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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27690: Humor de caserna (236): Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: O da "Mama Firme", que ía dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha è Maior do que a Tua", restrito a "tugas" (José Ferreira da Silva, o "Bandalho")


Jornal de caserna "O Abutre", da 2ª CART / BART 6523/73 (Cabuca, 1973/74)




O Zé Ferreira não é um gajo qualquer... é um senhor gajo, ex-fur mil op esp, "ranger", CART 1689 / BART 1913 (Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), passou pelos melhores "resorts" turísticos da Guiné do seu tempo, deu e levou porrada de criar bicho, e não regateou à Pátria o pagamento do imposto de sangue, suor e lágrimas. 

E acrescente-se ou lembre-se: a sua CART 1689 não foi uma companhia qualquer de "tropa-macaca":  foi distinguida com a “Flâmula de Ouro do CTIG”... A ela pertenceu também o nosso alferes,  escritor  e grão-tabanqueiro  Alberto Branquinho.

O Silva da CART 1689, o Zé Ferreira da Silva, membro ilustre do Bando do Café Progresso, conhecido popularmente entre a gente do Norte como os "Bandalhos",  integra a nossa Tabanca Grande desde 8/7/2010.

 Tem mais de 180 referências no nosso blogue, onde é autor de três memoráveis séries, que elevaram o obsceno, o nojento, o brejeiro, o pícaro, o anedótico, o trivial, o caricato, o ridículo, o grotesco, o absurdo, o trágico-cómico, a bandalhice... ao altar sublime da arte de bem saber contar histórias no intervalo da guerra (Memórias boas da minha guerra; Outras memória s da minha guerra; Boas memórias da minha paz).

Tem 3 livros publicados. Tem um outro na forja. Há dias deu  sinal de vida (no passado dia 29, em comentário a um poste antigo, P24921), depois de uns "problemas de saúde" que está, felizmente, a superar: "Tenho tido umas mazelas (2 AVC, bronquite crónica, Gripe A, Zona, etc) agravadas com o Alzeimer da minha mulher. Todavia, vivo na esperança de reatar a aproximação ao Blogue e de terminar o 4º livro"...

Quem escreve isto, tem fibra de combatente e de campeão!... Bato-te a pala, Zé!... Emocionado! (LG)


Humor de Caserna > Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: o da "Mama Firme", que ia dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha é Maior do que a Tua", restrito a "tugas"

por José Ferreira








Durante uns dias, a rádio "No Tera" (a nossa terra, em crioulo), de Cabuca, ao tempo da 2ª CART /BART 6523, em 1973, anunciou o "Concurso Mama Firme".

Esperava-se, desta forma, classificar e premiar as medidas peitorais das mulheres Cabucanas. 

Diga-se, de passagem. que a tropa se esforçou imenso para que as suas conhecidas, especialmente as suas lavadeiras, ali viessem expor o seu porte. 

O Carlos Boto, o diretor da rádio, e que fora o promotor da ideia, esteve quase a levar um enxerto de porrada do corpulento milícia Jeremias, devido às insistências junto de sua mulher.

Quem também não gostou da ideia, foi o chefe de tabanca Mamadu, que lembrou aos radialistas que às mulheres de Cabuca estava vedada a participação em concursos de beleza. E justificou:

 Poderíamos premiar a beleza interior porque somos nós que a fazemos e não a beleza exterior, porque essa é um produto de Deus.

Dececionados pelo fracasso, os promotores da iniciativa, reunidos de emergência, resolveram considerar a sábia sentença do chefe de tabanca e alterar para um “Concurso de …P*ças”. Reservado a " tugas".

Naquele dia, a emissão da rádio abriu excecionalmente às 15h00, por forma a poder publicitar massivamente a forçada alteração do concurso anunciado.

Foi no refeitório, por volta das 17h30, que se iniciou o evento. 

Para começar, ninguém queria mexer em p*ça alheia. Teve que ser o Oficial Dia, o alf mil op esp/ ranger António Barbosa a assumir a função de Juiz Árbitro.

 Decididamente, sacou da faca de mato e traçou sobre a mesa uma linha para servir de medida-limite para admissão ao concurso. E avisou:

– Quem não chegar ao traço, fica logo de fora e quem o ultrapassar mais, ganhará uma garrafa de whisky.

Não levou muito tempo a que aparecessem alguns a “experimentar” a medida. Porém, não satisfeitos, voltavam para trás, e exercitavam-se a “tocar ao bicho”, na esperança de que ele crescesse de forma satisfatória. 

Aliás, ninguém abdicou de se exercitar ali mesmo, ... descaradamente. Numa das mesas viam-se o Matosinhos, o Carvalho e o Maia em acção, ao mesmo tempo que olhavam afincadamente para a mesma revista… erótica.

Quem não se desenrascava era o Zé Faroleiro, cuja fama e porte de machão eram bem conhecidos. Por mais festas que fizesse ao animal, não conseguia despertá-lo.

– Ó filhos da p*ta! Seus badalhocos!!!– gritou o vagomestre, surgindo dos lados da cozinha. 

E acrescentou:

–  Não tendes vergonha de sujar a mesa onde comeis, com pintelhos e pingos de p*orra???!!!  Francamente!!!

O concurso ficou pontualmente suspenso, precisamente quando havia algumas dúvidas quanto ao vencedor. Furioso, o vagomestre chamou o básico Pequenitaites, ajudante da cozinha:

– Ó faxina, vem cá. Traz um pano húmido e limpa esta mesa.

Quando este se aproximou, tomou conhecimento das medidas que apontavam para o possível vencedor. De repente, exclamou:

 – Se é assim, eu bem  podia ganhar!

A gargalhada foi geral. Mas o básico aproximou-se e, um tanto envergonhadamente, abriu a braguilha, sacou o marmanjo e, meio encoberto pelo pano da limpeza, pousou-o sobre a mesa.

Como o Pequenitaites parecia que não atingia a medida maior, logo alguns intervenientes (os mais avantajados) tentaram afastá-lo. 

Porém, o básico subiu para um pequeno tijolo de barro para poder chegar com os testículos ao tampo da mesa e poder competir em condições de igualdade.

– Ei, pá!!! F*da-se!!! Mas que grande p*ça!!! – exclamaram abismados, os presentes.

Todas as outras murcharam e… ficaram desclassificadas.


************

Nota do autor:

Doze anos depois do regresso, o Ricardo Figueiredo teve a oportunidade de saber da boca do Pequenitaites que o tamanho do seu pénis só lhe trouxera dissabores. Confessou-lhe que as namoradas se assustavam e que a mulher que mais amara, trocara-o por um lingrinhas que era conhecido por “Pilinha de Gato”.

Fonte - Adapt de José Ferreira - Clube Cabuca. In:  "Memórias Boas da Minha Guerra, Volume III. Lisboa: Chiado Books, 2019, pp. 207-2014.

(Revisão / fixação de texto, título: LG)
_________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 15 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27635: Humor de caserna (235): "Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)"... Análise literária da ferramenta de IA europeia, Mistral: "uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria"

sábado, 31 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27688: (De) Caras (243): Procura-se um senhor da Rádio chamado Carlos Boto, que terá feito 3 comissões de serviço no CTIG, esteve em Cabuca, e trabalhou depois no Rádio Clube Português até 2010 - Parte III


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) > "De pé,  o Carlos Boto com o crucifixo e eu, Ricardo Figueiredo,  a seu lado" (ao canto inferior esquerdo, será o fur mil trms, LG)


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) > "Eu, Ricardo Figueiredo,  a ser entrevistado pelo Boto para a Rádio No Tera"


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) > "À porta da Rádio No Tera: da esquerda para a direita, 1º  cabo cripto, eu (Ricardo Figueiredo), o Carlos Boto (com a cruz ao peito) e o furriel trms"

Fotos ( e legendas)o: © Ricardo Figueiredo  (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem com'plementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



 Chat (2026). Cartoon sobre a Rádio No Tera, Guiné, Região de Gabu, 1973 [ o C. B.,  no seu estúdio] : [imagem gerada por Mistral AI /Le Chat ]. Orientado e modificado por Luís Graça. 


1.  Perguntei ao Ricardo Figueiredo (ex-fur mil at inf, 2ª 
 CART / BART 6523, Cabuca, 1973/74) e a outros camaradas que conheceram o Carlos Boto ou que o poderiam ter conhecido do Pifas e do QG/CTIG):

(...) Três comissões ? Três companhias ? As contas podem estar mal feitas... De qualquer modo, o Carlos deixou boas e gratas memórias na malta que o conheceu, apesar da vida "turbulenta" que teve no CTIG (temos pelo menos 4 referências ao seu nome: Jorge Canhão, José António Sousa, Augusto Silva Santos, Ricardo Figueiredo)...

Só encontrei o seu nome (completo) no "Diário da República", mas pode não ser a mesma pessoa... E ainda no episódio dos despedimentos do RCP (Rádio Clube Português), em 2010, de que ele terá sido uma das vítimas. (*)


2. Resposta do Ricardo Figueiredo (foto 
atual à direita):

Data - 30 jan 2026, 11:10

Assunto - Carlos (Manuel Marques) Boto, radialista, procura-se

(...) Olá, Meu caro Luís Graça,

Que tudo esteja bem contigo e com a tua Alice.

É esse mesmo, o Carlos Manuel Marques Boto.

Aproveito para te contar dois episódios caricatos.

O primeiro caso, quando cheguei a Cabuca.

Fui nomeado pelo meu capitão, para receber a transmissão do espólio da CCav 3404. 

Na conferência dos efectivos (milícias e tropa regular) fui informado pelo então Capitão da CCav 3404, que faltava o Carlos Boto mas que o desse como presente pois era hábito desaparecer por uns dias mas que voltaria.

Comuniquei esse facto ao meu capitão, Franquelim Vaz que, contrariado,  acabou por aceitar, dando-o assim como presente.

Terminada a sobreposição, a CCav 3404 abandonou Cabuca e a 2ª Cart/Bart 6523 ficou definitivamente colocada em Cabuca.

Duas semanas após a partida da CCav, quando me encontrava perto da "porta de armas",sou alertado por um dos sentinelas que,  assustado,  me indicou a proximidade de um... Táxi !

Parado à porta de armas,  o motorista,  um nativo, apresentava-se nervoso, quando surpreendentemente sai do veículo o nosso Carlos Boto, de camuflado todo roto, G3 na mão e algumas granadas no cinturão.

Estava apresentado... o Carlos Boto !

Tivemos de fazer uma coluna para levar o taxista até Nova Lamego.

Mais um processo disciplinar !

O segundo caso: o Boto pediu para montar a Rádio No Tera, o Capitão autorizou-o e eu dei-lhe todo o apoio e ajuda possível,juntamente com o furriel trms e o alferes António Barbosa.

As emissões decorreram sempre com normalidade, chegaram a Bissau e o Pifas (Programa de Informação das Forças Armadas) chegou a fazer-lhes referências elogiosas.

Até que um dia o Carlos Boto, inadvertidamente, divulga a possível visita de um Brigadeiro ao Aquartelamento.

O Capitão Vaz ordenou de imediato o cancelamento das emissões.

Entretanto fomos visitados pelo Capelão, tendo-se realizado uma missa campal.

Nessa noite o Boto apanha uma bebedeira monumental e, de G3 em punho, ameaça matar tudo e todos, até se entrincheirar no abrigo dos criptos.

O Alferes Barbosa, que era de operações especiais, aproveitando uma distração do Boto, acaba por o imobilizar.

Foi-lhe dada ordem de prisão e, dois dias depois , foi feita uma coluna para o entregar à ordem do comandante do Batalhão, em Nova Lamego.

Nunca mais encontrei o Carlos Boto. Um homem bom, calcinado pela guerra, pelos castigos, pela bebida e pelos devaneios.

Para terminar,apenas uma informação complementar, o Carlos Boto era filho de um tenente coronel do SPM (Serviço Postal Militar).

Anexo algumas fotos do Carlos Boto.

Grande abraço, com amizade.

Ricardo Figueiredo

PS - Infelizmente nunca compareceu a qualquer almoço nosso, dos "Abutres de Cacuca",

Tentei procurá-lo nas rádios,mas ninguém soube dizer nada. Cheguei até a contactar o nosso camarada e amigo Armando Pires, para tentar descobrir o Carlos Boto, mas também nada se conseguiu.

Estás à vontade para publicares quer as histórias quer as fotografias.

Sim,  a CCAV 3404 teve também a sua rádio por iniciativa do Carlos Boto e chamava-se também "No Tera". (**)

Dispõe sempre. Entregarei ao Bandalho Zé Ferreira o teu abraço.

Abraço-te com amizade,
Ricardo


3. Comentário do editor LG:

Conforme escrevi em comentário ao poste P27685 (**), em 11 de julho de 2010, o encerramento do Rádio Clube Português (RCP) pela Media Capital marcou o fim de uma das estações mais emblemáticas do país, resultando no despedimento coletivo de 36 profissionais.

O Carlos Manuel Marques Boto (frequentemente referido como Carlos Botto) era um desses profissionais. Antes da sua carreira na rádio, serviu na Guerra do Ultramar na Guiné-Bissau entre 1971 e 1974: integrou a CCav 3404 / BCAV 3854, Cabuca (1971/73) e, posteriormente, a 2ª CART/BART 6523 (1973/74).

Provavelemente já tinha,  antes do serviço militar, experiência de trabalho como radialista. Em Cabuca, fundou e dinamizou a rádio Nos Tera (Nossa Terra, em crioulo), ainda no tempo da CCAV 3404, que foi rendida em 1973 pela 2ª CART/BART 6523 (1973/74).

O que se sabe do seu paradeiro, hoje ?

As informações públicas mais recentes sobre Carlos Botto são escassas e provêm essencialmente de comunidades de antigos combatentes.

Na altura do fecho do RCP, em 2010, foi um dos subscritores de um manifesto contra o processo de despedimento coletivo, questionando a falta de transparência da Media Capital.

De acordo com registos do nosso blogue (Luís Graça & Camaradas da Guiné), o Carlos Botto terá aparecido num dos convívios da sua antiga subunidade (CCav 3404, Cabuca, 1971/73), embora tenha mantido um perfil reservado nos anos seguintes. Isto é, nunca mais apareceu, nem nos convívios da CCAV 3404, nem nos da 2ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) (que passou a reunir-se a partir de 2014).


Guiné > Bissau > 1961 > O tenente Manuel Ascensáo Boto, 
o militar de maior estatura,chefe do SPM Regional da Guiné.
Seria depois, como major, chefe do SPMR 
de Angola. Terá morrido em 2000
como ten cor ref.

Fonte: Revista Militar, nº 8/9, ago/set 2020, pag. 713


Por essa altura, apareceram diversos pedidos de informação sobre o seu paradeiro feitos por antigos companheiros de armas em fóruns de veteranos, e nomeadamente no nosso blogue.

Em vão. O que se passa ?  Talvez ele não queira mesmo reatar essas antigas relações. Nem tudo terá sido agradável para ele, no CTIG. Teve problemas disciplinares, foi despromovido, andou em bolandas, etc. Pode ter preferido exercer o "direito ao esquecimento". 

E, para mais, pode ter sido obrigado a deixar de trabalhar na rádio, porventura a paixão da sua vida.

Se o que o  Ricardo Figueiredo diz é verdade, que ele seria filho de um tenente coronel do SPM, pelas nossas pesquisas, tratar-se-ia então do ten cor ref Manuel Ascensão Boto (1921-2000); em 1961 era tenente (SGE ?), tendo estado à frente do SPMR da Guiné e depois, como major, do SPMR de Angola.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27685: (De) Caras (242): Procura-se um senhor da Rádio chamado Carlos Boto, que terá feito 3 comissões de serviço no CTIG, esteve em Cabuca, e trabalhou depois no Rádio Clube Português até 2010 - Parte II


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) > Repórteres da Rádio "No Tera" entrevistam o furriel Quim Fonseca, responsável pela habitual celebração/transmissão da Missa Dominical em crioulo.  O entrevistador parece ser o Carlos Boto, visto de perfil



Guiné > Zona Leste > região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74)  > A equipa que fazia a Rádio "No Tera" >  O Carlos Boto (Produção, Direcção e Montagem) é o militar em primeiro plano à esquerda, de óculos (*).

Foto e legenda do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/ BCAV 3854, Cabuca, 1971/73), membro da nossa Tabanca Gramde; vivia na Foz do Douro. Porto.
 .


Guiné > Zona Leste > região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74)  > O posto de rádio... O que restava dele em 2010 (*)

Foto e legenda do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/ BCAV 3854, Cabuca, 1971/73), membro da nossa Tabanca Gramde; vivia na Foz do Douro. Porto.
 


Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cabuca>  CCAV 3404/ BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73) > Foto aérea de Cabuca, tabanca e aquartelamento, perto da matregm direita do rio Corubal, a  sul de Nova Lamego.

