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terça-feira, 5 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27989. Tinha tudo para odiar aquela terra, mas não... Parte II: Bissau velha renascida, "by air": do Hotel Coimbra ao cais do Pijiguiti

 


Vídeo (2' 02'') > Guiné - Bissau > Abril de 2026 >  Estas imagens aéreas focam a Av Amílcar Cabral desde o Hotel Coimbra até ao porto de mar.. Música: José Carlos Schwarz



Vídeo (e legenda): © João de Melo  (2026).  Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné




Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > Maio de 2025 >  João de Melo e Maria do Carmo, ao centro, acarinhados pela equipa de futebol local,  "Os Tigres do Cumbijã".



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > Maio de 2025 > O João de Melo com os miúdos da escola (do ensino pré-primnário ao 6º ano)  que ele  e a esposa estão a ajudar com donativos recolhidos na região centro


Fotos (e legendas): © João de Melo  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


João Melo, nosso grão-tabanqueiro
desde 1/3/2009




1. O nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74), esteve de novo na Guiné-Bissau, em por volta de março/abril de 2026. 

Profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha, e tem viajado regularmente, desde 2017,  com a esposa, Maria do Carmo, para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade". 

A viagem inclui a tabanca de Cumbijã onde distribui ajuda humanitária pelas escolas locais, e  apoia o clube de futebol local) (*). 

Este ano a população local fez-lhe uma singela mas justa homenagem, atribuindo o seu nome a uma rua da localidade.

Em Bissau costuma ficar no Hotel Coimbra  
(**).

Este ano fez um vídeo com o seu drone, mostrando esta parte da cidade, renascida com a
Fénix.  Os nossos camaradas, que passaram por Bissau, há mais de meio século, ainda  reconhecerão alguns dos edifícios e sítios, ruas, praças e cais,  desse tempo, a começar pela catedral e o porto do Pijiguiti, e incluindo  antiga Casa Gouveia (que ficava em frente ao Café Bento, a famosa 5ª Rep).




Guiné-Bissau > Bissau > s/d > O edifício do Coimbra Hotel & SPA, fundado em 2001, sito no edifício do antigo estabelecimento comercial  Nunes & Irmão Lda, na Av Amílcar Cabral (antiga Av República). 

É o mais imponente edifício comercial do centro histórico de Bissau, da época colonial.  É vizinho da catedral católica de Bissau.

Foto: arquivo do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, 



Guiné > Bissau > s/d (c. anos 60) > Sem legenda >  Av da República (hoje, Av Amílcar Cabral) >  Ao fundo no início da avenida, o Palácio do Governador, e a Praça do Império; do lado direito, a Catedral de Bissau (em segundo plano)...  

No final da avenida, tínhamos a Casa Gouveia, à esquerda, em primeiro plano, com a esplanada do Café Bento à direita (e contigua à  sede da Administração Civil: deste edifíci, só se vê praticamente o telhado, acima do arvoredo)

 (Edição Comer, Trav do Alecrim, 1 -Telef. 329775, Lisboa). Colecção: Agostinho Gaspar  (ex-1.º Cabo Mec Auto Rodas, 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1972/74). 

Edição (e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010).



Guiné > Bissau > s/d > Vista aérea da Ponte Cais, Bissau. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 119" . (Edição Foto Serra, COP 239 Bissau. Impresso em Portugal, Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas, SARL).

Legenda: Porto de Bissau, ou ponte-cais, o edifício das Alfândegas, à direita, a praça com o monumento a Diogo Cão (derrubada a seguir à independência), a entrada para a Fortaleza da Amura, ao centro, e à esquerda, se não erro, a Casa Gouveia (ou um estabelecimento da Casa Gouveia... Este é que é (era) o coração de Bissau Velho... A marginal chama-se hoje Av. 3 de Agosto.

Bilhete postaç da coleção do nosso camarada Agostinho Gaspar / Digitalização, legenda e edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010


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Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 3 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27984: No 25 de Abril eu estava em... (42): De férias, em Alquerubim, já com 17 meses de comissão...E tinha tudo para odiar a terra que me serviu de lar em ambiente de guerra, durante quase dois anos... Mas, não, passei a lá ir todos os anos... (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351, 1972/74)

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27986: Tinha tudo para odiar aquela terra, mas não...Agora adoro lá voltar todos os anos (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74) - Parte I: O Natal do Cumbijã é em Abril


Vídeo (2' 50'') >  Guiné- Bissau > Região de Tomabali > Cumbijã > Abril de 2026 > Compilação de fotos da distribuição de material didático, roupas e calçado nas Escolas de Cumbijã / Guiné-Bissau, do ensimno pré-escolar ao 6º ano. 
Doadores: Hospital São Miguel / ULS Entre Douro e Vouga (Oliveira de Azeméisd); Resende Seixas, Publicidade (Albergaria-a-Velha); BEPPI, calçado (Feira). Música de fundo, dos Supoer Mama Djombo

Vídeo (e legenda): © João de Melo  (2026).  Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné João Reis Melo 


1. João Melo (ou João Reis de Melo): (i) ex-1º cabo cripto, CCAV 8351/72, Cumbijã, 1972/74); (ii) tem página do Facebook; (iii) é natural de Alquerubim, Albergaria-A-Velha, distrito de Aveiro; (iv) profissional de seguros, reformado, vive em Alquerubim; (v)  integra a Tabanca Grande desde 1/3/2009.

É um dos "Tigres do Cumbijã" da nossa Tabanca Grande, a par do:

  • Vasco da Gama, o "tigre-mor" (autor das séries "Banalidades da Foz do Mondego" e "A história dos Tigres de Cumbijã, contada pelo ex-Cap Mil Vasco da Gama";
  •  Joaquim Costa (autor do livro "Memórias de Guerra de um Tigre Azul: O Furriel Pequenina, Guiné: 1972/74", Rio Tinto, Gondomar, Lugar da Palavra Editora, 2021, 180 pp.);
  • e ainda do António Joaquim Alves , que nunca chegou a beber a água do Cumbijã, tendo ficado colocado no Combis, em Bissau.

Há dias o João Melo escreveu aqui o seguinte a propósito do 25 de Abril de 1974 (*):


(...) Casualmente, estava de férias em Portugal, já com 17 meses de comissão. E foi aqui, longe do teatro de guerra, mas perto do coração do país, que assisti ao início do fim de um tempo que parecia não ter fim.

