Lisboa > Academia Militar > 23 de outubro de 2017 > Comemoração dos 50 anos do 1º curso de formação de capelães militares.
Foto: Agência Ecclesia (reeditada pelo Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, com a devida vénia...)

Fonte: Ordinariato Castrense (sítio da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança)
I. Os participantes (n=58) foram, pela primeira vez, nomeados pela hierarquia religiosa. (Náo sabemos se havia alguns voluuntários.)
O critério nem sempre era transparente. Houve quem contestasse. Até então, e desde o início da guerra em Angola, os capelães eram voluntários, coo padre Bártolo Paiva Pereira, que chegou a capelão- chefe, com o posto de major graduado.Mas não tinham formação específica (que passou a ser prevista no art. 10º do decreto-lei nº 47188, de 8 de setembro de 1966, entretanto já revogado).
(...) 7. Conforme acordo entre o Governo Português e a Santa Sé, para instauração do Ordinariato ou Vicariato Castrense, pode-se agora dar conveniente organização à assistência religiosa nas forças armadas no momento em que o número de sacerdotes ao serviço como capelães militares atinge, por força das necessidades de defesa do ultramar, cerca de centena e meia de indivíduos. (...)
Na prática foi instituido um "serviço militar obrigatório" para os padres católicos, de que eles até então estavam isentos:
(...) Art. 8.º - 1. No cumprimento da obrigação do serviço militar que lhes incumbe, conforme as disposições legais vigentes, os sacerdotes são chamados ao serviço efectivo, em número suficiente para ocorrer às necessidades de cada um dos ramos das forças armadas.
2. Tendo em atenção o menor prejuízo possível para a cura de almas, conforme o preceituado no artigo XIV da Concordata, bem como, por outro lado, o grau de saúde e as qualidades que revelarem para o género de actividades a que se destinam, a escolha dos sacerdotes a chamar ao serviço efectivo será feita pelo Ordinário Castrense, por entendimento com os respectivos superiores eclesiásticos:
a) Como regra, entre os sacerdotes, com mais de 28 anos de idade e menos de 35, que, em regime de voluntariado, forem apresentados pelos seus superiores;
b) Não havendo voluntários em número suficiente, entre os sacerdotes que perfizerem 30 anos de idade no ano civil em curso, principiando pelos mais novos e de acordo com as quotas periòdicamente fixadas para cada diocese, ordem ou congregação religiosa, na proporção do seu clero." (...)
(...) Art. 10.º - 1. Após a incorporação, os sacerdotes frequentam um curso destinado a ministrar-lhes os necessários conhecimentos de natureza militar e pastoral. Este curso será regulamentado por portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e dos Ministros e Secretário de Estado de cada um dos departamentos das forças armadas.
2. Os sacerdotes que terminarem o curso com aproveitamento são considerados capelães militares e vão prestar serviço como eventuais no ramo das forças armadas a que pertencem.
3. Os capelães militares que excederem as necessidades imediatas do serviço regressam às suas dioceses, ordens ou congregações religiosas, podendo ser ulteriormente convocados até aos 35 anos.
4. Os sacerdotes que não obtiverem aproveitamento no curso são abatidos ao serviço, sem prejuízo do procedimento disciplinar que porventura deva ser adoptado quando se verifique negligência ou falta de aplicação.(..)
II. Não consta que ninguém (a começar pelo Mário de Oliveira) tenha chumbado, logo no 1º Curso, de 1967, mas houve logo questões que foram levantadas e não terão sido respondidas. De qualquer modo, no contexto político da época, não seria previsível nenhum contestação ao decreto-lei nº 487188, de 8 de setembro de 1966.
