Mapa geral da província da Guiné: escala 1: 2 milhões (c. 1940): ainda com muitas imprecisões
Mapa da Província da Guiné, escala 1: 2 milhões. Reprodução, a preto e branco, de uma de uma das versões do mapa da Guiné de João Soares (1878-1970) (parte integrante do seu "Novo Atlas Escolar Português: Histórico-Geográfico, Lisboa, Livraria Sá da Costa), que teve diversas edições atualizadas, desde os anos 20 aos anos 70: a 1ª edição é de 1925; a 2º é de 1934; a 4ª é de 1951; a 9ª é de 1963; a 11ª é de 1971...O livro era originalmente impresso em Itália, Novara, no Instituto Geográfico de Agostini. Foi um verdadeiro "best-seller".
1. Este atlas, muito usado no ensino (nomeadamente liceal) em Portugal durante o século XX, incluía mapas detalhados das colónias portuguesas da época (além de Portugal e das ilhas adjacentes).. Um dos mapas específicos era o da Guiné (colónia e depois "província" com a reforma ultramarina de 1951).
Teve várias edições ao longo das décadas de 1920 a 1960, sendo frequentemente atualizado. As edições dos anos 40, por exemplo, eram comuns nas escolas.
O político, professor e pedagogo João Lopes Soares, pai do histórico Mário Soares (cofundador e líder do Partido Socialista e ex-Presidente da República Portuguesa) não era cartógrafo. Fundador e diretor do Colégio Moderno, tinha sido também professor nos Pupilos do Exército.
Pela grafia dos topónimos, esta versão do mapa da Guiné parecia-nos ser anterior ao acordo ortográfico de 1945, e sobretudo à "reforma toponímica" de 1948.
Recorde-se que se deve ao então capitão de fragata Sarmento Rodrigues, governador da colónia da Guiné, o primeiro esforço sério para grafar e uniformizar os topónimos (nomes geográficos) guineenses, através da Portaria nº 71, de 7 de julho de 1948 (*)...
A grafia dos topónimos era até então ao gosto e jeito de cada um (como, de resto, se pode comprovar pelo mapa geral de João Soares). Eis alguns exemplos:
Capa do livro de Armando Tavares da Silva. “A Presença Portuguesa na Guiné, História Política e Militar (1878-1926)” (Porto: Caminhos Romanos, 2016, 972 pp.)
(*) Vd. poste de 7 de novembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26122: As nossas geografias emocionais (30): A "toponímia" da colónia ou a "Babel linguística": Bafatá devia ter sido grafada como "Báfata" e Gabú como "Cabo" (do mandinga "caabu")...
(**) Último poste da série > 8 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27616: Historiografia da presença portuguesa em África (511): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1955 (69) (Mário Beja Santos)
O político, professor e pedagogo João Lopes Soares, pai do histórico Mário Soares (cofundador e líder do Partido Socialista e ex-Presidente da República Portuguesa) não era cartógrafo. Fundador e diretor do Colégio Moderno, tinha sido também professor nos Pupilos do Exército.
Pela grafia dos topónimos, esta versão do mapa da Guiné parecia-nos ser anterior ao acordo ortográfico de 1945, e sobretudo à "reforma toponímica" de 1948.
Recorde-se que se deve ao então capitão de fragata Sarmento Rodrigues, governador da colónia da Guiné, o primeiro esforço sério para grafar e uniformizar os topónimos (nomes geográficos) guineenses, através da Portaria nº 71, de 7 de julho de 1948 (*)...
A grafia dos topónimos era até então ao gosto e jeito de cada um (como, de resto, se pode comprovar pelo mapa geral de João Soares). Eis alguns exemplos:
- Contubo-el,
- Faha,
- Xitoli,
- Bissoram,
- Pitche,
- Dandum (Dando)
- Gam Sancó,
- Enchalé,
- Goli (Porto Gole)
- Contabani,
- Mansôa,
- Cumbidjan, etc.
Fica-se até com a impressão de que a Guiné dos anos 20/30/40 era outro país... Ou então estamos perante um "tsunami" ou um ""terramoto" que, com a guerra, varreu todo o território, de alto abaixo... (**).
Bissau já era a capital. E Gabu ainda não era Nova Lamego. Canchungo aparece, ainda não era Teixeira Pinto... (no mapa a cores). (Confr0ntando os dois mapas, a constata-se que a versão que reproduzimos ao alto, a preto e branco, é posterior à que se segue abaixo, a cores.) (*)
Como atlas histórico-geográfico, também tem lacunas: náo faz referência ao chão mandinga, chão felupe, chão mancanha...E a designção "fulas pretos" também não é inclusiva (tradicionalmente os fulas dividiam-se em forros, pretos e futa-fulas).
Há um pormenor decisivo para datar os dois mapas: é a designação "província" em vez de "c0lónia".. Portanto, estas duas versões (uma a preto e branco e outra a cores) têm que ser de 1951 ou data posterior.
Mas as alterações introduzidas foram mesmo pontuais... Enfim, não estamos a discutir o "sexo dos anjos" mas quase...A conclusão que podemos tirar é que até ao ao tempo governador Sarmento Rodrigues, na segunda metade da década de 1940, havia um desconhecimento grande desta parcela do império colonial...
Dividimos o(s) mapa(s) em duas metades, a oeste e a leste. E em quatro quadrantes:
A = Norte / Noroeste: região do Cacheu, habitada sobretudo por Manjacos Papéis e Balantas
B= Sul / Sudoeste: regiáo de Bissau, arquipélago dos Bijagós,região de Quénra e parte de Tombali: habiatads por Papéis,Beafadas, Nalus
C= Norte / Nordeste: região Leste (Bafatá e Gabu), habitada por Fulas Pretos (sic);
D= Sul / Sudeste: regiáo Leste ): Fulas Pretos, Futa Fulas
Fonte:Fotocópia a preto e branco do atlas de João Soares (c. 1940/50), Veja-se, para detalhes mais precisos, a cópia a cores, a seguir (descobrimo-la, já depois de pronto este poste...)(**)
Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camtadas da Guiné)
Cópia da Portaria nº 71, de 7 de julhode 1948 (Lisboa, Imprensa Nacional, 1948)
Guiné > Atlas de João Soares (c. 1940/50) > Escala: 1/2 milhões. Teve várias edições nos anos 40/50 e era usado no ensino liceal.
Cortesia do prof Armando Tavares da Silva (1939-2023), nosso grã-tabanqueiro, especialista da história da Guiné no período que vai de 1878 a 1926, abarcando o essencial das "campanhas de pacificação".
Capa do livro de Armando Tavares da Silva. “A Presença Portuguesa na Guiné, História Política e Militar (1878-1926)” (Porto: Caminhos Romanos, 2016, 972 pp.)
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Notas do editor:
(*) Vd. poste de 7 de novembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26122: As nossas geografias emocionais (30): A "toponímia" da colónia ou a "Babel linguística": Bafatá devia ter sido grafada como "Báfata" e Gabú como "Cabo" (do mandinga "caabu")...
(**) Último poste da série > 8 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27616: Historiografia da presença portuguesa em África (511): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1955 (69) (Mário Beja Santos)
















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