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terça-feira, 14 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28181: Ser solidário (298): Nô Sidadi, Nô Futuru: sistemas fotovoltaicos instalados nos furos de Bala e de Doubala, trazem a milagrosa água ao Gabú: notícias da Impar Lda e do IMVF - Instituto Marquês de Valle Flôr


Foto nº 1 > Obras de instalação de sistemas de energia solar no furo de Doubala na cidade de Gabú, a cargo da Impar Lda  (Parece-nos descortinar uma trabalhadora, guineense, em segundo lugar, a contar da esquerda para a direita.)


Foto nº 2 > A equipa (incluindo o pessoal da Impar Lda) envolvido nas obras de instalação de sistemas de energia solar no furo de Doubala na cidade de Gabú. Todos usam vestuário de trabalho (menos as botas de biqueira de aço...). Só o "patrão" (o segundo a contar da esquerda) não usa capacete protetor...


Foto nº 3 > Grupo técnico (o Patrício Ribeiro é o primeiro da direita) junto ao novo sistema fotovoltaico no furo de Bada


Foto nº 4 > O Patrício Ribeiro, em segundo plano, em reunião de trabalho com a sua equipa  


Foto nº 5 > O principal depósito de água da cidade



Foto nº  5 > A alegria dos "djubis", refrescando-se com a água que cai do depósito

Guiné- Bissau > Região  de Gabu > Gabu > c. Junho / julho de 2026


1. Excertos (texto e fotos), reproduzidos com a devida vénia, da página da fundação para o desenvolvimento e cooperação,  portuguesa, o IMVF - Instituto Marquês  de Valle Flor.

 Desta vez foi possível apanhar o nosso amigo e camarada Patrício Ribeiro em ação, ele que é habitualmente discreto (para não dizer avesso a mostrar-se), nunca de resto nos falando diretamente das obras a cargo da sua empresa, a Impar Lda, de que foi fundador e diretor técnico. À beira de fazer 80 anos, praticamente quase todos passados em África (Angola e Guiné-Bissau), é ele um exemplo extraordinário de vida ativa, proativa e saudável. Que os bons irãs o protejam.


Quanto ao  IMVF - Instituto Marquês  de Valle Flor, é de referir a sua origem e o seu currículo na área da cooperação e desenvolvimento:


(i) foi fundado em 1951 como instituição privada de utilidade pública, por Maria do Carmo Dias Constantino Ferreira Pinto, Marquesa de Valle Flôr (1872-1952), para perpetuar a memória do marido e do filho (1.º e 2.º Marqueses de Valle Flôr);

(ii) a fortuna da família foi construída em São Tomé e Príncipe , onde José Luís Constantino Dias (1.º Marquês) se tornou um grande empresário de cacau (nasceu em Murça, 1855 e morreu em Bad Nauheim, Alemanha, em 1932): foi nobilitado pelo rei Dom Carlos I; visconde (1890), conde e  marquês (1907);

(iii) o objetivo inicial era apoiar e promover a investigação científica e o desenvolvimento, com foco em doenças tropicais e assistência social em São Tomé e Príncipe;

(iv) a transição para ONGD ocorreu em 1988, com o início formal da sua atividade em São Tomé e Príncipe;

(v)  expandiu-se nos anos 90 para outros países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor-Leste) e, mais recentemente, para África e América Latina;

(vi) atua em 10 áreas-chave (saúde, educação, água e saneamento, desenvolvimento rural, segurança alimentar, agricultura, igualdade de género, ecoturismo, comércio justo, etc.);

(vii) já implementou mais de 160 projetos em 10 países desde 1988, com destaque para a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)

(viii) o projeto "Nô Sidadi, Nô futuro"  (a nossa cidade, o nosso futuro) insere-se no âmbito da "Requalificação de Infraestruturas Sociais nas Cidades de Bafatá e Gabú": (...) partindo de um contexto governamental, administrativo e estrutural frágil, a Guiné-Bissau enfrenta diversos desafios de desenvolvimento, particularmente no que se refere às infraestruturas e serviços básicos 'inadequados, insuficientes ou inexistentes' "; este projeto, financiado pelo Fundo para a Estabilização e o Desenvolvimento Regional nas Regiões Frágeis da CEDEAO (FRSD), "vem dar resposta a problemas específicos da Guiné-Bissau: o acesso limitado a água potável, a degradação das infraestruturas dos Hospitais Regionais de Bafatá e Gabú e e as dificuldades na governação local das regiões".



