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terça-feira, 16 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28104: Movimento Nacional feminino: Mais artista de renome em digressão pelo CTIG: os atores do teatro de revista e depois dupla humorística na televisão, Francisco Nicholson & Armando Cortez, atuaram, de 28 de setembro a 5 de outubro de 1967, em Nova Lamego (29Set), Bafatá (30Set), Tite (1Out), UBIB/Bissau (1Out), Teixeira Pinto 02Out) e Mansoa (04Out) (Emanuel Ribeiro Fernandes, ex-alf mil, Gabinete Militar do Com-Chefe, set 67/set 69)






Magnífica Tabanca da Linha > 57º almoço-convívio > 26 de setembro de 2024 > Aestreia do "mgnífico" Emanuel Ribeiro Fernandes


Fotos (e legendas): © Manuel Resende (2024). Todos os direitos reservados. [Edição : Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Email enviado através do Formulário de Contacto do Blogger

Data - sexta, 14/11/2025, 20:56

Caro Luis Graça

Há alguns anos estive inscrito no blogue, mas também não era comum visitá-lo. Prestei serviço como alferes miliciano no Gabinete Militar do Comando-Chefe de Set67 a Set69.

Abraço e espero encontrar-te no próximo almoço da Tabanca da Linha.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes


2. Nova mensagen remetida pelo Formulário de Contacto do Blogger


Data - segunda, 15/06/2026, 21:35

Caro Luis Graça:

Respondendo ao teu desafio sobre a participação de artistas nacionais em visita às NT na Guiné (*), junto este pequeno contributo.

Os actores Francisco Nicholson e Armando Cortez e a actriz Manuela Maria (Alzira) visitaram a Guiné de 28 de setembro e 5 de outubro de 1967.

Deram espetáculos em:

  • Nova Lamego (29Set), 
  • Bafatá (30Set), 
  • Tite (01Out), 
  • UBIB/Bissau (01Out), 
  • Teixeira Pinto (?) (02Out) 
  •  Mansoa (04Out).

Testemunhei o excelente acolhimento dos nossos militares mas também a generosidade destes artistas, que não se furtaram a incómodos e riscos.

Cumprimentos,
Emanuel Ribeiro Fernandes

3. Comentário do editor LG:

Olá, Emanuel. Obrigado pelo teu contributo. Precioso. Quem é que, ao fim destes anos todos, ainda guarda memórias precisas (nomes, datas, locais), da visita ao CTIG de artistas de primeiro plano, conhecidos sobretudo do teatro de revista e da televisão, como os que citas ?

São dados que não constam nas biografias destes atores, infelizmente já falecidos, os dois primeiros:
Fico feliz por o nosso apelo não ter ficado em saco roto, e que volto aqui a repetir:

"Quem assistiu, no mato, a espetáculos de artistas da metrópole em digressão pela Guiné ? Em que local? Quem atuou? Há fotos, cartazes, programas, autógrafos ?"


Emanuel, tenho-te encontrado na Tabanca da Linha. Sei que és de Mafra. E, se não oerro, trabalhaste, no aeroporto de Lisboa ou na TAP. Para a próxima temos que ficar juntos, à mesa, para me falares com mais pormenor dos teus tempos de Guiné. E ficas, claro, desde já convidado para integrar a Tabanca Grande. Falta-te essa honra no teu currículo... Honra oara ti e para ois demais amigos e camaradas da Guiné. Um alfabravo, Luís


A dupla em "Riso e Ritmo" (RTP, 1969).
(Com a devida vénia...

4. A dupla humorístcia Armando Cortez / Francisco Nicholson
 

Em 1967, os atores do teatro de revista Armando Cortez e Francisco Nicholson, caras conhecidas da televisão (que começara  emitir regualmente em Portugal em 1957, a preto e branco), integraram uma das digressões artísticas ao ultramar, organizadas pelo Movimento Nacional Feminino, atuando para a população civil e para os militares. 

No caso da Guiné, foram aos únicos sítios possíveis que tinham salas de cinema ou de espetáculos, minimamente aceitáveis (Bissau, Mansoa, Bafatá, Nova Lamego,  Teixeira Pinto,  e pouco mais).

E praticamente ainda não havia estradas alcatroadas (a não ser o troço Bissau-Mansoa).

O itinerário limitou-se aos principais centros urbanos (sdes de circunscrião / conselhos)  e aquartelamentos de maior dimensão que dispunham de infraestruturas mínimas (cinemas-teatro ou pavilhões multiusos dos clubes locais e das Forças Armadas):
  • Bissau: onde se exibiram na União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB), o grande polo dinamizador da vida social e desportiva da capital da província, a para da Associação Comercial;

  • Mansoa, na região do Óio, e a vila do interior mais perto da capital, por estrada (alcatroada);

  • Bafatá e Nova Lamego (Gabu): no Leste, que eram zonas de forte presença militar e eixos estratégicos de circulação; na altura Batafá estava em pleno desenvolvimento, graças ao comércio da mancarra; será elevada a cidade, a segunda, da Guiné, em 1969;

  • Teixeira Pinto (Canchungo):  no Norte, na região do Cachaeu, sede de um importante subsetor militar, e cuja vila tem um cinema,

  • Tite: No Sul, região de Quínara, uma  das zonas mais fustigadas pelo conflito, mas que dispunha de instalações capazes de acolher a comitiva com relativa segurança para a época: estav perto de Bissau, passou a ser sede circunscrião com a decadência e o isolamento de Fulacunda, imposto pela guerra.