(...) Eu tinha tudo para ter de odiar a terra em que me serviu de lar em ambiente de guerra, durante quase dois anos. Particular e inexplicavelmente, acontece exatamente o contrário: faço hoje, juntamente com a minha esposa Maria do Carmo, visitas quase anuais, de voluntariado junto de umas centenas de alunos das escolas da aldeia de Cumbijã, na Guiné-Bissau, onde estive estacionado a cumprir o serviço militar obrigatório. (...)

2. E este ano, em abril de 2026, o João Melo e a Maria do Carmo lá voltaram, àquela terra verde-rubra que deve ter alguns secretos encantos, como a sereia que seduz os velhos marinheiros e combatentes...

Descobrimos que o Natal no Cumbijã é em Abril... Mas o João Melo e a Maria do Carmo são mais do que o Pai Natal e a Mãe Natal para aquelas crianças (e adultos) que tão ansiosamente esperam a sua visita anual...

Mais do que as "prendidas" (roupa, calçado, guloseimas, material escolar...), eles trazem sonho, esperança, ternura, solidariedade, humanidade..., "coisas" que são "valores sem preço" num mundo em que tudo foi transformado em "mercadoria", rapidamente descartável...

João e Maria, que os bons irãs vos protejam, e continuem a dar-vos saúde e motivação para a prossecuação da vossa nobre missão. Tiro o quico ao vosso empenho e determinação, mas também bom senso e bom gosto... 

Afinal, podiam estar a gozar a vossa rica reforma a fazer um daqueles cruzeiros caros e estúpidos naqueles "arranha-céus flutuantes" que os italianos inventaram... e que são o símbolo perfeito do excesso em que o turismo de massa se tornou: um negócio que vende a ilusão de luxo, glamour, exotismo e  aventura, mas que, na realidade, é uma fábrica de desperdício, poluição, desigualdade e, muitas vezes, humilhação disfarçada de hospitalidade (que o digam os habitantes de Veneza, de Bari, de Dubrovnik, de Sarande, de Atenas,  de Santorini...).

(Revisão / fixação de texto, título, itálicos, negritos: LG)
________________

Nota do editor LG:

domingo, 3 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27984: No 25 de Abril eu estava em... (42): De férias, em Alquerubim, já com 17 meses de comissão... E tinha tudo para odiar a terra que me serviu de lar em ambiente de guerra, durante quase dois anos... Mas, não, passei a lá ir todos os anos... (João Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351, 1972/74)


Guiné-Bissau > Bissau > Hotel Coimbra > 31 de março de 2026 > De novo, na Guiné-Bissau, em 2026, o nosso João Melo, aqui à direita, em primeiro plano, com a Inês Allen (ao fundo, de pé) e os "metralhas de Empada"

Escreveu o João Reis Melo, na sua página do Facebook, no passado dia 3 de abril de 2026, 12:41:


"A jovem Inês Allen, filha do nosso camarada e antigo combatente Xico Allen, tem com muito empenho mantido a cooperação iniciada pelo seu pai na Guiné-Bissau, mesmo após a sua ausência com principal incidência em Empada. Quis o acaso, que desta vez nos cruzássemos em solo guineense!
Estão assim todos os "Metralhas de Empada" e os "Tigres de Cumbijã" em uma sintonia perfeita.

Quando gente de bem, de coração aberto e bom se reúne, a vontade de continuar e aumentar estas cooperações evoluem na tentativa de minorar tantas lacunas!

Foi bom conhecê-la – a ela e a toda a equipa que com ela está empenhada.

Fica aqui um registo desse encontro, feito na passada terça-feira, 31 de março no Hotel Coimbra em Bissau. Um bem-haja a todos!"



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cumbijã > Abril de 2026 > Singela (mas sincera) homenagem das gentes de Cumbijã ao seu "benfeitor", João de Melo.

Fotos (e legendas): © João de Melo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1.  Postagem do nosso camarada João Melo (ou João Reis de Melo) (ex-1º cabo cripto, CCAV  8351/72,  "Os Tigres do Cumbijã", Cumbijã, 1972/74). na sua página do Facebook, em 26 de abril de 2026, 13:38; natural de Alquerubim, Albergaria-A-Velha, distrito de Aveiro,  profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha; integra a Tabanca Grande desde 1/3/2009.


O "Meu" 25  de Abril

por  João Reis Melo

Hoje celebramos o dia em que Portugal voltou a respirar. O dia em que um povo inteiro acordou com a notícia que mudaria para sempre o seu destino. O dia em que a coragem falou mais alto do que o medo, e em que a esperança venceu o silêncio: o 25 de Abril de 1974.

A essa data, eu era militar, servia a Pátria na antiga Província da Guiné (atual Guiné-Bissau), no meio de uma guerra longa, dura e cheia de incertezas, e das quais a mais preocupante,  na altura, era a possibilidade de poder não voltar.

Casualmente, estava de férias em Portugal,  já com 17 meses de comissão. E foi aqui, longe do teatro de guerra, mas perto do coração do país, que assisti ao início do fim de um tempo que parecia não ter fim.

Há datas que não pertencem apenas ao calendário,  pertencem à memória, à identidade e ao futuro de um país. O 25 de Abril é uma dessas datas. 

O 25 de Abril trouxe-nos algo que muitos julgavam impossível: entre elas, o fim da guerra do Ultramar e o regresso da esperança.

Mas Abril não foi apenas um acontecimento militar. Foi, acima de tudo, um ato de cidadania coletiva. Foi o povo nas ruas, os cravos nos canos das espingardas, os abraços entre desconhecidos, a alegria que transbordava das janelas e das praças. Foi a certeza de que ninguém pode calar para sempre um país inteiro.

Hoje, passados tantos anos, Abril continua a chamar por nós:

  • Chama-nos a defender a liberdade, porque nenhuma conquista é eterna;
  • Chama-nos a proteger a democracia, porque ela vive do nosso compromisso diário;
  • Chama-nos a combater a desigualdade, porque a liberdade só é plena quando chega a todos;
  • Chama-nos a participar, a questionar, a sonhar, a agir.

Abril, trouxe-nos a liberdade, não só de expressão, mas de futuro. De repente, abriu-se um caminho novo, onde antes só havia desgaste, medo e resignação.

