação, e constitui FAMíLIA, tornando-me exclusivamente Repórter fotográfico da Vida familiar, registando os seus momentos mais marcantes, férias, nascimento do filho e dos netos, convívio com os Amigos e viagens por Portugal e pelo Mundo". (...)


Feita esta breve apresentação (, complementada com um resumo do seu CV profissional, abaixo reproduzido), desejamos-lhe o melhor sucesso para o seu livro e uma agradável e frutuosa estadia na nossa Tabanca Grande, à sombra do nosso mágico e fraterno poilão.






4. Informação sobre a 3ª CCAÇ (José Martins, nosso colaborador permanente, ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70):

3ª Companhia de Caçadores Indígenas:

 (i) esta unidade foi constituída em 1 de Fevereiro de 1961, como unidade da guarnição normal do CTIG;

(ii) era formada por quadros metropolitanos e praças indígenas do recrutamento local;

(iii) iniciou a sua formação adstrita à 1ª CCAÇ I;

(iv) em 1 de agosto de 1961, com a constituição de dois pelotões, substitui a 1ª CCAÇ I na guarnição de Nova Lamego;

(v) desloca elementos para guarnição de várias localidades do Setor Leste, por períodos e constituição variáveis, sendo de destacar as localidades de Che-Che, Béli e Madina do Boé;

(vi) passou a guarnecer, em permanência,  as localidades de Béli e Madina do Boé instalando, em 6 de maio de 1963, um pelotão em cada localidade;

(vii) em 1 de abril de 1967 passa a designar-se por Companhia de Caçadores nº 5, com sede em Canjadude.
_______________

Notas do editor:


(**) Vd. postes da série O Nosso Livro de Estilo:

22 de Julho de 2011 > Guiné 63/74 - P8588: O Nosso Livro de Estilo (1): Política editorial do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

12 de agosto de 2011 >Guiné 63/74 - P8662: O Nosso Livro de Estilo (2): Comentar (nem sempre) é fácil)...

7 de dezembro de 2012 > Guiné 63/74 - P10770: O Nosso livro de estilo (7): Cerca de 400 abreviaturas, siglas, acrónimos, expressões idiomáticas, gíria, calão, crioulo... Para rever, aumentar, melhorar...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Guiné 63/74 - P12261: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca...é Grande (76): Encontro do nosso editor, ao fim de 6 anos, com a família do ex-alf mil Martinho Gramunha Marques, natural de Cabeço de Vide, Fronteira, morto heroicamente em combate, em Madina do Boé, em 30/1/1965


Lisboa > Casa do Alentejo > 26 de outubro de 2013 > Sessão de lançamento do livro do José Saúde > Em cima, o nosso editor Luís Graça, com a família do nosso infortunado camarada Martinho Gramunha Marques: duas irmãs (sendo a Adelaide a primeira a contar da direita) e um irmão (ou cunhado, não sei ao certo).


Lisboa > Casa do Alentejo > 26 de outubro de 2013 > Sessão de lançamento do livro do José Saúde >  Sessão de autógrafos: o autor escrevendo uma dedicatória a um familiar do alf mil Martinho Gramunha Marques, que era natural de Cabeço de Vide, concelho de Fronteira, Alto Alentejo. (Tem na sua terra natal, uma rua com o seu nome.)

Fotos (e legendas) : © Luís Graça  (2013). Todos os direitos reservados.





Guiné > Zona Leste > Pirada > Janeiro de 1965 > Da direita para a esquerda: (i) em primeiro plano, o alf mil Martinho Gramunha Marques (3ª CCac Indígena / BCAÇ 512, Mansoa e 1963/65; (ii) ao centro, o António Figueiredo Pinto, [alf mil, BCAÇ 506, Nova Lamego, Beli, Madina do Boé, 1963/65]; e (iii) o Sarg Piedade.

Foto tirada em Pirada...Poucos dias depois, a 30 de Janeiro de 1965, o Gramunha Maqreus morre numa emboscada, em Madina do Boé, heroicamente, em grande sofrimento...  Natural de Cabeço de Vide, concelho de Fronteira, Alto Alentejo, está inumado no cemitério de Cabeço de Vide.  Pertencia à 3ª Companhia de Caçadores Indígenas do BCAÇ 512.

Foto (e legenda) : © António Pinto (2007). Todos os direitos reservados.


1. No passado dia 26 de Outubro, o nosso camarada  e amigo José Romeiro Saúde, natural de Vila Nova de São Bento, Serpa, a viver em Beja, Baixo Alentejo, fez o lançamento do seu 5º livro, "Guiné-Bissau, as minhas memórias de Gabu, 1973/74" (Beja: CCA - Cooperativa Editorial Alentejana, 170 pp. + c. 50 fotos; preço de capa: 10 €),

Como já noticiámos, o evento constituiu um sucesso e foi pretexto para uma belíssima tarde de animação cultural, com dois grupos musicais do Baixo Alentejo. O Zé estava felicissímo pela presença de numeroso público, com muitos amigos e uma meia dúzia de camaradas da Tabanca Grande.  Fartou-se de escrever dedicatórias e autógrafos (nos cerca de 4 dezenas de livros vendidos). Veio gente de vários lados, do Baixo e até do Alto Alentejo. Um das grandes surpresas, que me emocionou, foi a presença da família do saudoso Martinho Gramunha Marques, um dos 75 alferes que morreram no TO da Guiné.

Mais uma prova de que o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande! (*)... Finalmente pude comhecer um das primeiras mulheres, familiares de camaradas nossos, a entrar para a Tabanca Grande, Adelaide Gramunha Marques (ou Adelaide Crestejo). Vinha acompanhada de mais dois familiares, uma irmã e um irmão (, ou marido, ou cunhado, não fixei na altura, no meio de tanto ruído).

Já lhe mandei as fotos que publicamos hoje, juntamente com a seguinte mensagem, por mail de 3 do corrente::

Querida amiga Adelaide:

Estou feliz pelo nosso breve encontro. Afinal, você perdeu, irrremediavelmente, um mano na guerra, mas também nós ganhámos, enquanto grupo de ex-combatentes, uma mulher, que será nossa irmã, e que será sempre para nós e para as mulheres portuguesas que nos leem, um exemplo extraordinário de coragem, de lucidez e de amor fraterno.

A sua história tocou-nos, ao revelar-nos, publicamente, a sua reação íntima à notícia lida no blogue, sobre as circunstâncias da morte (heróica) do Martinho, dada por uma camarada dele, o António Pinto, e que você irá mais tarde conhecer (se não me engano).

Se a ajudámos a fazer o luto, a si e à sua família, como temos feito com outras mulheres e outras famílias, é o suficente para nos sentirmos compensados pelas agruras, que também as temos , da edição deste blogue, que vai fazer 10 anos de existência.

Gostaria de relembrar, num novo poste, a publciar em breve, o seu mano bem como a grande família que ele tem e de que ele se pode continuar a orgulhar, lá onde quer que ele esteja... Junto duas fotos que tirámos, na Casa do Alentejo, uma delas em grupo. Com tanto ruído na sala, não consegui tomar boa nota dos nomes dos seus manos, ou melhor, mana e mano (?). Enfim, gostaria de publicar no blogue uma pequena notícia sobre o encontro em que finalmente conheci uma mulher, como você. de grande nobreza, e uma boa amiga do blogue, uma das primeiras a juntar-se à nossa "caserna virtula", a que chamamos Tabanca Grande.

Se por acaso tiver fotos, digitalizadas, do seu mano e dos seus camaradas, cá e/ ou na Guiné, esteja à vontade para mas mandar (ou não). Eu acho que ele, mas vocês e nós também, temos direito à memória. Falar dele é não esquecê-lo, é mantê-lo ao pé de nós. Um beijinho do Luís Graça



2. Recorde-se aqui a mensagem de Adelaide Gramunha Marques, publicada em 20 de junho de 2007 (**):

Exmo. Senhor Dr. Luis Graça

Estou a escrever-lhe porque através de um dos meus sobrinhos (#) veio parar-me às mãos um blogue que fala da Guiné, daqueles que por força do destino ou da cegueira de um homem, se viram envolvidos em lutas que não provocaram e cujo desfecho final nem sempre foi o mais agradável.

Deixe que me apresente primeiro: o meu nome é Maria Adelaide Gramunha Marques Sales Crestejo, irmã do falecido Martinho Gramunha Marques (##).

Quero que saiba que a minha primeira reacção quando vi o blogue, foi de expectativa pois fiquei entusiasmada com a ideia de que aqui podia finalmente encontrar alguém, que durante aquele período de tempo em que ele esteve na Guiné (3), conviveu com ele, quem sabe assistiu aos seus últimos momentos, o confortou, lhe deu apoio enfim, não o deixou morrer sozinho.

Quando vi a mensagem do Sr. António Pinto e vi o nome do meu irmão ali escrito com todas as letras, nem parei para pensar e foi então que um murro me atingiu em cheio o estômago, a cabeça começou a girar e as lágrimas não paravam de brotar dos meus olhos.

Ali à minha frente estava aquilo que durante anos e anos eu tentei saber e nunca tive ninguém que mo dissesse. Como foi a morte do Martinho Gramunha Marques ? O meu coração pedia a Deus que tivesse sido rápido, que ele não tenha sofrido.

Agora sei que isso não foi assim. Agora que já passaram 2 dias desde que tive conhecimento da vossa existência, e tendo lido com mais calma alguns dos comentários e narrativas, acho que foi bom, esta revelação aproximou-me mais dele.

Há no entanto tanta coisa que eu gostaria de saber, por essa razão lhe escrevo este email, pois gostaria se isso fosse possível, entrar em contacto directo com o Sr. António Pinto (4), seja através de telefone ou email.

Dr. Luis Graça, não quero terminar este email sem antes mandar para si e para todos os que de uma maneira ou doutra tornaram este cantinho uma realidade, um BEM HAJAM e as maiores felicidades.

Adelaide Gramunha Marques
______________

(#) Comentário de Bernardo Garmunha Marques ao poste de 23 de janeiro de 2007 | Guiné 63/74 - P1456: Gabu: Fotos com legendas (António Pinto, BCAÇ 506 e 512) (1): Pirada e Piche

(##) Vd. poste de 17 de Janeiro de 2007 > Guiné 63/74 - P1437: Estórias de Madina do Boé (António Pinto) (1): a morte horrível do Gramunha Marques e o ataque a Beli em que fui
ferido

3. Comentário, na altura, de L.G.:

Querida senhora, cara amiga:

(...) Deixe-me ser solidário na sua dor e na sua revolta. Deixe-me que lhe fale do meu próprio espanto. O seu irmão morreu há mais de 42 anos, no dia 30 de Janeiro de 1965, em Madina do Boé (de má memória para muitas famílias portuguesas) (...)

(...) Mas a família nunca soube as circunstâncias da morte do Martinho. Vem a sabê-lo, há dias, casualmente, impessoalmente, através da blogosfera, através do do relato de um camarada e grande amigo do seu tempo de Guiné, o ex-Alf Mil António Pinto...

É triste que as coisas tenham acontecido assim. É revoltante que o Exército, na época, não tenha conseguido sequer humanizar a notícia da morte dos seus homens.  Percebo hoje a sua revolta, que é também a nossa. Resta-nos a consolação de termos contribuído um pouco - todos nós, a começar pelo António Pinto - para que você, irmã do nosso camarada Martinho Gramunha Marques, e os seus familiares mais próximos, consigam finalmente fazer o luto e preservar o melhor da sua memória... Através do nosso blogue, através do pungente relato do seu amigo e camarada António Pinto, o Gramunha Marques não será esquecido. (...)


[ Foto a esquerda, António Pinto, II Encontro Nacional da Tabanca Grande, Pombal, 2007; vive atualmente em Vila do Conde] (***)

4. Excertos do poste P1437:

(...) (1) Gramunha Marques, morto em Madina do Boé.

Estava em Beli, já noite, quando através do rádio do Chefe de Posto soube o que aconteceu aos nossos camaradas, que foram vítimas duma emboscada fatal. A minha primeira reacção foi entrar em contacto com Nova Lamego e pedir autorização para ir tentar ajudá-los.


Levei uma nega do Ten Cor Figueiredo Cardoso  (****) que me deu ordens terminantes para ficar onde estava, em Beli, com redobrada vigilância. Com os nervos à flor da pele, desliguei-lhe a comunicação depois de quase o ter insultado (e que mais tarde pedi desculpa, do acto impensado).

Pedi voluntários para irem comigo, mesmo desobedecendo
às ordens e quem conseguiu demover-me, já
com a pequena coluna pronta para arrancarmos, foi o Furriel Stichini, que me disse e não posso mais esquecer:
- Nós vamos, mas será o responsável pelas nossas mortes.

Acabei por ficar, destroçado e cheiro de raiva. O Gramunha Marques, soube-o depois, teve uma morte horrível,
com uma perna esfacelada, esvaindo-se em sangue e sempre consciente até ao fim. (...) (*****)

_____________

Notas do editor

(*) Último poste da série > 5 de novembro de 2013 > Guiné 63/74 - P12252: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (75): O reencontro de 3 amigos e camaradas estremenhos: Eduardo Jorge Ferreira (Polícia Militar, BA 12, 1973/74), Jorge Pinto (3.ª CART/BART 6520/72, Fulacunda, 1972/74) e Luís Fernando Mendes (38ª CCmds, 1972/74)

(**) Vd. postes de:

20 de Junho de 2007 > Guiné 63/74 - P1862: 42 anos depois, com emoção e revolta, sei das circunstâncias horríveis em que morreu o meu irmão... (Adelaide Gramunha Marques)

5 de maio de 2011 > Guiné 63/74 - P8324: As mulheres que, afinal, também foram à guerra (10): O pungente testemunho da irmã do nosso malogrado camarada Martinho Gramunha Marques, morto em Madina do Boé, em 30 de Janeiro de 1965

(***) Alguns dados sobre o António Figueiredo Pinto:

(i) Embarcou para a Guiné em Novembro de 1963, em rendição individual ("Fui substituir um colega que se pirou para o Senegal");

(ii) Passou  por Nova Lamego, tendo ao fim de algum tempo sido destacado para Pirada ("onde reconstrui o aquartelamento");

(iii) Esteve e algum tempo em Geba ("zona na altura um bocado perigosa, mas sem problemas");

(iv) Veio de férias, à Metrópole,  em Outubro de 1964;

(v) No regresso, foi destacado para Madina do Boé (,"tendo sido o primeiro pelotão a chegar lá onde montei o primeiro aquartelamento");

(vi) Depois foi para Beli (, o primeiro pelotão também a lá chegar e a montar o destacamento);

(vii) Em Maio de 65, o destacamento de Beli é atacado; o António Pinto é um dos sete feridos, na sequência do rebentamento de uma granada de morteiro;

(viii) Esteve um mês internado no HM 241, em Bissau;

(ix) Seguiu depois para Bolama, para dar instrução e terminar a comissão.

(***) Ficha das unidades:

BCAÇ 506: mobilizada pelo RI 2, partiu para o TO da Guiné em 14/7/1963, regressando a casa em 29/4/1965. Esteve sediado em Bafatá. Comandante: ten cor inf  Luís de Nascimento Matos.

BCAÇ 512: mobilização pelo RI 7;  partida a 17/7/1963 e regresso a 12/8/1965; localização: Mansoa e Nova Lamego: comandante: ten cor inf António Emílio Pereira de Figueiredo  Cardoso.

3ª Companhia de Caçadores Indígenas:

Elementos informativos pelo nosso colaborador, amigo e camarada José Martins:

(i) Esta unidade foi constituída em 1 de Fevereiro de 1961, como unidade da guarnição normal do CTIG;

(ii) Era  formada por quadros metropolitanos e praças indígenas do recrutamento local, 

(iii) Iniciou  a sua formação adstrita à 1ª CCAÇ I;

(iv) Em 1 de Agosto de 1961, com a constituição de dois pelotões, substitui a 1ª CCAÇ I na guarnição de Nova Lamego;

(v) Desloca elementos para guarnição de várias localidades do Setor Leste, por períodos e constituição variáveis, sendo de destacar as localidades de Che-Che, Béli e Madina do Boé;

(vi) Passou a guarnecer, em permanência as localidades de Béli e Madina do Boé instalando, em 6 de Maio de 1963, um pelotão em cada localidade;

(vii) Em 1 de Abril de 1967 passa a designar-se por Companhia de Caçadores nº 5, com sede em Canjadude.

(*****) O dia 30/1/1965 foi particularmente trágico para as NT no TO da Guiné. De acordo com o portal da Liga dos Combatentes, complementado com informações preciosas do portal Ultramar Terraweb (sobre a unidade de origem, e o concelho de naturalidade) morreram nesse dia, em combate, 10 camaradas nossos, todos do Exército, incluindo o Martinho Gramunha Marques. Nove estavam ligados ao BCAÇ 512, e devem ter morrido em Madina do Boé. Só um é de batalhão diferente, o BART 733 (que estava na região de Farim):

ANTÓNIO ANGELINO TEIXEIRA XAVIER, alf, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Valpaços:

ANTÓNIO CANDEIAS DOS SANTOS,  Sold, CART 730 / BART 733; natural de Tavira;

ANTÓNIO JOAQUIM DA GRAÇA VIEGAS, Sold, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Olhão:

AVELINO MARTINS  ANTÓNIO, 1º Cab, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Monchique:

DOMINGOS MOREIRA LEITE,  Fur, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Paredes:

JOSÉ MAXIMIANO DUARTE, Sold,  CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Monchique:

JOSÉ PIRES VIEIRA DA CRUZ,  Sold, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Coimbra;

LEONEL GUERREIRO FRANCISCO,  1º Cabo, CCAÇ 727 / BCAÇ 512; natural de Loulé;

MARTINHO GRAMUNHA MARQUES,  Alf, 3ª CCAÇ I / BCAÇ 512; natural de Fronteira;

SILVÉRIO GALVÃO NOGUEIRA,  Fur, CCAÇ 509 / BCAÇ 512; natural de Mafra.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Guiné 63/74 - P7812: Em busca de... (154): Camaradas de Nova Lamego dos anos de 1966/68 (José Pereira)


1. Mensagem de José Pereira* (ex-1.º Cabo Inf, 3.ª CCAÇ e CCAÇ 5, Nova Lamego, Cabuca, Cheche e Canjadude, 1966/68), com data de 15 de Fevereiro de 2011:

Sr. Carlos Vinhal
Gostava de encontrar algum destes nossos camaradas que estiveram na Guiné entre 66-68, e portanto pedia o favor de publicar estas fotos na tertúlia de ex-combatentes do qual eu também faço parte, estas fotos são de Nova Lamego em 68.

Sou José Pereira
E-mail jonhperrier2@hotmail.com

Telefones 218 592 570 e 934 500 324
Lisboa

Eu era conhecido por Cabo Lamego

Um forte abraço
José Pereira




2. Comentário de CV:

Caro José Pereira, publicamos as tuas fotos como solicitaste, mas temos um reparo a fazer. É que trataste um dos editores por senhor, o que não está correcto segundo as normas, uso e costume na Tabanca.
Se somos camaradas e irmãos de armas, palmilhamos a Guiné, passamos as mesmas privações e tudo o que aquela guerra nos infligia. Assim, se não tiveres nada contra, o tratamento entre nós será por tu.

Recebe um abraço e crê-nos sempre ao teu dispor.
__________

Notas de CV:

(*) Vd. poste de 4 de Janeiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2405: Tabanca Grande (49): José Pereira, ex-1º Cabo da 3ª CCAÇ e da CCAÇ 5 (Nova Lamego, Cabuca, Cheche e Canjadude, 1966/68)

Vd. último poste da série de 1 de Fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7762: Em busca de... (153): Pedido de qualquer informação sobre o militar das fotos (Alsaine Djaló)

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Guiné 63/74 - P3190: A guerra estava militarmente perdida (29)? A situação na metrópole (A. Marques Lopes)

Não entro nessa polémica... (IV)

A. Marques Lopes (1)

__________


Situação na Metrópole (alguns dados)


1962

12 de Janeiro – Franco Nogueira propõe a Salazar a realização de conversas exploratórias secretas com o regime senegalês, uma vez que a Guiné se configurava como um território para o qual era difícil delinear uma solução aceitável.
Julho – Agostinho Neto (MPLA) e Vasco Cabral, dirigente do PAIGC, evadem-se clandestinamente de Portugal a partir da Doca do Bom Sucesso, em Pedrouços, com o apoio dos dirigentes do PCP Jaime Serra e Dias Lourenço.