Na altura,  a dupla Armando Cortez e Francisco Nicholson estava no auge do sucesso em Portugal graças ao programa humorístico da RTP "Riso e Ritmo" (1965-1969), o que tornou os atores figuras muito reconhecidas e acarinhadas pelos militares metropolitanos.

Recorde-se que essa dupla  foi um marco fundamental no humor português. Ambos os atores transitaram com sucesso do teatro de revista,  no popular Parque Mayer, para a televisão nos anos 60, onde se destacaram como autores, produtores e protagonistas de alguns dos programas mais emblemáticos da RTP. 
 
O "Riso e Ritmo" (1965-1969) é hoje considerado um dos progranmas pioneiros do humor televisivo em Portugal.  Com autoria e produção de ambos, o programa decorria num cenário de uma cozinha gigante, tendo marcado a época com rábulas aceleradas e um formato de variedades.

Para além do humor, esta dupla de sucesso envolveu-se também na produção de música, espetáculos ao vivo e na ligação a editoras discográficas, ajudando a moldar o panorama de entretenimento da época. 

Tinha um estilo inconfundível:  os seus textos focavam-se fortemente na realidade portuguesa e caracterizavam-se por um ritmo acelerado, o que frequentemente resultava em momentos cómicos espontâneos ("gags") durante as gravações.

Essa digressão de Armando Cortez e Francisco Nicholson à Guiné, em 1967, ilustra bem o esforço logístico e psicológico que se fazia na época para elevar o moral das tropas através do entretenimento. No auge do sucesso do "Riso e Ritmo", os dois atores e autores eram das caras mais queridas do público português, e a sua deslocação ao teatro de operações teve naturalmente um impacto enorme junto dos militares (e dos poucos "colonos", que viviam naquelas paragens inóspitas).

Esta digressão foi organizada e patrocinada pelo Movimento Nacional Feminino (MNF), liderado pela carismática e influente Cecília Supico Pinto (conhecida popularmente como "Cilinha"): íntima de Salazar, era então uma mulher poderosa, talvez a mulher mais poderosa do Portugal da época, embora já em fim do salazarismo (em setembro de 1967, ainda era vivo e temido o "senhor doutor" com quem ela empacerou diversas vezes como "primeira dama" em eventos públicos; recorde-se que Salazar era solteiro...) 

O MNF terá sido inspirado diretamente na USO (United Service Organizations), criada em 1941, como forma da sociedade civil apoiar moral e psicologicamente os militares norte-amercianos e as suas famílias durante a II Guerra Munda. Levava grandes estrelas de Hollywood e da música (o "show business") para os teatros de operações para entreter os soldados envolvidos nesse cojmflito, e noutros subsequentes (Coreia e Vietname). 

A Cecília Supico Pinto percebeu cedo o impacto avassalador que o contacto direto com os artistas em voga na Metrópole exercia sobre o moral dos jovens mobilizados no ultramar, a milhares de quilómetros de casa.

O MNF utilizava a sua enorme influência junto do regime, dos meios empresariais e dos transportes (como a TAP e os transportes militares) para viabilizar estas "caravanas artísticas", garantindo que as maiores figuras do teatro, da rádio e da televisão estivessem presentes nos palcos possíveis do Ultramar.

Embora o programa "Riso e Ritmo" fosse em formato televisivo de variedades, era  complexo, envolvendo orquestra, corpo de baile, vários cantores, etc.. Daí que, na deslocação à Guiné,  teve de ser adaptado à realidade de um território em guerra ativa, e com escassez de salas de espetáculos.  A dupla Cortez e Nicholson apresentou um espetáculo focado sobretudo em sketches de comédia, rábulas humorísticas e sátira social ligeira, que permitia uma montagem rápida e flexível.

A ligação de Armando Cortez e Francisco Nicholson ao esforço de apoio moral aos soldados não se esgotou nesta curta e intensa semana de 1967 na Guiné. Anos mais tarde, em 1971 a dupla voltou a dar a cara por uma das maiores iniciativas do MNF: o célebre LP de vinil "Natal 71" (inserido na Operação Presença)

Com uma tiragem impressionante de 300 mil exemplares distribuídos pelas frentes de combate, esse disco juntava mensagens e participações de figuras maiores da cultura e do desporto nacional (como Amália Rodrigues, Eusébio, Hermínia Silva e os Parodiantes de Lisboa). 

Armando Cortez e Francisco Nicholson participaram ativamente na gravação, oferecendo o seu humor como bálsamo para mitigar a solidão e o isolamento dos milhares de jovens que passavam a quadra natalícia no mato. Embora o disco tenha sido um fiasco e um rombo no cofre do MNF: é que os soldados no mato não tinham gira-discos...

Pesquisa; LG + IA (Gemini / Google) (Vibe / Mistral )

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos,links, título: LG)
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Nota do editor LG: