IN MEMORIAM
António José Mendes Matias (1949-2022)
Ex-Sold At Inf da CCAÇ 3305/BCAÇ 3832
Mansoa, 1971/73
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1. Mensagem de Paulo Matias, filho do nosso camarada António José Mendes Matias, com data de 5 de Janeiro de 2026:
Chamo-me Paulo Matias e sou filho de um soldado atirador da CCaç 3305/RI2 (pertencente ao BCac 3832 que esteve em Mansoa) chamado António José Mendes Matias.
Tomei conhecimento deste website através de um amigo meu que o encontrou e me aconselhou a visitar.
Lamento informar, mas o meu pai faleceu em 2/2/2022, vitima de cancro. Ele vivia no lugar de Vide (concelho de Seia).
Gostaria de conhecer histórias desse tempo e partilhar algumas histórias que o meu pai me contava em conversas. Ele tinha muitas vezes reservas em falar destes assuntos e pouco me contava.
Em anexo junto 2 fotos antigas (não sei se foram tiradas em Mansoa ou no quartel de Abrantes antes de embarcar) e 1 atual do meu pai.
Caso pretendam contactar-me ou enviar noticias do vosso blog, utiliem o meu email
Com melhores cumprimentos,
Paulo Matias
Fotos sem data e sem indicação do local
António José Matias, o primeiro a partir da esquerda, de pé
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2. Mensagem enviada ao nosso amigo Paulo Matias no mesmo dia:
Caro Paulo Matias
Muito obrigado pelo seu contacto.
Primeiro que tudo, aceite os nossos sentimentos pela perda do senhor seu pai.
Falando do meu camarada António José Matias, ele ainda foi meu contemporâneo, eu estava cerca de 30 km mais a norte, em Mansabá.
Do batalhão do seu pai, faleceram dois furriéis sapadores em Fevereiro de 1971, pouco tempo após terem chegado à Guiné e a Mansoa. O incidente aconteceu uns quilómetros a norte de Mansabá, quando me encontrava a gozar férias em Portugal. Foi um choque para mim quando regressei e me deram a triste notícia. Mal tive tempo de os conhecer.
Uma vez que nos mandou fotografias do pai, se aceitar, gostaríamos de o receber a título póstumo na nossa Tabanca Grande, nome por que é conhecido o nosso Blogue. O seu nome ficará a constar na listagem dos nossos camaradas que já partiram. Veja aqui:
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/p/tabanca-grande-lista-alfabetica-dos-897.html
No próximo contacto diga-nos se aceita a inclusão do seu pai na tertúlia.
Também queríamos que identificasse o seu pai na foto do grupo. Veja nas costas da foto se por acaso tem o local onde foi tirada.
Deixo-lhe dois links para explorar, um da CCAÇ 3305 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/CCA%C3%87%203305) e
outro do BCAÇ 3832 (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search/label/BCA%C3%87%203832)
Não esquecer que ao fim de cada página apresentada tem de clicar em "Mensagens antigas" até receber a mensagem para voltar à página inicial.
Ficamos na expectativa do seu contacto.
Receba um abraço dos editores e da tertúlia.
Carlos Vinhal
Coeditor
3. Mensagem enviada ao blogue no dia 6 de Janeiro pelo Paulo Matias:
Caro sr Carlos Vinhal
Relativamente à proposta de inclusão do meu pai na tabanca, autorizo sem qualquer problema, estejam a vontade.
Ficamos na expectativa do seu contacto.
Receba um abraço dos editores e da tertúlia.
Carlos Vinhal
Coeditor
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3. Mensagem enviada ao blogue no dia 6 de Janeiro pelo Paulo Matias:
Caro sr Carlos Vinhal
Relativamente à proposta de inclusão do meu pai na tabanca, autorizo sem qualquer problema, estejam a vontade.
Agora que falou nos 2 furrieis, lembro me que o meu pai me contou uma história envolvendo uma emboscada. Que ele é que costumava levar o cinto das munições (se não for termo correto, as minhas desculpas) e que certa vez sairam para missão qualquer e um colega dele lhe disse que naquele dia ele quis levar o cinto e trocaram de lugar, passando para a frente do meu pai.
Durante o trajeto lá no carreiro, foram atacados e esse colega dele foi atingido com uma bala e acabou por morrer. Talvez tivesse sido por este eventual trauma ele não gostasse de recordar esses tempos, digo eu. Ele dizia se tivesse ido normalmente no lugar, eu não teria nascido. Gostaria de saber mais sobre esse soldado, mas meu pai nunca me disse mais nada sobre isso.
Em relação a foto do grupo, o meu pai é o que está de pé atrás com a boina e camisa, e mãos à cintura, do lado esquerdo quem olha para a foto. Já verifiquei atrás e só tem números "25" e "11" e mais nada escrito. Talvez através dos edificios surgem atrás e comparando com outras fotos se consiga descobrir o local onte foi tirada. Mas dá ideia ser no quartel, talvez em Mansoa.
Cumprimentos,
Paulo Matias
4. Comentário do editor CV:
Caro amigo Paulo Matias,
O seu pai vai passar a partir de hoje a figurar no nosso obituário e terá o n.º 910 da nossa tertúlia.
A história que ele contava àcerca da troca de lugar nas progressões apeadas ou em colunas auto, eram frequentes pelo que ele não teve teve culpa do infortúnio que vitimou o seu camarada, que tinha a sua morte destinada para aquele dia e naquele local.
Quanto ao transporte das munições, os pelotões normalmente eram compostos pela secção da metralhadora, que seguia à frente, pela secção da bazuca, que seguia a meio, e pela secção do morteiro 60 mm, por acaso a que eu comandava no meu pelotão, que seguia atrás.
Em relação a foto do grupo, o meu pai é o que está de pé atrás com a boina e camisa, e mãos à cintura, do lado esquerdo quem olha para a foto. Já verifiquei atrás e só tem números "25" e "11" e mais nada escrito. Talvez através dos edificios surgem atrás e comparando com outras fotos se consiga descobrir o local onte foi tirada. Mas dá ideia ser no quartel, talvez em Mansoa.
Cumprimentos,
Paulo Matias
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4. Comentário do editor CV:
Caro amigo Paulo Matias,
O seu pai vai passar a partir de hoje a figurar no nosso obituário e terá o n.º 910 da nossa tertúlia.
A história que ele contava àcerca da troca de lugar nas progressões apeadas ou em colunas auto, eram frequentes pelo que ele não teve teve culpa do infortúnio que vitimou o seu camarada, que tinha a sua morte destinada para aquele dia e naquele local.
Quanto ao transporte das munições, os pelotões normalmente eram compostos pela secção da metralhadora, que seguia à frente, pela secção da bazuca, que seguia a meio, e pela secção do morteiro 60 mm, por acaso a que eu comandava no meu pelotão, que seguia atrás.
O pessoal de cada secção levava as respectivas munições, tais como fitas para a metralhadora e granadas para a buzuca e para o morteiro. Muitas vezes alombei com granadas de morteiro ao ombro quando em progressões apeadas no mato. Cada um ainda tinha de carregar, além da sua G3, 4 carregadores de reserva para a arma, 4 granadas ofensivas/defensivas, 1 ou 2 cantis com água e, por vezes a ração de combate para o dia.
Inclino-me para que as fotos sejam tiradas na Guiné (Mansoa?), primeiro pelo piso tão maltratado, talvez por chuvadas recentes, depois porque na Metrópole não se admitiam militares em troco nu.
Termino, deixando-lhe um abraço em nome da tertúlia e dos editores.
Ficamos à sua disposição
Carlos Vinhal
_____________
Nota do editor
Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27609: In Memoriam (567): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): "Maldita pátria amada, odiada, esquecida, / e quase sempre perdoada, / que tantos filhos pariste e rejeitaste!" (Luís Graça)
Inclino-me para que as fotos sejam tiradas na Guiné (Mansoa?), primeiro pelo piso tão maltratado, talvez por chuvadas recentes, depois porque na Metrópole não se admitiam militares em troco nu.
Termino, deixando-lhe um abraço em nome da tertúlia e dos editores.
Ficamos à sua disposição
Carlos Vinhal
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Nota do editor
Último post da série de 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27609: In Memoriam (567): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): "Maldita pátria amada, odiada, esquecida, / e quase sempre perdoada, / que tantos filhos pariste e rejeitaste!" (Luís Graça)



7 comentários:
Os filhos dos nossos camaradas nossos filhos são.
Nem mais .
Os nossos filhos e netos precisam estar preparados para resistir aos tempos dificeis que se aproximam e os "velhos desta casa" sabem como hles transmitir o conhecimento da arte da guerra.
O Paulo Matias dá um belo exemplo, não deixando o pai, António Matias, nosso camarada, ficar "inumado na vala comum do esquecimento". Mais de um terço dos antigos combatentes da Guiné, que já morreram, foram esquecidos... Claro, constará, nos "arquivos mortos", o seu nome.
É urgente e necessário transmitir os conhecimentos da arte da paz.
Abraço
Eduardo Estrela
Uma pessoa só morre quando nos esquecermos dela. Sempre ouvi esta frase e concordo com ela.
E,
Se queres paz, prepara-te para a guerra.
" no plaino abandonado
que a morna brisa aquece,
de balas trespassado
-duas de lado a lado,
jaz morto e arrefece........."
" saúde da boa "
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