Foto e legenda do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/ BCAV 3854, Cabuca, 1971/73), membro da nossa Tabanca Gramde; vivia na Foz do Douro. Porto.

 

Foto: Ricrado Figueiredo / José Ferreira (2019)


Cartaz do filme Good Morning, Vietname (USA, 1987). 

1. Há várias referências, no nosso blogue, ao Carlos Boto (ou Botto), um homem da rádio, e nosso camarada no CTIG, que terá passado, pelo menos, por 3 companhias...  Mas ninguém sabe ao certo  do seu paradeiro atual.  Terá ido a un dos convívios da CCAV 3404 / BCAV 3853 (Cabuca, 1971/73).

 A última subuniddae onde esteve  alguns meses, em 1973, foi a 3ª CART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74). Dizia-se que era filho de um militar de carreira. Aqui fundou e dirigiu a Rádio "No Tera". Terá passado à disponibilidade em 1/1/1974. Trabalhou depois no Rádio Clube Portuguès, até pelo menos 2010.

Um dos nossos camaradas, grão-tabanqueiros, que o conhecu bem e manifesta por ele um grande apreço é o Ricardo Figueiredo (*), hoje membro do Bando do Café Progresso, e que ter´+a fornecdio ao José Ferreira o essencial da matéria-prima para a elaboraçáo desta e doutars histórias



Carlos Boto (1973)


Rádio “No Tera”
por José Ferreira 

Good Morning,  Vietnam!

Quem não se lembra deste filme de sucesso, parodiando peripécias da guerra dos americanos em terras do Vietnam? Para nós, os ex-combatentes, este filme sobre a guerra despertou-nos, desde logo, alguma e evidente curiosidade.

Foi o grande actor Robin Williams (1951 - 2014) quem deu vida a esta intervenção permanente junto dos militares, através de uma estação de rádio instalada em Saigão. Embora o filme tenha sido realizado em 1987, o seu enredo diz respeito ao período de intervenção militar entre 65 e 67. 

O que ninguém se lembra é que, quase na mesma altura, na Guiné e, também, em teatro de guerra, se viveram grandes momentos de paródia guerreira, relatados na Rádio “No Tera”.

O seu grande dinamizador foi o despromovido Carlos Boto, que, condenado disciplinarmente, cumpria a sua 3ª comissão de serviço.

Foi ele quem pediu ao Cap Vaz o aparelho de rádio RACAL que, devidamente afinado, passou a transmitir em onda curta 25 M, nas bandas dos 12.900 e 13.700 KHZ/s. Transmitia ainda em 31 M na banda dos 9.200, na onda marítima e na onda média.

A rádio era liderada por Carlos Boto (Produção, Direcção e Montagem), e contava com a colaboração de Zé Lopes (Discografia),Toni Fernandes (Sonoplastia), Arménio Ribeiro (Exteriores) e Victor Machado (Locução).








– Ráaadiiiooo… “No Tera”!!! … Boa Tarde… Cabuca! – gritava repetidamente o locutor de serviço, logo após a entrada do sucesso musical Pop Corn 
 
E anunciava:

–  Já de seguida:  Múuusicaaa na picadaaa - programa de discos pedidos!.... Mais logo, depois do noticiário das 21,00, teremos: Resenha desportiva!... E a partir das 22.00:  Concurso surpresa!

 A Rádio “No Tera” era um orgulho para todos os Cabucanos, incluindo os seus verdadeiros indígenas. Toda a gente acompanhava a Rádio e nela colaborava dentro das suas possibilidades.

A rádio PIFAS, sediada em Bissau, que cobria todo o espaço militar guineense, chegou a fazer referências de elogio ao bom desempenho da Rádio “No Tera”

.A Rádio “No Tera” veio a ser suspensa por ordem do Capitão Vaz. Quando esteve programada a visita de Spínola a Cabuca, a Rádio “No Tera”, além de anunciar essa deslocação do Governador-Geral da Guiné, incentivava os militares a limparem as instalações e a esmerarem-se na sua apresentação. Ora, como é de calcular, esta incúria foi manifestamente prejudicial em termos de segurança e bastante comprometedora junto das Forças Inimigas.´

Fonte - Adapt de José Ferreira - Clube Cabuca. In:  "Mem´porias Boas da Minha Guerra, Vo,lume III. Lisboa: Chaido Books, 2019, pp. 207-2014-


Guiné > Zona Leste > região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) 

"Quem não se lembra da Rádio No Tera, emitido em onda curta de 41m em 8.000 Klc e 75 m na banda dos 4.100 Klc/s.

Devemos ao Carlos Botto esta grande iniciativa de entretenimento.

Foi-me impossivel dar com ele para ir ao nosso almoço mas espero encontrá-lo da próxima vez, pois sei que ele ainda há pouco tempo estava ligado a uma Rádio.

Depois de o ter visto no H.M.Bissau onde passou à disponiblidade em 1/1/1974 , ainda o vi na antiga cervejaria Munique. Se alguém souber do seu paradeiro, "os abutres" agradecem." (A Cervejaria "Munique", no Areeiro, Lisbnoa, já não existe. LG)

Foto e legenda: Blogue Os Abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523) > 18 de maio de 2009 > Rádio No Tera



Guiné > Zona Leste > região de Gabu > Cabuca> 2ª CART / BART / BART 6523 (Cabuca, 1973/74) >  O arlo Boto enytrevistado o António Barbosa, alf mil op esp, António Barbosa, cmdt do 1º pelotão e membro da nossa Tabanca Grande  (**)

Foto e legenda do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/ BCAV 3854, Cabuca, 1971/73), membro da nossa Tabanca Gramde; vivia na Foz do Douro. Porto.
______________

Notas do editor LG:

(`) Vd,. poste anterior da série > 29 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27682: (De) Caras (241): Procura-se um senhor da Rádio chamado Carlos Boto, que terá feito 3 comissões de serviço no CTIG, esteve em Cabuca, e trabalhou depois no Rádio Clube Português até 2010 - Parte I

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Guiné 61/74 - P26395: (In)citações (260): Em louvor das nossas "tabancas" (ou tertúlias de antigos combatentes) (Angelino Santos Silva, escritor, natural de Paredes, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72)

1. Reprodução, com a devida vénia, de postagem no Facebook da Tabanca Grande, com data de 10 do corrente, às 23:00,  da autoria do nosso camarada Angelino Santos Silva, natural de Recarei, Paredes, escritor, ex-fur mil 'cmd', 26ª CCmds, Bula, Teixeira Pinto e Bissau, 1970/72, e que será o nosso próximo grão-tabanqueiro, passando (finalmente!) a sentar-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 897.

Frequenta, com alguma regularidade, as Tabancas do Norte, com destaque para a Tabanca de Matosinhos,
a Tabanca da Maia, e o Bando do Café Progresso. (E julgamos que também a Tabanca dos Melros,
 em Fânzeres, Gondomar.)


Tertúlias de combatentes
 
por Angelino Santos Silva


A Geração que entre 1961 e 1974/75 demandou por terras de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau para cumprir a Missão de Defender a Pátria, uma vez regressada a casa, criou um evento social até aí desconhecido nos hábitos dos portugueses: pelo menos uma vez por ano encontram-se algures num ponto intermédio do país, de modo a reunirem o maior número de Combatentes e aí confraternizarem, falando das suas vivências em África. 

Desde início criaram o hábito de levarem as esposas, depois filhos e depois netos, incluindo genros e noras. E assim tem sido a saga dos Combatentes ao longo de mais de 50 anos, após regresso definitivo a casa.

Há gente, que estando um pouco afastada destes “Encontros”,  estranha e se interroga, como o tema “Guerra” pode aproximar, direi, apaixonar tanta gente para, ano após ano conversarem alegremente de uma vida onde é suposto ter havido “sangue, suor e lágrimas”. E morte. 

E houve tudo isto. E mais. Houve cansaço, dor, mutilados, febres e outras doenças, especialmente maleitas “apanhadas pelo clima”, quando a cabeça não aguentava a pressão de viver num ambiente de guerra. Mas também houve alegrias, bebedeiras, sorrisos, cantorias e camaradagem. E algo comum a todos, que nos fez esquecer agruras e raivas por vermos um camarada mutilado ou morto ao nosso lado: o facto de termos 22, 23, 24 anos e a força de sermos jovens. Como esquecer, como não falar, como não confraternizar pela vida fora, pelo menos uma vez por ano?

Talvez pelas condições específicas da luta na Guiné-Bissau, os camaradas Combatentes que estiveram nesta Província, ao longo dos anos foram criando grupos que designam por Tabanca. E todos se mantêm ligados, quer pelas redes sociais, quer pelos “Encontros Anuais “ e há mesmo quem se encontre todos os meses e semanas. Eu, que fiz a guerra na Guiné, percebo como é importante para nós.

Das várias Tabancas que conheço e/ou participo, no passado dia 8 estive a confraternizar na Tabanca – O Bando do Café Progresso,  das Caldas à Guiné. Trata-se de um grupo simpático que há alguns anos se reúne religiosamente todos os meses. Como todos os grupos que conheço, este é também um grupo eclético pelo que nas conversas entre camaradas, além da vida da tropa, fala-se de outros temas, de A a Z, conforme o momento.

Desta vez o Ferreira marcou o encontro para a terra – que nela vive – mas esqueceu-se de nos avisar, que só um GPS concebido pela NASA nos levaria lá, sem a ajuda de um forasteiro que encontrássemos pelo caminho. Mas chegamos. E valeu a pena.

Boa comida nos serviram no restaurante. As “entradas” foram diversas e de boa qualidade e as tripas muito bem confecionadas e do agrado de todos. Desta vez a tertúlia teve a presença de algumas senhoras e cavalheiros da terra do Ferreira, gente simpática e alegre. Rosinha, dona do restaurante - porque coincidiu com o seu aniversário - prendou-nos com um belíssimo bolo e brindou-nos com alguns fados. 

Logo a seguir à refeição e antes das cantorias e conversas, foram declamados dois poemas: "Sextante", dito de forma magistral por Ricardo Figueiredo; e "Geração Africana", por mim. Algumas lágrimas surgiram ao canto do olho dos mais sensíveis.

Da próxima que lá for, vou de barco até a eclusa da barragem, subo e vou a correr por lá acima até chegar à Rua da Marroca, local do restaurante da Rosinha.

Um abarço, saúde om ano para todos Combatentes e suas família.
Angelino dos Santos Silva

Combatente na Guerra Colonial Portuguesa na Guiné-Bissau

PS - Deixo-vos com os dois poemas :

SEXTANTE

Tracei a vida a régua e esquadro
como se fora uma quadricula
estudei ângulos, revi a deriva
e lancei as sortes no xadrez da vida

Nas contas usei a tabuada
mexi números, tracei a equação
somei pelos dedos da mão
dividi a sorte pela raiz quadrada
e fui à vida de bota fardada

Em águas turvas naveguei
por mar em tempos navegado
ao chão da selva cheguei
dormi sem cama, comi sem mesa
joguei às escondidas de arma na mão
e nesta complicada equação
pisei a linha e perdi o norte

Quis o sextante livrar-me da morte
voltei à vida sem trunfos na mão
lancei os dados em busca da sorte
ganhei ao xadrez, perdi ao gamão
nos cálculos imperfeitos da equação

Traz-me o sextante nesta aflição
realinho a quadricula a régua e esquadro
cálculo o risco, sou enganado
consulto as linhas da palma da mão
e aguardo as sortes da equação

E a vida se faz, fazendo
umas vezes parada, outras correndo
em matemáticas de contas incertas
umas vezes erradas, outras certas
e as contas desta equação
apenas se fecham nas tábuas de um caixão.


GERAÇÃO AFRICANA

Já lá fui e voltei
Já lá fomos e voltamos.

Percorremos o lado negro da vida
tropeçamos na face má da sorte
e andamos por trilhos e picadas da morte.

Talvez com sorte digo eu
muita sorte dizemos nós
quando em passos cuidados e tremidos
caminhamos sem rumo e sem norte
lutando para segurar a vida
matando para sacudir a morte.

Já lá fui e lutei
Já lá fomos e lutamos
Já lá sorrimos e penamos.

E abrimos a caixa de pandora
e antes de virmos embora
enfrentamos medos e emboscadas
carregamos sonhos e granadas
corremos perigo e aflição
bebemos água da bolanha
comemos colados ao chão
adormecemos de arma na mão
socorremos camaradas feridos
beijamos rostos estendidos
cerramos os punhos cantando
festejamos a vida chorando
deixamos os sonhos esquecidos
zangamo-nos com deus e o diabo
apertamos a raiva mordida na mão
e levamos a cabo heroica missão
deixamos áfrica
e regressamos a casa
mais leves de coração.

Já lá fui e voltei
Já lá fomos e voltamos
E pouco pedimos em troca.

Apenas… respeito e consideração.
Da vida e das mãos se faz uma nação.
Das lágrimas de um povo se faz História.
Da Geração Africana se fará Memória.

Poemas da autoria de Angelino Santos Silva, 
disponíveis na sua página do Facebook)

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Guiné 61/74 - P24921: Boas Memórias da Minha Paz (José Ferreira da Silva) (20): 10 de Junho (Só para Patriotas)


1. Em mensagem do dia 30 de Novembro de 2023, o nosso camarada José Ferreira da Silva (ex-Fur Mil Op Esp da CART 1689 / BART 1913, Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69), reapareceu volvidos três anos, enviando-nos esta Boa memória da sua paz, intitulada "10 de Junho (Só para Patriotas)".


BOAS MEMÓRIAS DA MINHA PAZ - 18

10 de Junho
(Só para Patriotas)


Há um grupo de ex-combatentes da Guerra do Ultramar que se vem reunindo mensalmente em alegres convívios, usufruindo de excelentes “provas” de gastronomia, enriquecidos com admiráveis programas de lazer e de cultura. Neles se cimentaram grandes laços de amizade, solidariedade e camaradagem.

Chama-se “O Bando do Café Progresso” e deve a sua formação a um pequeno grupo de jovens que frequentava assiduamente o “Café Progresso” (o mais antigo do Porto), especialmente no período anterior ao seu ingresso no serviço militar e sua consequente mobilização para a Guerra do Ultramar. Por coincidência passaram maioritariamente pelo mesmo percurso (Caldas, Mafra, Vendas Novas, Tavira, Santarém, Espinho e… Guiné).

Muito mais tarde, o Facebook promoveu a reaproximação de uns e a adesão de outros. Quem fomentou mais a afirmação do grupo foi o saudoso Jorge Portojo. Os membros do “Bando” tratam-se por tu, convivem como irmãos, sem distinção militar, social, clubística, profissional e académica. Cada um vai-se integrando ou afastando livremente, conforme a sua disposição para adaptação à camaradagem, amizade, solidariedade e tolerância. Graças a isso, e a mais de uma dúzia de anos de vivências regulares, temos um bom núcleo de base de grande confiança e amizade. Aqui, ninguém impõe nada, nem é obrigado a nada. Apenas tem de se sentir bem sem chatear ninguém.

Portugal não respeita o dia da sua Independência. Deve ser o único país do Mundo que não festeja o dia da sua independência!

Há quem diga que na “corte” da nossa Capital nunca foi nem será aceite que a fundação de Portugal tenha sido antes da conquista de Lisboa aos mouros.

Graças à grandeza do Camões (muito anterior ao Eusébio, Ronaldo, José Sócrates e Pinto da Costa), os portugueses vêm assinalando a data da sua morte como ponto alto da nossa portugalidade.

E chegou mais um 10 de Junho. Nada de novo: uma descentralizaçãozita das cerimónias para o interior do País e para junto das comunidades lusas de emigrantes no estrangeiro, garantindo assim a participação popular, mais pura e mais patriótica. Oportunidade única para se mostrar alguns adereços locais, mais políticos, mais medalhas discutíveis, mais fardas de vários tipos, incluindo algumas orientadas pela anquilosada/estatizada/Salazarenta Liga dos Combatentes. Mesmo assim, temos vindo a assistir a desfiles de figuras do poder, suas selfies e seus discursos vergonhosamente desenquadrados da importância solene que este Dia de Portugal exige.

Nós, “Bandalhos” do “Bando”, que sempre nos honramos da Pátria que defendemos, que além da Guerra, nos preocupámos e lutámos pela dignidade, honra e solidariedade dos nossos Camaradas, infelizmente pouco conseguimos e muito nos desacreditámos.

Prevalece, isso sim, o espírito “Bandalho”, que nos proporciona a boa ambiência, a amizade e a óptima camaradagem. E sempre manteremos o sentido patriótico com orgulho e muito respeito.


10 de Junho de 2023

Sem políticos, sem fardas, sem desfiles e sem medalhas, o “Bando” poisou, mais uma vez (a 10.ª), na lindíssima povoação de Crestuma,

Concentrados no Miradouro deslumbrante do Largo da Igreja, pelas 12h00 fizemos a Romagem ao Cemitério onde foi depositado um lindo ramo de flores. O Romualdo Silva complementou a Homenagem aos ex-Combatentes locais, enaltecendo a sua prestação militar, espirito de sacrifício e dever patriótico, na defesa do seu País e da sua comunidade.

Seguimos para as instalações do Clube Náutico de Crestuma, onde tivemos a oportunidade de conhecer um dos principais clubes da Canoagem Portuguesa.
Na montra de Troféus do C. N. Crestuma, deparamos com o Troféu Olímpico, que é atribuido ao clube desportivo de maior destaque no período dos 4 anos de Ciclo Olímpico
Como Fundador e Primeiro Presidente (e Honorário) desta Colectividade, “deixaram-me” fazer o papel de Guia. O Clube (propriamente dito) estava ausente, a participar em Provas de Canoagem na Catalunha.

Subimos para a Esplanada, onde prosseguiu o nosso 10 de Junho “à nossa maneira”.
Ali, quase debruçados sobre as águas do Rio Douro, envolvidos numa belíssima paisagem e acarinhados pelo aconchego das nossas queridas, resolvemos homenagear (finalmente!) as nossas Madrinhas de Guerra
Ainda entretidos a “decidir opções” perante a excelente mostra das entradas, o Ricardo Figueiredo já aproveitava para citar Camões, a referência ao dia e o expoente máximo da nossa cultura.
“Eternos moradores do Luzente
Estelífero polo e claro acento,
Se do grande valor da forte gente
De Luso não perdeis o pensamento”


E referiu:
“…Ao longo da nossa história, muitos foram os exemplos de dedicação, altruísmo e coragem de militares que, em cumprimento do dever, sublimaram as suas capacidades ao serviço de Portugal. Foram heróis que connosco partilharam o quotidiano das suas vidas. Afinal, homens simples, capazes de feitos extraordinários.
Ao percorrermos a nossa memória, lembramo-nos dos cerca de 10.000 portugueses mortos e de mais de 54.000 feridos em combate e aí revemos os nomes de familiares e amigos.
E recordamos também aqueles que, ao longo de 9 séculos, deram a vida por Portugal.
Fomos Combatentes!
Somos ex-Combatentes!
Fomos soldados de excepção. Fizemos da distância e da saudade um desafio a vencer, aceitámos a falta de recursos como razão para a iniciativa e para a adaptabilidade fizemos da juventude o tempero da camaradagem.
E é desta lembrança de uma camaradagem fortalecida em tempos difíceis de guerra que resultam os nossos sentimentos de saudade.
Lembramos os nossos camaradas que sobreviveram e os que recentemente da lei da morte se passaram para outra dimensão.


Lembramos:
Jorge Portojo,
Carlos Peixoto,
Armando Santos,
Barreto Pires,
José Valente,
António Piteira,
Francisco Alen
Henrique Azevedo
Carneiro de Miranda
Manuel Maia
…”

Após o minuto de silêncio, procedeu-se à distribuição dos Diplomas de Homenagem às Madrinhas de Guerra, entregues pelos seus próprios afilhados. A nossa geração não esquece.

E a pedido, o Ricardo também leu:

Ex.mas Madrinhas de Guerra
Camaradas Combatentes
Desde miúdos, que nos habituámos a respeitar o 10 de Junho, como Dia de Camões, Dia da Raça. Dia de Portugal.
Era neste dia que se enalteciam os maiores feitos dos Portugueses!
Dia consagrado aos nossos heróis!
Vimos jovens, robustos, firmes, inteiros ou estropiados, garbosamente fardados.
Vimos pais, mães e filhos, vestidos de negro.
Vivos ou mortos, os nossos valorosos Combatentes estavam ali, orgulhosamente, para Honra e Glória da nossa Pátria.
Eram respeitados como a expressão máxima do nosso heroísmo.
Os tempos foram mudando, os combatentes foram esquecidos e as Cruzes de Guerra foram substituídas por grandes e abundantes Comendas.
Agora, os heróis são outros. São experts da política, da economia, da vigarice, do marketing e do chico-espertismo.
Curiosa e vergonhosa a situação reinante.
É que muitos deles (nós também), aguardam da verdadeira Justiça, a desejada e demorada condenação!
Volvido meio século da nossa história, nós, a geração que tudo sofreu,
A geração que em tudo acreditou,
A geração que sempre trabalhou,
Sente-se agora algo envergonhada pela situação a que chegamos.
Sem força, física e anímica, resta-nos a razão moral que nos alimenta vida fora.
Muito fizemos!
Mas muito deixamos por fazer!

É por isso, que, volvido tanto tempo, ainda vivemos preocupados com desejados acertos da nossa História.
Hoje, mais uma vez, lembramos o 10 de Junho, através de uma singela Homenagem.
A Homenagem às nossas Madrinhas de Guerra.
Sem elas, a guerra teria sido outra.
Sem elas, não teríamos vivido a Paz e o Amor.
Sem elas, não valeria a pena viver!
Obrigado Madrinhas de Guerra!
Obrigado Madrinhas no Amor!
Vós sois a razão da nossa existência.
VIVAM ÀS NOSSAS MADRINHAS !!!
VIVA PORTUGAL !!!


Uma inédita e muito singela Homenagem que provocou momentos de grande emoção e ainda de …muito amor.

Foram Homenageadas as seguintes Madrinhas de “Bandalhos”:

Gilda Ferreira - de - José Ferreira
Virgínia Teixeira - de - Jorge Teixeira
Carminda Cancela - de - Jose Manuel Cancela
Margarida Peixoto - de - Joaquim Peixoto
Cândida Rainha - de - Ricardo Figueiredo
Almerinda Freire - de - José Freire
Constantina Silva - de - Fernando Silva
Rosário Guimarães - de - Manuel Cibrão Guimarães
Amélia Fonseca - de - Luis Bateira
Maria Inês Sá - de - Manuel David Sá
Isabel Encarnação - de - João Encarnação
Emília Silva - de - Romualdo Silva
Maria Anjos Ramalho - de - Alberto Moura
Júlia Gomes - de - Isolino Gomes
Eulália Oliveira - de - António Pimentel
Maria de Fátima Carvalho - de - Antonio Carvalho
Umbelina Carneiro - de - Joaquim Carneiro
Constança Lopes - de - António Moreira
Fátima Sousa - de - José António Sousa
Maria José Costa - de - José Sousa
Conceição Claro - de - Damião Carneiro
Fátima Anjos - de - Francisco Baptista
Ana Maria Marques - de - António Duque Marques
Quina Carmelita - de - Manuel Carmelita
Assunção Paupério - de - Rogério Paupério
Constança Maria - de - António Gonçalves
Manuela Campos - de - Eduardo Campos
Fernanda Soares - de - Alberto Godinho
Luísa Lopes - de - José Manuel Lopes

Dia de emoções fortes
No 10 de Junho destes “guerreiros”, o Amor sempre prevalece.
Alimentados os corações, há que abastecer o estômago com a “Paella do Marques”, complementada com mais umas lambarices.
Tudo bem regado com bebidas escuras, brancas e outras e bem-humorado, com destaque para a animação da dupla “Ricardo e Carneiro” e para o grupinho das “Tecedeiras de Crestuma”
Os animadores Ricardo e Carneiro
Grupo das “Tecedeiras de Crestuma”
Já o dia ia longe e ainda “restavam” vários Bandalhos, pacificamente “colados” à terra, quietinhos, quentinhos e em sonolenta recuperação.

“Estes guerreiros são bons
C´o copito no punho
Clamam em vários tons
Pureza no 10 de Junho”


Silva Da Cart 1689
José Ferreira da Silva

____________

Nota do editor

Último poste da série de 16 DE AGOSTO DE 2020 > Guiné 61/74 - P21260: Boas Memórias da Minha Paz (José Ferreira da Silva) (19): O Sousa da Ponte… de Pedra

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Guiné 61/74 - P23978: Memória dos lugares (446): Sinchã Alfa, na estrada Cabuca-Nova Lamego (hoje Gabu): interessante, 52 anos depois, constrói-se uma escola no local de um antiga rampa de lançamento de foguetões 122 mm

 

Guiné > Região de Gabu > Carta de Cabuca (1959 ) / Escala 1/50 mil > Posição relativa de Cabuca, Sinchã Alfa, a sudeste de Nova Lamego, e rio Corubal.



 Guiné > Carta geral da antiga província portuguesa da Guiné (1961) / Escala 1/500 mil > Pormenor: posição relativa de Cabuca e Sinchã Alfa a sudeste de Nova Lamego (Gabu Sara). Temos 40 referências a Cabuca.



Infografia: Nuno Rubim / Blogue Luís Grça & Camaradas da Guiné (2008)


1. Comentário de Valdemar Queiroz ao poste P23976 (*)



Valdemar Queiroz, minhoto por criação, lisboeta por eleição, ex-fur mil, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70; aqui, na foto, em Contuboel, 1969. Trancado em casa, por causa da sua DPOC de estimação, com o filho, a nora  e os netos lá longe nos Países Baixos, é um "consumidor compulsivo" do nosso blogue e extraordinário contribuinte ativo da nossa Tabanca Grande... Que Deus, Alá e os bons irãs lhe deem muitos anos de vida (e a saúde q.b.).


Sinchã Alfa

O local da tabanca Sincha Alfa ficava junto à estrada a meio caminho Nova Lamego-Cabuca, passei por lá várias vezes. (**)

Não sei quando teria sido abandonada, em 1969 já não tinha população.

Próximo de Sincha Alfa foram montadas as rampas de lançamento dos foguetões 122 mm lançados sobre Nova Lamego em 5 de abrail de 1970.

No dia seguinte, foi o meu 4º. Pelotão da CART.11, "Os Lacraus", que encontrou o local da instalação das rampas de lançamento dos 122 mm.

Interessante, 52 anos depois de no local de lançamento de mortíferos foguetões, que por sorte não atingiram ninguém, aparecer a construção de uma Escola.

Que a Escola perdure por muitos anos.




Guiné > Região de Gabu > Cabuca > CART 2479 / CART 11 > 23 de março de 1970 >  Além de material abandonado (morteiro 82, completo, e granadas), o PAIGC  deixou um morto


2. Nota do editor LG:

Camaradas que passaram por (ou conheceram) Cabuca;

  • António Barbosa, ex-alf mil op esp/ranger, 2.ª C / BART 6523 (Cabuca, 1973/74);
  • Armando Gomes ex-1.º cabo ap armas pesadas, CCAÇ 2383 (Cabuca 1968/70);
  • Carlos Arnaut, ex-alf mil art, 16º Pel Art (Binar, Cabuca, Dara, 1970/72);
  • João Silva (1950-2022), ex-fur mil at inf, de rendição individual, CCAV 3404 (Cabuca, 1972), CCAÇ 12 (Bambadinca e Xime, 1973) e CIM Bolama (Bolama, 1973/74);
  • José António Gomes de Sousa, ex-sold condutor auto, CCAV 3404/BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73);
  • José da Luz Rosário, ex-fur mil, Pel Canh S/R 2298 (Cabuca e Buruntuma, 1971/72);
  • José Pereira, ex-1.º cabo inf, 3.ª CCAÇ e CCAÇ 5 (Nova Lamego, Cabuca, Cheche e Canjadude, 1966/68);
  • Ricardo Figueiredo, ex-fur mil, 2ª C / BART 6523, Cabuca (1973/74);
  • Valdemar Queiroz, ex-fur mil, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70).