26 Jun 2026


Depois de mais de dois meses sem abastecimento de água, milhares de habitantes da cidade de Gabú voltaram a ter acesso a este serviço essencial. A retoma do fornecimento foi possível graças à entrada em funcionamento do novo sistema fotovoltaico instalado no furo de Bada, no âmbito do projeto Nô Sidadi, Nô Futuru.

Com a instalação de um sistema de energia solar, o abastecimento de água passou a ser assegurado através de uma solução mais sustentável, eficiente e resiliente, eliminando a dependência de combustível e reduzindo significativamente o risco de interrupção da água.

Com capacidade para bombear cerca de 13 metros cúbicos de água por hora utilizando exclusivamente energia solar, a nova infraestrutura alimenta o principal reservatório da cidade, contribuindo para uma maior regularidade no abastecimento e para a redução dos custos operacionais do sistema.

Antes da entrada em funcionamento, a coordenação do projeto validou a conformidade técnica da instalação e autorizou o início da operação. Este momento assinalou a conclusão de uma intervenção considerada determinante para reforçar o acesso à água numa das principais cidades do leste da Guiné-Bissau.

O regresso da água foi celebrado pela comunidade num momento carregado de simbolismo. Numa cerimónia realizada junto às infraestruturas do sistema, procedeu-se assim à abertura solene da válvula de água, assinalando o restabelecimento do abastecimento à população.

Paralelamente, mantém-se os trabalhos de instalação de um segundo sistema fotovoltaico no furo de Doubala, que permitirá reforçar a capacidade de produção e distribuição de água para a cidade.

No âmbito do Plano de Envolvimento das Partes Interessadas (PEPI), foram organizadas visitas comunitárias às duas infraestruturas, envolvendo representantes das comunidades locais, autoridades regionais, instituições dos setores da água e energia, organizações da sociedade civil e outros atores relevantes.

Estas visitas permitiram aos participantes:

  • conhecer de perto os investimentos realizados, 
  • compreender o funcionamento dos sistemas solares instalados
  •  e acompanhar a evolução das obras. 

As equipas técnicas apresentaram as diferentes componentes das infraestruturas, explicaram os benefícios esperados para o abastecimento de água e responderam às questões colocadas.

As visitas incluíram ainda momentos de diálogo e partilha, durante os quais foram recolhidas preocupações, sugestões e expectativas das comunidades relativamente aos investimentos em curso. Esta abordagem participativa procura reforçar o envolvimento das populações e promover a apropriação local das infraestruturas, contribuindo para a sua sustentabilidade a longo prazo.

As intervenções integram-se no projeto Nô Sidadi, Nô Futuru, financiado pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), através do BMZ (Bundesministerium für wirtschaftliche Zusammenarbeit und Entwicklung) e do KfW Development Bank, e implementado pelo IMVF, com assistência técnica do GFA Consulting Group.

 (Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28167: Ser solidário (297): Bilhete-postal que vai dando notícias sobre a "viagem" da campanha de recolha de fundos para construir uma escola na aldeia de Sincha Alfa - Guiné-Bissau (22): Modelo educatico tradicional (Renato Brito)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Guiné 63/74 - P5607: Memória dos lugares (66): Iemberém, sede do Parque Nacional do Cantanhez, outrora campo de batalha (Luís Graça / António Faneco)


Guiné-Bissau > Região de Tombali > AD - Acção para o Desenvolvimento - Foto da Semana > 3 de Janeiro de 2010 >  "Cantanhez – várias opções de turismo responsável. Cada vez mais, o Parque Nacional de Cantanhez oferece alternativas agradáveis a todos quantos gostam da natureza, de conviver de perto com as comunidades locais e conhecer a sua cultura, forma de viver e de pensar.

"Para os turistas que lá se deslocam é também uma oportunidade de ver como é que a partir de um programa de turismo responsável, as populações locais melhoraram as suas condições de vida, tendo agora acesso a um grande número de escolas, unidades de saúde, poços de água, instrumentos de transformação de produtos agrícolas e informação local via rádio e televisão.

"As mulheres assumem um maior protagonismo em iniciativas que lhes permitem aceder a novos recursos financeiros, da mesma forma que os jovens encontram novos empregos complementares com a sua actividade principal, a agricultura, ao se capacitarem enquanto guias ecoturísticos, escultores de madeira, guardas comunitários florestais e cantores" (Foto tirada em 16/9/2009).

Foto: ©  AD - Acção para o Desenvolvimento (2010). Direitos reservados. (Com a devida vénia...)




Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cantanhez > Iemberém > 2005 >  "Foto de um marco existente em Iemberem, sede da nossa ONG em Cantanhez, que foi reparado e que, em homenagem à ONG portuguesa Instituto Marquês Valle Flôr-IMVF (que intervém na zona e com quem vamos trabalhar no projecto Guiledje), se chama Praça IMVF.

"Este pequeno monumento evoca a passagem, por aquelas paragens, de uma companhia, presumivelmente de caçadores ou de artilharia, a 6521... No mural lê-se: OS NÓMADAS, PIONEIROS DE JEMBEREM, Pelundo > 27 Out 72, Cadique > 21 Jan 73, Jemberem > 20 Abr 73" (*)...  Não sei quem é a simpatíquissima e bela menina, aqui na foto... provavelmente alguma cooperante ou até precoce ecoturista. O autor da foto não a quis identificar (LG)...

Foto (e legenda): © Carlos Schwarz / AD - Acção para o Desenvolvimento (2005). Direitos reservados (*)



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Jemberém (ou Iemberém, de acordo com a toponomia actual) é uma localidade onde a AD - Acção para o Desenvolvimento tem a sua base operacional (instalações de apoio aos projectos desenvolvidos no Cantanhez). É hoje uma das aldeias mais dinâmicas da Guiné-Bissau, sede do Parque Nacional de Cantanhez, cada vez mais visitado nomeadamente por truistas estrangeiros...  Foto de Luís Graça, tirada em 2 de Março de 2008, por ocasião da visita , ao sul, dos participantes do Simpósio Internacional de Guiledje (Bissau, 1-7 de Março de 2008) (**).

É espantoso como eles vestígios dos tugas sobreviveram, no todo ou em parte,  à independência... tendo sido mais tarde, há alguns anos, carinhosamente perservados e restaurados pelos nossos amigos da AD - Acção para o Desemvolvimento e pela população local....

Neste caso, trata-se do monumento erigido pela a 1ª CART do BART 6521/72 (1972/74)... De acordo com a inscrição que se encontra na base do respectivo monumento, colocado na actual Praça IMVF - Instituto Marquês Valle Flôr (é visível o logótipo do IMVF na placa toponímica que foi acrescentada ao monumento, há uns anos atrás).].

O António Faneco (de alcunha, na tropa, o Massamá), que agora nos visita (e com quem já telefonei pelo telefone, tendo aceite o meu convite para  se juntar à nossa Tabanca Grande) vem confirmar, na qualidade de ex-1.º Cabo da 1.ª CART/BART 6521/72, que a esta companhia, vinda do Pelundo, foi destacada para reforçar a reocupação do Cantanhez, chegando a "Cadique no dia 20 de Abril de 1973 pelas 8 horas da manhã e (...)  a Jemberém pelas 12 horas, sensivelmente",, local onde montou a tenda (não havia qualquer povoação) e ali "permanecemos até dia 9 de Setembro de 1973, altura em que regressámos ao Pelundo", (**), depois de terem apanho muita porrada e sofrido dois mortos em combate (segundo me disse a telefone o António Faneco).

Eram naturalmente vizinhos da CCAÇ 4540 ("Somos um caso série"), que esteva em Cadique, na mesma altura, e a que pertenceram os nossos camaradas Eduardo Camnpos, Vasco Ferreira, António Santos, Albertino Nunes  Ferreira (peço desculpa se, por lapso, omito alguém)...

O António Faneco mora hoje no Montiijo e prometeu visitar-me e mandar uma foto actual, como é da praxe.


Guiné > Região de Tombali > Cantanhez > Jemberém (como então diziam os tugas, de acordo de resto com a carta de Cacine..) > "Monumento que se encontra em Jemberém (este sim, é tal e qual como o deixámos), assim como o monumento em homenagem aos falecidos em combate… Paz à sua alma… Hoje vejo algo por cima do monumento… não percebo de que símbolo se trata" (António Faneco)...

Como eu já expliquei acma, trata-se de um simples placa topononímica, relativa á principal praça da aldeia, a Praça IMVF [Instituto Marquês Valle Flôr]. (LG).

 Foto (e legenda) : © António Faneco (2009). Direitos reservados.
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Notas de L.G..:

(*) Vd. poste de 3 Novembro 2005 > Guiné 63/74 - CCLVII: Projecto Guileje (2): arquitecto paisagista, precisa-se! (Carlos Schwarz)


(...) Caro Luís Graça: Só agora lhe respondo, uma vez que tivemos sérios problemas de acesso à internet no país.

Será com muito prazer que integrarei a vossa (já agora nossa) tertúlia.



Gostaria de aceitar a vossa sugestão de envolvimento no projecto e propor-vos, para já, que ela se materializasse na reconstituição do que era o quartel de Guiledje na época.



Procurei por várias formas aceder ao mapa do quartel aí em Portugal, tendo chegado à conclusão que provavelmente ele nunca terá existido. Nada que não possa ser ultrapassado, uma vez que com as duas fotografias tiradas de avião, um bom arquitecto não possa refazer o mapa e até uma maqueta.

É que nós gostaríamos de reconstruir o quartel à imagem daquilo que ele era, desde que isso não implicasse a destruição de belas árvores que entretanto se desenvolveram no interior.


Para isso, iremos fazer durante a época seca um levantamento topográfico com a sua localização, para que se possa casar com o mapa do antigo quartel.


Pensamos que os pavilhões da messe, etc possam ser adaptados para a formação de jovens no futuro CENAR (Centro de Aprendizagem Rural) e que a zona onde habitava a população possa ser aproveitada para: instalar habitações para novos habitantes da região e reservar uma zona para casas de passagem de visitantes interessados em fazer ecoturismo.


Ora é neste ponto que gostaríamos de ter o vosso apoio. Será que vocês poderão identificar um arquitecto, de preferência paisagista, que aceite fazer de forma solidária, a partir das fotografias aéreas, um mapa com todas as instalações, incluindo uma escala que nos possibilite saber as distâncias entre os edifícios, ruelas, etc?


Proponho igualmente que, quando for aí a Portugal no próximo ano, possamos fazer um encontro com as pessoas interessadas no projecto para incorporarmos as suas ideias. (...)

(**) 29 de Março de 2008 > Guiné 63/74 - P2695: Uma semana inolvidável na pátria de Cabral (29/2 a 7/3/2008) (11): Iemberém, uma luz ao fundo do túnel (Luís Graça)

(**) Vd. poste de 7 de Janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5605: O Nosso Livro de Visitas (78): António Faneco, ex-1.º Cabo da 1.ª CART/BART 6521/72 (1972/74)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Guiné 63/74 – P4687: Agenda Cultural (21): Djumbai Storias di Mindjeris, 19 de Julho, no Anteneu Comercial de Lisboa (Instituto Marquês Valle Flor)


C O N V I T E

Camaradas Tertulianos,

Trazemos ao vosso conhecimento mais um amável e gracioso convite que nos fois endereçado pela Casa da Guiné, em Coimbra, e que, desde já, muito agradecemos, em nome do Luís Graça e de todos os Camaradas desta grande tertúlia bloguística da Guiné.

Promovido pelo IMVF - Instituto Marquês Valle Flor, que é o principal parceiro português da AD - Acção para o Desenvolvimento, uma ONG guineense com quem o nosso blogue tem mantido desde finais de 2005 uma estreita cooperação (por ex., no apoio a projectos relacionados com a preserção e divulgação das memórias da guerra colonial / luta de libertação na Região de Tombali, e em especial em Guileje).

Este evento vai decorrer no próximo dia 19 de Julho, pelas 15h30, no Salão Nobre do Ateneu Comercial de Lisboa e é composto, por um vídeo (“Fala di Mindjeris”) e um álbum de retratos (“Storias di Mindjeris”).

Estes produtos culturais "resultam de entrevistas realizadas a mulheres guineenses entre Dezembro de 2008 e Maio de 2009, em Bissau, nas Ilhas Bijagós e na região da Grande Lisboa. Contam histórias de migração, de separação e de reencontro. São retratos de mulheres de cultura e experiência diversas com histórias de valência, de sobrevivência e de esperança, histórias de vida de mulheres guineenses"...

Esta é uma iniciativa do Projecto “Rostos Invisíveis”, uma parceria entre o IMVF e o Núcleo de Estudos para a Paz do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (NEP/CES).

O evento conta ainda com a presença do Jornalista e Poeta Guineense Tony Tcheka, cujos poemas enriquecem o Álbum de Retratos.

A entrada é livre.

O Ateneu Comercial de Lisboa, situa-se em:
Rua Portas de Sto Antão, nº 110
Lisboa
(Próximo do Coliseu dos Recreios)

Telefone do IMVF: 213 256 310
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Nota de M.R.:

(*) Vd. poste anterior, desta série em: