Cachupa ... Um dos ícones de Cabo Verde. Com a morna, a coladera, a Cesária Évora... E o mar, azul, claro: "O retângulo azul da
bandeira simboliza o espaço infinito do mar e céu que envolve as ilhas. As faixas, o caminho da construção do país. O branco, a paz que se quer. O vermelho, o nosso esforço. As estrelas, as dez ilhas que compõem o arquipélago"
Há anos que eu não comia uma "cachupa" de Cabo Verde... Rica. Fui à Kasa Crioula, ali em Carnide, Lisboa, com a malta da tertúlia da "chef" Alice... Colegas dela. E até arrisquei (!) fazer uns versinhos, em crioulo, de homenagem à cachupa e aos presentes... Chamei-lhe a "Catucha di Tabanka Grandi"... Espero que os meus amigos cabo-verdianos me desculpem este crioulo aportuguesado (destilado, depois de meia dúzia de versões)... Não é "armar ao pingarelho"... Há aqui apenas amor, afeto, ternura pela terra e gentes de Cabo Verde. E a sua cultura. E a sua história. E tudo os que nos liga. Há morabeza. Há morna. Há coladera. Há lusofonia. Há saudade.
Isso já é meio pedido de desculpa pelo atrevimento. Conheço uns rudimentos de crioulo. Estou a aprendser. Gostaria de poder falar. Claro que tive uma ajuda da IA (ou de várias ferramentas de IA). Mas o que importa é a intenção.
Esta tertúlia é de malta, reformada, do Ministério da Agricultura e Pescas (que eu não sei se ainda existe com o desmantelamento progressivo do "aparelho de Estado" português, em todos os sectores, da saúde ao ambiente). São sobretudo mulheres, os homens estão em minoria. Encontram-se de mês a mês, num restaurante, popular, da cidade. E têm sempre um tema "literário" ou "filosófico" para servir, no fim da refeição, como "sobremesa cultural"... Procuram manter-se ativos, proativos, vivos e saudáveis. Gostam de conviver. Conhecem África. Alguns nasceram lá, outros viveram e trabalharam lá: são quase todos quadros médios e superiores... Um parte foram retornados,. Há gente de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, e até de Goa, do tempo em que Portugal ia do Minho a Timor. Eu às vezes apareço. Tiro umas fotos. Faço uns versos. Participo.
Catchupa di Tabanka Grandi
Bô ma, fidju di Guiné,
Casada ku Manel di Angola,
Piedade di Moçambique,
Marília, Fernanda, nha kriola.
Bia di Portugal, Emília, Alice,
Gentis di Ministério, retornadu,
Na tabanka grandi, mesa sta posta,
Catchupa kenti, tudu misturadu.
Catchupa é fidju di tera,
Ku midju, fexon, tchouriçu,
Batata, karni na panela,
Amor ki ta brilha na lus.
É vida inteiru na pratu,
É luta, é fé, é kruz,
É memória di nos povu,
É speransa ki ta benha ku lus.
Teixeira da Cruz, nos amigu,
Africanista sabi sabi,
Tabanka txora bu partida,
Ma bu lugar sta li, na nos kabesa i na nos sabi.
Tabanka, ô Tabanka,
Tera di amor i união,
Catchupa ta fervê na panela,
É nos revoluson!
(LG + IA generativa)
Página do Facebook > Kasa Crioula - Cozinha by Chef Fátima Moreno ; "um projeto que celebra a rica tradição lusófona, com especial foco nas cozinhas cabo-verdiana e portuguesa". Fica em Carnide, R Guiomar Torresão 128, 1500-425 Lisboa (junto ao Metro de Carnide).
O restaurante funciona na sede da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde, muitos dos quais passaram pelo antigo liceu nacional Infante Dom Henrique e depois Liceu Gil Eanes, na época colonial, e por onde passou a elite crioula (incluindo o Amílcar Cabral).
Lisboa > Carnide > Restaurante Cabo Verde > Decoração (excerto) > Réplica em papel de parede, "Ronca Baxon, 2018. Autor: Luís Levy Lima. Técnica: acrílico sobre tela, 90 x 90 cm. Propriedade: Manuel Gomes dos Anjos & Filhos, SA, Praia, Santiago, Cabo Verde.
Em relação a Cabo Verde, eu também gosto de lembrar que Portugal foi, no passado, Pai Tirano e Madastra, hoje felizmente Irmão, mais velho. Carlos Filipe Gonçalves, Kalu Nhô Roque, explica lá à gente de Lisboa o que é o "Ronca Baxon"... Batuque, penso eu, a dança mais antiga das ilhas,o ADN de África...
Cabo Verde > Mindelo, Baía Grande e Monte Cara.
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo
Cabo Verde > Mindelo > Liceu Gil Eanes.
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo
Foto (pormenor) de quadro disponível nas paredes da Kasa Crioulo
(...) A sua maior vitória política foi a Lei n.º 701, que criou o Liceu Nacional de Cabo Verde, com o nome, Infante D. Henrique. que, mais tarde, tomou o nome de Gil Eanes. Durante quatro anos, Vera-Cruz lutou contra o desinteresse da metrópole. Por saber o que era a falta de estudos na pele, ele não descansou até ver a lei aprovada em 1917. E o seu gesto de desprendimento foi total: cedeu o seu próprio palacete no Mindelo para que as aulas pudessem começar. Sem o seu "Senador", Cabo Verde teria demorado décadas a formar a sua elite intelectual. (...).
Fotos e legendas : Luís Graça (2026)
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Nota do editor LG: