O Nuno Dempster era membro da nossa Tabanca Grande desde 9/2/2011 (**). Tinha página no Facebook. Era também amigo do Facebook da Tabanca Grande.
Nasceu em 1944, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel Açores (donde era originária a família paterna, sendo a família materna de Amarante).
Foi fur mil SAM, ou seja, vagomestre, da CCAÇ 1792, a companhia dos lenços azuis, que andou por Farim, Saliquinhedim/K3, a norte, mas também, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, a sul...
Além de poesia, Nuno Dempster cultivou o conto e o romance. Obras mais recentes do autor, publicadas pela Companhia das Ilhas, sediada nas Lajes do Pico,
Em 2021, Nuno Dempster organizou, com Anabela Almeida, a antologia de poemas do seu avô, Armando Côrtes-Rodrigues (1881-1971), “Um poeta rodeado de mar” (Companhia das Ihas, 2021).
Além de poesia, Nuno Dempster cultivou o conto e o romance. Outras obras do escritor:
A CCAÇ 1792 tem 14 referências no no blogue. E o Nuno apenas meia dúzia. A companhia dos lenços azuis andou por Farim, Saliquinhedim/K3, a norte, mas também, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, a sul...
(...) "A vontade de suplantar o outro, o dominador, e de ocupar o seu lugar mas no sentido de que tudo continue na mesma, apenas mudando a sua posição de baixo para cima, afastando para isso o outro, o estranho que o impedia de usufruir de privilégios e de ser o epicentro das atenções das imaculadas bajudas."
A propósito do escrito acima, para Cherno Baldé, de quem estou a ler aqui, interessadíssimo, as suas crónicas, um trecho de um muito longo poema que acabei há dois dias e que se publicará como livro, julgo, em 2011. O poema intitula-se K3, onde em 1968 estive enterrado.
(...) Não fazemos história,
a História não regista
a sina dos anti-heróis
que pululam em toda a parte,
o mundo sublevado em armas,
o mundo velho que noutro se transforma,
mas a essência do mundo
não é tornar-se novo,
é afinar o modo de fazer
que o novo permaneça antigo,
anti-heróis
que não chegam a ser anti-heróis,
são uma chapa com número
no fio ao peito, à prova de fogo,
o corpo esturricado,
a medalha de Fátima, fundida,
mas não o número,
útil aos funerais anónimos
dos que «morreram pela pátria»,
dizia-se em Lisboa.(...)
Nuno Dempster
quinta-feira, 1 de julho de 2010 às 21:51:35 WEST
(***) Vd. poste de 12 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9028: Blogpoesia (167): K3, de Nuno Dempster: excerto: "Capitão, meu capitão, não nos deixes sós!"
(****) Vd. poste de 5 de agosto de 2009 > Guiné 63/74 - P4782: Memórias do Chico,menino e moço (Cherno Baldé) (9): Futebol, rivalidades, bajudas... e nacionalismos(s)
- “Seis histórias paralelas” (contos, 2023),
- “Limbo, inferno e paraíso” (poesia, 2022),
- “Variações da perda” (poesia, 2020),
- “Há rios que não desaguam a jusante” (romance, 2018)
- e “Na luz inclinada” (poesia, 2014).
Em 2021, Nuno Dempster organizou, com Anabela Almeida, a antologia de poemas do seu avô, Armando Côrtes-Rodrigues (1881-1971), “Um poeta rodeado de mar” (Companhia das Ihas, 2021).
Além de poesia, Nuno Dempster cultivou o conto e o romance. Outras obras do escritor:
- “Uma paisagem na Web” (poesia, editado pela & etc, 2013),
- “Elogia de Cronos” (poesia, Artefacto Edições, 2012),
- “O papel de prata, o reflexo e outros contos pelo meio” (Companhia das Ilhas, 2012),
- “Pedro e Inês. Dolce Stil Nuovo” (poesia, Edições Sempre-em-Pé, 2011),
- “K3” (poesia em que faz uma incursão no tema da guerra colonial, & etc, 2011);
- “Uma flor de chuva (poesia, Escola Portuguesa de Moçambique, Maputo, 2011),
- “Londres” (poesia, & etc, 2010)
- e “Dispersão – Poesia reunida” (Edições sempre-em-pé, 2008)
Tinha também um blogue, que mantevce de 2007 a 2021, A Esquerda da Vírgula, dedicada aos livros, aos seus e aos dos outros.
Vivia em Viseu (cidade, onde vivo exilado por força dos meus erros e suas consequências", escreveu ele algures, no seu blogue).
Capa do livro com o longo poema K3 (& Etc., 2011, 64 pp.) (Autoria da capa: Maria João Lopes Fernandes)
Sinopse: Nuno Dempster (autor de "Londres, ed. & etc) revisita o Horror. Felizmente para elas, as jovens gerações (também de poetas) desconhecem esse Horror que foi, para quem o sofreu nos ossos e no que houvesse de alma, a Guerra Colonial. Algures na Guiné e algures num quartel subterrâneo: o K 3. Nossa palavra: não conhecemos, na literatura sobre o tema, tão fundo, tão magistral testemunho desse Horror. Elegia, catarse, contrição, K3 combate o esquecimento. (Fonte: Wook)
"Para o Luís Graça & Camaradas da Guiné, todos meus companheiros nesta guerra que em muitos ainda está por digerir, com o afecto e a camaradagem do Nuno Dempster. 3/2/2011. Na Guiné, de [1967-1969,], no K3, Mampatá, Colibuía e Quebo (Aldeia Formosa), por esta ordem".
2. Comentário do editor LG:
Morreu mais um poeta da nossa terra. Morreu mais um canarada nosso. Morreu mais um grão-tabanqueiro. É uma tripla perda. Os meus votos de pesar para a família e os amigos mais íntimos, sem esquecer a companhia dos lenços azuis, a CCAÇ 1792 / BCAÇ 1933 (1967/69).
Não conheci pessoalmente o Nuno Dempster. Trocámos apenas alguns emails. Li com grande emoção, e de um só fôlego, o seu extenso poema K3. Ele teve a gentileza de mandar uma cópia, autografada, do livro, com dedicatória a todos os camaradas da Guiné.
Pertencia ao BCAÇ 1933 (Nova Lamego, Bissau, S. Domingos). Teve 3 comandantes:
3. Comentário de Nuno Dempster, quinta, 1/07/2010, 21:51, ao poste P4782, do Cherno Baldé (****);
- Cap Mil Art Antóno Manuel Conceição Henriques (que ficaria sem as pernas numa mina A/C);
- Cap Art Ricardo António Tavares Antunes Rei,
- Cap Inf Rui Manuel Gomes Mendonça.
A companhia foi mobilizada pelo RI 15, tendo partido para a Guiné em 28 de Outubro de 1967 e regressado à Metrópole em 20/8/1969.
Sobre estes comandantes, o Nuno Demspster escreveu o seguinte, em mails que trocámos em 2011:
(...) Recordei, no link que enviaste, o capitão Rei, de carreira, que teve a ideia dos lenços [azuis] e que substituiu o capitão miliciano, cujo nome já não recordo, um homem lúcido, vítima de um fornilho, na estrada de Farim, uma das passagens mais intensas do poema [Cap Mil Art António Manuel Conceição Henriques]. (***)
(...) Recordei, no link que enviaste, o capitão Rei, de carreira, que teve a ideia dos lenços [azuis] e que substituiu o capitão miliciano, cujo nome já não recordo, um homem lúcido, vítima de um fornilho, na estrada de Farim, uma das passagens mais intensas do poema [Cap Mil Art António Manuel Conceição Henriques]. (***)
Isso sucedeu dentro dos seis primeiros meses do início, quando estávamos no K3. Até sairmos de lá, o aquartelamento ficou entregue ao alferes miliciano, segundo comandante, bem como em Mampatá e Colibuia, penso. O Cap [Art Ricardo António Tavares Antunes] Rei chegou já no tempo de Quebo. (...)
O Nuno Dempters, ou melhor, o Manuel Gusmão Rodrigues era engenheiro técnico agrícola (trabalhou em cooperativas) e empresário.
(...) "A vontade de suplantar o outro, o dominador, e de ocupar o seu lugar mas no sentido de que tudo continue na mesma, apenas mudando a sua posição de baixo para cima, afastando para isso o outro, o estranho que o impedia de usufruir de privilégios e de ser o epicentro das atenções das imaculadas bajudas."
A propósito do escrito acima, para Cherno Baldé, de quem estou a ler aqui, interessadíssimo, as suas crónicas, um trecho de um muito longo poema que acabei há dois dias e que se publicará como livro, julgo, em 2011. O poema intitula-se K3, onde em 1968 estive enterrado.
(...) Não fazemos história,
a História não regista
a sina dos anti-heróis
que pululam em toda a parte,
o mundo sublevado em armas,
o mundo velho que noutro se transforma,
mas a essência do mundo
não é tornar-se novo,
é afinar o modo de fazer
que o novo permaneça antigo,
anti-heróis
que não chegam a ser anti-heróis,
são uma chapa com número
no fio ao peito, à prova de fogo,
o corpo esturricado,
a medalha de Fátima, fundida,
mas não o número,
útil aos funerais anónimos
dos que «morreram pela pátria»,
dizia-se em Lisboa.(...)
Nuno Dempster
quinta-feira, 1 de julho de 2010 às 21:51:35 WEST
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27595: In Memoriam (565): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): Do Colégio Seráfico a Capelão Militar do BART 1913 (Catió, 1967/69) (Beja Santos)
(**) Vd. poste de 9 de fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7747: Tabanca Grande (266): Nuno Dempster, autor do poema K3, agora publicado em livro, ex-Fur Mil SAM, CCAÇ 1792 (Saliquinhedim/K3, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, 1967/69)
Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27595: In Memoriam (565): Horácio Neto Fernandes (1935 - 2025): Do Colégio Seráfico a Capelão Militar do BART 1913 (Catió, 1967/69) (Beja Santos)
(**) Vd. poste de 9 de fevereiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7747: Tabanca Grande (266): Nuno Dempster, autor do poema K3, agora publicado em livro, ex-Fur Mil SAM, CCAÇ 1792 (Saliquinhedim/K3, Mampatá, Colibuía e Aldeia Formosa, 1967/69)
(****) Vd. poste de 5 de agosto de 2009 > Guiné 63/74 - P4782: Memórias do Chico,menino e moço (Cherno Baldé) (9): Futebol, rivalidades, bajudas... e nacionalismos(s)



4 comentários:
Os meus sentidos pêsames à família e amigos do nosso camarada Manuel Gusmão Rodrigues.
Também eu palmilhei o chão do K3 e Farim uns anos depois dele.
Todos os dias o Batalhão Celestial se engossa em detrimento dos resistentes da nossa dimensão.
Carlos Vinhal
Aos familiares do camarada Manuel Gusmão Rodrigues o meu abraço de solidariedade. Tal como ele e o Carlos Vinhal também eu pisei e cheirei a terra vermelha de Farim e K 3.
Eduardo Estrela
Os meus Pêsames à família do Gusmão, e que o céu o receba de braços abertos.
Paz à sua alma.
Apesar desta cc1792 pertencer ao meu batalhão Bca1933,nunca esteve na prática com as restantes companhias, por isso o não conheço.
Foi para a Guiné mais tarde e voltou mais tarde.
Se nos cruzamos foi em Santa Margarina no IAO em Agosto de 67.
Virgílio Teixeira
Virgílio Teixeira (by email)
segunda, 5/01/2026, 23:57
Luis, obrigado pela atenção em me informares.
Mas realmente não conheço nem tinha de conhecer.
A cc1792 nunca esteve na prática ligada ao batalhão em terreno.
Talvez em Santa Margarida no mês de Agosto de 1967.
Essa companhia seguiu outro rumo.
Durante muitos anos eu via no Norte Shoping todos os dias, com a mulher dele, um capitão de companhia que me parecia da cc1792.
Todas as tardes ia ao cinema, estávamos juntos mas nunca falámos.
Acho que ele estava um pouco apanhado, mas não tenho a certeza de nada.
Depois do Covid-19 perdemos o rasto, e o meu irmão com quem partilhava esta história, também nunca mais o viu.
Não conheço, furrieis, nem Alferes nem nada.
Podes ver o percurso desta companhia e saber por onde andou.
Nem embarcou com o batalhão, foi mais tarde, nem regressou no mesmo navio.
De qualquer forma, sendo um militar agregado ao Bc1933, e como ex combatente não deixo de lamentar mais uma morte. Ele é de 44 e eu sou de 43.
Paz à sua alma e pêsames à sua família e amigos.
Um grande abraço para ti. O nosso dia está a chegar....
Virgílio
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