Para quem viveu a guerra, como eu, o significado foi ainda mais profundo. Foi o fim, de uma realidade pesada e o início de uma reconciliação com a vida, com as famílias e com o próprio país. Para quem esteve lá, para quem viveu o conflito por dentro, aquele dia teve um significado impossível de esquecer.

Hoje, mais do que recordar, importa tudo fazer o que esteja ao nosso alcance para que os vindouros não tenham de passar por tudo o que os seus ascendentes foram obrigados a passar.

Celebrar Abril não é repetir slogans,  é assumir responsabilidades. É garantir que nunca mais haverá portugueses impedidos de pensar, de falar, de votar, de ser. É lembrar que a liberdade não é um dado adquirido: é um trabalho permanente.

É também reconhecer aqueles que, antes de nós, arriscaram tudo. Os que foram presos, perseguidos, censurados. Os que lutaram nas sombras para que hoje pudéssemos viver à luz. Os que acreditaram que Portugal podia ser maior do que o medo.

Portugal nunca poderá esquecer os cerca de 10 mil  jovens portugueses que,  quando se despediram das famílias, nunca imaginariam que seria a última vez. Dos mais de 20 mil feridos graves e inválidos.Dos c. 150 mil  jovens que vieram e mantiveram distúrbios e sequelas psicológicas.

Também não devemos esquecer os mais de 45 mil civis e guerrilheiros dos movimentos de libertação, que perderam a vida durante os 13 anos que duraram os conflitos.

A melhor homenagem que lhes podemos prestar é continuar a construir o país que imaginaram: um país mais justo, mais solidário, mais culto, mais livre.

Eu tinha tudo para ter de odiar a terra em que me serviu de lar em ambiente de guerra, durante quase dois anos. Particular e inexplicavelmente, acontece exatamente o contrário: faço hoje, juntamente com a minha esposa Maria do Carmo, visitas quase anuais, de voluntariado junto de umas centenas de alunos das escolas da aldeia de Cumbijã, na Guiné-Bissau, onde estive estacionado a cumprir o serviço militar obrigatório.

Hoje, ainda posso sentir o cheiro daquela terra africana, quente e húmida, com aqueles odores que se entranham na alma, resultado de uma miscelânea de odores, desde as flores da goiaba, do mango e do caju, misturados com o da lenha queimada que serve diariamente de fonte de calor nas suas cozinhas. Cozinhas essas, feitas sobre três pedras poisadas no chão…. 

Hoje, ainda posso recordar aqueles olhares de felicidade e esperança no futuro que guardo desde poucas semanas atrás, dia em que vim de junto deles; é para mim um lenitivo para continuar e, dentro das minhas possibilidades,  manter enquanto a vida me o permitir.

E porque Abril não é passado, é futuro. E o futuro constrói-se todos os dias, com cada gesto, cada escolha, cada voz.

Por tudo isto, neste 25 de Abril, deixo uns apelos simples:

  • Que nunca deixemos de lutar pelos valores que nos trouxeram até aqui;
  • Que nunca deixemos que o medo substitua a esperança;
  • Que nunca deixemos que o silêncio substitua a palavra;
  • Que nunca deixemos que a indiferença substitua a participação.

Porque naquele dia, ganhámos muito mais que o fim de uma guerra. Ganhámos um novo começo. E enquanto houver memória, verdade e coragem no coração de Portugal… o 25 de Abril nunca acabará.

Viva a Liberdade. Viva a Democracia. Viva o 25 de Abril!

Alquerubim, 25 de Abril de 2026

João Reis Melo

(Revisão/ fixação de texto, negritos,  

______________

Nota do editor LG:

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27359: As nossas geografias emocionais (59): Nhacobá, Cumbijã, "alò, alô, nha tera, Guiné, Guiné-Bissau" (Joaquim Costa / João Melo / Luís Graça) + "Guiné, Nha Tera" (2015) (cortesia de Binham e Joss Stone)



Vídeo (7' 39'') by João Reis Melo / You Tube

Guiné-Bissau > "Região de Tombali > Cumbijã  >Este vídeo gravado em 4 de maio de 2025 na tabanca de Cumbijã, foca o jogo de apresentação da nova equipa de futebol dos "Tigres de Cumbijã"  e a sua maravilhosa paisagem envolvente" (diz o João Reis Melo, ex-1º cabo cripto, CCAV 8351, Cumbijã, 1972/74)...E eu acrescento: tem um maravilhoso tema musical, como fundo, "Guiné, nha tera".


1. Obrigado, João Reis Melo, grande "Tigre do Cumbijã".  Aquela terra "verde-rubra" (sem conotações saudosistas...) ficou-te no coração. A ti e a nós... Parabéns pelo vídeo, é uma ternura da tua parte...  E depois tem algo de extraterrestre: nunca tinha visto um jogo de futebol.... a partir do céu e com uma moldura de verde como essa. Um efeito f seantástico, tens muito talento para fazer vídeos e vejo qu estás bem equipado!

Mas deixa-me dizer-te que foi pena não teres identificado, no final do vídeo, na ficha técnica,  o autor e os intérpretes do tema que escolheste como música de fundo ...  Temos a obrigação de divulgar a música guineense,  ajudar os seus músicos e respeitar os seus direitos de autor. (Se fossem músicos europeus ou americanos, o You Tube já te tinha silenciado o vídeo; por isso estou também grato ao autor e intérpretes da música pelo seu contributo para este vídeo maravilhoso do João Reis Melo.)


Quis saber mais sobre o tema musical que escolheste para o teu vídeo. Confesso que a letra e a música "mexeram comigo", apanhei algumas frases em crioulo afrancesado, por parte da voz feminina... e fiquei rendido a essa belíssima e poderosa voz. Estava convencido que era de uma conhecida cantora da Costa do Marfim, a Moniquer Séka... Mas, não, o João Melo que também é uma"autoridade"  no que diz respeito  ao panorama atual da música da Guiné.Bissau, esclareceu-me sobre quem é que faz dupla com o Binham  (n. 1977) nesta belíssima canção que é a "Guiné nha Tera",  incluída no  álbum “Lifante Pupa” (2015) (à letra: Beijo do Elefante) do grande músico da Guiné-Bissau, jácom uma notável carreira internacionakl 

Cito, com agrado, o oportuna e pronto esclarecimento que ele me fez, logo que saiu este poste:

(...) "Cumpre-me informar que esta canção de autoria do Binham, que trás como sombra uma história de vida que daria com certeza um belo de um filme, nesta interpretação não está a fazer dupla com a Monique mas sim com a não menos e extraordinária Joss Stone !...

" Joss Stone, é uma artista e cantora Inglesa que eu muito admiro e que, na sua digressão mundial, que durou seis anos, em cada país que parava, tentava gravar com um artista representativo do país uma canção que fosse de autoria do próprio. Na Guiné-Bissau, encontrou-se com o Binham e, fizeram esta gravação junto ao Forte de Cacheu que ficou com um enquadramento espetacular!


"Tive ainda a oportunidade de, quando de uma das minhas visitas à Guiné-Bissau (2017 ou 2019),  me ter deparado com uma exposição no Centro Cultural Francês em Bissau totalmente dedicada a estre extraordinário Binham! 

"Existem muitos bons artistas que atualmente fazem músicas Guineenses que enchem a minha playlist e me acompanham no carro em viagens mais longas... Não somente amo aquela terra, como as suas gentes como as suas tradições e músicas!" (...)
 

  "Guiné Nha Tera", do cantor guineense Binhan (n. 1977).

“Guiné nha Terra” (feat. Joss Stone) 

É um tema de homenagem à Guiné-Bissau, que combina ritmos de kizomba/zouk com elementos tradicionais.

2. Binham é um cantor e compositor de temas intimistas mas também de intervenção social. Tem uma história de infància duríssima: com um ano, doente, foi considerado uma criança-irã e esteve condenado a morrer, por abandono nas margens do rio, por decisão paterna. Nasceu no Biombo, mas cresceu em Catió. 

O infanticídio ainda é um problema ( de saúde pública,  complexo, de etiologia multifactorial) na sociedade guineense, tal como o era na sociedade portuguesa até finais do séc. XIX.

(...) Binham (...) tem uma canção sobre o pai que nunca gravou na sua discografia: aquela em que conta como ele o quis matar quando ainda era bebé.

(...) Binham tinha um ano quando foi abandonado para ser levado pela maré porque, reza a tradição, algumas crianças são espíritos que têm que ser devolvidos à natureza.

A lei da Guiné-Bissau protege este costume e atenua a pena de quem matar bebés, seguindo a crença. Mas nem era preciso, porque as comunidades encobrem os casos logo à partida e nunca ninguém foi investigado ou julgado.

O pai de Binham encomendou a cerimónia ( ao curandeiro) porque o filho adoecia com frequência e estava a levar muito tempo para começar a andar, sinais de uma 'criança irã'.

Deficiência, convulsões e gémeos são outros motivos para abandonar bebés que são também 'bodes expiatórios' de 'coisas negativas', como 'a morte da mãe no parto', explica Filipa Gonçalves, 28 anos, psicóloga e coautora do estudo 'Crianças irã: uma violação dos direitos das crianças na Guiné-Bissau'.  "(...)

Fonte: Olhares sobre a Guiné-Bissau >2 de julho de 2028 >  História do músico guineense Binham Quimor


Letra:

Guiné Nha Terra (feat. Monique Seka)

Binhan (n. 1977), jovem cantor e compositor,
grande revelação dos últimos anos


Binhan:

Su bin na bai Guiné
Su bin na bai nha tera u ta leba nha inkumenda
Si kontra  bu bin na bin
Si  bu  bin na bin bu ta tisin nha rekadu

També
Nha rekadu, uu nha rekadu

Monique Seka:

Guiné-Bissau abo i nha tera, tera di mi
Guiné-Bissau abo i nha tera, tera di nha papes
Ma si Deus kiri Guiné lantau firma
Bu ka na fika sin mas na ba ta tchora
Nha tera di povos kansadu
Ma si Deus kiri Guiné bu na midjora

N' ka misti odjau na kansera
N' ka misti odjau na sufrimentu
N' ka misti odjau na kansera ô Guiné ô
Liberta bu fidjus, bu da amor

Amor, filisidadi, armonia pa bo Guiné
Amor, filisidadi, armonia pa tudu fidjus di Guiné

Ki guintis ku ka misti odjau sabi, ô Guiné
Ê na kansa kabesa só
Ninsi  bu misti bu ka pudi bida mas
Bu na sedu, Guineense te na dia ku muri
O Guiné-Bissau, o nha tera, o nha pubis uuu

Guiné-Bissau si Deus kiri bu na sai des kansera
Deus na lumia korson di bu fidjus
Fidjus ki toma reransa pa e rena pa sabura ten
Skola, lus, saudi, iagu pa i ka falta

Tcevi lile, tcevi a li le o
Afrika mamu bwe wolo ami pla o
Abla boku u mamo bin fle o
Afrika mamo bin fle o mabe

Alo alo nha tera
Guiné Guiné-Bissau
(Alo alo alo Guiné)
Alo alo nha tera
(N' misti odjau Guiné na sabi um dia)
Guiné Guiné-Bissau
(Bu povu na para kansa kurpu ê)
Alo alo nha tera
Guiné Guiné-Bissau

Alo alo alo Guiné
Alo alo alo Abidjan
Alo alo alo Guiné
Alo alo alo Douala

Alo alo nha tera
Guiné Guiné-Bissau

(Letra recolhida aqui, com a devida vénia)

Tradução do crioulo para português: LG + assistente de IA / ChatGPT

Binhan:


Se fores à Guiné,
se fores à minha terra, leva o meu pedido.
Se por acaso voltares,
quando voltares, traz-me resposta ao meu recado.

Também...
O meu recado, sim, o meu recado.

Monique Séka:


Guiné-Bissau, tu és a minha terra, a terra que é minha.
Guiné-Bissau, tu és a terra dos meus pais.
Mas se Deus quiser, a Guiné vai levantar-se firme.
Não vais ficar só a chorar.

A minha terra é de um povo cansado,
mas se Deus quiser, Guiné, vais melhorar.

Eu não quero ver-te na tristeza.
Eu não quero ver-te no sofrimento.
Eu não quero ver-te na tristeza, ó Guiné, ó!
Liberta os teus filhos, dá-lhes amor.

Amor, felicidade e harmonia para ti, Guiné.
Amor, felicidade e harmonia para todos os filhos da Guiné.

Quem não quer ver-te feliz, ó Guiné,
é porque está cansado, perdeu a esperança.
Mesmo que queiras, às vezes não consegues mais viver,
tens sede… o guineense luta até ao dia da morte.
Ó Guiné-Bissau, ó minha terra, ó meu povo, sim!

Guiné-Bissau, se Deus quiser, vais sair desta tristeza.
Deus há-de iluminar o coração dos teus filhos,
filhos que hão-de tomar consciência
para que o país volte a ter alegria.

Educação, luz, saúde, água — para que nada falte.

Ouvi, ouvi, ouvi bem!
África, minha mãe, chora comigo, por favor!
Fala alto, a mãe veio avisar,
África, a mãe veio avisar do mal.

Refrão final:


Alô, alô, minha terra!
Guiné, Guiné-Bissau!
(Alô, alô, alô, Guiné!)
Alô, alô, minha terra!
(Eu quero ver-te, Guiné, feliz um dia!)
Guiné, Guiné-Bissau!
(O teu povo não vai parar, mesmo cansado!)
Alô, alô, minha terra!
Guiné, Guiné-Bissau!

Alô, alô, alô Guiné!
Alô, alô, alô Abidjan!
Alô, alô, alô Guiné!
Alô, alô, alô Douala!

Alô, alô, minha terra,
Guiné, Guiné-Bissau!

Observação - A canção é uma mensagem de dor,  amor e  esperança pela Guiné-Bissau... Também uma oração para que o país supere o sofrimento e renasça. Binhan fala como filho da terra, e Monique Séka acrescenta uma dimensão pan-africana, chamando a “África mãe” a solidarizar-se com o povo guineense.


3. Nhacobá, o dia mais longo, Op Balanço Final (17-23 de maio de 1973): assalto e ocupação...Um notável poste do Joaquim Costa, que merece ser relido, meditado, comentado...

(...) Este era de facto um posto de “mala-posta", muito importante neste corredor de Guileje, onde os guerrilheiros descansavam e se alimentavam em trânsito para operações militares na região sul. Todo o arroz aqui apreendido dava para alimentar um exército durante vários dias.

O elevado número de moranças, os abrigos subterrâneos, bem camufladas na vegetação, a quantidade de arroz (as suas rações de combate), bem como a grande quantidade de tabaco e material de propaganda, era a confirmação de estarmos perante uma importante base do PAIGC no interior da Guiné. Esta ação foi em rude golpe na logística do PAIGC no abastecimento de parte da zona sul da região.(...)


Corredor de Guileje, corredor da morte, para as NT; carreiro do povo, estrada da liberdade, para o PAIGT... Cada um chamava-lhe o que lhe dava na real gana... Mas continua por fazer o "balanço final" dos combatentes que, de um lado e do outro,  lá tombaram... 

Para quê, afinal ?!, perguntas tu, pergunto eu, perguntamos nós, Joaquim, Luís, João...

Nhacobá, que pretendia ser um marco luminoso da "estrada da liberdade da Pátria", ponto fulcral do "carreiro do povo", base logística do PAIGC...hoje não existe mais. É apenas um ponto do mapa do Google, perdido na mancha verde do coberto florestal, nas proximidades do mítico Cantanhez...

 Nhacobá foi arrasada pelos "bulldozers" da engenharia militar... Por ordem de Spínola.  A população, resignadda, aceitou, ser "reordenada" em Cumbijá, em 1973/74... E lá está até hoje com a "autoestrada" do sul a atravessar a tabanca, que até já tem uma equipa de futebol, os "Tigres do Cumbijã", e um patrocinador, "tuga", o João dos Reis Melo, de Alquerubim...

Que diria o homem grande, Amílcar Cabral, agora curvado sob os seus 100 anos, se ainda fosse vivo ?! ... Contra quem iria brandir a bengala de ancião ?... Os grandes homens, e os líderes (e o Amílcar Cabral foi um deles), são tão incapazes de ler o futuro como qualquer um de nós, pessoas comuns.

Afinal, o povo quer é pão e circo...Ontem como hoje e amanhã... Os sucessores de Amílcar Cabral não perceberam isso, que ideologia(s) não enche(m) barriga(s). 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 24 de setembro de 2025 Guiné 61/74 - P27249: As nossas geografias emocionais (58): A Pousada do Saltinho ou "Clube de Caça", com ar de abandono, em maio de 2025 (João Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã", Cumbijã, 1972/74)

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27249: As nossas geografias emocionais (58): A Pousada do Saltinho ou "Clube de Caça", com ar de abandono, em maio de 2025 (João Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã", Cumbijã, 1972/74)



Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Saltinho > Antiga Pousada do Saltinho > Maio de 2025 > Quando por lá passou, há  4 meses, o João Reis deparou-se com este espetáculo deprimente... Ele era cliente desta unidade hoteleira desde que começou a ir à Guiné-Bissau, a partir de março de 2017. Encerrou, não se sabe porquê...



Foto nº  2> Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Saltinho > Maio de 2025 > : Rápidos do Saltinho, uma das sete maravilhas do país.


Foto nº 3 >Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho... Diz o Paulo Santigao que .este edifício, quando quartel, "albergava arrecadação de material de guerra ,enfermaria e gabinete médico, bar e messe de oficiais e sargentos,secretaria,gabinete do comandante"

(...) "Saltinho seria dos poucos locais da Guiné onde o terreno era rochoso,impossível existirem valas naquele quartel.Assim,foram construídos abrigos em betão que funcionavam como casernas.Os oficiais e sargentos dormiam num abrigo que ficava junto da porta de armas. Os abrigos não estavam enterrados,tinham "seteiras" voltadas para o exterior. Havia dois grupos de combate em destacamentos um em Cansonco e outro em Sinchã Mamadu Buco.

"Quando em Março de 72,regressei ao Saltinho,  ido de Bambadinca, encotrei um notável melhoramento...O comandante proveta, da CCAÇ 3490, tinha inaugurado uma messe/ bar para oficiais, apenas três... Exilei-me na outra margem do rio no reordenamento, hoje chamado de Sinchâ Sambel"  (..:)


Foto nº 4 >Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho, antigo bar e messe de oficiais.


Foto nº 5 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 28 de março de 2019  > Pousada do Saltinho, antigo bar e messe de oficiais > Nas paredes inscrições de clientes, como o nosso camarada Silvério Lobo, de Matosinhos, que lá ficava todos os anos, até à pandemia... O João Melo, na foto, também lá deixou a sua assinatur, em 28/3/2019.


Foto nº 6 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > "Boutique do Hotel" (inscrição na parede)


Foto nº 7  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2019  > Pousadfa do Saktinho > Viosta sobre o início da Ponte e o rio Corubal


Foto nº 8 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 26 de março de 2017  > Rápidos de Cusselinta


Foto nº 9 > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Emblema  da CCAÇ 2701 (1970/72)...


Fotos  nº 10 e 11  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Emblemas  da CCAÇ 2406 (19689/70) e CCAÇ 3490 (1971/74)


Foto  nº 12  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Monumento aos mortos da  CCAÇ 2406, "Os Tigres do Saltinho" (1968/70) e do Pel Çacç Nat 53 (1966/74)


Foto nº 13  > Guiné -Bissau >  Região de Bafatá > Saltinho > 25 de março de 2017  > Pousada do Saltinho > Monumento aos mortos:

  • CCAÇ 2406 / BCAÇ  2852 (1968/70): fur mil at inf Manuel F. S. Paulino  | sold at inf António B. Ferreira | sold  at inf Camilo R. Paiva | sold at inf Nelson M. João | sold António Teixeira | sold at inf Fernando P. Sequeira | sold at ifn Fernando S. Azevedo | sold at inf  Amílcar A. Domimgues;
  • Pel Caç Nat 53 (1972/74):  1º cabo  Fernando A. Alves C (?)

Fotos (e legendas): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Na sua última viagem à Guinau-Bissau, em maio deste ano, a caminho do Cumbijã, o João Melo passou pelo Saltinho e deixou, na página do seu Facebbok (quinta feira, 31 de juhio de 2025, 12:56) uma emotiva recordação da Pousada do Saltinho, que ele encontrou fechada e com ar de abandono (*). 

Este unidade hoteleira era local de paragem  obrigatória para quem visitava a Guiné-Bissau e ia a caminho do Sul, região de Tombali (Quebo, etc.) mas também de Quínara (Buba, etc.). Eu próprio estive lá em 1/3/2008, a caminho de Guileje, no âmbito do programa social do Simpósio Internacionald e Guileje (Bissau, 1-7 de março de 2008) (**) 


Recorde-se que o João Melo (ou João Reis de Melo) foi 1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74).  É profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha. Integra a Tabanca Grande desde 2009.

 
"Retalhos de uma passagem pela Guiné-Bissau" > Saltinho

por João Melo


Saltinho é, para quem foi militar e cumpriu o Serviço Militar Obrigatório na Guiné, um local onde existia um aquartelamento de militares portugueses que, além de patrulharem toda aquela área envolvente, faziam segurança à ponte General Craveiro Lopes (inaugurada no dia 8 de maio de 1955, pelo próprio, que era entáo preasidente da República),  e que une as margens do Rio Corubal entre as regiões de Bafatá, a norte, Quínara, a Oeste, e Tombali, a sul.

Saltinho, ou melhor os rápidos de Saltinho e Cusselinta, proporcionam uma paisagem de uma beleza invulgar e que são,  na verdade, várias piscinas naturais que se formam naturalmente no rio Corubal, com rápidos de rio que fazem minicascatas e zonas rochosas que formam piscinas naturais com uma temperatura muito convidativa e das quais já tive o privilégio de usufruir.

A zona onde fica a praia de Cusselinta, para além das piscinas naturais, tem uma belíssima praia de areia branca e muita tranquilidade que convida a que nos aventuremos num banho nessas águas,  caso se seja um nadador razoavelmente bom e sempre com companhia por perto.

Saltinho fica na Região de Bafatá e dista 175 Km da capital, Bissau. Mas o Saltinho, para todos aqueles antigos militares e amantes de caça que após a independência de 1974 para lá iam ou por lá passavam em visita aos locais onde estiveram em campanha, Saltinho era muito mais que isso! 

As antigas instalações militares que, entretanto, foram cuidadosamente mantidas e recuperadas para que servissem de apoio como “Pousada” aos caçadores que muito a solicitavam,  proporcionava também uma agradável paragem para uma boa refeição e descanso para posteriormente se seguir viagem. 

Fiz isso várias vezes e sempre com muito prazer. Existiu inclusive uma situação caricata – creio que em 2017 – quando seguia em mais uma jornada de “voluntarismo” para as Escolas de Cumbijã e a bordo do jipe do grande amigo Patrício Ribeiro. 

Estávamos sensivelmente a atravessar Matu du Cão, fiz um telefonema para a Pousada de Saltinho a avisar que tencionávamos almoçar lá e que poderiam contar com 6 pessoas. O diálogo, foi sensivelmente este:

– Bom dia! Estamos com intenção de aí ir almoçar. Pode ser?

 
– Está bem. E o que é que pretendem comer?

– O que é que poderá ser?

– Pode ser porco do mato. Serve?

– Certo. Pode ser.

Seguimos viagem já a “salivar”, a pensar nm o “banquete” que nos aguardaria. Como naquela altura as comunicações telefónicas estavam bem piores que hoje, pois eram poucos os locais onde se poderia ter rede telefónica, seguimos viagem e, quando estávamos a chegar a Bambadinca, o telefone toca e era da Pousada do Saltinho:

– Está? É que já tentámos ligar várias vezes, mas não deviam ter rede, e tínhamos que avisar de uma coisa…

– O quê?

–  É que mandámos o caçador para ir caçar um javali e ele não encontrou nenhum, mas abateu uma gazela. Podemos servir bifes de gazela???

– Claro que sim!...

Resumindo, foi uma gargalhada geral porque chegámos à conclusão de que o menu dependia muito mais da ocasião do que o pré-estabelecido!... O que foi ótimo!!! 

À chegada, lá estavam os deliciosos bifes de gazela,  acompanhados por arroz e batata frita. e, como “salada” umas belas travessas de mangos cortados às fatias. 

Para acompanhar,  e mediante a vontade de cada um, foram servidos (passe a publicidade) vinho branco verde Três Marias e umas cervejas Sagres geladinhas…

Mas… voltando à Pousada de Saltinho, quando lá passei em maio último, após várias tentativas de os contactar telefonicamente sem o conseguir, para avisar da nossa chegada, quando lá chegámos foi com muita tristeza que deparámos com as instalações abandonadas e já tomadas pelo mato!... 

Em resumo, aquele “oásis” com que podíamos contar, já foi tomado pela natureza e, com isso, nos privou de um apoio com que já contávamos.

Seria muito bom que aparecesse alguém com iniciativa hoteleira que pudesse reabrir aquele ícone do tirsmo da Guiné-Bissau que tanta falta nos faz…

Ficamos a aguardar por melhores dias… Seguem algumas fotos do “hoje” e do “ontem”…

(Revisão / fixação de texto, título: LG)


2. A Pousada do Saltinho - Caça e Pesca (também conhecida em 2008 como "Clube de Caça") pertence/pertencia a (ou é/era explorada por) uma empresa portuguesa, com sede em Loures, ACP - Artigos de Caça e Pesca Lda. O seu "site" já não está disponível (fomos recuperálo attarvésw do Arquivo.pt)


Não sabemos a história desta unidade hoteleira, que ocupou e recuperou as antigas instalações militares do Saltinho, e por onde passaram subunidades como a CCAÇ 2406, o Pel Caç Nat 53 (do nosso Paulo Salganho), a CCAÇ 2701, a CCAÇ 3490... 

Contactámos, hoje de manhã,  a empresa ACP - Artigos de Caça e Pesca, Lda. A resposta que nos foi  dada é que a gerência quer reabrir a Pousada do Saltinho lá para fevereiro de 2026...A pessoa com quem falei, confirmou que as instalações estar com um ar de abandono, ams o sequipamentios (ar condicionado, etc.) estão operacionais... Oxalá que sim.

No antigo "site", podia ler-se que "em 1997 a empresa foi constituída, dando seguimento ao que muitos já conheciam por Espingardaria de Loures, Loja de Comércio de Artigos de Caça, fundada por Fernando Caetano em 1981."







Pelo vi na sua página, a Pousada está aberta no tempo seco (entre 1 de fevereiro e 30 de junho). Reproduz-se abaixo o texto promocional (a título meramente informatrivo):


Entre 1 de Fevereiro e 30 de Junho venha caçar connosco!


A POUSADA DO SALTINHO, unidade Hoteleira situada a sul de Guiné Bissau a 50m do Rio Curbal (sic), onde se pode desfrutar de um ambiente calmo e paradisíaco, com Quedas de Água onde se pratica o Jakusi (sic) natural e se desfruta de uma paisagem deslumbrante com todos os atributos que caracterizam o Continente Africano.

Este complexo foi criado para que todas as expectativas dos nossos visitantes sejam correspondidas e o tempo passado na Pousada provoque o desejo de regressar.

Nesta Pousada contamos com habitações equipadas de casa de banho e ar condicionado, restaurante (com refeições típicas do País e típicas da cozinha portuguesa), Bar e esplanada com serviço de Bar.

Actividdes (Passeios e caçadas)

Passeio Fotográfico

Passeio fotográfico onde se poderá ver várias espécies de animais como os flamingos, piriquitos e muitas outras espécies em estado selvagem, sempre acompanhado de um fundo paisagístico fascinante. A cultura e o conhecimento de cada visitante é engradecido ao contactar com os Nativos e conhecer diferentes Etnias e formas de vida muito próprias.Pesca

Para os amantes da pesca, propomos jornadas de pesca tanto no Rio Curbal, como no Rio Grande de Buba e a mais fascinante oportunidade de pescar no Mar dos Bijagos onde se pode pescar entre outras espécies:
  • Lírios
  • Garopas
  • Barracudas
  • Espadartes
  • Pargos

Os transportes são assegurados em veículos todo-o-terreno e todos os grupos são livres de expôr as suas ideias relativamente à vontade de conhecer ou recordar, sendo devidamente acompanhados nas suas visitas.

Caça menor:

Propomo-nos a efectuar jornadas de caça memoráveis.
  • Rolas (diferentes tipos)
  • Chocas "Perdizes"
  • Pombos verdes

Caça Maior:

Caça maior de perseguição com guia qualificado que tem como principais presas:
  • Gazelas
  • Hienas
  • Fococheros
  • Porcos Espinhos
  • Cabras de Mato
  • Lebres
(Não há indicação de preços)

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 16 de agosto de 2025> Guiné 61/74 - P27123: As nossas geografias emocionais (57): EUA, Flórida, Key West: passei à porta do José Belo, meu camarada (António Graça de Abreu, Cascais)

domingo, 14 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27217: Facebook...ando (94): João de Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351 (1972/74): um "Tigre de Cumbijã", de corpo e alma - Parte XI: Pescadores do rio Grande de Buba, ao amanhecer






Guiné-Bissau > Região de Quínara > Buba > Maio de 2025 > "Ao amanhecer em Buba, registei a chegada de pescadores, vindos da sua labuta"


Foto (e legenda): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Na sua viagem, em maio passado, de Bissau a Cumbijã, no sul, na região de Tombali, o nosso grão-tabanqueiro João Melo, passou por várias das nossas geografias emocionais... E fotografou esses lugares (Bissau, Quinhamel, Bula, Susana, Cacheu, Bambadinca, Saltinho, Buba, Mampatá, Cumbijã...).

Temos procurado, com a sua autorização, fazer uma seleção das suas melhores imagens publicadas na página do seu Facebook. Ele tornou-se um grande conhecedor e um excelente cicerone da atual Guiné-Bissau. Esta foto que acima publicamos, é de uma grande beleza. É a (e)terna Guiné que conhecemos há 50/60 anos.

Recorde-se que o João Melo (ou João Reis de Melo) foi 1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74).  É profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha. Integra a Tabanca Grande desde 2009.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27202: Facebook...ando (93): João de Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351 (1972/74): um "Tigre de Cumbijã", de corpo e alma - Parte X: Fortaleza da Amura, hoje Museu Militar da Luta de Libertação Nacional e sede do Quartel General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.



Foto nº 1 > Bissau >  Fortaleza da Amura > Área envolvente dos mausoléus


Foto nº 2 > Bissau > Fortaleza da Amura > Parada do antigo QG/CCFAG (Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné).. Dos lados esquerdo e direito, eram as famosas 4 Rep (Repartições)...


Foto nº 3 > Bissau > Fortaleza da Amura > Ao fundo, e sob os centenários poilões, os mausoléus dos heróis da liberdade da Pátria...


Foto nº 4 > Bissau > Fortaleza da Amura > Trecho de muralha exterior, um velho canhão e um poilão


Foto nº 5 > Bissau > Fortaleza da Amura > Mausoléu de Amílcar Cabral (1924-1973)


Foto nº 6 > Bissau > Fortaleza da Amura > Placa alusiva à inauguração, depois de reabilitada, da "nova" Fortaleza da Amura, sede atual  do EMGFA.


Guiné-Bissau > Bissau > Fortaleza da Amura >  Maio de 2025

Fotos (e legendas): © João de Melo (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




João Melo (ou João Reis de Melo), ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351, "Os Tigres do Cumbijã" (Cumbijã, 1972/74):

(i) é profissional de seguros, vive em Alquerubim, Albergaria-a-Velha;

(ii) viaja regularmente, desde 2017, para a Guiné-Bissau, em "turismo de saudade e de solidariedade" (em que distribui material pelas escolas de Cumbijã, e apoia também, mais recentemente, o clube de futebol local);

(iii) regressou, há pouco mais de 3 meses,  da sua viagem deste ano de 2025;

(iv) tem página no Facebook (João Reis Melo);

(vi) tem mais de duas dezenas e meia de referências no nosso blogue para o qual entrou em 1 de março de 2009.

1. Na sua viagem, em maio passado, de Bissau a Cumbijã, no sul, na região de Tombali, o nosso grão-tabanqueiro João Melo, passou por várias das nossas geografias emocionais... E fotografou esses lugares (Bissau, Quinhamel, Bula, Susana, Cacheu, Bambadinca, Saltinho, Buba, Mampatá, Cumbijã...).

Temos procurado, com a sua autorização, fazer uma seleção das suas melhores imagens. Ele tornou-se um grande conhecedor e um excelente cicerone da atual Guiné-Bissau.

Uma das visitas (demoradas) que fez,  foi  à Fortaleza de São José da Amura  


2. Excerto da página do Facebook do João Reis Melo, postagem de 18 de agosto de 2025, 13:14 (*):

"Retalhos de uma passagem pela Guiné.

Ainda, e sempre, a bela Fortaleza de São José de Amura em Bissau  (**). Hoje, Museu Militar da Luta de Libertação Nacional e também sede do Quartel General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Esta minha última visita em Maio passado, ficou registada com mais de duas centenas de fotos e vídeos. 

Hoje, destaco a parte envolvente aos mausoléus que veneram os seus heróis nacionais da luta de libertação que têm como seu primeiro representante Amílcar Cabral."

(Revisão / fixação de texto: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 7 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27098: Facebook...ando (92): João de Melo, ex-1º cabo op cripto, CCAV 8351 (1972/74): um "Tigre de Cumbijã", de corpo e alma - Parte IX: Praça Che Guevara (antiga Praça Honório Barreto)

 (**)  Sinopse da história da fortaleza da Amura:


(i) Origens e construção inicial

No final do século XVII, a presença francesa na Guine (hoje Guiné-Bissau)  intensificou-se com a Companhia do Senegal, especializada no tráfico de escravos. Face á ameaça, o capitão-mor do Cacheu, António de Barros Bezerra, informou o rei português, em 1687, sobre as pretensões francesas de erguer uma fortificação em Bissau. Com apoio local, conseguiu impedir esse avanço.

Em 1696, sob comando do capitão-mor José Pinheiro, começou-se a erguer uma fortificação portuguesa. O projeto encontrava-se em dificuldades, pelo que teve de negociar com o rei local para assegurar o terreno.

No entanto, após a não renovação do contrato da Companhia de Cabo Verde e Cacheu em 1703, a capitania foi abandonada em 1707 e a fortificação anterior acabou por ser foi destruída. 

(ii) Reconstruções e remodelações

A fortaleza atual foi reconstruída em novembro de 1753, baseada num projeto de Frei Manuel de Vinhais Sarmento. 

Posteriormente, em 1766, o Coronel Manuel Germano da Mota introduziu alterações no traçado.

Entre 1858 e 1860, houve novos reparos sob a liderança do capitão e engenheiro militar Januário Correia de Almeida .

No século XX, a partir da década de 1970, foi restaurada pelo arquiteto Luís Benavente; a estrutura que vemos hoje é fruto dessa intervenção.
 
(iii) Funções atuais e valor simbólico

A fortaleza possui planta quadrangular em estilo Vauban, com baluartes pentagonais e 38 aberturas para canhões.

 Internamente, albergava a Casa de Comando, quartéis e armazéns;  além disso, havia uma paliçada que ligava a fortaleza a um pequeno forte costeiro com duas peças de artilharia.

Após a independência, em 1974, a Fortaleza passou a ser sede das forças armadas guineenses. Acolhe, além disso,  o Museu Militar da Luta de Libertação Nacional e o Mausoléu de Amílcar Cabral.
 
Diversos heróis da independência nacional estão lá sepultados incluindo Amílcar Cabral (1975), Francisco Mendes, Osvaldo Vieira, Titina Silá, entre outros.

A DW também confirma que ali se encontram os restos mortais de nomes emblemáticos como Amílcar Cabral, Francisco Mendes, Osvaldo Vieira e Titina Silá.
  
(iv) Em resumo:
 
Ontem (ou seja, em termos históricos): a fortaleza foi edificada como defesa contra potências coloniais rivais (principalmente francesas), reconstruída várias vezes ao longo dos séculos XVIII a XX, desempenhando um papel militar e estratégico desde as origens da colonização portuguesa.

Hoje, já na Guiné-Bissau independente: a  fortificação está em boas condições e aberta ao público.
 
Serve como símbolo nacional tanto na preservação da memória militar quanto na homenagem aos fundadores da independência, através do museu e do mausoléu.

Além do caráter memorial, é uma ponte com o passado colonial português e um marco patrimonial a ser preservado.

Fontes: 
Ang |  commons.m.wikimedia.org | Deutsche Welle | TripGrab | Wikipedia (en) | Wikipedia (es) |  Wikipédia  (pt) | 

(Pesquisa: LG | Assistente de IA / ChatGPT)

(Revisão / fixação de texto: LG)