Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena...Se náoo forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça...F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!
Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados
A maratona da amizade e da camaradagem
por Luís Graça
O João Crisóstomo
o mais famoso dos mordomos portugueses de Nova Iorque,
e agora régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona,
instituiu o dia 14 de fevereiro
como o Dia da Amizade... e da Camaradagem (*),
Pois que seja o Dia do Camarigo, por causa das confusões.
E eu lembrei-me da maratona
que vamos fazendo,
trilhando velhas picadas,
cada um até ao seu dia,
cada um de nós, os amigos e camaradas da Guiné.
Lembrei-me,
revisitando um velho, longo poema
que estava no baú das minhas blogarias (**).
Juram, os amigos,
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Nem se dilui na espuma dos dias.
Testa-se e reforça-se na provação.
Testa-se e reforça-se na provação.
A amizade e a camaradagem
(que só pode existir na guerra
e noutras situações-limite).
É verdade, Abel Abílio, Acácio,Adão, Adelaide,Adelino,
Adélio, Adolfo, Adriano, Afonso, Agostinho ?!
Dizem outros que eles, os amigos,
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas ?
A paz e a guerra ?
... Albano, Albertino, Alberto, Alcides,
Alexandre, Alfredo, Alice, Almeida,
Ou tudo isso é letra morta, treta?!
Que os amigos conhecem-se
na adversidade, diz o provérbio.
na adversidade, diz o provérbio.
Almiro, Altamiro, Álvaro, Amaral, Amaro,
Américo, Amílcar, Ana, Anabela,
Angelino Aníbal, Anselmo, Antero ?!
E os camaradas, na guerra,
dizia o senhor doutor Lobo Antunes.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.
Dizem que sim com a cabeça,
António, Arlindo, Armandino Armando,
Arménio, Armindo, Augusto, Áurea.
Quem em caça, política, guerra e amores se meter,
não sairá quando quiser.
não sairá quando quiser.
Sairá ou não,
Belarmino, Belmiro, Benito, Benjamim,
Benvindo, Bernardino, Braima ?!
Os amigos, os verdadeiros e os falsos,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,
que poderia ter sido escrito
o que é que vocês acham ?!,
p'lo Campelo, Cândido, Carlos,
se tivessem nascido em Macau,
filhos desventrados e desventurados
do Fernão Mentes Minto ?!
Oh, Galissá, Galissá,
que no céu se fazem amigos;
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.
Lembram-se Carmelino, Carvalhido, Casimiro,
Cátia, Célia, César, Cherno,
Cláudio, Conceição, Constantino, Cristina ?!
Que a amizade é um edifício
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que era o nome de guerra de alguém,
quando bom escoteiro em Ingoré,
lá no Norte da Guiné.
Pelo menos assim te contaram,
Daniel, David, Delfim, Diamantino.
Não, vocês, não passaram por Ingoré.
Mas passaram por outros sítios da Guiné
onde Jesus Cristo nunca parou.
Nem Alá.
Diana, Dina, Domingos, Duarte e Durval.
No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
e a verdade é um osso duro de roer,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem em Bissorã teve um cão.
Dizem que um cão é uma boa companhia,
Edgar, Eduardo, Egídio, Ernestino, Ernesto,
Estêvão, Eugénio, Evaristo,
que nunca tiveram cão de guerra.
Que os amigos fazem-se,
praticando a amizade,
E os camaradas a camaragem.
E os camaradas quer são amigos
a camaradagem.
Felismina, Fernandino, Fernando,
Ferreira, Filomena, Fradique.
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas,
cabeços, colinas, montanhas.
Vero ?!...Gabriel, Garcez, George, Germano,
Gil, Gilda, Gina, Giselda.
Ou na versão de um velho homem grande,
mandinga de Contuboel,
algures na velha Guiné agora Bissau:
A amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias.
algures na velha Guiné agora Bissau:
A amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias.
Disse-te ele um dia.
Gonçalo, Graciela, Gualberto,
Guilherme, Gumerzindo, Gustavo.
Não aceito que digas
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,
tens toda a razão, camarigo,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.
Achas que sim ou que não ?!,
Hélder, Henrique, Herlânder,
Hernâni, Hilário, Hugo, Humberto.
Para se resguardar das pontadas de ar,
dos tiros tensos do canhão sem recuo
e das emboscadas.
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.
Ah!, Idálio, Ildeberto, Inácio, Inês,
Ah!, Isabel, Ismael...
A amizade não é um objecto descartável,
manda o profeta dizer no seu último mail.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).
A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.
Ah!, Jota A, Jota C, Jota F, Jota L., Jota M.
E já que tens físico amigo,
queres dizer médico no antigamente,
manda-o a casa do teu inimigo.
Escreveu o Dom Dinis,
Escreveu o Dom Dinis,
que foi rei,
e réulo da Tabanca da Linha,
e já morreu, em plena pandemia.
mandou lavrar cantiga de escárnio e mal dizer,
além do pinhal de Leiria.
Quem seu inimigo poupa, às mãos lhe morre,
Ah! Jacinto, Jaime, Jean, Jéssica, João
Joaquim, Jochen,
será que vocês assinam por baixo ?
amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta,
Jorge ?
Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?
Que se percam, pouco importa!
proclama pela telegrafia sem fios
o coro dos Josés de A a Z
Não sei o que é que vocês pensam:
"Os amigos têm prazo de validade" ?
Joviano, Júlia, Júlio, Juvenal.
Uma questão que nada tem de metafísica:
Ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Uma questão que nada tem de metafísica:
Ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.
Lázaro, Leão, Leonel, Lia,
Libério, Lígia, Luciana,
Luciano, Lucinda, Luís com s ou com z,
conforme o desacordo ortográfico.
Amigo, vinho e azeite... o mais antigo,
garante quem passou por Buruntuma
não havia azeite nem vinho mas havia amigos.
Mamadu, Manuéis de A a Z,
Margarida, Maria, Mário.
Margarida, Maria, Mário.
O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
que não fazem anos no mesmo dia que tu ?
Marisa, Marta, Martins,
Maurício, Maximino, Melo, Miguel,
Faz como o vinho, Zé Manel da Régua,
se for bom mete-o a envelhecer
se for bom mete-o a envelhecer
em cascos de carvalho.
Francês.
Ou castanho.
Português.
A amizade não tem pátria nem é chauvinista.
Nem é racista.
Garantem o Natalino, o Nelson, o Norberto,
mais o Nunes e o Nuno,
E por que é que os amigos dos teus amigos
teus amigos são ?
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos, Jorge,
cresçam Narcisos no teu jardim.
Que sabem vocês,
Que sabem vocês,
que sabemos nós,
amigos e camaradas da Guiné ?!
Só sabíamos do desalento,
e do vento
e da morte na alma
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato,
os camaradas mortos,
às costas...
às costas...
Orlando, Orlando, Osvaldo, Otacílio.
Só damos valor às coisas,
quando elas nos faltam,
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
E já perdemos tantos, "alfero" Cabral",
camaradas como tu e o António,
Ou amigas como a Zélia!
São tantos os estereótipos,
amigos e camaradas,
sobre os amigos e a amizade.
sobre os amigos e a amizade.
E os camaradas.
Pacífico, Patrício, Paula, Paulo, Pedro.
Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Indjai,
dos teus inimigos, que, esses, afinal
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...
Que à volta eles cá te esperam, Amílcar Cabral,
aliás Abel Djassi.
Bolas, vocês até podiam ter sido,
se não amigos, bons vizinhos!
Que camaradas, salvo seja,
cada "dari" ou chimpanzé no seu galho!
Que chimpanzé não é macaco,
era ferreiro castigado por Alá
por trabalhar ao sábado
e andar a fazer drones e espadas de guerra
em vez de arados para lavrar a terra.
Ramiro, Raul, Ribeiro, Ricardo,
Rogé, Rogério, Rosa, Rui.
Amigo verdadeiro, esse vale mais do que dinheiro,
meu pobre Amadu Djaló,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.
Mas vale a morte que tal sorte, Marcelino,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes,
devias ter voltado para o teu chão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão,
Zé Carlos Suleimane Baldé.
O próximo teste,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?
Sadibo, Santos, Sebastião, Sérgio, Serra,
Silvério, Sílvia, Sílvio, Souleimane, Sousa, Susana,
Antes boa que má companhia,
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
que chegou a "mandjor"...
Tibério, Timóteo, Tina, Tomané, Tomás, Tony.
Afinal, quem vai à guerra dá e leva.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.
Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar, Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o Vinhal,
que é da vila de Leça do Balio.
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo,
e mesmo que se chame José, o viking.
Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.
Os camaradas, comandos e parafuspos, dizem
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?
Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra, "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
acrescenta aí, "Duque do Cadaval".
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e Caim.
Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e Caim.
Afinal foi Jesus Cristo que nos mandou
amar a Deus acima de todas as coisas
e ao próximo como a nós mesmos.
Mas parece muito mais fácil
Mas parece muito mais fácil
cumprir o primeiro mandamento do que o segundo,
dizia o camarigo Jero
Ora, bolas, como podemos amar a Deus que não vemos,
se não amarmos o próximo que está à nossa frente,
pergunta o capelão Puim?!
Guardem-se , entretanto, do alvoroço do povo,
todo os Josés e todo os Joões,
mais os Martins,
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
e de travar com o doido.
Mas se calhar não há maior amigo
do que o mês de julho
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Lena, Hiena, de Bafatá.
Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...
Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
ó herói de Gadamel, agora tabanqueiro na Maia;
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
Onde é que já leste isto, Gil,
da Tabanca dos Melros ?
Valente, Valentim, Vasco, Victor (com c e sem c).
Difícil, meus amigos e camaradas da Guiné,
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit", da sua janela do Fundão
que dá para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a cova da Beira.
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit", da sua janela do Fundão
que dá para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a cova da Beira.
Vilma,Virgílio, Virgínio Briote, Zé.
que tanto nos preocupava ontem,
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados
e dos Dias de Todos os Santos guerreiros...
Mas não menos sábia
do que a do teu amigo Cherno
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
"O cabo é dos nossos,
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
"O cabo é dos nossos,
mas a lâmina de aço... não a estamos a reconhecer".
Resta-nos a doce memória do passado,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
de Gandembel a Guileje.
sem esquecer o Cheche,
e o Paulo, e o Rui, e o Aparício
O que foi duro de sofrer,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar,
conclui o cadete da Academia,
na fria pedra de mármore de Vila Viçosa.
Olha o Cufeu, Amílcar,
olha o Cufar, Fitas!
Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza
ou da eternidade,
lá no Olimpo dos Camarigos
Se estás tão cansado, meu amigo,
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".
Não, nunca digas:
- Chega-te para lá, que me tapas o meu sol.
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
- Chega-te para lá, que me tapas o meu sol.
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,
Arminda, Rosa, Áurea, Giselda, Ivone, Zulmira,
para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.
Amigos e camaradas paraquedistas,
poucos e loucos mas bons,
que não são do arre-macho
nem da tropa-macaca,
que também é gente e primata,
Volta o teu rosto na direção do sol,
tu, Miguel, que és o mais "strelado" de todos nós,
para que as sombras fiquem para trás,
para que as sombras fiquem para trás,
E não caias do céu aos trambolhões,
ti, tenente pilav que chegaste a general.
À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
sintam-se todos evocados e convocados,
para esta maratona da amizade e camaradagem.
E honrados.
Antes de começares o trabalho de mudar o mundo,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
para os erros alheios,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
para os erros alheios,
temos os olhos do lince;
para os nossos próprios,
para os nossos próprios,
os olhos da toupeira.
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
que já se despediram da Terra da Alegria
A. Marques Lopes (1944-2024)
Agostinho Jesus (1950-2016)
Alberto Bastos (1948-2022)
Alcídio Marinho (1940-2021)
Alfredo Dinis Tapado (1949-2010)
Alfredo Roque Gameiro Martins Barata (1938-2017)
Amadu Bailo Jaló (1940-2015)
Américo Marques (1951-2019)
Américo Russa (1950-2025)
António Branquinho (1947-2023)
António Cunha ("Tony") (c.1950 - c. 2022)
António da Silva Batista (1950-2016)
António Dias das Neves (1947-2001)
António Domingos Rodrigues (1947-2010)
António Eduardo Ferreira (1950 - 2023)
António Estácio (1947-2022)
António José Matias (1949-2022)
António Manuel Carlão (1947-2018)
António Manuel Martins Branquinho (1947-2013)
António Manuel Sucena Rodrigues (1951-2018)
António Medina (1939-2025)
António Rebelo (1950-2014)
António Teixeira (1948-2013)
António Vaz (1936-2015)
Armandino Alves (1944-2014)
Armando Tavares da Silva (1939-2023)
Armando Teixeira da Silva (1944-2018)
Augusto Lenine Gonçalves Abreu (1933-2012)
Aurélio Duarte (1947-2017)
Carlos Alberto Machado Brito (1932-2025)
Carlos Alberto Cruz (1941-2023)
Carlos Azeredo (1930-2021)
Carlos Cordeiro (1946-2018)
Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai) (1929-2021)
Carlos Filipe Coelho (1950-2017)
Carlos Geraldes (1941-2012)
Carlos Marques dos Santos (1943-2019)
Carlos Rebelo (1948-2009)
Carlos Schwarz da Silva, 'Pepito' (1949-2012)
Carronda Rodrigues (1948-2023)
Celestino Bandeira (1946-2021)
Clara Schwarz da Silva (1915-2016)
Cláudio Ferreira (1950-2021)
Coutinho e Lima (1935-2022)
Cristina Allen (1943-2021)
Cristóvão de Aguiar (1940-2021)
Cunha Ribeiro (1936-2023)
Daniel Matos (1949-2011)
Domingos Fernandes (1946-2020)
Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019)
Elisabete Silva (1945-2024)
Ernesto Marques (1949-2021)
Fernando Brito (1932-2014)
Fernando Calado (1945-2025)
Fernando Costa (1951-2018)
Fernando [de Sousa] Henriques (1949-2011)
Fernando Franco (1951-2020)
Fernando Magro (1936 - 2023)
Fernando Rodrigues (1933-2013)
Florimundo Rocha (1950-2024)
Francisco Parreira (1948-2012)
Francisco Pinho da Costa (1937-2022)
Francisco Silva (1948-2023)
França Soares (1949-2009)
Gertrudes da Silva (1943-2018)
Horácio Fernandes (1935-2025)
Humberto Duarte (1951-2010)
Humberto Trigo de Xavier Bordalo (1935-2024)
Inácio J. Carola Figueira (1950-2017)
Isabel Levezinho (1953-2020)
Ivo da Silva Correia (c. 1974-2017)
João Barge (1945-2010)
João Cupido (1936-2021)
João Caramba (1950-2013)
João Diniz (1941-2021)
João Henrique Pinho dos Santos (1941-2014)
João Meneses (1948-2020)
João Rebola (1945-2018)
João Rocha (1944-2018)
João Silva (1950-2022)
Joaquim Cardoso Veríssimo (1949-2010)
Joaquim da Silva Correia (1946-2021)
Joaquim Peixoto (1949-2018)
Joaquim Sequeira (1944-2024)
Joaquim Vicente Silva (1951-2011)
Joaquim Vidal Saraiva (1936-2015)
Jorge Cabral (1944-2021)
Jorge Rosales (1939-2019)
Jorge Teixeira (Portojo) (1945-2017)
José António Almeida Rodrigues (1950-2016)
