Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amizade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27768: Paz & Guerra: memórias de um Tigre do Cumbijã (Joaquim Costa, ex-Furriel mil arm pes inf, CCAV 8351, 1972/74) - Parte XXIX: amigos, camaradas e "camarigos"


Gondomar > Biblioteca Municipal > 9 de novembro de 2024 > Sessão de apresentação do livro "Crónicas de Paz e Guerra" (Rio Tinto, Lugar da Palavra Editora, 2024, 221 pp.)

Três tigres do Cumbijã, três amigos, três camaradas, três camarigos: ao centro, o Joaquim Costa, o autor do livro, ex-fur mil da CCAV 8351 (Cumbijã, 1973/74); à esquerda, o João Melo, ex-1º cabo cripto; à direita, o Mendes (que veio de propósito da zona onde vive, na Serra da Estrela); um quarto "tigre", o Gouveia, não ficou nesta foto...




Viana do Castelo > 2009 > "Foi com uma alegria imensa que organizei um dos encontros dos Tigres do Cumbijã, na linda cidade de Viana do Castelo,  com visita e missa em Santa Luzia e o repasto abrilhantado pelo Rancho Folclórico de Perre".

Fotos (e legendas) © Joaquim Costa (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné 61/74 - P27354: Paz & Guerra: memórias de um Tigre do Cumbijã (Joaquim Costa, ex-furriel mil arm pes inf, CCAV 8351, 1972/74) - Parte XXIX:  

Amigos, camaradas e  "camarigos"

Diz o povo, com a sua sabedoria: que amigos são a família que escolhemos. Dizia a minha saudosa Isabel que “os amigos são flores que florescem no jardim da vida”

Não podia estar mais de acordo. Ao longo de toda esta minha caminhada, de norte a sul do país (a minha nacional n.º 2) muitas amizades criei e mantenho, porque cuidadas como as flores do jardim.

Mas o que me traz aqui hoje não são os meus amigos mas sim os meus “camarigos”. Todos os dias nos entra em casa, através dos órgãos de comunicação social, relatos que me entristecem, pela forma como os ex-combatentes são "esquecidos" (para ser simpático) pelo poder político e pela dita sociedade civil, ou são "apresentados" pela comunicação social;

(i) porque entopem os Centros de Saúde e Hospitais (alguns com alta mas ali ficam já que ninguém aparece para os levar); 

(ii) como "sem-abrigo", escorraçados pelos comerciantes pela manhá,  já que dormem durante a noite junto da suas montras; 

(iii) e até como suspeitos ou  acusados de serem  os principais responsáveis pelos incêndios de verão.

A Guerra acabou, mas para muitos dos ex-combatentes, apanhados nas malhas do stress pós- traumático, dela nunca saíram transformando a sua vida e a das sua famílias num inferno, com as consequências já referidas.

Para muitos destes ex-combatentes o seu único porto de abrigo são os seus camaradas dos tempos de guerra que, dentro das suas possibilidades, lhes fazem visitas regulares e os ajudam como podem.

Não sei explicar (deixo essa tarefa para os especialistas) mas de todas as amizades, as que se criaram durante os dois de anos guerra ultrapassam os limites do compreensível.

Já várias vezes me aconteceu num passeio de fim de tarde passar por um amigo que se encontra num grupo familiar, que por respeito cumprimento fugazmente ou com um simples gesto.

Se por um acaso esse amigo for um meu antigo companheiro guerra, sai do grupo, abraça-me quase ao sufoco e diz aos familiares: “Vão indo, que eu já vou lá ter”... Com um mensageiro, chegando uma hora depois, a dizer que está na hora de partir! 

Não tem explicação.

Há dias (ou será regularmente!?) passei pelo programa mais visto da RTP1 ("Preço Certo") e vejo um velho a desejar beijos aos familiares e amigos e um efusivo abraço aos seus companheiros da guerra no ultramar com as lágrimas a correr-lhe pelas faces tisnadas e mostrando orgulhosamente a sua boina de militar com  o crachá da sua companhia.

Aos nossos amigos perdoamos qualquer arrufo, mas não esquecemos. Aos amigos da guerra não perdoamos, porque simplesmente esquecemos, limpamos da memória.

Uma vez esquecidos por quem tinha o dever de cuidar, vamos cuidando uns dos outros, criando blogues (do qual destaco o  “Luís Graça & Camaradas da Guiné” no qual participo regularmente), criando “Tabancas” (grupos de ex-combatentes da mesma região com encontros, almoços ou jantares quase todos os meses).

Mas o que nunca pode faltar é o encontro anual que todas as companhias promovem. Podem crer que,  para todos os ex-combatentes, a seguir ao casamento de um filho, é a festa mais esperada, capaz de fazer alterar a data do casamento já que é impensável faltar ao encontro dos camaradas de guerra.

Eu só faltei a um encontro por causa de um casamento, embora tentasse mudar a data, sem sucesso.

A minha companhia é constituída, literalmente, por elementos de todo o país, do Alto Minho ao Algarve, pelo que os encontros percorrem também todas as regiões em função de quem organiza.

Todos os organizadores primam por nos dar um cheirinho da sua região, particularmente no prato escolhido para o repasto.

Foi com uma alegria imensa que organizei um destes encontros na linda cidade de Viana do Castelo, no ano de 2009, com visita e missa em Santa Luzia e o repasto abrilhantado pelo Rancho Folclórico de Perre.

Estes encontros não são só um almoço de amigos, são um dia de festa, que começa pelas 8 da manhã e termina já noite. Depois das apresentações, segue-se a obrigatória missa onde lembramos os camaradas mortos em combate bem como todos os que a vida já levou. É sempre um momento muito emotivo.

Depois segue-se a festa, contando as mesmas histórias de sempre pele enésima vez mas com o entusiasmo como que fosse a primeira

Contudo, estes encontros já não são só o encontro anual dos ex-combatentes, mas também das suas famílias já que dela fazem parte as esposas, os filhos, os netos e já alguns bisnetos. Os familiares chegam a ultrapassam os 70% dos presentes. 

Não há explicação!


Um forte abraço para todos os "camarigos"  (camarada + amigo).

(Revisão / fixação de texto, título: LG)

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

1. Mensagem de 12 de Fevereiro de 2026 do nosso camarada João Crisóstomo, colaborador permanente, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67); relações externas na diáspora lusófona; natural de Torres Vedras; luso-americano que vive em Nova Iorque desde 1977; ativista social, conhecido por causas como Foz Côa, Timor Leste, Aristides Sousa Mendes:

Caro Luís Graca,

O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o dia dos namorados”, é o ‘Dia da amizade”: uma ocasião para contactar os meus amigos, fomentar amizades presentes ou mesmo passadas que precisam de ser alimentadas para não caírem no esquecimento. Amigos e boas amizades são o melhor que a vida me tem proporcionado; e eu quero que eles saibam da minha satisfação em os ter como amigos e da minha gratidão pela amizade que me têm concedido.

Com isto em mente, tentando contactar os nossos camaradas, fiz dezenas de telefonemas para os quatro cantos do mundo, da Holanda ao Canadá, mas mais uma vez com pouco sucesso que, parece, poucos são os que ainda apanham o telefone. Mas mesmo assim valeu a pena: se de alguns já só consegui saber notícias através de familiares, com outros foi uma alegria falar "ao vivo” com o Freitas na ilha da Madeira, o Henrique Matos no Algarve e alguns outros que me deram o prazer de dois minutos para, relembrando coisas, matar as muitas saudades dos tempos em que vivemos juntos. De outros, como do Cherno Baldé, recebi uma resposta que me encheu de alegria. Até o seu número de telefone me enviou! Se ir novamente à Guiné-Bissau não me parece ser mais possível concretizar, vou pelo menos tentar falar com ele um dia destes.

Se quiseres aproveitar algo disto (cortando e editando como achares pertinente)… que este é acima de tudo para "dar sinal de vida" e enviar aos nossos camaradas o abraço virtual que não posso dar pessoalmente. A todos os que lerem este… de coração um grande abraço.

Aliás parece-me que esta esta idéia de chamar “Dia da Amizade” a este dia não é de todo despropositado: "Thank you very much for your kind message in anticipation of February 14, as the Day of friendship”, foi parte da resposta do Sr. Arcebispo Gabriele Caccia, Representante do Vaticano nas Nações Unidas, a quem eu enviei uma mensagem. O facto de Sua Excelência mencionar "February 14, as the “Day of friendship” foi para mim quase um "reconhecimento oficial”…

No que pessoalmente nos diz respeito… não nos podemos queixar: embora sem a força e energia que no passado nos tem proporcionado eventos de maior amplitude, continuamos fazendo o que está ao nosso alcance. Como te disse,  a Vilma e eu fomos no dia 10 ajudar a celebrar (embora com alguma antecipação) o que eu chamo "Dia da Amizade” em vez de ‘dia dos namorados” para abranger toda a gente, mesmo que não tenham nenhuns “valentinos" nas suas vidas, aos “seniors" da nossa rua.

Entre as muitas fotos/memórias lá apostadas nas paredes, encontrei esta foto que junto, tirada em 2018 no dia em que, com o Rui Chamusco que cá estava na ocasião, fomos celebrar o Natal desse ano. As outras fotos foram tiradas neste dia. Como podes ver, a Vilma foi imediatamente absorvida e dominada pelo seu espírito de artista, e sentando-se numa das mesas juntou-se logo aos “seniors" que neste dia participavam numa sessão de arte dedicada à pintura…

Bom, já chega por hoje. Vou tentar mais alguns telefones…
Para ti, Alice, e teus queridos um bem apertado…
dos João e Vilma

_____________

Nota do editor

Último post da série de 24 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27667: Efemérides (382): Conforme noticiado oportunamente, os nossos amigos e camaradas, Luís Graça e José Marcelino Martins, foram agraciados, respectivamente, com a Medalha de Honra ao Mérito da Liga dos Combatentes (grau Ouro) e Medalha de Honra ao Mérito (grau Prata), durante as Cerimónias comemorativas do 107.º aniversário do Armístício da Grande Guerra e 51.º aniversário do fim da Guerra do Ultramar

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27292: Viagens à Guiné-Bissau: Amizade e Solidariedade (Armando Oliveira e Ricardo Abreu) (2): As hortas do Ricardo Abreu (Aníbal Silva, ex-Fur Mil Vagomestre)

1. Em mensagem de 30 de Setembro de 2025, o nosso camarada Aníbal José Soares da Silva, ex-Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483 / BCAV 2867 (Nova Sintra e Tite, 1969/70), enviou-nos mais um trabalho referente às viagens de amizade e solidariedade à Guiné-Bissau.


VIAGENS À GUINÉ BISSAU: AMIZADE E SOLIDARIEADE

II - AS HORTAS DO RICARDO ABREU

O Ricardo Abreu, ex-militar, sapador de minas e armadilhas da CCS do BART 6520/72, tem um orgulho enorme nos produtos da terra, que cultiva na sua horta e quintal, situada na freguesia de Canidelo-Gaia.

Nas seis viagens que já fez à Guiné (1999 a 2024), como não podia tratar do seu quintal e para não perder o hábito, abriu uma sucursal na Guiné e criou duas hortas. Uma em Tite, junto à estrada que vai para Bissássema, onde ensina os jovens da escola da Missão Católica a fazer sementeiras e a cultivar hortaliças, que depois são consumidas na cozinha da Missão. A outra localiza-se em Bissau nas imediações do Restaurante Machado, propriedade da D. Teresa (foto 4), a quem presta o mesmo voluntariado que em Tite. Em cada viagem que faz à Guiné, o Ricardo leva novas sementes para renovar o stock.

Comparando as fotografias, as de Bissau tiradas no ano 2010 e as de Tite em 2024, verifica-se que a horta desta última é mais modesta que a da D. Teresa de Bissau.

É pena que o rio Geba não possa contribuir com as algas que o Ricardo costuma utilizar para adubar as suas terras, em Canidelo-Gaia, de modo a aumentar a produção e qualidade dos produtos semeados em Tite.

O Ricardo e as suas algas

HORTA DE BISSAU

HORTA DE TITE
(continua)
_____________

Nota do autor

Último post da série de 30 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27272: Viagens à Guiné-Bissau: Amizade e Solidariedade (Armando Oliveira e Ricardo Abreu) (1): Missão Católica e Hospital de Tite (Aníbal Silva, ex-Fur Mil Vagomestre)

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27272: Viagens à Guiné-Bissau: Amizade e Solidariedade (Armando Oliveira e Ricardo Abreu) (1): Missão Católica e Hospital de Tite (Aníbal Silva, ex-Fur Mil Vagomestre)

1. Mensagem do nosso camarada Aníbal José Soares da Silva, ex-Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483 / BCAV 2867 (Nova Sintra e Tite, 1969/70), com data de 26 de Setembro de 2025:

Caríssimo Carlos Vinhal
Estou de volta, desta vez para dar a conhecer as viagens à Guiné realizadas por dois camaradas, o Armando Oliveira e o Ricardo Abreu, que pertenceram ao BART 6520/72, 3.ª Companhia e CCS, respetivamente.

Um forte abraço
Aníbal Silva



VIAGENS À GUINÉ-BISSAU: AMIZADE E SOLIDARIEDADE

Os camaradas, Ricardo Abreu e Armando Oliveira, ex-militares do BART 6520/72, pertenceram à CCS sediada em Tite e à 3.ª Companhia sediada em Fulacunda, respetivamente.
O Armando é sobejamente conhecido deste Blogue, com 14 publicações, sendo o Tertuliano n.º 901.
O Ricardo, nascido no dia 19 de Maio de 1950 na freguesia de Arcozelo – Gaia e a residir em Canidelo – Gaia, foi soldado sapador de minas e armadilhas.

Estes amigos têm em comum o facto de já terem feito várias viagens à Guiné, em visita às populações das localidades onde fizeram o serviço militar, às quais fizeram entrega de muitas e diversas dádivas, angariadas ao longo dos meses anteriores às viagens, tais como: livros, cadernos e material escolar; bolas e equipamentos desportivos; bonés e t-shirts e sobretudo medicamentos, etc., etc.

O Ricardo foi pela primeira vez à Guiné em 1999 e depois em 2010 e 2015. Na companhia do Armando voltou nos anos de 2017, 2019 e 2024.
Nessas viagens fizeram alguns vídeos e tiraram umas largas centenas de fotografias, que vou passar a partilhar no nosso Blogue, devidamente autorizado pelos autores.



I - MISSÃO CATÓLICA E HOSPITAL DE TITE

Fotografias de 2015 – 2017
A Missão Católica “S. Pedro Apóstolo de Tite” é uma presença da Igreja Missionária no sul da Guiné, pertencente à Diocese de Bafatá, que atua em três frentes principais. Evangelização, com o anúncio da palavra de Deus e catequese; Educação, através de escolas rurais que oferecem refeições a 150 alunos; e Saúde, com a oferta de cuidados médicos e apoio a doenças como o HIV e tuberculose. A Missão mantida por Congregações e Instituições Brasileiras, busca o desenvolvimento social e espiritual da população local, num total de dez tabancas de etenia Balanta, que vivem em condições de grande pobreza.
Foto de família dos “Missionários” de março de 2014, com o Padre Lúcio e o Bispo de Bafatá, D. Carlos Zili, falecido aquando do Covid, bem conhecidos do Ricardo e do Armando.
Ricardo Abreu na abertura de uma mala com dádivas
Medicamentos e outros artigos
Armando, Ricardo, Padre Lúcio e uma enfermeira
Enfermarias
Sala de tratamentos
Ricardo e Armando com os jovens da equipa da Missão Católica, com equipamento oferecido pela Junta de Freguesia de Arcozelo-Gaia. Igual equipamento foi entregue na Tabanca de Nova Sintra
Igreja de Tite
Armando, Guedes, D. Carlos Zili (Bispo de Bafatá), Ricardo e Padre Lúcio
Procissão do Dia de Ramos de 2017
Almoços na Missão Católica de Tite

(continua)
_____________

terça-feira, 17 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26930: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (16): Para recordar; Quadro de Honra; Feridos em combate e Outros que serão sempre lembrados

CCAV 2483 / BCAV 2867 - CAVALEIROS DE NOVA SINTRA
GUINÉ, 1969/70


VIVÊNCIAS EM NOVA SINTRA

POR ANÍBAL JOSÉ DA SILVA


49 - PARA RECORDAR

A amizade entre todos era forte e sincera, que ainda hoje perdura. Mas dada a maior convivência destaco:

- Furriel Jardim, um bom amigo, conversador e conselheiro.
- Furriel Lima e Furriel Oliveira Miranda, os irmãos metralha, sempre pegados como o cão e o gato, mas bons amigos.
- Furriel Baeta, autêntico computador à época, grande memória pois sabia de cor algumas dezenas de números mecanográficos. Passados vinte anos num convívio perguntei-lhe se sabia o meu, tendo respondido de pronto 06026567 e é mesmo.
- Furriel Bettencourt, mais do que enfermeiro foi o médico que nunca tivemos.
- Furriel Brito, o nosso fotógrafo e DJ no quarto de Tite.
- Soldado Xabregas, espirituoso e sempre bem disposto e o poeta que escreveu a letra da marcha de Nova Sintra que começava assim:

Defendemos Nova Sintra
com muito orgulho e altivez
pertencemos à companhias
que é a dois quatro oitem e três
Furs Mil Jardim e Aníbal
Furs Mil Aníbal e Brito
Furs Mil Baeta e Miranda
Cap Bernardo; Lima; Ludovico; Aníbal e Lopes
Capitão Bernardo
Furs Mil Aníbal e Bettencourt

Obviamente não posso deixar de referir o capitão Bernardo, o nosso chefe, amigo de toda a gente, grande condutor de homens, cuja perda prematura foi muito sentida. Jamais esquecerei uma das suas palavras de ordem “à falta de meios avança a imaginação


50 - QUADRO DE HONRA

****** Aqueles que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando ******

24 de Julho de 1969 - Soldado José Pedroso de Almeida
24 de Julho de 1969 - Soldado Adelino Sousa Santos
04 de Agosto de 1969 - Soldado Domingos Conceição Verdades Ventinhas
17 de Novembro 1969 - 1.º Cabo José Maria Lomba
17 de Novembro 1969 - Soldado António Abrantes do Couto


51 - FERIDOS EM COMBATE

Cap Cav - Joaquim Manuel Correia Bernardo, em 11/07/69
Fur Mil - José Joaquim Oliveira Miranda, em 24/07/69
Fur Mil - Aníbal José Soares da Silva, em 04/08/69
Fur Mil - Fernando José Barriga Vieira, em 17/11/69
1.º Cabo - Manuel João
Soldado - Isidoro Soares Machado
Soldado - Gabriel Matias dos Santos, em 17/11/69
Soldado - António Augusto Soares Poupada, em 17/11/69
Soldado - Leonel Jorge Pascoal Germano, em 17/11/69
Soldado - Joaquim Marques Batista, em 17/11/69
Soldado - José Maria Silva Soares



52 - OUTROS QUE SERÃO SEMPRE LEMBRADOS

E que entretanto faleceram, após o regresso a casa:

1.º Sargento Josué Júlio Monteiro Ludovico
2.º Sargento José Fidalgo Canaveira
Fur Mil Alberto Augusto Ramos P. Azevedo
Fur Mil José Santos Moreira
Fur Mil Jorge Manuel Frazão Damaso
1.º Cabo Artur Oliveira Soares
1.º Cabo Gregório João Revés
1.º Cabo José Correia
1.º Cabo José Manuel Chambrinho Braz
1.º Cabo Rogélio Carlos Cipriano
1.º Cabo Sérgio Alves Pereira
Soldado Amândio Alves Amaral
Soldado António Francisco Soares
Soldado António Jesus Garcia
Soldado António Augusto Fernandes Poupada
Soldado Carlos Alberto Neves Lourenço
Soldado Fernando Jacinto da Silva
Soldado Gustavo Liz Castro
Soldado João Henrique Martins Boleto
Soldado Joaquim Marques Batista
Soldado José Augusto Batista Rodrigues
Soldado José Guerreiro Estevans
Soldado José Joaquim Alves Cruz
Soldado Leonel Jorge Pascoal Germano
Soldado Manuel Gouveia de Oliveira (Xabregas)

ARCOZELO – GAIA, 01 de JUNHO DE 2020


(FIM)
_____________

Nota do editor

Vd. posts da série de:


4 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26551: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (1) Formação do BCAV 2867 - Partida para a Guiné e Chegada a Bissau

11 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26573: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (2): Partida para Nova Sintra - Chegada a Nova Sintra - Em Nova Sintra

18 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26595: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (3): A Alimentação

25 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26615: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (4): Cantina - Encontros em Bissau e Entretenimento

1 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26636: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (5): Jogos de futebol e voleibol - Natal e Fim de Ano de 1969 e Hotel Miramar e Pensão Xantra

8 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26664: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (6): Pelotão de Caçadores Nativos 56 - Primeira vez debaixo de fogo e Emboscada virtual

15 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26692: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (7): Coluna de Reabastecimento a S. João - Coluna a S. João em 08/12/69 e Colunas de reabastecimento a Lala

22 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26714: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (8): O gerador; O bezerro; Os cães e a raiva; As botas trocadas; As abelhas e As rolas

29 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26743: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (9): Messe de sargentos; O Correio; A Enfermagem; As Transmissões e A Ferrugem

6 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26770: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (10): Os grandes azares; Insensatez; O ronco; Caso do Furriel Moreira e Chuveiro do abrigo dos Morteiros

13 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26796: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (11): Uma jóia de criança; A Tombó; Abutres e pelicanos e As larvas de asa branca

20 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26820: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (12): O meu acidente

27 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26852: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (13): Comissão liquidatária e Esferográficas Parker

3 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26878: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (14): Tite, Quarto dos Furriéis e Últimos dias em Bissau
e
10 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26904: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (15): A despedida do Quartel de Brá e o Regresso

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Guiné 71/74 - P26782: (De)Caras (231): O meu "mano" José Pedro Silva, sold, Pel Caç Nat 56 ... Ou a amizade não tem cor (Aníbal Silva, ex-fur mil SAM, vagomestre, CCAV 2483, Nova Sintra e Tite, 1969/70)



Guiné > Região de Quínara > Nova Sintra > CCAV 2483 e Pel Caç Nat 56 > c. 1º semestre de 1969 > Partida de futebol... (Os "manos Silva", Aníbal e Zé Pedro, são os dois militares da ponmta direita, na foto ao alto)



Sobrescrito da carta enviada ao José Aníbal Soares da Silva, fur mil, SPM 5698 (Nova Sintra)


Rementente da carta, José Pedro da Silva, soldado nº 27/0612, SPM 3978 (Bolama)



Carta do José Pedro Silva para o fur mil vagomestre Aníbal Silva:

Transcrição ("ipsis verbis):  

São João, 19 de janeiro de 1970

Inesquecível mano Aníbal:

Em primeiro de tudo desejo-lhe que esta minha
linhas lhe encontra com uma ótima saúde e 
felicidades.