Entre as matérias dadas, neste curso acelerado, de menos de um mês, destaque-se (entre parênteses, o nome e posto do formador):
(i) assuntos ultramarinos (ten cor inf Hélio Felgas);
(ii) educação física (cap inf Barroso Capela e cap inf Fonseca Cabrinha);
(iii) topografia (cap inf Correia Hormigo);
(iv) educação militar (cap cav Lopes Saraiva);
(v) armamento e material (ten inf Monteiro de Azevedo):
(vi) vicariato castrense e serviço de assistência religiosa no Exército (ten cor graduado capelão Alves Cachadinha);
(vii) deontologia (Dom António dos Reis Rodrigues, bispo de Madarsuma);
(viii) serviço de assistência religiosa na Armada (capitão de fragata graduado capelão José Bernardino Correia de Sá):
(ix) pastoral castrense e serviço de assistência religiosa na Força Aérea (ten cor graduado capelão João Ferreira);
(x) espiritualidade do capelão militar (cap grad capelão José Martins da Veiga);
(xi) psicologia militar (cap grad Eduardo José Gomes de Almeida);
(xii) organização e missão da Força Aérea (cor pilav Eduardo Augusto Ferreira);
(xiii) cartas aeronáuticas e navegação aérea ( ten cor pilav António Caritas Silvestre);
(xiv) material aéreo e apoio logístico (major engenheiro da FA, António Pedro da Silva Gonçalves);
(xv) princípios de aerodinâmica (major engenheiro da FA, Cândido Manuel Passos Morgado).
O Horácio Fernandes, que foi chamado aos 32 anos para substituir um colega que tinha perdido a mãe, diz ficou reprovado na "prova física", mas acacou por passar "como todos os outros". Também refere que havia cunhas: os lugares mais desejados eram, obviamente, na Forçla Aérea e na Armada. Ele irá parar a um batalhão de artilharia, que já tinha 8 meses de comissão, e estava colocado no sul da Guin+e, em Catió (BART 1913).
III. Destaque para alguns capelães deste curso que foram mobilizados para a Guiné (ou outros TO) e de quem já aqui falámos em postes anteriores:
- Horácio Neto Fernandes (1935- 2025) (*)
- Mário Pais de Oliveira (1937-2022) (*);
- Libório Tavares (1933-2000) (*):
- Delmar Barreiros (Armada);
- Carlos Manuel de Sousa Dias;
- José Rabaça Gaspar (Joraga) (Moçambique) (divulgou, em 2002, na Net, o "Cancioneiro do Niassa");
- António Francisco Gonçalves Simões;
- José dos Santos Tourais Pereira.
(*) Membros da Tabanca Grande
Nota do editor:
Útimo poste da série > 22 de maio de 2023 > Guiné 61/74 - P24333: os nossos capelães (18): Ainda o caso do Arsénio Puim, CCS/BART 2917 (Bambadinca, maio de 1970/maio de 1971): nova informação produzdia pelo jornalista António Marujo, "Sete Margens", 19/5/2023
Vd, os primeiros postes da série:
25 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16638: Os nossos capelães (6): Libório [Jacinto Cunha] Tavares, o meu Capelini, capelão dos "Gatos Negros", açoriano de São Miguel, vive hoje, reformado, em Brampton, AM Toronto, província de Ontario, Canadá (José Martins, ex-fur mil trms, CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70)
17 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13616: Os nossos capelães (4): O bispo de Madarsuma, capelão-mor das Forças Armadas, em Gandembel, no natal de 1968 (Idálio Reis, ex-alf mil, CCAÇ 2317, Gandembel / Balana, 1968/69)
5 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13577: Os nossos capelães (3): O capelão do BCAÇ 619 ia, de Catió, ao Cachil dizer missa... Creio que era Pinho de apelido, e tinha a patente de capitão (José Colaço, ex-sold trms, CCAÇ 557, Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65)
5 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13576: Os nossos capelães (2): Convivi com o ten mil Gama, de alcunha, "pardal espantado"... Muitas vezes era incompreendido, até indesejado por alguns, pois tinha coragem para denunciar os abusos, quando os presenciava (Domingos Gonçalves, ex-allf mil, CCAÇ 1546 / BCAÇ 1887, Nova Lamego, Fá Mandinga e Binta, 1966/68)
5 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13575: Os nossos capelães (1): Conheci em Bedanda o ten mil Pinho... Ia visitar-nos uma vez por mês para dizer missa... E 'pirava-se' logo que podia (Rui Santos, ex-alf mil, 4.ª CCAÇ, Bedanda, 1963/65)
25 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16636: Os nossos capelães (5): Relação, até à sua independência, dos Capelães Militares que prestaram serviço no Comando Territorial Independente da Guiné desde 1961 até 1974 (Mário Beja Santos)




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