José António Paradela (1937-2023)
José Augusto Ribeiro (1939-2020)
José Barreto Pires (1945-2020)
José Carlos Suleimane Baldé (c.1951-2022)
José Ceitil (1947-2020)
José Eduardo Alves (1950-2016)
José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021)
José Fernando de Andrade Rodrigues (1947-2014)
José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017)
José Manuel Amaral Soares (1945-2024)
José Manuel Dinis (1948-2021)
José Manuel P. Quadrado (1947-2016)
José Marcelino Sousa (1949 - 2023)
José Martins Rosado Piça (1933-2021)
José Maria da Silva Valente (1946-2020)
José Marques Alves (1947-2013)
José Moreira (1943-2016)
José (ou Zé) Neto (1929-2007)
José Pardete Ferreira (1941-2021)
Júlio Martins Pereira (1944-2022)
Leite Rodrigues (1945-2025)
Leopoldo Amado (1960-2021)
Leopoldo Correia (1941-2024)
Libório Tavares (Padre) (1933-2020)
Lúcio Vieira (1943-2020)
Luís Borrega (1948-2013)
Luís Encarnação (1948-2018)
Luís Faria (1948-2013)
Luís F. Moreira (1948-2013)
Luís Henriques (1920-2012)
Luís Rosa (1939-2020)
Luiz Fonseca (1949-2024)
Mamadu Camará (c. 1940-2021)
Manuel Amaral Campos (1945-2021)
Manuel Carneiro (1952-2018)
Manuel Castro Sampaio (1949-2006)
Manuel Dias Sequeira (1944-2008)
Manuel Marinho (1950-2022)
Manuel Martins (1950-2013)
Manuel Moreira (1945-2014)
Manuel Moreira de Castro (1946-2015)
Manuel Varanda Lucas (1942-2010)
Manuel Gonçalves (Nela (1946-2019 (*)
Marcelino da Mata (1940-2021)
Maria da Piedade Gouveia (1939-2011)
Maria Ivone Reis (1929-2022)
Maria Manuela Pinheiro (1950-2014)
Mário de Oliveira (Padre) (1937-2022)
Mário Gaspar (1943-2025)
Mário Gualter Pinto (1945-2019)
Mário Vasconcelos (1945-2017)
Nelson Batalha (1948-2017)
Nuno Dempster (1944-2026)
Nuno Rubim (1938-2023)
Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)
Paulo Fragoso (c.1947-2021)
Queta Baldé (1943-2021)
Raul Albino (1945-2020)
Renato Monteiro (1946-2021)
Regina Gouveia (1945-2024)
Rogério da Silva Leitão (1935-2010)
Rui Alexandrino Ferreira (1943-2022)
Rui Baptista (1951-2023)
Suleimane Baldé (1938-2025)
Teresa Reis (1947-2011)
Torcato Mendonça (1944-2021)
Umaru Baldé (1953-2004)
Valdemar Queiroz (1945-2025)
Vasco Pires (1948-2016)
Veríssimo Ferreira (1942-2022)
Victor Alves (1949-2016)
Victor Barata (1951-2021)
Victor Condeço (1943-2010)
Victor David (1944-2024)
Vítor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014)
Xico Allen (1950-2022)
Zélia Neno (1953 - 2023)
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Luís Graça (2009). O original foi escrito num noite de insónias,
há muitos anos (**).
Revisto e melhorado em 14/3/2026,
o dia em que a minha neta Rosa Klut Graça começou a andar,
às 20:15, na casa da Graça.
30 pequenos passos de gigante.
O primeiro "sprint" da sua vida. Aos 13 meses e meio.
E eu, por sorte, registei em vídeo esse momento único.
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Notas do editor LG:
(***) Último poste da série > 16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!