Pois meu querido mano eu juntos
dos meus colegas e amigos do Pelotão, eu vou indo
menos graça a Deus o bom criador do Mundo.

Pois mano, por intermédio des-
tas minhas duas linhas, venho pedir grande fa-
vor de mandar-me oferecer 6 barries vazio, pa-
ra poder arranjar uma coisa, náo te esque-se por 
amor de Deus, por cabeça das suas famílias.

Pode entregar o nosso amigo Oliveira, ou Braz para
me guardar, até quando aparecer culuna para cá.

Mais nada por hoje obrigado,
Recebe abraço forte do seu irmão Zé Pedro.
Dê-me os meus cumprimentos para todos amigos de N. S.


Fotos (e legendas) Fotos (e legenda): © Aníbal Silva  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Mensagem de Aníbal Silva, ex-fur mil SAM, vagomestre, CCAV 2483 (Nova Sintyra e Tite, 1969/70); técnico de seguros, reformad0, vive em Arcozelo, Vila Nova de Gaia:

Data - 08/05/2025, 22:34

Assunto -. A Amizade Não Tem Cor


Caro Luís Graça

No poste  P26664 do dia 8 de Abril (*), fiz referência à enorme empatia que havia entre os militares da minha Companhia (Ccav 2483) e o pessoal do Pelotão de Caçadores Nativos 56.

Foram só três meses de convívio diário, mas suficiente para criar grandes amizades. Em Junho de 1969 o Pel Caç Nat 56 deixou-nos, tendo sido destacados para S. João, distante de Nova Sintra, mais ou menos 18 km e frontal a Bolama. 

Uma das amizades que restou, foi comigo e com o soldado nativo, de seu nome José Pedro da Silva. Como eu era tratado por Silva, o Zé Pedro associou o seu nome ao meu e dizia que eu era seu mano, irmão e também primo. 

Ver em anexo a sua carta de 19 de janeiro de 1970, em que começa com um "Inesquecível Mano" e na qual me pede 6 barris de vinho, obviamente vazios, para fazer cadeiras de baloiço. 

Não me recordo, mas muito provavelmente satisfiz o seu pedido, até porque os amigos são para todas as ocasiões.

Em dezembro de 1970 estava eu em Bissau na Comissão Liquidatária e numa deslocação ao Serviço de Saúde, instalado no Hospital Militar, onde fui resolver um auto relacionado com a enfermagem, ao passar por uma das enfermarias, ouvi chamar aos berros e repetidamente " Ó primo Silva".

Pareceu-me ser a voz do Zé Pedro, aproximei-me e era de facto. Estava internado para ser operado, extração de vários estilhaços que tinha nas costas. Seguiu-se um abraço emocionado. 

Na foto o Zé Pedro é o nativo à direita, junto a mim.

Um abraço de amizade

Aníbal Silva

(Revisão / fixação de texto: LG)

________________

Notas do editor LG:


(*) Vd. poste de 8 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26664: Vivências em Nova Sintra (Aníbal José da Silva, Fur Mil Vagomestre da CCAV 2483/BCAV 2867) (6): Pelotão de Caçadores Nativos 56 - Primeira vez debaixo de fogo e Emboscada virtual

(**) Último poste da série > 8 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26663: (De) caras (230): Dois manos ribatejanos que passaram por Mansabá, o Ernestino e o Nelson Caniço, um alferes e outro furriel, ambos de cavalaria, e hoje médicos