1963

18 de Janeiro – Debate pelo Governo português de um projecto de Lei Orgânica do Ultramar.
10 de Junho – É comemorado em Lisboa pela primeira vez.
10 de Agosto – Crítica do Marechal Craveiro Lopes a alguns aspectos da política ultramarina.
12 de Agosto – Discurso de Salazar sobre o problema do ultramar, que teve grandes
repercussões internacionais e levou os nacionalistas a reafirmarem a continuação da luta.
23 de Agosto – Cerimónia de apoio dos generais e oficiais superiores a Salazar e à política ultramarina.
27 de Agosto – Manifestação nacional no Terreiro do Paço, em Lisboa, de apoio à política ultramarina do Governo, que serviu de base à legitimidade da política de defesa ultramarina do Governo português.
17 de Outubro – Decisão do Governo português de considerar os crimes previstos na legislação militar, como cometidos em tempo de guerra.

1964

Janeiro – Realização da II Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas, promovida pela FPLN.
11 de Janeiro – Aprovação pela Assembleia Nacional, de uma moção de apoio à «política de defesa intransigente do solo pátrio», com referência ao Ultramar.
Março – Comunicado do PAIGC distribuído em Argel, afirmando o acordo entre a oposição portuguesa, representada por Humberto Delgado e os movimentos de libertação africanos, para estreitamento de relações e concordância numa acção comum.
5 de Março – Concessão de facilidades da Alemanha para recuperação de militares mutilados nas guerras coloniais.
8 de Março – Reunião de dirigentes do PAIGC e da FPLN em Argel.
21 de Março – Comunicado da PIDE a acusar Humberto Delgado de auxílio aos «grupos terroristas».
17 de Março – Garantias de apoio do cônsul de Portugal na Rodésia a Ian Smith no caso de declaração unilateral de independência da minoria branca.
25 de Setembro – A França anuncia a entrega a Portugal de oito navios de guerra, como contrapartida pela cedência da base das Flores.
31 de Dezembro – No final do ano de 1964, os efectivos portugueses nos três teatros de operações ultrapassaram os 84.000 homens. Declaração de Franco Nogueira sobre o abandono da ONU por parte de Portugal.

1965

Janeiro - Portugal põe em causa a legalidade da constituição do Conselho de Segurança da ONU, pelo que declara não se considerar obrigado por qualquer decisão sua.
2 de Janeiro – Abertura da base aérea alemã em Beja.
13 de Fevereiro – Assassínio de Humberto Delgado pela PIDE, próximo de Badajoz.
18 de Fevereiro – Salazar, referindo-se à política ultramarina portuguesa, designa Paris e Argel como as capitais da subversão contra Portugal, referindo que os portugueses combatem sem espectáculos e sem alianças, «orgulhosamente sós».
21 de Maio – Assalto à sede da Sociedade de Escritores, na sequência da atribuição do Grande Prémio de Novelística a Luandino Vieira.
3 de Setembro – Encerramento pela PIDE, da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa.

1966

Abril – Legislação do Governo português para travar a emigração clandestina. Terá limitado, mas, como posso ver pelo quadro em baixo, não travou a emigração, quer legal quer clandestina. Pelo contrário, aumentou.




29 de Maio – Criação do Vicariato Castrense Português, com um corpo de capelães e um bispo.
Agosto – Aumento dos impostos decretado pelo Governo português entre 7 e 27 por cento para fazer face às despesas militares.
14 de Outubro – Difusão das normas a observar pela Direcção dos Serviços de Censura em especial sobre as notícias que visem a «politica adoptada quanto ao Ultramar Português».
15 de Outubro – Abstenção de Portugal na ONU na criação do Dia Internacional para a Eliminação da Descriminação Racial.
Novembro – Personalidades da oposição pedem a Américo Tomás a demissão de Salazar.

1967

23 de Fevereiro – Inauguração do Comando Ibero -Atlântico (Iberlant) da NATO em Oeiras
Abril – Encerramento pela PIDE da Cooperativa católica Pragma. O Hospital Militar de Hamburgo recebe 88 mutilados de guerra portugueses.
17 de Maio – Assalto por um comando da LUAR à delegação do Banco de Portugal na Figueira da Foz.
Setembro – Início dos contactos da PIDE com sectores da oposição ao regime da Guiné-Conacri.
Outubro – Publicação do Manifesto pela Oposição Democrática exigindo para o Ultramar uma solução política.

1968

2 de Fevereiro – Visita de Américo Tomás a Cabo Verde e Guiné.
9 de Julho – Entrada em funcionamento do Centro de Alcoitão para mutilados de guerra.
11 de Julho – Entrada em vigor da nova Lei do Serviço Militar.
19 de Agosto – Bettencourt Rodrigues substitui Luz Cunha no Ministério do Exército e Manuel Pereira Crespo rende Quintanilha Mendonça Dias na pasta da Marinha.
7 de Setembro – Revelação pública de um acidente de Salazar, com irrecuperáveis lesões cerebrais.
26 de Setembro – Anúncio por Américo Tomás da substituição de Salazar por Marcelo Caetano
27 de Setembro – Governo de Marcelo Caetano com Sá Viana Rebelo na Defesa Nacional, Bettencourt Rodrigues no Exército, Franco Nogueira nos Negócios Estrangeiros e Silva Cunha no Ultramar.
27 de Novembro – Discurso de Marcelo Caetano na Assembleia da República, onde declara que «a liberdade e independência dos países da Europa ocidental joga-se não só na própria Europa, como em África».

1969

Março – Autorização de despesas, a contrair pelo Governo português, até ao montante de dois milhões de contos, para reequipamento do Exército e da Força Aérea.
8 de Abril – Início de uma visita de Marcelo Caetano à Guiné, Angola e Moçambique.
24 de Setembro – Refúgio de Marcelo Caetano no Posto de Comando da Força Aérea em Monsanto, por causa de rumores sobre um golpe de Estado.
8 de Novembro – O ministro da Defesa Nacional informa a Cruz Vermelha sobre a existência de 23 militares «retidos» na República da Guiné-Conacri, cinco na República Democrática do Congo, quatro na Tanzânia e um na Zâmbia.
15 de Dezembro – A Assembleia Nacional exorta, por unanimidade, Marcelo Caetano a prosseguir a «política nacional de manutenção e defesa da unidade e integridade de todos os territórios portugueses».

1970

15 de Janeiro – Remodelação ministerial, com Sá Viana Rebelo a assumir a pasta do Exército e Rui Patrício a dos Negócios Estrangeiros.
28 de Janeiro – Os Estados Unidos decidem fornecer a Portugal equipamento militar «não letal». Fevereiro – Vaga de prisões de estudantes africanos das universidades portuguesas.
20 de Fevereiro – Prisão do pároco de Belém (Lisboa), Padre Felicidade Alves, por denunciar a situação da guerra colonial.
Abril – Organização de um curso de «guerra subversiva» pela Legião Portuguesa, com exercícios na Serra de Sintra. Protesto de Portugal na ONU por a Assembleia Mundial da Juventude, realizada sob a égide da ONU, ter convidado directamente representantes de Angola, Moçambique e Guiné sem o conhecimento do Governo português.
Maio – Informação de Portugal ao secretário-geral da ONU de que não participaria na Assembleia Mundial da Juventude, a realizar em Julho. Reorganização territorial do Exército na metrópole e nas províncias ultramarinas.
29 de Maio – Visita a Lisboa do secretário de Estado norte-americano, William Rodgers.
19 de Junho – Prisão em Lisboa de vários cristãos por assumirem posições contra a guerra colonial.
15 de Agosto – Deserção de seis alunos da Academia Militar, durante uma visita à Suécia, e a quem este país concedeu asilo político.



29 de Agosto – Rebentamento de um engenho explosivo na Embaixada de Portugal em Washington, sendo desmontado outro engenho no gabinete dos adidos militares.
27 de Setembro – Conversa em família de Marcelo Caetano, em que acusa as Nações Unidas de instigarem a «subversão no Ultramar».
26 de Outubro – Acção da ARA, braço armado do PCP, contra o navio Cunene, fundeado no porto de Lisboa e pronto a partir para África com material de guerra. Acção do António João Eusébio e do António Pedro Ferreira. “O Comando Central da 'ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA ARMADA' declara que ao atacarmos a máquina de guerra que alimenta a guerra colonial não estamos contra os soldados, os sargentos e oficiais honrados, forçados a fazer uma guerra que odeiam. Estamos, sim, contra a continuação desta criminosa guerra de opressão colonial que se transformou num flagelo para os povos de Angola, Guiné e Moçambique e num cancro que corrói a nação, que queima vidas e bens do povo português para servir os interesses dum punhado de monopolistas sem pátria. Estamos solidários com a justa luta libertadora dos povos coloniais.”
29 de Outubro – Acção de sabotagem no navio Vera Cruz em Lisboa. Criação da associação Sedes, como esboço de um partido politico de tendência moderada.
20 de Novembro – Destruição parcial da Escola Técnica da PIDE-DGS, pela ARA. Na acção participa Carlos Coutinho (ex-combatente em Moçambique). Neste dia, destruição igualmente pela "ARA" de importantes quantidades de equipamento e material de guerra armazenados no cais privativo da C.N.N., prontos para embarque no navio Niassa. A "ARA" colocou uma bomba no "Centro Cultural" da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa.
2 de Dezembro – Entrega pelo Governo à Assembleia Nacional de uma proposta de revisão constitucional, prevendo um estatuto de autonomia interna para as províncias ultramarinas.
4 de Dezembro – Deserção de três oficiais do Exército, que se refugiam na Bélgica.
17 de Dezembro – Julgamento do Padre Mário de Oliveira, pároco de Macieira da Lixa, por oposição à guerra.

1971

8 de Março – Atentado da "ARA" contra aeronaves militares (vários helicópteros) na Base Aérea de Tancos. Acção do Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa (pseudónimos Tavares e Miguel), já falecido.
Maio – Portugal retira-se da UNESCO em virtude de esta organização apoiar os movimentos de libertação.
28 de Maio – Promoção de um jantar legionário no Porto contra a reforma constitucional de Marcelo Caetano.
3 de Junho – Atentado da ARA [Acção Revolucionária Armada] contra a central radiotelegráfica e telefónica (RARET) de Lisboa, no dia de abertura de uma cimeira da NATO.
19 de Junho – Promulgação da nova Lei Orgânica da Ultramar, passando Angola e Moçambique a ser designados por Estados.
16 de Agosto -Profunda alteração da Constituição de 1933.
27 de Outubro – Acção da ARA contra as instalações de Oeiras do Comiberlant, na véspera da sua inauguração.
19 de Novembro – A Assembleia Nacional decreta o «estado de subversão», por se verificarem «actos subversivos graves em algumas parcelas do território nacional».
25 de Novembro – Criação pela DGS, do Grupo de Trabalho Madeira, com a finalidade de efectuar a «integração» da UNITA e de Jonas Savimbi.
28 de Novembro – Comunicado do PCP a criticar a acção das BR e dando o seu apoio às acções da "ARA".

1972

12 de Janeiro – “Na madrugada do dia 12 de Janeiro de 1972, um comando da ARA colocou duas potentes cargas, uma explosiva e outra incendiária, num dos armazéns do cais de Alcântara em Lisboa. Em consequência da forte explosão e do incêndio que se lhe seguiu foi destruída grande quantidade de material pronto a embarcar para a guerra colonial, entre o qual se encontrava importante material de guerra recém-chegado de França e destinado a unidades de caçadores pára-quedistas. Porque o comando da A.R.A actuou entre as 6 e as 8 horas da manhã, quando no Porto de Lisboa não há trabalhadores em actividade, não houve mortos nem feridos. O comando da A.R.A que realizou a acção não teve baixas.”
4 de Fevereiro – Primeira reunião do Grupo de Trabalho Madeira, da DGS.
17 de Abril – Divulgação de um manifesto da oposição «O Fracasso do Reformismo», denunciando a crise do regime.
29 de Abril – Directiva do ministro da Defesa sobre a alta prioridade das Forças portuguesas à missão de informação, propaganda e contra propaganda.
18 de Junho – Acusação de Marcelo Caetano à oposição, por esta ter aberto a «quarta frente de combate».
19 de Junho – Publicação da Lei Orgânica do Ultramar Português.
5 de Julho – Decisão do Governo de libertar mais de 1.500 prisioneiros internados em campos situados nas colónias.
11 de Julho – Destruição pelas Brigadas Revolucionárias, em Cabo Ruivo, de 15 camiões destinados ao Exército português.
28 de Julho – Agravamento pelo Supremo Tribunal Militar, para dez anos de prisão da pena do capitão cubano Pedro Peralta.
Agosto – Criação pelo Estado-Maior-General de uma rede de informações para actuar em diversos países africanos, chefiada por Alpoim Calvão.
9 de Agosto – Acção da "ARA" de destruição de duas dezenas de torres eléctricas nas áreas de Lisboa, Porto e Coimbra, da rede eléctrica nacional. Participaram na acção António João Eusébio e António Pedro Ferreira (ex-combatentes em Angola).
30 de Setembro – Publicação da Lei Orgânica da DGS.
2 de Outubro – Discurso de Rui Patrício na ONU, boicotado pela maioria dos delegados.
30 de Novembro – Início da vigília na Capela do Rato, em Lisboa, durante a qual um grupo de católicos aprova um documento contra a guerra colonial.

1973

1 de Janeiro – Aproveitando a circunstância de se comemorar o Dia Mundial da Paz, um grupo de cristãos que tinha iniciado uma acção de cariz Anti-Colonial, de forte impacte, ocupando a Capela do Rato, em Lisboa, inicia uma greve de fome, organizando ao mesmo tempo, uma assembleia aberta a cristãos e não cristãos, para discussão do problema da guerra colonial, assunto totalmente proibido pelo Regime.
2 de Janeiro – Uma força da Polícia de Choque, comandada pelo capitão Maltês Soares, irrompe, pelas 19h00, na Capela do Rato e prende 70 pessoas.
11 de Janeiro – Demissão da função pública de todos os funcionários que participaram na vigília da Capela do Rato.
13 de Janeiro – Marcelo Caetano numa «Conversa em Família» declara que «só temos um caminho, defender o Ultramar».
4 de Abril – Realiza-se em Aveiro o III Congresso da Oposição Democrática. A sua realização foi cercada de intensas medidas repressivas, entre elas o ataque da Polícia de Choque aos congressistas quando se deslocavam em manifestação silenciosa ao cemitério local, em romagem ao túmulo de Mário Sacramento (eu e o José Luís Judas levámos umas pancadas – eu fiquei ferido num braço – e tivemos que nos refugiar numa casa).
6 de Abril – Atentados das BR, no Porto, contra instalações militares.
29 de Abril – Rebentamento de petardos em várias localidades do país com panfletos contra a guerra colonial.
25 de Maio – Visita de Costa Gomes, chefe do Estado-Maior-General, à Guiné.
1 de Junho – Desenrola-se no Porto o chamado I Congresso dos Combatentes do Ultramar, através do qual o Governo pretende demonstrar, interna e externamente, a «adesão entusiástica» dos militares à política ultramarina. A sua forma de organização antidemocrática desencadeia um amplo repúdio no seio das Forças Armadas, em Portugal Continental, Ramalho Eanes, Hugo dos Santos, Vasco Lourenço e outros encabeçam um vasto movimento de protesto. Com o mesmo objectivo, são recolhidas quatrocentas assinaturas de oficiais do Quadro. Enviado um telegrama ao congresso assinado por Marcelino da Mata e Rebordão de Brito.
13 de Julho – É publicado, no Diário do Governo, o Decreto-Lei n.º 353/73 (e posteriormente o 409/73, com pequenas alterações), o qual criava um conjunto de condições que facilitava o ingresso dos oficiais milicianos no Quadro Permanente, medida que vem incrementar a contestação já latente nos oficiais desse Quadro, tornando-se o verdadeiro rastilho para a criação do futuro Movimento dos Capitães.
16 de Julho – Início da visita oficial de Marcelo Caetano a Inglaterra, onde é recebido com manifestações de protesto.
6 de Agosto – Regresso de António de Spínola a Portugal, vindo a ser substituído nos cargos que desempenhava na Guiné.
20 de Agosto – Publicação do Decreto-Lei 409/73, que corrige alguns aspectos do DL 353/73, referente às carreiras dos oficiais do exército.
Setembro – Deserção de 5 marinheiros durante a realização de um exercício NATO no Atlântico Norte. Encontro em Paris de delegações dos Partido Socialista e Partido Comunista, chefiadas por Mário Soares e Álvaro Cunhal.
9 de Setembro – Tendo por local de encontro o Templo de Diana, em Évora, 136 oficiais dirigem-se ao monte do Sobral, em Alcáçovas, a uma herdade de um familiar do capitão Diniz de Almeida, onde nasce formalmente o «Movimento dos Capitães». Exige-se a revogação do Decreto 353/73, um abaixo-assinado será entregue na Presidência da República e na Presidência do Conselho de Ministros, pelos capitães Lobato Faria e Clementino País. 94 Capitães e subalternos, em comissão em Angola, assinam colectivamente um protesto e enviam-no a Marcelo Caetano. Em Moçambique elabora-se um documento idêntico que recolhe 106 assinaturas, entre oficiais superiores, capitães e subalternos.
14 de Setembro – Reunião de Kaúlza de Arriaga com outros generais das Forças Armadas para preparação de uma acção concertada contra o Governo.
21 de Setembro – Reunião do movimento dos Capitães em Luanda, onde se decide a apresentação de um pedido individual de demissão de oficial do Exército.
6 de Outubro – Reunião alargada do Movimento dos Capitães, em Lisboa, realizada simultaneamente em quatro locais, onde se coloca a hipótese do emprego da força para derrubar o regime. Início da assinatura de um pedido de demissão de oficial do Exército por parte dos oficiais abrangidos pelos decretos de 13/7 e 20/8, que ficaram na posse de uma comissão coordenadora provisória.
18 de Outubro – Reunião do Movimento dos Capitães em Bissau e Luanda, decidindo-se, em ambos os lados, prosseguir a mobilização dos oficiais, apesar da suspensão dos decretos.
28 de Outubro – Eleições para a Assembleia Nacional com a desistência da Oposição Democrática (CDE) que classifica o acto de fraude eleitoral.
7 de Novembro – Remodelação ministerial que afasta o Ministro da Defesa, general Sá Viana Rebelo e o secretário de Estado do Exército, Alberty Correia. Em sua substituição são nomeados para as pastas da Defesa Nacional e do Exército, respectivamente, o Prof. Joaquim da Silva Cunha, até então Ministro do Ultramar, e o general na reserva Alberto Andrade e Silva, sendo o coronel de artilharia Carlos Viana de Lemos designado subsecretário de Estado do Exército e Telo Polleri para a Aeronáutica.
24 de Novembro – As Comissões Coordenadora e Consultiva provisórias do Movimento dos Capitães reúnem num casarão nas traseiras da Colónia Balnear Infantil de O Século, em S. Pedro do Estoril. É necessário fazer um ponto de situação e eleger uma Comissão Coordenadora definitiva que seja verdadeiramente representativa do Movimento. A «guerra do decreto» devia ser ultrapassada pela acção e passar-se a uma nova fase de luta. Os delegados são solicitados a auscultar as suas unidades sobre o caminho a prosseguir pelo Movimento dos Capitães. Luís Banazol fala da necessidade de fazer uma revolução e se colocam três hipóteses de futura actuação; conquista do poder, exigência de eleições livres ou reivindicações exclusivamente militares.
Dezembro – Manifestação contra a guerra colonial (não me lembro do dia exactamente) que saiu do Marquês de Pombal e só chegou até perto do Parque Mayer. Éramos umas dezenas. A polícia de choque veio da Praça da Alegria e bateu. O José Luís Judas (ex-pára-quedista e, então, contabilista da Novopca) e o Jorge Aguiar (jovem engenheiro das Construções Hospitalares) enfiaram-se no Parque Mayer a jogar matraquilhos. Nada. Eu, o Muradali Mamadussen (era estudante, foi adjunto do Samora Machel depois e com ele morreu no desastre (?) de avião) e o António Monteiro (actual Relações Públicas da TAP) socorremo-nos do Ribadouro. O Muradali assentou-se, logo à entrada, numa mesa onde estavam turistas e agarrou num copo. Passaram. Eu e o António Monteiro fomos para o balcão onde a polícia de choque nos foi apanhar pelos cabelos (era moda na época). O que é que foi?!! Que merda é esta?!! O que é isto?!! Arrastaram-nos até à porta mas lá nos largaram...
1 de Dezembro – Reunião, em Óbidos, do Movimento dos Capitães, em que é eleita uma comissão coordenadora alargada e votados os nomes dos generais a contactar pelo movimento. Após se ter tomado conhecimento de que as bases do Movimento não pretendiam, por ora, ir além das reivindicações militares, importantes decisões são tomadas. Vota-se o nome do general Costa Gomes como chefe prestigiado que o Movimento deveria chamar a si. Delibera-se alargar o Movimento aos outros ramos das Forças Armadas (Marinha e Força Aérea). Elege-se uma Comissão Coordenadora e Executiva (CCE), com 3 oficiais por cada arma e serviço do Exército.
5 de Dezembro – 1ª Reunião da nova CCE, numa casa de praia na Costa da Caparica. Prepara-se uma proposta com base em reivindicações militares, a apresentar a elementos dos outros dois ramos. Esse documento era de tal forma ambicioso que seria uma forma de pressão quase extrema para o Executivo. Para a CCE foi escolhida uma direcção: majores Vítor Alves, Otelo Saraiva de Carvalho e capitão Vasco Lourenço.
17 de Dezembro – Vislumbram-se insistentes sinais de que estaria em preparação um golpe de Estado de extrema-direita, com a implicação dos generais Kaúlza de Arriaga, Silvino Silvério Marques, Joaquim Luz Cunha e Henrique Troni, visando a conquista do poder.
20 de Dezembro – Ordem de embarque imediato para a Guiné de alguns oficiais do batalhão de Ataíde Banazol.
22 de Dezembro – São revogados os Decretos-Lei 353/73 e 409/73 que haviam estado na origem do Movimento dos Capitães. Teme-se que a mobilização da luta alastre à maioria dos militares.

1974

23 de Janeiro – Apresentação à hierarquia de uma exposição do Movimento dos Capitães de Moçambique sobre a situação resultante dos acontecimentos da Beira, assinada por 180 oficiais. É redigida a 1ª circular do Movimento (circular n.º 1/74), por decisão da sua direcção. A mesma é amplamente distribuída, relatando os acontecimentos ocorridos em Moçambique e apelando a que cada militar «...dentro das mais estritas regras da disciplina...» se empenhe na exigência de um desagravo à instituição. Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço avistam-se com Spínola, dando-lhe conhecimento da posição do Movimento. A referida circular viria a ser citada na BBC, no Le Monde e na emissora Rádio Portugal Livre de Argel.
26 de Janeiro – Reunião do movimento dos Capitães no Estoril, onde é constatada a necessidade de elaborar um documento que defina os seus objectivos políticos.
27 de Janeiro – Abaixo-assinado elaborado pela comissão regional do Movimento dos Capitães na Beira (Moçambique) sobre os últimos acontecimentos.
29 de Janeiro – Envio pela comissão do Movimento dos Capitães em Nampula, de um relato circunstanciado dos acontecimentos da Beira, para Lisboa e para as comissões regionais.
5 de Fevereiro – O Movimento dos Capitães politiza-se de forma galopante. É necessário adoptar um programa, para isso realiza-se um encontro alargado da CCE no qual é eleita uma Comissão de Redacção do Programa do Movimento; dela fazem parte o tenente-coronel Costa Brás, majores Melo Antunes e José Maria Azevedo e capitão Sousa e Castro. Chegada a Lisboa de Jorge Jardim para conversações com o Governo sobre uma proposta de resolução do problema de Moçambique, supostamente apoiada pelos dirigentes de alguns países africanos.
12 de Fevereiro – Publicação do documento do bispo de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, «Imperativo de Consciência».
13 de Fevereiro – Restabelecimento de contactos entre a UNITA e a administração de Angola.
14 de Fevereiro – Carta do Movimento dos Capitães da Guiné sobre a situação geral e a necessidade de ser passar à acção contra o regime.
22 de Fevereiro – Sai do prelo o livro “Portugal e o Futuro”, da autoria de António de Spínola, que se esgota rapidamente, conhecendo um enorme sucesso. O general defende uma solução política e não militar para o Ultramar. Fica demonstrado publicamente o conflito existente no seio do regime em torno de uma solução para o problema colonial.
5 de Março – Mini plenário do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas, em Cascais, o último antes do 25 de Abril. Presentes 194 oficiais, das unidades de Infantaria, Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Administração Militar, Transmissões, Serviço de Material, Pára-quedistas e Força Aérea (FA), representando 602 militares. O documento, de índole política, «O Movimento, As Forças Armadas e a Nação» recolhe 111 assinaturas.
6 de Março – Marcelo Caetano faz defesa inflamada da política do Governo para o Ultramar, em discurso proferido perante a Assembleia Nacional e transmitido pela RTP. No seu seguimento é aprovada pelos deputados uma moção de apoio à «política ultramarina do Governo». Elaboração de um plano por Kaúlza de Arriaga e Luz Cunha para por fim à «subversão comunista do Exército».
9 de Março – Os capitães Vasco Lourenço, Antero Ribeiro da Silva (Presidente da Delegação do Norte da Associação 25 de Abril) e Pinto Soares são detidos, tendo os dois primeiros, decorridos alguns dias, sido transferidos compulsivamente para os Açores e a Madeira, respectivamente, enquanto o terceiro foi internado num estabelecimento hospitalar.
11 de Março – Aprovação da politica colonial do Governo, pela Assembleia Nacional.
14 de Março – As chefias das Forças Armadas e de Segurança e os oficiais generais dos três ramos vão a S. Bento afirmar ao Presidente do Conselho de Ministros e ao Governo a sua fidelidade e apoio à política ultramarina, em nome das respectivas instituições.
15 de Março – Demissão de Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de chefe e vice-chefe do Estado-maior General das Forças Armadas. Os jornais anunciam com grandes parangonas a exoneração dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas e vice-CEMGFA, respectivamente.
16 de Março – Às 04:00 da madrugada, uma coluna do Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha passa os portões do aquartelamento, comandados pelo capitão Armando Marques Ramos. Pretende executar um golpe militar, marchando sobre Lisboa e depondo o Governo, a apenas a três quilómetros da capital terá a noção de que se encontra isolada. Um precipitado e deficiente planeamento da acção leva ao seu fracasso, sendo presos quase duas centenas de militares, oficiais, sargentos e praças, entre os quais o tenente-coronel João de Almeida Bruno, majores Manuel Monge e António Casanova Ferreira e capitães Marques Ramos e Virgílio Varela. Um avanço à margem do Movimento por parte dos spinolistas, constituiu, embora, um importante balão de ensaio para o 25 de Abril.
18 de Março - Otelo e Vítor Alves redigem a Circular 2/74, procedendo a uma análise dos acontecimentos e apelando à firmeza e perseverança nos objectivos do Movimento. Encontram-se com Melo Antunes, no Café Londres, e pedem-lhe que elabore um programa político do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA), com base no Manifesto aprovado no plenário do dia 5. O diário República, dirigido por Raul Rêgo, desde sempre ligado à oposição ao Estado Novo, publica, de forma criptográfica, na página desportiva, a notícia intitulada «Quem travará os leões» na qual se conclui que «perdeu-se uma batalha, mas não se perdeu a guerra»
19 de Março – General Joaquim da Luz Cunha, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.
21 de Março – Após um contacto estabelecido no alto do Parque Eduardo VII por iniciativa do capitão Luís Macedo, colocado no Regimento de Engenharia 1 (RE 1), em que solicita a Otelo, em nome de muitos camaradas, que assuma a condução militar do Movimento, este aceita a missão e designa-o seu adjunto operacional.
22 de Março – Reunião em casa de Vítor Alves de um pequeno núcleo de oficiais do Exército, da Força Aérea e da Armada. Melo Antunes lê a primeira versão do programa político do Movimento, sendo por todos aprovada. Melo Antunes comunica que, por ironia do destino, em resultado de um pedido seu, deferido apenas naquela altura, irá partir nessa noite para Ponta Delgada, devido a ter sido colocado no Comando Territorial dos Açores (CTIA). Fica combinado o célebre telegrama em código que o irá informar do grande momento: «Tia Aurora segue dia... Um abraço António». O comandante Almada Contreiras acompanha Melo Antunes ao aeroporto, sendo apresentado por este a Álvaro Guerra, jornalista do República.
24 de Março – A CCE reúne e é aprovado por unanimidade que os dois elementos da direcção ainda activos assumam a responsabilidade da preparação militar e da preparação política do movimento. Otelo aceita, perante os presentes, gizar um plano operacional e elaborar a «ordem de operações» respectiva. Garante que o golpe será desencadeado entre 20 e 29 de Abril e, desta vez, para conduzir à vitória.
28 de Março – Marcelo Caetano faz, na RTP, a sua derradeira «Conversa em Família», em que reafirma a politica ultramarina do seu Governo e condena os implicados no movimento de 16 de Março.
4 de Abril – Carta da direcção do movimento de oficiais para as colónias, informando as respectivas comissões de que não deveriam tomara iniciativa de qualquer acção.
13 de Abril – Informação do movimento de oficiais da Guiné à comissão de Lisboa de que está preparada para assumir a iniciativa do movimento, caso seja necessário.
15 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho conclui o Plano Geral das Operações, que intitula simbolicamente «Viragem Histórica». Divide o país em duas grandes áreas de operações: Zona Norte e Resto do País, sendo este segmentado em quatro áreas. As unidades do Norte deveriam convergir para o Porto, onde ocupariam pontos estratégicos, nomeadamente o Quartel-General, instalações de forças de segurança, estações de rádio e televisão, aeroporto e pontes. As unidades situadas a Sul do Douro adoptariam idêntica manobra relativamente à capital, sendo atribuídas a algumas das colunas mais importantes missões de natureza táctica (EPC e EPA). Nesse mesmo dia entrega-o ao tenente-coronel Garcia dos Santos para que este elabore o Anexo de Transmissões. Encontro no restaurante Califa, em Benfica (perto da minha casa...), de Otelo, do capitão Frederico Morais e dos tenentes milicianos Luís Pessoa e Miguel Amado com vista a planear a tomada da Emissora Nacional. Escolha do Rádio Clube Português (R.C.P.) para posto emissor do MFA, em virtude de possuir uma rede que cobre o país e o Ultramar, emitir noticiários de hora a hora em simultâneo e de dispor, nas instalações da Rua Sampaio e Pina, nº 26, de um estúdio compacto, de gerador de emergência com entrada automática em funcionamento e radiotelefone para o centro emissor em Porto Alto.
16 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho reúne, no RE 1, com o major Eurico Corvacho a quem explica a ideia geral de manobra, particularizando as movimentações a levar a cabo na Zona Norte. A pedido deste, agrega-lhe as forças do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE) de Lamego, cometendo-lhes a missão de reforçar as tropas do Porto.
17 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Agrupamento Norte (November), no apartamento de Dinis de Almeida, estando presentes todos os agentes de ligação para esse sector, facto que se repete nas restantes reuniões.
18 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Centro (Charlie), em sua casa, contando-se entre estes o capitão Correia Bernardo, em representação da Escola Prática de Cavalaria (Santarém).
19 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados do Sector Sul (Sierra), em casa do major Fernandes da Mota.
20 de Abril – Finalmente, na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima), na residência, então vaga, do pai do tenente Américo Henriques, em Cascais. Conclusão do essencial dos textos políticos (em cuja redacção, coordenada por Vítor Alves, participaram Franco Charais, Costa Brás, Vasco Gonçalves, Nuno Lopes Pires e Pinto Soares, pelo Exército; Vítor Crespo e Lauret, com a participação menos activa de Teles e Contreiras, pela Marinha e a ocasional presença do major Morais e Silva e do capitão Seabra). A partir desta data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da lavra do general algumas das modificações introduzidas, nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar.
21 de Abril – Encontro na marginal em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spínola) e Fausto Marques, com vista a obter a adesão do Regimento de Caçadores Pára-quedistas, comandado pelo último oficial, iniciativa que se revela inconclusiva.
22 de Abril – A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais. A Escola Prática de Transmissões (EPTM), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se, sem demora, a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. Tal iniciativa viria a permitir ao Posto de Comando do MFA o acesso permanente às escutas das redes de transmissões militares e das forças de segurança, missão de apoio técnico cometida à primeira unidade militar, em que se destacaram os capitães Fialho da Rosa, Veríssimo da Cruz e Madeira.
23 de Abril – Otelo Saraiva de Carvalho e Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, avistam-se, no Apolo 70, com João Paulo Diniz. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrossel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, “Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus»”, através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o País. Deslocam-se, seguidamente, para junto da Penitenciária de Lisboa, onde aguardam que o ex-locutor do Programa das Forças Armadas em Bissau obtenha informação no Rádio Clube Português sobre a constituição da equipa que entrará de serviço na madrugada de 25. Este apura que o serviço de noticiário estará a cargo de Joaquim Furtado mas, conhecendo-o mal, não arrisca estabelecer contacto.
25 de Abril – Às 00h40 na EPC, em Santarém, os oficiais do MFA procuram obter a adesão ao Movimento do tenente-coronel Henrique Sanches. Não o conseguindo, procedem à sua detenção.

E foi o que veio a seguir...

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Notas:

1. A. Marques Lopes, ex- Alf Mil Inf ( hoje Cor DFA, reformado), CART 1690 (Geba) / CCAÇ 3 (Barro)

2. artigos relacionados em:

21 de Julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3077: A Guerra estava militarmente perdida (27)? Reacções a nível internacional. Os efectivos das NT. (A. Marques Lopes).

13 de Julho > Guiné 63/74 - P3057: A Guerra estava militarmente perdida? A situação político-militar na Guiné (26). A. Marques Lopes.