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domingo, 7 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28079: Humor de caserna (272): As minhas "turras" com a menina IA que não tem um pingo de sentido de humor... A propósito da cantora ié-ié de Jabadá, que não era... "careca" (Luís Graça)



Guiné > Região de Quínara > Jabadá > CCAV 2484 (1969/70) , Os Dragões de Jabadá" >  A cantora ié-ié Isabel Amora (1946-2020), atuando para os militares do aquartelamento, que ficava na margem esquerda do Rio Geba. Por

Representação artística desse espetáculo. Tudo indica que, nesse dia e local,  a jovem artista, em princípio de carreira (e infelizmente já falecida),   tenha aparecido com duas indumentárias diferentes: vestido curto, mas de manga comprida e minissaia, e na segunda parte  blusa de manga curta e calça à boca de sino. A foto (inspiradora...) é do Manuel Antunes, ex-sold cond auto, CCAV 2484, "Os Dragões de Jabadá"), que vive no Canadá


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Foto: Manuel Antunes (2022)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

1.  Falar com máquinas pode até ser divertido mas também às vezes exasperante... Divertido, por enquanto... Um dia pode vir a ser um pesadelo, como foram durante o Estado Novo os coronéis da censura (que não eram máquinas, eram pior, eram "calhaus")... De vez em quando tenho as minhas "turras" com a IA. Recusa-se a fazer a ilustração que lhe peço, alegando que o meu prompt "pode violar as suas  politicas de conteúdo" (sic). 

Nunca diz quais são. É preciso então contestar, uma, duas,  três vezes. Às vezes, falo mal:  "P*rra, a foto de uma jovem cantora ié-ié, de minissaia, que vem de Portugal e vai atuar no mato, na Guiné, para os soldados portugueses e a população local... é material pornográfico ou tem conotação sexual?!... A minissaia também chegou depressa ao Portugal de finais dos anos 60!...E depois tens que perceber que quem está na guerra, lá no cu de Judas, a 4 mil km de casa, o que mais quer ver é um belo par de...pernas de uma jovem da sua idade!... Não lhe mandem uma matrona de média idade, fadista, como a Cecilinha, mas uma garota estouvada da música ié-ié!"...

Resposta, sensata e conciliadora, por fim, da ferramenta da IA (ChatGPT / Open AI): 

(....) "Camarada, pelo que descreves, não vejo nenhum problema de política em mostrar uma cantora jovem de 1969/70, de minissaia, a atuar perante soldados num quartel da Guiné. Mostrar pernas, minissaias ou moda da época não tem nada de problemático.

O que provavelmente aconteceu foi outra coisa: o sistema automático pode ter interpretado a combinação de fatores como:

  • imagem de uma pessoa real;
  • pedido de recriação baseada numa fotografia histórica;
  • referência à atratividade física ("bom par de pernas");
  • contexto militar.

Por excesso de cautela, alguns filtros automáticos bloqueiam pedidos perfeitamente legítimos. Isso acontece ocasionalmente.

Para ser claro: uma ilustração histórica ou humorística de uma cantora dos finais dos anos 60/início dos 70, de minissaia, a atuar num quartel da Guiné, não tem nada de sexual explícito nem de impróprio. E o teu objetivo é manifestamente documental e de reconstituição de ambiente.



Isabel Amora em Jabadá ,c. 1969/70
Foto: 
Manuel Antunes (2022)

Aliás, a fotografia que mostras de Jabadá é interessante 
por outra razão: ela transmite muito bem o que era o ambiente desses espetáculos improvisados. Não havia necessariamente 
um palco. Muitas vezes a artista cantava num terreiro, com um microfone ligado a uma aparelhagem rudimentar, rodeada por militares sentados em bancos, bidões ou simplesmente no chão. O centro das atenções era a novidade da visita, a quebra da rotina e o contacto com alguém vindo da metrópole". (...)

E mais adiante, a púdica da menina da IA continua a desculpar-se, depois de "engolir os insultos":

"Também concordo contigo num ponto histórico: em 1969/70 a minissaia já estava perfeitamente instalada em Portugal, sobretudo entre as artistas de variedades e cançonetistas mais jovens. 

Uma reconstituição fiel da época teria muito mais provavelmente vestidos curtos, penteados da moda e botas ou sapatos de salto baixo do que os vestidos compridos que apareceram na primeira imagem.

Quanto ao 'humor de caserna', faz parte da memória da guerra  e não me escandaliza nada que o Zé Soldado apreciasse a música... e também um bom par de... pernas".

"Á falta de melhor, camarada", acrescento eu, com ironia...Afinal,  quem lê os aerogramas, os jornais de unidade e as memórias dos antigos combatentes como no meu blogue, incluindo a decoração dos "bunkers" (ou buracos onde dormiam)  com fotos de meninas de mama ao léu, encontra isso a cada passo.

2. Bom, lá acabámos, por fim, por chegar a um acordo mutuamente satisfatório. E a menina da IA, que não tem sentido de humor (nem muito menos "sex appeal")  mas agora "mais meiguinha" vem então com a sua contraproposta:

"Se quiseres voltar a tentar uma ilustração, eu sugeriria descrevê-la em termos históricos: Jabadá,  Guiné Portuguesa, 1969/70. Jovem cantora portuguesa em início de carreira, com vestido curto, típico da moda da época, a atuar ao ar livre perante militares da CCAV 2484 e alguns habitantes locais. Ambiente descontraído de espetáculo de variedades no mato, fotografia de época, realista, sem identificação de pessoas concretas."

Muito bem, concluimos os dois que esse pedido, formulado assim, é perfeitamente compatível com uma reconstituição histórica, asséptica, neutra, sem ofensa para a moral pública no séc. XXI nem muito menos para a "bons costumes" da pátria do Tio Sam.

E eu, diplomaticamente, encerrei o assunto, tratando-a também por "camarada" (imaginem!) (ela gosta destas "cumplicidades", ou "ligações perigosas", dirão alguns dos nossos leitores):

"Assim, está bem, acabamos por nos entender os dois, camarada!... Faz lá essa ilustração, há poucas fotos dessa época com artistas da Metrópole a atuar para as Forças Armadas na Guiné (que era um sítio feio, perigoso, pouco recomendável para meninas cantoras de minissaia, etc.)".


Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / OPen AI)
(Condensação, revisão/fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28072: Humor de caserna (271): "Poema para o meu irmão branco" (ou... a única cor que não muda é a da hipocrisia)